Rampas. Fabrícia Mitiko Ikuta e Verônica de Freitas

Documentos relacionados
Rampas. Fabrícia Mitiko Ikuta e Verônica de Freitas

6.2 ACESSOS - Condições gerais

NBR 9050:2004 Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos

ABNT NBR 9050 NORMA BRASILEIRA. Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos

Prof. Roberto Monteiro de Barros Filho. Prof. Roberto Monteiro de Barros Filho

FATEC - SP Faculdade de Tecnologia de São Paulo. ACESSOS DE EDIFÍCIOS E CIRCULAÇÕES VERTICAIS - escadas. Prof. Manuel Vitor Curso - Edifícios

FATEC - SP Faculdade de Tecnologia de São Paulo. ACESSOS DE EDIFÍCIOS E CIRCULAÇÕES VERTICAIS - escadas. Prof. Manuel Vitor Curso - Edifícios

AULA 5 DESENHANDO ESCADAS E RAMPAS. Livro Didático - DA2 Pag 71 a 77

INFRA ESTRUTURA URBANA. Acessibilidade Urbana

4 Acessibilidade a Edificações

UNISALESIANO Curso de Arquitetura e Urbanismo Projeto Arquitetônico Interdisciplinar II

Leitura e Interpretação de Projetos Arquitetonicos

3. Que esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação;

Ambientes. Acessibilidade ao edifício

PROJETO COMPLEMENTAR DE ACESSIBILIDADE (PCA) RELATÓRIO DE ACESSIBILIDADE

CARAVANA DA INCLUSÃO, ACESSIBILIDADE E CIDADANIA

Escadas. Profa Dra Sandra Martins

CIRCULAÇÃO VERTICAL. Escadas e Rampas Fabrícia Mitiko Ikuta e Verônica de Freitas

Data: abril/2012 TRABALHO INTERDISCIPLINAR

ACESSIBILIDADE Arq. Paula Dias

MANUAL DE ACESSIBILIDADE

NORMA BRASILEIRA - ABNT NBR 9050 Segunda edição Válida a partir de

QUESTIONÁRIO ACESSIBILIDADE ARQUITEÔNICA EM AMBIENTES ESCOLARES

AVALIAÇÃO UNIFICADA 2015/2 ENGENHARIA CIVIL/2º PERÍODO SUBSTITUTIVA - NÚCLEO I CADERNO DE QUESTÕES

DESENHO ARQUITETÔNICO PROFESSORA MATEUS ARRUDA SUMARA QUERINO

Arquiteta Silvana Cambiaghi

MEMORIAL DESCRITIVO ACESSIBILIDADE ARQ. CÉSAR LUIZ BASSO

Aula 07 Acessibilidade

SUMARIO SINALIZAÇÃO TÁTIL DE PISO NORMA NBR PISO TÁTIL PISO TÁTIL DE ALERTA... 02

MEMORIAL TÉCNICO DESCRITIVO PROJETO DE ADEQUAÇÃO DE ACESSIBILIDADE

GUIA PRÁTICO DE ACESSIBILIDADE

Aula 10 Acessibilidade

Concepção da Forma Arquitetônica_2 bares e restaurantes _ dimensionamento básico

PUC- RIO CENTRO UNIVERSITÁRIO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO ARQ 1028 DESENHO DE ARQUITETURA I

NORMAS ELEVADORES E DE ACESSIBILIDADE

- A sinalização com piso tátil não seguia o Projeto de Padronização de Calçadas da Prefeitura de Belo Horizonte, o que deve ser regularizado;

INTRODUÇÃO. Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida SMPED 43

Curso Técnico Segurança do Trabalho. Módulo 6 NR 08

Acessibilidade e Desenho Universal

Carla Moraes Técnica em Edificações CTU - Colégio Técnico Universitário

PROGRAMA AÇÕES FISCAIS PARA ACESSIBILIDADE ESCLARECIMENTOS BÁSICOS PARA O PREENCHIMENTO DO RVH RELATIVOS À ACESSIBLIDADE

ACESSIBILIDADE MANUAL DE TERMINAIS RODOVIÁRIOS

As escadas são elementos estruturais que servem para unir, através degraus sucessivos, os diferentes níveis de uma construção.

