DIREITO DO CONSUMIDOR LEI 8.078/90 PROFº SARMENTO
TUTELAS DO CDC CONCEITOS E PRINCÍPIOS CIVIL (ART. 8º AO 54) ADMINISTRATIVA (ART. 55 AO 60) CRIMINAL (ART. 61 AO 80) JURISDICIONAL (ART. 81 AO 104)
FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS ART. 5º, CF: O Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor. ART. 170, V, CF: A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: V defesa do consumidor.
ART. 48, ADCT: O Congresso Nacional, dentro de 120 dias da promulgação da CF, elaborará o código de defesa do consumidor.
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Normas de ordem pública e interesse social Competência concorrente para legislar sobre danos ao consumidor (art. 24, VIII, CF) Aplicação não retroativa
RELAÇÃO DE CONSUMO
CONSUMIDOR (art. 2º) CONSUMIDOR PF ADQUIRIR PRODUTO PJ* UTILIZAR SERVIÇO *CORRENTES: Finalista Maximalista
TEORIAS CDC 1) Teoria finalista, subjetiva ou teleológica: identifica como consumidor a pessoa física ou jurídica que retira definitivamente de circulação o produto ou serviço do mercado, utilizando o serviço para suprir uma necessidade ou satisfação pessoal, e não para o desenvolvimento de outra atividade de cunho profissional. Nesta teoria, não se admite que a aquisição ou a utilização de produto ou serviço propicie a continuidade da atividade econômica.
TEORIAS CDC 2) Teoria maximalista ou objetiva: identifica como consumidor a pessoa física ou jurídica que adquire o produto ou utiliza o serviço na condição de destinatário final (destinatário fático), não importando se haverá uso particular ou profissional do bem, tampouco se terá ou não a finalidade de lucro, desde que não haja repasse ou reutilização do mesmo. Não se encaixa nesse conceito, portanto, aquele que utiliza serviço ou adquire produto que participe diretamente do processo de transformação, montagem, produção, beneficiamento ou revenda, para o exercício de sua atividade.
CONSUMIDOR CONSUMIDOR POR EXTENSÃO: COLETIVIDADE DE PESSOAS o Determináveis ou indetermináveis o Intervir na relação de consumo o Ex.: poluição do rio, acidente de avião CONSUMIDOR POR EQUIPARAÇÃO otodas as vítimas do evento oex.: explosão do microondas CONSUMIDOR POR EQUIPARAÇÃO odetermináveis ou indetermináveis oexpostas às práticas comerciais ART. 2º, ÚNICO ART. 17 ART. 29
FORNECEDOR (art. 3º) PF PÚBLICA NACIONAL TRANSFORMAÇÃO PJ PRIVADA ESTRANGEIRA IMPORTAÇÃO ENTES DESPERSONALIZADOS COMERCIALIZAÇÃO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PRODUTO (art. 3º, 1º) SERVIÇO (art. 3º, 2º) Habitualidade Profissionalidade Remuneração
POLÍTICA NACIONAL DE RELAÇÕES DE CONSUMO OBJETIVOS (ART. 4º) ATENDIMENTO ÀS NECESSIDADES DOS CONSUMIDORES; RESPEITO À SUA DIGNIDADE, SAÚDE E SEGURANÇA; PROTEÇÃO DE SEUS DIREITOS ECONÔMICOS; MELHORIA DE SUA QUALIDADE DE VIDA; TRANSPARÊNCIA E HARMONIA DAS RELAÇÕES DE CONSUMO.
1 Princípio da Dignidade da Pessoa Humana - Previsão: Art. 4 do CDC A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à dignidade, saúde e segrurança, a proteção de seus interesses econômicos,.. - Fundamento e Princípio Constitucional: Art. 1, III, CF/88.
2 Princípio da Proteção à vida, saúde e segurança - Previsão: Art. 4 e 6, Inciso I, do CDC. A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à dignidade, SAÚDE e SEGURANÇA, a proteção de seus interesses econômicos,.. A proteção da VIDA, SAÚDE E SEGURANÇA contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos.
