Balanço Hídrico SEGUNDO THORNTHWAITE E MATHER, 1955
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- Tomás Bicalho Mangueira
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1 Meteorologia e Climatologia - Aula - Balanço Hídrico SEGUNDO THORNTHWAITE E MATHER, 1955 Capitulo 12 e 13 do PEREIRA, A.R.; ANGELOCCI, L.R.; SENTELHAS, P.C. Agrometeorologia: fundamentos e aplicações práticas. Guaiba: Agropécuária, p.
2 CICLO HIDROLÓGICO E BALANÇO HÍDRICO O balanço hídrico nada mais é do que o computo das entradas e saídas de água de um sistema. Várias escalas espaciais podem ser consideradas para se contabilizar o balanço hídrico. Pensando como um todo (Escala macro), o balanço hídrico é o próprio ciclo hidrológico, cuja resultado nos fornecerá a água disponível no sistema (no solo, rios, lagos, vegetação úmida e oceanos), ou seja na biosfera.
3 TABELA 1. BALANÇO HÍDRICO MÉDIO DOS CONTINENTES (TODD, 1970). A América do Sul, é o continente mais rico em recursos hídricos, em termos de disponibilidade de água superficial (deflúvio). A Austrália, por outro lado, é o continente mais pobre nesse sentido.
4 Figura 2. Balanço hídrico médio anual para o Brasil PARA O BRASIL, CONSIDERANDO DADOS DE 289 POSTOS METEOROLÓGICOS, CADA UM COM UMA MÉDIA DE APROXIMADAMENTE 20 ANOS DE OBSERVAÇÕES, CONFORME PUBLICADO EM C.W. THORNTHWAITE ASSOCIATES (1965).
5 Prec. Prec. Prec. ET Micro-bacia Hidrográfica Q Em uma escala intermediária, representada por uma micro-bacia hidrográfica, o balanço hídrico resulta na vazão de água desse sistema. Para períodos em que a chuva é menor do que a demanda atmosférica por vapor d água, a vazão (Q) diminui, ao passo em que nos períodos em que a chuva supera a demanda, Q aumenta. Na escala local, no caso de uma cultura, o balanço hídrico tem por objetivo estabelecer a variação de armazenamento e, conseqüentemente, a disponibilidade de água no solo. Conhecendo-se qual a umidade do solo ou quanto de água este armazena é possível se determinar se a cultura está sofrendo deficiência hídrica, a qual está intimamente ligada aos níveis de rendimento dessa lavoura. Prec. ET
6 Componentes do balanço hídrico para condições naturais P ET O Ri Ro DLi ARM DLo AC DP Considerando-se um volume controle de solo, o BH apresenta os seguintes componentes, descritos a seguir.
7 Entradas P = chuva O = orvalho Ri = escorrimento superficial DLi = escorrimento sub-superficial AC = ascensão capilar Saídas ET = evapotranspiração Ro = escorrimento superficial DLo = escorrimento sub-superficial DP = drenagem profunda Equacionando-se as entradas (+) e as saídas (-) de água do sistema, tem-se a variação de armazenamento de água no solo ARM = P + O + Ri + DLi + AC ET Ro DLo DP A chuva representa a principal entrada de água em um sistema, ao passo que a contribuição do orvalho só assume papel importante em regiões muito áridas, sendo assim desprezível. As entradas de água pela ascensão capilar também são muito pequenas e somente ocorrem em locais com lençol freático superficial e em períodos muito secos. Mesmo assim, a contribuição dessa variável é pequena, sendo também desprezível. Já os fluxos horizontais de água (Ri, Ro, DLi e DLo), para áreas homogêneas, se compensam, portanto, anulando-se. A ET é a principal saída de água do sistema, especialmente nos períodos secos, ao passo que DP constitui-se em outra via de saída de água do volume controle de solo nos períodos excessivamente chuvosos.
