Avaliação de comunicabilidade

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Transcrição:

1 Avaliação de comunicabilidade INF1403 Introdução a IHC Aula 14 João Dutra Bastos 28/04/2014

2 Avaliação Com quem? Inspeção Métodos de Inspeção de IHC são normalmente aplicados sem participação de usuários visados. Especialistas em IHC (com devido domínio dos métodos) advogam pelos usuários, percorrendo cenários de interação como se fossem os usuários e antecipando problemas que podem prejudicar a interação. Observação dos usuários Nesses casos o avaliador colhe evidências da experiência dos usuários (gravações de áudio/vídeo da interação e de entrevistas, anotações de observadores, etc.) e aplica o método de análise a estas evidências.

3 Avaliação Com quantos? Quantitativa Amostra estatisticamente válida do universo de usuários visados Qualitativa Amostra reduzida mas suficiente para que se atinja um ponto em que padrões significativos começam a se repetir (ponto de saturação)

4 Avaliação Onde? Pesquisa de campo No ambiente do usuário Testes de interação Em laboratórios ou ambientes suficientemente controlados para os propósitos do teste

5 Método de Avaliação de Comunicabilidade (MAC) Envolve a observação dos usuários durante a interação com o sistema em um ambiente controlado Faz análise QUALITATIVA É um método da Engenharia Semiótica Objetivo Investiga a qualidade da metacomunicação do designer para os usuários Foco na RECEPÇÃO (como o usuário recebe a mensagem do designer)

MAC: Foco na Recepção 6

7 Evidências de Recepção O que vemos? Problemas(?) Acertos(?) Do contexto de recepção Cenário de Teste Ambiente de Teste O que vai na cabeça do usuário Inferir, adivinhar ou perguntar?

8 Um método baseado em rupturas de comunicação Reconstrução PARCIAL da recepção da mensagem do designer porque captura APENAS as rupturas Por quê? A evidência de rupturas têm condições de evidenciação empírica muito mais claras e tangíveis do que as evidências de entendimento. O fato de o usuário não evidenciar erros de interação não significa que ele captou toda a comunicação do designer. Epa! Onde estou? Assim não dá. O que é isso? Cadê?

9 MAC: Etapas do método 1. Preparação 2. Aplicação 3. Interpretação (etiquetagem e análise) 4. Consolidação dos resultados 5. Relato dos resultados

10 1 - Preparação Definição dos objetivos da investigação Escolha dos participantes Inspecionar a interface Preparação do cenário de interação Preparação da infraestrutura de testes Elaboração de roteiro de observação do teste Elaboração de roteiro das entrevistas Executar teste-piloto

11 2 - Aplicação Entrevista pré-teste Orientações sobre teste Cenário Narrativa envolvente na qual haja um personagem com o qual os participantes do teste (usuários) possam identificar Atividade que este personagem deve realizar Entrevista pós-teste Impressões gerais do participante Eliminar ambiguidades para a etiquetagem posterior

12 3 - Interpretação O avaliador deve etiquetar os vídeos da interação Etiquetar Colocar palavras na boca do usuário Ex.: Cadê?, Desisto, Onde estou?, Vai de outro jeito! e etc. As etiquetas identificam tipos definidos de rupturas na comunicação Ao final desta etapa, o avaliador deve ter uma lista de etiquetas para cada vídeo de interação. Cada etiqueta deve estar associada a um trecho do vídeo e pode estar acompanhada de anotações.

13 Etiquetas E agora? Onde estou? Epa! Assim não dá. O que é isto? Socorro! Por que não funciona? Desisto. Pra mim, está bom. Não, obrigado. Vai de outro jeito. Ué, o que houve? Cadê?

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16 Exemplos Arachnophilia Spiderpad Site: http://www.id-book.com/casestudy_14-3.php

17 Falhas completas Pra mim está bom... Usuário acha equivocadamente que concluiu uma tarefa com sucesso Desisto O usuário termina uma recepção malsucedida, mas não inicia outra pra obter resultado esperado Usuário percebe que não concluiu a tarefa, mas não tem recursos, capacidade ou vontade de continuar tentando

18 Falhas parciais Não, obrigado Usuário entende o que o designer quis dizer através do sistema, mas prefere realizar a tarefa de outra forma Vai de outro jeito O usuário abandona uma interpretação antes de obter o resultado esperado e inicia outra com o mesmo propósito Usuário NÃO entende a mensagem do designer e tenta realizar a tarefa de outra forma

19 Falhas temporárias O usuário interrompe temporariamente sua recepção Cadê Usuário sabe a operação que deseja executar mas não a encontra de imediato na interface Ué, o que houve? O usuário não percebe ou não entende a resposta dada pelo sistema para a sua ação (ou o sistema não dá resposta alguma). E agora? Usuário não sabe o que fazer e procura descobrir qual é o seu próximo passo.

20 Falhas temporárias (2) O usuário percebe que seu ato comunicativo não foi bemsucedido Onde estou? Usuário efetua operações que são apropriadas para outros contextos, mas não para o contexto atual Epa! Usuário realizou uma ação indesejada e, percebendo imediatamente que isto ocorreu, desfaz a ação Assim não dá O usuário efetuou uma sequência (longa) de operações consistentemente encadeadas antes de perceber que estava seguindo um caminho improdutivo.

21 Falhas temporárias (3) O usuário procura compreender o ato comunicativo do sistema O que é isto? Usuário não sabe o que significa um elemento de interface e procura obter esclarecimento através de uma leitura da interface Socorro! Usuário não consegue realizar sua tarefa através da exploração da interface Por que isso não funciona? Operação efetuada não produz o resultado esperado, mas o usuário não entende ou não se conforma com o fato

22 4 - Consolidação dos resultados Perguntas-guia Qual a frequência das etiquetas por participante, por atividade (do cenário de teste), por elemento da interface ou qualquer outro critério que a equipe de avaliadores considerar relevante? Quais padrões de ocorrência das etiquetas no contexto das atividades entre os participantes? Os tipos ou sequências de etiquetas podem ser associados a problemas no estabelecimento das metas e submetas de comunicação? Exemplo: Cadê? seguido de Vai de outro jeito.

23 Perfil Semiótico Reconstrução da metamensagem Perguntas-guia 1. No meu entendimento, quem são (ou serão) os usuários do produto do meu design? comparação do usuário-alvo com o real 2. O que eu aprendi sobre as necessidades e desejos destes usuários? 3. No meu entendimento, quais são as preferências destes usuários com respeito a seus desejos e necessidades, e por quê? checar consistência entre os sistemas de significação designer e usuários 4. Portanto, qual sistema eu desenhei para estes usuários, e como eles podem ou devem usá-lo? 5. Qual é a minha visão de design?

24 5 - Relato dos resultados Descrever Objetivos da avaliação Método utilizado Número e perfil dos avaliadores e participantes Tarefas executadas pelos participantes Resultado da etiquetagem Problemas de comunicabilidade encontrados Sugestões de melhorias O perfil semiótico do sistema

25 Referências BARBOSA, S.D.J.; SILVA, B.S. Interação Humano- Computador. Editora Campus-Elsevier, 2010. Pg 344 357. Relatórios da Competição de Avaliação do XI Simpósio Brasileiro sobre Fatores Humanos em Sistemas Computacionais, 2012. Relatórios completos Imagem e privacidade: contradições no Facebook Inspeção semiótica e avaliação de comunicabilidade: identificando falhas de comunicabilidade sobre as configurações de privacidade do Facebook