- Artigo 6 da CF/88. São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. - É princípio e direito no CDC. - Assegura condições morais e materiais para o consumidor. (incluso aspecto psicológico).
3 Princípio da Proteção e Necessidade - Caráter protecionista Art. 1 CDC O presente Código estabelece NORMAS DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR, de ordem pública e interesse social, nos termos dos Arts. 5, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal e Art. 48 de suas Disposições Transitórias.
- Proteção do consumidor é justificativa para intervenção do Estado no domínio econômico. ( aquisição de certos produtos e serviços necessários). - Exemplo: Medicamentos e Alimentos (inclui aumento exagerado de preço). - Atrelado ao princípio da liberdade de agir e escolher.
4 Princípio da transparência - Previsão: Art. 4 do CDC A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como A TRANSPARÊNCIA e harmonia das relações de consumo,...
- Obrigação do fornecedor: fazer conhecer. - Em relação ao contrato: conteúdo. - É complementado pelo dever de informar: Art.6, III. A INFORMAÇÃO ADEQUADA E CLARA sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem.
- Previsão legal: Art. 46 do CDC Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de tomar CONHECIMENTO PRÉVIO DE SEU CONTEÚDO, ou se os respectivos instrumentos forem redigidos de modo a DIFICULTAR A COMPREENSÃO de seu sentido e alcance.
5 Princípio da Harmonia - Previsão legal: Art. 4, Inciso III, do CDC A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à dignidade, saúde e segrurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e HARMONIA das relações de consumo,...
HARMONIZAÇÃO dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da CF), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores. Exemplo: incentivo ao avanço tecnológico + criação de novos produtos = respeito à saúde, segurança.
6 Princípio da vulnerabilidade - Previsão: Art. 4, Inciso I, CDC. Reconhecimento da vulnerabilidade no mercado de consumo.
- Significado: parte mais fraca na relação de consumo. - CDC: Todo consumidor é vulnerável, mas nem todo consumidor é hipossuficiente.
A VULNERABILIDADE é um traço universal de todos os consumidores, ricos ou pobres, educadores ou ignorantes, crédulos ou espertos. Já a HIPOSSUFICIÊNCIA é marca pessoal, limitada a alguns - até mesmo a uma coletividade - mas nunca a todos os consumidores. (BENJAMIN, Antônio Herman de Vasconcelos. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado pelos Autores do Anteprojeto. 7.ED. São Paulo: Forense Universitária, 2001. PAG. 325)
A hipossuficiência, não é apenas econômica, devendo ser provada e avaliada com outros dados, como por exemplo, o seu grau de instrução, a natureza do serviço, dentre outras. A HIPOSSUFICIÊNCIA é critério de avaliação judicial para decisão que possibilita a inversão do ônus da prova em favor do consumidor. É direito básico do consumidor, no entanto, deverá ser analisado pelo juiz no caso concreto, assim a hipossuficiência poderá ocorrer de duas formas: ECONÔMICA, quando o consumidor tem dificuldades financeiras aproveitando-se o consumidor dessa condição ou PROCESSUAL, quando o consumidor demonstra dificuldades em produzir provas em juízo.
- A doutrina classifica três espécies de vulnerabilidade: a) ordem técnica (o que, quando e a maneira de produzir). b) ordem econômica (ausência de recursos que impossibilita o consumidor de debater frente a frente com o fornecedor). c) ordem jurídica ou científica (contabilidade, matemática. Ex: juros).
7 Princípio da boa-fé - Previsão: Art. 4 CDC Harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da CF), sempre com base NA BOA-FÉ e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores. - Em todas as fases da relação contratual.
Conceito: sinceridade, seriedade, veracidade, lealdade, honestidade e / transparência (partes) esperteza, lucro fácil, prejuízo ao outro, fraudes, abusos, etc... - Previsão no art. 51, IV do CDC
Art. 51: São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: Inciso IV: Estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou equidade.
