O CORTIÇO (1890) Professor Kássio

Documentos relacionados
As estrofes transcritas do poema Cristalizações, de Cesário verde, servirão à questão 1:

O cortiço. Aluísio Azevedo

REDAÇÃO. Considere os textos abaixo e crie uma lenda a ser contada por um sábio indígena às crianças de sua aldeia.

O CORTIÇO, de Aluísio Azevedo. Profª. Ms. Jerusa Toledo

NATURALISMO NO BRASIL - 1. Professora Maria Tereza Faria

(Anchieta, José de. O Auto de São Lourenço [Tradução e adaptação de Walmir Ayala] Rio de Janeiro: Ediouro[s.d.] pg 110)

AVALIAÇÃO DISCURSIVA DE HISTÓRIA

FUVEST Prova V 27/novembro/2011

LITERATURA. aula Naturalismo

Colégio XIX de Março Educação do jeito que deve ser

QUESTÃO 1 A função da linguagem presente no texto é a a) conativa. b) emotiva. c) metalinguística. d) fática. e) referencial.

No conjunto das produções literárias brasileiras do século SUPLEMENTO DE ATIVIDADES O CORTICO ALUISIO AZEVEDO NOME: SÉRIE/ANO: ESCOLA:

O CORTIÇO: PROBLEMAS SOCIAIS E RIVALIDADES INDIVIDUAIS

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Texto argumentativo: resenha crítica

Aluísio Azevedo. Profª Caroline Rodrigues

NATURALISMO LITERATURA - 2 ano A e B (2º Bim.)

NOME: N CAD. DE REC. DE LITERATURA 2º ANO EM TURMA 222 PROFº FÁBIO 2º BIMESTRE

Nação inviável ou do futuro?: o racismo científico na transição do Império para a República

O mundo de cavaleiros destemidos, de virgens ingênuas e frágeis, e o ideal de uma vida primitiva, distante da civilização, tudo isso terminara.

Matéria: Literatura Assunto: naturalismo Prof. Ibirá costa

O CORTIÇO 13 de maio de 1890

Português 2º ano João J. Folhetim

Além do Cortiço: um estudo sobre o Naturalismo na perspectiva lukacsiana

Entre Negras e Mulatas: As similitudes e diferenças das personagens da obra O cortiço, de Aluísio Azevedo

Questão 01. Questão 11. Questão 02

Sociologia: Ciência que estuda os fenômenos sociais.

ALUÍSIO AZEVEDO O cortiço. PROJETO DE LEITURA Douglas Tufano Maria José Nóbrega

CONTEÚDOS PARA AS PROVAS FINAIS - 2º ANO EM

O CORTIÇO ALUÍSIO AZEVEDO

JOÃO BAPTISTA LEITÃO DE ALMEIDA GARRETT ( )

Slides por Carlos Daniel S. Vieira

Colégio XIX de Março Educação do jeito que deve ser

latim persona máscara

Bárbara da Silva. Literatura. Aula 16 Naturalismo

ELABORAÇÃO DA REDE TEMÁTICA II SEMESTRE

Romance. Romance: da palavra ROMANÇO/ROMÂNICO (obra em linguagem popular, com muita imaginação e aventura).

_O Cortiço_ Aluísio Azevedo

O CORTIÇO DA LITERATURA AO CINEMA: UMA ABORDAGEM DIDÁTICA PARA A AULA DE LITERATURA

O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Por Carlos Daniel S. Vieira

Aulas Multimídias Santa Cecília Profº. Pecê

SUPLEMENTO DE ATIVIDADES

Aula REALISMO-NATURALISMO NO BRASIL: UM BRASIL REAL E BRASILEIRO META OBJETIVOS. aula de Literatura Brasileira II.

