O P O D E R D A S C O R E S
Era uma vez uma bruxa chamada Grinalda. Era uma bruxa bondosa que gostava de ajudar as pessoas, independentemente da sua raça ou condição. Era conhecida como a bruxa mais meiga e querida de todo o reino, e mesmo dos reinos vizinhos. Quando alguém estava aflito, lá estava ela, pronta a ajudar pois odiava ver as pessoas infelizes.
Embora Grinalda semeasse felicidade à sua volta, vivia num reino muito pobre e triste, onde tudo era cinzento. As casas, as árvores, as ruas, o céu, nada tinha cor. Os seus habitantes viviam na melancolia, pois tinham deixado de sonhar
O Feiticeiro Reinaldo, o maior inimigo de Grinalda, tinha engendrado um plano para que o reino permanecesse para sempre na penumbra. Saía na socapa da noite e roubava todos os sonhos aos habitantes, enquanto estes dormiam, fazendo desaparecer qualquer lembrança ou ilusão. Ao contrário de Grinalda, ele alimentava-se das suas tristezas e lamentações e o seu poder crescia dia após dia. Era o pior pesadelo de Grinalda e ela sabia que só o poderia vencer se conseguisse que as pessoas do reino se mantivessem felizes.
Certo dia, ía Grinalda montada na sua vassoura na esperança de salvar o reino, espalhando um pouco de felicidade, quando encontrou o seu amigo Cesário, o vampiro, cumprimentando-o tristemente: - Olá vampiro! - Olá! Estás triste? perguntou Cesário. - Sim. Vivo rodeada de tristeza. Estou sempre a ver esta cidade cinzenta e as pessoas tristes e tu sabes que odeio vê-las assim Para além disso, sinto que o feiticeiro cada vez está mais forte, o que me preocupa deveras. - Tens razão! Estas pessoas cada vez estão mais tristes! Temos de fazer alguma coisa para que se sintam felizes! declarou o vampiro muito determinado. - Se eu pudesse - Colorir este reino! - completou o Vampiro. - Boa ideia. Já sei o que fazer. - replicou Grinalda - E se distribuíssemos cores pelo povo? Acho que assim ficaria contente.
- É uma ótima ideia! - respondeu o vampiro entusiasmado - Mas onde vamos encontrar essas cores? - Podemos pedir no reino vizinho! Já ajudei muitas pessoas de lá e tenho a certeza que não me vão recusar ajuda.
Os dois voaram até ao reino vizinho, muito mais claro e alegre que o deles. Os jardins estavam cobertos por uma manta verde clara, cheia de pintinhas multicolores. As casas, pintadas de amarelo, cor de rosa, azul e laranja, contrastavam com os muros cinzentos, onde os habitantes colavam as suas lamentações, quando as tinham. Os próprios habitantes de sorrisos nos lábios, apresentavam peles rosadas, castanhas e amarelas, dando vida àquele reino.
Chegados ao reino colorido, foram recebidos com grande simpatia e hospitalidade. Afinal de contas, todos conheciam bem Grinalda e a sua bondade. Os dois explicaram como viviam as pessoas do seu povoado e pediram ajuda para que eles pudessem ser felizes. Explicaram também o seu plano. Os habitantes ficaram sensibilizados com a história que Grinalda contara. Não conseguiam imaginar como seria viver sem cor, a preto e branco, e sempre tristes. Ajudaram Grinalda e Cesário e deram-lhes um pouco de cada cor que existia no reino, que estes transportaram com todo o cuidado para o seu reino, como se fosse um tesouro valioso. Chegados ao reino, distribuíram o pó colorido por todo o povo.
Ao ver todas aquelas cores a transformarem a paisagem do reino, os habitantes não conseguiram ficar indiferentes, e uma chama de felicidade foi crescendo dentro dos seus corações, fazendo-os pular e a dançar de alegria. Fizeram uma grande festa em homenagem a Grinalda e ao vampiro e começaram novamente a sonhar
No fim da festa, a bruxa e o vampiro deram um grande abraço e prometeram nunca desistir de nada. Eles fizeram com que os seus conterrâneos fossem as pessoas mais felizes do mundo! Quem não gostou nada, foi feiticeiro Reinaldo, que na torre do seu castelo, lamentava aquela euforia, perdendo, a cada grito de alegria, um pouco das suas forças maléficas.