TIL (1872) Professor Kássio
José de Alencar e o Romantismo José de Alencar, nasceu em Mecejana, no Ceará. Oriundo de uma família influente na política, seguiu os passos do pai e entrou para o Partido Conservador. Sempre preocupado com as questões da pátria e a constituição da identidade nacional. Sua obra é dividida em 4 partes, todas visando a constituição da identidade brasileira: romances históricos, indianistas, REGIONALISTAS e urbanos. Til pertence à fase regionalista, visando mostrar as características dos habitantes do interior de São Paulo, em seus aspectos linguísticos, culturais e sociais. SUBJETIVISMO, NACIONALISMO E IDEALIZAÇÃO.
CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO No século XIX, o sudeste do Brasil (em especial Minas e São Paulo) se dedica ao cultivo do café. É o que movimentaria a economia do período e atrasaria a industrialização do país. REPRODUÇÃO DOS VALORES MORAIS ARISTOCRACIA X ESCRAVOS CASA GRANDE X SENZALA (Freyre, G.)
Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo há muita gente de jenipapo ou mancha mongólica pelo Brasil a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro. No litoral, do Maranhão ao Rio Grande do Sul, e em Minas Gerais, principalmente do negro. A influência direta, ou vaga e remota, do africano...
Na ternura, na mímica excessiva, no catolicismo, em que se deliciam nossos sentidos, na música, no andar, na fala, no canto de ninar menino pequeno, em tudo que é expressão sincera de vida, trazemos quase todos a marca da influência negra. Da escrava ou sinhama que nos embalou. Que nos deu de mamar. Que nos deu de comer, ela própria amolengando na mão o bolão de comida. Da negra velha que nos contou as primeiras histórias de bicho e de malassombrado. Da mulata que nos tirou o primeiro bicho-depé de uma coceira tão boa. Da que nos iniciou no amor físico e nos transmitiu, ao ranger da cama-de-vento, a primeira sensação completa de homem. Do muleque que foi o nosso primeiro companheiro de brinquedo...
A obra Compondo as produções regionalistas de Alencar, Til apresenta o modo de vida do habitante do interior de São Paulo. A história se passa em Santa Bárbara (tendo como foco a fazenda das Palmas), perto da cidade de Campinas. São observados e descritos: elementos linguísticos, culturais, sociais. O ambiente central é o da família de Luís Galvão, apesar da heroína ter crescido num ambiente pobre.
A ESTRUTURA: Assim como Memórias de Sargento de Milícias, foi publicada enquanto folhetim, entre 1871-72. O tempo é o psicológico, seguindo um jogo do narrador. Narrador onisciente, domina de forma bem trabalhada o enredo. A obra é dividida em duas partes: na primeira, são apresentadas as personagens e as tramas. Na segunda, se tem as revelações e desfechos.
PERSONAGENS BERTA(TIL): a heroína. Mulher que foge dos padrões românticos, pois opta por ser solteira, é independente. No mais, segue à risca. MIGUEL: filho de Inhá Tudinha, criado junto com Berta e apaixonado pela irmã. AFONSO: filho de Luís Galvão, apaixonado por Berta. LINDA: desejava Miguel. Amiga de Berta.
BESITA: Mãe de berta JÃO FERA: capanga, matador de aluguel. Protetor de Berta. LUÍS GALVÃO: Fazendeiro, pai de Afonso, Linda e... D. EMERLINDA: Mulher de Luís Galvão BARROSO (RIBEIRO): marido (corno) de Besita, que se ausentou por anos. ZANA: negra que enlouqueceu por determinado acontecimento INHÁ TUDINHA: cuidou de Berta quando esta ficou órfã. BRÁS: o idiota
A heroína: Era ela de pequena estatura e tão delgada e flexível no talhe, que dobrava-se como o junco da várzea. (...) Servia-lhe de toucado um chapéu de palha de coco trançada, sob o qual escondia os lindos cabelos negros cacheados, que às vezes, com os saltos, escapavam da prisão e vinham folgar sobre as espáduas. Calçava grossos coturnos de couro de veado (...), onde, aliás, afogava-se o pezinho buliçoso.(pág. 14)
Os grandes olhos, negros, claros e serenos, como um lago cristalino imerso na sombra, não podiam negar que fossem de mulher: tinham a diáfana profundidade do céu, cheia de enlevos e mistérios. A boca mimosa e breve, conhecia-se que fora vazada no molde do beijo e do sorriso. Mas quando o brinco iluminava essa fisionomia, e o capricho quebrava-lhe a harmonia das linhas do suave perfil, era cobrir-se com a máscara do rapazinho estouvado, que ela teria sido sem dúvida, se a natureza não lhe trocasse o destino. Nesse prisma da lindeza de Inhá reflete-se a sua índole. Aquela alma tem facetas como o diamante; iria-se e acende uma cor ou outra, conforme o raio de luz que a fere.
(...) Contradição viva, seu gênio é o ser e o não ser. Busquem nela a graça da moça e encontrarão o estouvamento do menino; porém mal se apercebam da ilusão, que já a imagem da mulher despontará em toda sua esplêndida fascinação. A antítese banal do anjodemônio torna-se realidade nela, em quem se cambiam no sorriso ou no olhar a serenidade celeste com os fulvos lampejos da paixão, à semelhança do firmamento onde ao radiante matiz da aurora sucedem os fulgores sinistros da procela. (pág. 14)
A FLOR QUE AMADURECE E DESABROCHA MAS MIGUEL LÁ TODOS SÃO FELIZES! MEU LUGAR É AQUI, ONDE TODOS SOFREM... Protagonista altruísta
Piparote, como acontece em Memórias Póstumas. As festas que marcam a cultura dos marginalizados, como em Memórias de um sargento de milícias e em O cortiço. Aproximação de viagens na minha terra. Depois serão feitas comparações mais claras com relação à obra Memórias de um sargento de milícias