UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira Melhoramento de plantas Prof. Dr. João Antonio da Costa Andrade Departamento de Biologia e Zootecnia
MELHORAMENTO GENÉTICO DE PLANTAS O que é melhoramento de plantas? Melhoramento ambiental; Melhoramento genético: Arte e a ciência que visam a modificação genética das plantas para torná-las mais úteis ao homem Aumento na frequência de alelos e genótipos favoráveis Obtenção de bons genótipos
Embora os avanços tecnológicos e cientifícos tenham contribuído de maneira substancial para o melhoramento genético, é importante salientar que, qualquer que seja a tecnologia empregada, a participação da seleção sempre foi fundamental para o êxito desejado. Dr. Ernesto Paterniani
Poder da seleção??!!!!!
Domesticação: Mais arte do que ciência; Ocorrida em tempos remotos; Hoje o melhoramento genético praticamente é só ciência; Importante é a interação entre melhoramento ambiental e genético
Obtenção de bons genótipos Apenas um genótipo: Heterozigótico (híbrido de linhagens puras, clones de indivíduo heterozigoto); Homozigótico (linhagem pura). Vários genótipos Predominantemente heterozigóticos (híbrido triplo ou duplo); Predominantemente homozigóticos (Variedade sintética, mistura de linhagens puras).
Cultivar: VARIEDADES CULTIVARES Genótipo ou grupo de genótipos com alguma característica específica ou simplesmente reunidos em um grupo (população), utilizado (s) comercialmente pelos agricultores.
Tipos de cultivares: VARIEDADES CULTIVARES Linhagem pura; Mistura de linhagens puras; Clone; Híbrido (de linhagens puras, Intermediário, Intervarietal); Variedade; Variedade sintética;
Passos do melhoramento Identificação dos melhores genótipos; Provocação do aparecimento do(s) genótipo(s) (quando necessário); Multiplicação do(s) genótipo(s) desejado(s).
Dificuldades na procura e obtenção de bons genótipos Nem sempre é difícil; Espécies ainda não melhoradas (Apenas a coleta ou introdução de um genótipo novo já é uma grande contribuição, muitas vezes); Isolamento ou indução de mutantes que por si só resolvem algum problema sério (uva sem semente, melancia sem semente, arroz anão, sorgo anão); Tipo de herança do caráter (qualitativo ou quantitativo);
Dificuldades na procura e obtenção de bons genótipos Correlação não desejável entre caracteres; Base genética estreita (Fazer recombinações, introgressões, usar Bancos e origem); Frequência genotípica baixa (Trabalho com grande número de indivíduos); Efeitos ambientais F G + E + GE (O efeito G precisa ser separado). Genótipos diferentes fenótipos iguais (Repetições, progênies, controle ambiental). Interação gênica
Melhorista Precisa estabelecer uma estratégia de visão de futuro sobre seu trabalho; Nem sempre busca apenas rendimento; Qualidade; Atratividade; Adaptação ao manuseio; Diminuição nos custo de produção.
Melhorista Adaptação à comercialização; Adaptação a uma nova condição (Abelha sem ferrão); Inserção ideal na cadeia produtiva; Correção de alguma frescura ou preferência (Milho espiga fina, Feijão hilo amarelo, cenoura cilíndrica).
Perfil do melhorista (Pesquisa realizada) Paciência; Persistência (a mais lembrada); Habilidade interpessoal para estabelecer relacionamentos; Espírito de liderança e vontade de trabalhar com afinco; Conhecer as disciplinas Genética, Estatística, Entomologia, Fitopatologia, Fisiologia Vegetal;
Perfil do melhorista (Pesquisa realizada) Parceria (Dificilmente um apenas tem a condição de desempenhar com eficiência e profundidade todas as disciplinas consideradas prioritárias para o melhoramento); Familiarização com recursos genéticos (Não recebeu prioridade).
Perspectivas no Brasil Execução de programas Predominantemente pelo setor público. Exceções são soja, milho e algumas outras; Mudanças devido à Lei de Proteção de Cultivares; Biologia molecular e Biotecnologia Disponibilização de novas ferramentas, principalmente no caso de plantas perenes;
Perspectivas no Brasil Cadeias produtivas ainda com pouco sucesso, onde o melhoramento pode avançar; Olerícolas; Fruteiras; Forrageiras; Florestais; Medicinais.
Recursos Genéticos Vegetais Biodiversidade Totalidade de genes, espécies e ecossistemas do mundo ou de uma região; Conservação da biodiversidade Manutenção de um sistema de apoio à vida humana, fornecido pela natureza e os recursos vivos essenciais para o desenvolvimento.
Recursos Genéticos Vegetais Erosão genética - Redução na biodiversidade genética de espécies; 300.000 espécies de plantas superiores descritas; Homem já utilizou aproximadamente 3.000 na alimentação;
Recursos Genéticos Vegetais Atualmente usa aproximadamente 300; Apenas 15 são responsáveis por 90% de toda a alimentação humana; Trigo, arroz, milho e batata 80% do total produzido.
