Química Geral. Docente: Dulce Gomes

Documentos relacionados
MINERALIZAÇÃO E DESMINERALIZAÇÃO DA ÁGUA

Para compreender o conceito de reacção de precipitação é necessário considerar as noções básicas de dissolução e de solubilidade de sais em água.

Definições. Dissociação iônica Considerando um composto iônico sólido hipotético: A a B b Em uma solução: A a B b (s) aa b+ (aq) + bb a- (aq)

Definições. Dissociação iônica Considerando um composto iônico sólido hipotético: A a B b Em uma solução: A a B b (s) aa b+ (aq) + bb a- (aq)

Para compreender o conceito de reacção de precipitação é necessário considerar as noções básicas de dissolução e de solubilidade de sais em água.

Equilíbrio Heterogéneo

Equilíbrio de solubilidade

Equilíbrio de Precipitação

AULA 10 EQUILÍBRIO DE SOLUBILIDADE

2ª SÉRIE roteiro 1 SOLUÇÕES

QUÍMICA. Sistemas Heterogêneos. Produto de Solubilidade (Kps) - Parte 1. Prof ª. Giselle Blois

ESCOLA SECUNDÁRIA DE MONTEMOR-O-NOVO

Equilíbrio de solubilidade de precipitação

1) A principal caracterís0ca de uma solução é:

Figura 1. Variação da solubilidade dos compostos em função da temperatura. fonte: 2010, 2008, 2005, 2002 por P. W. Atkins e L. L. Jones.

Considerando os pontos A e B e a curva dada, pode-se afirmar corretamente que:

Equilíbrio químico e solubilidade de sais. [Imagem:

Equilíbrio de solubilidade de precipitação

Determinação da Entalpia de uma Reacção

Departamento de Física e Química Química Básica Rodrigo Vieira Rodrigues. Constante produto solubilidade

QUÍMICA Tipos de soluções Edson Mesquita

Proposta de resolução do Exame Nacional de Química do 12º ano Prova 142, 1ª chamada, 30 de Junho de 2003 Versão 1

SOLUÇÕES Folha 01 João Roberto Mazzei

Aula EQUILÍBRIO DE SAIS POUCO SOLÚVEIS

Exercícios sobre Solubilidade - conceitos e curvas

Capítulo 12. Tipos de Soluções. Unidades de Concentração Efeito da Temperatura na Solubilidade Efeito da Pressão na Solubilidade de Gases

Professor: Fábio Silva SOLUÇÕES

Módulo Q2 - Soluções SOLUÇÕES

GOIÂNIA, / / PROFESSORA: Núbia de Andrade. Antes de iniciar a lista de exercícios leia atentamente as seguintes orientações:

Soluções Curva de solubilidade, concentrações e preparo de soluções Professor Rondinelle Gomes Pereira

Concentração de soluções e diluição

QUÍMICA. Soluções: características, tipos de concentração, diluição, mistura, titulação e soluções coloidais. Parte 7. Prof a.

Actividade nº 2. Actividade laboratorial: Preparação de soluções e sua diluição

Equilíbrio de Precipitação

Escola Secundária de Lagoa. Ficha de Trabalho 15. Física e Química A 11º Ano Paula Melo Silva. Escola Secundária de Lagoa Paula Melo Silva Página 1

Escola Secundária / 3º CEB da Batalha ACTIVIDADE LABORATORIAL DE FÍSICA E QUÍMICA A FORMAÇÃO ESPECÍFICA ENSINO SECUNDÁRIO. Ano de Escolaridade : 11

Experiência 7. PREPARO DE SOLUÇÃO A PARTIR DE SUBSTÂNCIAS SÓLIDAS, LIQUIDAS E DE SOLUÇÃO CONCENTRADA

BC Transformações Químicas

SOLUBILIDADE DE SÓLIDOS EM LÍQUIDOS

ACH4064 Linguagem Química e Reações Químicas 2

3. Solubilidade de sais pouco solúveis.

Química Fascículo 06 Elisabeth Pontes Araújo Elizabeth Loureiro Zink José Ricardo Lemes de Almeida

Preparação e padronização de soluções

O processo de dissolução

INSTITUTO POLITÉCNICO DE TOMAR ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA. Departamento de Engenharia Química e do Ambiente. QUÍMICA I (1º Ano/1º Semestre)

Química C Extensivo V. 2

a) 20 d) 100 b) 40 e) 160 c) 80

QUÍMICA. Soluções: características, tipos de concentração, diluição, mistura, titulação e soluções coloidais. Parte 1. Prof a.

