Leonardo da Vinci - Vida e Obra

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Transcrição:

Universidade Tecnológica Federal do Paraná Departamento Acadêmico De Física Filosofia e História da Física Clássica Prof. Adilson Camilo De Barros Leonardo da Vinci - Vida e Obra Eduardo dos Santos Guilmour Rossi Jorge Luiz Colvara Fraga Curitiba Novembro, 2015 1

1 Introdução O presente trabalho tem como obejetivo apresentar um pouco sobre a vida e as obras de Leonardo da Vinci, um engenheiro, pintor, cientista, matemático, arquiteto, escultor, inventor e poeta italiano que nasceu em 15 de abril de 1452 e faleceu em 2 de maio de 1519. É sum símbolo do homem de conhecimentos em várias áreas[1], e mesmo sendo um homem não letrado é considerado o percursor de vários ramos de estudo como a da balística e o da aviação. Da Vinci é uma das principais figuras que representam o Renascimento italiano e europeu, ocorridos entre fins do século XIV e início do século XVII, e suas obras são arquétipos de tais pensamentos, como homem vitruviano que demosntra a ideia renacentista, humanista e clássica. Ou a obra Mona Lisa del Giocondo, que é talvez o quadro mais famoso de toda a história. Fig. 1: O Homem Vitruviano de Da Vinci Fig. 2: Mona Lisa de Da Vinci, 1503-1506. 2 Biografia 2.1 Infância, 1452 1468 Leonardo di ser Piero da Vinci, ou apenas Leonardo da Vinci, nasceu no sábado de 15 de abril de 1452, em uma comuna italiana chamado Vinci, na Toscana, que pertencia na época à Florença. Era filho ilegítimo de Messer Piero Fruosino di Antonio da Vinci, 2

escrivão do vilarejo e um notário florentino, e sua mãe chamava-se Caterina, uma camponesa. [2] Não se sabe muito sobre a infância de Da Vinci, apenas que ele era bastante apegado à mãe, e que desde pequeno manifestou seus inúmeros talentos: era esportista, nadador e cavaleiro, engenhoso, artesão e mecânico, e era também atraído por o desenho e pela pintura. Provavelmente passou os seus primeiros cinco anos de idade no vilarejo de Anchiano, na comuna de Vinci, e depois que sua mãe se casou com um camponês, teve que se mudar para a casa da família de seu pai, que vivia com sua esposa, Albiera di Giovanni Amadori, seu avô, Antonio e seu tio, Francesco. [2] A esposa de seu pai tinha apenas dezesseis anos nesta época e tinha uma boa relação com Leonardo, que à chamava de madrinha, mas que veio à falecer alguns anos depois, ainda jovem e sem filhos. Em 1468, também morreu seu avô, Francesco, que era muito querido, de Leonardo. [3] Seu pai se casou novamente mais três vezes, e só depois que se mudaram para Florença em 1476, um filho legítimo de Piero nasceu. Leonardo recebeu educação informal em Latim, geometria e matemática e assim tornou-se um jovem inteligente e sempre referido pelos estudiosos como dono de uma bonita aparência de belos cabelos louros e olhos claros, além de uma pessoa muito gentil com o trato das pessoas. [4] Fig. 3: A Casa de Da Vinci quando criançafig. 4: O primeiro desenho encontrado de em Anchiano. Leonardo. Arno Valley (1473) 2.2 Ateliê de Verrocchio, 1469 1476 Da Vinci então adolescente via-se influenciado por personalidades e artistas da época, como Lourenço de Médici e o grande artista Andrea del Verrocchio, cujo tinha uma das oficinas mais finas de Florença, e cobiçada por muitos. Da Vinci conseguiu fazer parte dela, graças ao pai que mostrou alguns de seus desenhos à Verrocchi, e em 1469, com 3

dezessete anos, passou a ser aprendiz de Verrochio, e teve treinamentos tanto teóricos e de habilidades técnicas em desenho técnico, química, metalurgia, mecânica e carpintaria, como também habilidades artísticas, desde trabalho em couro, desenho, pintura, escultura e modelagem. [5] Boa parte da produção de pinturas do ateliê de Verrocchio era feita por seus funcionários. De acordo com Vasari, Leonardo colaborou com Verrocchio em seu O Batismo de Cristo, pintando o jovem anjo da esquerda, que segura a túnica de Jesus de maneira tão superior ao seu próprio mestre que Verrocchio teria decidido nunca mais pintar. [6] Isto provavelmente é um exagero; mas um exame atento da pintura mostra que existem diversos retoques feitos sobre a têmpera utilizando a nova técnica de pintura a óleo, como o cenário, as rochas que podem ser vistas ao fundo e boa parte da figura do próprio Jesus, todas testemunhas da mão de Leonardo. Fig. 5: O Batismo de Cristo (1472 1475) Uffizi, de Verrocchio e Leonardo O próprio Leonardo pode ter sido o modelo para duas obras de Verrocchio, incluindo a estátua de bronze de David, no Bargello, e o Arcanjo em Tobias e o Anjo. Na altura apenas se disse que a estátua de David tinha sido inspirada num dos mais belos aprendizes do atelier de Verrocchio. Em 1472, com vinte anos de idade, Leonardo se qualificou para o cargo de mestre 4