ANEXO I LISTA DE VERIFICAÇÃO EM ACESSIBILIDADE

ACESSOS ÀS EDIFICAÇÕES SOB A ÓTICA DA APLICAÇÃO DA NBR 9050

ADAPTAÇÃO DAS ROTAS DE ACESSO ENTRE BIBLIOTECA E BLOCOS DE SALA DE AULA EM RELAÇÃO À NBR 9050 ESTUDO DE CASO SOBRE ACESSIBILIDADE

PERICIA NA ACESSIBILIDADE

GUIA SIMPLIFICADO PARA ANÁLISE E VISTORIA DOS SISTEMAS DE SINALIZAÇÃO DE EMERGÊNCIA BASEADO NA NBR13434 PARTE 1 E PARTE 2

3 Medidas, Proporções e Cortes

Laudo técnico de acessibilidade MODELO DATA R00. 0

Visite ANEXO I

Regras de transição SMARU:

ESTRUTURAS ESPECIAIS. Dimensionamento de Escadas

Checklist de Acessibilidade dos Espaços Internos da UFES

portadoras de necessidades especiais participem de atividades que incluem o usode produtos, serviços e informação, mas a inclusão e extensão do uso

ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES FÍSICOS NAS PRINCIPAIS PRAÇAS DE IJUÍ- RS 1 ACCESSIBILITY FOR PHYSICAL DISABILITIES IN IJUÍ S MAIN PREMISES

ACESSIBILIDADE DESTINADA A TODOS DO CAMPUS 1 DA FACULDADE PANAMERICANA DE JI-PARANÁ

PROJETO DE ESCADAS. As escadas são compostas dos seguintes elementos

SINALIZAÇÃO TÁTIL DE ALERTA NO PISO EM ESCADAS E RAMPAS E SEUS PATAMARES

Acessibilidade & Mobilidade para todos! Acessibilidade em edificações e mobilidade urbana, uma questão mais que social.

ROTEIRO BÁSICO PARA VISTORIA

CARREGAMENTOS VERTICAIS:

Projeto realizado em disciplina no curso de Engenharia Civil da Unijuí. 2

DECRETO Nº 3057, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2015

NOTA TÉCNICA nº 06/ SEA ACESSIBILIDADE ETAPAS E CARTILHA

Questionário de Desafios Envolvendo Trigonometria

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO GABINETE DO MINISTRO. PORTARIA N.º DE 09 DE DEZEMBRO DE 2013 (DOU de 11/12/2013 Seção I Pág.

SINALIZAÇÃO UNIVERSAL ACESSIBILIDADE NA MOBILIDADE URBANA E A NOVA NBR 9050 : 2015

ES013 - Exemplo de um Projeto Completo de Edifício de Concreto Armado. Prof. Túlio Bittencourt. Aula Escadas

ATELIÊ DE PROJETO 1 SEMINÁRIO 2 DIMENSIONAMENTO

NA VISTORIA REALIZADA, FORAM CONSTATADAS AS IRREGULARIDADES ASSINALADAS A SEGUIR:

Arqt. Marcos Vargas Valentin Mestre FAUUSP

Criar a possibilidade de todos se movimentarem não é somente uma questão legal, mas que também agrega valor social à sua construtora.

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO

PROJETO COMPLEMENTAR DE ACESSIBILIDADE (PCA1 RELATÓRIO DE ACESSIBILIDADE

CARREGAMENTOS VERTICAIS:

Recomendações sobre Acessibilidade em Instalações Portuárias

CARREGAMENTOS VERTICAIS:

CALÇADA ACESSÍVEL COMO FAZER SUA CALÇADA DE ACORDO COM O NOVO PADRÃO PASSEIOS PÚBLICOS

Acessibilidade, conforme a Lei /00: Uma Avaliação da Real Situação do Instituto Federal de Alagoas Campus Marechal Deodoro¹

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA SÃO PAULO Campus Presidente Epitácio

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA PARAÍBA CONSELHO SUPERIOR RESOLUÇÃO N 240, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2015.

AULA 4 DESENHANDO ESCADAS

LEI N.º10.098, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000

AULA 3 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA. (Continuação) Parte II. Prof. João Santos

Prefeitura Municipal de Taubaté

Transcrição:

Rampas Fabrícia Mitiko Ikuta e Verônica de Freitas

RAMPAS: CONCEITO De acordo com a Pontifícia Universidade Católica (2009), as rampas, diferentemente das escadas, podem se constituir meios de circulação verticais acessíveis a todos, sem exceção. Por elas podem circular pedestres, idosos, cardíacos, pessoas portadoras de necessidades especiais (P.P.N.E), usuários de cadeiras de rodas, mães com carrinhos de bebês, ciclistas, skatistas etc.

RAMPAS: normas Apesar de aparentemente simples, elas podem significar uma dificuldade projetual, seja por sua inclinação ou desconhecimento da normas de acessibilidade. ABNT NBR 9050:2004 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos ABNT NBR 9077:2001 - Saídas de emergência em edifícios.

RAMPAS: normas De acordo com a NBR 9050, rampa é a Inclinação da superfície de piso, longitudinal ao sentido de caminhamento. Consideram-se rampas aquelas com declividade igual ou superior a 5%. Acessível: Espaço, edificação, mobiliário, equipamento urbano ou elemento que possa ser alcançado, acionado, utilizado e vivenciado por qualquer pessoa, inclusive aquelas com mobilidade reduzida. O termo acessível implica tanto acessibilidade física como de comunicação.

