PORTIFOLIO VER-SUS POTIGUARAS

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Portfólio Ver-SUS Potiguaras Expandir-se de corpo, mente e espírito em 11 dias. É um tanto difícil resumir tudo que aconteceu nesses onze dias de vivência, palavras são muito curtas e fracas pra resumir os vários sentimentos que tomaram conta não só de mim, mas de todos os viventes que tiveram a imensa honra de participar desse programa. Como foi passado para nós em uma das musiquinhas que os facilitadores nos apresentaram durante a vivência O Ver-SUS não é tudo, é ponto de partida. Ele muda a vida, mudou a minha vida. Realmente foi um ponto de partida, e que ponto! E de fato mudou a minha vida, me deu um mar imenso de energia renovada pra lutar pelo que acredito. Confesso que não foi fácil realmente embarcar nessa viagem chamada Ver-SUS Potiguaras, estava na suplência e, com algumas desistências, acabei sendo chamada para participar. Não esperava esse chamado, na hora que soube fiquei eufórica com a notícia, mas logo após me vieram vários receios, principalmente por estar indo conviver vinte e quatro horas com sessenta e três pessoas que eu desconhecia totalmente. Enquanto pensava na possibilidade de ir o tempo foi correndo e, quando me dei conta, havia chegado o grande dia. Arrumei minhas malas, coloquei tudo dentro, para além das roupas, enchi também as bolsas de medo, afinal, quem não tem medo do novo? E assim fui pegar o ônibus em direção ao Centro de Formação Patativa do Assaré, no dia 8 de Janeiro de 2016, sem saber o que me esperava. Dos nossos medos nascem as nossas coragens, e em nossas dúvidas, vivem as nossas certezas. Os sonhos anunciam outra realidade possível, e os delírios outra razão. Nos descaminhos esperam-nos surpresas, porque é preciso perder-se para voltar a encontrar-se. (Eduardo Galeano)

Um novo lar a descobrir Após alguns contratempos, por volta dás 18h, chegamos finalmente ao Centro de Formação do MST Patativa do Assaré, que fica situado em uma pequena cidade chamada Ceará-Mirim, próxima a Natal. Logo de inicio vi que o ambiente não poderia ter sido mais bem escolhido, era um lugar calmo, parecido com aqueles sítios do interior, onde a natureza ficava bem próxima da gente. Fomos encaminhados para os alojamentos, as meninas para o feminino, os meninos para o masculino e a CPP para um terceiro alojamento. Cada qual escolheu seu quarto e lá se instalou. Após esse momento fomos encaminhados para a plenária, uma pequena reunião para sabermos como iria funcionar o Ver-SUS e como eram as regras do Patativa - mal sabíamos nós que, dali em diante, muitas e muitas plenárias ainda viriam, juntamente com a querida musiquinha : Vamos simbora agora pra plenária, vamos simbora agora pra plenária, vamos simbora agora pra plenária, êêêê pra plenária!. A CPP nos apresentou um pouco do que era o Ver-SUS, mostrando também parte do que veríamos dali em diante. Já Dedé, que fazia parte da organização desse centro de formação do MST, nos falou um pouco sobre as regras e sobre as tarefas que iríamos desempenhar no centro durante a vivência. Todos fizeram questão de frisar a fundamental importância da coletividade, dizendo que aquele espaço era de todos nós, e, sendo nosso, deveríamos zelar por ele. Além disso, foi também colocado que no espaço do Ver-SUS não seria tolerado nenhum tipo de preconceito ou opressão. Só esses pontos já começaram a fazer com que eu me encantasse por aquele ambiente. Após os informes ocorreu então o que mais me marcou naquela noite, a mística! Os facilitadores, guiados pelo grande Fernandinho - com sua viola de linda melodia-, nos colocaram em pequenas fileiras e nos guiaram até o pátio do Patativa. Chegando lá fizemos um grande circulo em volta de uma bela fogueira que já estava acesa, e nós, ainda regidos pelo som da viola, fomos, um a um, sendo vendados pelos facilitadores. Após todos estarem vendamos eles nos separaram do grande circulo, nos fazendo ficar próximos a outro grupo de pessoas. Quando todos já estavam separados em seus grupos, nos mandaram tirar as vendas, abraçar nossos colegas próximos, pois ali estávamos nos defrontando com nosso Núcleo de Base - NB -. Seria a esse pequeno grupo que iríamos nos aproximar mais, pois ficaríamos com tarefas em conjunto e nos reuniríamos mais frequentemente para discutir sobre as vivências.

