A capital dos mineiros

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Transcrição:

Capítulo 2 A capital dos mineiros Quatro anos para construir a capital dos mineiros, que seria chamada de Cidade de Minas! Quanta coisa a fazer! Como deveria ser a cidade sede do governo do estado? No dia 14 de fevereiro de 1894, foi formado um grupo de pessoas para tomar as decisões e organizar os trabalhos da construção da cidade. Essa equipe recebeu o nome de Comissão Construtora da Capital e era chefiada pelo engenheiro Aarão Reis. A primeira coisa a fazer era arranjar um jeito para o material de construção chegar até o Arraial, pois muita coisa teria de vir de outras cidades e até de outros países. Para solucionar esse problema, era necessário um meio de transporte para grandes quantidades de carga. A Estrada de Ferro Central do Brasil era ligada ao porto marítimo do Rio de Janeiro, onde chegavam navios de vários países. Ela passava em várias regiões de Minas, inclusive em Sabará. Então a Comissão resolveu construir uma pequena ferrovia de 14 quilômetros ligando a Central do Brasil ao Arraial. No dia 7 de setembro de 1895, o Ramal Férreo Belo Horizonte foi inaugurado com uma grande festa. Arquivo Público Mineiro, 1894 Belo Horizonte É cada história! R. F. Belo Horizonte Sabará A festa de inauguração do Ramal Férreo Belo Horizonte aconteceu no lugar onde hoje é o Parque Municipal Américo René Gianetti. Foi um festão com banquete e muitos, muitos discursos. Depois de vários brindes acompanhados de discursos, dois homens muito animados se levantaram ao mesmo tempo e cada um começou a discursar. Como um não dava a vez para o outro, continuaram falando ao mesmo tempo, até que os dois pararam, atrapalhados, sem saber o que falar. Mas bastou um deles recomeçar a falação que o outro também se pôs a tagarelar. E, assim, o duelo continuou, provocando muitos risos. PLANEJAMENTO DA CAPITAL MINEIRA 1. Discuta com a turma: Por que o dia 7 de setembro foi escolhido para inaugurar o Ramal Férreo Belo Horizonte? Santa Luzia E. F. Central do Brasil O Ramal Férreo começava na estação de General Carneiro, que naquela época ficava no território do Arraial de Belo Horizonte. Depois a estação passou a pertencer a Sabará. Essa estação tinha a forma de um triângulo. Ela foi inaugurada em 1895 e demolida ao final da década de 1960. Museu Histórico Abílio Barreto Projeto da Estação Ferroviária de General Carneiro, ponto de ligação do Ramal Férreo de Belo Horizonte com a Estrada de Ferro Central do Brasil. Planejar uma cidade para ser a sede do governo não era tarefa simples. Era preciso pensar em tudo: prédios públicos, escolas, parques, praças, ruas, esgoto, arborização, transporte, comércio. E mais, era preciso pensar no arborização: plantio de árvores. 18 19

Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte - APCBH - ASCOM futuro, pois a capital iria crescer com o tempo. Por isso, a cidade foi planejada para acolher 200.000 habitantes, um número muito maior de moradores do que havia na época. A cidade projetada por Aarão Reis era dividida em três partes: ZONA URBANA: área principal, onde ficariam os prédios públicos, as escolas, o parque, os hospitais, o comércio e as moradias dos funcionários públicos. ZONA SUBURBANA: área ao redor da zona urbana, destinada a outras moradias. ZONA RURAL: área onde ficariam as chácaras e os sítios que abasteceriam a cidade de hortifrutigranjeiros. A zona urbana foi separada da zona suburbana por uma avenida que deveria se chamar Dezessete de Dezembro, em homenagem à data em que o Arraial foi escolhido para ser a capital. Mas logo o povo mudou o seu nome para Avenida do Contorno, já que ficava em volta da cidade. No dia 23 de março de 1895 foi apresentada a planta da cidade projetada por Aarão Reis. A zona urbana tem a cor amarela e é limitada pela Avenida do Contorno. A área em volta é a suburbana. Essa é boa! EXPOSIÇÃO DE PLANTAS 2. Converse com a sua turma: Quem é a pessoa que está à direita? Por que ela participa do evento? Pensando em beleza e na facilidade de locomoção, foram projetadas na zona urbana ruas e avenidas retas e largas: as ruas com 20 metros de largura, e as avenidas com 35 metros. Mas a avenida principal era maior: tinha 50 metros de largura. Ela foi chamada de Afonso Pena, em homenagem ao presidente de Minas Gerais na época da escolha do Arraial para capital. Na zona suburbana os quarteirões eram irregulares, e as ruas, com 14 metros de largura, acompanhavam o desenho que a natureza dera aos terrenos. A planta da capital era uma verdadeira aula de Geografia e de História. As ruas e avenidas tinham nomes de estados brasileiros, cidades mineiras, tribos indígenas, grandes rios, montanhas, poetas, inconfidentes e personagens históricos. As praças tinham nomes de datas importantes da História do Brasil, de Minas Gerais e da cidade. Com o tempo, muitas ruas, avenidas e praças tiveram seus nomes mudados. inconfidentes: participantes da Inconfidência Mineira, movimento de 1789, que teve Tiradentes como principal integrante. locomoção: transporte, deslocamento. presidente de Minas Gerais: antes de 1930, o governador era chamado de presidente de estado. 20 21

