ROTINA DE HEMOCOMPONENTES

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Transcrição:

ROTINA DE HEMOCOMPONENTES ENFERMAGEM Rotinas Assistenciais da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro Hemocomponentes e hemoderivados são produtos distintos. Os produtos gerados um a um nos serviços de hemoterapia, a partir do sangue total, por meio de processos físicos (centrifugação, congelamento) são denominados hemocomponentes. Já os produtos obtidos em escala industrial, a partir do fracionamento do plasma por processos físico-químicos são denominados hemoderivados. A figura 1 apresenta os produtos originados a partir do sangue total. Existem duas formas para obtenção dos hemocomponentes. A mais comum é a coleta do sangue total. A outra forma, mais especifica e de maior complexidade, é a coleta por meio de aférese. O processamento é feito por meio de centrifugação refrigerada, por processos que minimizam a contaminação e proliferação microbiana, nos quais se separa o sangue total em hemocomponentes eritrocitários, plasmáticos e plaquetários. Figura 1 Produtos originados do Sangue Total Fonte: Ministério da Saúde, 1998. 1

PREENCHIMENTO DA REQUISIÇÃO DE TRANSFUSÃO (Equipe Médica) A solicitação de hemocomponentes deverá ser realizada em formulário específico em duas vias, com letra legível, contendo obrigatoriamente o preenchimento dos seguintes espaços: o Nome completo do paciente sem abreviatura. o Número do prontuário do paciente. o Data de nascimento ou idade. o Sexo. o Localização completa (Posto ou andar, enfermaria e leito). o Peso. o Diagnóstico do paciente (Doença de base). o Indicação de transfusão. o Hemocomponentes solicitados (tipo e quantidade). o Tipo de transfusão*. o Exames. o História transfusional e antecedentes de importância para o ato transfusional. o Data e hora do pedido. o Assinatura e carimbo com nome e número legível do CRM do medido solicitante. O preenchimento destes campos de forma incompleto, inadequado ou ilegível não será aceito pelo Serviço de Hemoterapia, podendo retardar o atendimento ao paciente. TIPOS DE TRANSFUSÃO Rotina: a transfusão pode ocorrer dentro de um período de 24h. Reserva cirúrgica: necessidade de hemocomponentes à disposição para o procedimento a ser realizado. Programada: para determinado dia e hora. Urgência: quando a transfusão tem que ser iniciada num período de até 3 horas. Emergência: quando qualquer retardo na administração da transfusão pode acarretar risco para a vida do paciente. COLETA DA AMOSTRA DE SANGUE Etiqueta: Nome completo. Prontuário. Localização. Data. Identificação do coletor. Responsáveis pela coleta da amostra: Centro Obstétrico: equipe da obstetrícia e de enfermagem. Alojamento Conjunto: agência transfusional. Unidade Neonatal: neonatologia. Ambulatório: Laboratório Emergência Obstétrica: agência transfusional. 2

ADMINISTRAÇÃO DE HEMOCOMPONENTES (Equipe de Enfermagem) TEMPO DE ADMINISTRAÇÃO o O tempo para infusão de qualquer hemocomponente (hemácia, plaqueta, plasma, crioprecipitado) não deve exceder o prazo de quatro horas. Quando esse período for ultrapassado a transfusão deverá ser interrompida e a unidade descartada. o O tempo médio adequado para a administração da transfusão em pacientes hemodinamicamente estáveis é: Hemácia (pacientes estáveis): 90-120 minutos/unidade. Plaquetas: 30-60 minutos/unidade. Plasma e Crioprecipitado: 30 60 minutos/unidade. o O tempo para infusão do hemocomponente prescrito depende da condição individual de cada paciente, e deverá ser especificado na prescrição pelo médico solicitante, uma vez que a infusão rápida pode causar sobrecarga de volume em pacientes instáveis (especialmente pacientes pediátricos ou idosos). o Recomenda-se o início imediato da transfusão, pois existe o risco de proliferação bacteriana ou perda da função do hemocomponente. ADIÇÃO DE MEDICAÇÃO: o Nenhum medicamento pode ser adicionado à bolsa do hemocomponentes, nem ser infundido em paralelo (no mesmo acesso venoso). o Os CHs podem ser transfundidos em acesso venoso compartilhado, APENAS, com soro fisiológico 0,9%. o Exemplo: soluções de glicose 5% podem causar hemólise das hemácias, soluções de Ringer Lactato podem ocasionar formação de coágulos pela presença de cálcio. EQUIPO DE TRANSFUSÃO: o Para a transfusão de qualquer hemocomponente, é obrigatório o uso de equipos próprios para transfusão. Este equipo possui malha no seu interior (filtro para microagregado, com poros que variam de 170 a 260 micra de diâmetro), capazes de reter pequenas partículas (debris celulares) que se formam durante a estocagem do produto. o O equipo de transfusão deve ser preenchido com o próprio hemocomponente antes do início da transfusão. o Em pacientes adultos, são utilizados os equipos próprios para transfusão no paciente, via gravitacional. Em recém-nascidos, recomenda-se a filtragem do hemocomponente em equipo próprio para transfusão. Em seguida o hemocomponente é transferido para uma seringa e perfusor, a fim de que seja administrado por uma bomba de seringa. CONFERÊNCIAS ANTES DA INSTALAÇÃO DO HEMOCOMPONENTE o O profissional que irá administrar o hemocomponente é a ultima barreira para detecção de erros antes da transfusão. Uma vez identificada qualquer discrepância, o processo de instalação deve ser retardado e a transfusão não pode ser iniciada. o A identificação e as informações registradas na prescrição devem ser conferidas e os dados devem ser confrontados com o hemocomponente preparado. Nota: A transfusão de sangue para o paciente errado é o mais importante erro evitável da transfusão e tipicamente é resultado de erro feito durante a conferência à beira do leito. 3