Química Analítica I Tratamento dos dados analíticos Soluções analíticas

Aula 4 PREPARO DE SOLUÇÕES. META Introduzir técnicas básicas de preparo de soluções.

Esta actividade laboratorial será realizada à microescala utilizando uma folha de laboratório e pequenas quantidades de reagentes.

Agrupamento de Escolas de Bobadela Escola EBI de Bobadela. Preparação de soluções aquosas de sulfato de cobre

Prof.: HÚDSON SILVA. Soluções. Frente 2 Módulo 5. Coeficiente de Solubilidade.

Equilíbrio Químico. Aulas 6. Equilíbrio Químico: Reações reversíveis. Equação de equilíbrio. Princípio de Le Chatelier

FELIPE ROSAL. Química Introdução ao estudo das Soluções. PAZ NA ESCOLA

Química C Extensivo V. 2

Exercícios Complementares - Recuperação Paralela. Soluções parte Dentre as misturas abaixo relacionadas, a que não corresponde a uma solução é

Ministério da Educação Universidade Federal do Paraná Setor Palotina. Soluções e cálculos de soluções

Profº André Montillo

R E L A T Ó R I O D A A C T I V I D A D E L A B O R A T O R I A L

2.3.1Mineralização das águas e processos de dissolução

Soluções. 10º ano. [Imagem: kimberlysnyder.net]

Soluções. CO 2 dissolvido em água Álcool dissolvido em água Gelo seco (CO 2 sólido) dissolvido em (sublimado em) N 2

Reações em Soluções Aquosas

Figura 1: Ilustração do processo de dissolução do NaCl em água.

Qui. Allan Rodrigues Xandão (Victor Pontes)

Produto de Solubilidade

Componente de Química

30/03/2017 Química Licenciatura Prof. Udo Eckard Sinks SOLUÇÕES E SOLUBILIDADE

Definição: As dispersões são misturas nas quais uma substância está disseminada na forma de partículas no interior de uma outra substância.

2º ano do Ensino Médio Profª Luiza Martins

Ficha Informativa n.º 2 Tipos de Reações Químicas

CURSO PROFISSIONAL DE TÉCNICO DE GESTÃO E PROGRAMAÇÃO DE SISTEMAS INFORMÁTICOS. Nº de Projeto: POCH FSE-1158 Ciclo de Formação:

Classificação Solução Colóide Suspensão Exemplo: açúcar na água, sal de cozinha na água, álcool hidratado.

ACTIVIDADE LABORATORIAL Ciências Físico-Químicas 7ºANO

gás ou sólido (soluto)

Experiência 04 - Solubilidade

NEUTRALIZAÇÃO: UMA REACÇÃO DE ÁCIDO BASE

2.3. SOLUÇÕES E EQUILÍBRIO DE SOLUBILIDADE PROFESSORA PAULA MELO SILVA

Reacções de precipitação

Introdução. Uma mistura éconstituída por duas ou mais substâncias puras, sejam simples ou compostas MISTURA

Física e Química- 10º ano Cursos Profissionais. Apontamentos módulo 2 SOLUÇÕES

Esta actividade laboratorial será realizada à microescala utilizando uma folha de laboratório e utilizando pequenas quantidades de reagentes.

I. Reações químicas. 2.4 Reações de precipitação. Os sais e a sua solubilidade em água

Neste caso o sistema recebe o nome de DISPERSÃO

Relatório 7 Determinação do produto de solubilidade do AgBrO3

SOLUÇÕES PARTE 1. Giseli Menegat e Maira Gazzi Manfro

O equilíbrio de solubilidade do HgS é representado pela equação abaixo.

