I - RESPONSABILIDADE CIVIL A Ordem Jurídica protege o lícito e reprime o ilícito, para atingir o desiderato estabelece deveres jurídicos (dar, fazer, não-fazer), por exigência da convivência social. A violação de um dever jurídico (dever originário) configura o ato ilícito, acarretando, quase sempre, dano a outrem, gerando, um novo dever jurídico de reparar. (dever sucessivo) Logo, enquanto a Obrigação é sempre um dever jurídico originário, a Responsabilidade é um dever jurídico sucessivo. Basta a análise do artigo 389 do Código Civil: Artigo 389: Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos (...) RESPONSABILIDADE = VIOLAÇÃO DE UM DEVER ORIGINÁRIO + DANOS DO ATO ILÍCITO Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. - Da Conduta Culposa Conduta: é o comportamento humano voluntário que se exterioriza através de uma ação ou omissão, produzindo conseqüências jurídicas. Ação: é um movimento corpóreo comissivo, positivo. Omissão: caracteriza-se pela inatividade, abstenção de alguma conduta devida. Ex.: pais que se omitem ao alimentar os filhos. Elementos da Conduta Culposa Conduta voluntária com resultado involuntário; Ex.: Cuidados dos Pássaros. Previsão ou Previsibilidade; (Mentalmente antevisto, grau de probabilidade de acontecer). Falta de cuidado, cautela, diligência ou abstenção Imprudência (falta de cautela em conduta comissiva) Negligência (falta de cuidado em conduta omissiva) Imperícia (falta de habilidade) 1
Da Obrigação de Indenizar - INDEMNE (artigos 927 e seguintes): Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. (responsabilidade objetiva) RESPONSABILIDADE SUBJETIVA E RESPONSABILIDADE OBJETIVA Responsabilidade Subjetiva: A culpa é o fundamento da responsabilidade subjetiva. A culpa, lato sensu, ou seja, culpa e dolo. Por essa concepção clássica, para a vítima obter a reparação tem que ser provada a culpa do agente. Exemplos: acidentes de trânsito, profissionais liberais. Responsabilidade Objetiva: Com a sociedade moderna, máquinas e inventos, novas situações foram geradas, que não podiam ser amparas pelo conceito de culpa. Na França, criou-se a Teoria do Risco, acatada pelo Código Civil, em seu artigo 927, parágrafo único. Exemplos: Estado, Relação de Consumo, com exceção dos profissionais liberais. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL E EXTRACONTRATUAL Responsabilidade Contratual: preexistindo um vínculo contratual, o dever de indenizar decorre de um descumprimento, é o ilícito contratual ou relativo; Ex.: obrigação de fazer descumprida, o contrato de uma estátua para inauguração de um museu. Cadastramento indevido pelo banco. Responsabilidade Extracontratual: surge da lesão de um direito, sem que entre ofensor e vítima preexista qualquer relação jurídica, é o ilícito aquiliano (Lex de Lúcio Aquilio Tribuno Romano). Ex. acidente automobilístico. RESPONSABILIDADE DE RELAÇÃO DE CONSUMO OBJETIVA EM GERAL SUBJETIVA PROFISSIONAIS LIBERAIS A Lei 8.078/90, denominada Código de Defesa do Consumidor, trouxe a responsabilidade objetiva fundada no dever e segurança do fornecedor em relação aos produtos e serviços lançados no mercado de consumo. A partir dele, a responsabilidade objetiva (sem culpa), 2
que era exceção em nosso Direito, passou a ter campo de incidência mais vasto, que a própria responsabilidade subjetiva. Código de Defesa do Consumidor: Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. (...) 4 A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa. Da Exclusão da Ilicitude Artigo 188 CCB Hipóteses em que a conduta do agente, embora cause dano a outrem, não viola Dever Jurídico (Art. 188): Legítima Defesa o agente usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a seu direito ou de outrem; Exercício Regular de um Direito direito exercido regularmente. Ex: a cobrança de uma dívida; Estado de Necessidade alguém deteriora ou destrói coisa alheia a fim de remover perigo iminente. Não obstante configurando o estado de necessidade, o artigo 929 do Código Civil, manda indenizar o dono da coisa, pelo prejuízo que sofreu, se não for culpado do perigo, assegurado ao autor do dano o direito de regresso contra o terceiro que culposamente causou o perigo (artigo 930 CC) Responsabilidade Fato Próprio, de outrem e da coisa Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; 3
