PLANEJAMENTO E DIRETRIZES PARA UM SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL EM UMA INDÚSTRIA SUCROALCOOLEIRA Tânia Maria Astun Cirino (*) Universidade da Associação de Ensino de Ribeirão Preto (UNAERP) SP-Brasil. Engenheira Química pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Pós-Graduada em Administração da Qualidade pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP-SP), Licenciatura em Química pela Universidade de Franca (UNIFRAN), Mestranda em Tecnologia Ambiental pela UNAERP, Gerente da Qualidade em Indústria Sucroalcooleira. Cristina Filomena Pereira Rosa Paschoalato Universidade da Associação de Ensino de Ribeirão Preto (UNAERP) SP-Brasil. Eloísa Ap. M. Kronka Universidade da Associação de Ensino de Ribeirão Preto (UNAERP) SP-Brasil. Graziela Vicari Mellis Mestranda em Tecnologia Ambiental pela UNAERP - SP-Brasil Endereço (1): Rua: Tamoios, 15 apto 122 Bairro: Santa Cruz Cidade: Ribeirão Preto SP CEP: 14020-700 Brasil Tel: 0 XX (16) 3916-1960 e-mail: tcirino@netsite.com.br. RESUMO A conscientização da humanidade para o desenvolvimento sustentado e para a manutenção e melhoria da qualidade do meio ambiente e da saúde humana é crescente e está se processando de forma cada vez mais rápida. Nos países mais desenvolvidos, principalmente na Europa, já existem várias pessoas que preferem adquirir produtos ecologicamente corretos, mesmo que tenha um custo maior que os concorrentes. Por isso organizações de todo os tipos e tamanhos estão cada vez mais voltando sua atenção para os aspectos e impactos ambientais potenciais de suas atividades, produtos e serviços. No Brasil, esta preocupação está apenas se iniciando, sendo necessário uma conscientização cada vez maior de toda a população sobre a importância das questões ambientais, leis, conseqüências, etc. Um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) propicia ordem e consistência para que uma organização administre suas questões ambientais através da provisão e distribuição de recursos (humanos, financeiros, materiais), atribuição de responsabilidades e avaliação de suas atividades, incluindo, procedimentos, processos, produtos e serviços. O desenvolvimento de um SGA é um processo contínuo e interativo. A estrutura, responsabilidade, práticas, procedimentos, processos e recursos para implementação de políticas, objetivos e metas ambientais podem ser coordenados com os esforços conjunto de todas as áreas existentes na organização. O presente trabalho teve como objetivo elaborar um planejamento para implantação de um SGA no setor sucroalcooleiro, especificamente na área industrial, a partir do processo de transformação da cana-de-açúcar em produtos industrializados, tendo por finalidade verificar basicamente a conformidade das atividades exercidas em uma unidade industrial sucroalcooleira com a legislação ambiental e os regulamentos aplicáveis, obedecendo aos princípios do desenvolvimento sustentável e a norma brasileira (NBR) de certificação ambiental NBR ISO 14001. O método utilizado foi à elaboração do fluxograma detalhado do processo produtivo; verificação e análise dos requisitos legais e regulamentares; controle das perdas do processo e a destinação das mesmas; a seguir foi elaborado um diagnóstico ressaltando os pontos nos quais existe possibilidade de ocorrência de interferência com o meio ambiente (ar, água e solo), destacando as entradas de insumos e a geração de resíduos. Com os dados obtidos foi possível verificar os impactos ambientais gerados por uma indústria sucroalcooleira de médio porte e foram propostas medidas mitigadoras. Observamos que a conscientização para a educação ambiental é um fator determinante para o sucesso do planejamento proposto. PALAVRAS CHAVE: Gestão Ambiental, Certificação ISO14001, Indústria Sucroalcooleira.
