MUNIÇÕES DE ARMAS LIGEIRAS

Documentos relacionados
MEDICINA LEGAL. Traumatologia. Balística Parte 2. Profª. Leilane Verga

Manual Técnico de Armamento e Tiro MUNIÇÕES

Em 1884 a Metralhadora Maxim é a primeira arma a resolver o problema balístico do automatismo Modelo Calibre 7,92 mm, fitas de 250 cartuchos,

3. PROCESSO DE SOLDAGEM COM ELETRODO REVESTIDO

LUTA ANTI-CARRO CANHÃO SEM RECUO

ORGANIZAÇÃO DAS ARMAS AUTOMÁTICAS. Met Lig M60 USA Calibre 7,62 mm

Convecção natural. É o termo usado quando o movimento do fluido se dá devido às diferenças de densidade em um campo gravitacional.

Classificação dos produtos siderúrgicos

Os transmissores de pressão podem usar sinais pneumáticos (3-15 psig), electrónicos (4-20mA) ou ainda electrónicos digitais.

- Armamento e Tiro -

ELEMENTOS ELÁSTICOS MOLAS

MEDICINA LEGAL. Traumatologia. Balística Parte 1. Profª. Leilane Verga

Compactação. Compactação

Compactação. Para se conseguir este objectivo torna-se indispensável diminuir o atrito interno das partículas.

Soldagem por ultra-som

Soldagem por fricção. Daniel Augusto Cabral -

- MANCAL DE FRICÇÃO -

EXERCÍCIOS AULA 08 ARMAMENTO E TIRO

Disciplina: Motores a Combustão Interna. Principais Componentes Móveis Parte 3

HIGIENE E SEGURANÇA NO TRABALHO Manuseio, Transporte e Armazenamento de Explosivos. Profª Engª M.Sc. Ana Lúcia de Oliveira Daré

MATERIAIS UTILIZADOS EM FUSÍVEIS. Anderson V. Silva Rodrigo A. Aguiar 541

Sumário Capí tulo 1 A Cadeia de Custódia Capí tulo 2 Introdução à Balí stica Forense Capí tulo 3 Armas de Fogo Curtas

Unidade Propriedades da matéria

PEÇAS GENUÍNAS CUMMINS EXISTE UMA DIFERENÇA. Melhores peças. Mais disponibilidade. Nem todas as peças são criadas iguais.

Motor de combustão de quatro tempos

Construção dos Navios. Seção B LIGAÇÃO DAS PEÇAS DE CONSTRUÇÃO

A configuração helicoidal, que se pode observar na figura seguinte, é bastante usada em termómetro com este tipo de funcionamento.

helicoidais. Nesta aula vamos continuar nosso estudo sobre as molas.veremos

Soldadura por Electro-Escória

Materiais utilizados na Industria Eléctrica e Electrónica. Rogério Monteiro 1

Tecnologia Mecânica Propriedades dos materiais

1. Introdução. 2. Sensores de vazão baseados na pressão

Rolamentos Rígidos de Esferas

GW 1000 SISTEMA DE FIXAÇÃO A GÁS

Propriedades Mecânicas de Metais, Cerâmicos e Polímeros

Curvas de resfriamento contínuo com diferentes taxas de resfriamento: Ensaio Jominy. Resultados: - Microestruturas diferentes; - Durezas diferentes.

Processo Eletrodos Revestidos 2 Tipos de eletrodos A especificação AWS A5.1

Aula 1: Aços e Ferros Fundidos Produção Feito de Elementos de Liga Ferros Fundidos. CEPEP - Escola Técnica Prof.: Kaio Hemerson Dutra

Sumário Capítulo 1 Ferimentos produzidos por Projéteis de Arma de Fogo (PAF) Capítulo 2 Incapacitação balística

Generalidades. Metal. Elemento químico, sólido, com estrutura cristalina e com as seguintes propriedades de interesse para a Engenharia

Motores Térmicos. 9º Semestre 5º ano. Prof. Jorge Nhambiu

Conceitos importantes: a) Matéria : Tudo o que possui massa e ocupa lugar no espaço.