Ainda na mesma noite vimos o quadro de horários dos viventes e o quadro de tarefas dos NBs e, veja só, meu NB ficou logo com a tarefa mais adorável do dia seguinte, a alvorada! Para organizarmos tudo pro dia seguinte, tivemos nossa primeira pequena reunião em NB. Voltando para o quarto, para enfim dormir, senti naquele ambiente o conforto do acolhimento dado, e meus medos, que ainda estavam guardados nas malas, já pesavam bem menos. A alvorada e a formação do nome e identidade dos NBs O segundo dia de vivencia para mim começou bem cedo, às 05h10min para ser mais exata. Meu NB no dia 9 havia ficado com a tarefa da alvorada, ou seja, tínhamos que passar de alojamento em alojamento acordando os colegas da forma mais carinhosa possível, diga-se de passagem às 6 horas, para que fosse servido o café da manhã. Meu NB teve uma pequena reunião para decidirmos qual seria a música que iríamos cantar para acordar nossos amigos, enfim escolhemos a musiquinha: Bom dia começa com alegria, bom dia começa com amor. O Sol a brilhar, as árvores a cantar, bom dia, bom dia, bom dia! Após acordarmos todos, era hora do café da manhã. Depois do café nos reunimos cada um em seu NB, para decidir qual seria a identidade do NB, dar um nome a ele e fazer uma palavra de ordem para o grupo, fazendo também alguma parodia/cartaz expressando a identidade daquele grupo. Meu NB primeiramente fez uma roda de apresentação, para nos conhecermos melhor e assim decidirmos o que seriamos. Após muita discussão, vimos o interesse pela luta antimanicomial como ponto comum, e para além, dessa muitas outras lutas também nos eram comuns, então, em um pequeno insight, veio a ideia de por o nome do grupo de Bicho de Sete Cabeças representando a luta antimanicomial e, para cada cabeça desse bicho, colocarmos uma luta que nos contemplasse. Assim foi, deu tudo certo, fizemos um desenho representando nossa ideia e nossa palavra de ordem ficou Saúde não se vende, loucura não se prende!. Vimos também o nascer de outros NBs, no caso o RESUSGIR, o Clara Camarão, o Urucum e o Primavera.

O momento da manhã foi, então, totalmente destinado aos NBs. Almoçamos e tivemos um pequeno intervalo pra o descanso e para a realização de tarefas. Às 14 horas meu NB, que era também responsável pela disciplina, foi chamar todo o pessoal nos alojamentos para que então se desse início a plenária. O tema do dia era Análise de Conjuntura e a plenária foi facilitada por Kell, com ela vimos aspectos a cerca da origem do SUS, de sua institucionalização, das mazelas provenientes do sucateamento do sistema de saúde e da problemática que envolve as privatizações e a mercantilização da saúde, também enfatizando a questão do SUS como um direito do povo e também qual seria o nosso papel, seja como estudantes/profissionais/cidadãos, diante da conjuntura atual. Depois do debate com Kell, saímos para o jantar. Voltamos para a plenária e participamos de uma pequena dinâmica elaborada pelos facilitadores Gerson e João, na qual colocaríamos dentro de uma mochila expressões do que era até então o Ver-SUS para nós e, ao final da vivência, pegaríamos de volta o papel e diríamos o que acrescentaríamos ou tiraríamos da bagagem de nossa pequena viagem. Eu escrevi um pequeno pseudopoema sobre: Somos todos um barco E navegamos Em busca do horizonte que está a nossa frente. Às vezes vamos com a ajuda dos ventos Às vezes contra a corrente. Quando paramos em um porto Só trazemos mais gente para dentro do barco Pois todos sabem: A viagem não para.

