MODO PROFª MARIA CECÍLIA
Os modos verbais indicam a atitude de quem está falando diante dos fatos declarados: Indicativo certeza. Subjuntivo dúvida, desejo, hipótese. Imperativo ordem, pedido.
O modo imperativo pode exprimir: Ordens: Dê o fora daqui! Convites: Apareça lá em casa! Instruções: Abra a embalagem pelo lado direito. Conselhos: Dê mais valor a si mesmo. Pedidos: Façam silêncio, por favor. Súplicas: Socorro, ajudem-me! Exortações: Ânimo! Erga a cabeça e siga em frente!
O imperativo tem duas formas: FORMAÇÃO DO IMPERATIVO IMPERATIVO AFIRMATIVO : Como de três em três horas. IMPERATIVO NEGATIVO: Não pule refeições. O imperativo negativo provém do presente do subjuntivo antecedido de não (ou nem, nunca, jamais). PRESENTE DO SUBJUNTIVO (que eu) cante (que tu) cantes (que ele) cante (que nós) cantemos (que vós) canteis (que eles) cantem IMPERATIVO NEGATIVO Não tem 1º pessoa Não cantes (tu) Não cante (você) Não cantemos (nós) Não canteis (vós) Não cantem (vocês)
O imperativo afirmativo também provém do presente do subjuntivo, mas a 2ª pessoa do singular e a 2ª pessoa do plural têm flexão igual à do presente do indicativo sem a letra s final. PRESENTE DO INDICATIVO IMPERATIVO AFIRMATIVO PRESENTE DO SUBJUNTIVO (EU) canto Não tem 1ª pessoa (que eu) cante (TU) cantas (-s) Canta (tu) (que tu) cantes (ELE) canta Cante (você) (que ele) cante (NÓS) cantamos Cantemos (nós) (que nós) cantemos (VÓS) cantais (-s) Cantai (vós) (que vós) canteis (ELES) cantam Cantem (vocês) (que eles) cantem
DISTINÇÃO ENTRE IMPERATIVO E SUBJUNTIVO Como quase todas as formas do imperativo vêm do presente do subjuntivo, é natural que haja confusão entre os dois modos. Compare as duas frases a seguir: Tenham cuidado! Tenham um bom dia! Embora a forma verbal seja a mesma (tenham), a atitude da pessoa que fala em relação aos fatos declarados é diferente em cada frase: na primeira, a atitude é de comando, ordem; na segunda, de desejo, expectativa. Para fazer a distinção entre imperativo afirmativo e presente do subjuntivo, basta observar a ideia expressa pela forma verbal. O imperativo exprime ordem ou pedido, enquanto o subjuntivo exprime desejo. Nas formas do subjuntivo, é sempre possível perceber uma oração subentendida: [Espero que] tenham um bom dia!
FORMAS DO IMPERATIVO DA 2ª E DA 3ª PESSOA Nos quadros apresentados anteriormente note que as formas de 3ª pessoa não se referem a ele ou a eles afinal, não faz sentido dar uma ordem para uma terceira pessoa. As ordens são sempre dadas para aquela pessoa com quem estamos falando (a 2ª pessoa), ou então para um grupo de pessoas do qual fazemos parte (Vamos embora, pessoal!). Em boa parte do Brasil, porém, utiliza-se o pronome você, que é originalmente um pronome de tratamento (portanto, pertencente à 3ª pessoa), com referência à 2ª pessoa. Então, em contextos formais, devemos empregar as formas da 3ª pessoa para dar ordens, conselhos, instruções à pessoa com quem falamos, a quem nos dirigimos por você. Por exemplo: Ei, você, cante comigo!
Esse padrão, porém, nem sempre é seguido. Leia esta tira de Lola, a Andorinha. Na tira, a Andorinha conversa com o computador. Os dois tratam um ao outro por você: Pra ninguém poder mexer a não ser você, Você olhou!. Logo, eles também deveriam utilizar as formas do imperativo da 3ª pessoa para dar ordens ou instruções um ao outro. Mas não é o que ocorre:
O computador usa a forma Digite sua senha, que realmente é da 3ª pessoa; Contudo, Lola usa a forma Então olha prá lá, que corresponde à 2ª pessoa (olha tu). Nesse caso, podemos dizer que não houve uniformidade entre as formas verbais. A andorinha misturou formas da 3ª pessoa (você) e da 2ª pessoa (olha). Esse fato é extremamente comum na linguagem informal, sobretudo na oralidade. No entanto, em situações que exigem maior formalidade, é aconselhável manter a uniformidade das pessoas: Olhe (você) para lá.