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos. Artigo 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta. Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição. Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação. Parágrafo único. São solidariamente responsáveis com os autores os co-autores e as pessoas designadas no art. 932. Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança. Responsabilidade Civil do Estado O parágrafo 6º do art. 37 da Constituição Federal traz expresso que as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. 4
Responsabilidade Civil e Responsabilidade Penal Aquelas condutas mais graves, que atingem bens sociais de maior relevância, são sancionadas pela lei penal, ficando a lei civil, na repreensão das condutas menos graves. (Cavalieri Filho) Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. Casos de dupla ilicitude (civil e penal), motorista embriagado; Art. 575. A execução, fundada em título judicial, processar-se-á perante: IV o juízo competente, quando o título executivo for sentença penal condenatória ou sentença arbitral - Nexo Causal É a relação de causa e efeito entre a conduta e o resultado. Teoria da Causa Adequada: Entre as causas, deve ser identificada aquela que foi a mais adequada a produzir o resultado. Da Exclusão do Nexo Causal Fato Exclusivo da vítima; Fato de Terceiro; Caso Fortuito e Força Maior. Teoria da Causa Adequada: Entre as causas, deve ser identificada aquela que foi a mais adequada a produzir o resultado. 5
DO DANO DANO: lesão ao bem jurídico É dano Material, suscetível de avaliação, classificação: Danos Emergentes desfalque no patrimônio; Lucro Cessante perda de ganho futura e esperável. Dano Moral: Sofrimento, dor moral, aflição, angústia, dor psíquica. Dano Estético: Alteração Morfológica de formação corporal, que agride à visão, causando repulsa. Questões 1 - Joaquim, motorista de pessoa jurídica prestadora de serviço público, transportava documentos oficiais que necessitavam ser entregues com urgência. No trajeto, Joaquim, por imperícia e imprudência, envolveu-se em acidente de trânsito, no qual colidiu com veículo de particular. Considerando a situação hipotética acima, assinale opção correta. a) A responsabilidade civil será exclusiva de Joaquim, visto que agiu com imperícia e imprudência. b) A Constituição Federal de 1988 (CF) adotou a responsabilidade objetiva do Estado, sob a modalidade do risco integral, razão pela qual a pessoa jurídica deverá responder pelos danos. c) Trata-se de hipótese que exclui o dever de indenizar, visto que Joaquim estava executando serviço público de natureza urgente. d) A responsabilidade civil será da pessoa jurídica, na modalidade objetiva, com a possibilidade de direito de regresso contra o motorista. 2 - Qual das situações a seguir NÃO configura caso de responsabilidade civil por ato de outrem? a) Aqueles que de forma gratuita houverem participado no produto do crime. b) Tutor ou curador, por atos praticados por seus pupilos ou curatelados. c) O comitente, pelos serviçais e prepostos, no exercício do trabalho ou por ocasião dele. d) O pai separado, pelos filhos menores, sob a guarda da mãe que exerce o poder de direção. e) Os donos de estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins educacionais, pelos seus hóspedes, moradores e educandos. 6
3 - Considere as afirmações abaixo. I. Enquanto ao Estado aplica-se a responsabilidade objetiva, ao funcionário causador do dano ao particular deve ser observada a responsabilidade subjetiva. II. A responsabilidade do Estado é subjetiva, alicerçada na teoria do risco integral, e do funcionário causador do dano ao particular é sem culpa, com base no risco do administrativo. III. Tanto ao Estado como ao funcionário causador do dano ao particular, aplica-se a responsabilidade objetiva, com base na teoria da falta do serviço. IV. Ao Estado aplica-se a responsabilidade objetiva, com base na teoria do risco administrativo, e ao funcionário causador do dano ao particular, deve ser observada a responsabilidade civilista. No que se refere à responsabilidade civil do Estado estão corretas APENAS a) I e III. b) I e IV. c) II e III. d) II e IV; e) III e IV. 4 -Um jornal noticiou que "a Constituição da República determina que é objetiva a responsabilidade civil tanto do Estado quanto dos seus agentes, no exercício de funções públicas". Essa afirmação é a) verdadeira. b) falsa, pois a responsabilidade dos agentes públicos é subjetiva. c) falsa, porque, entre os agentes do Estado, somente respondem objetivamente os servidores públicos. d) falsa, porque a caracterização da responsabilidade civil do Estado depende da existência de culpa administrativa. 