INTRODUÇÃO EQUIPAMENTOS

TECNOLOGIA DOS MATERIAIS

MATERIAIS USADOS EM DISJUNTORES DE ALTA E BAIXA TENSÃO, INCLUSIVE CHAVES ESTÁTICAS

3.1 O movimento do projétil no interior do cano da arma

Ligações Químicas. PROF: Fábio Silva

MÁQUINAS HIDRÁULICAS AT-087

A precisão e exatidão de medidas, a qualidade e acabamento superficial da peça são fatores amplamente dependentes do molde.

SOLDAGEM DOS METAIS CAPÍTULO 6 SOLDAGEM A ARCO SUBMERSO

MATERIAIS DE ELEVADA CONDUTIVIDADE

Sistemas Estruturais. Prof. Rodrigo mero

MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA II

Unidade 2 Dilatação Térmica. Comportamento dos sólidos Dilatação Linear Dilatação Superficial Dilatação Volumétrica

CAPITULO 9 - TRANSPORTADOR HELICOIDAL (TH)

Elementos de máquina. Diego Rafael Alba

Instruções de aplicação da Pedra Natural

Atuadores Pneumático - Alumínio

série FSD-FLD Registos corta fogo e corta-fumo Homologação UL

APOSTILA PREPARATÓRIA DE MEDICINA PROVAS DA UNIGRANRIO DE FÍSICA RESOLVIDAS E COMENTADAS

INTRODUÇÃO À QUÍMICA

Centro Universitário Padre Anchieta Controle de Processos Químicos Ciência dos Materiais Prof Ailton. Metais Não Ferrosos

Cap 18 (8 a edição) Temperatura, Calor e Primeira lei da termodinâmica

PROCESSO DE ESTAMPAGEM. É o processo de fabricação de peças, Através do corte ou deformação de Chapas, em uma operação de prensagem A frio.

Nº 32 Atualizado em Abril de 2018

Processo, Técnicas Empregadas, Defeitos e Causas, Procedimentos

Capitulo 1 Propriedades fundamentais da água

ROCHAS SEDIMENTARES. Escola Secundária de Viriato A.S.

TÍTULO: AÇOS PARA APLICAÇÃO EM CARROS FORTES CATEGORIA: CONCLUÍDO ÁREA: CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA. SUBÁREA: Engenharias

DIMENSIONAMENTO DE CONDUTORES

Um mecânico tem duas tarefas: consertar

SOLDAGEM. Engenharia Mecânica Prof. Luis Fernando Maffeis Martins

3. Propriedades físicas da madeira

METALURGIA FÍSICA TECNOLOGIA DA CONFORMAÇÃO PLÁSTICA. Tecnologia em Materiais Prof. Luis Fernando Maffeis Martins

Física I 2010/2011. Aula 18. Mecânica de Fluidos I

MÓDULO II SELEÇÃO DE CONDUTORES NAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Soldagem por Alta Frequência. Maire Portella Garcia -

FUNDAÇÃO EDUCACIONAL MANOEL GUEDES Escola Técnica Dr. Gualter Nunes Habilitação Profissional de Técnico em Farmácia. Prevenção e Segurança no Trabalho

11 - FALHA OU RUPTURA NOS METAIS

SMM SELEÇÃO DE MATERIAIS PARA PROJETO MECÂNICO Ref.: Materials Selection for Materials Design Michael F. Ashby

Elementos de Máquinas

Expansão Térmica de Sólidos e Líquidos. A maior parte dos sólidos e líquidos sofre uma expansão quando a sua temperatura aumenta:

1,0 atm; 3,0 atm; 3,3 atm; 3,9 atm; 4,0 atm.

Ciência e Tecnologia dos Materiais Elétricos. Aula 4. Prof.Clebes André da Silva

Disciplina: Projeto de Ferramentais I

a - coeficiente de temperatura da resistência, W/W(ºC)

2. Considere um bloco de gelo de massa 300g á temperatura de 20 C, sob pressão normal. Sendo L F

ESPUMA PARA TELHAS. Data: 13/01/12 Pág. 1 de 7

DR.BELL APPARATEBAU GMBH

PRODUTOS SIDERÚRGICOS MCC1001 AULA 11

FINALIDADE: COMBINAÇÕES: Preparar uma combinação uniforme de dois ou mais materiais.