INTRODUÇÃO Segundo Miller (1985), nosso planeta pose ser comparado a uma astronave, deslocando-se a cem mil quilômetros por hora pelo espaço sideral, sem possibilidade de parada para reabastecimento, mas dispondo de um eficiente sistema de aproveitamento de energia solar e de reciclagem de matéria. Existem atualmente, na astronave, ar, água e comida suficientes para manter seus passageiros. Tendo em vista o progressivo aumento do número de passageiros, em forma exponencial, e a ausência de portos para reabastecimento, pode-se vislumbrar, a médio e longo prazo, problemas sérios para a manutenção da população. O uso de energia implica, pela segunda lei da termodinâmica, na degradação de sua qualidade. Como conseqüência da lei da conservação da massa, os resíduos energéticos (principalmente na forma de calor), somados aos resíduos de matéria alteram a qualidade do meio ambiente no interior dessa astronave. A tendência natural de qualquer sistema é de aumento de sua entropia (grau de desordem). Assim os passageiros, utilizando-se da inesgotável energia solar, processam, por meio de sua tecnologia e de seu metabolismo, os recursos naturais finitos, gerando algum tipo de poluição. Do equilíbrio entre esses três elementos população, recursos naturais e poluição, dependerá o nível de qualidade de vida no planeta. Cada vez mais, as organizações percebem que de nada valerão suas estratégias de negócios para ampliar mercados, conquistar clientes e obter resultados favoráveis se não considerarem que tudo depende da boa execução dos processos que compõem sua cadeia produtiva. E que a realização desses processos está diretamente relacionada ao desempenho das pessoas da organização e de correta postura em face das questões ambientais. O desempenho quanto às questões ambientais de uma organização é questão de competividade e de sua própria sobrevivência, além de ser de importância crescente para todas as partes interessadas, internas e externas (empregados, fornecedores, clientes, comunidade, governo, concorrentes, etc). O compromisso da alta direção de uma organização é absolutamente indispensável para se conseguir e manter um desempenho ambiental satisfatório e também para promover a melhoria continua de seu Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Um SGA propicia ordem e consistência para que uma organização administre suas questões ambientais através da provisão e distribuição de recursos (humanos, financeiros, materiais), atribuição de responsabilidades e avaliação de suas atividades, incluindo, procedimentos, processos, produtos e serviços. A gestão ambiental é parte integrante da administração geral de uma organização. O desenvolvimento de um SGA é um processo contínuo e interativo. A estrutura, responsabilidade, práticas, procedimentos, processos e recursos para implementação de políticas, objetivos e metas ambientais podem ser coordenados com os esforços existentes em todas as áreas da organização (operacionais, administrativas, financeira, qualidade, saúde e segurança, etc.). O trabalho em questão visa estabelecer um planejamento para a implantação de um SGA, em conformidade com as normas série NBR ISO 14000, através do levantamento de impactos ambientais gerados no setor industrial de uma indústria sucroalcooleira. OBJETIVO O presente trabalho teve como objetivo principal estabelecer um planejamento para implantação de um SGA no setor sucroalcooleiro, especificamente na área industrial, a partir do processo de transformação da cana-de-açúcar em produtos industrializados, através do levantamento de impactos ambientais gerados por esta atividade, tendo por finalidade verificar basicamente a conformidade destas atividades com a legislação ambiental e os regulamentos aplicáveis, obedecendo aos princípios do desenvolvimento sustentável e a norma de certificação ambiental NBR ISO 14001. MÉTODO O método utilizado foi à elaboração do fluxograma do processo produtivo apresentado na Figura 1, a verificação e análise dos requisitos legais e regulamentares e o controle e destino das perdas do processo. Seguindo o fluxograma do processo industrial, foi elaborado um diagrama, conforme modelo demonstrado na Figura 2, ressaltando os pontos nos quais existe possibilidade de ocorrência de interferência com o meio ambiente (ar, água e solo), destacando as entradas de insumos e a geração de resíduos.
Figura 1: Fluxograma do Processo LAVOURA CANA Lavoura adubo orgânico BAGAÇO VENDA DEPÓSITO DE CANA PREPARAÇÃO TORTA DE FILTRO DESTILARIA DILUIÇÃO QUEIMA BAG AÇO EXTRAÇÃO DE CALDO CALDO TRATA MENTO DECANTAÇÃO CALDO CLARIF ICADO VAPOR ACIONAR TURBINA GERAR ENERGIA ELÉTRICA AQUECIMENTO EVAPORAÇÃO COZIMENTO DESTILAÇÃO MASSA COZID A COZIMENTO XAROPE EVAPORAÇÃO DILUIÇÃO MEL CENTRIFUGAÇÃO AÇÚCA R UMIDO SECAGEM AÇÚCA R CRISTA L FERMENTAÇÃO MOSTO CENTRIFUG AÇÃO VINH O DESTILAÇÃO ÁLCOOL HIDRADADO LEVEDU RA VIVA VINH AÇA DESIDRATAÇ ÃO ÁLCOO L ANIDRO DESCRIÇÃO RESUMIDA DO PROCESSO A produção industrial de açúcar e álcool terá início com o recebimento da matéria-prima, cana-de-açúcar proveniente da lavoura. A pesagem é a primeira operação industrial de importância e tem por objetivos o controle da produtividade agrícola, do rendimento