8 Princípio da proteção contra publicidade enganosa ou abusiva - Previsão: Art. 6, IV, do CDC A proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços.
- Elemento essencial dos produtos e serviços: características, qualidade, funcionamento, preço, etc - Proibição de práticas abusivas: abuso do direito ou abuso de direito? - Abuso do direito: resultado/excesso/exercício/dano a outrem. - Rol exemplificativo: Arts. 39, 40, 41, 42, etc
- Previsão legal da publicidade enganosa ou abusiva: Art. 37, Parág. 1 e 2 do CDC. - Normas regulamentadoras da publicidade: Arts. 36 ao 38 do CDC. - Contra práticas comerciais abusivas: Art. 39 CDC. - Contrato de consumo com cláusula abusiva: Art. 51 do CDC.
9 Princípio da Conservação - Previsão implícita: Art.6, V A modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas
- Previsão explícita: Art. 51, Parág. 2 Art. 51: São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: Parág. 2: A nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato, exceto quando de sua ausência, apesar dos esforços de integração, decorrer ônus excessivo a qualquer das partes.
QUESTÕES1 - Acerca dos direitos e princípios que devem ser plicados na defesa do consumidor, assinale a opção correta de acordo com os regramentos estabelecidos pelo CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. a) Nos contratos de consumo, impõem-se, na fase de formação, mas não na de execução, a transparência e a boa-fé, a fim ser compensada a vulnerabilidade do consumidor b) É direito básico unilateral do consumidor a revisão de cláusula contratual excessivamente onerosa decorrente de fatos supervenientes, o que acarreta, como regra, a resolução do contrato celebrado c) Pelo princípio da restitutio in integrum, o contrato de consumo pode estabelecer limitações ou tarifamento para a indenização por prejuízo moral ou material, desde que razoável e proporcional. d) Conforme o princípio da coibição e repressão de práticas abusivas, o fornecedor, com o objetivo legítimo de aumentar suas vendas, pode valer-se de marca que se assemelhe a outra marca famosa e) O princípio da vulnerabilidade estabelece que todo e qualquer consumidor é a parte mais fraca da relação de consumo, sendo tal presunção absoluta
QUESTÕES 2 - Vários princípios informam as relações de consumo que são regulamentadas por lei especial no Brasil. Dentre esses princípios, podem ser identificados, os seguintes, exceto: a) boa-fé b) transparência c) prevenção d) veracidade e) ambivalência.
QUESTÕES 3 -. No âmbito do Código de Defesa do Consumidor, em relação ao princípio da boa-fé objetiva, é correto afirmar que: a) sua aplicação se restringe aos contratos de consumo b) para a caracterização de sua violação imprescindível se faz a análise do caráter volitivo das partes c) não se aplica à fase pré-contratual d) importa em reconhecimento de um direito a cumprir em favor do titular passivo da obrigação.
QUESTÕES 4 - Em relação aos princípios previstos no Código de Defesa do Consumidor, assinale a alternativa correta. a) O CDC é uma norma tipificadora de condutas, prevendo expressamente o comportamento dos consumidores e dos fornecedores. b) A boa-fé prevista no CDC é a boa-fé subjetiva c) O princípio da vulnerabilidade, que presume ser o consumidor o elo mais fraco da relação de consumo, diz respeito apenas à vulnerabilidade técnica d) O princípio da transparência impõe um dever comissivo e um omissivo, ou seja, não pode o fornecedor deixar de apresentar o produto tal como ele se encontra nem pode dizer mais do que ele faz; não pode, portanto, mais existir o dolus bonus
QUESTÕES 5 - No sistema das relações de consumo reguladas pelo Código de Defesa do Consumidor, a identificação de que existe um elo mais fraco na relação traduz o reconhecimento da: A) qualidade B) impessoalidade C) vulnerabilidade. D) referibilidade E) informalidade