8 Meteorologia Agrícola BALANÇO HÍDRICO CLIMATOLÓGICO O Balanço Hídrico Climatológico foi desenvolvido inicialmente com o objetivo de se caracterizar o clima de uma região, de modo a ser empregado na classificação climática desenvolvida por Thornthwaite na década de 40. Posteriormente, esse método começou a ser empregado para fins agronômicos dada a grande interrelação da agricultura com as condições climáticas. O Balanço Hídrico Climatológico (BHC) elaborado com dados médios de P e ETP de uma região é denominado de BHC Normal. Esse tipo de BH é um indicador climatológico da disponibilidade hídrica na região, por meio da variação sazonal das condições do BH ao longo de um ano médio (cíclico), ou seja, dos períodos com deficiências e excedentes hídricos. Essas informações são de cunho climático e, portanto, auxiliam no PLANEJAMENTO AGRÍCOLA.
9 ELABORAÇÃO DO BALANÇO HÍDRICO CLIMATOLÓGICO Para se elaborar o BHC, seja ele o Normal há a necessidade de se conhecer a capacidade de água disponível no solo (CAD). A CAD representa o máximo de água disponível que determinado tipo de solo pode reter em função de suas características físico-hídricas, ou seja, umidade da capacidade de campo ( cc), umidade do ponto de murcha permanente ( pmp), densidade aparente do solo (Da) e da profundidade efetiva do sistema radicular da cultura (H), onde se concentram cerca de 80% das raízes. Veja a representação esquemática abaixo e a seguir as diferentes formas de se determinar a CAD. 0 0 pmp cc sat (cm 3 /cm 3 ) Água residual Água gravitacional H Capacidade de Água Disponível (CAD)
10 DETERMINAÇÃO DA CAD PARA ELABORAÇÃO DO BHC A partir das características físico-hídricas do solo CAD = (CC% PMP%) * Da * H 10 CC% = umidade da capacidade de campo, em % PMP% = umidade do ponto de murcha, em % Da = densidade aparente do solo (g/cm³) H = profundidade específica do sistema radicular, em cm
11 EXEMPLO: DETERMINAR CAD DE UM SOLO, SABENDO-SE QUE CC= 35% EM PESO, PMP = 20% EM PESO, DA = 1,2G/CM³ E H = 80 CM.
12 EXEMPLO: DETERMINAR CAD DE UM SOLO, SABENDO-SE QUE CC= 35% EM PESO, PMP = 20% EM PESO, DA = 1,2G/CM³ E H = 80 CM. CAD = (35-20)*1,2*80/10 = 144mm
13 ELABORAÇÃO DO BALANÇO HÍDRICO CLIMATOLÓGICO Antes de iniciarmos o BHC propriamente dito, há a necessidade de se entender como o método proposto por T&M (1955) considera a retirada e a reposição de água do solo. Os autores adotaram uma função exponencial para a retirada de água do solo (ver esquema abaixo), ao passo que a reposição é direta, simplesmente somando-se ao armazenamento de água do solo o saldo positivo do balanço entre P e ETP [(P ETP) + ]. REPOSIÇÃO DE ÁGUA NO SOLO Sempre que houver valor de (P-ETP) 0, esse valor deve ser somado ao ARM do período anterior e em função desse novo valor de ARM, calcula-se o novo NAc usando-se a seguinte expressão: NAc = CAD * Ln ARM/CAD VEJA NOS EXEMPLOS DE BHCN AS QUADRICULAS DE MESMA COR VERMELHAS RETIRADA AZUIS - REPOSIÇÃO RETIRADA DE ÁGUA DO SOLO Nac = negativo acumulado = (P-ETP)<0 Sempre que houver valor de (P-ETP)<0, esse valor deve ser acumulado e em função dele se clacula o ARM, usando-se a seguinte expressão: ARM = CAD * e - NAc/CAD
