Direito das Sucessões
OBJETIVO Conhecer o instituto da herança e da vocação hereditária.
ROTEIRO! Da herança! Ordem de vocação hereditária! Quem pode suceder! Quem não pode suceder! Da aceitação e renúncia da herança
ROTEIRO! Da herança! Ordem de vocação hereditária! Quem pode suceder! Quem não pode suceder! Da aceitação e renúncia da herança
! HERANÇA Os bens do patrimônio da pessoa falecida compõem a herança. Ela é titulada pelos herdeiros legítimos e testamentários, tão logo aberta a sucessão Assim, no instante imediato ao da morte, a herança passa a pertencer aos herdeiros
! HERANÇA Como apresentado anteriormente a legislação brasileira adota o princípio da indivisibilidade da herança. Estabelece-se, entre os herdeiros, um condomínio, regido em parte por normas próprias do direito das sucessões
Art. 1.791. A herança defere-se como um todo unitário, ainda que vários sejam os herdeiros. Parágrafo único. Até a partilha, o direito dos co-herdeiros, quanto à propriedade e posse da herança, será indivisível, e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio.
! HERANÇA Para que se possa encerrar este condomínio obrigatório os herdeiros devem providenciar o inventário, que, em regra, será um processo judicial. Não havendo testamento e nem interessado incapaz, o inventário poderá ser extrajudicial, celebrado mediante escritura pública (CPC, art. 982),
! HERANÇA Atentar que, por vezes, a lei processual trata o inventário por outro nome: arrolamento. Da mesma forma, não se deve confundir abertura da sucessão com abertura do inventário.
! HERANÇA A primeira se verifica no instante da morte do de cujus e a segunda depende do ajuizamento do processo pelos herdeiros. Como bem destaca Fábio Ulhoa, enquanto a abertura da sucessão institui um condomínio entre os herdeiros sobre a herança, a do inventário objetiva desconstituí-lo.
! HERANÇA Assim, a indivisibilidade diz respeito ao domínio e à posse dos bens hereditários, desde a abertura da sucessão até a atribuição dos quinhões a cada sucessor, o que será feito na partilha.
! HERANÇA Antes da partilha, o coerdeiro pode alienar ou ceder apenas sua quota ideal, ou seja, o seu direito à sucessão aberta Lembrar que o art. 80, II, do CC considera o direito à sucessão aberta como bem imóvel (escritura pública e outorga uxória), não sendo permitido transferir a um terceiro parte certa e determinada do acervo.
Art. 1.793. O direito à sucessão aberta, bem como o quinhão de que disponha o co-herdeiro, pode ser objeto de cessão por escritura pública. (...) 2º É ineficaz a cessão, pelo co-herdeiro, de seu direito hereditário sobre qualquer bem da herança considerado singularmente.
Existe algum prazo a ser observado para a abertura do inventário?
! HERANÇA O prazo para a abertura do inventário ou celebração da escritura pública no caso do procedimento extrajudicial é de 30 dias, seguintes ao do falecimento A inobservância deste prazo acarreta apenas eventuais efeitos de ordem tributária, como multa sobre o valor do imposto de transmissão.
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! QUEM PODE SUCEDER A legitimidade para suceder compõe-se de dois elementos: existência da pessoa e o direito sucessório eventual. Nosso Direito considera existentes as pessoas nascidas ou concebidas no momento da abertura da sucessão.
Art. 1.798. Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão.
! QUEM PODE SUCEDER Percebe-se que o legislador resguardou o direito do nascituro, uma vez que já concebido. Atentar que o dispositivo legal refere-se somente a pessoas. Assim, não podem ser contemplados animais. (é possível a imposição do encargo de cuidar do animal a um herdeiro testamentário).
! QUEM PODE SUCEDER Tanto as pessoas naturais como as jurídicas, de direito público ou privado, podem ser beneficiadas. CRG destaca que também estão excluídas as coisas inanimadas e as entidades místicas, como os santos.
! QUEM PODE SUCEDER Só as pessoas vivas ou já concebidas ao tempo da abertura da sucessão podem ser herdeiras ou legatárias. As disposições testamentárias que beneficiarem pessoas já falecidas irão caducar, pois a nomeação testamentária tem caráter intuitu personae (pessoal).
Art. 1.799. Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: I - os filhos, ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão; II - as pessoas jurídicas; III - as pessoas jurídicas, cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação.
O que é a instituição testamentária em favor da prole eventual?
