CIRCULAR INFORMATIVA Nº 240

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Transcrição:

CIRCULAR INFORMATIVA Nº 240 FISCALIDADE 22-12-2015 RECIBOS ELETRÓNICOS PRAZO DE EMISSÃO PRORROGADO ATÉ DEZEMBRO Exmos. Senhores Associados, A emissão dos recibos de renda eletrónicos e o registo dos contratos de arrendamento no Portal das Finanças passarão a ser obrigatórios a partir do dia 31 de dezembro, depois de um período transitório (com início a 1 maio), durante o qual o sistema foi facultativo para permitir a adaptação dos proprietários às novas regras. Relembramos que se trata de uma segunda prorrogação, sendo que na primeira o prazo terminaria a 1 de novembro. As situações abrangidas pela prorrogação do prazo são as seguintes: - inscrição de contratos de arrendamento na plataforma eletrónica do Ministério das Finanças; - a emissão de recibos eletrónicos pelos senhorios; e - registo de contratos de empresas de fornecimento de serviços nas áreas da energia, de telecomunicações e de água. De acordo com o artigo 116º do Regime Geral das Infrações Tributárias (RJIT), a falta de entrega dos recibos, bem como a sua entrega fora do prazo, é punível com coima que varia entre os 150 e 3750. Recorde-se que para poder emitir o recibo de renda eletrónico a enviar ao inquilino será necessário ter acesso ao Portal das Finanças e ter registado o respetivo contrato de arrendamento indicando os Elementos Mínimos do Contrato.

Recordamos que são considerados Elementos Mínimos do Contrato, designadamente: a) A identificação das partes no contrato Números de identificação Fiscal dos Locador/locatário, Sublocador/sublocatário (Senhorio/inquilino), Cedente/cessionário; b) A identificação do objeto do contrato imóvel (identificação matricial); c) O tipo de contrato arrendamento/subarrendamento/promessa de arrendamento com entrega do bem locado/cedência de uso de prédio que não arrendamento/aluguer de maquinismos associados ao bem locado; d) A finalidade do contrato habitacional (permanente) / habitacional (não permanente) / não habitacional; e) A data de início do contrato; f) O valor da renda; g) A periocidade da renda. Quem tem de emitir recibos de renda eletrónicos? Os titulares de rendimentos prediais (categoria F) que recebam mais de 838,44 anuais (duas vezes o valor do Indexante dos Apoios Sociais) de rendas, ou seja, acima de 69,87 mensais, ficam obrigados a emitir recibos de renda por via eletrónica no Portal das Finanças pelos valores recebidos ou colocados à disposição, ainda que a título de caução ou aditamento. Existem exceções? Sim. Existem três casos em que se verifica a dispensa de emitir recibos de renda eletrónicos: - Senhorios com idade igual ou superior a 65 anos. Neste caso, os proprietários podem entregar até ao final de janeiro do ano seguinte uma declaração de rendas nos serviços de finanças ou na Internet; - Proprietários que recebam menos de 838,88 por ano de rendas e que, cumulativamente, não possuam nem estejam obrigados a possuir caixa de correio eletrónico; - Rendas relativas aos contratos abrangidos pelo Regime de Arrendamento Rural. Qual o valor das coimas pela não emissão dos recibos via eletrónica? Os senhorios não cumpridores ficam, a partir de agora, sujeitos a uma coima que varia entre os 150 e os 3750, de acordo com o Regime Geral das Infrações Tributárias (RGIT).