e dos valores a serem pagos aos fornecedores de cana-de-açúcar. É utilizada uma balança, do tipo rodoviário, com sistema automático de controle de pesagem. Está balança além da pesagem da matéria-prima, é também utilizada no controle da expedição de produtos industrializados (açúcar e álcool), no controle da saída de resíduos e recebimento de insumos utilizados no processo. O laboratório de controle da qualidade da matéria-prima é localizado logo após a balança para facilitar a operação de retirada de amostras, que determinará os valores analíticos das condições da cana recebida e gerará o valor a ser pago pela tonelada de cana, conforme metodologia adotada no Estado de São Paulo. Após a pesagem a cana será descarregada diretamente na mesa alimentadora, através de um guincho tombador de cana do tipo Hyllo, projetado para operar rápida e eficientemente com veículos de dimensões e capacidades variadas. A maioria das usinas processadoras de cana-de-açúcar no Brasil, não utiliza mais barracão para estocar a
matéria-prima, sendo utilizado o sistema bate-volta, onde a cana fica estocada nas próprias carretas, em uma área definida para este fim. Na operação da extração do caldo, pode-se distinguir duas fases: uma que tem como objetivo preparar a cana, desintegrando o colmo e rompendo as células e a outra, que extrai o caldo. Para a extração de caldo existem dois tipos de equipamentos utilizados nas indústrias sucroalcooleiras do Brasil: Moendas e Difusor, sendo a moenda mais utilizada. O caldo extraído é conduzido a peneira rotativa para retirada das impurezas mais grosseiras, onde o caldo é dividido para fabricação de álcool e para fabricação de açúcar. O bagaço que sobra do processo de extração é enviado via esteiras as caldeiras para geração de vapor. O vapor é enviado as turbinas que acionam as moendas e bombas e aos turbo-geradores para geração de energia elétrica. O caldo de cana após ter passado por peneiras rotativas contém, ainda, impurezas menores, que podem ser solúveis, coloidais ou insolúveis. É praticamente impossível uma clarificação do caldo por simples decantação, por isso, é necessário que o caldo passe por um processo químico, que favorecerá a coagulação, floculação e a precipitação destas impurezas, que são eliminadas por sedimentação. É necessário ainda fazer a correção do ph com adição de hidróxido de cálcio (Ca(OH) 2 - leite de cal ) ao caldo, para evitar inversão e decomposição da sacarose. O processo de tratamento do caldo consiste das seguintes etapas: fosfatação, caleagem, sulfitação, aquecimento, decantação e filtração do lodo. FABRICAÇÃO DO AÇÚCAR O caldo clarificado, formado basicamente por água e açúcar dissolvido, entra numa fase de concentração, ou seja, da retirada gradativa de água até o ponto da saturação, onde ocorre a solidificação do açúcar. O açúcar, em estado sólido na forma de cristais e presente na massa cozida, precisa ser separado do mel, que se encontra em estado líquido. A centrifugação é um processo de separação sólido-líquido que utiliza a força centrífuga como agente separador. As etapas de cristalização, cozimento e centrifugação são de suma importância para que haja a conciliação entre a produção e a qualidade do açúcar. Conseguir apenas um dos dois individualmente sem se preocupar com o outro é bem mais simples. Se optar apenas por qualidade, a produção ficará comprometida. Se for apenas por produção, se comprometerá a qualidade. Por isso é importante que se busque um equilíbrio onde se atinja os dois objetivos simultaneamente. E isso só é possível se todas as etapas do processo forem bem executadas. O açúcar úmido é enviado para o setor de secagem e depois embalado para envio aos armazéns de estocagem do produto final e depois expedido conforme solicitação de carregamento. FABRICAÇÃO DO ÁLCOOL A fermentação alcoólica é a operação mais complexa e importante da fabricação do álcool, por utilizar organismos vivos e concentrar grande parte da eficiência da produção. É uma reação química exotérmica que transforma as moléculas de sacarose, em moléculas de álcool e gás carbono liberando energia térmica. O agente da fermentação é um microorganismo vivo conhecido popularmente como fermento e tecnicamente como Sacharomices cerevisiae, que foi biologicamente desenvolvido e adaptado para a indústria alcooleira. O caldo clarificado para álcool (sem sulfitação e calagem) vindo da etapa do tratamento de caldo, e o mel vindo da produção de açúcar, forma uma mistura açucarada denominada de mosto, que é adicionada de forma contínua juntamente com uma quantidade calculada de fermento nas dornas de fermentação. O processo pode ocorrer de forma continua ou batelada, por um período que varia de 7 a 8 horas de fermentação. Durante este tempo o fermento metaboliza todo o açúcar contido no mosto, liberando o CO 2, que é captado por uma coluna de CO 2, tratado e liberado para a atmosfera, e o álcool permanece no meio, que passa a ser chamado de vinho bruto, formado por: água, álcool, fermento e uma pequena quantidade de outros elementos minerais. A energia térmica liberada na reação é prejudicial, pois aquece a mistura inibindo a fermentação ou destruindo o fermento. Assim a temperatura da dorna é controlada e mantida próxima de 33 C, por um sistema de refrigeração com bombeamento do vinho bruto aos trocadores de calor indireto a placas que utiliza água como fonte fria. A centrifugação é um processo de separação de misturas líquido-líquido heterogêneas, que utiliza a diferença de densidade dos elementos que a compõem para promover a separação. O fermento, que será reutilizado na produção após tratamento especial, é separado do vinho bruto em equipamentos rotativos denominados de centrífugas de levedo. Estes equipamentos usam o princípio da força centrífuga para fazer a separação. São de operação contínua e acionada por motor elétrico de média potência, girando em alta rotação e velocidade constantes. Os produtos da