Com esse poema quis representar um pouco das lutas e da utopia que elas são, das adversidades que por vezes vem e faz com que nós esmoreçamos nelas. Mas temos que lembrar que as lutas são, sim, um forte barco, que não para na busca pela utopia. O que precisamos sempre é trazer mais tripulantes pra dentro desse barco, pra que o navegar seja um pouco mais fácil. A noite, quando cheguei a meu quarto, nem me lembrava mais que meus medos estavam presos na mala, não tinha dado falta deles o dia inteiro, era como se eu nem os tivesse trazido. A força dos debates tinham preenchido minha mente de forma completa, não estava sobrando espaço para nenhum receio ali. Era daquilo que eu necessitava, precisava daquele tipo de diálogo. Nenhum espaço antes tinha me dado tanto espaço e reflexão para pensar sobre assuntos que, para mim, eram tão caros.

Aprendendo mais sobre como funciona a sociedade No terceiro dia de vivência, dia onze de Janeiro, iniciou-se com uma mística feita pelo Urucum na plenária. A mística expressava um pouco das muitas falácias que por vezes são colocadas na mídia e em sala de aula. Inicialmente havia um ambiente bem tenso na sala, mas depois de explicado a mística, entendemos o sentido de tudo que foi feito ali. Após isto, deu-se inicio a plenária do dia chamada Como funciona a sociedade? com Paula Adissi, socióloga e militante. Essa foi uma das plenárias mais densas da vivência, mas também uma das mais marcantes, pois compreendemos muito do que é a sociedade e do que é o capitalismo dentro dela. Vimos o que estrutura nosso sistema capitalista, quais os processos históricos internos que o criou e que dão continuidade a ele, quais são as problemáticas dele quanto a classe trabalhadora e o valor da força de trabalho. Paula conseguiu trazer para nós de forma didática e breve quais são os mecanismos que estão entorno da sociedade e nos propôs uma bela reflexão sobre o concreto e o abstrato, trazendo para nós, como ponto fundamental para se decifrar as problemáticas sociais, o olhar crítico e histórico para a sociedade em que vivemos. Primeiro levaram os negros Mas não me importei com isso Eu não era negro Depois agarraram uns desempregados Mas como tenho meu emprego Também não me importei Em seguida levaram alguns operários Mas não me importei com isso Agora estão me levando Mas já é tarde. Eu também não era operário Como eu não me importei com ninguém Depois prenderam os miseráveis Mas não me importei com isso Ninguém se importa comigo. (Bertold Brecht 1898-1956) Porque eu não sou miserável