PRINCÍPIO BÁSICO DE FUNCIONAMENTO

Aluno(a): nº: Professor: Fernanda TonettoSurmas Data: Turma: ORIENTAÇÕES DE ESTUDO REC 2º TRI PRIMEIRO ANO FSC II

La Salle Águas Claras 9º ano. Propriedades da Matéria

Transcrição:

ARMAMENTO E TIRO

MUNIÇÕES DE ARMAS LIGEIRAS

A Cápsula B Fulminante C Canal da Chaminé D Chaminé E Borracha F Ouvido G Porta Chaminé H Carga I Projéctil L Cano

Compõe-se a munição de quatro partes: - O projéctil ou bala - O invólucro, estojo ou caixa - A escorva, cápsula ou fulminante -A carga

O PROJÉCTIL

O alcance, a tensão da trajectória e precisão do tiro são dependentes não só da organização balística da arma, mas também da organização do projéctil e da carga empregue, variando com: A natureza, a quantidade da carga e a força viva do projéctil tomam o nome de QUALIDADES DINÂMICAS do projéctil e são estudadas na área da balística. As QUALIDADES ESTÁTICAS dependem da organização da munição

QUALIDADES DINÁMICAS

ONDA CAUDAL Fotografia de um projéctil animado de uma velocidade superior à do som - 340 m/s ONDA CEFÁLICA Redemoinho formado pela recomposição da atmosfera após a passagem do projéctil Onda da canelura

RESISTÊNCIA DO AR V R r1 P r2

DEMONSTRAÇÃO DOS EFEITOS DA RESISTÊNCIA OBLÍQUA Deixando-se cair um projéctil oblongo de um local bastante elevado obtém-se: - Desvio para o lado da ponta do projéctil - Aumento de Ψ Ψ Ψ

DEMONSTRAÇÃO DOS EFEITOS DA RESISTÊNCIA OBLÍQUA R2 R R R3 G R1 R3 R P R3 e binário R R1

EFEITOS DA RESISTÊNCIA OBLÍQUA NUM PROJÉCTIL LANÇADO POR UMA ARMA DE FOGO SEM MOVIMENTO DE ROTAÇÃO R R2 R3 D V R1 P Rotação provocada pelo binário R e R1

X Ψ < Ψ ψ ψ V P R Y

EFEITOS DA RESISTÊNCIA OBLÍQUA NUM PROJÉCTIL LANÇADO POR UMA ARMA DE FOGO ANIMADO DE MOVIMENTO DE ROTAÇÃO Projéctil sujeito a um MOVIMENTO DE ROTAÇÃO CÓNICO a que se chama PRECESSÃO e no qual se verificam ligeiras e rápidas oscilações a que se chamam NUTAÇÃO

QUALIDADES ESTÁTICAS

COMPOSIÇÃO FORMA (COMPRIMENTO) PESO CALIBRE

QUALIDADES ESTÁTICAS COMPOSIÇÃO O metal do projéctil deve ser: Denso para facilmente adquirir grande energia Infusível para não se fundir com o atrito na alma Deformável de acordo com o seu destino vulnerante ou derrubante

Projéctil BI-METAL COMPOSIÇÃO Coifa - (nas munições perfurantes) em chumbo destina-se a auxiliar a penetração do núcleo Núcleo - pode ser de chumbo, de bronze, ou de aço mas por razões de preço e peso prefere-se o primeiro que no entanto é quase sempre endurecido ligando-o com estanho ou antimónio Camisa - suficientemente espessa para evitar a fusão do núcleo e pouco dura para não deteriorar as estrias. Os metais hoje mais empregues são o cobre, o aço e o maillechort (liga de cobre e níquel). A sua espessura varia de 0,45 a 0,55 mm

A CAMISA COBRE Tem a vantagem de ser maleável, mas sendo bom condutor pode provocar fusão do núcleo. Surge coberto de estanho ou níquel para redução sais venosos AÇO Sendo muito resitente pode suportar grandes velocidades iniciais mas tem que ter uma cinta de estriamento

MAILLECHORT Fácil conservação e fabrico. 85% de cobre e 15% níquel A revestir com chumbo

QUALIDADES ESTÁTICAS FORMA CILINDRO OGIVAL PONTEAGUDO BI-OGIVAL Melhor fixação ao invólucro impedindo fuga de gases

