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MATEMÁTICA ÍNDICE Potenciação... 2 1

2 Atualidades Matemática Potenciação Quando multiplicamos várias vezes um número por ele mesmo, podemos escrever essa multiplicação como uma potência, a fim de reduzir a expressão. Nomenclatura Chamamos o x de base e o y de expoente. Ex.: elevar o número 2 ao expoente 5 significa multiplicar o 2 por ele mesmo 5 vezes. Todo número elevado a zero é igual a 1 por definição. Ex.: 4 3 = 3.3.3.3 = 81 3 5 = 5.5.5 = 125 2 ( 3) = ( 3).( 3) = 9 4 3 = 3.3.3.3 = 81 4 ( 2) = ( 2).( 2).( 2).( 2) = 16 3 2 2 2 2 8 =.. = 3 3 3 3 27»» Expoente Inteiro Negativo Em matemática, o expoente -1 é utilizado para simbolizar o inverso, e, quando falamos em inverso de um número, estamos falando em inverter a fração. 2 1 1 = 2 3 1 1 5 = = 5 125 3 2 2 2 3 9 = = 3 2 4»» Expoente Fracionário Quando o expoente é uma fração, transformamos a potência em um radical. x Ex.: 2 y y x 3 3 2 a = a 8 = 8 = 4»» Propriedades da Potenciação 01 x y x y I. a.a = a + multiplicação de potências de mesma base: conservamos a base e somamos os expoentes. a II. a base: conserva base subtraímos os expoentes. x III. ( ) y x.y b = b potência de uma potência: conserva a base e multiplica os expoentes. x x y = a divisão de potências de mesma y IV. ( ) x x x a.b = a.b V. x a a = b b Ex.: 4 5 9 3.3 = 3 5 = 5 ( ) 5 1 2 x x Exponenciais»» Equações exponenciais Uma equação é exponencial se tiver uma variável no expoente. Para resolver uma equação exponencial, temos que tentar igualar as bases para poder cortar as mesmas, a fim de poder igualar os expoentes. Ex.: x 2 = 16 x 4 2 = 2 x = 4 Ex.: x 3 2 = 4 x 3 2 2 = 2 2 x 2 = 2 3 2 x = 3 Ex.: 3 15 1 1 1 5 + 3 2 3 6 3.3 = 3 = 3 = 3 14 3 14 3 11 7 7 = 7 = 7 3 9 x+ x = 27 2 x 3 3 (3 ) + = 3 ( ) 2x+ 6 3x 3 = 3 2x+ 6= 3x 6= 3x 2x 6 = x x 6 5

Quando não conseguimos igualar as bases de uma equação exponencial, temos que usar uma artifício que geralmente chega a uma equação do segundo grau. Ex.: 2x x 2 5.2 + 4 = 0 x 2 x x (2 ) 5.2 + 4 = 0 t= 2 2 t 5t + 4 = 0 t = 1 e t = 4 x x 2 = 1 ou 2 = 4 x 1 x 2 = 2 ou 2 = 2 x=1 ou x=2 Ex.: x 1 x+ 1 3 + 3 = 90 x 3 3.3 90 3 + x = x 3 3.3 90 3 + x = x 10.3 = 270 x 3 = 27 x 3 3 = 3 x = 3 2 Gráfico de Uma Função Exponencial Uma função é exponencial quando a variável está no expoente. O gráfico é a representação no plano cartesiano e a função mais simples é: Crescente ( ) = 2 x f x ou y 2 = x X Y -2 1/4-1 1/2 0 1 1 2 2 4 Quando invertemos a base temos: ( ) f x Logaritmo x 1 = 2 Decrescente log a = C b ou 1 y = 2 a é o logaritmando b é a base c é o logaritmo Na definição de logaritmo o transformamos em uma exponencial. log a = C b b c = a Podemos observar que, tecnicamente, o logaritmo é o expoente. Ex.: log 64 = 6 pois 2 6 = 64 2 Logo o logaritmo de 64 na base 2 é 6, porque dois elevado a 6 resulta em 64. Ex.: log 27 = 3, pois 3 3 = 27 3 Ex.: log 100 = 2, pois 10 2 = 100 10 x X Y -2 4-1 2 0 1 1 1/2 2 1/4 3 3 Atualidades Matemática

44 Atualidades Matemática Logaritmo na base 10 não é necessário apresentar a base, ou seja, log 100 pode ser 10 escrito como log 100. Condição de existência Só existe logaritmo de números positivos e em base positiva e diferente de um. log a só existe de a > 0 e se b > 0 com b 1. b Mas não confunda o resultado de um logaritmo pode ser negativo. Ex.: 1 2 log = -1 1 pois 2-1 2 = 2 log 0,001 = -3, pois 10-3 = 1 1 e = 0,001 10 1000 1000 Propriedades dos Logaritmos I. log x. y = log + log, propriedade da b b b multiplicação. x y II. log = log - log b t x b x y b y, propriedade da divisão. III. log x x = t.log, propriedade da potência. b b x log IV. log x y =, propriedade da mudança de b b log y base. Ex.: Dado log 2 = 0,301 e log3 = 0,477, calcule o log72 e log 5. log 72 = log 2³. 3² = log 2³ + log 3² 3. log 2 + 2. log 3 = 3. 0,301 + 2. 0,477 = 1,857 log 5 = log 10 2 log 10 - log 2 1-0,301 = 0,699 Principal aplicação de logaritmo em concursos públicos é o uso das propriedades no cálculo do tempo em juros compostos. Um capital de R$ 800,00, aplicado a juros compostos de 2% ao mês, gera um montante de R$ 1 672,00 em quanto tempo? Dados log 1,02 = 0,008 e log 2,09 = 0,32. M = C (1 + i) t 1672 = 800(1 + 0,02) t 1672 t 800 =(1,02) 2,09 = (1,02) t log 2,09 = t. log 1,02 log 2,09 log 1,02 = t 0,32 0,008 = t t = 40 meses. t = 3 anos 4 meses. 01. Qual é a soma dos valores de x que verifica a equação a) 5 b) 2 c) 3 d) 8 e) 4 Resposta: B. Como 9 = 32, temos a seguinte situação: 3x2-8x+12 = [(32)x+1]x-6 Sendo (am)n = amxn, fazemos então: 2 x (x+1) = 2x+2, com isso: 3x2-8x+12 = (32x+2)x-6 Da mesma forma: (2x+2) x (x-6) = 2x2-10x-12, o que dá: 3x2-8x+12 = 32x2-10x-12 Outra propriedade das potências é: am = an => m = n, assim: x2-8x+12 = 2x2-10x-12 Passando tudo para o mesmo lado da igualdade: x2-2x-24=0 Resolvendo a equação do 2º grau: X = 6 ou x = -4

Somando os valores de x: 6 + (-4) = 6 4 = 2 01. (CESGRANRIO) Na igualdade x 2 2 = 1300 é um número real compreendido entre: a) 8 e 9 b) 9 e 10 c) 10 e 11 d) 11 e 12 e) 12 e 13 02. (COMPERVE) Numa experiência realizada em laboratório, Alice constatou que, dentro de t horas, a população P de determinada t bactéria crescia segundo a função P(t) = 25.2 5 Nessa experiência, sabendo-se que log2 2,32 a população atingiu 625 bactérias em, aproximadamente: a) 4 horas e 43 minutos. b) 5 horas e 23 minutos. c) 4 horas e 38 minutos. d) 5 horas e 4 minutos. 03. (CONSULPLAN) Qual é o valor de k, para que a expressão log4 + log9 + log25 seja igual a 2? a) 5 1 + logk b) 4 c) 9 d) 2 e) 3 04. (CONESUL) Utilizando os valores log2 = 0,30 e log3 = 0,47, assinale a alternativa que corresponde a log 12. a) 0,141 b) 1,7 c) 1,07 d) 10,7 e) 1,41. 05. Indagado sobre o número de processos que havia arquivado certo dia, um Técnico Judiciário, que gostava muito de Matemática, respondeu: - O número de processos que arquivei é igual a 12,25 2 10,25 2. Chamando X o total de processos que ele arquivou, então é correto afirmar que: a) X < 20. b) 20 < X < 30. c) 30 < X < 38. d) 38 < X < 42. e) X > 42. 06. 2. A potência de 10 mais próxima de (5 4 ) 2 é: a) 105 b) 104 c) 103 d) 102 e) 106 07. Uma quantidade X é dada pela expressão: Desse modo, X é igual a: a) 25,2527456 b) 26,3939392 c) 27,0000000 d) 36,0000000 e) 36,3020293 08. Desenvolvendo obtémse um número da forma x + y z, em que x, y e z são racionais. Nessas condições a soma x + y + z é um número: a) cubo perfeito. b) menor que 50. c) primo. d) maior que 70. e) divisível por 6. 09. Dos números que aparecem nas alternativas, o que mais se aproxima do valor da expressão (0,619 2 0,599 2 )x0,75 é: a) 0,0018. b) 0,015. c) 0,018. d) 0,15. e) 0,18. 10. Se y = log 81 (1 27) e x IR+, são tais que x y = 8, então x é igual a: a) 1 16 b) 1 2 c) log 3 8 d) 2 e) 16 1 2 3 4 A C E C 5 6 7 8 E A C A 9 10 C A 5 5 Atualidades Matemática

6 DIREITO CONSTITUCIONAL ÍNDICE Princípios Fundamentais... 7 Organização do Estado... 16 Organização dos Poderes III... 31 Ordem Social... 51