centrifugação são o fermento, também chamado de levedo, e o vinho que contém o álcool. O levedo é conduzido por gravidade e tubulações de aço inox, até as cubas de tratamento de fermento que são providas de agitador mecânico, onde é tratado em meio ácido (ph 2,8) com água e ácido sulfúrico, dependendo da quantidade de microorganismo (infecção) utiliza-se bactericida. O vinho delevurado (sem fermento) é enviado através de sistema de bombeamento e tubulações de aço inox para as colunas de destilação. A destilação é um processo de separação de misturas líquido-líquido homogêneas, que utiliza a diferença do ponto de ebulição dos elementos que a compõem para promover a separação. No caso, o álcool, que tem ponto de ebulição inferior ao da mistura aquosa, evapora com mais facilidade, apesar de desprender concomitantemente uma parcela considerável de água. Assim a destilação total utiliza uma seqüência de destilações parciais que aumentam a porcentagem de álcool nos vapores, até atingir um ponto técnico-econômico viável de concentração definido para o álcool hidratado como sendo 96,4% em volume. Para se conseguir o álcool anidro concentrado a 99,5% em volume, utiliza-se um processo denominado de desidratação que tem opções de se utilizar o sistema de peneira molecular que tem como principio separar o álcool da água por filtração em zeólito onde pela diferença de tamanho de moléculas, retém-se a água e deixa passar o álcool, outro processo consiste em colocar o álcool hidratado com uma concentração de 96,4% em contato com um elemento higroscópico denominado de MEG (Mono Etileno Glicol), que tem a capacidade de absorver grande parte da água presente na mistura. O equipamento usado na destilação alcoólica é formado basicamente por duas colunas de destilação conhecidas como, colunas A, B para a produção de álcool hidratado e depois se opta por um dos processos descritos acima para a obtenção do álcool anidro (desidratado). O vinho cuja concentração média varia em torno de 8% de álcool, é bombeado para a bandeja nº 16 da coluna A, enquanto que o vapor de processo na forma de contato direto, é injetado logo abaixo da bandeja nº 1 na base da coluna, que é chamada de caldeira. A vinhaça é o resíduo da fabricação de álcool, que é bombeado para a lavoura, após resfriamento em torres especiais, para ser usado como adubo orgânico. Os vapores alcoólicos, que sobem da bandeja 16, são condensados e redestilados nas bandejas superiores, até sair da coluna A pela bandeja de nº 20, com uma concentração próxima a 50%, indo através de tubulação de aço inox para a base da coluna B, onde recebe novamente injeção de vapor de processo, num segundo estágio de destilação. A redestilação continua bandeja acima até atingir a concentração de 96,4% no topo da coluna. O resíduo desta fase, denominado de flegma, ainda com alguma quantidade de álcool, é bombeado de volta para a bandeja 16 da coluna A, para o esgotamento do álcool restante. Através de trocadores de calor do tipo tubo-carcaça que usam água como fonte fria, os vapores de álcool provenientes do topo da coluna B, são liquefeitos formando o álcool hidratado, que pode seguir dois caminhos distintos. Ser resfriado a aproximadamente 30 C, em resfriadores verticais a água e então enviado para os depósitos como álcool hidratado pronto para o uso, ou ir para a coluna C, onde será redestilado com vapor de processo na forma de contato indireto, na presença do elemento higroscópico (MEG), ou ser bombeado para a peneira molecular. A liquefação e o resfriamento do álcool a temperaturas de estocagem seja ele hidratado ou anidro, utiliza grandes volumes de água fria, da ordem de 100 litros para cada litro de álcool produzido. Assim é necessária a utilização de sistemas de resfriamento de água em circuito fechado denominado torre de resfriamento que utilizam o ar forçado seco para conseguir o rebaixamento da temperatura. LEVANTAMENTO DOS IMPACTOS GERADOS De acordo com a Resolução CONAMA 01/86, impacto ambiental é definido como qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetem a saúde, a segurança e o bem estar da população, as atividades sociais e econômicas, a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais. Para a identificação dos impactos passíveis de ocorrência em uma indústria sucroalcooleira de médio porte utilizouse o diagrama esquema apresentado na Figura 2 e Figura 3 e da análise de estudos de impactos para empreendimentos similares.
