79 Dias por Ton Freitas Registro F.B.N.: 684988 Contato: ton.freitas@hotmail.com
INT. HOSPITAL/QUARTO - DIA Letreiro: 3 de março de 1987. HELENA, branca, 28 anos, está grávida e deitada em uma cama em trabalho de parto, à sua volta há médicos e enfermeiros, ESTEVÃO, seu marido, branco, de bigode, 35 anos, segura suas mãos. Helena grita de dor enquanto faz força durante o parto. ESTEVÃO Calma amor, calma, já vai acabar. MÉDICO Continue assim, tá quase lá. nasce, o MÉDICO o pega, corta o cordão umbilical e o entrega a ENFERMEIRA que, o aproxima de Helena. Helena chora ao ver Eduardo, Estevão a beija na testa. HELENA Lindo nosso Eduardo. INT. CINEMA/CORREDOR - NOITE Letreiro: 18 anos depois. Eduardo, com 18 anos, moreno claro e, morena, 18 anos, estão na fila de entrada da sala do cinema e conversam. Eduardo ri. Então, qual o seu nome mesmo? Então você vem se encotrar com um cara que nem sabe o nome? É que só te conheci pelo seu apelido na net, e pedra, não diz muito sobre nenhum nome. Eduardo ri novamente. É, tem razão, tem razão. Então, meu nome é Eduardo.
CONTINUANDO: (2) 2. Eduardo? E o que isso tem a ver com pedra? Me deram esse apelido porque sempre fui muito sério, um amigo meu disse que não tenho expressão e que pareço uma pedra. Ana dá uma breve gargalhada. Que besteira, você não é assim não. Eduardo sorri e olha para Ana que o olha de volta. Você acha? Sim. Os dois sorriem e ficam se olhando. INT. CASA DE /QUARTO - DIA Letreiro: 18 anos atrás., 22 anos, morena, grávida, está se olhando em um espelho de parede e conversa com NAIR, sua mãe, que está sentada em sua cama. Já tá quase na hora. Maria passa a mão em sua barriga. NAIR Você tinha é que tirar um foto. Foto? NAIR É, eu tive nove filhos e nunca tirei uma foto grávida. Nair vira o rosto de lado demonstrando raiva.
CONTINUANDO: (2) 3. NAIR (cont.) Se arrependimento matasse. Maria a olha e volta olhares para o espelho. Ah sei lá, não gosto muito de foto não. PATRÍCIA, morena, 18 anos, ENTRA, carregando um bolo. Nair olha para Patrícia. NAIR Olha aí minha filha, você não acha que sua irmã tá bonita e merece uma foto pra guardar de lembrança? Patrícia olha para Maria. PATRÍCIA Tá bonita mesmo. Vou deixar o bolo aqui e vou ali na rua chamar o Antônio, que é retratista. Não, faz isso não. NAIR Vai sim Patrícia, chama ele lá porque se não, ela vai se arrepender depois. SALA ANTÔNIO, retratista, 30 anos, segura sua câmera fotográfica e aponta para Maria. Em volta está Nair e Patrícia. ANTÔNIO Fica de lado. Maria vai se virando. ANTÔNIO Vira mais, isso, agora coloca a mão na cintura. Antônio realiza a foto. Maria continua sorrindo para a câmera, em volta, Nair e Patrícia também sorriem.
4. FIM DO EXT. PRAÇA - NOITE Eduardo e Ana estão sentados em um banco e comem pipoca. Ana ri. Só você mesmo pra comprar pipoca só depois do filme. Ué, a daqui é mais barata. Nossa, muita diferença mesmo, cinquenta centavos. Eduardo ri e fica olhando para Ana que, o olha de volta e em seguida olha para frente. Ana ri. E essa pipoca aí como tá? Tá salgada. E ela não termina não? Ana para de comer e olha para Eduado. Eduardo a beija. INT. CASA DE HELENA/SALA - DIA Eduardo ainda bebê, está em um carrinho de bebê de frente para TV e CHORA muito. Estevão ENTRA, escuta o choro e corre até Eduardo. ESTEVÃO (gritando) Helena! Helena! Helena ENTRA, está assustada.
CONTINUANDO: (2) 5. HELENA O que houve? ESTEVÃO Acho que ele não está bem. FIM DO EXT. CASA DE /QUINTAL - NOITE Letreiro: 31 de maio de 2007. Ana e Eduardo estão abraçados. Ana chora. O abraço é desfeito e Eduardo segura as mãos de Ana. Não sabia que eu ia ser mandado pra tão longe. Eu sei. Eu sei. Pensei que ia ficar aqui por perto. Mas isso não sou eu que escolho. Eu sei como é. Ana começa a conter a choro. Vai dar tudo certo. A gente vai continuar junto. Eu te amo. Eu também te amo. Eduardo beija Ana e passa a mão em seu rosto a olhando. Olha, eu vou sair por aquele portão e quero que você fique aqui dentro. Não saia. Ana chora. Eduardo beija a testa de Ana, pega uma mala, se vira, abre o portão e SAI. Ana fica o olhando e continua chorando.
6. EXT. CALÇADA - NOITE Eduardo caminha de cabeça baixa, expressa tristeza. Eduardo olha para trás. Ana está no portão e chora muito o olhando. Eduardo balança a cabeça negativamente, olha para frente e continua a andar. EXT. CASA DE /QUINTAL - NOITE Maria está recolhendo roupas de um varal. Maria termina de recolher e caminha até a porta de sua casa. Maria escorrega e cai de costas para o chão. Maria GRITA de dor. FIM DO EXT. PRAÇA - DIA Eduardo usa um telefone público. Tô com saudades de você. (O.S.) Também tô. Tá dificil sem você. Aqui também, é muito difícil. (O.S.) Mas logo vai acabar amor. Logo logo a gente vai tá junto. Não vejo a hora. Eu te amo sabia? Eduardo começa a chorar. Também te amo. Você tá chorando? Eduardo tenta conter o choro.
CONTINUANDO: (2) 7. Não, não, não foi nada não. INT. HOSPITAL - DIA Estevão está com Eduardo nos braços, Helena está ao seu lado, à frente deles um MÉDICO. MÉDICO Fiquem tranquilos, está tudo bem com ele. Esse tipo de dor é normal com esse tempo de nascido. HELENA Graças a Deus doutor, muito obrigada. ESTEVÃO Muito obrigado doutor. Estevão aperta a mão do Médico. EXT. QUARTEL/PÁTIO DE FORMATURAS - DIA Letreiro: 18 de agosto de 2007. Está ocorrendo uma formatura militar. Soldados estão perfilados, Eduardo está entre eles. Eduardo avista Ana e Estevão entre os presentes que assistem a formatura, sorri e começa a chorar. Ana também chora e Estevão sorri. INT. HOSPITAL/QUARTO - DIA Letreiro: 11 de maio de 1987. Maria está dormindo em uma cama de hospital. Uma FREIRA, idosa, ENTRA, com Ana, bebê, no colo. Maria acorda.
CONTINUANDO: (2) 8. FREIRA Aqui está ela. Maria se senta na cama e pega Ana. Maria sorri olhando para ela. Linda. A Freira SAI. SOM de assobio. Maria olha para a janela. Maria se levanta da cama e caminha até a janela. Maria olha pela janela e vê Geraldo, seu marido, na calçada do hospital com um buquê de flores na mão. Maria se emociona e começa a chorar. Maria olha a sua volta e arrasta uma cadeira até a janela. Maria sobe na cadeira e mostra Ana para Geraldo. Geraldo chora. (gritando) É a nossa filha. Nossa Ana. FIM.