na Guilda de São Lucas, uma guilda de artistas e doutores em medicina, porém mesmo depois de seu pai ter montado seu próprio ateliê, sua ligação com Verrocchio permaneceu tal que ele continuou a colaborar com ele.[3] Aos poucos, as pessoas da corte passam a fazer encomendas diretamente a Leonardo. Sua obra mais antiga a ser datada é um desenho em pena e tinta do vale do Arno, feito em 5 de agosto de 1473. 2.3 Vida profissional, 1476 1513 Em 1476, Leonardo da Vinci, juntamente com mais três alunos do ateliê de Verrocchio, foram acusados de sodomia; segundo a acusação referente a Leonardo, ele teria tido relações homossexuais com Jacopo Saltarelli, um jovem de 17 anos muito popular à época em Florença como prostituto. [2] Diante, no entanto, da falta de provas concretas que confirmassem semelhante acusação, Leonardo foi absolvido. A partir desta data até 1478 não existem registros nem de obras suas nem de seu paradeiro, embora se costuma presumir que Leonardo tenha estado no ateliê, em Florença, entre 1476 e 1481. Em 1478 foi-lhe encomendada a pintura de um retábulo para a Capela de São Bernardo, e a Adoração dos Magos, em 1481, para os monges de San Donato a Scopeto. Esta importante encomenda foi interrompida com a ida de Leonardo para Milão. Fig. 6: A Última Ceia (1495-1498), Da Vinci. Leonardo continuou a trabalhar em Milão, entre 1482 e 1499. Recebeu a encomenda de pintar a Virgem dos Rochedos para a Confraria da Imaculada Conceição, e a Última Ceia para o mosteiro de Santa Maria delle Grazie.[3] Enquanto vivia em Milão, entre 1493 5

e 1495, Leonardo listou uma mulher, chamada Caterina, entre seus dependentes, nas suas declarações de imposto de renda. Quando ela morreu, em 1495, a lista dos gastos com o funeral sugere que ela pode ter sido sua mãe.[3] Depois, trabalhou em diversos projetos para Ludovico, incluindo o preparo de carros alegóricos e desfiles para ocasiões especiais, o projeto de uma cúpula para a Catedral de Milão, e um modelo de um imenso monumento equestre para Francesco Sforza, o antecessor de Ludovico. No início da Segunda Guerra Italiana, em 1499, as tropas invasoras francesas de Luís XII, utilizaram-se do modelo de argila do Gran Cavallo como alvo para praticar tiro. Com a deposição de Ludovico Sforza, Leonardo, juntamente com seu assistente, Salai, e seu amigo, o matemático Luca Pacioli, abandonou Milão e fugiu para Veneza, passando por Mântua, sendo que em Veneza foi empregado como arquiteto e engenheiro militar, planejando métodos de defender a cidade de um ataque naval.[3] Ao retornar a Florença, em 1500, foi recebido, juntamente com sua família e criadagem, pelos monges servitas do mosteiro de Santissima Annunziata, onde tinha à sua disposição um ateliê. Em 1502, Leonardo passou a trabalhar para César Bórgia, filho do papa Alexandre VI, atuando como arquiteto e engenheiro militar, e viajando por toda a Itália com seu patrão; é nessa viagem que conhece Nicolau Maquiavel. Retornou a Florença, onde voltou a fazer parte da Guilda de São Lucas, em 18 de outubro de 1503; recebeu a encomenda de um retrato: a Mona Lisa, e passou os dois anos seguintes desenhando e pintando um grande mural da Batalha de Anghiari para a Signoria, enquanto Michelangelo foi responsável pela peça que a acompanhava, A Batalha de Cascina. Em 1506, retornou a Milão. Muitos dos seus pupilos e seguidores mais importantes, no campo da pintura, ou o conheceram ou trabalharam com ele naquela cidade.[3] Seu pai morreu em 1504, e como resultado, em 1507 Leonardo teve de voltar à Florença para resolver com seus irmãos os problemas decorrentes da herança e das propriedades paternas. No ano seguinte retornou a Milão por solicitação do governador francês Charles d Amboise, para resolver problemas de trabalhos inconclusos, onde passou a viver em sua própria casa, na região da Porta Orientale, na paróquia de São Bábila. Após mercenários suíços expulsarem os franceses em 1512, Massimiliano Sforza filho de Ludovico, ascende ao poder, e Leonardo fica sem patrono. No ano seguinte é convidado por Juliano de Médici filho do il Magnifico, para viajar para Roma, que está sob o controle do papa Leão X, um Médici. [2] 6

