Relação ciência e religião

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Galileu e o telescópio

Transcrição:

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO INSTITUTO DE FÍSICA LICENCIATURA EM FÍSICA GRAVITAÇÃO Relação ciência e religião Julgamento de Galileu Galilei Alunos Gabriel Almeida Bispo dos Santos nº USP: 9051293 Lucas Vieira da Rocha nº USP: 9039948 Weslly Ferreira nº USP: 9009840 Professor Ivã Gurgel

1. INTRODUÇÃO 1.1. Contexto histórico A presença da religião no âmbito científico mostra períodos onde há divergência entre ambas e outros onde é possível conciliar uma com a outra. É possível verificar essas duas características da relação ciência-religião com o exemplo de Santo Agostinho e Tomás de Aquino. No primeiro caso verifica-se um protecionismo dos dogmas da igreja, protegendo-os do avanço da ciência. No outro caso o pensamento é de aceitação da ciência em busca da dádiva divina, uma forma entender melhor Deus (RODRIGUES, 2012). O caso de Tomás de Aquino nos mostra claramente a aceitação da religião, sobre fatos da ciência. Tomás foi um teólogo, filósofo e padre, que conseguiu com as suas teorias unificar em sua época de atuação a religião com a ciência, com princípios filosóficos aristotélicos, ele conseguiu conciliar a fé cristã com princípios científicos, com a filosofia de Aristóteles. Já o episódio de Santo Agostinho, que foi Bispo cristão e teólogo, retrata o contrário do que Tomás de Aquino defendia. A teologia de Santo Agostinho relata e aplica a separação da religião e ciência, através da teologia e filosofia, que na sua atuação era promovida à salvação do homem através ensinamentos bíblicos e não através da ciência ou ensino da ciência ao homem. Esses dois personagens ilustram os tipos de visões em certo período na história em que a religião e ciência se integram (Tomás de Aquino) ou se separam (Santo Agostinho), mostrando períodos de instabilidades entre ambos, nos estudos filosóficos, teológicos ou no estudo na melhor forma de entender autoridade divina. Com esses dados históricos da relação entre ciência e religião, é possível verificar que existem oscilações ao longo da história na forma de pensar sobre ciência e religião, e principalmente se isso deveria ser pensado junto ou separado. O presente estudo se dedica a entender melhor como ocorrem essas oscilações, analisando essas características de relação entre ciência e religião no caso do julgamento de Galileu. Galileu Galilei é considerado um dos maiores físico, matemático e astrônomo na história da ciência, foi um dos primeiros a estudar os movimentos uniformemente acelerados, observações sobre queda livre e enunciou o princípio da inércia (FEYERABEND, 1977). Mas seu grande marco histórico foi defender as ideias sobre heliocentrismo (terra girar ao redor do sol) proposto por Nicolau Copérnico, que marcou significativamente o duelo entre ciência e religião no período conhecido como santa inquisição, período que era conhecido por condenar quem era contra os dogmas pregados pela igreja católica na idade média.

2. Vida de Galileu Galilei Galileu Galilei nasceu em Pisa na Itália no ano de 1.564, Foi também em Pisa que desenvolveu seus primeiros estudos e onde lecionou num curto período de tempo, que depois se transferiu para universidade de Pádua, onde realizou um dos seus trabalhos mais importantes, sobre estudos da mecânica. Galileu alcançou fama devido aos seus estudos em 1.610, mudou-se para Florença como filosofo e primeiro matemático do Grão Duque de Toscana (MANSON,1962). Galileu na sua época foi defensor do modelo heliocêntrico, que foi um modelo criado pelo matemático e astrônomo polonês Nicolau Copérnico, que segundo o próprio defendia que a terra e os demais corpos celestes giram-se em torno do sol, totalmente diferente do modelo geocêntrico que igreja católica e os cientistas aristotélicos defendiam, no qual a terra era o centro do universo e os demais planetas giram-se em torno da própria. Com a visão de Copérnico, Galileu produziu suas duas maiores obras, O dialogo sobre os dois sistemas do mundo - Ptolemaico e o Copernicano, publicado em 1.692 e os Discursos sobre duas ciências novas, em 1.638 (PACIEVITCH). Em 1616 o cientista Galileu foi convocado para comparecer em Roma, para explicar seus argumentos sobre o modelo heliocêntrico, perante o tribunal do santo ofício, no qual o tribunal não aceitou seu modelo defendido, que alegaram não ter provas suficientes para aceitar este modelo cientifico, o próprio foi condenado e obrigado pelo tribunal a declarar que o modelo heliocêntrico era uma hipótese, Mas posteriormente em 1.632 Galileu voltou seus estudos sobre o modelo de Nicolau e consecutivamente foi novamente julgado pela inquisição tribunal do santo ofício e condenado a privação de liberdade (prisão domiciliar), em uma vila chamada Arcetri, perto de Florença, no qual posteriormente ficou cego, devidas suas enumeras observações no telescópio e em oito de janeiro de 1.642 ocorreu seu falecimento. Uol educação. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/biografias/galileugalilei.jhtm.acesso: 03 dezembro 2014. 3. Panoramas da igreja católica na época de Galileu 3.1. INQUISIÇÃO A inquisição surgiu inicialmente como tribunal para julgar casos internos da igreja católica. Foi no século XII que ouve a necessidade dos tribunais inquisitórios julgarem casos fora da igreja, exemplo disso é o caso albigenses. Consequentemente no concílio de Verona, 1184, foi criado oficialmente o tribunal da inquisição, esse tribunal era responsável, basicamente, pelo combate as heresias. O autor do livro Contra o Método, Paul Feyerabend tem uma bela explicação sobre o significado da palavra heresia: isto é complexos consistindo em ações, pressupostos e falas tornando as pessoas inclinadas a certas crenças. Em outro trecho Feyerabend aborda heresia num significado