Ainda no final terceiro, dia assistimos a um filme para compreendermos ainda melhor as lutas da classe trabalhadora nesse sistema que lhe explora, dando em troca apenas o suficiente para que o trabalhador sobreviva mais um dia de trabalho. O nome do filme em questão era Braços cruzados, Maquinas paradas, tratava sobre uma greve de trabalhadores metalúrgicos. Constituinte JÁ! O quarto dia de vivencia do Ver-SUS tivemos a alegria de receber Floriza Soares, que nos falou sobre o sistema político brasileiro no dia 11 de janeiro. Floriza falou sobre a constituição do sistema político brasileiro e de sua semelhança com o sistema latinoamericano, devido a episódios históricos que marcaram não só a democracia brasileira mas a de toda America no caso, as ditaduras militares que ocorreram na America do sul por volta dos anos 60. Floriza nos passou também o modo de funcionamento representativo de nossa política e o quanto ela, de fato, não nos representa, visto que a maior parte da população brasileira é constituída por mulheres, negros/negras e classe proletária, e, no congresso, só uma minoria apresenta parte desse perfil. Sem falar que pessoas LGBT também não possuem representatividade no congresso. Se pararmos para analisar, a burguesia está organizada no congresso nacional e essa burguesia não representa a população. Foi mostrado também por Floriza as problemáticas que envolvem o financiamento político por empresas privadas e o que isso influencia projetos políticos dos financiados. Também foi colocado durante a plenária a dependência que se tem no Brasil do capital estrangeiro e, acima de tudo que foi falado, foi enfatizada a importância de uma constituinte exclusiva e soberana no sistema político brasileiro, para que o povo realmente tenha poder perante a política, fazendo um projeto de transformação para a democratização da vida em sociedade. Num segundo período, no caso a tarde, meu NB realizou uma mística quanto a viseira que por vezes é colocada em nós no meio político, essa viseira representaria a mídia e

tudo que nos impede de ver que quem está no poder, dentro do congresso nacional, muitas vezes não nos representa enquanto povo. Depois desta mística, Floriza sugeriu que cada NB trouxesse uma representação dos males que esse sistema político traz pra nossa vida cotidiana. CONSTITUINTE QUANDO? JÁ!

Somos nós, entrelaçados pelas opressões, espremidos, mas unidos. Realmente, este, para mim, foi o dia mais duro e forte de vivência no Ver-SUS. O dia foi totalmente voltado para o contexto de opressões, com espaços mistos e autoorganizados. O espaço sobre feminismo foi coordenado de forma bela por Ana Luz, Lissa Chrisnara e Kell Medeiros, o espaço LGBT por José Lima e André Cavalcante e o espaço sobre racismo por João Paulo e Kelly Oliveira. A primeira plenária foi sobre feminismo, inicialmente em espaço misto, falamos sobre o sistema patriarcal e o quanto ele oprime as mulheres porém, não só as mulheres -, falamos também sobre a influência do sistema capitalista na divisão de trabalho produtivo (feito pelos homens) e reprodutivo (feito pelas mulheres) e o quanto isso fere a mulher dentro da sociedade. No espaço auto-organizado não foi repassado para nós tanto conteúdo formativo, correu mais em forma de relatos individuais que representassem, para cada uma, uma forma de opressão sofrida pelo sistema patriarcal em sua vida. Já conhecia os modos de opressão desse sistema, já tinha um contato bem próximo com conhecimento acerca do feminismo, sou feminista, mas não ouve nada mais duro do que ouvir na voz delicada de cada uma daquelas meninas as opressões machistas, rudes e cruéis que elas sofreram dentro desse sistema. Reconhecia-me em cada fala e ouvia em cada voz uma dor diferente. Foi um momento extremamente duro, mas também renovador, renovou minhas energias para lutar contra essas opressões, renovou minha sororidade, e me fez descobrir que realmente não estou sozinha. Companheira me ajude que eu não posso andar só. Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor

Depois do momento sobre o feminismo, demos uma pequena pausa para o almoço e voltamos com a plenária sobre os LGBTs. Inicialmente com espaço misto, José facilitou nossa conversa e nos trouxe relatos sobre as opressões sofridas pelas pessoas LGBTs, principalmente nos lugares de socialização primária, como escola e família. Falou também sobre a influência da pré-determinação sexual que se dá aos indivíduos, a atribuição de características tidas como femininas e masculinas, as exigências opressivas do patriarcado sobre o que seria ser homem ou mulher, dentre outros pontos. No espaço auto-organizado LGBT, assim como no de mulheres, ocorreu mais uma troca de vivencias, de experiências e relatos sobre o que teria trazido cada um ao autoorgazinado. Novamente ouvi relatos muito fortes e emocionantes, que me tocaram muito enquanto LGBT, mas, principalmente, enquanto pessoa. Mas, o que me fortificou e me fez renovar novamente foi saber que, mesmo diante das mais difíceis adversidades, das mais fortes e profundas dores, aquelas pessoas continuavam ali, de pé, fortes. Espero que continuem sempre fortes e que lutem comigo, pra que, num futuro próximo, ninguém sofra dores como as que, em algum momento, sofremos. Pausa para o jantar e voltamos, pela terceira vez, para discutir mais uma opressão. Dessa vez o tema em questão era o racismo. Tínhamos pouco tempo pra debater sobre o tema, então falou-se mais tempo no espaço auto-organizado. No espaço misto foi abordando aspectos a cerca do que era o racismo, como ele é velado em nossa sociedade, de que forma ele oprime os indivíduos, entre outros aspectos de imensa importância, como a questão do extermínio da juventude negra em nosso país. O autoorganizado também transcorreu em forma de relatos individuais, onde cada um falou um pouco sobre suas histórias de vida e em que momento as opressões do racismo chegaram para cada um. Houve, novamente, relatos muito duros acerca das opressões sofridas, acho que nunca haverá nada suave quando se trata de opressão, mas o que mais me tocou foi ouvir relatos tão duros de pessoas tão lutadoras. Sei que eles continuaram lutando, eu também continuarei. Ao final de todas as plenárias, durante a noite, tivemos um pequeno momento de confraternização, uma pequena cultural, na qual houve um lanchinho coletivo, música, dança e muita alegria.

As Vivências Eis que então chega o primeiro dia de vivência! Acordamos logo cedo pra irmos nos direcionando pras comunidades quilombola, de trabalhadoras e trabalhadores rurais e terreiro de candomblé. Na divisão feita por NB acabei ficando com o Terreiro de Candomblé, o que me deixou muito satisfeita. Visitamos o terreiro de Babá Melqui, que fica em Extremoz RN. Lá encontramos um lugar tranquilo, onde há relação de hierarquia e, ao mesmo tempo, respeito e coletividade. Conhecer esse terreiro me proporcionou a quebra de qualquer tipo de estigma que um dia já tenha tido sobre religiões de Matriz Africana. Focando mais a vivência na relação da saúde dos indivíduos, observamos que o terreiro pode também ser um local de promoção de saúde, mesmo que informal, através de ervas e ritos próprios daquela religião. Para além dessa promoção informal, observamos também que os moradores daquela pequena comunidade do terreiro possuem pouco acesso à saúde básica, poucas vezes médicos vão a comunidade para fazer atendimentos, serviços básicos não são ofertados, pois o terreiro se encontra em uma localidade não coberta pela ESF. Para além de todas as possíveis problemáticas, adquirimos lá importante conhecimento vivencial para quando formos profissionais em saúde, para atendermos adequadamente e sem estigmas comunidades como essa. Após a visita, nos reunimos em NB para trocarmos as experiências vividas em cada uma das comunidades e, depois dessa troca de conhecimentos, fizemos uma pequena dinâmica em plenária sobre determinantes sociais. Após esse momento vimos um pequeno filme chamado O Ciclo Do Caranguejo, que tratava muito bem das historias de vida das pessoas de uma comunidade que dependiam da venda do caranguejo para sua sobrevivência, ampliando também a reflexão para outros pontos. Para finalizar o dia, José facilitou uma pequena oficina de Fanzines, meios de mídia alternativa para a divulgação de projetos/programas/ações mais ligado a militância, como meio de informação rápida e visual.