2.4 Últimos Anos, 1513 1519 De setembro de 1513 a 1516, Leonardo passou a maior parte do seu tempo vivendo no Belvedere, no Vaticano, em Roma, período durante o qual Rafael e Michelangelo também estavam em atividade. Em outubro de 1515, Francisco I da França reconquistou Milão; Leonardo estava presente no encontro entre Francisco I e o papa Leão X, em 19 de dezembro, ocorrido em Bolonha.[3] Foi de Francisco que Leonardo recebeu a encomenda de construir um leão mecânico, que pudesse caminhar para a frente, e abrir seu peito, revelando um ramalhete de lírios.[6] Em 1516, passou a trabalhar diretamente a serviço de Francisco, e foi-lhe concedido o solar de Clos Lucé, próximo à residência do rei, no Castelo de Amboise. Foi aqui que ele passou os três últimos anos de sua vida, acompanhado por seu amigo e aprendiz, o conde Francesco Melzi, e sustentado por uma grande pensão. Fig. 7: A Morte de Leonardo da Vinci, por Ingres (1818) Leonardo morreu em Clos Lucé, em 2 de maio de 1519. Francisco havia se tornado um grande amigo; e Vasari relata que o rei segurava a cabeça de Leonardo em seus braços quando este morreu. Não se tem certeza da veracidade deste ocorrido, mas tal cena foi relatada por Ingres e Angelica Kauffmann, a pintura da figura 12. Vasari também conta que, em seus últimos dias, Leonardo teria pedido que um padre lhe fosse trazido, para que se confessasse e recebesse a extrema unção.[6] De acordo com o que pediu em seu testamento, sessenta mendigos seguiram o seu cortejo. Foi enterrado na Capela de Saint- Hubert, no Castelo de Amboise. Melzi foi o principal herdeiro e inventariante, e recebeu, 7

além de todo o dinheiro de Leonardo, todos os seus cadernos, ferramentas, sua biblioteca e seus objetos pessoais. Leonardo também se lembrou de seu antigo pupilo e companheiro, Salai, e de seu criado, Battista di Vilussis; cada um recebeu uma metade das vinhas de Leonardo, sendo que de Salai tornaram-se posses as pinturas que acompanhavam o mestre desde então. Seus irmãos também receberam terras, e sua criada recebeu um manto negro de bom material, com as bordas de pele. 3 Obra Artística Fig. 8: A Virgem dos Rochedos, versão no Louvre (1483 1486) e de Londres (1495 1508) respectivamente. Apesar do recente interesse e admiração por Leonardo como cientista e inventor, durante mais de quatrocentos anos a sua enorme fama apoiou-se nos seus feitos como pintor e num punhado de obras, autenticadas ou atribuídas a ele, que têm sido vistas desde então como algumas das obras-primas supremas já criadas pelo homem. Estas pinturas ficaram famosas por uma série de qualidades que foram muito imitadas por estudantes e discutidas extensivamente por conhecedores e críticos. 8

Entre algumas destas qualidades que tornam a obra de Leonardo única estão as técnicas inovadoras que ele usou na aplicação da tinta, seu conhecimento detalhado de anatomia, luz, botânica e geologia, seu interesse na fisiognomonia e na maneira pelo qual os humanos registram emoções em suas expressões e gestos, seu uso inovador da forma humana em composições figurativas, e o uso da graduação sutil da tonalidade. Todas estas qualidades encontram-se reunidas em suas obras mais famosas, como a Mona Lisa, A Última Ceia e a Virgem dos Rochedos. Fig. 9: Retrato de Cecília Gallerani, Dama com Arminho. 1485-1490 A Última Ceia (L ultima cena ou Cenacolo), em Milão, é uma das mais conhecidas pinturas atribuídas a da Vinci, exposta no refeitório do convento de Santa Maria delle Grazie e tema central da obra O Código da Vinci de Dan Brown, assim como a Mona Lisa (também conhecida como La Gioconda, exposta no museu do Louvre, em Paris). 4 Obra técnica O humanismo renascentista não via polaridades mutuamente exclusivas entre as ciências e as artes, sendo os estudos de Leonardo, em ciências e engenharia, tão impressionantes e inovadores como o seu trabalho artístico, gravados em cadernos compostos por cerca de 13 000 páginas de notas e desenhos que fundem arte e filosofia natural (precursora 9

