FORMAS DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS TRABALHISTAS

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Transcrição:

FORMAS DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS TRABALHISTAS AUTO DEFESA: Nesta espécie a solução do conflito se faz diretamente pelos envolvidos, com a imposição do interesso de um sobre o do outro. O significado da autodefesa remente à ideia de defesa própria, por si mesmo, uma defesa pessoal, uma forma primitiva de solucionar conflitos, que pode ser autorizada, tolerada ou proibida pelo legislador. Um exemplo de autodefesa autorizada seria a legítima defesa no direto penal, enquanto o exercício arbitrário das próprias razões é, por sua vez, veementemente proibido. Em matéria trabalhista, encontramos exemplo de autodefesa, autorizada e regulamentada pelo estado: O DIREITO DE GREVE CF - Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercêlo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei. LEI DE GREVE - 7.783/89 Obs. No Brasil não se admite o Lock Out (greve praticada pelo empregador) AUTO-COMPOSIÇÃO: Na auto defesa, as partes também resolvem sozinhas o conflito, mas diferente da auto defesa, isso acontece por acordo, e não pela imposição da vontade de um sobre o outro. São exemplos de auto composição: Acordo coletivo de Trabalho (ACT) - Sindicato x Empresa CLT - ART. 611 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem

condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de trabalho. Convenção Coletiva de Trabalho - Sindicato x Sindicato CLT - Art. 611 - Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho HETEROCOMPOSIÇÃO: Nesta modalidade, teremos a participação de um terceiro auxiliando na solução do conflito, que pode ou não ter poder de decisão. Podemos realizar a seguinte classificação: A) Mediação: na mediação o terceiro, ou seja, o mediador não tem poderes de decisão e também não poderá impor a solução. Podemos fazer uma analogia com a figura de um corretor de imóveis, cujo papel que se resume a aproximar as partes, sem poderes para impor sua decisão. Como não decidirá, não se exige que o mediador tenha conhecimento jurídicos. A mediação é bastante frequente nas Gerências Regionais do Trabalho, em etapas que antecedem os dissídios coletivos, bem como, nas Comissões de Conciliação Prévia. B) Arbitragem: na o árbitro tem que ser conhecedor da matéria e pode impor a decisão. (tribunal arbitral). Na justiça do trabalho não é bem vista, eis que a decisão/acordo arbitral tem efeito de coisa julgada, sendo certo que a mesma não fica sujeita a recurso ou homologação da justiça do trabalho, ou seja, não poderá se socorrer a justiça. - fere a CF, art 5, inciso XXXV,, pois afasta o reclamante da justiça, ou seja, mesmo que faça o acordo no trirbunal arbitral, será possibilitado o direito de ação, Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar 1º Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros. 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza

econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996 - dispõe sobre a arbitragem no Brasil -Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. LEI Nº 13.129, DE 26 DE MAIO DE 2015. Altera a Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996, e a Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes recorrem a órgão arbitral, a interrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a concessão de tutelas cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996 C) Jurisdição O conflito submetido ao Estado é por ele solucionado, mediante processo judicial. Pergunta: Acordo na justiça do trabalho? Trata-se de heterocomposição na espécie jurisdição, pois existe a intervenção de terceiro (juiz), e sua validade depende de sentença homologatória COMISSÕES DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA - CCP A) MOTIVAÇÃO: Criação facultativa cuja finalidade é de solucionar exclusivamente conflitos individuais do trabalho Art. 625-A. As empresas e os sindicatos podem instituir Comissões de Conciliação Prévia, de composição paritária, com representante dos empregados e dos empregadores, com a atribuição de tentar conciliar os conflitos individuais do trabalho. Parágrafo único. As Comissões referidas no caput deste artigo poderão ser

constituídas por grupos de empresas ou ter caráter intersindical. B) COMPOSIÇÃO E FUNCIONAMENTO: As regras previstas na CLT são aplicáveis às comissões instituídas no âmbito das EMPRESAS, sendo que as comissões criadas no âmbito dos sindicatos terá composição e normas de funcionamento previstas em norma coletiva CCP EMPRESA - Art. 625-B. A Comissão instituída no âmbito da empresa será composta de, no mínimo, dois e, no máximo, dez membros, e observará as seguintes normas: I - a metade de seus membros será indicada pelo empregador e outra metade eleita pelos empregados, em escrutínio,secreto, fiscalizado pelo sindicato de categoria profissional; II - haverá na Comissão tantos suplentes quantos forem os representantes títulares; III - o mandato dos seus membros, titulares e suplentes, é de um ano, permitida uma recondução. 1º É vedada a dispensa dos representantes dos empregados membros da Comissão de Conciliação Prévia, titulares e suplentes, até um ano após o final do mandato, salvo se cometerem falta grave, nos termos da lei. 2º O representante dos empregados desenvolverá seu trabalho normal na empresa afastando-se de suas atividades apenas quando convocado para atuar como conciliador, sendo computado como tempo de trabalho efetivo o despendido nessa atividade. CCP SINDICATO - Art. 625-C. A Comissão instituída no âmbito do sindicato terá sua constituição e normas de funcionamento definidas em convenção ou acordo coletivo. B) COMO ACIONAR A CCP / OBRIGATORIEDADE DE SUBMETER-SE A ELA: Art. 625-D. Qualquer demanda de natureza trabalhista será submetida à Comissão de Conciliação Prévia se, na

localidade da prestação de serviços, houver sido instituída a Comissão no âmbito da empresa ou do sindicato da categoria. 1º A demanda será formulada por escrito ou reduzida a termo por qualquer dos membros da Comissão, sendo entregue cópia datada e assinada pelo membro aos interessados. 2º Não prosperando a conciliação, será fornecida ao empregado e ao empregador declaração da tentativa conciliatória frustada com a descrição de seu objeto, firmada pelos membros da Comissão, que devera ser juntada à eventual reclamação trabalhista. 3º Em caso de motivo relevante que impossibilite a observância do procedimento previsto no caput deste artigo, será a circunstância declarada na petição da ação intentada perante a Justiça do Trabalho. 4º Caso exista, na mesma localidade e para a mesma categoria, Comissão de empresa e Comissão sindical, o interessado optará por uma delas submeter a sua demanda, sendo competente aquela que primeiro conhecer do pedido. B) EFEITOS DO ACORDO REALIADO NA CCP Art. 625-E. Aceita a conciliação, será lavrado termo assinado pelo empregado, pelo empregador ou seu proposto e pelos membros da Comissão, fornecendo-se cópia às partes. Parágrafo único. O termo de conciliação é título executivo extrajudicial e terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas. B) PRAZO E PROCEDIMENTO Art. 625-F. As Comissões de Conciliação Prévia têm prazo de dez dias para a realização da sessão de tentativa de conciliação a partir da provocação do interessado. Parágrafo único. Esgotado o prazo sem a realização da sessão, será fornecida, no último dia do prazo, a declaração a que se refere o 2º do art. 625-D.

Art. 625-G. O prazo prescricional será suspenso a partir da provocação da Comissão de Conciliação Prévia, recomeçando a fluir, pelo que lhe resta, a partir da tentativa frustada de conciliação ou do esgotamento do prazo previsto no art. 625-F. Art. 625-H. Aplicam-se aos Núcleos Intersindicais de Conciliação Trabalhista em funcionamento ou que vierem a ser criados, no que couber, as disposições previstas neste Título, desde que observados os princípios da paridade e da negociação coletiva na sua constituição.