! QUEM PODE SUCEDER Deve-se notar que o inciso I do art. 1.799 configura uma exceção à regra de que somente as pessoas nascidas ou já concebidas ao tempo da morte do testador são legitimadas a suceder (art. 1.798).
! QUEM PODE SUCEDER Isto ocorre pois o legislador permite a instituição hereditária em favor de filhos ainda não concebidos (prole eventual) de pessoa indicada pelo testador, desde que ela esteja viva quando da abertura da sucessão.
Art. 1.800. No caso do inciso I do artigo antecedente, os bens da herança serão confiados, após a liquidação ou partilha, a curador nomeado pelo juiz. 1o Salvo disposição testamentária em contrário, a curatela caberá à pessoa cujo filho o testador esperava ter por herdeiro, e, sucessivamente, às pessoas indicadas no art. 1.775.
Art. 1.775. O cônjuge ou companheiro, não separado judicialmente ou de fato, é, de direito, curador do outro, quando interdito. 1o Na falta do cônjuge ou companheiro, é curador legítimo o pai ou a mãe; na falta destes, o descendente que se demonstrar mais apto. 2o Entre os descendentes, os mais próximos precedem aos mais remotos. 3o Na falta das pessoas mencionadas neste artigo, compete ao juiz a escolha do curador.
O que é o chamado prazo de espera?
Art. 1.800. (...). 3o Nascendo com vida o herdeiro esperado, serlhe-á deferida a sucessão, com os frutos e rendimentos relativos à deixa, a partir da morte do testador. 4o Se, decorridos dois anos após a abertura da sucessão, não for concebido o herdeiro esperado, os bens reservados, salvo disposição em contrário do testador, caberão aos herdeiros legítimos.
E se a pessoa indicada pelo de cujus, não quiser ou não puder conceber no período de dois anos, ela poderia adotar uma criança, para manter o direito à herança?
! QUEM PODE SUCEDER Na vigência do CC 1916 / antes da CF 1988, o entendimento era de que no caso de testamento em beneficio da prole eventual, só teria direito a descendência natural da pessoa indicada.
! QUEM PODE SUCEDER Segundo CRG, uma vez que a CF/88 proíbe qualquer tipo de discriminação / tratamento diferenciado ao filho adotado (art. 227 6 ), o entendimento vigente é de que o filho adotivo da pessoa indicada poderá receber a herança deixada pelo de cujus
Art. 1.596. Os filhos, havidos ou não da relação de casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.
E uma pessoa concebida por inseminação post mortem, pode ser sucessora do de cujus?
! QUEM PODE SUCEDER Como aponta CRG, a possibilidade de uma pessoa concebida em inseminação post mortem ser sucessora é uma questão tormentosa para a doutrina e a jurisprudência.
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos. (...) IV - havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga; V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do marido.
! QUEM PODE SUCEDER Em princípio, uma vez que na sucessão legítima, são iguais os direitos sucessórios dos filhos, e se o Código Civil trata os filhos resultantes de fecundação artificial homóloga, posterior ao falecimento do pai, como tendo sido concebidos na constância do casamento, não se justifica a exclusão de seus direitos sucessórios.
! QUEM PODE SUCEDER Porém deve-se atentar que segundo o art. 1.798 do Código Civil, legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão.
Existe alguém que não pode ser nomeado herdeiro ou legatário?
ROTEIRO! Da herança! Ordem de vocação hereditária! Quem pode suceder! Quem não pode suceder! Da aceitação e renúncia da herança
! QUEM NÃO PODE SUCEDER O Código considera suspeitos aquele que escreveu o testamento a rogo do testador, seu o cônjuge ou companheiro, seus parentes próximos, bem como as testemunhas do ato e o tabelião, ou quem fizer suas vezes, para evitar que se vejam tentados a abusar da confiança neles depositada pelo de cujus.
Art. 1.801. Não podem ser nomeados herdeiros nem legatários: I - a pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; II - as testemunhas do testamento; III - o concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos; IV - o tabelião, civil ou militar, ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer, assim como o que fizer ou aprovar o testamento.
ROTEIRO! Da herança! Ordem de vocação hereditária! Quem pode suceder! Quem não pode suceder! Da aceitação e renúncia da herança
! ACEITAÇÃO E RENÚNCIA DA HERANÇA Ainda que a herança seja transmitida aos sucessores logo após a morte do de cujus (abertura da sucessão), será concedido àqueles a possibilidade de aceitar ou renunciar a herança.