Equilíbrios de Solubilidade

Estudo Estudo da Química

Preparo de Reagentes (Soluções)

FORMULÁRIO DE DIVULGAÇÃO DO CONTEÚDO DA PROVA FINAL E RECUPERAÇÃO FINAL

AULA PRÁTICA 05 Solubilidade: Misturas homogêneas e heterogêneas

Composição das soluções

QUI109 QUÍMICA GERAL (Ciências Biológicas) 4ª aula /

Mistura: material formado por duas ou mais substâncias, sendo cada uma destas denominada componente.

QUÍMICA 12º ANO ACTIVIDADE DE PROJECTO CONSTRUÇÃO DE UMA PILHA PROPOSTA DA METODOLOGIA 2010/ º Período

8ª LISTA - EXERCÍCIOS DE PROVAS Equilíbrio de Solubilidade

Transcrição:

Universidade Fernando Pessoa Faculdade de Ciências e Tecnologia Química Geral Estudo de alguns factores que afectam o equilíbrio de precipitação. Efeito da diluição no equilíbrio entre o PbCl₂ sólido e uma solução saturada dos seus iões Docente: Dulce Gomes Engenharia do Ambiente (2º Ano) Turma EPQ Data de entrega do relatório: 21-04-2009. Relatório elaborado em 15-04-2009 pelo grupo 2, constituído pelos alunos: André Andrade nº 18990 Assinatura: Pedro Sousa nº 19013 Assinatura: Filipe Pereira nº 18931 Assinatura:

Índice 1.Resumo... 3 2.Introdução... 3 3.Materiais e Métodos... 5 4.Resultados Experimentais... 7 5.Discussão dos Resultados... 9 6.Conclusões... 11 7.Bibliografia... 12 Apêndice... 13 2

1.Resumo Equilíbrios de precipitação de substâncias pouco solúveis são frequentemente observados quer em processos industriais, quer no nosso quotidiano. Surgiu por isso a necessidade de uma análise quantitativa dos equilíbrios de solubilidade, ou seja, da previsão das quantidades que se dissolvem em determinadas condições. Constataram-se diferenças na reacção de nitrato de chumbo com cloreto de sódio e na diluição desta mistura, essencialmente em termos de solubilidade das soluções e da formação ou não de precipitados. Com a realização do trabalho experimental objecto deste relatório, podemos concluir que as observações registadas durante a execução do trabalho corresponderam às previsões do que era suposto acontecer. 2.Introdução A elaboração do trabalho experimental objecto deste relatório consistiu numa primeira fase na reacção de nitrato de chumbo (Pb(NO₃)) com cloreto de sódio (NaCl), observando-se a formação ou não de um precipitado, e numa segunda fase procedeu-se à diluição da solução formada anteriormente, observando-se o efeito que essa diluição provoca no equilíbrio da mesma. Os principais objectivos da realização deste trabalho são: identificação de alguns factores que alteram a solubilidade de uma solução; estudo do efeito da diluição no equilíbrio entre o PbCl₂ sólido (sal) e uma solução saturada dos seus iões; relacionar o quociente de reacção (χ) com a formação ou não de um precipitado, através da sua comparação com o produto de solubilidade (Kps); relacionar os valores do quociente de reacção com a extensão das reacções químicas realizadas no trabalho experimental. Como foi referido anteriormente, em primeiro lugar reagiu-se nitrato de chumbo (Pb(NO₃)) com cloreto de sódio (NaCl), verificando-se se esta reacção se trata de uma reacção de precipitação, ou seja, se ocorre a formação de um produto insolúvel, denominado de precipitado. A solubilidade de um composto, que se define como o limite que uma dada substância se consegue dissolver num determinado solvente a uma 3

