Exigências edafoclimáticas de fruteiras

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Transcrição:

Universidade Federal de Rondônia Curso de Agronomia Fruticultura I Exigências edafoclimáticas de fruteiras Emanuel Maia emanuel@unir.br www.emanuel.acagea.net

Apresentação Introdução Classificação climática de fruteiras Variáveis climáticas Solos 2

Onde plantar citros?? Variação sazonal da temperatura média e do balanço hídrico climatológico (Exc. Excedente hídrico, Def. Deficiência hídrica, considerando a CAD = 70mm) Fonte: Mattos Jr. et al. 2005 3

Classificação climática Fruteiras temperadas: Exigem frio hibernal para iniciar o crescimento vegetativo e reprodutivo na próxima primavera Fruteiras tropicais: Exigem temperaturas elevadas para seu crescimento reprodutivo e vegetativo. Apresentam crescimento contínuo. Fruteiras subtropicais: Comportamento intermediário. Normalmente exibem um período de repouso vegetativo, porém exigem maiores temperaturas durante o período de crescimento vegetativo. 4

Classificação climática de algumas espécies de frutíferas Temperadas Subtropicais Tropicais Ameixa Caqui Abacaxi Maçã Citros Banana Marmelo Figo Cacau Nectarina Lichia Coco Oliva Noz Macadâmia Goiaba Pêssego Uva Mamão Abacate (raças mexicana e guatemalense) Manga Maracujá Abacate (antilhana) 5

Fonte: Mattos Jr. et al. 2005 6

Variáveis climáticas Radiação PAR e números de hora de brilho do sol Temperatura Temperaturas mínimas, máximas e médias Precipitação Volume e distribuição Ventos Velocidade e direção 7

Efeitos da temperatura Crescimento vegetativo Crescimento reprodutivo Indução floral Crescimento dos frutos Qualidade das frutos Graus-dia Quantidade de energia necessária para completar uma determinada fase do desenvolvimento 8

Fonte: Mattos Jr. et al. 2005 9

Fonte: Mattos Jr. et al. 2005 10

Fonte: Mattos Jr. et al. 2005 11

Limites da temperatura do ar ( C) para diferentes fases do desenvolvimento da videira Fase fenológica Temp. base inferior Temp. ótima Temp. base superior Temp. letal Brotação 8 10 a 13 18-2,5 Desenv. Vegetativo 10 15 a 25 39-2,0 Florescimento 10 15 a 25 35-1,0 Desenv. da baga 10 15 a 25 35-0,5 Maturação 14 20 a 30 35-0,5 Fonte: Pommer, 2003. 12

Aplicação do graus-dia Calculado pelo somatório das temperaturas médias ambientes do ar acima da temperatura base inferior GD dia = Σ(TM dia T base ) GD mês = (TM mês - T base ).30 Variedade Tb C GD Niagara Rosada 10 1550 Itália 10 1990 Vitis vinifera 12 1350 13

Temperatura média mensal ( C) - 2012 Estação Agrometeorológica de Mandacaru (Juazeiro-BA 09º24'S 40º26'W) Considerando foi realizada a poda em videiras Niágara no mês de janeiro, qual seria a data de previsão de colheita? Mês T C Mês T C JAN 27,8 JUL 23,4 FEV 26,2 AGO 23,5 MAR 27,2 SET 25,2 ABR 27,1 OUT 26,8 MAI 25,9 NOV 28,1 JUN 24,8 DEZ 27,3 Tbase = 10 C GD = 1550 14

Graus dia: Previsão da época de colheita Local Data = data de 1000 GD + 42 dias Tabela. Previsão da data de colheita de uva Itália para diferentes regiões produtoras, baseada em graus-dia (GD 10 =1660) Data poda Previsão colheita Duração ciclo (dias) São Miguel Arcanjo, 01/05 12/11 196 SP Jales,SP 01/05 19/09 142 Manga, MG 01/05 04/09 127 Petrolina, PE 01/05 22/08 114 Brix = -13,2 + 0,0137. GD 10 + 0,0066.Chuva 15

Precipitação Necessidades de cada cultura Uso: balanço hídrico e umidade do solo Substituição do frio pelo déficit hídrico Videira em clima tropical Lima ác. Tahiti Qualidade dos frutos Brix Acidez titulável Rompimento da casca 16

Balanço hídrico 17

Balanço hídrico 18

Ventos Efeitos favoráveis Efeitos desfavoráveis Redistribuição de calor Dispersão de gases e poluentes Manutenção trocas gasosas (Suprimento de CO 2 ) Dispersão de sementes, pólen Deformação paisagem/plantas Eliminação de insetos polinizadores Danos mecânicos nas plantas Aumento da transpiração (fechamento dos estômatos) Redução da área foliar 19

Ventos 20

21 Sentelhas & Angelocci (2007)

Quebra ventos Denso Permeável 22

Efeito do uso de QV no microclima, na umidade do solo e na produtividade vegetal Direção do vento 1,4 1,2 0,8 0,6 0,4 QV 4 8 12 16 20 24 Distância do QV (*H) 23

Construção de quebra ventos 24

Solos Profundidade Impedimentos físicos ou químicos Altura do lençol freático > 70 cm Ideal entre 1 a 2 metros 25

Solos Propriedades físico-químicas Capacidade de armazenamento de água e drenagem Capacidade de troca catiônica e aniônica Textura Susceptibilidade a erosão 26

Fonte: Mattos Jr. et al. 2005 27

Fonte: Mattos Jr. et al. 2005 28