Arquivo Público Mineiro CONSTRUÇÃO DA CAPITAL MINEIRA Decidido como seria a cidade, iniciaram-se os trabalhos. Milhares de trabalhadores brasileiros e estrangeiros chegaram ao Arraial em busca de emprego e de uma nova vida. Leia o texto que mostra como teria sido a vida de um imigrante chamado Vitório. Ele veio da Itália para Minas Gerais, onde se casou. O casal Vitório e Santinha não demoraria muito pelo interior de Minas. Ouviram dizer que estavam construindo uma nova cidade para ser a capital do estado. Foram até Ouro Preto, ainda capital de Minas Gerais e procuraram saber a respeito daquilo. [...] [...] Em Ouro Preto, Vitório conheceu um pouco do projeto da Cidade de Minas achou lindo, lindíssimo. Rapidamente inscreveu-se para trabalhar como operário na construção da cidade, com total apoio de Dona Santinha. imigrante: pessoa que entra em um país para morar nele. Telegrama do secretário da Agricultura ao engenheiro- -chefe 1985 sobre mão de obra imigrante. Prédio da Secretaria de Educação em construção. (1894-1896) [...] Construída e inaugurada a cidade, Vitório e Santinha resolveram ficar por aqui mesmo. Iniciaram um pequeno comércio no próprio bairro em que moravam e foram vivendo. Retirado da obra Uma breve história de Belo. Belo Horizonte: Prefeitura Municipal de Belo Horizonte/Escola Plural, Projeto BH para as Crianças., 1997. p. 5, 6 e 8. Arquivo Público Mineiro Museu Histórico Abílio Barreto [s.d] 3. Como a turma imagina a vida em uma cidade em construção, com muita lama, poeira e sem luz elétrica? Aos poucos, o antigo Arraial foi desaparecendo. Ruas e avenidas eram abertas, lotes eram demarcados, edifícios públicos e casas eram construídos. Valas eram abertas para colocar canos, e trilhos eram assentados para os trens, que transportavam material para todo lugar. Em meio a uma grande agitação, a cada dia a paisagem mudava. A Comissão Construtora teve um cuidado especial ao escolher onde ficariam os prédios do governo. A Praça da Liberdade, localizada em uma região mais alta, foi escolhida para receber o Palácio da Liberdade e as Secretarias de estado. Próximo à Praça, foi construído o bairro dos Funcionários. As casas dos funcionários mais importantes ficavam na Avenida da Liberdade (mais tarde chamada de João Pinheiro em homenagem a um presidente do estado). demarcados: ter os limites marcados. valas: buracos longos. O Palácio da Liberdade foi projetado para ser a sede do governo. O presidente do estado deveria trabalhar e morar ali. Nem tudo o que foi idealizado foi realizado. Um Cassino foi projetado para ficar dentro do Parque Municipal. Ele começou a ser construído, mas não foi concluído. Arquivo Público Mineiro, 1894 22 23

A estação ferroviária também recebeu uma atenção especial. Era considerada a porta de entrada da cidade porque era ali que as pessoas desciam do trem quando chegavam à capital. Projeto da praça da Estação Ferroviária. A grande área de lazer da capital foi inaugurada antes da cidade. Enquanto a cidade era retilínea, o Parque Municipal ganhou ruas e alamedas arredondadas. Com gramados, jardins, queda d água e muitos recantos românticos, ele foi inaugurado no dia 26 de setembro de 1897. Museu Histórico Abílio Barreto [s.d] Vista do Parque com prédios da Avenida Afonso Pena ao fundo. Arquivo Público Mineiro, 1934-1970 - Data provável A Estação da Cidade de Minas começou a funcionar em 1895, mas só ficou pronta em 1897 para a inauguração da capital. Em 1898 ela recebeu o primeiro relógio público da cidade. Em 1920 foi demolida e em seu lugar foi construída outra estação, que mais tarde, foi transformada no Museu de Artes e Ofícios. 4. Que diferenças vocês observam entre o projeto e o edifício que foi construído para ser a Estação de Minas? FIGUEIRA, Manoel Fernandes (Org.). Memória histórica da estrada de ferro Central do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 1908. p. 390. Acervo HGC. INAUGURAÇÃO DA CAPITAL E não é que o prazo para a construção foi cumprido? É claro que a cidade não estava completamente pronta, mas o principal havia sido feito. E todo aquele esforço merecia comemoração. Uma grande festa foi organizada para o dia 12 de dezembro de 1897, data da inauguração da capital de Minas Gerais. Festa de inauguração da Cidade de Minas, em 17 de dezembro de 1897. retilínea: que segue em linha reta. alameda: rua ou avenida com árvores DAPRESS 24 25