01 Princípios Fundamentais Os princípios fundamentais, também chamados de princípios constitucionais, formam a base de toda a organização do Estado Brasileiro. Como bem citado pelo Professor José Afonso da Silva os princípios fundamentais visam essencialmente definir e caracterizar a coletividade política e o Estado e enumerar as principais opções políticoconstitucionais 1. Exatamente em razão de sua importância, a Constituição Federal os colocou logo no início, pois eles são a base de todo o texto constitucional. O que se segue a partir desses princípios que estudaremos é mero desdobramento de seu conteúdo. Quem se prepara para concurso deve saber que, quando esse tema é trabalhado, costuma-se trabalhar questões, o conteúdo previsto nos artigos 1º ao 4º do texto constitucional. Geralmente cai apenas texto constitucional puro, mas dependendo do concurso as bancas costumam cobrar umas questões doutrinárias mais pesadas. Quais princípios vamos abordar? 01. Princípio da Tripartição dos Poderes 02. Princípio Federativo 03. Princípio Republicano 04. Presidencialismo 05. Princípio Democrático 06. Fundamentos da República Federativa do Brasil 07. Objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil 08. Princípios que regem as relações internacionais do Brasil Comecemos o estudo dos princípios em espécie. Princípio da Tripartição dos poderes Este princípio, também chamado de Princípio da Separação dos Poderes originouse, historicamente, numa tentativa de limitar os poderes do Estado. Alguns filósofos perceberam que se o Poder do Estado estivesse dividido entre três entidades diferentes, seria possível que a sociedade exercesse um maior controle de sua utilização. Na verdade, a divisão não é do Poder Estatal haja vista ser ele uno, indivisível e indelegável, mas apenas uma divisão das suas funções. Nos dizeres de José Afonso da Silva: Vale dizer, portanto, que o poder político, uno, indivisível e indelegável, se desdobra e se compõe de várias funções, fato que permite falar em distinções das funções, que fundamentalmente são três: a legislativa, a executiva e a jurisdicional 2. A previsão constitucional deste princípio encontra-se no artigo 2º que diz: Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Estes são os três poderes, cada qual, responsável pelo desenvolvimento de uma função principal do Estado: 01. Poder Executivo Função principal (típica) de administrar o Estado; 02. Poder Legislativo Função principal (típica) de legislar e fiscalizar as contas públicas; 03. Poder Judiciário Função principal (típica) jurisdicional. Além da sua própria função, a Constituição criou uma sistemática que permite a cada um dos poderes o exercício da função do outro poder. Essa função acessória nós chamamos de função atípica: 01. Poder Executivo Função atípica de legislar e julgar; 02. Poder Legislativo Função atípica de administrar e julgar; 03. Poder Judiciário Função atípica de administrar e legislar. Dessa forma, pode-se dizer que além da própria função, cada poder exerce de forma acessória a função do outro poder. ¹ CANOTILHO, J. J. Gomes, e MOREIRA, Vital. Fundamentos da Constituição. In: SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 33ª Ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 94. ² SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 33ª Ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 108. Direito Constitucional 7

88 Direito Atualidades Constitucional Uma pergunta sempre surge na cabeça dos estudantes e poderá aparecer em sua prova: qual dos três poderes é mais importante? A única resposta possível é a inexistência de poder mais importante. Cada poder possui sua própria função de forma que não se pode afirmar que exista hierarquia entre os poderes do Estado. São três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Não existe hierarquia entre eles. Eles são independentes e harmônicos entre si e para se garantir esta harmonia, a doutrina norte-americana desenvolveu um sistema que mantém a igualdade entre os poderes: Sistema de Freios e Contrapesos (checks and balances). O sistema de freios e contrapesos adotado pela nossa Constituição revelase nas inúmeras medidas previstas no texto constitucional que condicionam a competência de um poder à apreciação de outro poder de forma a garantir o equilíbrio entre os três poderes. Abaixo estão alguns exemplos desta medida: 01. A necessidade de sanção do Chefe do Poder Executivo para que um Projeto de Lei aprovado pelo Poder Legislativo possa entrar em vigor; 02. O processo do Chefe do Poder Executivo por crime de responsabilidade a ser realizado no Senado Federal, cuja sessão de julgamento é presidida pelo Presidente do STF; 03. A necessidade de apreciação pelo Poder Legislativo das Medidas Provisórias editadas pelo Chefe do Poder Executivo; 04. A nomeação dos ministros do STF que é feita pelo Presidente da República depois de aprovado pelo Senado Federal. Veja que, em todas as hipóteses, acima, apresentadas se faz necessária a participação de mais de um Poder para a consecução de um ato administrativo. Isso cria uma verdadeira relação de interdependência entre os poderes, o que garante o equilíbrio entre eles. Veja como este tema já foi cobrado em prova: 01. (CESPE) A separação dos Poderes no Brasil adota o sistema norte americano checks and balances, segundo o qual a separação das funções estatais é rígida, não se admitindo interferências ou controles recíprocos. ERRADO. O sistema norte americano checks and balances de fato é adotado no Brasil, contudo não significa separação rígida, mas uma separação que permite a um Poder fiscalizar a atuação do outro Poder. Desta forma, admite-se interferência e controle recíprocos. Por último, não esqueça que a separação dos poderes é uma das cláusulas pétreas por força do artigo 60, 4º, III da Constituição Federal. Significa dizer que a separação dos poderes não pode ser abolida do texto constitucional por meio de emenda: Art. 60, 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: III - a separação dos Poderes; Princípio Federativo Este princípio apresenta a Forma de Estado adotada no Brasil: federação. A forma de Estado reflete o modo de exercício do poder político em função do território. É uma forma composta ou complexa 3, visto que prevalece a pluralidade de poderes políticos internos. Está baseada na descentralização política do Estado cuja representação se dá por meio de quatro entes federativos: 01. União 02. Estados 03. Distrito Federal 04. Municípios Cada ente federativo possui sua própria autonomia política o que não pode ser confundido com o atributo da soberania, este pertencente ao Estado Federal. A autonomia de cada ente confere-lhe a capacidade política de, inclusive, criar sua própria Constituição. Apesar de cada ente federativo possuir esta independência, não se pode esquecer que a existência do pacto federativo pressupõe a existência de uma Constituição Federal e da impossibilidade de separação (Princípio da Indissolubilidade do vínculo federativo). Havendo quebra do pacto federativo, a Constituição Federal prevê como instrumento de manutenção da forma de estado a chamada Intervenção Federal a qual será estudada em momento oportuno. ³ A doutrina classifica as formas de Estado em Compostas ou Unitárias. Os Estados Compostos ou Complexos possuem como base a descentralização política enquanto que os Estados Unitários ou simples possuem uma única entidade política a qual exerce de forma centralizada o poder político.

Não existe hierarquia entre os entes federativos. O que os distingue uns dos outros é a competência que cada um recebeu da Constituição Federal. Deve-se ressaltar que, os Estados e o Distrito Federal possuem direito de participação na formação da vontade nacional ao possuírem representantes no Senado Federal. Os Municípios não possuem representantes no Senado Federal. Caracteriza-se ainda, pela existência de um guardião da Constituição Federal, o Supremo Tribunal Federal. A doutrina tem apontado para algumas características da forma federativa brasileira: 01. Tricotômica Federação constituída em três níveis: federal, estadual e municipal. O Distrito Federal não é considerado nesta classificação haja vista possuir competência híbrida, ou seja, ora age como estado ora, como município; 02. Centrífuga Esta característica reflete a formação da federação brasileira. É a formação de dentro para fora. O movimento é de centrifugadora. A força de criação do estado federal brasileiro surgiu a partir de um Estado Unitário para a criação de um estado federado, ou seja, o poder centralizado que se torna descentralizado. O poder político era concentrado nas mãos de um só ente e depois passa a fazer parte de vários entes federativos. 03. Por desagregação Ocorre quando um estado unitário resolve se descentralizar politicamente desagregando o poder central em favor de vários entes titulares de poder político. Veja que questão de prova interessante: 02. (CESPE) Em face da descentralização administrativa e política que caracteriza o Estado brasileiro, a República Federativa do Brasil constitui um estado unitário descentralizado, dispondo os entes políticos estatais de autonomia para a tomada de decisão, no caso concreto, a respeito da execução das medidas adotadas pela esfera central de governo. ERRADO. O erro está em dizer que a República Federativa do Brasil é um estado unitário, pois sabemos que o Brasil é um estado Federal. Estado Unitário é uma forma oposta ao Estado Federal. Muito cuidado com esse tema que sempre cai em prova. Como última observação, não menos importante, a Forma Federativa de Estado também é uma cláusula pétrea. Depois de estudarmos os Princípios da Tripartição dos Poderes e o Federativo, vamos ver como eles estão estruturados dentro da República Federativa do Brasil. Uma informação importante antes de fazermos a junção entre eles: a autonomia política existente em cada ente federativo pode ser percebida por meio de existência dos poderes em cada um. Dessa forma, é possível verificar a seguinte situação: Os municípios não possuem Poder Judiciário. Princípio Republicano O princípio Republicano representa a Forma de governo adotada no Brasil. A forma de governo reflete o modo de aquisição e exercício do poder político além de medir a relação existente entre o governante e o governado. A melhor forma de entender este instituto é conhecendo suas características. A primeira característica decorre da análise etimológica da palavra res pública. Este termo que dá origem ao princípio ora estudado significa coisa pública, ou seja, em um Estado republicano o governante cuida da coisa pública, governa para o povo. Outra característica importante é a Temporariedade. Este atributo revela o caráter temporário do exercício do poder político. Por causa deste princípio, em nosso Estado, o governante permanece no poder por tempo certo. 9 9 Direito Atualidades Constitucional

1010 Direito Atualidades Constitucional Em uma República, o governante é escolhido pelo povo. Esta é a chamada Eletividade. O poder político é adquirido pelas eleições cuja vontade popular se concretiza nas urnas. Por fim, em um Estado Republicano o governante pode ser responsabilizado por seus atos. A forma de governo republicana se contrapõe à monarquia, cujas características são opostas às estudadas aqui. Muito cuidado com este tema em prova. As bancas adoram dizer que o princípio republicano é uma cláusula pétrea, contudo, este princípio não se encontra listado no rol das cláusulas pétreas do artigo 60, 4º da Constituição Federal. Apesar disso, a Constituição o considerou como princípio sensível 4. Princípios sensíveis são aqueles que, se tocados, ensejarão a chamada Intervenção Federal, conforme previsto no artigo 34, VII, a da Constituição: Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: VII. assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático; Presidencialismo O Presidencialismo é o Sistema de governo adotado no Brasil. O sistema de governo rege a relação entre o Poder Executivo e o Legislativo medindo o grau de dependência entre eles. No Presidencialismo prevalece a separação entre os Poderes Executivo e Legislativo os quais são independentes e harmônicos entre si. A Constituição declara que o Poder Executivo da União é exercido pelo Presidente da República auxiliado por seus Ministros de Estado: O Presidencialismo possui uma característica muito importante para sua prova, que é a concentração das funções executivas em uma só pessoa, no Presidente, o qual é eleito pelo povo, e exerce ao mesmo tempo três funções: Chefe de Estado, Chefe de Governo, e Chefe da Administração Pública. A função de Chefe de Estado diz respeito a todas as atribuições do Presidente nas relações externas do País. Como Chefe de Governo, o Presidente possui inúmeras atribuições internas, no que tange a governabilidade do país. Já como Chefe da Administração Pública o Presidente exercerá as funções relacionadas com a chefia da Administração Publica Federal. Democracia Este princípio revela o Regime de Governo adotado no Brasil. Caracteriza-se pela existência do Estado Democrático de Direito e pela preservação da dignidade da pessoa humana. A democracia significa o governo do povo, pelo povo e para o povo. É a chamada soberania popular. Sua fundamentação constitucional encontra-se no artigo 1º da CF: Art. 1º, Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Este princípio também é conhecido como princípio sensível e, no Brasil, caracterizase por seu exercício se dar de forma direta e indireta. Por este motivo, a democracia brasileira é conhecida como semidireta ou participativa. Esse tema, porém, será abordado na seção sobre Direitos Políticos. Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado. 4 (CUNHA, 2011, p. 872). Estado Federal é espécie de Estado Composto, portanto, não se confunde com Estado Unitário.