dada temperatura, é geralmente indicada pelo valor do seu produto de solubilidade (Kps), e quanto menor for o valor de Kps menos solúvel é o composto (e-escola) Então, tendo em conta a quantidade de soluto dissolvido num determinado solvente e a solubilidade deste, podemos classificar as soluções em (e-escola): soluções saturadas: aquela que contém a quantidade máxima de soluto que é capaz de se dissolver; soluções insaturadas: aquela que contém menos soluto do que aquele que é capaz de se dissolver; soluções sobressaturadas: aquela que contém uma quantidade maior de soluto do que aquela que se consegue dissolver. Mas para se prever se na mistura de duas soluções forma-se ou não um precipitado é necessário recorrer ao cálculo do quociente de reacção (χ), que por comparação com o produto de solubilidade irá permitir prever o que deveria ocorrer. O cálculo do quociente de reacção efectua-se através do produto das concentrações dos iões do precipitado formado, elevados aos respectivos coeficientes estequiométricos. Deste modo, é possível avaliar se um determinado sistema se encontra ou não numa situação de equilíbrio e prever a sua evolução. Surgem então três situações distintas: χ < Kps, significa que estamos em presença de uma solução não saturada ou insaturada, isto é, não houve formação de um precipitado; χ = Kps, significa que estamos em presença de uma solução saturada, ou seja, atingiu-se o limite máximo de dissolução, não havendo precipitação; χ > Kps, significa que estamos em presença de uma solução sobressaturada, ou seja, não é possível dissolver mais soluto e há formação de precipitado. Mas nem só para prever se uma mistura de soluções forma ou não um precipitado é necessário o cálculo do quociente de reacção. O quociente de reacção por comparação com o produto de solubilidade irá permitir também determinar qual a extensão das reacções químicas que estão a ocorrer e qual o sentido dominante da progressão das mesmas. Podem então surgir três situações distintas (TP Unidade 1): χ < Kps, o sistema não está em equilíbrio e a reacção vai evoluir no sentido directo, consumindo-se reagentes e formando-se produtos, até que χ = Kps. 4

χ = Kps, o sistema está em equilíbrio. χ > Kps, o sistema não está em equilíbrio e a reacção vai evoluir no sentido inverso, consumindo-se produtos e formando-se reagentes, até que χ = Kps. Deve ainda referir-se que existem vários factores que podem afectar o equilíbrio químico de uma reacção e consequentemente o seu equilíbrio de precipitação, sendo que neste relatório irá ser estudado essencialmente o efeito que uma diluição, e a consequente diminuição da concentração das espécies envolvidas, provoca no equilíbrio de precipitação. Outros factores que afectam o equilíbrio de precipitação como o efeito do ião comum, a variação do ph das soluções ou a influência dos equilíbrios de complexação não se aplicam ao trabalho experimental objecto deste relatório. Até mesmo a temperatura, que é um dos mais importantes factores que podem afectar o equilíbrio de precipitação, não é tida em conta, porque como não é conhecida considerase que ambas as soluções (de nitrato de chumbo e cloreto de sódio) estavam à mesma temperatura e que após a sua mistura esta se manteve (Atkins, 2006, p.345) Em suma, a realização do trabalho experimental objecto deste relatório é de grande importância, porque equilíbrios de precipitação são frequentemente observados no nosso quotidiano e as reacções de precipitação são muito úteis em aplicações industriais e científicas pelo facto de através destas reacções ser produzido um sólido que pode ser removido da solução por filtração, decantação ou centrifugação (Atkins, 2006, p.324). 3.Materiais e Métodos Reagentes e Material Água desionisada Solução aquosa de nitrato de chumbo 0.5 M: 15 ml Solução aquosa de cloreto de sódio 0.5 M: 15 ml Gobelés de 250 ml: 1 Pipetas graduadas de 5.0 ml: 2 Varetas de vidro: 1 5

Procedimento experimental 1.Medir com uma pipeta graduada 5,0 ml de solução aquosa de nitrato de chumbo 0,5 M e transferi-la para um gobelé. 3.Observar, registar e escrever a equação química que traduz as alterações que se observam. 2.Medir com uma pipeta graduada 5,0 ml de solução aquosa de cloreto de sódio 0,5 M e juntá-la ao conteúdo do mesmo gobelé. 4.Adicionar água destilada ao gobelé de modo a diluir o conteúdo até que o volume da mistura perfaça cerca de 150 ml. 5.Agitar, observar e registar. 6