OGIVAL TRONCO de CONE CILÍNDRICA Serrilhado para fixação do projéctil ao invólucro

Comparando o projéctil CILINDRO OGIVAL com o BI- OGIVAL podemos concluir: Sem diminuição de calibre, maior velocidade inicial, devido à redução do peso Diminuição da resistência devido ao forçamento e ao travamento, por se ter reduzido a zona destinada à acção das estrias Uma forma mais própria para se compensar em parte a diminuição do coeficiente balístico Posição desfavorável do centro de gravidade logo menor estabilidade durante a trajectória

QUALIDADES ESTÁTICAS PESO Um projéctil leve terá uma trajectória muito tensa às pequenas distâncias. Um projéctil pesado tê-la-á às grandes, porque em igualdade nas outras condições, o projéctil mais leve tem maior velocidade inicial mas sofre um retardamento maior Adopta-se um só peso 9 a 13g

QUALIDADES ESTÁTICAS CALIBRE O diâmetro dos projécteis deve ser de 0,20 a 0,30 mm superior ao diâmetro da alma do cano medido no fundo das estrias, para que se dê o forçamento inicial, razão porque o conjunto núcleo-camisa deve apresentar um certo grau de elasticidade Folga até 0,15 mm

O emprego generalizado das armas automáticas e as exigências do combate moderno, atendendo-se ao peso que o homem tem que transportar e ainda ao problema do remuniciamento, encaminharam os estudos no sentido dum aligeiramento 7,62 mm NATO 5,56 mm 7,62 mm Pacto Varsóvia 5,45 mm Vo 838 m/s 1005 m/s 710 m/s 900 m/s Eo 3276 J 1798 J 1993 J 1383 J Comprimento 71 mm 57 mm 56 mm 56 mm Peso Munição 9 g 4 g 8 g 6 g

CONDIÇÕES A OBEDECER PROJÉCTIL ARMA LIGEIRA Ser bi-metal Possuir um núcleo muito denso mas maleável Possuir uma camisa inoxidável e suficientemente dura para resistir à pressão das estrias, mas não tão dura que danifique a alma do cano, entrando nas estrias apenas o suficiente para assegurar o movimento de rotação e evitar fugas de gases entre o projéctil e a alma, sendo bem unida ao núcleo e não deixando pedaços ou rastos nas paredes da alma Possuir uma forma oblonga que conserve bem a velocidade e seja apta à penetração, desenvolvendo uma potência de acordo com a finalidade do projéctil Ser de fabrico fácil e de baixo custo

O INVÓLUCRO

O invólucro é constituído por uma só peça que se obtem por sucessivas estiragens e recosimentos a partir de uma copela de latão especial

O METAL Como a obturação se faz por expansão do invólucro, é preciso que a diferença entre o diâmetro da câmara e do invólucro seja inferior a 1 décimo de milímetro Deve ser MALEÁVEL para um fácil ajustamento à câmara Deve ser RESISTENTE para suportar combustão da carga propulsora Deve ser ELÁSTICO para permitira a extracção

O latão para cartucho é composto por 72% de COBRE e 28% de ZINCO, requerendo esta liga o emprego de matérias primas muito puras e processos de fabrico especiais. Actualmente o invólucro representa cerca de 1/3 do peso total da munição CARTUCHO CONSUMÍVEL

A FORMA Resulta da densidade de carregamento Relação entre PESO DA CARGA e VOLUME POR ELA OCUPADA Uma vez estabelecida essa relação temos: INVÓLUCRO CURTO E LARGO INVÓLUCRO COMPRIDO E ESTREITO

A escolha não é indiferente pois: INVÓLUCRO CURTO E LARGO Dificulta a obturação e a ligação ao projéctil INVÓLUCRO COMPRIDO E ESTREITO Aumenta o peso da arma por exigir uma grande caixa da culatra e câmara

É o Major Suiço RUBIN quem resolve satisfatóriamente o problema criando o COLO o que permite obter um invólucro de diâmetro superior ao do projéctil tal como o conhecemos hoje em dia A forma exterior influí na alimentação e na organização dos diferentes dispositivos de reunião de cartuchos (carregadores e fitas) A forma interior acompanha a exterior, mas a espessura aumenta do colo para a base, devendo ser calculada de modo que não se dê a rotura, em particular, na zona entre o colo e o corpo