Fundamentos da República Federativa do Brasil Dentre os Princípios Constitucionais mais importantes destacam-se os Fundamentos da República Federativa do Brasil, os quais estão elencados no artigo 1º da Constituição Federal. Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I. A soberania; II. A cidadania III. A dignidade da pessoa humana; IV. Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V. O pluralismo político. Façamos uma análise de cada um destes fundamentos para sua melhor compreensão. A soberania é um fundamento que possui estreita relação com o Poder do Estado. É a capacidade que o Estado tem de impor sua vontade. Este princípio possui uma dupla acepção: soberania interna e externa. A soberania interna é a capacidade de impor o poder estatal no âmbito interno, perante os administrados sem se sujeitar a qualquer outro poder. A soberania externa é percebida pelo reconhecimento dos outros Estados soberanos de que o Estado Brasileiro possui sua própria autonomia no âmbito internacional. A cidadania como princípio revela a condição jurídica de quem é titular de Direitos Políticos. Ela permite ao indivíduo que possui vínculo jurídico com o estado participar de suas decisões e escolher seus representantes. O exercício da cidadania guarda estreita relação com a Democracia, pois esta autoriza a participação popular na formação da vontade estatal. A dignidade da pessoa humana é considerada o princípio com maior hierarquia axiológica da Constituição. Sua importância se traduz na medida em que deve ser assegurada, primordialmente pelo Estado, mas também deve ser observada nas relações particulares. Como fundamento, embasa toda a gama de direitos fundamentais os quais estão ligados em sua origem a este princípio. A dignidade da pessoa humana representa o núcleo mínimo de direitos e garantias os quais devem ser assegurados aos seres humanos. O valor social do trabalho e da livre iniciativa revela a adoção de uma economia capitalista ao mesmo tempo em que elege o trabalho como elemento responsável pela valorização social. Ao mesmo tempo em que a Constituição garante uma liberdade econômica, protege o trabalho como elemento relacionado à dignidade do indivíduo como membro da sociedade. O Pluralismo Político, ao contrário do que parece, não está relacionado apenas com a pluralidade de partidos políticos, devendo ser entendido sob um sentido mais amplo, pois, revela uma sociedade em que pluralidade de ideias se torna um ideal a ser preservado. Liberdades como de expressão, religiosa ou política estão entre as formas de manifestação deste principio. Geralmente, quando este tema é cobrado em prova, costuma ser questionado apenas o texto constitucional. Objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil Outro grupo de Princípios Constitucionais que costuma ser cobrado em prova é o dos Objetivos da República Federativa do Brasil, o qual está previsto no artigo 3º da Constituição Federal: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I. Construir uma sociedade livre, justa e solidária; II. Garantir o desenvolvimento nacional; III. Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV. Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. 11 11 Direito Atualidades Constitucional

1212 Direito Atualidades Constitucional Os objetivos são verdadeiras metas a serem perseguidas pelo Estado com o fim de garantir os ditames constitucionais. Muito cuidado com estes dispositivos, pois eles costumam ser cobrados em prova fazendo-se alterações dos termos constitucionais. Outra característica que distingue os fundamentos dos objetivos é o fato de os fundamentos serem nominados com substantivos enquanto que os objetivos se iniciam com verbos. Esta diferença pode ajudar a perceber qual a resposta correta na prova. Promover o bem de todos sem dis nção de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação Garan r o desenvolvimento nacional OBJETIVO Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais Construir uma sociedade livre, justa e solidária Princípios que regem as relações internacionais do Brasil E por fim, temos os Princípios que regem as relações internacionais os quais estão previstos no artigo 4º da CF: Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I.Independência nacional; II.Prevalência dos direitos humanos; III. Autodeterminação dos povos; IV. Não-intervenção; V. Igualdade entre os Estados; VI. Defesa da paz; VII. Solução pacífica dos conflitos; VIII. Repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX. Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X. Concessão de asilo político. Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. Estes princípios revelam características muito interessantes do Brasil, ressaltando sua soberania e independência em relação aos outros Estados do mundo. A independência nacional destaca, no âmbito da soberania externa, a relação do país com os demais estados, uma relação de igualdade, sem estar subjugado a outro Estado. A prevalência dos direitos humanos vai ao encontro do fundamento da dignidade da pessoa humana, característica muito importante que se revela por meio do grande rol de direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal. O Brasil defende a autodeterminação dos povos. Por este princípio, respeitam-se as decisões e escolhas de cada povo. Entendese que cada povo é capaz de escolher o seu próprio caminho político e de resolver suas crises internas sem necessidade de intervenção externa de outros países. Este princípio se completa ao da não-intervenção no mesmo sentido de preservação e respeito à soberania dos demais Estados. Estes princípios se complementam juntamente com o da igualdade entre os estados onde cada país é reconhecido como titular de soberania na mesma proporção que os demais, sem hierarquia entre eles. Com uma ampla gama de garantias constitucionais, não poderia ficar de lado a defesa da paz como princípio fundamental ao mesmo tempo em que funciona como bandeira defendida pelo Brasil em suas relações internacionais. No mesmo sentido, a solução pacífica dos conflitos revela o lado conciliador do governo brasileiro que por vezes intermedia relações conturbadas entre outros chefes de estado. O repúdio ao terrorismo e ao racismo são princípios decorrentes da dignidade da pessoa humana os quais são inaceitáveis em sociedades modernas e repudiadas pelo Brasil.

O Estado Brasileiro tem se destacado na cooperação entre os povos para o progresso da humanidade, envolvendo-se em pesquisas científicas para cura de doenças bem como na defesa e preservação do meio-ambiente dentre outros. A concessão de asilo político como princípio constitucional fundamenta a decisão brasileira de amparar estrangeiros que estejam sendo perseguidos em seus países por questões políticas ou de opinião. Como último destaque dos princípios que regem as relações internacionais, um mandamento para que a República Federativa do Brasil busque a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. Veja que o texto constitucional mencionou América Latina, não América do Sul. Parece não haver muita diferença, mas este tema já foi cobrado em prova e a troca dos termos considerada errada. 01. (FCC) Segundo a Constituição Federal, a República Federativa do Brasil é formada : a) pelos cidadãos dos quais emana o poder exercido por meio de representantes eleitos. b) pelo conjunto de cidadãos aos quais são garantidos os direitos fundamentais. c) pela união dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. d) pela integração econômica, política e social de todos os Estados. e) pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. 02. (FCC) A Constituição Federal, no capítulo reservado aos princípios fundamentais, estabelece que a República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais, dentre outras hipóteses, pelo princípio da: a) não intervenção. b) dependência nacional condicionada. c) determinação dos povos quanto à dignidade da pessoa humana. d) solução bélica e não arbitral dos conflitos. e) vedação de asilo e de exílio políticopartidário. 03. (FCC) No que concerne aos Princípios Fundamentais, considere: I. A República Federativa do Brasil, formada pela união dissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito. II. Constitui objetivo fundamental da República Federativa do Brasil garantir o desenvolvimento nacional. III. A República Federativa do Brasil rege-se, nas suas relações internacionais, além de outros, pelo princípio da concessão de asilo político. IV. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. Está correto o que consta apenas em: a) I, II e IV. b) II, III e IV. c) I, II e III. d) II e III. e) I e III. 04. (FCC) Não é considerada exceção ao princípio da separação de poderes no Estado brasileiro, entre outras, a: a) fiscalização contábil, financeira e orçamentária consistente no controle externo de natureza técnica ou numérico-legal exercido pelos Tribunais de Contas. b) permissão para que Deputados Federais e Senadores exerçam funções de Ministros de Estado. c) convocação de Ministros de Estado, perante o plenário das Casas do Congresso Nacional e de suas comissões. d) adoção pelo Presidente da República de medidas provisórias, com força de lei, em casos de relevância e urgência. e) autorização, na forma de resolução, de delegação de atribuições legislativas ao Presidente da República. 05. (OAB-PR) Assinale a alternativa incorreta: a) por se apresentar como fundamento da República Federativa do Brasil, a dignidade da pessoa humana possui valor apenas simbólico, não podendo ser considerada princípio constitucional. 13 13 Direito Atualidades Constitucional