da ciência moderna). Estas notas foram feitas e mantidas cotidianamente durante toda a vida de Leonardo e suas viagens, como ele fez em suas observações contínuas do mundo ao seu redor. Os cadernos são, em sua maioria, escritos de forma invertida (da direita para a esquerda). A razão pode ter sido mais uma oportunidade prática, do que por razões de sigilo como muitas vezes é sugerido. Sendo Leonardo provavelmente canhoto, é possível que lhe era mais fácil escrever da direita para a esquerda. Suas anotações e desenhos mostram uma enorme gama de interesses e preocupações, algumas tão banais como as listas de compras e as pessoas que lhe deviam dinheiro, e outras tão intrigantes como desenhos de asas e sapatos para caminhar sobre a água. Há composições de pinturas, estudos de detalhes e planejamentos, estudos de rostos e gestos, de animais, bebês, dissecações, estudo de plantas, formações rochosas, piscinas de hidromassagem, máquinas de guerra, helicópteros e arquitetura. Essas páginas de cadernos originalmente soltas, de diferentes tamanhos, distribuídas após sua morte, encontraram caminho em coleções importantes, como a Royal Library do Castelo de Windsor, o Museu do Louvre, a Biblioteca Nacional da Espanha, o Museu Vitória e Alberto, a Biblioteca Ambrosiana de Milão, que detém os doze volumes Codex Atlanticus, e a Biblioteca Britânica em Londres, que disponibilizou de forma on-line uma seleção a partir do seu caderno BL Arundel MS 263. O Codex Leicester é a única grande obra científica de Leonardo em mãos privadas. É propriedade de Bill Gates e é exibido uma vez por ano em diferentes cidades pelo mundo. Os estudos de Leonardo parecem ter sido destinados à publicação, porque muitas das folhas têm uma forma e ordem que facilitam a mesma. Em muitos casos, um único tópico, por exemplo, o coração ou o feto humano, é abordado em detalhes em palavras e imagens, em uma única folha. O motivo de eles não terem sido publicados durante a vida de Leonardo é desconhecido. 4.1 Estudos científicos Leonardo tentou entender os fenômenos e descrevendo em detalhe extremo, e não enfatizou experiências ou explicações teóricas. Ao longo de sua vida, planejou uma enciclopédia baseado em desenhos detalhados de tudo. Como não dominava o latim e a matemática, o Leonardo da Vinci cientista era ignorado pelos estudiosos contemporâneos, como evoca sua famosa frase uomo senza lettere, em que claramente se refere a tais li- 10

Fig. 10: Estudo de ossos do braço (c. 1510) mitações. Na década de 1490, estudou matemática com seu amigo, o matemático Luca Pacioli e preparou uma série de gravuras incluindo o Homem Vitruviano para ilustrar o livro de Pacioli, De Divina Proportioni, publicado em 1509. Parece que a partir do conteúdo de seus diários estava planejando uma série de tratados que seriam publicados em uma variedade de assuntos. Um tratado coerente sobre a anatomia foi dito ter sido observado durante a visita do cardeal secretário Louis D Aragon, em 1517. Aspectos do seu trabalho sobre os estudos de anatomia, luz e de paisagem foram montados para a publicação por seu pupilo Francesco Melzi e, finalmente publicado como Trattato della Pittura de Leonardo da Vinci, postumamente na França e na Itália em 1651, e na Alemanha em 1724, com gravuras baseadas em desenhos do pintor clássico Nicolas Poussin. Segundo Arasse, o tratado, que na França foi publicado em sessenta e duas edições em cinquenta anos, ocasionou que Leonardo fosse visto como o precursor do pensamento acadêmico francês sobre a arte. Uma análise recente e exaustiva de Leonardo como cientista por Frtijof Capra[113] defende que Leonardo era um tipo fundamentalmente diferente de cientistas como Galileu, Newton e outros cientistas que o seguiram. Sua experimentação seguiu claro, abordagens com métodos científicos, e juntamente a sua teorização e hipotética voltada às artes, 11

