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Transcrição:

1. OUÇAM A PRIMAVERA! Na Mata dos Medos há uma pequena clareira dominada por um pinheiro-manso 1 muito alto. É o largo do Pinheiro Grande. Um pássaro que por lá passarou pôs-se a cantar e acordou o Ouriço, que hibernava. Ouçam a primavera! cantou ele. Chegou o sol, que faz a vida girar, os dias claros e longos, que não gostam de acabar. O Ouriço esfregou os olhos e saiu para o largo. Depois de um inverno tão frio, apanhar sol havia de lhe cair bem. E, se arranjasse companhia, melhor ainda. Foi procurar o amigo Coelho, mas ele tinha saído cedo de casa. Havia uma folha de papel pregada na porta, onde estava escrito: Fui procurar rolhas. O Ouriço sabia ler, mal, mas sabia. No entanto, tinha suas dificuldades, sobretudo quando os avisos vinham com a letra trapalhona do Coelho. Olhou bem para o papel e, à primeira vista, pareceu-lhe que estava lá escrito Fugi procausa das bolhas. E à segunda vista também. Como não entendia o que o Coelho queria dizer com aquilo, arrancou o aviso e foi bater à porta da Toupeira, que era o que se chama um Bicho Muito Instruído. Embora tivesse alguns problemas de visão, lia e escrevia perfeitamente. Fui à procura de rolhas leu a Toupeira com o aviso quase colado aos olhos. Tens certeza? perguntou o Ouriço. Eu sei ler, mesmo quando a letra é a do Coelho. Mais alguma coisa? O Ouriço suspirou profundamente. Não. Estava a pensar que não é fácil ter um amigo que passa a vida a procurar rolhas de cortiça. 1 Essa árvore pode ser encontrada em toda a região mediterrânea. Seu nome científico é Pinus pinea. [N. da E.] 7

Para que quer ele tantas rolhas? quis saber a Toupeira. Bem disse o Ouriço, na verdade é um segredo, mas não é um Segredo Muito Grande. Por isso Conta! O Coelho tem medo do mar! Também eu disse a Toupeira. Quem é que não tem? Sim, mas ele está convencido de que o mar vai inundar a mata. A Mata dos Medos? Como é que pode ser? É uma cisma dele. As rolhas de cortiça são para fazer um colete salva-vidas. Essa é boa riu-se a Toupeira. O mar na Mata dos Medos! Ele diz que o mar já esteve aqui, que isto já foi mar e que, pelo menos uma vez, ele voltou para cá. Não está nos livros. Nem há quem se lembre de tal coisa. Eu sei disse o Ouriço. Mas ele é teimoso como um coelho. Bem, vou andando. Não queres apanhar sol comigo? Nem pensar recusou a Toupeira. Tenho um túnel para cavar e dois livros para ler. Mas espera aí! É impressão minha ou estás mais gordo? Pareces um monte de coisas. Isso é porque estou no meio de um monte de coisas. Cinco minhocas, dois besouros e duas centopeias mortas. Só coisas boas disse a Toupeira. Mas eu não encomendei nada. Quem terá sido? Talvez quem pôs um delicioso café da manhã com frutos silvestres à minha porta. Também puseram coisas boas à tua porta? Olarilolé! E à porta da casa do Coelho. Ainda estão lá. A Toupeira deu uma volta sem sair do lugar. 8

Essa também é boa. Quem terá sido? O Chapim 2? arriscou o Ouriço. Só ele tem tantas coisas guardadas. Mas não dá nada a ninguém. Talvez tenha mudado. Muita coisa muda na primavera. Não podiam perguntar ao Chapim, porque ele andava sempre a correr de um lado para o outro e, por isso, nunca estava em lado nenhum. Vou para casa disse a Toupeira. Preciso pensar mais a respeito. Tens certeza de que não queres apanhar sol? insistiu o Ouriço. Já te disse que não posso. Talvez o Caracol Não contes comigo disse o Caracol, que passava por ali. Estou de partida. Também vais procurar coisas? perguntou o Ouriço. Vou ver o mar. Outra vez? estranhou a Toupeira. Todos os anos partes para ver o mar e todos os anos voltas sem tê-lo visto. O Caracol parou. E daí? irritou-se. Faço sempre uma grande viagem, trago muito que contar. Se já tivesse visto o mar, não poderia partir agora para ver o mar. Mudemos, porém, de assunto: sabem quem pôs este belo lanche à minha porta? Isso queríamos nós saber disse a Toupeira. É um mistério acrescentou o Ouriço. O Caracol partiu para sua viagem, a Toupeira começou a levar as coisas para dentro e o Ouriço caminhou até o meio do largo, onde começavam a cair os primeiros raios de sol, a pensar no que havia de fazer. E o que podia fazer um Ouriço sozinho, no meio da mata, no princípio da primavera? Vou ouriçar disse ele para ninguém. E deitou-se de barriga para o ar a apanhar sol enquanto se babava todo e cantarolava a sua canção: 2 Conhecido também pelo nome de caldeirinha, esse passarinho, cujo nome científico é Parus major, é comum na Europa e na Ásia. Ele mede cerca de 15 cm de comprimento, tem a cabeça preta e branca e o dorso verde ou azul. [N. da E.]

Não fazer nada, não ir a lado nenhum, não pensar nisso sequer, que bom que é. Olarilolé! O sol a aquecer, as coisas a acontecer, e, no meio de tudo isso, um lindo ouriço sem ter nada que fazer a não ser ouriçar de barriga para o ar. O Ouriço estava concentrado no que não estava a fazer e não deu pela Lagarta, que se pôs ao lado dele e perguntou: O que estás a fazer? Nada respondeu ele sem se mexer. Ah! disse a Lagarta. E posso ficar aqui ao teu lado a fazer o mesmo? Podes. Mas não te chegues muito por causa dos picos. A menos que estejas interessada numa amizade picante. Ninguém está. Obrigada pelo aviso disse a Lagarta. Mas também não te podes chegar a mim, ou apanhas uma alergia e ficas com comichões na pele. O Ouriço voltou-se de repente e viu uma Lagarta peluda a olhar para ele. Quem és tu, Pequenita? Sou eu. 11