1414 Direito Atualidades Constitucional b) nos termos da Constituição da República, todo o poder emana do povo, que o exerce diretamente ou por meio de representantes eleitos. c) embora haja menção a Deus no preâmbulo da Constituição da República, o Brasil é um Estado laico. d) a autodeterminação dos povos e a não intervenção são princípios que regem as relações internacionais da República Federativa do Brasil. 06. (CESPE) O Brasil caracteriza-se por ser um Estado unitário, o qual possui governo único, conduzido por uma única entidade política, que exerce, de forma centralizada, o poder político. 07. (CESPE) De acordo com a Constituição Federal de 1988 (CF), todo o poder emana do povo, que o exerce exclusivamente por meio de representantes eleitos diretamente. 08. (CESPE) A livre iniciativa está entre os fundamentos da República Federativa do Brasil inseridos na CF, o que denota a opção do constituinte originário por uma economia de mercado capitalista. 09. (CESPE) A separação dos Poderes no Brasil adota o sistema norte americano checks and balances, segundo o qual a separação das funções estatais é rígida, não se admitindo interferências ou controles recíprocos. 10. (CESPE) A Constituição Federal de 1988 apresenta os chamados princípios fundamentais da República Federativa do Brasil, que incluem referências a sua forma de Estado, forma de governo e regime político. Deduz-se do texto constitucional que a República Federativa do Brasil é um Estado de Direito, o que limita o próprio poder do Estado e garante os direitos fundamentais dos particulares. 11. (CESPE) A dignidade da pessoa humana, um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, apresenta-se como direito de proteção individual em relação ao Estado e aos demais indivíduos e como dever fundamental de tratamento igualitário dos próprios semelhantes. 12. (FCC) Quanto aos Princípios Fundamentais, é correto afirmar que a República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais, dentre outros, pelo princípio da: a) exclusiva proteção dos bens jurídicos. b) não cumulatividade. c) prevalência dos direitos humanos. d) uniformidade geográfica. e) reserva legal. 13. (FCC) Dentre as proposições abaixo, é INCORRETO afirmar que a República Federativa do Brasil, nas suas relações internacionais, regese pelo princípio da: a) independência nacional. b) vedação ao asilo político. c) não intervenção. d) prevalência dos direitos humanos. e) autodeterminação dos povos. 14. (FCC) Dentre as proposições abaixo, é INCORRETO afirmar que a República Federativa do Brasil tem como fundamentos, dentre outros: a) a cidadania e o pluralismo político. b) a soberania e a dignidade da pessoa humana. c) o pluralismo político e a valorização social do trabalho. d) a dignidade da pessoa humana e o valor da livre iniciativa. e) a autonomia e a dependência nacional. 15. (FCC) Soberania, cidadania e pluralismo político, de acordo com a Constituição Federal, constituem: a) objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil. b) direitos políticos coletivos. c) garantias fundamentais. d) fundamentos da República Federativa do Brasil. e) princípios que regem a República Federativa do Brasil nas suas relações internacionais. 16. (FCC) Em matéria de Princípios Constitucionais Fundamentais considere: I. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição. II. O Brasil rege-se nas relações internacionais, dentre outros, pelos princípios da intervenção e negativa de asilo político. III. O Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino- americana de nações.

IV. Constitui, dentre outros, objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais. É correto apenas o que consta em: a) I e II. b) I, II e III. c) I, III e IV. d) II, III e IV. e) II e IV. 17. (FCC) Nos termos da Constituição Federal de 1988, constitui um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: a) construir uma sociedade igualitária. b) garantir o desenvolvimento econômico. c) reduzir as desigualdades sociais e regionais. d) promover a defesa da paz. e) garantir a dignidade da pessoa humana. 18. (FCC) Um dos princípios expressos na Constituição Federal de 1988 que regem as relações internacionais da República Federativa do Brasil é: a) Zelar pela soberania. b) Erradicação da pobreza. c) Garantir o desenvolvimento internacional. d) Prevalência dos direitos humanos. e) Pluralismo político. 19. (FCC) Quanto aos Princípios Fundamentais, considere: I. A República Federativa do Brasil, formada pela união dissolúvel dos Estados e dos Municípios, constitui-se em Estado Democrático de Direito. II. São Poderes da União, dependentes entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. III. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição da República Federativa do Brasil. IV. A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelo princípio da concessão de asilo político. Está incorreto o que consta apenas em: a) I e IV. b) I e II. c) III e IV. d) II e III. e) II e IV. 20. (FCC) Sobre os princípios fundamentais da República Federativa do Brasil, é correto afirmar que: a) foi acolhido, além de outros, o princípio da intervenção para os conscritos. b) dentre seus objetivos está o de reduzir as desigualdades regionais. c) um dos seus fundamentos é a vedação ao pluralismo político. d) o Brasil rege-se nas suas relações internacionais, pela dependência nacional. e) a política internacional brasileira veda a integração política que vise à formação de uma comunidade latino-americana de nações. 1 2 3 4 5 E A B A A 6 7 8 9 10 ERRADO ERRADO CERTO ERRADO CERTO 11 12 13 14 15 CERTO C B E D 16 17 18 19 20 C C D B B _ 15 15 Direito Atualidades Constitucional

02 16 Direito Atualidades Constitucional Organização do Estado Para que possamos compreender a Organização Político-Administrativa do Estado Brasileiro, faz-se necessário, primeiramente, entendermos como se deu essa formação. Para isso vamos falar sobre o Princípio Federativo. Princípio Federativo A Forma de Estado adotada no Brasil é a Federativa. Quando afirmamos que o nosso Estado é uma Federação, queremos dizer como se dá o exercício do poder político em função do território. Em um Estado Federal existe pluralidade de poderes políticos internos, os quais se organizam de forma descentralizada. No Brasil, são quatro poderes políticos, também chamados de entes federativos: 01. União 02. Estados 03. Distrito Federal 04. Municípios Esta organização é baseada na autonomia política de cada ente federativo. Cuidado com este tema em prova, pois, as bancas gostam de trocar autonomia por soberania. Cada ente possui sua própria autonomia enquanto que o Estado Federal possui a soberania. A autonomia de cada ente federativo se dá no âmbito político, financeiro, orçamentário, administrativo e em qualquer outra área permitida pela Constituição Federal: Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. Deve-se destacar, inclusive, que o pacto federativo sobrevive em torno da Constituição Federal que impede sua dissolução sob pena de se decretar Intervenção Federal: Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: I. manter a integridade nacional; A proibição de secessão, que impede a separação de um ente federativo, também é conhecida como Princípio da Indissolubilidade. Outro ponto muito cobrado em prova, diz respeito à inexistência de hierarquia entre os entes federativos. O que distingue um ente federativo do outro não é a superioridade, mas a distribuição de competências feita pela própria Constituição Federal. Não se deve esquecer também que as Unidades da Federação possuem representação junto ao Poder Legislativo da União, mais precisamente, no Senado Federal. Em razão desta organização completamente diferenciada, a doutrina classifica a federação brasileira de várias formas: 01. Tricotômica Federação constituída em três níveis: federal, estadual e municipal. O Distrito Federal não é considerado nesta classificação, haja vista possuir competência híbrida, agindo tanto como um Estado quanto como Município; 02. Centrífuga Característica que reflete a formação da federação brasileira. É a formação de dentro para fora. O movimento é de centrifugadora. A força de criação do estado federal brasileiro surgiu a partir de um Estado Unitário para a criação de um estado federado, ou seja, o poder centralizado que se torna descentralizado. O poder político era concentrado nas mãos de um só ente e depois passa a fazer parte de vários entes federativos; 03. Por desagregação Ocorre quando um Estado Unitário resolve se descentralizar politicamente desagregando o poder central em favor de vários entes titulares de poder político. Mais uma característica que não pode ser ignorada em prova: a Forma Federativa de Estado é uma cláusula pétrea conforme dispõe o artigo 60, 4º, I: Art. 60, 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I. a forma federativa de Estado; Cumpre-nos lembrá-los de que a Capital do Brasil é Brasília. Cuidado: já vi questão de prova que dizia que a Capital era o

Distrito Federal. O Distrito Federal é um ente federativo enquanto que Brasília é uma Região Administrativa dentro do Distrito Federal: Art. 18, 1º - Brasília é a Capital Federal. Outra coisa que você tem que ter cuidado é em relação aos Territórios Federais: 2º - Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar. Esses não são entes federativos, pois não possuem autonomia política. São pessoas jurídicas de direito público que possuem apenas capacidade administrativa. Sua natureza jurídica é de autarquia federal e só podem ser criados por lei federal. Para sua criação, se faz necessária a aprovação das populações diretamente envolvidas por meio de plebiscito, parecer da Assembleia Legislativa e lei complementar federal. Os territórios são administrados por governadores escolhidos pelo Presidente da República e podem ser divididos em municípios. Cada território elegerá quatro deputados federais mas não poderá eleger Senador da República. Seguem abaixo vários dispositivos constitucionais que regulamentam os Territórios: Art. 18, 3º - Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar. Art. 45, 2º - Cada Território elegerá quatro Deputados. Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre: VI. Incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas Assembléias Legislativas; Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: dos Territórios em Municípios. Os Territórios com mais de 100.000 habitantes, possuirão Poder Judiciário próprio bem como membros do Ministério Público e Defensores Públicos Federais. Poderão ainda eleger membros para Câmara Territorial: Art. 33, 1º - Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos quais se aplicará, no que couber, o disposto no Capítulo IV deste Título. 3º - Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do Governador nomeado na forma desta Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do Ministério Público e defensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e sua competência deliberativa. Os entes federativos são a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Territórios não são entes federativos. Vedações Constitucionais A Constituição Federal fez questão de estabelecer algumas vedações expressas aos entes federativos, as quais estão previstas no artigo 19: Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I. Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II. Recusar fé aos documentos públicos; III. Criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. A primeira vedação decorre da laicidade do Estado brasileiro, ou seja, não possuímos religião oficial no Brasil em razão da situação de separação entre Estado e Igreja. A segunda vedação decorre da presunção de veracidade dos documentos públicos. E por último, contemplando o Principio da Isonomia, o qual será tratado em momento oportuno, fica vedado estabelecer distinções entre brasileiros ou preferências entre si. Olhe que questão curiosa: 17 17 Direito Atualidades Constitucional XIV. Nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente e os diretores do banco central e outros servidores, quando determinado em lei; A Constituição Federal autoriza a divisão 01. (FMP) A subvenção estatal de igrejas, em quaisquer dos níveis da Federação, somente será constitucionalmente válida se previamente autorizada por lei específica e desde que a subvenção seja estendível a todas as igrejas reconhecidas pelo ordenamento jurídico nacional.

