Medicalização da vida e Doença de Alzheimer

Documentos relacionados
Distúrbios Neurodegenerativos

Envelhecimento do sistema nervoso

ENFERMAGEM SAÚDE DO IDOSO. Aula 8. Profª. Tatiane da Silva Campos

Demência de Alzheimer. Dra. Célia Petrossi Gallo Garcia Médica Psiquiatra PAI-ZN

POLIMORFISMO GENÉTICO DOS GENES APP, APOE E PSEN1 E SUA RELAÇÃO COM O ALZHEIMER

DEMÊNCIA? O QUE é 45 MILHOES 70% O QUE É DEMÊNCIA? A DEMÊNCIA NAO É UMA DOENÇA EM 2013, DEMÊNCIA. Memória; Raciocínio; Planejamento; Aprendizagem;

DOENÇA DE ALZHEIMER RESUMO

VII CONGRESSO BRASILEIRO DE NEUROPSIOUIATRIA GERIÁTRICA CONGRESSO BRASILEIRO DE AL2HEIMER CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA I SÃO PAULO I SP

Fármacos ativadores de colinoceptores e inibidores da acetilcolinesterase

Projecto tutorial Doença De Alzheimer

Doenças Adquiridas do Neurônio Motor. Msc. Roberpaulo Anacleto

A PRÁTICA DE MEDITAÇÃO PODE ALIVIAR DÉFICITS COGNITIVOS DA DOENÇA DE ALZHEIMER

AS CONTRIBUIÇÕES DA REABILITAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA EM UM CASO DE ALZHEIMER LEVE

Envelhecimento do Sistema Nervoso. Profa. Dra. Eliane Comoli

Guia rápido sobre Alzheimer. Fases e diagnóstico

Novas diretrizes para detecção precoce e tratamento da sarcopenia

SEÇÃO 1 IMPORTÂNCIA DO ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL E DE SUA PREVENÇÃO

ALUMÍNIO COMO FATOR DE RISCO PARA A DOENÇA DE ALZHEIMER. da Saúde) Saúde)

BENEFÍCIOS DA FISIOTERAPIA NOS SINTOMAS DA DOENÇA DE ALZHEIMER

ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NO CUIDADO A FAMÍLIA E AO IDOSO COM ALZHEIMER: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA

Declínio Cognitivo Leve. José Mourão de Aquino Neto 6º semestre - Medicina

Marcia Morete Enfermeira, Mestre e Especialista em Dor e Cuidados Paliativos Doutoranda da Faculdade de Medicina da USP Assessora Técnica Sênior da

OS EFEITOS DA ATIVIDADE FÍSICA NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA DEPRESSÃO EM IDOSOS

Aula Teórica Demência

A LINGUAGEM NA DOENÇA DE ALZHEIMER: ESTUDO SOBRE O PANORAMA DE PESQUISAS NA ÁREA

A RELEVÂNCIA TERAPÊUTICA DA MEMANTINA NA DOENÇA DE ALZHEIMER (DA) E AS IMPLICAÇÕES DA DOENÇA PARA O CUIDADOR DO PACIENTE.

DOENÇAS NEURODEGENERATIVAS. Prof. Douglas Monteiro

RESUMO. Palavras-chave: Doença de Alzheimer. Cognição. Qualidade de vida. INTRODUÇÃO

Pró-Reitoria de Graduação Curso de Farmácia Trabalho de Conclusão de Curso

TÍTULO: EFEITOS DE UMA SESSÃO DE ATIVIDADE FÍSICA E CINSEIOTERAPIA PARA PESSOAS COM A DOENÇA DE ALZHEIMER

Patologia Dual. Dr. Jorge Jaber

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Doença de Alzheimer Ministério da Saúde - Novembro de 2017

Doença de Alzheimer: Abordagem farmacoterapêutica. Alzheimer s disease: pharmacotherapeutic approach

SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO

ALZHEIMER E OS IMPACTOS NEUROPATOLÓGICOS

Abordagem Terapêutica na Doença de Alzheimer

Envelhecimento do Sistema Nervoso. Profa. Dra. Eliane Comoli

Gianni Mancini Josiane Budni Roberta de Paula Martins Paulo Silveira

DEPRESSÃO E IDOSO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA RESUMO

GLEYSE FREIRE BONO INVESTIGAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO ENTRE A BUTIRILCOLINESTERASE E A DOENÇA DE ALZHEIMER

O SUS E A TERCEIRA IDADE: COMO FUNCIONA O ATENDIMENTO PARA A FAIXA ETÁRIA QUE MAIS CRESCE NO PAÍS?

