Redes sociais, afectos e pessoas idosas António M. Fonseca afonseca@porto.ucp.pt CONVERSAS DE FIM DE TARDE VISEU, 29 JUNHO 2012
Uma vida mais longa A esperança média de vida tem aumentado de forma dramática: Nos EUA passou de 49 anos em 1900 para 76,5 anos em 2000 Em França, no início do séc. XX apenas uma em cada dez pessoas ultrapassava os 60 anos; actualmente só uma em cada dez pessoas não ultrapassa os 60 anos Em Portugal, a esperança de vida à nascença é actualmente de 75 anos para os homens e de 81 anos para as mulheres
Apesar disso à 3ª idade e ao envelhecimento permanecem associados estereótipos negativos, alguns deles de índole afectiva e relacional : fragilidade, doença, demência vazio, ociosidade, inutilidade passividade, tristeza, apatia, depressões isolamento social, solidão dificuldade de estabelecer laços afectivos desinteresse e incapacidade a nível sexual desligamento social e afectivo, preparação para a morte
Impacto das ideias sobre o envelhecimento Estereótipos negativos Discriminação Medo do envelhecimento / Conformidade
E todavia «Derramarei o meu espírito sobre toda a humanidade. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos» (Joel 3,1). Que sonhos terão os anciãos de hoje? E que pesadelos?
As dores dos afectos Apesar das enormes diferenças entre o campo e a cidade no que diz respeito ao ambiente físico e social, à história de vida e ao estilo de vida, nada disso parece influenciar o sentimento predominante de solidão que se verifica nas populações idosas das duas comunidades (Fonseca, Paúl et al., 2005). Paúl, Fonseca et al. (2003) verificaram que a resignação com a vida e com o destino é um sentimento muito comum entre os portugueses, especialmente entre os idosos.
As redes sociais e de afectos na velhice Familiares Cônjuge Família alargada Amigos Amigos Confidentes Vizinhos Redes formais de ajuda Serviços de apoio social Grupos de ajuda mútua Telefone Internet
Casamento e Família Efeito protector do casamento Casados têm menores taxas de mortalidade Casamento relacionado com maior protecção da saúde Viuvez associada a taxas mais altas de mortalidade em ambos os sexos (sobretudo nos homens) Família é importante na velhice Na maioria dos casos, a família continua a assegurar o cuidado dos mais velhos (ajuda na vida diária e suporte na doença) Maioria dos cuidadores são mulheres (esposas e filhas) Atenção ao stress do papel de cuidador
Amigos O papel dos amigos Mulheres no grupo > 65 anos tendem a manter mais amigos do que os homens (efeito das relações de vizinhança) Ligações com amigos relacionadas sobretudo com o suporte emocional (ligações com filhos às vezes relacionadas apenas com o apoio instrumental) Amigos com papel essencial na companhia, suporte emocional e moral, reduzindo os sentimentos de solidão no idoso Amigos contribuem para melhoria da satisfação com a vida
Confidentes O papel especial dos confidentes A maioria das pessoas >60 anos identifica pelo menos um confidente Satisfação com a vida aumenta com a existência de um confidente, tanto nos homens como nas mulheres A falta de um confidente é associada à expressão de solidão Maior risco de depressão em pessoas sem relações próximas Relações de intimidade mais frequentes e significativas nas mulheres em todas as idades Homens tendem a estabelecer relações de intimidade com as suas mulheres Mulheres casadas têm mais probabilidade de identificar um confidente fora do casamento
Mudanças na rede social (Antonucci e Akiyama, 1987; Bowling, 1994; Stoller e Pugliesi, 1988) Rede primária Suporte social informal Estabilidade ou decréscimo Inclusão de outros familiares Suporte social formal Expansão incapacidade
As redes formais Ajuda principalmente de tipo instrumental Uso de serviços tende a ser vista como de último recurso Ajuda paga Sentimento de independência Minimiza as solicitações na ajuda informal» Diminui os conflitos» Ameaça menos a independência Institucionalização» Falta de suporte social» Imobilidade física» Patologia grave
Redes sociais e grau de satisfação Os idosos terão as suas necessidades instrumentais satisfeitas se as redes forem dominadas por familiares, mas tendem a exprimir maior satisfação com a vida se os amigos predominarem Quantidade de contactos não prediz bem estar: investigação sugere a não associação entre a frequência de contactos com filhos, netos, irmãos, e o ânimo ou a satisfação com a vida no idoso Interacção com amigos está positivamente correlacionada com o bem estar emocional Relação com um confidente é mais importante para a satisfação com a vida do que a quantidade de interacções com família ou amigos Percepção de mau suporte social poderá levar ao desenvolvimento de sintomas neuróticos