4.Resultados Experimentais Tabela 1: Tabela com as equações químicas que representam as reacções ocorridas e com as observações registadas durante a execução do trabalho. Reacção ocorrida Equação química Observações 1) Nitrato de Chumbo 0.5 M (5,0 ml) + Cloreto de Sódio 0.5 M (5,0 ml) 2) Nitrato de Chumbo 0.5 M (5,0 ml) + Cloreto de Sódio 0.5 M (5,0 ml) + Água (140 ml) Pb(NO₃)₂ (aq) + 2NaCl (aq) PbCl₂ (s) + 2NaNO₃ (aq) Inicialmente surgiu uma cor branca por toda a mistura, mas após algum tempo, formou-se um precipitado da mesma cor no fundo do gobelé. Ao adicionar água e agitar a solução, o precipitado que se tinha formado anteriormente dissolveu-se, formando-se uma mistura homogénea. Tabela 2: Escrita das semi-equações da equação química 1) Reagentes Produtos (I) Pb(NO₃)₂ (aq) Pb²+ (aq) + 2NO₃ (aq) (III) PbCl₂ (s) Pb²+ (aq) + 2Cl (aq) (II) NaCl (aq) Na+ (aq) + Cl (aq) (IV) NaNO₃ (aq) Na+ (aq) + NO₃ (aq) Observações da reacção do nitrato de chumbo com cloreto de sódio Figura 1: Formação de precipitado de PbCl₂ e arranjo das moléculas intervenientes na sua formação. 7

Observações da diluição da mistura formada Figura 2: Solução diluída da mistura formada, com a respectiva dissolução do precipitado. Através da equação química da reacção 1), identificamos o cloreto de chumbo (PbCl₂) como sendo o precipitado formado e consideramos como valor de referência para o seu produto de solubilidade: Kps = 1,7 x 10 ⁵ (25º C) (Trabalho experimental nº 7). Cálculo do quociente de reacção logo após a mistura das soluções de nitrato de chumbo e de cloreto de sódio Em primeiro lugar é necessário calcular o número de moles de nitrato de chumbo (Pb(NO₃)₂) e de cloreto de sódio (NaCl), sabendo que ambos possuem uma concentração de 0,5 M e que foram gastos 5,00 ml de cada uma das soluções. Obtém-se então o mesmo número de moles para ambas as soluções, de 0,0025 mol (1) [Cálculos realizados em apêndice]. Posteriormente e pela estequiometria das semi-equações (I) e (II) sabe-se que o número de moles de NaCl é igual ao número de moles do ião Cl e que o número de moles de Pb(NO₃)₂ é igual ao número de moles do ião Pb²+. Sendo assim, o número de moles de Cl é de 0,0025 M e o número de moles de Pb²+ é de 0,0025 M. Com o número de moles de Pb²+ e Cl calculou-se a concentração destes iões na mistura das soluções de nitrato de chumbo e cloreto de sódio, possuindo esta um volume de 10 ml, resultante da soma de volumes das duas soluções. Obteve-se desta forma uma concentração de 0,25 M tanto para o Pb²+ como para o Cl (2). Após o cálculo das concentrações de Pb²+ e Cl, e pela estequiometria da semi-equação (III) sabe-se que a concentração de Pb²+ mantém-se inalterada, com uma concentração 8