Graduada em Fisioterapia pela Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande- FCM,

Envelhecimento do Sistema Nervoso. Profa. Dra. Eliane Comoli

SINAPSE. Sinapse é um tipo de junção especializada, em que um neurônio faz contato com outro neurônio ou tipo celular.

TÍTULO: QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO INSTITUCIONALIZADO COM ALZHEIMER ELABORAÇÃO DE UM PROTOCOLO ASSISTENCIAL.

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA POPULAÇÃO ATENDIDA PELA APAE DE VIÇOSA, MG Tamara Carolina Figueiredo 1, Isabel Cristina Silva 2.

Doença neurodegenerativa caracterizada por um distúrbio crónico e progressivo do sistema nervoso central e tem inicio com a morte das células responsá

DOENÇA DE ALZHEIMER. PALAVRAS-CHAVE: Demência Tipo Alzheimer, Doença de Alzheimer, Demência Senil.

A INFLUÊNCIA DA DIETA CETOGÊNICA NO TRATAMENTO DO MAL DE ALZHEIMER

Substâncias de origem natural. * Produzir substâncias químicas que irão produzir efeitos terapêuticos específicos. Estudos farmacológicos

NEUROTRANSMISSORES MÓDULO 401/2012. Maria Dilma Teodoro

Sinapses. Comunicação entre neurônios. Transmissão de sinais no sistema nervoso

BENEFÍCIOS DA FISIOTERAPIA NA FUNCIONALIDADE DE IDOSOS COM DOENÇA DE ALZHEIMER: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.

ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO FUNÇÕES BÁSICAS DAS SINAPSES E DAS SUBSTÂNCIAS TRANSMISSORAS

TEMA: RIVASTIGMINA NO TRATAMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER

DOENÇA DE ALZHEIMER: ASPECTOS E TIOFISIOPATOGÊNICOS E SUAS DEMANDAS TERAPÊUTICAS

Atualização Mensal em: Rivastigmina. Opção farmacológica eficaz para o tratamento da doença de Alzheimer

DIABETES MELLITUS E RISCO DE DESENVOLVIMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER

TALITA GANDOLFI PREVALÊNCIA DE DOENÇA RENAL CRÔNICA EM PACIENTES IDOSOS DIABÉTICOS EM UMA UNIDADE HOSPITALAR DE PORTO ALEGRE-RS

ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE COM ALZHEIMER RESUMO

Comunicação entre neurônios. Transmissão de sinais no sistema nervoso

RESPOSTA RÁPIDA 443/2014

As características humanas podem ser classificadas em três grupos: (1) características qualitativas ou descontínuas, condicionadas por herança

DOENÇA DE ALZHEIMER: HIPÓTESES ETIOLÓGICAS E PERSPECTIVAS DE TRATAMENTO

Doenças do Sistema Nervoso

QUEM SÃO OS INDIVÍDUOS QUE PROCURARAM A AURICULOTERAPIA PARA TRATAMENTO PÓS-CHIKUNGUNYA? ESTUDO TRANSVERSAL

Nosso objetivo: Exposição de casos clínicos, compartilhar conhecimentos e ampliar as possibilidades de atendimentos no seu dia a dia profissional.

ANÁLISE DA POPULAÇÃO ACIMA DE 60 ANOS ACOMETIDA PELA AIDS NO ESTADO DA PARAÍBA NO PERÍODO DE 2008 A 2012

ONTARGET - Telmisartan, Ramipril, or Both in Patients at High Risk for Vascular Events N Engl J Med 2008;358:

DIABETES MELLITUS: PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES EM IDOSOS ATENDIDOS EM UMA UNIDADE SAÚDE DA FAMÍLIA DO MUNICÍPIO DE ALAGOA GRANDE-PB

PALAVRAS-CHAVE: Homeopatia. Consumo. Práticas Alternativas.