Figura 2: Diagrama explicativo da obtenção de dados para análise do processo Fluxograma Industrial Aspecto Ambiental Impacto Ambiental O que gera? Onde? Insumos Atividade 1 Como gera? Conseqüências? Figura 1: Diagrama explicativo da obtenção de dados para análise do processo Insumos Atividade 2 O que gera? Onde? Como gera? Conseqüências? Figura 3: Esquema de obtenção de dados por balanço de entradas Entradas e Matériasprimas Produtos auxiliares Água Energia Recursos Processo Industrial Saídas Produtos Efluentes Líquidos Emissões atmosféricas Resíduos Energia Com os dados obtidos através do diagnóstico levantado foi possível verificar os impactos ambientais gerados por uma indústria sucroalcooleira de médio porte, os quais estão demonstrados na Tabela 1. Foram propostas medidas mitigadoras que são tomadas para minimizar estes impactos. DESCRIÇÃO DOS IMPACTOS E MEDIDAS MITIGADORAS Impacto 1 Contaminação do solo pela má disposição dos resíduos sólidos Os resíduos sólidos e líquidos gerados pela indústria do setor sucroalcooleiro são proporcionais à quantidade de matéria-prima (cana-de-açúcar) processada. As fontes potenciais deste impacto são os resíduos gerados no escritório, refeitório, oficina, esgoto sanitário, áreas de estocagem e de disposição de torta na lavoura. A contaminação também pode ocorrer devido a possíveis acidentes envolvendo óleos, graxas, álcool e produtos químicos utilizados no processo. Bagaço de cana: O que não foi utilizado como combustível nas caldeiras, ou não comercializado é armazenado no pátio e guardado para a safra seguinte, com o objetivo de proporcionar energia necessária para o inicio das atividades industriais. O material deve ser amontoado e protegido com plástico, de modo a diminuir a área de exposição às chuvas, e possuir canaletas para desvio das águas pluviais. Torta de filtro: Resíduo decorrente da filtração do lodo do decantador de caldo clarificado, é transportada diretamente do setor industrial para a lavoura de cana, sendo aplicada como fertilizante orgânico. Lixo comum: Os rejeitos gerados são separados em suas origens, sendo os recicláveis separados por tipo e guardados em área coberta até sua retirada por instituições filantrópicas e os orgânicos e outros não recicláveis são coletados diariamente e encaminhados ao aterro sanitário do município. Graxas, óleos e lubrificantes: Estes produtos após o uso são armazenados em tambores para posterior comercialização com empresas especializadas na sua recuperação. Cinzas das caldeiras e fuligem das chaminés: As cinzas das caldeiras são retiradas manualmente e incorporadas à torta de filtro para retorno à lavoura como adubo orgânico. No captador de fuligem da caldeira por via úmida, o
processo é continuo, as águas lavam os gases para remoção das fuligens, sendo este resíduo encaminhado para as células de decantação que após estarem cheias e drenadas, são limpas com auxilio de uma pá-carregadeira e transportadas por caminhões basculantes até a lavoura para correção do solo. Lixo do Laboratório: composto principalmente por papeis de filtro utilizados nas determinações analíticas dos materiais de processo e produto final, são armazenados em tambores e posteriormente dispostos em aterro sanitário do município. Cabe salientar que nas determinações analíticas não é utilizado nenhum produto que possa vir a contaminar o solo. Lixo do ambulatório médico: composto de material séptico resultante do atendimento médico/odontológico. Aquele que possa ter alguma patologia é enfardado em sacos plásticos próprios, conforme determina a legislação (Resolução CONAMA nº05/93) e encaminhado para incineração. Sucatas ferrosas e não ferrosas: são materiais provenientes da manutenção da usina, troca de equipamentos, tubos e chaparias. As ferrosas, principalmente aço carbono e aço inox são dispostas a granel em local aberto, podendo ser reutilizadas quando conveniente ou vendidas para terceiros. As não ferrosas, tais como: cobre e bronze, são armazenadas em tambores no almoxarifado e comercializadas. Pneus e borrachas: Após o uso, são armazenados no almoxarifado em local coberto e protegido para serem comercializados. Embalagens de produtos químicos: algumas são devolvidas aos fabricantes na aquisição de novos produtos e os sacos plásticos sem presença de resíduos químicos são destinados para reciclagem. Impacto 2 Poluição da águas superficiais e subterrâneas Os tanques de armazenamento de vinhaça possuem potencial para contaminar o solo e o lençol freático devido aos altos teores de potássio. Este impacto é potencialmente significativo, pois implica em perda de recursos da comunidade, na medida em que pode