1818 Direito Atualidades Constitucional ERRADO. O artigo 19 da Constituição veda a subvenção estatal de igrejas haja vista ser o Estado Brasileiro um estado laico, cuja relação da igreja com o estado político é de separação. A única exceção vislumbrada pela Constituição Federal para a subvenção é no caso colaboração de interesse público. Características dos Entes Federativos União Muitos sentem dificuldade em visualizar a União, tendo em vista ser um ente meio abstrato. O que você precisa saber é que a União é uma pessoa jurídica de direito público interno ao mesmo tempo em que é pessoa jurídica de direito público externo. É o Poder Central responsável por assuntos de interesse geral do Estado e que representa os demais entes federativos. Apesar de não possuir o atributo Soberania, a União exerce esta soberania em nome do Estado Federal. É só você pensar na representação internacional do Estado. Quem celebra tratados internacionais? É o Chefe do Executivo da União, o Presidente da República. Um dos temas mais cobrados em prova são os Bens da União. Os Bens da União estão previstos no artigo 20 da Constituição Federal: Art. 20. São bens da União: I. Os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; II. As terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei; III. Os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; IV. As ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; V. Os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; VI. O mar territorial; VII. Os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII. os potenciais de energia hidráulica; IX. Os recursos minerais, inclusive os do subsolo; X. As cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; XI. As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. 1º - É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. 2º - A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei. Esse artigo quando cobrado em prova costuma ser trabalhado apenas com o texto literal da Constituição. A dica de estudo é a memorização dos bens que são considerados da União. Contudo, alguns bens necessitam de uma explicação maior para que sejam compreendidos. Terras Devolutas O inciso II fala das chamadas terras devolutas, mas o que significa terras devolutas? São terras que estão sob o domínio da União sem qualquer destinação, nem pública nem privada. Serão da União apenas as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, conforme definição em lei. As demais terras devolutas serão de propriedade dos Estados Membros nos termos do artigo 26, IV: Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: IV. As terras devolutas não compreendidas entre as da União. Mar Territorial, Plataforma Continental e Zona Econômica Exclusiva Os incisos IV e V apresentam três bens que são muito interessantes e que se confundem nas cabeças dos alunos: mar territorial, plataforma continental e Zona Econômica Exclusiva. A lei 8.617/93 esclarece as diferenças entre estes institutos. O mar territorial é formado por uma faixa de água marítima ao longo da costa brasileira, com uma dimensão de 12 milhas marítimas contadas a partir da linha base. A plataforma continental é o prolongamento natural do território terrestre, compreendidos o leito e o subsolo do mar até a distância de 200 milhas marítimas ou até o bordo exterior da margem continental.

A zona econômica exclusiva é a extensão situada além do mar territorial até o limite das 200 milhas marítimas. Acerca deste tema sempre há confusão. O mar territorial é extensão do território nacional sobre qual o Estado exerce sua soberania. Já a plataforma continental e a zona econômica exclusiva, são águas internacionais onde o direito a soberania do Estado se limita à exploração e ao aproveitamento, à conservação e a gestão dos recursos naturais, vivos ou não-vivos, das águas sobrejacentes ao leito do mar, do leito do mar e seu subsolo, e no que se refere a outras atividades com vistas à exploração e ao aproveitamento da zona para fins econômicos. Estados Os Estados são pessoas jurídicas de direito público interno, entes federativos detentores de autonomia própria. Esta autonomia se percebe pela sua capacidade de auto-organização, autogoverno, autoadministração. Destaca-se ainda, o seu poder de criação da própria Constituição Estadual, bem como das demais normas de sua competência: Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição. Percebe-se ainda o seu Auto-Governo à medida que cada Estado organiza seus próprios Poderes: Poder Legislativo (Assembleia Legislativa), Poder Executivo (Governador) e Poder Judiciário (Tribunal de Justiça). Destacam-se também suas autonomias administrativa, tributária e financeira. Um tema que não cai muito em prova, é a possibilidade de criação de novos Estados. Segundo o artigo 18, 3º: Art. 18, 3º - Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar. O que você precisa lembrar para a prova é que para se criar outro Estado faz-se necessária a aprovação da população diretamente interessada por meio de plebiscito e que esta criação depende de lei complementar federal. A Constituição prevê ainda a oitiva das Assembleias Legislativas envolvidas na modificação: Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre: VI. Incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas Assembléias Legislativas; A criação de novos estados ou territórios depende de: aprovação da população por meio de plebiscito, oitiva das assembleias legislativas e lei complementar federal. Em razão de sua autonomia, a Constituição apresentou um rol de bens que pertencem aos Estados: Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: I. As águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; II. As áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; III. As ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; IV. As terras devolutas não compreendidas entre as da União. Algumas regras em relação à Organização dos Poderes Legislativo e Executivo no âmbito dos Estados também aparecem na Constituição Federal. Quando cobradas em prova, a leitura e memorização dos artigos abaixo se tornam essenciais: Art. 27. O número de Deputados à Assembléia Legislativa corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze. 1º - Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando- sê-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas. 2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa, na razão de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Federais, observado o que dispõem os arts. 39, 4º, 57, 7º, 150, II, 153, III, e 153, 2º, I. 3º - Compete às Assembléias Legislativas dispor sobre seu regimento interno, polícia e serviços administrativos de sua secretaria, e prover os respectivos cargos. 4º - A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual. 19 19 Direito Atualidades Constitucional

2020 Direito Atualidades Constitucional Art. 28. A eleição do Governador e do Vice- Governador de Estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77. 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e observado o disposto no art. 38, I, IV e V. 2º Os subsídios do Governador, do Vice- Governador e dos Secretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, 4º, 150, II, 153, III, e 153, 2º, I. Municípios Os municípios são elencados pela Constituição Federal como entes federativos dotados de autonomia, a qual se percebe pela sua capacidade de auto-organização, autogoverno e auto administração. São regidos por Lei Orgânica e possui Executivo e Legislativo próprio, os quais são representados, respectivamente, pela Prefeitura e pela Câmara Municipal e que são regulamentados pelos artigos 29 e 29A da Constituição. o examinador por explorar, em sua prova, questões que requeiram a memorização destes artigos. Se você quer entender por que ele faria isso, veja abaixo: Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos: I. Eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores, para mandato de quatro anos, mediante pleito direto e simultâneo realizado em todo o País; II. Eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do art. 77, no caso de Municípios com mais de duzentos mil eleitores; III. Posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro do ano subseqüente ao da eleição; IV. Para a composição das Câmaras Municipais, será observado o limite máximo de: a) 9 (nove) Vereadores, nos Municípios de até 15.000 (quinze mil) habitantes; b) 11 (onze) Vereadores, nos Municípios de mais de 15.000 (quinze mil) habitantes e de até 30.000 (trinta mil) habitantes; c) 13 (treze) Vereadores, nos Municípios com mais de 30.000 (trinta mil) habitantes e de até 50.000 (cinquenta mil) habitantes; d) 15 (quinze) Vereadores, nos Municípios de mais de 50.000 (cinquenta mil) habitantes e de até 80.000 (oitenta mil) habitantes; e) 17 (dezessete) Vereadores, nos Municípios de mais de 80.000 (oitenta mil) habitantes e de até 120.000 (cento e vinte mil) habitantes; f) 19 (dezenove) Vereadores, nos Municípios de mais de 120.000 (cento e vinte mil) habitantes e de até 160.000 (cento sessenta mil) habitantes; g) 21 (vinte e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 160.000 (cento e sessenta mil) habitantes e de até 300.000 (trezentos mil) habitantes; h) 23 (vinte e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 300.000 (trezentos mil) habitantes e de até 450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes; i) 25 (vinte e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes e de até 600.000 (seiscentos mil) habitantes; j) 27 (vinte e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de 600.000 (seiscentos mil) habitantes e de até 750.000 (setecentos cinquenta mil) habitantes; k) 29 (vinte e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 750.000 (setecentos e cinquenta mil) habitantes e de até 900.000 (novecentos mil) habitantes; l) 31 (trinta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 900.000 (novecentos mil) habitantes e de até 1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitantes; m)33 (trinta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitantes e de até 1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes; n) 35 (trinta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes e de até 1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil) habitantes; o) 37 (trinta e sete) Vereadores, nos Municípios de 1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil) habitantes e de até 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes; p) 39 (trinta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes e de até 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes; q) 41 (quarenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes e de até 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes; r) 43 (quarenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes e de até 3.000.000 (três milhões) de habitantes;

s) 45 (quarenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 3.000.000 (três milhões) de habitantes e de até 4.000.000 (quatro milhões) de habitantes; t) 47 (quarenta e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de 4.000.000 (quatro milhões) de habitantes e de até 5.000.000 (cinco milhões) de habitantes; u) 49 (quarenta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 5.000.000 (cinco milhões) de habitantes e de até 6.000.000 (seis milhões) de habitantes; IX. Proibições e incompatibilidades, no exercício da vereança, similares, no que couber, ao disposto nesta Constituição para os membros do Congresso Nacional e na Constituição do respectivo Estado para os membros da Assembléia Legislativa; X. Julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça; XI. Organização das funções legislativas e fiscalizadoras da Câmara Municipal; v) 51 (cinquenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 6.000.000 (seis milhões) de habitantes e de até 7.000.000 (sete milhões) de habitantes; w) 53 (cinquenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 7.000.000 (sete milhões) de habitantes e de até 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; e x) 55 (cinquenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; V. Subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais fixados por lei de iniciativa da Câmara Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, 4º, 150, II, 153, III, e 153, 2º, I; VI. O subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas Câmaras Municipais em cada legislatura para a subseqüente, observado o que dispõe esta Constituição, observados os critérios estabelecidos na respectiva Lei Orgânica e os seguintes limites máximos: a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a vinte por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; b) em Municípios de dez mil e um a cinqüenta mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a trinta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; c) em Municípios de cinqüenta mil e um a cem mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a quarenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a cinqüenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a sessenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a setenta e cinco por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; XII. Cooperação das associações representativas no planejamento municipal; XIII. Iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município, da cidade ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado; IX. Perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28, parágrafo único. Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita tributária e das transferências previstas no 5º do art. 153 e nos arts. 158 e 159, efetivamente realizado no exercício anterior: I. 7% (sete por cento) para Municípios com população de até 100.000 (cem mil) habitantes; II. 6% (seis por cento) para Municípios com população entre 100.000 (cem mil) e 300.000 (trezentos mil) habitantes; III. 5% (cinco por cento) para Municípios com população entre 300.001 (trezentos mil e um) e 500.000 (quinhentos mil) habitantes; IV. 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento) para Municípios com população entre 500.001 (quinhentos mil e um) e 3.000.000 (três milhões) de habitantes; V. 4% (quatro por cento) para Municípios com população entre 3.000.001 (três milhões e um) e 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; VI. 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) para Municípios com população acima de 8.000.001 (oito milhões e um) habitantes. 1º A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por cento de sua receita com folha de pagamento, incluído o gasto com o subsídio de seus Vereadores. 2º Constitui crime de responsabilidade do Prefeito Municipal: I. Efetuar repasse que supere os limites definidos neste artigo; II. Não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou 21 21 Direito Atualidades Constitucional VII. O total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante de cinco por cento da receita do Município; VIII. Inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município; III. Enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei Orçamentária. 3º Constitui crime de responsabilidade do Presidente da Câmara Municipal o desrespeito ao 1o deste artigo.