A emissão do recibo de renda eletrónico é obrigatória apenas para os rendimentos provenientes de contratos de arrendamento? Não. A emissão do recibo de renda eletrónico é obrigatória para: a) As importâncias relativas à cedência do uso do prédio ou de parte dele e aos serviços relacionados com aquela cedência, onde se inclui o arrendamento, bem como a promessa do arrendamento com a entrega do bem locado; b) As importâncias relativas ao aluguer de maquinismos e mobiliários instalados no imóvel locado; c) A diferença, auferida pelo sublocador, entre a renda recebida do subarrendatário e a paga ao senhorio; d) As importâncias relativas à cedência do uso, total ou parcial, de bens imóveis para quaisquer fins especiais, designadamente publicidade; e) As importâncias relativas à cedência do uso de partes comuns de prédios em propriedade horizontal. O que acontece se só começar a emitir recibos eletrónicos a partir de janeiro? Apesar de a portaria ter efeitos a partir de maio, o Governo deu mais tempo aos senhorios para se adaptarem à nova realidade. Assim, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais assinou um despacho que dita que os senhorios podem continuar a passar recibos de quitação em papel até dezembro sem pagar coimas. Para isso, têm de regularizar a comunicação eletrónica a partir do dia 1 de janeiro. Refira-se que deverão ser passados os recibos eletrónicos dos meses compreendidos entre janeiro e dezembro. O que acontece se aceder ao Portal das Finanças para emitir um recibo de renda eletrónico e indicar que o contrato é de arrendamento e com efeitos em data posterior a 31 de março de 2015? Nesta situação, se não foi liquidado o Imposto do Selo deste contrato, deve entregar a declaração modelo 2 do Imposto do Selo.

Posso autorizar um terceiro a emitir recibos de renda eletrónicos em meu nome? Sim. Para contratos de arrendamento com data posterior a 1 de abril de 2015, o proprietário pode autorizar um terceiro a emitir o recibo de renda eletrónico, identificando-o no Quadro VII da declaração modelo 2 do Imposto do Selo. No caso dos contratos de arrendamentos celebrados e com efeitos antes de 1 de abril de 2015, a autorização deverá ser feita na área pessoal do proprietário no Portal das Finanças=> serviços tributários => serviços tributários => entregar => arrendamento => (proceder à autenticação com o NIF e senha de acesso) => Emitir recibo de renda. Mesmo que autorize um terceiro a emitir o recibo de renda eletrónico, a responsabilidade pelo cumprimento (ou não) desta obrigação recai sempre sobre o senhorio. E esta autorização permite o acesso a todas as minhas informações fiscais? Não. A autorização limita-se ao cumprimento da emissão do recibo de renda eletrónico e registo das alterações dos contratos associados, sendo que a pessoa autorizada para este efeito utiliza a sua senha pessoal de acesso ao Portal das Finanças, não lhe sendo permitida a consulta de quaisquer dados fiscais. Como devem proceder as pessoas/entidades legalmente mandatadas por procuração para a emissão dos recibos de renda eletrónicos em substituição/representação dos proprietários? E quais as obrigações a que estão sujeitas? Estas pessoas/entidades mandatadas por procuração devem dirigir-se a qualquer Serviço Local de Finanças, acompanhados dos documentos que lhes conferem os poderes bastantes, para que os Serviços verifiquem e registem a autorização em causa para efeitos do cumprimento da obrigação da modelo 2 do Imposto do Selo e da emissão do recibo de renda eletrónico. Existe obrigação de emissão do recibo de renda eletrónico nos casos em que o inquilino não pagou a renda? Não. Como o recibo de renda eletrónico é um documento de quitação (prova de pagamento), o mesmo só deve ser emitido quando existir um recebimento de renda.

