Partes de uma máquina síncrona

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Transcrição:

Oque são geradores síncronos Um dos tipos mais importantes de máquinas elétricas rotativas é o Gerador Síncrono, que é capaz de converter energia mecânica em elétrica quando operada como gerador. Os Geradores Síncronos são utilizados na grande maioria das Centrais Hidroelétricas e Termoelétricas. O nome Síncrono se deve ao fato de esta máquina operar com uma velocidade de rotação constante sincronizada com a frequência da tensão elétrica alternada aplicada aos terminais da mesma, ou seja, devido ao movimento igual de rotação, entre o campo girante e o rotor é chamado de máquina síncrona (sincronismo entre campo do estator e rotor). Partes de uma máquina síncrona Rotor (Campo) Parte girante da máquina, pode ser constituído por um pacote de lâminas de um material ferromagnético envolto em um enrolamento constituído de condutores de cobre designado como enrolamento de campo, que tem como função produzir um campo magnético constante assim como no caso do gerador de corrente contínua para interagir com o campo produzido pelo enrolamento do estator. A tensão aplicada nesse enrolamento é contínua e a intensidade da corrente suportada por esse enrolamento é muito menor que o enrolamento do estator, além disso o rotor pode conter dois ou mais enrolamentos, sempre em número par e todos conectados em série sendo que cada enrolamento será responsável pela produção de um dos polos do eletroímã. Em algumas máquinas síncronas o rotor pode ser constituído por um imã permanente no lugar de um eletroímã, sendo neste caso denominado máquina síncrona de imã permanente. Estator (Armadura) Parte fixa da máquina, montada em volta do rotor de forma que o mesmo possa girar no seu interior, também constituído por um pacote de lâminas de um material ferromagnético envolto num conjunto de enrolamentos distribuídos ao longo da sua circunferência e posicionados em ranhuras. Os enrolamentos do estator são alimentados por um sistema de tensões alternadas trifásicas. Pelo estator circula toda a energia elétrica gerada, sendo que tanto a tensão quanto a corrente elétrica que circulam são bastante elevadas em relação ao campo (rotor), que tem como função apenas produzir um campo magnético para "excitar" a máquina de forma que seja possível a indução de tensões nos terminais dos enrolamentos do estator. Comparemos, por exemplo, um gerador de grande porte no qual circulam 18kV e 6556A no estator contra 350V e 1464A no rotor.

Princípio de funcionamento Operação como Gerador Síncrono Ao operar como gerador, a energia mecânica é fornecida à máquina pela aplicação de um torque e pela rotação do eixo/veio da mesma, a fonte de energia mecânica pode ser, por exemplo, uma turbina hidráulica, a gás ou a vapor. Uma vez estando o gerador ligado à rede elétrica, a tensão aos seus terminais é ditada pela frequência de rotação e pelo número de polos: a frequência da tensão trifásica da máquina. Para que a máquina síncrona seja capaz de efetivamente converter a energia mecânica aplicada no seu eixo/veio, é necessário que o enrolamento de campo localizado no rotor da máquina seja alimentado por uma fonte de tensão contínua de forma que ao girar o campo magnético gerado pelos polos do rotor tenham um movimento relativo aos condutores dos enrolamentos do estator. Devido a esse movimento relativo entre o campo magnético dos polos do rotor, a intensidade do campo magnético que atravessa os enrolamentos do estator irá variar no tempo, e assim teremos pela lei de Faraday uma indução de tensões aos terminais dos enrolamentos do estator. Devido à distribuição e disposição espacial do conjunto de enrolamentos do estator, as tensões induzidas aos seus terminais serão alternadas sinusoidais trifásicas. A corrente elétrica utilizada para alimentar o campo (enrolamento do rotor) é denominada corrente de excitação. Quando o gerador está a funcionar de forma isolada de um sistema elétrico (ou seja, o sistema estará sendo alimentado exclusivamente pelo gerador síncrono), a forma de onda e a frequência da tensão deste sistema "ilhado" serão ditados pelo gerador e a excitação do campo irá controlar diretamente a tensão elétrica gerada. Quando o gerador está conectado a um sistema/rede elétrica que possui diversos geradores interligados, a excitação do campo irá controlar a potência reativa que a máquina vai entregar ao sistema podendo eventualmente controlar indiretamente a tensão local. Modelos de geradores síncronos Um gerador síncrono é composto por dois circuitos acoplados magneticamente. O primeiro é a armadura trifásica, localizada no estator e responsável pela transferência de potência elétrica AC entre a máquina e o sistema de potência ao qual ela se conecta. O segundo circuito é o campo, localizado no rotor e alimentado com corrente contínua, de modo a produzir um fluxo magnético constante. Sendo N f o número de espiras por fase da armadura, f 1 a frequência das correntes da armadura, F 2 o fluxo magnético por polo produzido pelo rotor, a força eletromotriz E f induzida em cada fase da armadura a vazio será = 2 p F E f f 1 N f 2 k w, (4.30) Força eletromotriz induzida em cada fase de uma armadura a vazio. onde k 1w é, ainda, o fator de enrolamento da armadura, tipicamente maior do que 0,85 e menor ou igual a 1,0.