comprometer a disponibilidade do recurso natural - água potável. Ressalte-se que a contaminação de água subterrânea é de difícil reparação. O nível de contaminação, da água subterrânea, pela disposição de vinhaça, é controlado através do monitoramento de nascentes em lavouras e poços de monitoramento em tanques. Tanques de vinhaça: são impermeabilizados e possuem poços de monitoramento de águas subterrâneas. A vinhaça e os resíduos líquidos provenientes do processo industrial são utilizados como fertirrigação na lavoura. Impacto 3 Poluição do ar Os principais poluentes do ar atmosférico são os gases tóxicos provenientes dos processos industriais ou dos veículos movidos a derivados de petróleos. Além disso, alguns compostos tóxicos são formados no próprio ar a partir de elementos da atmosfera mediante a intervenção da luz solar como fonte de energia (reação fotoquímica). No setor sucroalcooleiro, uma das principais fontes de poluição do ar é a queima de bagaço em caldeiras, além da despalha a fogo dos canaviais. A oxidação térmica do bagaço de cana-de-açúcar nas caldeiras assume um papel muito importante na produção de energia térmica, com conseqüente geração de energia mecânica e elétrica. O bagaço ao entrar na câmara de combustão da caldeira, recebe correntes de ar pelo sistema de ventilação, ocorrendo sua queima em suspensão. Com o resultado da queima do bagaço tem-se a emissão de gases, como o O 2, CO e o N 2. Dos gases citados, o N 2 e O 2 retomam ao seu ambiente natural, ar atmosférico, e não produzem, portanto, qualquer tipo de poluição. Entretanto, a emissão de carbono na oxidação térmica do bagaço de cana-de-açúcar, na forma de CO 2 (0,057 a 0,11 Kg CO 2 /kwh) é o responsável pelo efeito estufa. Estudos dirigidos a este assunto apontaram como resultado do balanço de produção de CO 2 e sua absorção pelos vegetais verdes (ex. a cana-de-açúcar) um valor praticamente nulo, e portanto, sem prejuízo adicional à qualidade do ar. Outro componente resultante da queima do bagaço em caldeiras é o material particulado. O material particulado é o principal agente poluidor, sua taxa de emissão esta geralmente entre 3.000 a 6.000 mg/nm³, sem a devida instalação de equipamento de controle. O NO 2 componente também presente na emissão das caldeiras, é resultante da reação do nitrogênio e oxigênio do ar injetado na câmara de combustão durante a queima do bagaço. No que toca ao meio atmosférico é importante mencionar que as usinas utilizam como combustível das caldeiras o bagaço-de-cana que é um resíduo industrial renovável, pois todo o gás potencialmente tributário do incremento do efeito estufa, emitido pela queima do bagaço, são reabsorvidos na lavoura de cana. Logo, tratamos de atividade limpa e adequada aos princípios fundamentais do Protocolo de Kyoto. Como medida mitigadora contra a emissão de particulados, as caldeiras das usinas são providas com um sistema de controle de poluição (lavadores de gases). Os estudos de dispersão indicaram que as concentrações máximas de dióxido de nitrogênio representam 63,1% e 16,2% dos padrões de qualidade do ar horário (320 µg/m 3 ) e anual (100 µg/m 3 ), respectivamente. Para partículas totais, as concentrações máximas obtidas
representam 65% e 39% dos padrões de qualidade do ar diário (240 µg/m 3 ) e anual (80 µg/m 3 ), respectivamente. Os resultados demonstram o baixo poder impactante do empreendimento, no que se refere as emissões gasosas pelas chaminés. Outras fontes deste impacto são representadas pelas emissões veiculares, poeira da pilha de bagaço de cana e tanques e canais de vinhaça, que exalam odor desagradável. Impacto 4 Emissão de ruído A operação de equipamentos ruidosos durante a operação da usina gera ruído no local, assim como o trânsito de veículos que carregam insumos No entanto, em se tratando de áreas rurais, os efeitos deste impacto são sentidos pelos trabalhadores no interior do parque industrial e são tratados de forma a atender as exigências da legislação trabalhista brasileira, assim os limites de ruídos deve ser, a uma distância de dois metros, de no máximo 95 db(a) Resolução CONAMA nº1 de 08/03/1990, que estabeleceu normas a serem obedecidas. Impacto 5 Efeitos sobre o sistema viário É decorrente da movimentação de veículos de carga que transportam a cana, insumos, combustível, além do movimento de veículos leves de funcionários, veículos de transporte coletivos para a mão de obra, etc. A presença desses veículos, particularmente dos caminhões de cana, acarreta emissão de poeira, ruído, aumento do risco de atropelamento da fauna, e até mesmo de acidentes envolvendo terceiros. A conscientização dos motoristas