Sendo emitido o recibo de renda eletrónico e caso o inquilino não pague a renda, é possível anular esse recibo? Sim, é possível a anulação de recibos de renda eletrónicos até ao final do prazo de entrega da declaração de IRS Modelo 3 do ano a que respeitam as rendas a anular. Essa anulação tem de ser solicitada pelo emitente do recibo no Portal das Finanças e determina a comunicação desse facto, pela Autoridade Tributária e Aduaneira, à pessoa/entidade a quem o recibo havia sido emitido. Em dezembro emito um único recibo no valor das rendas recebidas até à data no ano de 2015? Não. Deve emitir individualmente os recibos. É possível anular um recibo de renda eletrónico? Sim, é possível anular o recibo de renda eletrónico até ao final do prazo de entrega da declaração de IRS do ano a que respeitam as rendas a anular. No caso dos contratos de arrendamento de imóveis em copropriedade, se um dos senhorios tiver menos de 65 anos existe a obrigatoriedade de emitir recibo? Sim. Os proprietários com menos de 65 anos estão obrigados à emissão do recibo de renda eletrónico pela sua quota-parte ou, se assim desejarem, pela totalidade da renda. A dispensa da obrigação da emissão do recibo é pessoal, pelo que apenas quem tem idade superior a 65 anos fica excluído daquela obrigação. Sou proprietário de um imóvel que arrendei com efeitos a partir de uma data posterior a 31 de março de 2015. O que tenho de fazer para emitir os recibos de renda eletrónicos? Neste caso, está obrigado à apresentação de uma declaração modelo 2 para liquidação do Imposto de Selo, através da qual procede ao registo e caracterização do contrato, o qual fica registado na base de dados da Autoridade Tributária. Deste modo, para a emissão dos respetivos recibos de renda eletrónicos basta aceder ao Portal das Finanças => serviços tributários => serviços tributários => entregar =>

arrendamento => (proceder à autenticação com o NIF e senha de acesso) => Emitir recibo de renda. Vários inquilinos implicam vários recibos? Não é obrigatória a emissão de um recibo por inquilino. O senhorio pode emitir um recibo único para todos os inquilinos com a totalidade da renda recebida. No entanto, também pode emitir um recibo para cada inquilino indicando a quota-parte paga. Nas heranças indivisas em que o cabeça de casal tem mais de 65 anos e os restantes herdeiros são mais novos, a emissão de recibo eletrónico é ou não obrigatória? Quando esteja em causa o arrendamento de imóveis que sejam propriedade de heranças indivisas, os recibos eletrónicos de rendas devem ser emitidos pelos co-herdeiros, nas respetivas quotas-partes ou pelo cabeça de casal, pelo que deverá ser esse o procedimento adotado. Ora, se os herdeiros optarem por apresentar cada um deles o recibo eletrónico, então o que tem idade superior a 65 anos estará dispensado de o fazer. Se, pelo contrário, optarem por apresentar um único recibo, pelo cabeça de casal, entendemos que é irrelevante a idade deste, já que está a exercer uma obrigação da herança. No caso de rendimentos prediais pertença de um condomínio, quem tem o dever de comunicação dos elementos do contrato e de emissão do recibo eletrónico? O Administrador do Condomínio eleito em assembleia geral, nos termos da lei civil, deve emitir os recibos. Para tal, deve dirigir-se a qualquer Serviço Local de Finanças acompanhado da ata em que foi nomeado e que lhe confere os poderes bastantes para que os Serviços verifiquem e registem a autorização em causa para efeitos do cumprimento da obrigação da modelo 2 do Imposto do Selo e da emissão do recibo de renda eletrónico. Pode haver dispensa da obrigação de emissão de recibo eletrónico para rendimentos prediais decorrentes de partes comuns de prédios em regime de propriedade horizontal? No caso dos condomínios (prédios em regime de propriedade horizontal) não existe dispensa da obrigação de emissão de recibo de renda eletrónico relativamente aos rendimentos da categoria F provenientes das partes comuns do prédio.

Por quanto tempo ficam disponíveis os recibos no portal das Finanças? Os recibos de renda eletrónicos serão preenchidos e emitidos no Portal das Finanças: ficam disponíveis durante quatro anos para consulta pelos emitentes, titulares dos rendimentos e entidades obrigadas ao pagamento. Para aceder é necessária autenticação individual. Para qualquer esclarecimento adicional, ou comentários, agradecemos que contactem Gabinete Jurídico da ARAC, o qual se encontra ao vosso inteiro dispor. Com os melhores cumprimentos O Secretário-Geral Joaquim Robalo de Almeida