Quando alimenta uma carga qualquer, de maneira isolada ou conectado ao sistema, a tensão nos terminais do gerador será V 1 ¹ E f, indicando a presença de uma impedância interna, usualmente representada em série. Contudo, por causa do desacoplamento elétrico entre campo e armadura, o gerador síncrono é uma fonte de corrente quase ideal, podendo ser representado inicialmente como na Figura 4.15, onde x m é a reatância de magnetização, x 1 é a reatância de dispersão da armadura, r 1 é a resistência ôhmica da armadura e r c é a resistência de perdas no núcleo (histerese e Foucault). Todos os parâmetros são expressos em ohms por fase. Figura 4.15 Modelo inicial de um gerador síncrono trifásico É possível fazer algumas simplificações no circuito da Figura 4.15. Nos geradores comuns em sistemas de potência, sempre da classe MVA, os condutores da armadura têm bitola larga a ponto da resistência r 1 ser desprezível. As perdas no núcleo também são desprezíveis, o que significa que a resistência r c é muito grande em comparação com x m, e podemos fazer r c // x m x m. O resultado é o circuito da Figura 4.16, que consiste de um equivalente Norton em série com uma reatância de dispersão jx 1. Figura 4.16 Modelo intermediário de um gerador síncrono trifásico Finalmente, o equivalente Norton pode ser convertido em um equivalente Thévenin, no qual E f = jx m I f e x d = x m + x 1 é denominada reatância síncrona de eixo direto. O circuito equivalente final, mostrado na Figura 4.17, é adequado a geradores síncronos de polos lisos.

Figura 4.17 Modelo de circuito equivalente de um gerador síncrono de polos lisos Considerando que, em um gerador, o sentido da corrente de armadura I 1 é da máquina para a carga, a equação fasorial correspondente pode ser escrita como: Equação fasorial de um E f = V I 1 + jx d 1. (4.31) gerador de polos lisos em regime permanente. A equação (4.31) descrevem bastante bem o comportamento da máquina síncrona de polos lisos funcionando em regime permanente. No caso de geradores funcionando em regime transitório deveremos introduzir correções nas reatâncias síncronas. Vamos supor que um gerador síncrono esteja funcionando a vazio quando um curtocircuito trifásico ocorre. Vamos supor também, por simplicidade, que o curto ocorre exatamente quando a tensão alternada do gerador é instantaneamente nula. Por causa do caráter indutivo do gerador, a corrente não atingirá imediatamente um valor de regime constante, mas se comportará como mostrado na Figura 4.18. A envoltória da senoide é uma exponencial mais complexa do que o usual, pois sua taxa de decaimento não é constante. Para evitar a dificuldade de se trabalhar com uma quantidade muito grande de constantes de tempo, costumamos definir três períodos de tempo, cada um deles caracterizado por uma reatância síncrona: 1) Período subtransitório: corresponde aos primeiros ciclos após o curto, durante os quais a corrente decai muito rapidamente; caracterizado pela reatância subtransitória de eixo direto, x d ''.

2) Período transitório: corresponde ao período após o período subtransitório e antes da corrente ter se estabilizado, durante o qual a corrente decai mais lentamente; caracterizado pela reatância transitória de eixo direto, x d '. 3) Período de regime permanente: corresponde ao período após a corrente ter se estabilizado; caracterizado pela reatância síncrona de eixo direto usual, x d. Figura 4.18 Corrente de armadura de um gerador síncrono em curto-circuito trifásico simétrico A Tabela 4.1 mostra os valores típicos das reatâncias de algumas máquinas síncronas. Note que a relação entre as reatâncias síncrona x d e subtransitória x d '' pode chegar a 11 vezes no caso do gerador de polos salientes. A corrente de curto da Figura 4.18, denominada corrente de curto simétrica, é um caso particular de um caso mais geral, o das correntes de curto assimétricas, as quais têm uma componente contínua que as desloca para cima ou para baixo. Uma corrente assimétrica corresponde a uma corrente simétrica mais uma componente contínua que decai exponencialmente. Tabela 4.1 Reatâncias típicas de máquinas síncronas Reatância Gerador de polos lisos Gerador de polos salientes Motor de polos salientes Síncrona, x d (pu) 1,10 1,10 1,10 Transitória, xd (pu) 0,20 0,35 0,50 Subtransitória, x d (pu) 0,10 0,23 0,35