Modelo contra hegemônico de saúde. Mais um dia de vivencia que se inicia, dessa vez temos como ponto de partida: Consultório de rua, NASF, UBs, USF, e Grupo de promoção a saúde. Há muito tempo vinha tendo vontade imensa de conhecer como é o real funcionamento do NASF, alguns de meus colegas da psicologia fazem estágio nesse tipo de núcleo, por isso tinha imensa curiosidade em saber qual seria o papel do psicólogo neste local. Por sorte fui contemplada com a visita. Visitamos o NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) que fica situado na Unidade Básica de Saúde do Bairro Nazaré, em Natal. Fomos recebidos pela farmacêutica e pela assistente social do núcleo, que nos explicaram minuciosamente sobre o funcionamento. O NASF que visitamos era classificado como NASF 1, e apoiava cerca de 7 ESF do bairro de Nazaré e Felipe Camarão. No NASF há uma forma diferente de atendimento à comunidade, eles programam rodas de conversa com grupos de gestantes, hipertensos, diabéticos, idosos. Não há lá um regime de consultas com psicólogos, por exemplo, há sim um encaminhamento do caso para um terceiro órgão que cuidaria com mais eficiência aquela situação. Dentro das comunidades, como a de Felipe Camarão, eles possuem estratégias de apoio e prevenção, até mesmo em aspectos como o da violência doméstica, infantil e contra idosos. O NASF em questão trabalha principalmente com essas demanda de violência e saúde mental. Resumindo, conhecer o NASF e seu funcionamento foi uma experiência enriquecedora para mim como futura profissional, saber que há núcleos assim, com acompanhamento e estratégias de saúde em equipe multidisciplinar é magnífico e me faz crer num SUS popular e de qualidade. Após a vivência tivemos um momento de plenária com Victor Hugo, falando sobre um modelo contra hegemônico de saúde, Ele tratou de aspectos que já havíamos visto superficialmente, como o modelo saúde-doença, os modelos vanguardistas de promoção de saúde, falou um pouco também sobre o modelo cubano de saúde.

Saúde e privatização O oitavo dia era destinado as vivências de alta e media complexidade, nossas opções eram: HUOL Hospital Universitário Onofre Lopes, Hospital Municipal de Natal, CEO Centro de Especializações em Odontologia, UPA Unidade de Pronto Atendimento, Maternidade e SAMU. Fui destinada para o HUOL e fiquei muito interessada em conhecer o local, alguns amigos já tinham passado pela estrutura e gostaria de conhecer como seria seu funcionamento, tendo também bastante curiosidade quanto a instituição da EBSERH naquele local. Confesso que fiquei decepcionada com essa vivência. Logo de inicio tomamos um chá de cadeira de quase uma hora, sobrando assim pouco tempo pra visita de fato. Quando o administrador digamos assim- do hospital chegou para nos atender, ao invés de nos mostrar o hospital em si, nos mostrou apenas vídeos e slides promocionais sobre a instituição, não chegando ao ponto que queríamos realmente abordar. Ao perguntar, então, sobre questões físicas e administrativas com a instituição da EBSERH, o administrador não conseguiu nos responder de forma clara e concisa, enfim, foi frustrante. O lado positivo de tudo foi a discussão e problematização que fizemos sobre isso quando nos reunimos em NBs a cerca da privatização dos sistemas de saúde, além de termos também conhecido as experiências positivas de nossos colegas em outros locais.