Matéria: literatura Assunto: naturalismo - aluísio de azevedo Prof. IBIRÁ

LITERATURA PROFESSOR LUQUINHA

PLANO DE CURSO DISCIPLINA:História ÁREA DE ENSINO: Fundamental I SÉRIE/ANO: 5 ANO DESCRITORES CONTEÚDOS SUGESTÕES DE PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

IRACEMA, José de Alencar Iracema, José De Alencar

Instruções para a Prova de ARTES E QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS:

Jornalismo e Literatura: Um Comparativo Entre O Cortiço e a Periferia de Rio Verde 1

Respeito pela História dos outros. Série: Os Dez Mandamentos - Não Matarás

Aluísio Azevedo ( )

VIAGENS NA MINHA TERRA (1846) Professor Kássio

Nomes: Marcelo Lauer, Mariana Matté, Matheus Fernandes, Raissa Reis e Nadine Siqueira

História Rafael Av. Trimestral 09/04/14 INSTRUÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DA PROVA LEIA COM MUITA ATENÇÃO

Colégio Santa Dorotéia

A introdução do trabalho livre no Brasil

CAPITÃES DA AREIA JORGE AMADO

A REPRESENTAÇÃO HISTÓRICA DE O CORTIÇO: UM RETRATO DO BRASIL DO FIM DO SEGUNDO IMPÉRIO

PERÍODO COLONIAL

CONTEÚDOS HISTÓRIA 4º ANO COLEÇÃO INTERAGIR E CRESCER

O REALISMO E O NATURALISMO NO BRASIL

A CIDADE E AS SERRAS 1901 EÇA DE QUEIRÓS

RAÇA BRASIL REPORTAGENS: TEMAS & CÓDIGOS GRUPOS TEMÁTICOS (2.318 REPORTAGENS / 185 TEMAS & CÓDIGOS)

ATIVIDADE CURRICULAR: LITERATURA BRASILEIRA MODERNA PROFESSOR: CARLOS AUGUSTO NASCIMENTO SARMENTO-PANTOJA

Planejamento das Aulas de História º ano (Prof. Leandro)

AMÉRICA ESPANHOLA COLONIZAÇÃO E INDEPENDÊNCIA

GABARITO.

Disciplina: História. Período: I. Professor (a): Liliane Cristina de Oliveira Vieira e Maria Aparecida Holanda Veloso

ANTES DE VOCÊ CONFERIR OS ASSUNTOS QUE MAIS CAEM, QUERO APRESENTAR PRA VOCÊ DUAS COISAS...

OS DOIS BRASIS QUAL A ORIGEM DO SUBDESENVOLVIMENTO DO BRASIL? PENSAMENTO DETERMINISTA

Realismo e Naturalismo no Brasil, contexto histórico e autores. Literatura Professora Jaqueline 2ª série

Português 11º ano PLANIFICAÇÃO ANUAL Ano letivo 2016/2017

INTRODUÇÃO. Conceito: Principal forma de trabalho do Brasil. Ausência de Liberdade / alienação Processo de coisificação Trabalho forçado

CENTRO EDUCACIONAL ESPAÇO INTEGRADO

Material Suplementar Informações Importantes sobre a Obra: Quarto de Despejo Diário de uma favelada. Prof. Luquinha - Literatura

POR QUE É PRECISO TER CONSCIÊNCIA NEGRA?

CONJURAÇÃO BAIANA 1798

ELEME M NT N O T S O D A D A NA N R A RAT A I T V I A V Mariana Bandeira

CONTEÚDO DE RECUPERAÇÃO SEMESTRAL 2 SÉRIE

Língua Portuguesa Literatura

COLÉGIO XIX DE MARÇO educação do jeito que deve ser

PROPOSTAS DE PRODUÇÃO DE TEXTO PARA 2ª FASE

Prof. Abimael Luiz de Souza (org.)

I. Elementos narrativos e a linguagem de São Bernardo

Movimentos Sociais no Brasil ( ) Formação Sócio Histórica do Brasil Profa. Ms. Maria Thereza Rímoli

Projeto Literatura Viva. Tema: Nacionalismo

Movimentos abolicionistas no século XIX

O conto é a forma narrativa, em prosa, de menor extensão (no sentido estrito de tamanho), ainda que contenha os mesmos componentes do romance.

REALISMO A Revolução Industrial muda a face da Europa provocou profundas alterações na sociedade

Bárbara da Silva. Literatura. Aula 15 - Realismo

Histórias do Romantismo

Transcrição:

O CORTIÇO (1890) Professor Kássio

ALUÍSIO AZEVEDO Era pintor, desenhista, o que influenciou a sua obra. Com O mulato inaugurou o Naturalismo no Brasil, discutindo as questões raciais, de um ponto de vista já abolicionista. Bosi diz que na obra de Azevedo: "a natureza humana afigura-se-lhe uma certa selvageria onde os fortes comem os fracos. Eis a reprodução dos elementos naturalistas que já se fizeram presentes nas obras de Zola, na França.