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15 ELABORAÇÃO DO BALANÇO HÍDRICO CLIMATOLÓGICO Conhecendo-se P, ETP, a CAD e como se dá a retirada e reposição de água no solo, pode-se agora iniciar a elaboração do BHC propriamente dita. Porém, antes iremos fazer algumas simulações para que o processo fique bem claro. Para tais simulações iremos considerar intervalos de tempo de 5 dias, numa seqüência de 6 períodos, e uma CAD = 100mm. Além disso, é necessário se definir algumas outras variáveis: NAc = (P-ETP)<0 ARM = CAD e (NAc/CAD) NAc = CAD Ln (ARM/CAD) ALT = ARM i ARM i-1 Se (P-ETP) 0 ETR = ETP Se (P-ETP) < 0 ETR = P + ALT DEF = ETP ETR Se ARM < CAD EXC = 0 Se ARM = CAD EXC = (P-ETP) - ALT
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19 Roteiro para a Elaboração do Balanço Hídrico Climatológico OBS: O roteiro a seguir é apresentado para a elaboração de um Balanço Hídrico Climatológico Normal, ou seja, para um ano cíclico. 1) Estimativa da ETP deve-se estimar a ETP com o método mais adequado para a região, em função dos dados meteorológicos disponíveis 2) Obtenção de dados de chuva (P) esses dados devem ser obtidos junto a publicações que forneçam as normais climatológicas da região 3) Calcular (P-ETP), mantendo-se os sinais positivos (+) e negativos (-) OBS: a partir daqui deve-se preencher as colunas a seguir (NAc e ARM) simultâneamente, iniciando-se com o primeiro mês com valor de (P-ETP) < 0, após uma seqüência de valores positivos de (P-ETP), ou seja no início da estação seca. Porém, o valor de ARM a ser determinado para se iniciar o BHC Normal, será o do último mês (período) da estação úmida [com (P-ETP) 0]. A determinação do ARM no último período da estação úmida deverá seguir as seguintes condições: A se (P-ETP) anual 0 ARM = CAD no último período da estação úmida B se (P-ETP) anual < 0, mas (P-ETP) + CAD Idem a A C se (P-ETP) anual < 0 e (P-ETP) + < CAD NAc = CAD*Ln [( (P-ETP) + /CAD)/(1 - e (P-ETP)- /CAD) )] no último período da estação úmida
20 4) Determinação do NAc e do ARM Se (P-ETP) < 0 Calcula-se o NAc, ou seja os valores de (P-ETP) negativos, e posteriormente se calcula o valor do ARM (ARM = CAD e (NAc/CAD) ) Se (P-ETP) 0 Calcula-se primeiro o ARM [ARM = ARM anterior + (P-ETP)] e posteriormente calcula-se o NAc [NAc = CAD Ln (ARM/CAD)]. Nesse caso o NAc deve ser determinado no caso de haver um próximo período com (P-ETP)<0 5) Cálculo da Alteração (ALT = ARM) ALT = ARM ARM anterior (ALT > 0 reposição; ALT < 0 retirada de água do solo) 6) Determinação da ETR (Evapotranspiração Real) Se (P-ETP) < 0 ETR = P + ALT Se (P-ETP) 0 ETR = ETP 7) Determinação da DEF (Deficiência hídrica = o quanto o sistema solo-planta deixou de evapotranspirar) DEF = ETP - ETR 8) Determinação do EXC (Excedente hídrico, que corresponde à água que não pode ser retida e drena em profundidade = água gravitacional) Se ARM < CAD EXC = 0 Se ARM = CAD EXC = (P-ETP) - ALT
21 VEJA NOS EXEMPLOS ABAIXO AS QUADRICULAS DE MESMA COR VERMELHAS RETIRADA AZUIS - REPOSIÇÃO RETIRADA DE ÁGUA DO SOLO Nac = negativo acumulado = (P-ETP)<0 Sempre que houver valor de (P-ETP)<0, esse valor deve ser acumulado e em função dele se clacula o ARM, usando-se a seguinte expressão: ARM = CAD * e - NAc/CAD REPOSIÇÃO DE ÁGUA NO SOLO Sempre que houver valor de (P-ETP) 0, esse valor deve ser somado ao ARM do período anterior e em função desse novo valor de ARM, calcula-se o novo NAc usando-se a seguinte expressão: NAc = CAD * Ln ARM/CAD
22 Exemplo do Balanço Hídrico Climatológico Normal Local: Posse, GO (Lat. 14 o 06 S) Período: CAD = 100mm Mês ETP P (P-ETP) NAc ARM ALT ETR DEF EXC mm mm mm mm mm mm mm mm mm Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano Mês em que se iniciou o BHC Normal (Usando critério A da inicialização)
