A Gestão da Carga na Sustentabilidade do Pomar



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Transcrição:

7 A Gestão da Carga na Sustentabilidade do Pomar António Ramos Escola Superior Agrária, Quinta da Sra. de Mércules, 6001-909 Castelo Branco, Portugal aramos@ipcb.pt Sumário Nesta conferência enquadra-se a oportunidade de inovação ao nível da quadro de estreitamento das margens de lucro, de escassez de recursos e de dependência das energias não renováveis. Neste contexto, dá-se relevo à tivo e mostram-se alguns resultados/exemplos que ilustram a importância da optimização dos recursos na produção vegetal, nomeadamente ao nível matéria-prima do processo fotossintético.

8 Palavras Chave Sustentabilidade Resumo Nas últimas décadas, o aumento dos custos dos factores de produção agroalimentar à base do consumo de energias fósseis tem sido uma constante ao nível da produção primária, ou seja, a agricultura. Este aumento, em conjugação com a estagnação dos preços dos produtos alimentares, tem criado um forte estrangulamento às soluções baseadas nessas energias, mas abre uma janela de oportunidade única ao desenvolvimento do conhecimento e da inovação naquele sector de actividade. A probabilidade de inovação resulta da diversidade e da profundidade passar pela criação de novos produtos, tecnologias ou processos inerentes ao sistema de produção, enquanto a profundidade do conhecimento implica uma especialização e uma optimização no uso desses produtos, tec- produtivo. Dada a diversidade de tecnologias de produção à disposição do produtor, urge aprofundar o conhecimento sobre as mesmas, no sentido de optimizar a sua utilização e evitar desperdícios e maiores custos ambientais. Desta forma, torna-se necessário, não só saber qual a melhor tecnologia máximo resultado com o mínimo de custos. Para que haja evolução do conhecimento é fundamental haver avalia- determinante da sua sustentabilidade, tem sido objecto de diversa regulamentação, muitas vezes restritiva da produção e da utilização dos factores de produção, pretensamente em defesa da qualidade do ambiente ou da segurança alimentar. No entanto, grande parte dessa regulamentação carece de estudos prévios e de avaliação a posteriori que determinem, inequivocamente, o seu impacte na sustentabilidade do sistema produtivo. - e sustentabilidade sejam utilizados com diferentes sentidos e intenções, - - cação para a violação do princípio secular do ónus da prova: a produção

9 agrícola é condenada com base em meras suposições, antes mesmo da e sem apelo, uma vez que, normalmente, nem sequer se estabelece uma limitação temporal destinada a avaliá-los objectivamente. mento do fruto (kg/árvore = número de frutos a valorização da produção depende do crescimento e qualidade do fruto. sustentabilidade jogam-se ao nível do efeito da carga no crescimento e qualidade do fruto. Deste modo, a regulação da carga, em especial através da produtores e, nesse sentido, a melhoria da sustentabilidade do pomar, deve procurar-se ao nível de um de três objectivos: aumentar a carga sem afectar o crescimento e qualidade do fruto; aumentar o crescimento e qualidade do fruto sem afectar a carga; aumentar a carga e o crescimento e qualidade do fruto. Torna-se óbvio que a avaliação do sistema produtivo não se pode fazer duas componentes da produção: a carga (expressa como kg ou número de área foliar, por unidade de área da secção do tronco, por unidade de volume lidade do fruto (expresso como peso ou calibre médio, como distribuição Dado que as energias fósseis atingiram já um elevado grau de evolução, difícil de superar, o aumento da sustentabilidade do pomar passará por tecnologias disponíveis. Neste sentido, há que dar prioridade aos factores que efectivamente permitem uma melhoria do sistema produtivo, ou seja, dos frutos, mas com impactos ambientais ou custos adicionais mínimos ou mesmo nulos (CO 2 nas análises que se fazem ao sistema produtivo e aos factores de produção. A gestão da radiação solar joga-se ao nível do coberto vegetal, ou seja, à forma como as plantas colonizam o espaço aéreo (densidade, compasso,

10 orientação das linhas, forma de condução, dimensões da sebe, podas, empas, 2 joga-se ao nível das trocas gasosas com o exterior, ou seja, depende da abertura e fecho dos estomas, no qual a transpiração assume devem ser condicionados a esta capacidade produtiva do sistema e não encarados como formas de manipular essa capacidade produtiva. Em suma, dado que o solo, o clima, a cultivar, o porta-enxerto, a idade, a densidade, o compasso, a forma de condução, a dimensão da parcela e a altura e largura da sebe, são diferentes de pomar para pomar, de espécie para espécie, de região para região e até, no caso das condições meteorológicas, de ano para ano, o potencial produtivo que se expressa em cada de produção de cada pomar é diferente, as suas necessidades também o são, tal como as condições para a sua sustentabilidade. Como tal, as decisões técnicas devem igualmente estar de acordo com as particularidades de cada caso, contrariamente ao que tem sido praticado e preconizado nas últimas décadas: a uniformização das regras de produção. Os exemplos das Figuras 1 a 3 ilustram uma forma inovadora de avalia- - to que se podem conseguir através de uma gestão optimizada da carga, de Figura 1 dois pomares com diferentes densidades. 2 disponíveis e a gestão óptima da carga, a que permite maximizar o rendimento, não necessitam de maiores inputs tecnológicos dependentes das energias fósseis, mas antes de

11 e do sistema produtivo, de modo a garantir a sustentabilidade (económica tência para investir na aplicação e desenvolvimento do conhecimento nos seus pomares. Resulta-lhes mais apelativa a compra de tecnologias que, em Figura 2 Figura 3 Amaral L.M. 2008. Economia TECH. Da Indústria à Sociedade da Informação e do Conhecimento. Booknomics Lda, Parede. Dennis F.G.Jr. 2000. The history of fruit thinning. Plant Growth Regulation, 31:1-16. methodology to relate orchard productivity and fruit quality. Acta Horticulturae, 800:225-230. Ramos A., Ribeiro E., Marques L., Lopes R. e Martins J.M.S. 2010. A metodologia do potencial Actas Portuguesas de Horticultura, 16:7-15.