No invólucro há a considerar quatro regiões, a saber: COLO CORPO Forma tronco-cónica CONCORDÂNCIA Facilita acção dos gases BASE Com REBORDO ou GARGANTA

BASE Em garganta Melhor acomodação nos depósitos Extracção mais fácil Em rebordo

A ESCORVA

Contra-cápsula Canais de inflamação Bigorna Base de garganta Base de rebordo Guarda Cápsula Composição detonante Cápsula

CÁPSULA Introduz-se juntamente com a bigorna Suficientemente dúctil para poder ser esmagada pelo percutor e com a rijeza bastante para resistir à perfuração Capacidade de dilatação de modo a obturar completamente o alojamento da escorva no momento da detonação

GUARDA CÁPSULA A guarda-cápsula de emprego actual muito raro, justificavase nas armas de depósito no fuste, pois o seu fim era tornar a escorva menos sensível

COMPOSIÇÃO DETONANTE Deve ser tal que não se altere com o tempo, nem dê origem ao fenómeno da combustão lenta Deve ser anti-corrosiva não devendo atacar o metal da cápsula Composta por: Fulminato de mercúrio 27% Pó de vidro 7% Sulfureto de antimónio 29% Clorato de potássio 37% Sobre a matéria detonante, que deve ser comprimida contra as paredes da cápsula, coloca-se um disco, de estanho que se destina a proteger a matéria fulminante da influência da humidade atmosférica

CONTRA-CÁPSULA A contra-cápsula é uma caixa cilíndrica, fechada anteriormente e aberta posteriormente para conter a BIGORNA e a CÁPSULA No fundo estão abertos os canais da inflamação

BIGORNA É uma pequena peça de latão achatada com a forma de mitra e contra a qual se esmaga a composição fulminante Em alguns modelos o próprio fundo da contra-cápsula, recurvado, forma a bigorna.

A escorva compreende: CONTRA-CÁPSULA CÁPSULA FULMINANTE BIGORNA GUARDA CÁPSULA MATÉRIA DETONANTE

A CARGA

Carga é o nome que se dá à porção de substância explosiva que se introduz no invólucro para dar movimento ao projéctil As substâncias explosivas podem ser sólidas, líquidas ou gasosas

Ao fenómeno originado pelo desenvolvimento muito rápido e violento de uma grande quantidade de gases ou de corpos no estado gasoso, com elevada temperatura e num espaço relativamente pequeno, acompanhado de enérgicas acções mecânicas, devido às fortes pressões que os gases exercem sobre as paredes das câmaras que os contém e sobre os corpos vizinhos, dá-se o nome de EXPLOSÃO

As substâncias explosivas, segundo a sua aplicação podem ser: Explosivos propriamente ditos, empregues no carregamento das granadas Pólvoras, que servem para constituir as cargas propulsoras dos projécteis Detonantes, utilizados na confecção de vários artifícios (escorvas, espoletas, etc.)

A carga propulsora dos projécteis deve satisfazer um conjunto de condições, das quais algumas se contrariam e que são: Dar lugar a pressões e velocidades regulares e iguais Ter grande potência balística mas ter uma fraca força expansiva Funcionar a uma temperatura relativamente pouco elevada Possuir fraco poder corrosivo e não originar gases deletérios Não ser higroscópica Ser de inflamação rápida e segura Ser de combustão progressiva Não dar origem nem a fumos nem a resíduos Ser de fácil conservação Não se alterar sob a acção do clima, dos corpos ou metais com que está habitualmente em contacto Ser de fácil fabrico Poder ser transportada sem perigo Ser de emprego seguro Ser de fraco custo e utilizar ingredientes que se possam obter sem dificuldade em tempo de guerra

PÓLVORA NEGRA Salitre, carvão e enxofre ROGER BACON (1212-1294) BERTOLDO SCHWARTZ CHINESES ÁRABES

As pólvoras negras produziam pressões demasiadas e um recuo insuportável, sendo necessário recorrer a um outro explosivo. Experimentou-se primeiramente o algodão pólvora, descoberto em 1845 por SCHONBEIN Muito sensível rápida combustão Base - NITROCELULOSE

