O Peixinho e a Minhoca Arádia Raymon
Era uma vez... Um lindo peixinho chamado Garibaldi. Garibaldi era um lambari muito esperto. Ele morava no fundo da lagoa, lá na fazenda do Sebastiãozinho. Um dia, Garibaldi estava nadando na lagoa quando viu uma deliciosa minhoca acenando para ele, como se dissesse: - Vem, vem Garibaldi.
O peixinho muito guloso nadou ao encontro da minhoca de boquinha aberta para abocanhá-la. Mas quando ele se aproximou a pobre minhoca disse chorosa: - Não me devore, lindo peixinho, porque se você me comer ficará preso no anzol do Zezinho e será comido por ele no almoço. Ouvindo isso, Garibaldi parou e ficou olhando a minhoca que se contorcia para escapar do anzol, sem, contudo obter resultado. - Salve-me, lindo peixinho, ou vai virar o almoço do Zezinho - falou ela. - Está bem, mas o que eu vou comer se não posso comê-la? - disse o peixinho.
- Ora, coma frutinhas, a lagoa está cheia de pequenas frutas, bem vermelhinhas que caem das árvores, - respondeu a minhoca. - Aposto que são muito mais saborosas do que eu - enfatizou a minhoca, certa de que o convenceria. Garibaldi, penalizado com a sorte da minhoca, prometeu ajudá-la.
E chamou sua irmãzinha Nicole que nadava por ali para ajudá-lo a retirar a sua nova amiga do anzol, onde se achava presa. - Nicole, venha. Ajude-me a tirar essa pobre minhoca do anzol, - falou o peixinho - isso é um truque do menino da fazenda para nos pescar. Ele acha que vamos morrer pela boca. Ah! Ele aprenderá uma lição - disse zangado o pequeno lambari.
E os dois peixinhos, com muito cuidado, puxaram a minhoca bem devagar, até que ela conseguiu se desprender do anzol. Um pouco ferida a pobre minhoca disse: - Obrigada Garibaldi, obrigada Nicole, vocês salvaram a minha vida e em reconhecimento eu vou avisar a todas as minhas irmãs para que elas sempre alertem os peixinhos da lagoa sobre os perigos do anzol. E assim todos os peixes saberão que uma minhoca mergulhada na água é uma armadilha.
- Também vamos fazer a nossa parte, vamos ensinar aos nossos irmãos, os peixes, que atrás de um bom petisco flutuante sempre se esconde um anzol - disse Garibaldi. - Isso, meus amiguinhos, alertem os seus irmãos, porque vocês peixes são tão inocentes, caem todos os dias na mesma armadilha dos homens - comentou a minhoca sentindo-se um pouco mais forte, apesar do ferimento.
- Adeus, meus amiguinhos peixes - disse a minhoca entrando na terra do barranco da lagoa e cavando uma saída para a superfície. Garibaldi e sua irmãzinha ficaram acenando em despedida, salvos pelo menos desta vez.
Quando já iam nadar de volta ao fundo da lagoa, Nicole deu um sorriso maroto. - Espere Garibaldi, - disse ela - vamos pregar uma peça no Zezinho. E dizendo isso, com muito cuidado, prendeu o anzol da vara de pescar do Zezinho numa bota velha que estava jogada no fundo da lagoa.
Depois, puxou a linha com força, como se um peixe tivesse sido fisgado e saíram correndo, ou melhor, nadando rapidamente. Zezinho sentiu a puxada e pensando ter pegado um peixe grande, fisgou com gosto, levantando a vara na maior alegria.
Quando acabou de tirar a linha toda para fora da água, Zezinho não acreditou no que via. Lá estava uma bota velha molhada, com a boca aberta, pingando lama do fundo da lagoa, como se estivesse rindo dele. E de fato lhe pareceu ouvir risadas vindas do fundo da lagoa, como se os peixes mangassem dele. - Mas seria possível isso? - pensou Zezinho.
- Ora, mas e essa? Que peixe danado, escapou de novo; mas era grande, ah, se era - falou Zezinho para os seus botões, recusando-se a crer que tinha sido enganado pelos peixes da lagoa. Assim, entre desapontado e meio zangado, desistiu da pescaria e foi para casa correndo a tempo de saborear o delicioso almoço repleto de muitas verduras e legumes que sua mãe tão bem preparava.
- Uai, Zezinho, hoje você está bom de boca, hein, filho - disse a mãe mal crendo no que os seus olhos viam. Nesse dia, Zezinho, que gostava mesmo era de comer peixe frito e não apreciava os vegetais, ao lembrar da cara da bota velha pendurada no seu anzol, comeu sem reclamar todas as verduras e legumes servidos pela mãe no almoço. E, desde então, passou a gostar mais de legumes e verduras que de peixe frito.