Recursos Genéticos Vegetais Nikolai Vavilov (início do século XX) Primeiro a reconhecer a importância da coleta de sementes e organização de coleções; RGV representa: Reservatório genético; Soluções para diversas alterações ambientais; Matéria prima para o desenvolvimento da agricultura;
Recursos Genéticos Vegetais Possível solução para a vulnerabilidade genética; Risco que existe devido à base genética estreita (risco mais a curto prazo); Mangueira 80% da cultura implantada no país pertence a Tomy Atkins e Haden; Resolve-se com a diversificação de cultivares, introdução de novos genótipos e recombinação genética.
Recursos Genéticos Vegetais Germoplasma Germo (princípio rudimentar de um novo ser orgânico) + plasma (matéria não definida); Matéria onde se encontra um princípio que pode crescer e se desenvolver; Soma total dos materiais hereditários de uma espécie.
Recursos Genéticos Vegetais Categorias de germoplasma (HOYT, 1992); Parentes silvestres; Populações locais (Landraces) (Cultivo primitivo); Cultivares que foram substituídas; Linhagens experimentais; Mutações e outros produtos do melhoramento; Cultivares modernas;
Recursos Genéticos Vegetais Banco de Germoplasma (Formação); Introdução (Espécie, cultivar - variedade, híbrido, etc, Citoplasma, Gene); Intercâmbio (aquisição recíproca) Regulamentos específicos, Quarentena; Coleta (Lavouras, roças, hortas e pomares caseiros, mercados e feiras, habitats silvestres);
Recursos Genéticos Vegetais Caracterização e avaliação de Bancos de germoplasma; Detecção de duplicações; Determinação de descritores que auxiliam a escolha pelo melhorista;
Conservação; Recursos Genéticos Vegetais In situ Dentro do ecossistema, mantendo o habitat natural; Ex situ Fora do ambiente original ou natural; Coleção de base (longo prazo); Coleção ativa (Médio prazo Banco ativo de germoplasma); Coleção nuclear (Menores, representam a variabilidade genética da espécie);
Recursos Genéticos Vegetais Coleção in vivo (a campo) Recalcitrantes, propagação vegetativa; Coleção in vitro (Geralmente propágulos em laboratório); Coleção genômica (Fragmentos de DNA que representam o genoma); Criopreservação ( in vitro em longo prazo, com utilização de N líquido).
MANGABA EMEPA - PB
ARROZ - FILIPINAS
Foto: Dra. Ana Cristina Juhász/EPAMIG
Foto: Dra. Ana Cristina Juhász/EPAMIG
Foto: Dra. Ana Cristina Juhász/EPAMIG
Foto: Dra. Ana Cristina Juhász/EPAMIG
BANCO MUNDIAL - NORUEGA
BANCO MUNDIAL - NORUEGA
BANCO MUNDIAL - NORUEGA
Recursos Genéticos Vegetais Acessos mantidos em coleções; + de 2,5 milhões; 1.200.000 cereais; 369.000 leguminosas; 215.000 forrageiras; 137.000 hortaliças 74.000 tubérculos.
Recursos Genéticos Vegetais RGV e Melhoramento Há uma lacuna; Melhoristas resistem em utilizar os Bancos de Germoplasma, utilizando sua própria coleção de trabalho (evitam trabalhar com genótipos selvagens);
Recursos Genéticos Vegetais Causas da baixa utilização: Documentação e descrição inadequadas; Falta de avaliação das coleções; Pouca disponibilidade de sementes; Adaptação restrita dos acessos; Falta de informações desejadas
Recursos Genéticos Vegetais Causas da baixa utilização: Números insuficiente de melhoristas; Dificuldade para identificar genes potencialmente úteis; Ausência de programas de prémelhoramento.
Recursos Genéticos Vegetais Constata-se um esforço concentrado nos materiais elites adaptados para o desenvolvimento de novas cultivares; Muitos melhoristas apontam a necessidade de resultados em curto prazo como o principal impedimento para utilização dos acessos, principalmente em instituições privadas.
Recursos Genéticos Vegetais Pré-melhoramento; Intensificação na obtenção de informações sobre os acessos e criação de populações direcionando-as ao melhoramento; Identificação de caracteres ou genes de interesse e incorporação nos materiais adaptados (elites); Pode identificar acessos melhores que cultivares locais (Ex: LAMP).