23 BHC Normal Aferição do BHC Normal P = ETP + (P-ETP) 1537 = P = ETR + EXC 1537 = ETP = ETR + DEF 1113 = ALT = 0 0 = 0 Representação gráfica do BHC Normal Simplificada (EXC e DEF) Completa (EXC, DEF, ALT)
24 Exemplo do Balanço Hídrico Climatológico Normal Local: Petrolina, PE (Lat. 14 o 06 S) Período: CAD = 100mm Mês ETP P (P-ETP) NAc ARM ALT ETR DEF EXC mm mm mm mm mm mm mm mm mm Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano Mês em que se iniciou o BHC Normal (Usando critério C da inicialização)
25 Aferição do BHC Normal Aferição do BHC Normal P = ETP + (P-ETP) 609 = P = ETR + EXC 609 = ETP = ETR + DEF 1603 = ALT = 0 0 = 0 Representação gráfica do BHC Normal Simplificada (EXC e DEF) Completa (EXC, DEF, ALT)
26 Exemplo do Balanço Hídrico Climatológico Normal Local: Garanhuns, PE (Lat. 8 o 33 S) Período: CAD = 100mm Mês ETP P (P-ETP) NAc ARM ALT ETR DEF EXC mm mm mm mm mm mm mm mm mm Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano Mês em que se iniciou o BHC Normal (Usando critério B da inicialização)
27 mm mm Aferição do BHC Normal P = ETP + (P-ETP) 871 = P = ETR + EXC 871 = ETP = ETR + DEF 937 = ALT = 0 0 = 0 Representação gráfica do BHC Normal Garanhuns, PE ( ) - CAD = 100mm Garanhuns, PE ( ) - CAD = 100mm Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez DEF(-1) EXC Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Deficiência Excedente Retirada Reposição Simplificada (EXC e DEF) Completa (EXC, DEF, ALT)
28 Exemplo do Balanço Hídrico Climatológico Normal Local: Passo Fundo, RS (Lat. 28 o 15 S) Período: CAD = 100mm Mês ETP P (P-ETP) NAc ARM ALT ETR DEF EXC mm mm mm mm mm mm mm mm mm Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano Neste caso o BHC Normal pode ser iniciado em qualquer mês com ARM = CAD, pois não há negativo acumulado
29 mm mm Aferição do BHC Normal P = ETP + (P-ETP) 1786 = P = ETR + EXC 1786 = ETP = ETR + DEF 806 = ALT = 0 0 = 0 Representação gráfica do BHC Normal Passo Fundo, RS ( ) - CAD = 100mm Passo Fundo, RS ( ) - CAD = 100mm Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez DEF(-1) EXC Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Deficiência Excedente Retirada Reposição Simplificada (EXC e DEF) Completa (EXC, DEF, ALT)
30 mm mm mm mm mm mm mm Aplicações do Balanço Hídrico Climatológico Normal Extrato do Balanço Hídrico Mensal Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez DEF(-1) EXC Extrato do Balanço Hídrico Mensal Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez DEF(-1) EXC Extrato do Balanço Hídrico Mensal Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez DEF(-1) EXC Caracterização regional da disponibilidade hídrica Extrato do Balanço Hídrico Mensal Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez DEF(-1) EXC Extrato do Balanço Hídrico Mensal Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Extrato do Balanço Hídrico Mensal Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez DEF(-1) EXC Extrato do Balanço Hídrico Mensal Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez DEF(-1) EXC DEF(-1) EXC
31 Aplicações do Balanço Hídrico Climatológico Normal A caracterização regional da disponibilidade hídrica do solo possibilita: A comparação dos climas de diferentes localidades A caracterização dos períodos secos/úmidos O planejamento agrícola (áreas aptas, época mais favorável de semeadura, sistema de cultivo, etc), baseado no zoneamento agroclimático
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