particularmente na pintura, o fizeram um Leonardo único e integrado, em que pontos de vista holísticos da ciência, fazem dele um precursor dos modernos sistemas teóricos e complexas escolas de pensamento. 4.2 Anatomia Fig. 11: Estudos de embriões (1510 1513) nos quais retrata imagens impossíveis de se ver na época, mas completamente atuais. A formação de Leonardo da anatomia do corpo humano iniciou-se com o seu aprendizado no ateliê de Andrea del Verrocchio, seu mestre insistia que todos os alunos deviam aprender anatomia. Como artista, ele rapidamente se tornou mestre da anatomia topográfica, realizando muitos estudos de músculos, tendões e outras características anatômicas visíveis. Como um artista de sucesso, ele recebeu a permissão para dissecar cadáveres humanos no Hospital de Santa Maria Nuova, em Florença e mais tarde no hospital de Milão e Roma. Entre 1510 e 1511, colaborou em seus estudos o médico Marcantonio della Torre, e juntos elaboraram um trabalho teórico sobre a anatomia, em que Leonardo fez mais de 200 desenhos. Foi publicado apenas em 1680 (161 anos após sua morte), integrando o Trattato della Pittura.[2] Leonardo desenhou muitos estudos 12

sobre o esqueleto humano e suas partes, bem como os músculos e nervos, o coração e o sistema vascular, os órgãos sexuais, e outros órgãos internos. Ele fez um dos primeiros desenhos científicos de um feto no útero. Como artista, Leonardo observou e registrou cuidadosamente os efeitos da idade e da emoção humana sobre a fisiologia, estudando em particular os efeitos da raiva. Ele também desenhou muitas figuras importantes que tinham deformidades faciais ou sinais de doença.[2] Ele também estudou e desenhou a anatomia de animais diversos, bem como, dissecando vacas, aves, macacos, ursos e rãs, e comparava seus desenhos em sua estrutura anatômica com o dos seres humanos. Ele também fez uma série de estudos de cavalos. 4.3 Engenharia e invenções Fig. 12: Modelos de máquinas voadoras planejados por Leonardo Durante sua vida, Leonardo era valorizado como um engenheiro. Em uma carta a Ludovico Sforza, o duque de Milão, afirmou ser capaz de criar todos os tipos de máquinas, tanto para a proteção de uma cidade, quanto para o cerco. Quando ele fugiu para Veneza em 1499, encontrou emprego como engenheiro e arquiteto militar e concebeu um sistema de barricadas móveis para proteger a cidade de um ataque naval. Ele também tinha um esquema para desviar o fluxo do rio Arno, um projeto no qual também trabalhou Nicolau 13

Maquiavel. Os cadernos de Leonardo incluem um vasto número de invenções, alguns de possível construção, outros impossíveis. Eles incluem instrumentos musicais, bombas hidráulicas, canhões, entre outros.[3] Em 1502, Leonardo da Vinci produziu um desenho de uma ponte como parte de um projeto de engenharia civil para o sultão Bayezid II de Istambul. Nunca foi construída, mas a visão de Leonardo foi ressuscitada em 2001 quando uma ponte menor, baseada no projeto dele, foi construída na Noruega. Em 17 de maio de 2006, o governo turco decidiu construir a ponte de Leonardo para medir o Corno de Ouro. Por maior parte de sua vida, Leonardo foi fascinado pelo fenômeno de voo, produzindo muitos estudos detalhados do voo dos pássaros, incluindo o seu Codex sobre o Voo dos Pássaros de 1505, bem como planos para várias máquinas voadoras, tentou aplicar seus estudos para os protótipos que desenhou, o primeiro batizado de SWAN DI VOLO (Cisne voador), segundo especialistas é de 1510, inclusive um helicóptero movimentado por quatro homens, e um planador cuja viabilidade já foi provada. 14

Referências [1] ROSSI. PAOLO. La nascita della scienza moderna in Europa. Laterza, Roma, 2000. [2] NULANDO. SHERWIN. Leonardo da Vinci. Objetiva, Rio de Janeiro, 2001. [3] BORTOLON. LIANA. The life, times and art of Leonardo. Crescent Books, New York, 1965. [4] Coleção. Leonardo da Vince. vida e obra de um dos maiores gênios da história. Coleção grandes mestres da pintura. Ed. On Line, São Paulo, SP., 2003. [5] MARTINDALE ANDREW. The rise of the artist: in the Middle Ages and early Renaissance. Thames and Hudson, London, 1972. [6] VASARI. GIORGIO. The lives of the artists : a selection. Penguin Books, Harmondworth, Eng. New York, 1971. 15