Atendimento odontológico ao paciente com demência (Alzheimer) na fase leve: orientações clínicas1

APLICAÇÃO DA ESCALA DE AVALIAÇÃO CLÍNICA DA DEMÊNCIA (CLINICAL DEMENTIA RATING - CDR) EM PACIENTES COM DOENÇA DE ALZHEIMER DA CIDADE DE GUARAPUAVA-PR

Neurobiologia e Comportamento. CÉREBRO E TDAH

INCOGNUS: Inclusão, Cognição, Saúde. Um olhar sobre as várias formas de demência

Transcrição:

Medicalização da vida e Doença de Alzheimer Juliane Cristina de Almeida (Profissional Faculdade Guairacá), Ana Paula de Almeida (IC Unicentro), Bárbara Luisa Fermino (IC Unicentro) Juliana Sartori Bonini (Orientadora) RESUMO: O intuito da presente revisão bibliográfica foi demonstrar a importância implícita na medicalização da vida, uma vez que graças a ela alcançou-se uma maior expectativa de vida e uma constante busca por qualidade de vida. Junto com a longevidade alcançada, surgiram doenças que são próprias da comunidade idosa, como a Doença de Alzheimer, e que vêm aumentando suas frequências de ocorrência, motivo pelo qual se faz necessário o estudo e desenvolvimento de fármacos e alternativas que tragam melhoria para essas pessoas e suas famílias, visando não apenas mais tempo de vida, como também uma velhice sem transtornos funcionais. Palavras-chaves: Doença de Alzheimer, Medicalização, Idoso INTRODUÇÃO Segundo a Organização Mundial da Saúde (2005) o aumento do número de pessoas com mais de 60 anos, cresce com média superior às demais faixas etárias. Estima-se que a população senil, hoje responsável por 10% da população mundial, representará em 2050 22% do contingente populacional, em consequência do aumento da expectativa de vida e redução das médias de natalidade na maior parte dos países, principalmente os considerados em desenvolvimento. Isto significa, em números, um salto de 516 milhões de idosos em 2010 para 1,6 bilhões em 2050 (dados obtidos pelo International Database U.S. Census Bureau, 2009). Em 2025 o Brasil será o sexto país com maior população de idosos do mundo, com a expressiva quantidade de 31,8 milhões de idosos, com expectativa de vida por volta dos 80 anos (Silvestre et al., 1998). O aumento da longevidade, aos níveis existentes mundialmente, cresce paralelamente à inovação e melhorias cientificas, desde agrícola, com o melhoramento genético de cultivares, trazendo maior produção de alimentos, exatas, humanas,

estudando as mudanças no comportamento social do ser humano e principalmente os avanços na saúde, às vacinas que aumentaram seu poder de cobertura contra as mais diversas enfermidades (Veras, 2000). Com esse crescente avanço nas pesquisas voltadas à saúde e desenvolvimento de fármacos, prolongou-se também a expectativa de vida e, com isso, houve aumento de diagnósticos de doenças vinculadas à idade, incluindo demências como a Doença de Alzheimer (DA). Estima-se que a neurodegeneração na DA comece de 20 a 30 anos antes do surgimento dos primeiros sintomas clínicos (Athié, 2010). Atualmente, os custos globais anuais para o tratamento da demência somam U$ 422 bilhões (Wimo et al., 2010), distribuídos de forma desproporcional entre países desenvolvidos (77% do valor total) e subdesenvolvidos (23% do valor total) (Wimo et al., 2007). No Brasil, rivastigmina, donepezil e galantamina são os fármacos distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). METODOLOGIA Para a efetivação dos objetivos realizou-se uma busca de artigos nas bases de dados LILACS, SCIELO, SCIENCE DIRECT, PUBMED e Banco de teses e dissertações da CAPES, com as palavras-chave medicalização, Alzheimer, longevidade. Foram encontrados 43 artigos, dos quais 26 foram selecionados. Os artigos escolhidos foram publicados entre os anos de 1998 e 2011 e relacionavam as palavras-chave pesquisadas. Como critério de exclusão, descartou-se os artigos que tratavam isoladamente de cada palavra-chave, não sendo condizentes com o objetivo da presente revisão bibliográfica, pois buscava-se a intercontextualidade dos temas. OBJETIVOS O presente resumo, tem por objetivo realizar uma revisão bibliográfica que relacione a fisiopatologia da Doença de Alzheimer com os medicamentos que estão sendo estudados e desenvolvidos no momento. Nesse sentido, visamos apontar o que há de mais moderno no âmbito farmacêutico, mostrando, inclusive, o mecanismo de ação de cada um desses novos fármacos com pesquisas em andamento., demostrando, assim, a importância da medicalização na DA.

RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com Martins (2008), o século XX foi marcado por um período de grandes mudanças e avanços tecnológicos nas mais diversas áreas, como informática, tecnociência, tecnobiologia, biociências e principalmente na área da saúde, trazendo novas aplicações no domínio da saúde humana. Essas tecnologias, quando combinadas, podem trazer não só melhorias, como redefinições na saúde, além de novas estratégias de controle e conduta. Ainda no século XX, o autor ressalta o desenvolvimento da psicofarmacologia, através da descoberta de novos medicamentos capazes de modificar o estado psíquico. Quando se pensa em saúde mental, em nível científico, pensa-se concomitantemente em cérebro, neurônios, sinapses: sistema nervoso. Tudo que haja fora da normalidade no funcionamento cerebral, indica que existe um transtorno da saúde mental podendo trazer distúrbio cognitivo. Cognição é o conjunto dos processos mentais usados no pensamento e na percepção, também na classificação, reconhecimento e compreensão para o julgamento através do raciocínio para o aprendizado e soluções de problemas. As perdas cognitivas podem ser causadas por patologias cerebrais. Exemplo de patologia cerebral é a DA, caracterizada de acordo com o Ministério da saúde (2006), como uma das demências mais prevalentes dentre todas as outras, chegando a representar 50 a 70% dos casos de demência diagnosticados nos países ocidentais. Ela afeta, inicialmente, a formação hipocampal, com posterior comprometimento de áreas corticais associativas (Herrera et al, 2002). A fisiopatologia na DA está associada à neurodegeneração decorrente da formação de placas senis com o acúmulo da proteína beta amiloide (βa) e de emaranhados neurofibrilares, relacionados às alterações do estado de fosforilação da proteína tau no espaço intracelular (Monge- Argiles et al, 2010). Existem diversas evidências de que os agregados de βa são neurotóxicos (Wirths, Multhaup, Bayer, 2004) e começam a se formar nas fases iniciais da doença, antes do aparecimento dos sintomas cognitivos (Selkoe, 2001). A etiologia da Doença de Alzheimer não é totalmente conhecida, conforma afirmou Chaves (2000), indicando que os fatores genéticos são extremamente relevantes, uma vez que, além da idade, existindo um membro da família com a doença,

este é o único fator sistematicamente associado, estando presente em 32,9% de casos diagnosticados. De acordo com Athié (2010), apesar da grande influência do ambiente, a doença de Alzheimer tem demonstrado apresentar um componente genético importante. De fato, existem duas formas da doença, a DA de início precoce ou familial (rara) e a DA de início tardio ou esporádica (mais frequente). Os genes presenilina 1 (PS1), presenilina 2 (PS2), Apolipoproteína E (ApoE), e Proteína precursora de amiloide (APP) são os mais amplamente estudados e relacionados com a doença de Alzheimer. Embora os vários fatores de risco genético APP, PS1 e PS2 estejam associados à DA, calcula-se que o alelo e4 de APOE seja responsável por grande parte da suscetibilidade para o desenvolvimento da doença de Alzheimer esporádica (Raeber et. al.,2004). Além da genética, outros fatores devem fazer parte do processo da doença, caracterizando sua multifatoriedade. Sabe-se, por exemplo, que a prevalência da Doença de Alzheimer dobra a cada cinco anos após os 65 anos de idade e que problemas cardiovasculares como hipertensão, diabetes, miniderrames e aterosclerose são fatores que aumentam o risco para DA (Sum et al, 2008). Mais de uma década após a aprovação de uso de inibidores da acetilcolinesterase em pacientes com DA, ainda não há um tratamento ou terapia combinada que possa efetivamente parar ou reverter a progressão da doença, atualmente o tratamento farmacológico atua apenas nos sintomas. Sabe-se que com o tratamento apropriado os pacientes apresentam melhoras, demorando mais tempo para atingir as fases mais graves da enfermidade. Os medicamentos de escolha para o tratamento do declínio cognitivo são os inibidores de acetilcolinesterase, os quais exibem algum tipo de melhora em aproximadamente 30 40% dos pacientes portadores da Doença de Alzheimer leve a moderada. (Kihara et al, 2004). A saber, acetilcolinesterase, trata-se de uma enzima que degrada o neurotransmissor acetilcolina em colina e acetatos. Atualmente existe no mercado farmacêutico os seguintes inibidores de acetilcolinesterase: tacrina, galantamina, rivastigmina, e donepezil, que atuam