O processo evolutivo e o melhoramento Domesticação (utilização de certas plantas pelo homem) originou uma coevolução tornando-as dependentes de um ambiente artificial (menor competição); Seleção artificial Na maioria das vezes contraria as tendências evolutivas;
O processo evolutivo e o melhoramento Mecanismos capazes de alterar a constituição genética no melhoramento São os mesmos atuantes na natureza ao longo dos processos evolutivos. Portanto os mecanismos evolutivos são ferramentas do melhorista;
O processo evolutivo e o melhoramento Teoria Sintética da evolução; Criação de variabilidade genética (mutações de ponto, mutações cromossômicas); Amplificação da variabilidade genética (Recombinação, hibridação, migração); Processos que orientam para maior adaptabilidade; Seleção e ação do acaso; Isolamento reprodutivo; Divergência genética;
Seleção; Previsível; Direcional, estabilizadora, disruptiva; Oscilação ou deriva genética Também possui uma direção que não é constante;
Domesticação: Acidental Relação inconsciente com a planta que utiliza na alimentação e passa a proteger; Especializada A planta é levada para junto da habitação (menor competição); Agrícola Mudança de ambiente para que a planta possa maximizar o seu potencial de produção (criação de ambiente artificial);
Domesticação científica; Manipulação dos mecanismos de evolução das plantas; Perigo do rompimento do equilíbrio; Consciência do perigo Campanha de conservação dos recursos genéticos;
Endogamia no melhoramento Cruzamento entre indivíduos aparentados (primos, meios irmãos, irmãos completos, retrocruzamentos, autofecundação); Indesejável em muitos casos e auxiliar em muitos esquemas de melhoramento; Linhagens puras em autógamas; Linhagens puras para obtenção de híbridos em alógamas;
Endogamia no melhoramento Progênies para servir de base para seleção; Eliminação de alelos indesejáveis na seleção recorrente; Pode ocorrer devido ao pequeno tamanho da população;
Endogamia no melhoramento Consequências; Aumento da homozigose; Alteração na frequência genotípica e não na frequência gênica; Aparecimento de fenótipos indesejáveis (Deficiência de clorofila, nanismo, esterilidade, etc...); Depressão por endogamia Perda de vigor generalizada, diminuição na expressão de caracteres quantitativos em decorrência do aumento na homozigose;
Valor genotípico Frequência genotípica Genótipo S 0 S 1 S 2... S BB 10 1/4 3/8 7/16... 1/2 Bb 10 1/2 1/4 1/8... 0 bb 2 1/4 3/8 7/16... 1/2 Média 8,0 7,0 6,5... 6,0 Não pode aumentar ao invés de diminuir?
CULTIVARES
CULTIVARES
Endogamia no melhoramento Alfafa, cenoura, milho, cana, eucalipto plantas que mais sofrem perda de vigor com endogamia; Cebola, girassol, centeio nem sempre sofrem depressão; Cucurbitáceas e autógamas pouca ou nenhuma depressão; Coeficiente de endogamia nível de homozigosidade em uma geração específica;
Hibridação no melhoramento Importante tanto no sentido da exploração do vigor híbrido quanto para promover variabilidade e obter progênies para servir de base para processos de seleção; Heterose (SHULL, 1912) Superioridade do híbrido em relação à média dos pais ; Expressão dos efeitos benéficos da hibridação ; Aumento do vigor, da expressão de determinados fenótipos e da intensidade de outros fenômenos fisiológicos, decorrentes do cruzamento entre indivíduos contrastantes ;
Hibridação no melhoramento Heterobeltiose Superioridade (?) do híbrido em relação ao pai superior; Heterose padrão Desempenho do híbrido em relação a uma cultivar padrão;
Hibridação no melhoramento Manifestação da heterose; Área foliar; Desenvolvimento do sistema radicular; Altura da planta; Rendimento; Taxa fotossintética; Metabolismo celular; Tamanho da célula; Tamanho do fruto; Número de frutos; Cor do fruto; Precocidade;
Hibridação no melhoramento Base genética da heterose; Dominância O número médio de locos homozigotos desfavoráveis no híbrido é menor que em cada um dos parentais; Sobredominância Cada alelo de um loco possui função distinta, mas há um estímulo fisiológico em indivíduos heterozigotos; Epistasia Combinações específicas envolvendo alelos de diferentes locos fornecem um estímulo fisiológico;
Hibridação no melhoramento Hibridação em autógamas; Seleção continuada leva à fixação de linhas puras; Hibridação para aparecimento de variabilidade (segregação transgressiva); Heterose em autógamas?
Hibridação no melhoramento Hibridação em alógamas; Uso em híbridos; Manutenção da variabilidade ou promoção de variabilidade; Cruzamentos controlados para obtenção de progênies ou famílias; Progênies ou famílias de meios-irmãos (intra e interpopulacionais); Progênies ou famílias de irmãos germanos (intra e interpopulacionais); Progênies ou famílias top cross vários genótipos cruzados com um testador comum;
PLANTAS AUTÓGAMAS Causas da autofertilização; Morfologia floral que força a liberação do pólen dentro da própria flor (Cleistogamia)