de 0,25 M, mas a concentração de Cl é o dobro da concentração calculada no passo anterior, passando para 0,5 M. Por fim calculou-se o quociente da reacção (χ), através da concentração dos iões Pb²+ e Cl elevados aos seus coeficientes estequiométricos, obtendo-se um quociente de reacção igual a 0,0625 (3). Cálculo do quociente de reacção após a diluição Ao efectuar-se uma diluição, a quantidade de solvente (água) aumenta, mas a quantidade de soluto permanece constante. Sendo assim, o número de moles de soluto antes da diluição é igual ao número de moles de soluto no final da diluição, sabendo-se desta forma que o número de moles de Pb²+ é de 0,0025 mol, e o número de moles de Cl é também de 0,0025 mol. Através do número de moles de Pb²+ e Cl e sabendo que ao efectuar a diluição o volume total da mistura aumentou para 150 ml, calculamos as concentrações de Pb²+ e Cl após a diluição. Realizando os cálculos (4), obteve-se a mesma concentração para ambas as espécies químicas, sendo esta de 0,0167 M. Após o cálculo das concentrações de Pb²+ e Cl, e pela estequiometria da semi-equação (III) sabe-se que a concentração de Pb²+ mantém-se inalterada, com uma concentração de 0,0167 M, mas a concentração de Cl é o dobro da concentração calculada no passo anterior, passando para 0,0334 M. Por fim calculou-se o quociente da reacção (χ), através da concentração dos iões Pb²+ e Cl elevados aos seus coeficientes estequiométricos, obtendo-se um quociente de reacção igual a 1,86 10 M (5). 5.Discussão dos Resultados Numa primeira fase do trabalho experimental objecto deste relatório, ao reagir-se nitrato de chumbo (Pb(NO₃)₂) com cloreto de sódio (NaCl), ocorreu uma reacção de precipitação, obtendo-se como produtos de reacção um precipitado, o cloreto de chumbo (PbCl₂) e o nitrato de sódio (NaNO₃). Devido à formação de um precipitado, podemos então designar esta solução formada como sendo uma mistura heterogénea, pois apresenta uma fase líquida e uma fase sólida (Chang, 2005 p.138-139). Os iões que dão origem ao nitrato de sódio, o Na+ e o NO₃, como não participam na reacção de precipitação, apenas mantendo-se em solução, são considerados iões 9

espectadores. Já o PbCl₂, o precipitado formado, surge devido ao facto de a concentração de iões Pb²+ e Cl aumentar durante a mistura de nitrato de chumbo e cloreto de sódio, levando a que as colisões entre si sejam mais frequentes e originando a formação do precipitado (Dean, 1999 p. 323). Este precipitado, PbCl₂, é um sal simples, isto é, um composto iónico constituído por um único tipo de catião (Pb²+) e um único tipo de anião (Cl ), e é uma excepção de um cloreto que não é solúvel em água. A baixa solubilidade do PbCl₂, é também demonstrada pelo seu baixo valor de Kps (1,7*10 ⁵) (Dean, 1999 p. 326). Observa-se então que pelo facto de ter ocorrido uma reacção de precipitação encontramo-nos na presença de uma solução sobressaturada, onde não é possível dissolver mais soluto, formando-se um precipitado, o que é também indicado pelo facto do valor de coeficiente de reacção logo após a mistura das soluções de nitrato de chumbo e de cloreto de sódio (0,0625) ter sido superior ao valor de Kps do cloreto de chumbo (1,75*10 ⁵). Quanto à extensão da reacção ocorrida, e tendo em conta o facto do valor de χ ser superior ao valor de Kps, esta não se encontra em equilíbrio, deslocando-se a reacção no sentido inverso. Na segunda fase do trabalho experimental objecto deste relatório procedeu-se à diluição da solução preparada inicialmente, com a adição de água como solvente. Ao adicionarmos bastante água para diluir a solução que contém o precipitado, a energia envolvida nas interacções que mantêm os iões de Pb²+ e Cl juntos diminui, de tal forma que esta energia passa a ser menor que a energia envolvida nas interacções entre a água e o PbCl₂. Desta forma, o PbCl₂ é quebrado em iões que são atraídos pelas moléculas de água, diluindo-se na solução e tornando esta numa solução homogénea. (Atkins, 2006 p. 499) Ora, ao diluir-se a solução, a energia que mantêm os iões de Pb²+ e Cl juntos diminui, mas também a sua concentração vai diminuir bruscamente, levando a que consequentemente o coeficiente de reacção após a diluição também diminua (1,86*10 ⁵). Sendo o coeficiente de reacção após a diluição um valor inferior ao valor de Kps do cloreto de chumbo (1,7*10 ⁵), leva a que, tal como antes da diluição, a reacção ocorrida não se encontre em equilíbrio, mas ao contrário desta, a reacção desloca-se no sentido directo, até que um estado de equilíbrio seja atingido. O facto de o valor de coeficiente de reacção ser inferior mas muito próximo do valor de Kps leva a que, e tal como acontece no trabalho experimental, a solução após ser diluída 10