Quando se trabalhava no aperfeiçoamento desta pólvora, o engenheiro químico francês VIEILLE apresentou em 1884, um explosivo cuja base era o algodão pólvora, mas sem o aspecto fibroso deste. Era uma substância compacta, sem poros, capaz de arder do exterior, camada por camada, para o centro. Como não dava origem a fumos ficou conhecido pelo nome de PÓLVORA SEM FUMO As suas características gerais são: sob um volume igual e um peso sensivelmente menor, fornece uma quantidade de gases muito maior Com ela conseguem-se grandes e constantes velocidades e pressões regulares, não apresentando perigos no seu fabrico, manuseamento e transporte

ALFRED NOBEL Combina pela primeira vez a NITROCELULOSE com NITROGLICERINA Mistura de GLICERINA com ÁCIDO NÍTRICO Altamente explosivo

PÓLVORAS SEM FUMO Praticamente todas as modernas pólvoras sem fumo contêm nitrocelulose, mas é costume classificá-las em dois grupos, a saber: PÓLVORAS NITROGLICÉRICAS - aquelas que contêm além de nitrocelulose, uma certa proporção de nitroglicerina PÓLVORAS NITROCELULÓSICAS - aquelas que não contêm nitroglicerina

As PÓLVORAS NITROGLICÉRICAS, em relação às NITROCELULÓSICAS são caracterizadas por: Terem maior energia potencial Serem menos higroscópicas Terem maior velocidade específica de combustão Serem mais homogéneas Serem mais estáveis Terem combustão mais regular e completa Terem um custo menos elevado Possuírem maior densidade Serem de fabrico fácil, mas mais perigosas.

Apesar de todas estas vantagens dá-se a preferência às PÓLVORAS NITROCELULÓSICAS porque as NITROGLICÉRICAS têm: Uma temperatura de deflagração muito superior (nitroglicéricas = 2.800º, nitrocelulósicas = 2.300º) O seu poder erosivo é muito maior

MUNIÇÕES ESPECIAIS

Cartuchos especiais de guerra: - Cartucho com projéctil perfurante - Cartucho com projéctil luminoso - Cartucho com projéctil misto (luminoso e perfurante) - Cartucho com projéctil incendiário - Cartucho com projéctil explosivo - Cartucho com projéctil expansivo - Cartucho sem projéctil (para dilagrama) Cartuchos especiais para instrução: - Cartucho com projéctil: - para tiro reduzido - reduzido -simulado - Cartucho simulado - Cartucho de salva

CARTUCHO PERFURANTE Com o aperfeiçoamento das blindagens das viaturas de transporte de pessoal e dos CC, tornou-se necessário o desenvolvimento das munições de modo a que pudessem penetrar nas respectivas blindagens CHUMBO AÇO

CARTUCHO MISTO Concebidas para facilitar a pontaria contra alvos móveis animados de grande velocidade. Deixam um rasto luminoso à sua rectaguarda, desenhando perfeitamente no ar a sua trajectória, razão porque também lhes dão o nome de TRACEJANTES FÓSFORO Diminuição gradual peso projéctil

PROJÉCTIL INCENDIÁRIO Projéctil Buckingham 8mm 0,8 g de fósforo Orifício coberto por solda em DARCET que funde aos 94º

PROJÉCTIL INCENDIÁRIO Projéctil S.A. 7,9 mm 0,65 g de fósforo Orifício coberto por solda em DARCET que funde aos 94º Bloco livre de chumbo com caneluras

Percutor Carga PROJÉCTIL EXPLOSIVO

Percutor PROJÉCTIL EXPLOSIVO

PROJÉCTIL EXPANSIVO

CARTUCHO com PROJÉCTIL para TIRO REDUZIDO

CARTUCHO com PROJÉCTIL REDUZIDO Para tornar a instrução de tiro mais económica empregamse estas munições semelhantes às reais, com o mesmo invólucro e escorva mas em que a carga é de menor peso e a bala descamisada O projéctil atinge uma velocidade na ordem dos 250 m/s

CARTUCHO com PROJÉCTIL SIMULADO

CARTUCHO SIMULADO

CARTUCHO DE SALVA

CARTUCHO para DILAGRAMA

Antevisão: GRANADAS DE MÃO E ESPINGARDA