Saúde mental Para mim esse era o dia de vivencia mais esperado, pois tratava de fato da minha área de estudo como futura psicóloga. Tínhamos os seguintes lugares pra visitar: Hospital Psiquiátrico João Machado, Residência Terapêutica Oeste e Leste, CAPSI e CAPSAD. Estava torcendo muito pra que, na divisão, eu caísse dentro dos que iriam para o Psiquiátrico João Machado, mas infelizmente não foi dessa vez. Fiquei com o CAPSI. Infelizmente, quando fomos visitá-lo, o CAPSI não estava em funcionamento, não estavam ocorrendo atendimentos às crianças, pois era um sábado. Mesmo assim, valeu apena visitar a instituição. Conhecemos um local lindo, amplo, bem estruturado e com uma grande equipe. Vimos que ali as crianças e as famílias das crianças eram bem atendidas, haviam varias atividades endereçadas as crianças de todas as faixas etárias, inclusive o CAPSI em questão também era um CAPSIAD. Foi uma boa experiência de aprendizado profissional, afinal, talvez no futuro eu trabalhe numa instituição como essa. Após esse momento de vivencia voltamos para o Centro de Formação, almoçamos, e tivemos novamente plenária às 14 horas com Ana Karenina, o tema era "Um resgate sobre história da reforma psiquiátrica". Neste dia meu NB foi o responsável pela mística, decidimos então ler um poema de Stela Do Patrocínio chamado o tempo é o gás, o ar, o espaço vazio. Fizemos também um clima tenso, no qual iríamos oprimir os viventes e gritar palavras sobre como e porque eles tinham que ficar ali, no manicômio: É dito: pelo chão você não pode ficar Porque lugar da cabeça é na cabeça Lugar de corpo é no corpo Pelas paredes você também não pode Pelas camas também você não vai poder ficar Pelo espaço vazio você também não vai poder ficar Porque lugar da cabeça é na cabeça Lugar de corpo é no corpo Pra estar olhando pro gás pras paredes pro teto Ou pra cabeça deles e pro corpo deles Eu não tinha onde fazer nada dessas coisas Fazer cabeça, pensar em alguma coisa Ser útil, inteligente, ser raciocínio Não tinha onde tirar nada disso Eu era espaço vazio puro Não sou eu que gosto de nascer Eles é que me botam para nascer todo dia E sempre que eu morro me ressuscitam Me encarnam me desencarnam me reencarnam Me formam em menos de um segundo Se eu sumir desaparecer eles me procuram onde eu estiver Não deu tempo Eu estava tomando claridade e luz Quando a luz apagou A claridade apagou Tudo ficou nas trevas Na madrugada mundial Sem luz

Após esse momento de mística Anna Karenina conduziu o diálogo sobre a reforma psiquiátrica e os sistemas de apoio que foram criados para substituiu a hospitalização daqueles que tinham problemas mentais. Após isso, reproduziu um trecho do documentário intitulado Holocausto Brasileiro - Manicômio de Barbacena. Após isso ela pediu pra que relatássemos um pouco sobre nossas vivencias e, dentre todas as citadas, a mais impactante para foi a visita ao João Machado. Pelos relatos dados, as pessoas que lá vivem são completamente esquecidas pelas políticas públicas e pela sociedade, vivem em locais sujos, com roupas sujas, sem a menor dignidade. São altamente medicados, muitas vezes também agredidos. O manicômio é uma prisão. A partir deste diálogo em plenária soube ainda mais da verdadeira e profunda importância da luta antimanicomial, e hoje, como estudante de psicologia e futura psicóloga, me dou a ela. Na noite deste mesmo dia, João Paulo facilitou uma oficina de stencil, para produzirmos e pintarmos nossas camisas com lutas que nos representam.

Saúde do trabalhador Neste penúltimo dia de Ver-SUS e ultimo dia de vivência fomos visitar a comunidade Jacoca. Lá conhecemos um pouco sobre a agroecologia/agricultura familiar que o MST propõe, vimos pequenas plantações da comunidade, um pequeno rio que corre perto da plantação e espaços comunitários que o MST e a comunidade utilizam para fazer suas reuniões/plenárias. Quando chegamos da visita fizemos uma pequena pausa e voltamos para a plenária, para facilitar e passar seus conhecimentos sobre saúde do trabalhador estava presente um representante nacional da CUT, Geoderci. A tarde na plenária tivemos a participação magnífica de Ilena Barros, que falou de forma esplendida sobre a questão agrária e a reforma agrária, resaltando a importância dessa luta em músicas, fotos e poemas. A noite tivemos um curto debate com Bruna Massud sobre questão urbana e direito à cidade. Ela nos passou alguns textos curtos que expressavam bem o que estava atrelado a essa questão do direito a cidade, juntamente com a questão das opressões, no caso falamos sobre o direito a cidade para a mulher, para o negro e para o LGBT.