atinja um limite de saturação (χ = Kps), de forma a atingir um estado de equilíbrio, aumentando assim a sua solubilidade e fazendo com que o precipitado formado se dissolva. Observa-se então que a execução de uma diluição sobre uma solução pode afectar o seu equilíbrio químico e consequentemente o seu equilíbrio de precipitação, essencialmente devido ao facto de as espécies químicas envolvidas diminuírem a sua concentração. Este fenómeno é um fenómeno contrário ao efeito do ião comum que consiste no aumento da concentração de uma das espécies químicas envolvidas, aumentando assim o coeficiente de reacção, deslocando a reacção no sentido inverso e levando à formação de um precipitado. Uma diluição provocou o efeito contrário e fez com que o precipitado formado se dissolvesse (Chang, 2005 p.670-671). 6.Conclusões Com a realização do trabalho experimental objecto deste relatório, podemos concluir que as observações registadas durante a execução do trabalho corresponderam às previsões do que era suposto acontecer, sendo isto demonstrado pela comparação dos valores de coeficiente de reacção e de Kps após a mistura das soluções de nitrato de chumbo e de cloreto de sódio e após a diluição da mesma. Podemos também concluir que o equilíbrio que se estabelece entre dois compostos quando misturados, depende em grande parte da concentração dos iões envolvidos na reacção de precipitação. Por fim, podemos concluir, que a mistura de duas substâncias (neste caso nitrato de chumbo e de cloreto de sódio) em que ocorre a formação de um precipitado, pode através de uma diluição, atingir um limite de saturação, de forma a atingir um estado de equilíbrio, levando a que o precipitado se dissolva. 11

7.Bibliografia Atkins, P. (2006). Physical Chemistry. Oxford, Oxford University Press. Chang, R. (2005). Química. 8ª ed. Madrid, McGraw-Hill Companies. Dean, J. (1999). Lange s Handbook of Chemistry. 15ª ed. Tennessee, McGraw- Hill Companies. Principais Noções de Solubilidade (Química) e-escola. [Em linha]. Disponível em http://www.e-escola.pt/topico.asp?hid=350. [Consultado em 14/04/2009]. TP Unidade1 EquilibrioQuimico.pdf. [Em linha]. Disponível em https://elearning.ufp.pt/access/content/group/b7f774bf-4361-4037-a082-478ceedc158e/teórico-prática/tp_unidade1_equilibrioquimico.pdf. [Consultado em 14/04/2009]. Trabalhos Práticos de Química Geral: Trabalho experimental nº 7. [Em linha]. Disponível em https://elearning.ufp.pt/access/content/group/b7f774bf-4361-4037-a082-478ceedc158e/pr%c3%a1tica/protocolos%20qger%202008-09%20fct.pdf. [Consultado em 14/04/2009]. 12

Apêndice (1) [Pb(NO₃)₂] = 0,5 mol/l ; V(Pb(NO₃)₂) = 5,00 ml = 0,005 L [NaCl] = 0,5 mol/l ; V(NaCl) = 5,00 ml = 0,005 L [Pb(NO₃)₂] = n ( ) V ( ) n ( ) =[Pb(NO₃)₂] V ( ) n ( ) =0,5 mol/l 0,005 L=0,0025 mol [NaCl]= n V n =[NaCl] V n =0,5mol/L 0,005 L=0,0025 mol (2) V =10 ml=0,01 L [Pb ]=n V [Pb ]=0,0025 mol 0,01 L=0,25 mol/l [Cl ]=n V [Cl ]=0,0025 mol 0,01 L=0,25 mol/l (3) χ=[pb ] [Cl ] χ=0,25 M (0,5M) χ=0,0625 (4) V =150 ml=0,15 L [Pb ]=n V [Pb ]=0,0025 mol 0,15 L=0,0167 mol/l [Cl ]=n V [Cl ]=0,0025 mol 0,15 L=0,0167 mol/l (5) χ=[pb ] [Cl ] χ=0,0167 M (0,0334M) χ=1,86 10 13