é importante para minimizar este impacto. Impacto 6 Armazenamento e Expedição de álcool O parque de tancagem de álcool de uma usina tem de obedecer às estritas e severas normas técnicas, as quais estabelecem as condições de projeto e aspectos de padrões de segurança relacionados às atividades operacionais de produção, armazenamento, manuseio e transporte de etanol. São observadas também as exigências quanto às bacias de contenção contra eventual derramamento do líquido estocado e das drenagens de águas pluviais. Tratando-se de um produto inflamável, o risco de acidentes por explosão causada pela ignição da mistura de vapor de álcool e ar no interior de um tanque, acima da superfície do líquido, seguida de incêndio, não pode deixar de ser considerada como plausível. Para tanto, as características construtivas de um tanque de armazenamento de álcool favorecem, em caso de explosão, o desprendimento parcial ou total do teto, expondo a lâmina superior do liquido ao ar, e nunca a ruptura do costado do tanque. Deste modo, o álcool do interior será consumido pelo fogo e as paredes (costado) apresentarão um processo de deformação somente acima do nível do líquido carburante, não ocorrendo danos nas partes mais baixas. Portanto, em caso de explosão seguida de incêndio, as normas construtivas de tancagem, para armazenamento de produtos inflamáveis contemplam a proteção da área externa ao recipiente, de forma a reduzir os danos aos aspectos puramente materiais - perda do tanque e do líquido armazenado. Impacto 7 - Geração de combustível renovável Desde o advento do automóvel, os derivados do petróleo foram os principais combustíveis escolhidos para o funcionamento dos motores. Com a expansão da indústria automobilística, o número de veículos aumentou vertiginosamente, aumentando também a emissão de poluentes, passando os veículos a representar a principal fonte poluidora do ar de grandes centros urbanos. A gasolina foi desde o começo o combustível mais utilizado, tendo como aditivo o chumbo tetraetila, hoje reconhecidamente cancerígeno e altamente poluidor. A função do aditivo é oferecer à gasolina maior octanagem, que é a medida da capacidade da gasolina de resistir à detonação, também conhecida como "batida de pino" (combustão não controlada), que leva à perda de potência e pode causar sérios danos ao motor. Assim, quanto maior a octanagem da gasolina, maior a sua resistência a elevadas pressões e temperaturas, possibilitando uma maior taxa de compressão do motor e, conseqüentemente, um melhor rendimento (Petrobrás). Depois de muitas pesquisas, o chumbo tetraetila foi eliminado da gasolina em 1989, sendo o Brasil o primeiro país do mundo a eliminar completamente esse tóxico aditivo de sua matriz de combustíveis. O aditivo usado como substituto do chumbo tetraetila passou.a ser o álcool anidro, que tem vantagens significativas, principalmente ambientais. Além das vantagens ambientais, os benefícios do uso do etanol podem ser: redução da dependência internacional do petróleo, geração de empregos, co-produção de eletricidade a baixo custo, utilização de infra-estrutura já existente, posição favorável frente a futuros acordos de não agressão ao meio ambiente, etc. O álcool combustível apresenta inúmeras vantagens. Para citar um exemplo, motores aeronáuticos está utilizando atualmente o álcool devido à menor poluição ambiental (a gasolina aeronáutica tem elevada octanagem, devido as grandes quantidades de chumbo presentes em sua composição); permite maior durabilidade do motor, promove o aumento da potência, sem prejudicar a durabilidade; apresenta menor custo operacional e mão-de-obra mais barata; combustão mais lenta; apresenta maior segurança e é tolerante à água. (Aeroalcool). O Brasil criou na década de 70
o PROÁLCOOL (Programa Nacional de Incentivo a Produção de Álcool), como uma tentativa de desenvolver fontes alternativas para gerar energia, e tinha por objetivo o aumento da produção e a capacidade industrial de transformação, visando a obtenção de álcool para substituir o petróleo e seus derivados, em especial a gasolina. Em 1985, as vendas de carros movidos a álcool representaram quase a totalidade do mercado, e o programa funcionou bem até o fim da década de 80, quando 5,5 milhões de unidades já haviam sido vendidas. Devido a mudanças no mercado e à conseqüente falta de confiança por parte dos consumidores, a partir da década de 90 a venda de veículos a álcool caiu assustadoramente; no início de 1997, o percentual de veículos a álcool produzidos pelas montadoras no Brasil não passou de 0,2%, e, neste período, nenhuma unidade havia sido comercializada (UNICA). Porém, o