Retinopatia Diabética



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Transcrição:

Retinopatia Diabética A diabetes mellitus é uma desordem metabólica crónica caracterizada pelo excesso de níveis de glicose no sangue. A causa da hiper glicemia (concentração de glicose igual ou superior a 126mg/dl) deve-se à deficiente produção de insulina pelas células ß do pâncreas ou pela resistência periférica das células à acção da insulina. Existem dois tipos de diabetes mellitus: Diabetes Mellitus tipo I: As células ß do pâncreas são destruídas ficando os indivíduos com ausência de insulina sendo esta administrada de forma artificial. Predomina em crianças, jovens e pessoas maduras. Diabetes Mellitus tipo II: Nesta situação existe resistência à insulina e secreção anormal de insulina. Esta resistência é causada por vários factores (genéticos, obesidade central, erros alimentares e falta de exercício) e é inicialmente combatida por uma produção aumentada de insulina pelo pâncreas. A produção de insulina começa a diminuir e ai aparece a hiper glicemia. Predomina em indivíduos com mais de 40 anos e regra geral obesos. O diabético pode, se for bem controlado, levar uma vida normal. Mesmo assim, de acordo com o seu potencial genético muitos diabéticos apresentam complicações como neuropatias, nefropatias, arteriosclerose, maior incidência de enfarte de miocárdio e AVC, e retinopatia.

A retinopatia diabética é a complicação ocular mais grave da diabetes mellitus. Esta afecta a retina porque os altos valores de glicose provocam alterações no espessamento de algumas estruturas da parede dos micro vasos da retina, redução do calibre, alterações de consistência, elasticidade e permeabilidade. Nas fases iniciais não há habitualmente alterações da visão. A visão é alterada quando estas complicações atingem a macula, zona da retina onde se formam as imagens. A prevalência depende dos anos da duração da diabetes, após 20 anos de evolução da doença mais de 90% dos diabéticos tipo I e mais de 60% dos diabéticos tipo II sofrem de retinopatia diabética. Os sintomas diferem dependendo do estado evolutivo da doença. Alguns sintomas são visão desfocada ou turva, moscas volantes, flashes e perda súbita de visão. Visão Normal Visão com Retinopatia Diabética Podemos falar de dois tipos de retinopatia diabética que não são mais do que diferentes estados evolutivos da doença.

Retinopatia diabética não proliferativa: Os capilares retinianos devido ao depósito de substâncias sofrem alterações tais como: estreitamento, enfraquecimento, alterações a nível das forma que desenvolvem micro aneurismas. Estas alterações fazem com que estes capilares fiquem mais permeáveis ocorrendo hemorragias e saída de substâncias que compõe o sangue ficando a retina com edema. Este edema retiniano leva ao aumento da espessura da retina e à formação de depósitos de proteínas e gordura Exudados. Os vasos podem também ocluir não transportando sangue a certas células da retina provocando isquémia o que torna a visão desfocada devido à falta de nutrientes. Quando o edema ou isquémia atingem a macula a visão sofre modificações. A perda de visão pode ser moderada ou grave mas a visão periférica é sempre conservada.

Retinopatia diabética proliferativa: Desenvolve-se quando a área da retina afectada com isquémia ultrapassa um certo limite formando-se novos vasos para tentar fornecer sangue à área afectada. Estes neovasos não se comportam como vasos normais pois são mais permeáveis nem crescem no local onde os vasos normais se encontram. Aparecem sobre a retina e são suportados pelo humor vítreo. Além de ineficazes na compensação da isquémia, geram hemorragias na cavidade vítrea que causam as moscas volantes ou em casos graves a perda da visão, tracção retiniana e deslocamento de retina. Tudo isto pode levar a perdas de visão graves tanto centrais como periféricas.

Diagnóstico: Para o diagnostico desta patologia é muito importante a observação do fundo de olho através da oftalmoscopia como da retinografia não medriática. Também existe um exame bastante importante que é a Angiografia Fluoresceínica, que consiste na detecção fotográfica utilizando filtros adequados e sequencias fotográficas rápidas da passagem da fluoresceína na circulação retiniana. Este tipo de exame mostra os locais em que fluoresceína extravasa para fora da rede vascular identificando-se assim as alterações dos vasos. É a única técnica que identifica os micro aneurismas e as zonas de oclusão capilar. A hiper fluorescência denuncia imediatamente os micro aneurismas. Tratamento: O melhor tratamento é prevenir o desenvolvimento da retinopatia controlando os níveis de glicose, lípidos e a tensão arterial. É de grande importância a realização de exames visuais anuais 5 anos após o diagnostico de diabetes. A detecção precoce da retinopatia diabética constitui a melhor protecção contra a perda de visão. Se aparecerem os sinais de retinopatia diabética a cirurgia é a única solução.

Existem várias cirurgias que combatem a desenvolvimento da doença: Foto coagulação: Cirurgia a laser eficaz para prevenir a evolução de uma retinopatia diabética não proliferativa para proliferativa. Também é importante na regressão dos neovasos, destruindo estes e fechar os que registam perdas. Para o edema macular o laser trata a retina lesada próximo da mácula para diminuir a passagem de fluido. As pessoas que sentem a visão desfocada devido ao edema não costumam recuperar a visão para níveis normais. O laser trata todas as partes da retina excepto a mácula. Pantofotocoagulação: Consiste numa cirurgia a laser que destrói os tecidos privados de oxigénio na retina periférica. Este procedimento cria pontos cegos na visão periférica mas previne o crescimento de neovasos. Vitrectomia Muito eficaz nas complicações da retinopatia proliferativa que não é estabilizada pela foto coagulação. Os pacientes que sofrem de hemorragia do vítreo podem sofrer de deslocamentos de retina que pode ser evitado com este tipo de cirurgia. Aqui é removido o sangue e o vítreo do olho é substituído por uma solução salina transparente. Ao mesmo tempo corta os pontos de ancoragem do vítreo à retina que cria a tracção.