Períodos de repouso. 1. Introdução: a) O estudo da duração do trabalho abrange não só a análise da jornada de trabalho, mas também dos períodos de repouso que são assegurados ao empregador. b) Os períodos de repouso podem ser considerados tanto em relação à jornada diária de trabalho como ao módulo semanal de jornada. c) A concessão pelo empregador de períodos de repouso tem por objetivo a preservação da saúde e da integridade física do trabalhador e, por tal razão, são previstos por normas de ordem pública e devem obrigatoriamente ser concedidos pelo empregador ao empregado.l. 2. Intervalos intrajornadas: a) São períodos de descanso regularmente concedidos durante a jornada de trabalho, em que o empregado deixa de trabalhar e de estar à disposição do empregador. b) Podem ser não remunerados ou remunerados, conforme sejam ou não computados na duração da jornada de trabalho. c) Intervalo intrajornada não remunerados: i. Trata-se do intervalo para repouso e alimentação (art. 71 da CLT). ii. Não são computados na duração da jornada de trabalho, não sendo considerado como como tempo à disposição do empregador e, portanto, não são remunerados (art. 71, 2º, da CLT). iii. Jornada de trabalho de 4 a 6 horas 15 minutos (art. 71, 1º, da CLT).
iv. Jornada superior a 6 horas mínimo de 1 e máximo de 2 horas (art. 71 da CLT). v. O intervalo mínimo de 1 hora para quem trabalha mais de 6 horas pode ser reduzido somente por ato do Ministério do Trabalho, mediante consentimento da Secretaria de Segurança e Medicina do Trabalho (inspeção), desde que a empresa possua refeitório próprio e que os empregados não pratiquem sobre labor (art. 71, 3º, da CLT). vi. É inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho que reduza ou suprima o intervalo intrajornada, pois este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública, infenso à negociação coletiva (Súmula 437, II, do TST). vii. A não concessão de referidos períodos de descanso a empregados urbanos e rurais sujeita o empregador ao pagamento da remuneração correspondente ao período total, com acréscimo de no mínimo 50% sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho (art. 71, 4º, da CLT e Súmula 437, I, do TST). viii. Ultrapassada habitualmente a jornada de seis horas de trabalho, é devido o gozo do intervalo intrajornada mínimo de uma hora, obrigando o empregador a remunerar o período para descanso e alimentação não usufruído como extra, acrescido do respectivo adicional (art. 71, 4º, da CLT e Súmula 437, IV, do TST). ix. Para os empregados rurais, em qualquer trabalho contínuo de duração superior a 6 horas, será obrigatória a concessão de intervalo para repouso e alimentação de acordo com os usos e costumes da região (art. 5º da Lei nº 5.889/73). d) Intervalo intrajornada remunerados:
i. Trata-se dos intervalos concedidos durante a jornada de trabalho que são computadas na duração da jornada de trabalho, contando como tempo à disposição do empregador, sendo portanto remunerados. ii. São exemplos de tais intervalos: 1. Serviços de mecanografia datilografia, escrituração e cálculo (art. 72 da CLT): a cada 90 minutos de trabalho, intervalo de 10 minutos. Súmula 346 do TST digitadores. 2. Serviços frigoríficos serviços no interior de câmaras frias ou com movimentação de mercadorias (art. 253 da CLT): a cada 1 hora e 40 minutos, intervalo de 20 minutos. Súmula 438 do TST trabalho contínuo em ambiente artificialmente frio. intervalo de 15 minutos. 3. Trabalho em minas de subsolo (art. 298 da CLT): a cada 3 horas de trabalho, 4. Empregados em serviços de telefonia e similares, desde que sujeitos a jornada variável (art. 229 da CLT): a cada 3 horas de trabalho, intervalo de 20 minutos. 5. Prorrogação de jornada de trabalho intervalo que antecede (arts. 384 e 413, parágrafo único, da CLT): será obrigatório um descanso de 15 minutos antes do início do período extraordinário. 6. Amamentar até o filho completar 6 meses de idade ou por período maior, se a autoridade competente, a saúde da criança exigir (art. 396 da CLT): durante a jornada de trabalho, a dois descansos de 30 minutos cada. iii. A concessão pelo empregador de qualquer outro intervalo não previsto em lei não pode implicar em acréscimo de tempo ao final da jornada de trabalho. Nesse sentido, os
intervalos concedidos pelo empregador não previstos em lei, representam tempo à disposição do empregador, sendo considerados intervalos intrajornada remunerados (Súmula 118 do TST). 3. Intervalos intrajornadas: a) Os intervalos intrajornada são aqueles que devem ser concedidos pelo empregador entre o término de uma jornada de trabalho e o início de outra, ou ainda, entre o término de uma semana de trabalho e o início da semana subsequente, portanto são intervalos que têm incidência diária e semanal. b) Intervalos interjornada não remunerados: i. Entre duas jornadas de trabalho deve haver um período mínimo de 11 horas consecutivas para descanso (art. 66 da CLT). ii. O desrespeito a este intervalo obriga o empregador ao pagamento da integralidade das horas que foram subtraídas do intervalo, acrescidas de adicional de no mínimo 50% (art. 71, 4º, da CLT e Súmula 110 do TST OJ SDI-1 355 do TST). iii. No revezamento, as horas trabalhadas em seguida ao repouso semanal de 24 horas, com prejuízo do intervalo mínimo de 11 horas consecutivas para descanso entre as jornadas, devem ser remuneradas como extraordinárias, inclusive com o respectivo adicional (Súmula 110 do TST). c) Intervalo interjornada remunerados: i. O intervalo entre duas jornadas de trabalho que deve ser remunerado pelo empregador é o repouso semanal remunerado. 1. O repouso semanal remunerado, também chamado de descanso semanal remunerado (DSR), vem a ser o período de 24 horas consecutivas em que o empregado deixa
de prestar serviços ao empregador, uma vez por semana, preferencialmente aos domingos, mas recebe a respectiva remuneração. Decreto nº 27.048/49. 2. Fundamentação legal: art. 7º, XV, da CF; art. 67 da CLT; Lei nº 605/49; e 3. Quando a empresa funcionam ininterruptamente, ou seja, suas atividades não são paralisadas aos domingos, razão pela qual o descanso semanal deve ser concedido aos empregados em outros dias da semana, por escala de folga. Importante mencionar que o trabalho aos domingos depende de prévia autorização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a qual pode ser transferida em caráter temporário ou permanente (art. 68 da CLT). 4. O direito ao descanso semanal remunerado depende do cumprimento integral da jornada de trabalho durante a semana, ou seja, as faltas injustificadas do empregado ao serviço durante a semana implicam na perda da remuneração do descanso semanal (art. 6º da Lei nº 605/49). 5. O repouso semanal remunerado é um descanso previsto em normas de ordem pública e sua concessão é obrigatória. Assim, caso o empregador exija que o empregador trabalhe no dia que corresponderia ao descanso semanal, deve conceder outro dia de folga compensatória ou pagar em dobro a remuneração pelo trabalho neste dia, ressalta-se, o empregador deve pagar a remuneração do dia do repouso e, ainda, pagar o dia de trabalho em dobro. (art. 9º da Lei nº 605/49 e Súmula 146 do TST).