! ACEITAÇÃO E RENÚNCIA DA HERANÇA Aceitação ou adição da herança é o ato pelo qual o herdeiro anui à transmissão dos bens do de cujus, ocorrida por lei com a abertura da sucessão, confirmando-a. Atentar que não implica na aquisição, mas sim na confirmação da aquisição ocorrida.
! ACEITAÇÃO E RENÚNCIA DA HERANÇA A aceitação da herança pode ser:. expressa (declaração escrita),. tácita (resultante de conduta própria de herdeiro); ou. presumida (quando o herdeiro permanece silente, depois de notificado.
Art. 1.805. A aceitação da herança, quando expressa, faz-se por declaração escrita; quando tácita, há de resultar tão-somente de atos próprios da qualidade de herdeiro.
Art. 1.807. O interessado em que o herdeiro declare se aceita, ou não, a herança, poderá, vinte dias após aberta a sucessão, requerer ao juiz prazo razoável, não maior de trinta dias, para, nele, se pronunciar o herdeiro, sob pena de se haver a herança por aceita.
! ACEITAÇÃO DA HERANÇA Falecendo o herdeiro antes de declarar se aceita a herança, o poder de aceitar passa a seus herdeiros, a menos que se trate de vocação adstrita a condição suspensiva ainda não verificada (possibilidade que só existe na sucessão testamentária).
! RENÚNCIA DA HERANÇA Apesar a transmissão automática da herança, devido ao princípio de saisine, o herdeiro pode renunciar a herança. Assim como a aceitação a renúncia tem a natureza de ato jurídico voluntário, puro, simples e irrevogável
Art. 1.808. Não se pode aceitar ou renunciar a herança em parte, sob condição ou a termo.
Art. 1.812. São irrevogáveis os atos de aceitação ou de renúncia da herança.
! RENÚNCIA DA HERANÇA Trata-se de ato solene, a ser empreendido na forma de instrumento público ou termo judicial, sob pena de nulidade.
Art. 1.806. A renúncia da herança deve constar expressamente de instrumento público ou termo judicial.
! RENÚNCIA DA HERANÇA A eficácia da renúncia será retroativa (ex tunc): se o herdeiro renunciar, considerar-se que nunca recebeu a herança.
Art. 1.804. Aceita a herança, torna-se definitiva a sua transmissão ao herdeiro, desde a abertura da sucessão. Parágrafo único. A transmissão tem-se por não verificada quando o herdeiro renuncia à herança.
O que é a chamada renúncia translativa?
! RENÚNCIA TRANSLATIVA DA HERANÇA Renúncia translativa ou in favorem ocorre quando é feita em favor de alguém, caracterizando uma forma de doação. Por isto é conhecida como renúncia impura pois neste caso não é uma renúncia propriamente dita, mas sim aceitação com posterior doação.
! RENÚNCIA TRANSLATIVA DA HERANÇA Caracterizada nas situações em que o herdeiro declara que não quer a sua parte e que deseja que a mesma vá para determinada pessoa. Para que possa dispor em favor de alguém deve-se primeiramente proceder a uma aceitação tácita e depois dispor do direito.
! RENÚNCIA PURA DA HERANÇA A chamada renuncia pura ou abdicativa é aquela em que o herdeiro não indica um destinatário da herança (sua parte). Neste caso a parte do herdeiro retorna ao monte de partilha, para que seja dividida entre os demais herdeiros.
! HERANÇA JACENTE Pode acontecer que, aberta a herança, não se tem conhecimento de nenhum herdeiro, o de cujus não possui testamento e ninguém se apresenta como sucessor. Neste caso diz-se que a herança é jacente ( jaz sem dono ).
! HERANÇA JACENTE Neste caso deverá ser nomeado um curador para guardar e administrar os bens até que sejam entregues a um sucessor habilitado, ou até que se declare a vacância da herança (art. 1.819).
! HERANÇA JACENTE Havendo credores, os mesmos poderão pedir o pagamento das dívidas, que serão pagas dentro dos limites da herança (art. 1.821).
! PETIÇÃO DE HERANÇA É ação que compete ao sucessor que foi preterido, para que tenha seu direito sucessório reconhecido, sendo-lhe restituída no todo ou em parte, de outro herdeiro ou mesmo de quem injustamente a detenha.
Art. 1.824. O herdeiro pode, em ação de petição de herança, demandar o reconhecimento de seu direito sucessório, para obter a restituição da herança, ou de parte dela, contra quem, na qualidade de herdeiro, ou mesmo sem título, a possua.