As comemorações começaram na véspera do grande evento, com a inauguração da iluminação pública. A alegria foi tanta que muita gente nem dormiu e passou a noite festejando nos bares e nos cafés da cidade. Logo de manhã, bandas de música percorreram a cidade tocando o Hino Nacional e outras músicas. Às 2 horas da tarde, o trem que partira da Estação de General Carneiro com as autoridades e os convidados chegou à nova capital. Cerca de 10 mil pessoas participaram da festança de inauguração da Cidade de Minas. Mas, no coração dos antigos e novos moradores, a novíssima cidade era mais do que uma Cidade de Minas. E não demorou muito para que ganhasse outro nome velhinho em folha que homenageava a sua beleza. Em 1901 ela passou a se chamar Belo Horizonte. Capriche no registro EM SALA 1. Neste capítulo você aprendeu sobre a construção da capital e a mudança do seu nome. No seu caderno, faça uma linha de tempo que mostre acontecimentos importantes dessa História. Fique atento com as distâncias entre as datas. Essas distâncias devem mostrar que o tempo entre elas não foi sempre igual. Ordene as datas abaixo e escreva um pequeno texto para explicar o que aconteceu em cada uma delas. 11/12/1897 14/02/1894 1901 12/12/1897 23/03/1895 07/09/1895 26/09/1897 2. Esta atividade deverá ser feita em grupo. Cada grupo deverá ter às mãos um catálogo telefônico de endereços de Belo Horizonte. Localizem e observem o mapa do centro da cidade. Depois escrevam no caderno nomes de: a) cinco ruas que têm nomes de estados brasileiros; b) cinco ruas que têm nomes de tribos indígenas; c) três ruas que têm nomes de personalidades da nossa História. Museu Histórico Abílio Barreto [s.d] Essa é a representação feita pelo artista Honório Esteves do belo horizonte que inspirou o nome da capital do Estado de Minas Gerais. 3. Você quer colocar Belo Horizonte dentro de Sabará? Na capital esse ditado popular é usado quando alguém quer colocar uma coisa grande dentro de uma pequena. Discuta com o seu grupo e escreva as conclusões no caderno: Qual a origem desse ditado? É correto afirmar que esse ditado esconde uma verdade histórica? Por quê? 26 27

FIGUEIRA, Manoel Fernandes (Org.). Memória histórica da estrada de ferro Central do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 1908. p. 390A. Acervo HGC. 4. Observe as fotografias de locomotivas a vapor que circularam na capital mineira. Estação de General Carneiro, 1908. No seu caderno responda: a) Quando foram tiradas essas fotografias? b) Qual a importância das locomotivas para cada uma dessas épocas? c) De qual fotografia você gosta mais? Por quê? EM CASA Locomotiva Mariquinha em exposição no Museu Histórico Abílio Barreto, 2010. 1. Leia o texto que fala sobre os nomes de ruas, avenidas e praças de Belo Horizonte: Os moradores de muitas das ruas da cidade não têm consciência de quem foi a pessoa cujo nome está na rua onde mora, que fato é marcado pela data que batiza a praça onde seus filhos brincam, nem o que quer dizer o nome da avenida mais próxima. Texto de Eduardo Brandão Azeredo. Retirado do livro Memória de ruas. Dicionário toponímico da cidade de Belo Horizonte, de Leonardo José Magalhães Gomes. Belo Horizonte: Secretaria Municipal de Cultura, 1992. p. 7. Felipe Mayrink a) Qual o nome da avenida, rua ou beco em que você mora? Você sabe de onde veio esse nome? b) Em que bairro você mora? Procure saber por que o seu bairro tem esse nome. 2. Saiba agora quem foi a primeira criança que nasceu na nova capital: Na primeira hora do dia 13 de dezembro de 1897 [...] nascia uma menina, a primeira filha do pintor Cânfora Luigi e sua esposa Ângela Goracci, dois italianos que haviam chegado, há pouco tempo, para trabalhar nas obras da capital. [...] O bebê que acabava de nascer seria a primeira criança a ser registrada nos livros da cidade. E no maior contentamento, os jovens pais resolveram dar à criança o nome de Minas Horizontina, em homenagem ao arraial de Belo Horizonte, que deixara de existir e à nova Cidade de Minas que acabara de nascer. A primogênita da capital, Minas Horizontina, casou-se, teve três filhos e morou por muitos anos, junto com seus pais, no tradicional bairro de Carlos Prates. [...] Retirado do livro Os primeiros 100 anos, dos autores José Eduardo Costa e Ana Cristina Novato. Belo Horizonte: Gráfica e Editora 101 Ltda; 1997. p. 28. Responda, no seu caderno: a) Você é belo-horizontino? Se não é, onde você nasceu? Como se chama quem nasceu nesse município? b) Seus pais são belo-horizontinos? Se não são, onde eles nasceram? c) Por que sua família mora em Belo Horizonte? d) Outras pessoas de sua família moram na cidade? Se sim, em que bairros eles moram? primogênita: filha mais velha. 28 29