aumentando a capacidade da acetilcolina em estimular os receptores nicotínicos e muscarínicos cerebrais (Grossberg, 2003). O primeiro inibidor de acetilcolinesterase utilizado para o tratamento de DA foi a tacrina (Cognex ). Contudo, seu uso causou hepatotoxicidade ao paciente levando a mais de 90% dos casos de hepatite medicamentosa (Serenik & Vital, 2008). Os receptores nicotínicos pre-sinápticos controlam a liberação de neurotransmissores, os quais são importantes para funções cerebrais como a memória e controle do humor. Foi verificado que o bloqueio dos receptores nicotínicos prejudica a cognição (Levin & Rezvani, 2000), o que pode ser revertido pela galantamina (Reminyl ), já que sua ligação com alguns subtipos de receptores nicotínicos melhorou a função cognitiva. Esse medicamento possui um duplo mecanismo de ação, já que além de inibir a acetilcolinesterase é capaz de modular os receptores nicotínicos que têm papel no controle da liberação de neurotransmissores. Um dos fármacos mais utilizados na atualidade é a rivastigmina (Exelon ), que atua tanto inibindo a acetilcolinesterase, quanto a butirilcolinesterase, uma enzima que também altera a função colinérgica, degradando a acetilcolina (Grossberg, 2003). Outro medicamento conhecido para o tratamento de DA é o donepezil (Aricept ), exibindo redução de 38% no declínio funcional dos pacientes, quando comparados com grupo de pacientes submetidos ao tratamento placebo (Fergusson, 2000) Existem inúmeras moléculas em diferentes fases de estudos, visando a mecanismos fisiopatogênicos da DA. O espectro de ação é bastante amplo abrangendo compostos que diminuem a formação de amilóide por inibição das enzimas β e γ secretases, imunização ativa e passiva, moléculas anti-tau, bloqueadores da agregação do amilóide, agonistas receptor colinérgicos subtipo M1 e nicotínicos, agentes antiinflamatórios, entre outros. Algumas pesquisas realizadas em fase clínica estão sendo realizadas com Bapineuzumab, que age como anticorpo monoclonal contra o β amiloide alvo N- terminal do peptídeo (fase III, em curso); Solanezumab atua no centro do peptídeo beta amilóide; Latrepirdine pensado para estabilizar a mitocôndria, protegendo os neurônios e impedindo-os de mau funcionamento (fase III em curso); Cloreto de metioninaimpede

