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Transcrição:

Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM Coordenação de Processos Seletivos COPESE Processo Seletivo para Cursos de Licenciatura em Educação do Campo - 2015 Leia atentamente os textos I e II. TEXTO I Música A caneta e a enxada Certa vez uma caneta foi passear lá no sertão Encontrou-se com uma enxada, fazendo uma plantação. A enxada muito humilde, foi lhe fazer saudação, Mas a caneta soberba não quis pegar sua mão. E ainda por desaforo lhe passou uma repreensão. Disse a caneta pra enxada não vem perto de mim, não Você tá suja de terra, de terra suja do chão Sabe com quem tá falando, veja a sua posição E não se esqueça a distância de nossa separação. Eu sou a caneta dourada que escreve nos tabelião Eu escrevo pros governos a lei da constituição Escrevi em papel de linho, pros ricaço e pros barão Só ando na mão dos mestres, dos homens de posição. A enxada respondeu: de fato eu vivo no chão, Pra poder dar o que comer e vestir o seu patrão Eu vim no mundo primeiro quase no tempo de Adão Se não fosse o meu sustento ninguém tinha instrução Vai-te caneta orgulhosa, vergonha da geração A tua alta nobreza não passa de pretensão Você diz que escreve tudo, tem uma coisa que não É a palavra bonita que se chama... educação! Fonte: A caneta e a enxada. Disponível em: http://letras.mus.br/zico-e-zeca/235558/. Acesso 23demarço de 2015. (Adaptado) 3

Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM Coordenação de Processos Seletivos COPESE Processo Seletivo para Cursos de Licenciatura em Educação do Campo - 2015 TEXTO II Entrevista dada por Antônio Cícero de Sousa (Ciço), um lavrador do Sul de Minas Gerais. Agora, o senhor chega e pergunta: Ciço, o que é educação? Quando o senhor chega e diz educação, vem do seu mundo, o mesmo, um outro. Quando eu sou quem fala, vem de um outro lugar, de um outro mundo. Vem dum fundo de oco, que é o lugar da vida dum pobre, como tem gente que diz. Comparação: no seu essa palavra vem junto com quê? Com escola, não vem? Com aquele professor fino, de roupa boa, estudado; livro novo, bom, caderno, caneta, tudo muito separado, cada coisa do seu jeito, como deve ser. Um estudo que cresce e que vai muito longe de um saberzinho só de alfabeto, uma conta aqui e outra ali. Do seu mundo vem um estudo de escola, que muda gente em doutor. É fato? Penso que é, mas eu penso de longe, porque eu nunca vi isso por aqui. Quando eu falo, o pensamento vem de um outro mundo. Um que pode até ser vizinho do seu, vizinho assim, de confrontante, mas não é o mesmo. A escolinha cai não cai ali num canto da roça, a professorinha dali mesmo, os recursos tudo como é o resto da regra de pobre. Estudo? Um ano, dois, nem três. Comigo não foi nem três. Então eu digo educação e penso enxada, o que foi para mim. Mão que foi feita pro cabo de enxada acha a caneta muito pesada... Fonte: BRANDÃO, Carlos R. A questão política da educação popular. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1984. p. 01. Disponível em: http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo7/eja/prefacio Recuperacao_estendida EJA.pdf. Acesso em 05 de abril de 2015. (Adaptado) 4

Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM Coordenação de Processos Seletivos COPESE Processo Seletivo para Cursos de Licenciatura em Educação do Campo - 2015 Com base na leitura dos textos apresentados ELABORE um texto dissertativo sobre o tema: A educação para as populações do campo. O texto deverá ser redigido com letra legível na modalidade padrão da Língua Portuguesa e ter no máximo 20 linhas. - Atenção, esta folha não poderá ser destacada do caderno de provas. - 5

Questõesdestaprovapodemserreproduzidas parausopedagógico,semfinslucrativos,desdequeseja mencionadaafonte:processo Seletivo para os Cursos de Licenciatura em Educação do Campo UFVJM 2015. Reproduçõesdeoutranaturezadevemser AutorizadaspelaCOPESE/UFVJM