quadro atual indica que a situação pode se reverter. A indústria automobilística desenvolveu os veículos bicombustível, que rodam com gasolina e álcool, e cerca de cinco meses após o primeiro lançamento, as vendas já correspondiam a pelo menos 1% do mercado brasileiro, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). O uso do álcool como combustível e/ou como substituto do chumbo tetraetila é um impacto extremamente positivo para o controle da poluição do ar dos grandes centros urbanos. Impacto 8 Auto suficiência energética A energia utilizada no processo é gerada pela queima do bagaço de cana, o que é um aspecto positivo e significativo diante da situação de escassez de energia pela qual passa o País. Sendo que muitas usinas atualmente estão se transformando em centrais energéticas, fazendo alterações tecnológicas no seu processo e com isto fornecendo energia para as concessionárias durante todo o ano. Tabela 4: Avaliação dos Impactos N. IMPACTOS Tipo de Impacto Duração Possibilidade de Controle Probabilidade Ocorrência Significância 1 Contaminação do solo pela má A PE M PP PS disposição dos resíduos sólidos 2 Poluição das águas superficiais e A T M PP S subterrâneas 3 Poluição do ar A T M PP PS 4 Emissão de ruído A T M C PS 5 Efeitos sobre o sistema viário A PE M C PS 6 Armazenamento e expedição de álcool A PE M C S 7 Geração de combustível renovável B PE - C S 8 Auto suficiência energética B PE - C S Onde: A = Adverso, B = Benéfico, PE = Permanente, T = Temporário, M = Mitigável, N = Não Mitigável, PP = Pouco provável, P = Provável, C = Certo, S = Significativo, PS = Pouco Significativo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para a implantação de um Sistema de Gestão Ambiental em uma indústria sucroalcooleira faz-se necessário o envolvimento da alta direção, a definição de uma política ambiental que contemple a legislação vigente no País e busque melhores condições para o desenvolvimento sustentável. A elaboração de um plano de ação que busque a melhoria continua do setor e a conscientização para a educação ambiental é de vital importância para o sucesso do planejamento proposto. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT (1996): NBR ISO 14001 Sistema de Gestão Ambiental Especificações e diretrizes para uso; NBR ISO 14004 Sistema de Gestão Ambiental Diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio; NBR ISO 14010 Diretrizes para Auditoria Ambiental Princípios Gerais; NBR ISO 14011 Diretrizes para Auditoria Ambiental Auditoria de Sistema de Gestão Ambiental. Rio de Janeiro. Aeroalcool, artigo da Folha on line Aeronaves a álcool duelam nos céus do Interior de São Paulo, 02/12/2002. Site: www.aeroalcool.com.br.
Agenda 21 Resumo (1992). Cúpula da Terra: Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Rio de Janeiro, Brasil, 3-14 de junho de 1992, Centro de Informação das Nações Unidas, 46p. Braga, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental. São Paulo, Pearson Education do Brasil, 2ª edição, 2004. Brasil, Leis. Política Nacional do Meio Ambiente, lei nº 6938 de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação. Legislação Federal. Brasil, Resolução. CONAMA 01, de 23 de Janeiro de 1996. Estabelece as definições, as responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Legislação Federal. Brasil, Resolução. CONAMA 05, de 05 de agosto de 1993. Dispõe sobre o gerenciamento de resíduos sólidos gerados nos portos, aeroportos, terminais ferroviários e rodoviários e estabelecimentos prestadores de serviços de saúde. Brasil, Secretaria do Meio Ambiente. Manual de Orientação EIA Estudos de Impactos Ambientais e RIMA Relatório de Impacto Ambiental. São Paulo, Secretaria do Meio Ambiente do GESP, 1992. COPERSUCAR Cooperativa dos Produtores de Açúcar, Manuais técnicos para Fabricação de Açúcar, Piracicaba SP, 2000. Elliott, J. A., An Introduction to Sustainable Development: the developing word. London & New York, Routledge, 1994. Hugot, E., Manual da Engenharia Açucareira, volumes 1 e 2, Editora Mestre Jou, São Paulo, 1969. Miller, G.T., Living in the Environment. California, Wadsworth Pub. Inc., 1985. Petrobrás, www.petrobras.com.br. Protocolo de Kyoto, aprovado em 1997, estabelece condições para implementação da Convenção de Mudança Climática das Nações Unidas, aprovada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992 (ECO 92). Souza, M. P., Instrumentos de Gestão Ambiental: Fundamentos e Prática, São Carlos, Riani Costa, 2000. UNICA União da Agroindústria Canavieira de São Paulo. Relatório anual, Aspectos sociais, econômicos e tecnológicos da produção de açúcar e álcool no Estado de São Paulo (2001/2002).