Só a luta muda à vida Tivemos ainda uma pequena plenária com Arthur (facilitador) e Rosa (do MST) sobre qual a real importância das lutas na vida e na história dos sujeitos e, juntamente a isso, falaram sobre a importância da militância, da organização e dos movimentos sociais emprol de uma sociedade mais igualitária, honesta e digna para todos. No mesmo dia tivemos com José (facilitador) um importante debate sobre mídia e sobre democratização da mídia nacional, falou-se também sobre as mazelas que esse monopólio midiático nos traz e a quem pertence esse monopólio, relatando também a quais interesses a mídia nacional se dirige. Arruma a mala aê! É com muitas saudades que nos despedimos do Ver-SUS no último dia de vivência. Meu NB, responsável pela alvorada no último dia, teve a grande tarefa de acordar todos os viventes cedinho depois de uma noite de cultural. Para isso, pedimos licença a Roberta Miranda e cantamos Arruma a mala aê para acordar nossos queridos companheiros e companheiras. Após isso tivemos o momento do café e a finalização das dinâmicas feitas por Gerson e João, avaliando um pouco do que foi o Ver-SUS pra nós viventes, o que ele acrescentou na nossa vida enquanto cidadãos e futuros profissionais da saúde. Depois desta pequena avaliação fomos arrumar o espaço do Centro de Formação do MST Patativa do Assaré, limpamos e organizamos tudo. Após esse momentos nos dirigimos para a última plenária, tivemos lá a descoberta dos camaradas clandestinos - uma espécie de amigo secreto que tínhamos feito logo no inicia do Ver-SUS. Por fim aconteceu a mística final, nela cantamos uma música com a ajuda da linda viola de Fernandinho, e, como no primeiro dia, regidos pelo som da viola, nos comprometemos uns com os outros a lutar por um projeto popular, por uma saúde popular, por terra e teto para aqueles que não têm, por uma sociedade sem manicômios, nos comprometemos a lutar contra o machismo, o racismo, a homofobia, lutar por uma mídia democrática, pela constintuinte... enfim, nos comprometemos a lutar! Tudo aconteceu num certo dia Hora de ave maria o universo vi gerar No princípio o verbo se fez fogo Nem atlas tinha o globo Mas tinha nome o lugar Era terra, terra

Considerações finais Agradeço imensamente a oportunidade de ter participado do Ver-SUS Potiguaras, esses onze dias de vivencias foram fundamentais para todos que tiveram o privilégio de participar desse projeto magnificamente regido, nesse módulo do RN, pelo Levante Popular Da Juventude, que nos possibilitou uma formação social e política encantadora, nos fazendo primeiro pensar criticamente sobre a sociedade na qual vivemos para, então, adentrar com o conhecimento sobre o Sistema Único de Saúde do Brasil, não deixando assim nenhum conhecimento solto ou dando conteúdo desnecessário. Tudo que nos foi passado durante a vivência foi de profunda importância não só no âmbito profissional/acadêmico, mas, principalmente, foi imprescindível para a nossa formação pessoal aprendendo a viver em coletividade e para nossa formação como cidadãos brasileiros. Agradeço ainda o carinho e a atenção dada pelos facilitadores (principalmente aos meus, Walesca e João) e a CPP, vocês foram incríveis! Saio desse estágio de vivência com energia totalmente renovada e com mente e espírito expandidos para abraçar todas as lutas. Saio também conhecendo muito mais sobre o nosso sistema de saúde, que é um dos melhores do mundo e que é direito do povo brasileiro, e que devemos lutar com unhas e dentes por ele. A meus colegas viventes (principalmente os do meu NB), saibam que vocês são pessoas maravilhosas, amei conhecer cada um. Carrego hoje uma mala cheia de experiências positivas, cheia de histórias de vida, cheia de amigos, cheia de conhecimento e repleta de energia boa..