2222 Direito Atualidades Constitucional Alguns alunos acham que a banca jamais questionaria isso em sua prova. Não é o que temos visto. As questões de prova que abordam estes artigos exigem do candidato uma grande capacidade de memorização como no exemplo a seguir: 02. (FCC) Para composição da Câmara Municipal de um determinado Município do Estado de Sergipe, com 20 mil habitantes, será observado o limite máximo de a) 09 Vereadores. b) 11 Vereadores. c) 13 Vereadores. d) 15 Vereadores. e) 17 Vereadores. Resposta: B. Expressa previsão constitucional no artigo 29, IV, b. Mesmo sendo dotada de autonomia federativa, sua organização possui algumas limitações impostas pela própria Constituição. Dentre essas limitações deve se destacar a ausência de Poder Judiciário no âmbito municipal, cuja função jurisdicional é exercida pelos órgãos do Judiciário Federal e Estadual. Também lembramos que não existe representante municipal no Congresso Nacional. A Constituição permite que sejam criados novos municípios conforme as regras estabelecidas no artigo 18, 4º: Art. 18, 4º. A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei. Perceba que as regras são um pouco diferentes das necessárias para a criação de Estados. Primeira coisa que deve ser lembrada é que a criação será por Lei Ordinária Estadual, desde que haja autorização emanada de Lei Complementar Federal. As populações diretamente envolvidas na modificação devem ser consultadas por meio de plebiscito. E, por último, não se pode esquecer a exigência de Estudo de Viabilidade Municipal. Para sua prova, memorize essas condições. Um fato curioso é que apesar de não existir ainda uma Lei Complementar Federal autorizando o período de criação de Municípios, vários Municípios foram criados na vigência Constituição Federal o que obrigou o Congresso Nacional a aprovar a Emenda Constitucional nº 57/2008 que acrescentou o artigo 96 ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) convalidando a criação dos Municípios até 31 de dezembro de 2006: Art. 96. Ficam convalidados os atos de criação, fusão, incorporação e desmembramento de Municípios, cuja lei tenha sido publicada até 31 de dezembro de 2006, atendidos os requisitos estabelecidos na legislação do respectivo Estado à época de sua criação. Distrito Federal Um dia desses um aluno fez a seguinte pergunta: Professor, o Distrito Federal é um Estado ou é um Município?. A resposta é: O Distrito Federal não é Estado nem Município, é Distrito Federal. Essa pergunta é comum na cabeça de muitos alunos haja vista não conhecerem a natureza jurídica do DF. Ora, a Constituição Federal afirma que o Distrito Federal é ente federativo assim como a União, os Estados e os Municípios. Este ente federativo é conhecido pela sua autonomia e por sua competência híbrida. Quando falo em competência híbrida quero dizer que o DF pode exercer competências tanto de Estado quanto de Município: Art. 32, 1º - Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios. Caracteriza a sua autonomia o fato de poder criar a sua própria Lei Orgânica bem como a existência do Poder Executivo (Governador), Legislativo (Câmara Legislativa) e Judiciário (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios): Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger- se-á por lei orgânica, votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição. 2º - A eleição do Governador e do Vice- Governador, observadas as regras do art. 77, e dos Deputados Distritais coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais, para mandato de igual duração. 3º - Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27.

Como se pode depreender da leitura do artigo a autonomia do DF possui algumas limitações, como por exemplo, a vedação da sua divisão em Municípios. Nesse, mesmo sentido, você deve se lembrar que o DF não possui competência para organizar e manter as Polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros Militar, o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública. Nestes casos, a competência foi conferida à União: Art. 32, 4º - Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar. Art. 21. Compete à União: XIII. Organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios; XIV. Organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio; Por fim, é importante lembrá-los de que o Distrito Federal não se confunde com Brasília. Isto é facilmente percebido pela leitura do artigo 18: Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. 1º - Brasília é a Capital Federal. O Distrito Federal é ente federativo, enquanto que Brasília é a Capital Federal. Sob a ótica da organização administrativa do DF, podemos afirmar que Brasília é uma das Regiões Administrativas do Distrito Federal, haja vista não poder o DF ser dividido em municípios. Competências dos Entes Federativos Como nós já estudamos, entre os entes federativos não existe hierarquia. Mas o que diferencia um ente federativo do outro? A diferença está na distribuição das competências pela Constituição. Cada ente federativo possui sua parcela de responsabilidades estabelecidas dentro da Constituição Federal. Para a fixação destas competências, a Constituição fez uso do Princípio da Predominância de Interesse. Este princípio define a abrangência das competências de cada ente com base na predominância de interesse. Para a União, em regra, foram previstas competências de interesse geral, de toda a coletividade. Para os Estados, a Constituição reservou competências de interesse regional. Aos Municípios competências de interesse local. E, por fim, ao Distrito Federal, foram reservadas competências de interesse local e regional, razão pela qual a doutrina chama de competência híbrida. As competências são classificadas em dois tipos: 01. Competências Materiais ou Administrativas 02. Competências Legislativas As competências materiais ou administrativas são aquelas que preveem ações a serem desempenhadas pelos entes federativos. As competências legislativas estão relacionadas com a capacidade que um ente federativo possui de criar leis, inovar o ordenamento jurídico. Primeiramente, vamos analisar as competências administrativas de todos os entes federativos. Comecemos pela União. Competências Administrativas A União possui duas formas de competências materiais: Exclusiva e Comum. As competências exclusivas estão previstas no artigo 21 da Constituição Federal: Art. 21. Compete à União: I. Manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais; II. Declarar a guerra e celebrar a paz; III. Assegurar a defesa nacional; IV. Permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente; V. Decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal; VI. Autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico; VII. Emitir moeda; VIII. Administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de natureza financeira, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e de previdência privada; IX. Elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social; 23 23 Direito Atualidades Constitucional

2424 Direito Atualidades Constitucional X. Manter o serviço postal e o correio aéreo nacional; XI. Explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos institucionais; XII. Explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens; b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos; c) a navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura aeroportuária; d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que transponham os limites de Estado ou Território; e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros; f) os portos marítimos, fluviais e lacustres; XIII. Organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios; XIV. Organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio; XV. Organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geografia, geologia e cartografia de âmbito nacional; XVI. Exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de rádio e televisão; XVII. Conceder anistia; Essas competências são exclusivas, pois a União exclui a possibilidade de outro ente federativo realizá-la. Por isso dizemos que são indelegáveis. Só a União pode fazer. A outra competência material da União é a comum. Ela é comum a todos os entes federativos, União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Veja o que diz o artigo 23: Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: I. Zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público; II. Cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência; III. Proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV. Impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; V. Proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência; VI. Proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII. Preservar as florestas, a fauna e a flora; VIII. Fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar; IX. Promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico; X. Combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos; XVIII. Planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e as inundações; XIII. Instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos de seu uso; XX. Instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos; XXI. Estabelecer princípios e diretrizes para o sistema nacional de viação; XXII. Executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; XXIII. Explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições: XI. Registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios; XII. Estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito. Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. Agora vejamos as competências materiais dos Estados. A primeira nós já falamos, é a competência comum prevista no artigo 23 analisada anteriormente. Os Estados também possuem a chamada competência residual, reservada ou remanescente. Está prevista no artigo 25, 1º o qual prevê que estão reservadas aos

Estados as competências que não lhe sejam vedadas pela Constituição. Significa dizer que os Estados poderão fazer tudo àquilo que não for competência da União ou do Município: Art. 25, 1º - São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição. Em relação às competências administrativas dos Municípios, a Constituição previu duas espécies: Comum e Exclusiva. A competência comum está prevista no artigo 23 e já foi vista anteriormente. A competência exclusiva está no artigo 30, III a IX da Constituição: Art. 30. Compete aos Municípios: III. Instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei; IV. Criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; V. Organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial; VI. Manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental; VII. Prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população; VIII. Promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano; IX. Promover a proteção do patrimônio históricocultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. E, por fim, no âmbito das competências administrativas, temos as competências do Distrito Federal que são chamadas de híbridas. O DF pode fazer tudo o que for de competência dos Estados ou dos Municípios. Competências legislativas Vejamos agora as competências legislativas de cada ente federativo. Primeiramente, no que diz respeito às competências legislativas da União, estas podem ser Privativas ou Concorrentes. As competências privativas da União estão previstas no artigo 22 da Constituição Federal e possuem como característica principal a possibilidade de delegação mediante Lei Complementar aos Estados: Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I. Direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; II. Desapropriação; III. Requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra; IV. Águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão; V. Serviço postal; VI. Sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais; VII. Política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores; VIII. Comércio exterior e interestadual; IX. Diretrizes da política nacional de transportes; X. Regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial; XI. Trânsito e transporte; XII. Jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia; XIII. Nacionalidade, cidadania e naturalização; XIV. Populações indígenas; XV. Emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão de estrangeiros; XVI. Organização do sistema nacional de emprego e condições para o exercício de profissões; XVII. Organização judiciária, do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e da Defensoria Pública dos Territórios, bem como organização administrativa destes; XVIII. Sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia nacionais; XIX. Sistemas de poupança, captação e garantia da poupança popular; XX. Sistemas de consórcios e sorteios; XXI. Normas gerais de organização, efetivos, material bélico, garantias, convocação e mobilização das polícias militares e corpos de bombeiros militares; XXII. Competência da polícia federal e das polícias rodoviária e ferroviária federais; XXIII. Seguridade social; XXIV. Diretrizes e bases da educação nacional; XXV. Registros públicos; 25 25 Direito Atualidades Constitucional

