PROTOCOLO PARA NECRÓPSIA EXAME PÓS-MORTEM A importância de um exame post-mortem completo, para o monitoramento de doenças tanto de populações selvagens ou em cativeiro não pode ser subestimada. Os animais devem ser necropsiados, preferencialmente, logo que possível após a morte. O crescimento bacteriano começa logo após a morte dificultando o isolamento de agentes patogênicos que possam estar envolvidos na morte do animal. As carcaças devem ser refrigeradas até que o exame possa ser realizado. Isto irá retardar o crescimento bacteriano e diminuir a autólise dos tecidos. Se não for possível realizar a necrópsia dentro de cerca de 2 dias, a carcaça deve ser congelada. Isto, no entanto, muda muito a arquitetura microscópica dos tecidos, dificultando o exame histopatológico. Portanto, uma grande quantidade de informações valiosas poderá ser perdida se a carcaça for congelada. A necrópsia ideal deverá incluir um exame macroscópico completo da carcaça e dos órgãos internos, exames parasitológicos, exame histológico de cada tecido. Além disso, as culturas de agentes patogênicos, tais como bactérias, fungos e vírus são muitas vezes indicados. Abaixo está um exemplo de um protocolo de necrópsia para lontras, bem como uma forma de relatório da necrópsia. PROTOCOLO DE NECRÓPSIA Coleta Sanguínea A coleta sanguínea antemortem para um banco se soro é recomendada para todos os animais que serão eutanasiados. Colete sangue suficiente para obter no mínimo 5 ml de soro. A coleta de sangue pós-mortem pode ser realizada em indivíduos que morram recentemente. Radiografias Radiografias ventro-dorsal e lateral do abdômen devem ser realizadas em todas as lontras que vierem a óbito. Urolitíase (pedras nos rins e bexiga urinária) é relativamente comum em algumas espécies de lontras. Radiografias podem ajudar a documentar o grau de urolitíase no momento da morte. Exame Pós-mortem Macroscópico Um veterinário deverá realizar o exame pós-mortem o mais rápido possível após a morte do animal. Um relatório padronizado incluso no final dessa seção pode ser usado para a anotação dos resultados. Manipulando Lesões Patológicas Culturas: Culturas (aeróbicas, anaeróbicas e fúngicas) devem ser realizadas de todas as lesões antes que elas sejam contaminadas.
Tecidos congelados: Amostras de tecidos lesionados devem ser congelados a -20º ou -70ºC. Histopatologia: Assegure-se que todas as leões foram coletadas para o exame histopatológico. Tecidos Fixados em Formol Os tecidos devem ser coletados e colocados em formol a 10%. Todos os tecidos devem ser colocados juntos em um mesmo recipiente, com um volume de no mínimo 10 vezes o volume dos tecidos. Os tecidos coletados não devem ter mais que 3 cm 3. Uma lista com todos os tecidos coletados deve ser feita em papel vegetal escrita a lápis e colocada dentro do recipiente. Histopatologia Os tecidos fixados devem ser enviados a um patologista, preferencialmente um que tenha experiência com animais silvestres. Tecidos Congelados Cortes de 3-5 cm dos seguintes tecidos devem ser congelados em sacos plásticos a -20º a -70ºC. Fígado Cérebro Soro (antemortem ou pósmortem) se possível Cortes de todas as lesões Neonatos, Natimortos, Abortos No caso de neonatos, natimortos e abortos, além do protocolo de necrópsia padrão, deve-se incluir o seguinte: Peso, comprimento cabeça-base da cauda e sexo. Estimativa de grau de maturidade (1, 2, ou 3 º trimestre). Determinar o coto umbilical e tecidos circundantes. Obter culturas bacterianas antes de fixar se houver evidência de infecção. Verifique cuidadosamente a evidência de deformidades congênitas (fenda palatina, membros deformados, defeitos cardíacos, atresia anal, etc). Avaliar hidratação (umidade do tecido) e evidência de amamentação (leite no estômago). Determinar se ocorreu respiração (se os pulmões flutuam em formalina). Observe se há mecônio (fezes) no cólon / reto. Fixar a placenta se disponível. Primeiro fazer cultura, se indicado. Tecidos que devem ser colocados em formol 10%: Pele: espessura total da pele abdominal. Músculo esquelético: coxa medial, com o nervo ciático. Língua: seção transversal perto da ponta, incluindo ambas as superfícies das mucosas.