que inibe a agregação de beta amiloide (fase III em planejamento); PBT2 um quelante de metal, pequena molécula que inibe a hiperfosforilação da proteína tau (fase II em planejamento); BMS-708163 inibe a formação de y-secretase (fase II em curso); Tideglusib/NP-12 (Nypta) inibidor da GSK-3, impedindo a hiperfosforilação da proteína tau (fase II em curso). CONCLUSÃO O desenvolvimento clínico de novos agentes para o tratamento sintomático da Doença de Alzheimer até o momento não tem mostrado resultados satisfatórios quando o intuito é bloquear a evolução da doença. O máximo efeito alcançado é a atenuação dos sintomas, mas ainda há progressão do quadro clínico. Entretanto, a diversidade de drogas e mecanismos de ação dos novos fármacos sob investigação, tornam altamente provável que nas próximas décadas novas opções de medicamentos se tornarão disponíveis para o tratamento de DA. Sobretudo, é de suma importância a atenção aos estudos genéticos referentes à Doença de Alzheimer, enfatizando os genes relacionados à doença, bem como seus alelos e, dessa forma, poder apontar um prognóstico para a DA, bem como encaminhamento genético. Faz-se necessário a investigação, pelos neurocientistas, de substâncias que retardem e, principalmente, bloqueiem a progressão da doença. Tratamento este, que pode ser iniciado assim que o prognóstico seja apontado. REFERÊNCIAS ATHIÉ, M.C.P., Análise da expressão gênica e proteômica em pacientes com doença de Alzheimer: busca de marcadores periféricos. Dissertação de mestrado, Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, 2010. CHAVES, P. H. Novos paradigmas do modelo assistencial no setor saúde: Consequência da explosão populacional dos idosos no Brasil. Medicina Social. In: Veras, R. (org) Terceira Idade: Gestão Contemporânea em Saúde. Rio de Janeiro:

Universidade Aberta da Terceira Idade, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002. pp, 11-79. Fergusson E, Howard R. Donepezil for the treatment of psychosis in dementia with Lewy bodies. Int J Geriatr Psychiatry. 2000;15(3):280-1. GROSSBERG, GT. Cholinesterase inhibitors for the treatment of Alzheimer's disease: getting on and staying on. Curr The Res. 2003;64(4):216-35. Herrera, E. Jr. Carmelli P.; Silveira A.S.; Nitrini R.; Epidemiologic Survey of Demientia in a Community Dewlling Brazilian Population; Alzheimer Disease Association Disorder; N.16; V.2 ; p. 103-8; 2002. International Database U.S. Census Bureau, 2009 - www.census.gov/ipc/www/idb - acessadoem maio de 2010. Kihara T, Sawada H, Nakamizo T, Kanki R, Yamashita H, Maelicke A, et al. Galantamine modulates nicotinic receptor and blocks abeta-enhanced glutamate toxicity. Biochem Biophys Res Commun. 2004;325(3):976-82. Levin ED, Rezvani AH. Development of nicotinic drug therapy for cognitive disorders. Eur J Pharmacol. 2000;393(1-3):141-6. Martins A.L ; Biopsiquiatria e Bioidentidade: Politica da subjetividade Contemporânea; Psicologia & Sociedade; N. 20; V.3; p. 331-339, 2008; Campinas; Brasil. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica - Envelhecimento e saúde da pessoa Idosa. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Cadernos de Atenção Básica; 1.ª edição Brasília 2006.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2005 RABER, J.; HUANG, Y.; ASHFORD, J.W. ApoE genotype accounts for the vast majority of AD risk and AD pathology. Neurobiology of Aging; 25 (5): 641-50, 2004. Selkoe D. Alzheimer's disease: genes, proteins, and therapy. Physiol Rev. 2001;81(2):741-66. Sereniki, A, Vital, M.A.B.F. A doença de Alzheimer: aspectos fisiopatológicos e Farmacológicos. Rev Psiquiatr RS. 2008;30(1 Supl). SILVESTRE, J.; KALACHE, A.; RAMOS, L. R. & VERAS, R. P. Population ageing in Brazil and the health care sector. Bold: Quarterly Journal of The International Institute of Ageing, 1998.7:4-12 VERAS, R. P. O Anacronismo dos Modelos Assistenciais na Área da Saúde: mudar e inovar, desafios para o setor público e o privado. Rio de Janeiro: Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro: In: Estudos em Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, 2000. p.211. Wimo A, Winblad B, Jönsson L. An estimate of the total worldwide societal costs of dementia in 2005. Alzheimers Dement; 3 (2): 81-91, 2007. Wimo A, Winblad B, Jönsson L. The worldwide societal costs of dementia: Estimates for 2009. Alzheimers Dement; 6 (2): 98-103, 2010.