mais amplo ele explica que heresia significa um desvio de ações, atitudes desenvolvida e santificada. A inquisição dispunha de um órgão avaliador das denuncias, esse órgão contava com o auxilio de cientistas que analisavam tais denuncias e com bases nessas analises faziam uma pré-avaliação da heresia do denunciado e se por um acaso a dita heresia tivesse fortes argumentos haveria uma reavaliação das escrituras sagradas para enxergar se tal suposição era possível. Isso mostra que a inquisição não tinha certeza absoluta de todas as suas interpretações do mundo. A inquisição tinha alguns métodos de condenação de seus réis tidos como violentos, entre esses métodos destacavam a tortura e a condenação a morte na fogueira. Uma curiosidade dos primeiros séculos da inquisição era que não existia a pratica de mandar para a cadeia os condenados, isso só começou a se tornar comum, a partir do século XVIII. Outro dado interessante é que, segundo o historiador Rino Camillieri, dos mais de 50.000 processos aplicados apenas uma pequena parte foi condenada a pena de morte, e desses apenas uma pequena fração foi realmente executada, nos lugares onde a inquisição era mais rigorosa, apenas 1% das condenações levaram a morte. A aplicação pena de morte não era uma particularidade apenas do tribunal da inquisição, na mesma época ocorriam os mais diversos tribunais semelhante condenação. 4. Ciência e religião no caso de Galileu julgamento Galileu Galilei não foi o único e não apenas foi condenado pela a igreja, mas por grande parte dos aristotélicos da época que acreditavam na ideia da Terra ser o centro do Universo. As acusações partiam de indivíduos quaisquer até funcionários públicos. Portanto os crimes eram examinados por tribunais eclesiásticos e por tribunais seculares. Estes tribunais tinham como função interrogar, condenar e executar os acusados por crimes de heresias. Galileu queria mudar uma visão de mundo que já duravam séculos, visão geocêntrica defendida pelo ilustre Aristóteles e melhor formulada pelo matemático e astrônomo grego Cláudio Ptolomeu (90-168 D.C.) em sua obra Almagesto. A comunidade cientifica do período, lembrando que o termo ciência não era definido ainda, não aceitava o modelo heliocêntrico defendido por Galileu. Por mais que Galileu estava correto imagina o quanto difícil seria fazer com que se mudasse o pensamento cosmológico da época já que estava enraizado e defendido por grandes personalidades. Imagine a seguinte situação de que alguém da comunidade cientifica atual confirmar a existência

de vida inteligente em um planeta onde não há tal possibilidade, esta pessoa seria ridiculariza por tal afirmação. Outro problema seria que a igreja da época usava as ideias de Aristóteles e Ptolomeu para fundamentar suas crenças e o poder divino e qualquer visão contrária era tratada como um ato de heresia. Portanto Galileu foi levado a julgamento e a punições. Apesar de Galileu ter sido julgado pela inquisição o papa por ser seu amigo e protetor o livrou da pena de morte. Sendo o primeiro julgamento em 1616 por ter apoiado as ideias de Copérnico. Neste ano a inquisição proibiu toda publicação em países de influencia católica, que fizesse referência ao modelo copernicano e Galileu não sofre nenhuma punição apenas recebe ordens para não propagar as ideias de copernicanas. Em 1632 Galileu publica o Diálogos sobre os dois maiores sistemas do mundo e faz referências, novamente, sobre o heliocentrismo. A inquisição o acusou de blasfêmia, mas as acusações pouco tinham a ver com o modelo heliocêntrico, mas sim com desobediência as ordens dadas pelo papa em 1616. Galileu foi ameaçado de sofrer torturas casos não abdicasse suas ideias, assim feito foi condenado a prisão domiciliar pelo resto de sua vida. 5. Atualidade Relação religião e ciência Em 31 de outubro de 1992, o papa João Paulo II, acabou reconhecendo os erros cometidos pela Inquisição (Santo Ofício), pela condenação da privação de liberdade de Galileu Galilei. Este fato de reconhecimento da igreja marcou o ato de injustiça histórica cometida pelo tribunal eclesiástico na época. Outro caso interessante atual foi o pronunciamento do papa Francisco sobre as teorias cientifica da evolução e do Big Bang são corretas e o próprio Francisco comentou que não são compatíveis com a existência de um criador e também segundo o papa a teoria do Big Bang, que explica a origem do mundo, não se opõe à ideia de um criador divino justo ao contrário, exige um criador, finalizou o próprio.

Considerações finais Portanto a relação da ciência e religião no contexto histórico ocorre como um caso de amor e ódio, momentos de separação e unidos. Não podemos fazer um a anacronismo e julgar a atitude da igreja e dos indivíduos em particular, pois a ciência do período era baseada nas ideias de Aristóteles, mesmo que não estevesse correta era uma ciência que funcionava para a época. Referências FEYERABEND, Paul. Contra o método; tradução de Octanny S. da Mota e Leonidas Hegenberg. Rio de Janeiro, F. Alves, 1977. RODRIGUES, Wellington. O QUE O CASO GALILEU TEM A ENSINAR SOBRE AS RELAÇÕES ENTRE CIÊNCIA E RELIGIÃO. Bahia, 2012. UOL EDUCAÇÃO. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/biografias/galileugalilei.jhtm.acesso: 03 dezembro 2014. MANSON, S. F. História da Ciência; tradução de Flávio e José Vellinho de Lacerda. Rio Grande do Sul, Globo, 1962. ZANETIC, João. GRAVITAÇÃO/Notas de Aula, São Paulo, 1995 parcialmente revista em 2007.