Traquéia Tireóide/paratireóide Timo: uma seção representativa. Pulmões: seção de vários lobos, incluindo brônquio principal. Coração: seção longitudinal incluindo átrio, ventrículo e válvulas cardíacas tanto do coração direito e esquerdo. Inclua os grandes vasos. Aorta Glândula salivar Trato gastrointestinal: seção de 2-3 cm de comprimento do esôfago, estômago (cárdia, antro, piloro), duodeno, íleo, cólon, omento. Abra cuidadosamente ao longo do eixo longitudinal. Linfonodos: cervical, braquial e mesentérico, cortes transversos. Fígado: Seções de todos os lobos com a cápsula e vesícula biliar. Adrenal: corte transverso. Trato reprodutivo: útero inteiro e ovários com corte longitudinal. Testículos inteiros com corte transverso, próstata inteira com corte transverso. Pâncreas seção representativa. Fígado: cortes transversos incluindo a cápsula. Rins: seções de ambos rins (córtex, medula e pelve). Bexiga urinária/ureter/uretra: cortes transversos da bexiga, seção de 2 cm dos ureteres, seção transversal da uretra. Olhos: deixar intactos Cérebro, incluindo cerebelo: Fatias longitudinais ao longo da linha média. Glândula pituitária: coletar a glândula inteira, incluindo dura. Osso longo: coletar ½ do fêmur. Glândula mamária Diafragma Medula espinhal: seção de 1 cm da medula cervical.
Relatório de Necrópsia Instituição onde a lontra estava abrigada ou local onde foi encontrada: Nome comum: Identificação: Gênero/espécie: Necrópsia: Data de nascimento: Idade: Idade estimada: Peso: Sexo: Comp., ponta do nariz a base da cauda: Comp. Ponta do nariz a ponta da cauda: Data do óbito: Data da necrópsia: Exame macroscópico realizado por: Histopatologia realizada por: Coleta de tecido: SIM NÃO Formol 10% Congelado Outros: HISTÓRICO (Incluir sinais clínicos, tratamentos, resultados de testes antemortem, dieta, circunstâncias da morte e quarentena). Estudos Laboratoriais: (Anexar resultados dos seguintes exames:) Hematológico Bioquímico Citológico Análise de fluídos Bacteriológico Micológico Virológico Urinálise Parasitológico Toxicológico Análise de urólitos Fotográfico Outros
Radilogia Cálculos urinário SIM NÃO Rin esq. qtd. Tamanho Rin dir. qtd. Tamanho Bexiga urinária: qtd. Tamanho Exame Macroscópico (listar cada lesão separadamente. Incluir órgão, tipo de lesão, distribuição, severidade, etc.) Diagnóstico Histopatológico: Ver relatório anexado Não foi realizado Diagnóstico Final: Sumário/Comentários: EXAME MACROSCÓPICO
Condição Geral (aparência externa, condição da carcaça, condição física e nutricional, pelagem, reserva de gordura subcutânea, orifícios corpóreo, linfonodos superficiais.) Sistema Músculo-esquelético: (Ossos, músculos, articulações) Cavidades Corpóreas: (Reservas de gordura, fluído abdominal) Hemolinfático: (Baço, linfonodos, timo) Sistema Respiratório: (Cavidade nasal, laringe, traquéia, brônquio, pulmões, linfonodos regionais) Sistema cardiovascular: (Coração, pericárdio, grande vasos)
Sistema Digestivo: (Boca, dentes, esôfago, estômago, intestinos, fígado e vesícula biliar, pâncreas, linfonodos mesentéricos) Sistema Urinário: (Rins, ureteres, bexiga urinária, uretra) Sistema Reprodutivo: (testículos, pênis, prepúcio, ovários, útero, oviduto, vagina, glândulas sexuais acessórias, placenta) Sistema Endócrino: (Adrenais, tireóide, paratireóide, pituitária) Sistema Nervoso e Sensorial: (Cérebro, medulla espinhal, nervos periféricos, olhos, ouvidos)