RAMPAS: fórmulas De acordo com a NBR 9050 : i = h x 100 / c i é a inclinação, em porcentagem; h é a altura do desnível; c é o comprimento da projeção horizontal. c = h x 100 / i e h = i x c / 100 Figura: Exemplo de dimensionamento Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

RAMPAS: Largura A largura mínima admissível para uma rampa é de 1,20m, sendo recomendada a largura de 1,50m. O fluxo de usuários é fator determinante para o dimensionamento dessa largura. Figura: Largura e patamares de rampas Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

RAMPAS: Largura Exceção: Em edificações existentes, quando a construção de rampas nas larguras indicadas ou a adaptação da largura das rampas for impraticável, podem ser executadas rampas com largura mínima de 0,90m com segmentos de, no máximo, 4,00m, medidos na sua projeção horizontal

RAMPAS: Patamares Entre os segmentos de rampa devem ser previstos patamares com dimensão longitudinal mínima de 1,20m sendo recomendável de 1,50m. Os patamares situados em mudanças de direção devem ter dimensões iguais à largura da rampa. Figura: Patamares de rampas Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

RAMPAS: Patamares A inclinação transversal dos patamares não pode exceder 2% em rampas internas e 3% em rampas externas; Quando não houver paredes laterais as rampas devem incorporar guias de balizamento com altura mínima de 0,05 m, instaladas ou construídas nos limites da largura da rampa e na projeção dos guarda-corpos, conforme Figura abaixo: Figura: Exemplo de inclinação transversal e largura de rampas Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

RAMPAS: Detalhes Figura: Detalhes de rampa Fonte: Edifique (2012)

Corrimão e Guarda-corpo Devem permitir boa empunhadura e deslizamento, sendo preferencialment e de seção circular; Figura: Detalhes de corrimão e guarda corpo Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

Guarda-corpo O guarda-corpo pode apresentar barras horizontais contínuas somente a partir de h=0.45m, a fim de evitar que crianças façam "escalada". Assim, geralmente são usados perfis verticais em gradis de rampas isoladas em relação à alvenaria. Além disto, a distância máxima entre os perfis deve ser de 11cm atendendo aos critérios da NBR 14718 (ALCOA, 2011). Figura: Distância máxima entre perfis de guarda-corpo conforme NBR 14718:2008 Fonte: Alcoa (2011)

Sinalização Tátil De acordo com NBR 9050, a sinalização tátil de alerta deve ser instalada perpendicularmente ao sentido de deslocamento no início e término de escadas fixas, escadas rolantes e rampas, em cor contrastante com a do piso. Figura: Exemplo de sinalização tátil de alerta nas escadas (similar para rampas e escadas rolantes) Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

Rampas - Inclinação As rampas devem ter inclinação de acordo com os limites estabelecidos na Tabela abaixo. Para inclinação entre 6,25% e 8,33% devem ser previstas áreas de descanso nos patamares, a cada 50m de percurso. Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2004)

EXEMPLO Considerando-se uma edificação nova de uso coletivo, calcular o comprimento (c) de uma rampa para vencer um desnível (h) de 1.20m. Rampa reta de lance único De acordo com a Tabela 19.1, para um desnível maior que 1.00m e menor ou igual a 1.50m, a inclinação da rampa será de 5%. Aplicando-se a fórmula apresentada anteriormente, temos: c = h x 100 / i c = 1.20 x 100 / 5 c = 24m Portanto, o comprimento total da rampa será igual a vinte e quatro metros.

EXEMPLO Rampa reta com um patamar intermediário Se uma rampa apresentar um patamar intermediário, automaticamente terá dois lances. Assim, dividindo-se o desnível de 1.20m por 2, concluímos que cada lance apresentará uma altura de 0.60m. De acordo com a Tabela de Inclinação, para um desnível até 0.80m, a inclinação da rampa será maior que 6,25% e menor ou igual a 8.33%. Usando-se a maior inclinação admissível para um desnível de 0.60m, temos: c = h x 100 / i c = 0.60 x 100 / 8.33 c = 7.2028m Como utilizamos a inclinação máxima permitida, arredondaremos o comprimento para mais na segunda casa decimal. Portanto, cada lance de rampa terá c=7.21m. O comprimento total desta rampa dependerá da largura de cada patamar (1,20m no mínimo, 1.50m recomendável), se será em formato de "U" ou não, se terá jardineira entre os lances, etc.

Figura: Desenho da rampa reta com um patamar intermediário desenhada em AutoCAD (Disponível para download em www.construir.arq.br)