Brasil, segunda metade do século XIX 1850 Lei de terrras 1888 abolição da escravidão 1890 Incentivo e efeitos da imigração 1897 Revoltas do período regencial (Guerra de Canudos) O Brasil se reconfigura

Lá vérité, toute la vérité, rien que lá vérité. (Droit Criminel) a verdade, toda a verdade, nada além da verdade. (direito criminal)

ESTRUTURA DO ROMANCE Romance documental (ou de tese) A história do Rio (e do Brasil) se reproduz de maneira fictícia na obra. Uma alegoria do Brasil do século XIX. Elaborado com uma linguagem típica do naturalismo, com elementos científicos.

TEMPO Linear. Segue a ideia de algo crescente ( o desenvolvimento do cortiço e a ascensão de João Romão) até o desfecho trágico.

ESPAÇO Rio de Janeiro, século XIX. Cortiço Taverna do João Romão Pedreira Sobrado do Miranda (aristocracia)

NARRADOR Seguindo a ideia do Naturalismo, possui um narrador onisciente que interfere no pensamento das personagens. O distanciamento é um recurso da ciência. Apesar do distanciamento, a narrativa é tendenciosa (politicamente).

ENREDO Como já dito, a obra é uma alegoria da realidade brasileira do século XIX, partindo dos elementos da estética naturalista. É mostrada a ascensão de João Romão; ascensão do Cortiço; a disputa e constante inveja da elite (João Romão e Miranda); a constituição plural do Cortiço; Temas novos e polêmicos...

EXPLORAÇÃO CAPITALISTA É criado um ciclo de exploração O explorador, burguês, está sempre próximo ao explorado, como é o caso do João Romão. O próprio Miranda observa de perto e tem medo da expansão do cortiço.

DETERMINISMO Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati "pra cortar a friagem". Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição; para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros. E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasileirou-se.

A Baiana A figura da mulher brasileira. Sensualidade A diferença da mulher romântica Há também semelhanças (vide Iracema)

Temática nova e polêmica (choque) Homossexualidade (um homem gay e um caso de lesbianismo). Amas de leite Menstruação Prostituição

E o protagonista? Essa obra de Aluísio de Azevedo tem como influência maior o romance "L Assommoir" do escritor francês Émile Zola, que prescreve um rigor científico na representação da realidade. A intenção do método naturalista era fazer uma crítica contundente e coerente de uma realidade corrompida. Zola e, neste caso, Aluísio combatem, como princípio teórico, a degradação causada pela mistura de raças. Por isso, os romances naturalistas são constituídos de espaços nos quais convivem desvalidos de várias etnias. Esses espaços se tornam personagens do romance. A degradação está na desigualdade social. Nas péssimas condições às quais os homens se veem obrigados a se inserirem.

A situação do escravo no Brasil, representado na figura da escrava negra. O pobre, miserável e marginal, com um fim trágico garantido. O DESFECHO DA OBRA

Um novo cortiço e a verossimilhança E a mísera, sem chorar, foi refugiar-se, junto com a filha, no Cabeça-de-Gato, que, à proporção que o São Romão se engrandecia, mais e mais ia-se rebaixando acanalhado, fazendo-se cada vez mais torpe, mais abjeto, mais cortiço, vivendo satisfeito do lixo e da salsugem que o outro rejeitava, como se todo o seu ideal fosse conservar inalterável, para sempre, o verdadeiro tipo da estalagem fluminense, a legítima, a legendária; aquela em que há um samba e um rolo por noite; aquela em que se matam homens sem a polícia descobrir os assassinos; viveiro de larvas sensuais em que irmãos dormem misturados com as irmãs na mesma cama; paraíso de vermes; brejo de lodo quente e fumegante, donde brota a vida brutalmente, como de uma podridão.

DOS CORTIÇOS ÀS FAVELAS Destruição dos cortiços pelo prefeito Barata Ribeiro em 1894. ESPECULAÇÃO X OCUPAÇÃO (LUTA POR TERRA) Simbolizado pelo Cabeça-de-porco Desejo de higienização e distância dos pobres, pelos republicanos. Ocupação dos morros. A favela (assim como os cortiços) é um problema social...