5 - Mário, com 15 anos de idade, estudante, mora com seus pais João e Maria. Ontem, enquanto João dormia, Mario pegou a moto de seu pai e, dirigindo em alta velocidade, atropelou e matou Thiago. Neste caso, com relação ao ato praticado por Mário, João a) será responsável, desde que haja culpa de sua parte, devendo ressarcir o dano causado por Mário e não poderá reaver do filho o que houver pago. b) será responsável, ainda que não haja culpa de sua parte, devendo ressarcir o dano causado por Mário, podendo, no entanto, reaver do filho o que houver pago. c) será responsável, ainda que não haja culpa de sua parte, devendo ressarcir o dano causado por Mário e não poderá reaver do filho o que houver pago. d) será responsável, desde que haja culpa de sua parte, devendo ressarcir o dano causado por Mário, podendo, no entanto, reaver do filho o que houver pago. e) não será responsável, uma vez que Mário, em razão da sua idade, não é absolutamente incapaz de exercer pessoalmente os atos da vida civil. 7
6 - Em furto à agência de uma instituição financeira localizada próxima a região com alto índice de criminalidade, os assaltantes levaram dinheiro e talões de cheques dos clientes. Três meses depois, um dos bandidos começou a utilizar cheques do cliente José da Silva, mediante a falsificação da assinatura. José da Silva notou que cheques foram apresentados ao banco e os valores de alguns deles descontados de sua conta-corrente sem a correspondente devolução dos valores. Considerando a situação hipotética acima, assinale a opção correta. a) Se o banco não honrar os cheques apresentados e disso resultar inscrição do cliente em cadastro de órgãos de proteção ao crédito, poderá o banco ser condenado a indenizar o cliente por danos morais. b) Se a conta de José da Silva estivesse encerrada por ocasião da apresentação dos cheques, o banco não ficaria obrigado a conferir a assinatura. c) O banco não pode ser responsabilizado pelo furto se tomou todas as cautelas normais de segurança. d) A circunstância de a agência estar localizada em região de alto índice de criminalidade exclui a responsabilização do banco, se o cliente foi avisado desse aspecto e anuiu em ali ter sua conta-corrente. e) O banco não é obrigado a restituir ao cliente os valores relativos aos cheques furtados e descontados de sua conta-corrente. 7 - A indenização por ato ilícito a) só será devida quando ficar configurado dano material. b) não será devida, se ficar configurado apenas abuso de direito. c) será devida, ainda que o dano seja exclusivamente moral. d) só será devida na hipótese de se apurar dolo ou culpa grave do agente. e) em nenhuma hipótese será devida, se o agente for incapaz. 8 - Sobre a responsabilidade civil, considere: I. Haverá obrigação de reparar o dano independentemente de culpa, quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. II. Aquele que habitar parte de prédio não responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem. III. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos cuja necessidade fosse manifesta. IV. Quando a vítima concorrer culposamente para o evento danoso, a sua indenização será fixada levando-se em conta a gravidade da sua culpa em confronto com a do autor do dano. De acordo com o Código Civil, é correto o que consta APENAS em: a) I, II e III; b) I, II, IV; c) I,III e IV; 8
d) I e II; e) II e III. 9 - O empregador ou comitente, por ato lesivo de seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício de trabalho que lhes competir ou em razão dele, a) responsabiliza-se objetivamente pela reparação civil, pouco importando que se demonstre que não concorreu para o prejuízo por culpa ou negligência de sua parte. b) responde subjetivamente pelo dano moral e patrimonial. c) tem responsabilidade civil objetiva por não existir presunção juris tantum de culpa, mas não poderá reaver o que pagou reembolsando-se da soma indenizatória despendida. d) tem responsabilidade civil subjetiva por haver presunção juris tantum de culpa in eligendo e in vigilando. e) não tem qualquer obrigação de reparar dano por eles causado a terceiro. 10 - Considere as assertivas a respeito da responsabilidade civil: I. O empregador é responsável pela reparação civil por atos praticados por seus empregados no exercício do trabalho que lhes competir, ainda que não haja culpa de sua parte. II. A responsabilidade civil é independente da criminal, podendo, por isso, questionar-se sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. III. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. Está correto APENAS o que se afirma em: a) I e II; b) I e III; c) II; d) II e III; e) III. 9