2626 Direito Atualidades Constitucional XXVI. Atividades nucleares de qualquer natureza; XXVII. Normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, 1, III; XXVIII. Defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e mobilização nacional; XXIX. Propaganda comercial. Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo. As competências concorrentes, previstas no artigo 24 da Constituição, podem ser exercidas de forma concorrentes pela União, pelos Estados e pelo Distrito Federal. Atenção: Município não possui competência concorrente! Vejamos o que diz o citado artigo: Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I. Direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; II. Orçamento; III. Juntas comerciais; IV. Custas dos serviços forenses; V. Produção e consumo; VI. Florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; VII. Proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII. Responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; IX. Educação, cultura, ensino e desporto; X. Criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas; XI. Procedimentos em matéria processual; 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. 4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. No âmbito das competências concorrentes, algumas regras são fundamentais para a sua prova. Aqui a participação da União é no sentido de fixar normas gerais, ficando os Estados com a competência de suplementar a legislação federal. Caso a União não legisle sobre determinada matéria de competência concorrente, nasce para o Estado o direito de legislar de forma plena sobre a matéria. Contudo, resolvendo a União legislar sobre matéria já regulada pelo Estado, a lei estadual ficará com sua eficácia suspensa pela lei federal nos pontos discordantes. Cuidado com este último ponto. Não ocorre revogação da lei estadual pela lei federal, haja vista não existir hierarquia entre leis de entes federativos distintos. O que ocorre, como bem explicitou a Constituição Federal, é a suspensão da eficácia. No âmbito das competências concorrentes, a superveniência de lei federal suspende a eficácia da lei estadual. Isso não é revogação. Lei federal não revoga lei estadual! Quanto às competências dos Estados podemos encontrar as seguintes espécies: residual, por delegação da União, concorrente suplementar e expressa. A competência residual dos Estados é também chamada de competência remanescente ou reservada. Está prevista no artigo 25, 1º, o qual se prevê que aos Estados serão reservadas todas as competências que não sejam previstas a União ou aos Municípios. Lembre-se de que este dispositivo fundamenta tanto as competências materiais quanto as legislativas: XII. Previdência social, proteção e defesa da saúde; XIII. Assistência jurídica e Defensoria pública; XIV. Proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência; XV. Proteção à infância e à juventude; XVI. Organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis. 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. Art. 25, 1º - São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição. Outra competência dos Estados é a por delegação da União que decorre da possibilidade de serem delegadas as competências privativas da União mediante Lei Complementar. Encontrase prevista no artigo 22, Parágrafo Único: Art. 22, Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo. Temos ainda as competências concorrentes suplementares previstas no artigo 24, 2º da CF. Estas suplementam a competência legislativa da União no âmbito das competências concorrentes

permitindo, inclusive, que os Estados legislem de forma plena quando não existir lei federa sobre o assunto: Art. 24, 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. E por último, temos as competências expressas dos Estados, as quais podem ser encontradas nos artigos 18, 4º e 25, 2º e 3º da Constituição Federal: Art. 18, 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei. Art. 25, 2º - Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação. 3º - Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. Para os Municípios a Constituição previu dois tipos de competência legislativa: exclusiva e suplementar. A legislativa exclusiva dos Municípios está prevista no artigo 30, I, o qual prevê que os Municípios possuem competência para legislar sobre assuntos de interesse local: Art. 30. Compete aos Municípios: I. Legislar sobre assuntos de interesse local; A competência legislativa suplementar está prevista no artigo 30, II, o qual permite aos Municípios legislar de forma suplementar a Legislação Federal e Estadual: Art. 30. Compete aos Municípios: II. Suplementar a legislação federal e a estadual no que couber; Por fim, nós temos a competência legislativa do Distrito Federal que, conforme já dito, é híbrida, permitindo ao DF legislar sobre as matérias de competência dos Estados e dos Municípios. Apesar desta competência ampla, a Constituição resolveu estabelecer algumas limitações a sua autonomia legislativa excluindo algumas matérias de sua competência. Segundo o artigo 21, XIII e XIV da CF, o Distrito Federal não possui competência para organizar e legislar sobre alguns dos seus órgãos: Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar e Polícia Civil. Art. 21. Compete à União: XIII. Organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios; XIV. Organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio; Diante deste estudo, algumas conclusões são muito úteis para prova: 01. Não confunda as competências Exclusivas com as Privativas da União. Competência Exclusiva é administrativa e indelegável. Competência privativa é legislativa e delegável; 02. Não confunda as competências Comuns com as Concorrentes. Competência comum é comum a todos os entes e é administrativa. Competência concorrente é só para União, Estados e o DF além de ser legislativa. Município tem competência comum, mas não tem concorrente; 03. Combinações que mais caem em prova: as bancas gostam de confundir as competências Concorrentes com as Privativas bem como as Competências Exclusivas com as Comuns. Tenha cuidado! 04. As questões de prova acerca deste tema dependem de uma grande capacidade de memorização por parte do aluno. A sugestão é: estude as competências dos entes federativos na semana da prova de forma que a informação fique na sua memória recente e possa ser resgatada com mais facilidade no momento da prova. Competências Administrativas (Materiais) União - Exclusiva (art. 21) - Comum (art. 23) Estados - Comum (art. 23) - Residual, reservada, remanescente (art. 25, 1º) Municípios - Comum (art. 23) - Exclusiva (art. 30, III-IX) Distrito Federal - Competência híbrida (Estados e Municípios) Competências Legislativas Privativa (art. 22) Concorrente (art. 24) - Concorrente suplementar (art. 24) - Residual, reservada, remanescente (art. 25, 1º) - Por delegação da União (art. 22, Único) - Expressos (art. 25, 2º e 3º) - Exclusiva (art. 30, I) -Suplementar ao Estado (art. 30, II) - Competência híbrida (Estados e Municípios) 27 27 Direito Atualidades Constitucional

2828 Direito Atualidades Constitucional 01. (CESPE) As capacidades de autoorganização, autogoverno, autoadministração e autolegislação reconhecidas aos estados federados exemplificam a autonomia que lhes é conferida pela Carta Constitucional. 02. (CESPE) Na esfera da competência material comum, a Constituição Federal de 1988 prevê que leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os estados, o Distrito Federal e os municípios, com vistas ao equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. 03. (CESPE) Considere que determinado estado da Federação tenha obtido aprovação tanto de sua população diretamente interessada, por meio de plebiscito, como do Congresso Nacional, por meio de lei complementar, para se desmembrar em dois estados distintos. Nesse caso, foi cumprida a exigência imposta pela Constituição para incorporação, subdivisão, desmembramento ou formação de novos estados ou territórios federais. 04. (FCC) Tendo em vista a organização do Estado, é certo que a) a União é pessoa jurídica de direito público interno e externo sendo o único ente formador do Estado Federal, uma vez que os demais entes são divisões administrativo-territoriais. b) a República Federativa do Brasil representa o Estado Federal nos atos de Direito Internacional, porque quem pratica os atos desse Direito é a União Federal e os Estados federados. c) a União, por ser soberana em todos os aspectos, pode ser considerada entidade federativa em relação aos Estados membros e Municípios. d) os entes integrantes da Federação, em determinadas situações, à exceção dos Territórios, têm competência para representar o Estado federal frente a outros Estados soberanos. e) à União cabe exercer as prerrogativas de soberania do Estado brasileiro, quando representa a República Federativa do Brasil nas relações internacionais. 05. (CESGRANRIO) Determinado município aprovou uma lei estabelecendo horário de funcionamento do comércio local e das instituições bancárias instaladas naquele município. Essa lei é a) constitucional, já que aos municípios compete legislar sobre matéria de interesse local. b) parcialmente inconstitucional, já que os Municípios têm competência para legislar sobre horário de funcionamento de instituições financeiras, mas não do comércio local. c) parcialmente inconstitucional, já que os Municípios têm competência para legislar sobre horário de funcionamento do comércio local, mas não de instituições financeiras. d) totalmente inconstitucional, já que essas matérias são de competência da União Federal. e) totalmente inconstitucional, já que essas matérias são de competência dos estados. 06. (FUNRIO) Com relação ao Distrito Federal, nos termos da Constituição da República, é correto afirmar que a) ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas exclusivamente aos Municípios. b) o Distrito Federal, permitida sua divisão em Municípios, reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos pelo Congresso Nacional e aprovada posteriormente em plebiscito. c) a Lei Distrital disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar. d) a eleição do Governador e do Vice- Governador e dos Deputados Distritais coincidirá com a dos Prefeitos e Vereadores para mandato de igual duração. e) o Distrito Federal reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legislativa. 07. (CESPE) Compete à União explorar diretamente, na forma da lei, ou mediante concessão, os serviços de gás canalizado. 08. (CESPE) Assinale a opção correta a respeito da competência da União, do Distrito Federal (DF) e dos estados-membros. a) Ao legislar sobre normas gerais, a União, no que diz respeito à sua competência, não deixa margem de atuação legislativa para os estadosmembros, caso o assunto tenha sido esgotado. b) A União, por ser soberana, poderá editar normas específicas aplicáveis aos estadosmembros e ao DF que não serão passíveis de controle de constitucionalidade. c) Os estados-membros têm competência comum, não legislativa, e residual ou reservada. Neste último caso, aos estados-membros estarão reservadas todas as competências que não sejam vedadas a eles, ou seja, as que não forem de competência expressa dos outros entes. Uma das competências expressamente reservadas aos estados-membros pela CF é a de explorar os serviços locais de gás canalizado, mediante concessão, na forma da lei, vedada a regulamentação da referida matéria por medida provisória.