CONFERÊNCIA NO POSTO DE ENFERMAGEM o Confrontar HEMOCOMPONENTE com PRESCRIÇÃO e REQUISIÇÃO DE TRANSFUSÃO. o Nome completo, prontuário, Tipo de componente, Nº de unidades (volume). o Observar alguns cuidados especiais (lavado, desleucocitado, irradiado). o Verificar a administração da pré-medicação, quando esta tiver sido prescrita. CONFERÊNCIA BEIRA DO LEITO o O profissional que realiza a instalação da transfusão deve manter uma observação próxima do paciente ao menos nos 10 minutos iniciais da infusão. Eventos catastróficos como reação hemolítica aguda, ou contaminação bacteriana, podem se iniciar a partir da infusão de pequeno volume do hemocomponente na circulação sanguínea. o Alguns cuidados são importantes à beira do leito: Verificar se a identificação da pulseira (se for o caso), leito ou prontuário corresponde ao receptor (IDENTIFICAÇÃO POSITIVA) e ao hemocomponente. Verificar se não houve erros de etiquetagem na Agência Transfusional. Checar a permeabilidade do acesso venoso, utilizando solução salina. Examinar o filtro do equipo de infusão: pode haver acúmulo excessivo de debris celulares. Perguntar ao paciente: QUAL O SEU NOME? EVITAR DIZER ANTES O NOME DO PACIENTE. Verificar e anotar os sinais vitais: FC, PA, Temperatura antes do início da transfusão, 10 minutos após o início e, ao final, obrigatoriamente. o Registrar o horário de início e o de término, uma vez finalizada a transfusão para determinação final do tempo da transfusão. Descartar a bolsa de hemocomponente vazia em recipiente para descarte de material biológico na própria área onde ocorreu a transfusão, a menos que algum evento adverso seja identificado (nesse caso a bolsa deve ser enviada à Agência Transfusional). IDENTIFICAÇÃO DE EVENTO ADVERSO o A maioria das transfusões transcorre sem complicações. Porém, quando um evento adverso ocorre é importante que a equipe de enfermagem esteja preparada para reconhecer e atender imediatamente uma reação. o Diante de uma suspeita de reação: Interromper imediatamente a transfusão. Manter acesso venoso com Soro Fisiológico 0,9%. Verificar sinais vitais. O médico e o técnico de hemoterapia deverão ser imediatamente comunicados sobre a reação para que todas as providências necessárias sejam tomadas. Enviar a bolsa e o equipo para a Agência Transfusional. o Alguns sinais e sintomas são tipicamente associados com reação transfusional aguda e podem auxiliar no reconhecimento: Febre com ou sem calafrio (definido como aumento de 1ºC na temperatura corpórea) associada à transfusão. Tremores com ou sem febre. Hipotermia. Dor no local da infusão, dor no peito, abdome ou flanco. 4

Alterações pressóricas geralmente agudas (hipertensão ou hipotensão). Arritmia. Choque em combinação com febre, e/ou calafrio intenso. Alteração no padrão respiratório tal como, dispnéia, taquipnéia, hipóxia. Apnéia no período neonatal. Cianose. Crise convulsiva. Aparecimento de urticárias, prurido ou edema localizado. Náusea com ou sem vômitos. Alteração da cor da urina (hematúria). Sangramento ou outras manifestações de alteração da coagulação. OBS: Não existe contraindicação absoluta à transfusão em pacientes com febre. É importante diminuir a febre antes da transfusão, porque o surgimento de febre pode ser um sinal de hemólise ou de outro tipo de reação transfusional. LEITURA SUGERIDA - AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº34, de 11 de junho de 2014. Dispõe sobre as boas práticas no ciclo do sangue. D. O. U., Poder Executivo, Brasília, DF, 16 jun. 2014. n. 113, Seção 1, p. 50. - BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Guia para uso de hemocomponentes. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). - BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº158, de 04 de fevereiro de 2016. Redefine o regulamento técnico de procedimentos hemoterápicos. D. O. U., Poder Executivo, Brasília, DF, 05 fev. 2016. n. 25, Seção 1, p. 37. 5