d) É competência exclusiva da União legislar sobre direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho. e) Os estados, autônomos que são, têm competência legislativa própria, e a CF, assim como fez com os outros entes federados, dedicou artigo para enumerar, taxativamente, as matérias de sua competência. 09. (ESAF) Assinale a opção que contempla todos os entes da organização político-administrativa da República Federativa do Brasil, nos termos da Constituição. a) União, Estados, Distrito Federal e Municípios, todos soberanos. b) União, Estados, Distrito Federal, Territórios Federais e Municípios, todos soberanos. c) União, Estados, Distrito Federal, Territórios Federais e Municípios, todos independentes. d) União, Estados, Distrito Federal, Territórios Federais e Municípios, todos autônomos. e) União, Estados, Distrito Federal e Municípios, todos autônomos. 10. (ESAF) Sobre a organização do Estado brasileiro, julgue os itens a seguir e assinale a opção correta. a) As terras devolutas localizadas no território brasileiro, são, por força de disposição constitucional, bens da União. b) Nos termos da Constituição Federal, a fixação dos subsídios dos vereadores dependerá, tão somente, do número de habitantes do município e do valor do subsídio do Deputado Estadual. c) A divisão dos Territórios em municípios depende de lei e poderá ser feita, apenas, nos Territórios cuja população seja superior ao limite mínimo estabelecido no texto constitucional. d) A intervenção da União em um Estado, em razão de impedimento do livre exercício do Poder Judiciário estadual, depende de solicitação, ao presidente da República, do Poder Judiciário impedido, feita pelo presidente do Tribunal. e) A administração fazendária e seus servidores fiscais terão, na forma da lei, dentro das suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos 11. (ESAF) Sobre a organização Político- Administrativa e a formação dos Estados, é correto afirmar que: a) de acordo com as disposições constitucionais vigentes, é possível criar novos Estados, mesmo que não seja por intermédio de divisão de outro ou outros Estados. b) os Territórios Federais transformados em Estados não podem mais restabelecer a situação anterior. c) poderá ocorrer a fusão entre Estados. Nesse caso, nem todos perdem a primitiva personalidade, pois, ao surgir o Estado novo, este adquire a personalidade de um deles. d) nos processos de transformação dos Estados, o Senado não está obrigado a ouvir nem ao pronunciamento plebiscitário, nem ao das Assembleias, notando-se que estas não decidem, apenas opinam pela aprovação, pela rejeição, ou simplesmente se abstêm de tomar partido. e) qualquer processo de transformação do Estado deve passar por um pronunciamento plebiscitário favorável à alteração, devendo o processo ser remetido ao Senado, a quem cabe a aprovação das alterações, mediante lei. 12. (ESAF) Sobre as competências da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, assinale a única opção correta. a) Compete ao Município decretar o estado de sítio. b) Compete privativamente à União legislar sobre direito econômico. c) Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre trânsito e transporte. d) Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das polícias civil e militar do Distrito Federal. e) É constitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias. 13. (ESAF) Assinale a opção correta relativa à organização política e administrativa do Estado brasileiro, de acordo com a previsão contida na Constituição Federal de 1988. a) Os Estados podem instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de Municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. b) Cabe aos Estados organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial. c) Compete aos Municípios explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado. d) Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre desapropriação. e) Cabe aos Estados planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e as inundações. 29 29 Direito Atualidades Constitucional

3030 Direito Atualidades Constitucional 14. (ESAF) Assinale a opção incorreta relativamente à organização do Estado políticoadministrativo na Constituição Federal de 1988. a) A organização político-administrativa da União compreende os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos na forma do disposto na própria Constituição Federal. b) Brasília é a Capital Federal. c) Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar. d) Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, por meio de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar. e) A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei. 15. (FCC) Compete privativamente à União legislar sobre a) serviço postal. b) orçamento. c) produção. d) consumo. e) defesa do solo. 16. (FCC) Nos termos da Constituição Federal, a competência para legislar sobre registros públicos e desapropriação é a) privativa da União. b) comum da União, dos Estados e do Distrito Federal. c) concorrente da União, dos Estados e dos Municípios. d) comum dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. e) exclusiva dos Estados e do Distrito Federal. 17. (FCC) Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre a) sistema estatístico. b) desapropriação. c) informática. d) educação. e) propaganda comercial 18. (CESPE) De acordo com as regras constitucionais relativas à organização políticoadministrativa do Estado brasileiro, assinale a opção correta. a) Compete à União e aos estados legislar concorrentemente sobre trânsito e transporte. b) A CF veda a criação de tribunais, conselhos ou órgãos de contas municipais. c) O chefe do Poder Executivo federal tem competência para decretar a intervenção em qualquer município situado em toda a extensão do território nacional, enquanto o chefe do Poder Executivo estadual tem competência para decretar a intervenção nos municípios instalados em sua área de atuação. d) Compete privativamente à União legislar sobre direito econômico e penitenciário. e) Cabe à União explorar, em regime de monopólio, em todo o território nacional, os serviços de gás canalizado. 19. (CESPE) Embora seja da competência da União legislar sobre defesa territorial, na hipótese de ocorrência de omissão legislativa acerca desse tema, aos estados-membros é concedida autorização constitucional para o exercício da competência legislativa suplementar. 20. (CESPE) A CF veda a criação de novos territórios. 1 2 3 4 5 CERTO CERTO CERTO E C 6 7 8 9 10 E ERRADO C E E 11 12 13 14 15 D D A A A 16 17 18 19 20 A D B ERRADO ERRADO

03 Organização dos Poderes III Poder Judiciário Organograma O Poder Judiciário é o titular da chamada função jurisdicional. Ele possui a atribuição principal de dizer o direito, aplicar o direito ao caso concreto. Além de desempenhar esta função típica, o Judiciário também exerce de forma atípica a função dos demais poderes. Quando realiza concursos públicos ou contrata uma empresa prestadora de serviços, ele o faz no exercício da função administrativa (Poder Executivo). O Judiciário também exerce de forma atípica a função do Poder Legislativo quando edita instrumentos normativos que regulam as atividades dos tribunais. Para desempenhar suas funções, o Poder Judiciário se utiliza de diversos órgãos os quais estão previstos no artigo 92: Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário: I. O Supremo Tribunal Federal; I-A. O Conselho Nacional de Justiça; II. O Superior Tribunal de Justiça; III. Os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; IV. Os Tribunais e Juízes do Trabalho; V. Os Tribunais e Juízes Eleitorais; VI. Os Tribunais e Juízes Militares; VII. Os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. 1º O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e os Tribunais Superiores têm sede na Capital Federal. 2º O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores têm jurisdição em todo o território nacional. Para que se tenha ideia de como esse esquema dos órgãos do Poder Judiciário pode ser útil em uma prova, veja esta questão: 01. (ESAF) O Tribunal de Contas da União faz parte do Poder Judiciário. ERRADO. O Tribunal de Contas da União, apesar de ser um tribunal, não possui função jurisdicional. Segundo a jurisprudência do STF, o TCU é órgão autônomo e independente dos demais poderes. Exerce suas atribuições fiscalizatórias junto ao Congresso Nacional, mas não possui subordinação a nenhum poder. Por esta razão, o TCU não faz parte do Poder Judiciário. Critérios para ingresso na carreira Vejamos o que diz o artigo 93, I da Constituição Federal: Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: I. Ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases, exigindose do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de classificação; Esse inciso apresenta regras para o ingresso na carreira da Magistratura. O ingresso se dar-se-á no cargo de juiz substituto e depende de aprovação em concurso público de provas e títulos. É um concurso bem simplificado, com apenas 5 fases, com prova objetiva, discursiva, oral, dentre outras. Como foi possível perceber, é um tipo de concurso que, apesar da ironia, é bem seletivo, sendo que aprovação depende de intensa dedicação do candidato. Além de a prova ser dificílima, o candidato precisa comprovar no mínimo três anos de atividade jurídica que só pode ser realizada após a conclusão do curso. Muito cuidado com este prazo de atividade jurídica exigido, as bancas adoram trocar o 3 por outro número. Direito Constitucional 31

3232 Direito Atualidades Constitucional O conceito de atividade jurídica é definido na Resolução nº 75/2009 do Conselho Nacional de Justiça que prevê, dentre outros, o exercício da advocacia ou de cargo público privativo de bacharel em direito como forma de se comprovar o tempo exigido. Quinto constitucional O quinto constitucional é um presente de Deus. Isto porque o quinto permite que uma pessoa se torne magistrado sem necessidade de realização de concurso público para a magistratura. É uma porta de entrada destinada a quem não é membro do Poder Judiciário. A regra do quinto decorre do fato de que 1/5 das vagas em alguns tribunais são destinadas aos membros do Ministério Público ou da Advocacia. Veja o que dispõe o artigo 94 da Constituição Federal: Art. 94. Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios será composto de membros, do Ministério Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes. Parágrafo único. Recebidas as indicações, o tribunal formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que, nos vinte dias subseqüentes, escolherá um de seus integrantes para nomeação. Um detalhe que não pode ser esquecido é: para concorrer às vagas pelo quinto constitucional, faz-se necessário que os membros do Ministério Público e da Advocacia possuam mais de 10 anos de experiência. Outra questão muito importante é saber quais são os tribunais que permitem o ingresso pelo quinto. Segundo o artigo 94 podem ingressar pelo quinto os membros do: Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios. Ainda possuem um quinto das vagas para os Membros do MP e da Advocacia os Tribunais Regionais do Trabalho e o Tribunal Superior do Trabalho. Assim preveem os artigos 111-A e 115 da Constituição: dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: I. Um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo: I. Um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; Muito cuidado com uma pegadinha que costuma retirar muito candidato em concurso. O Superior Tribunal de Justiça também permite que membros do Ministério Público ou da Advocacia nele ingressem, contudo, não são destinadas 1/5 das vagas, mas apenas 1/3 das vagas: Art. 104. O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo, trinta e três Ministros. Parágrafo único. Os Ministros do Superior Tribunal de Justiça serão nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: I. Um terço dentre juízes dos Tribunais Regionais Federais e um terço dentre desembargadores dos Tribunais de Justiça, indicados em lista tríplice elaborada pelo próprio Tribunal; II. Um terço, em partes iguais, dentre advogados e membros do Ministério Público Federal, Estadual, do Distrito Federal e Territórios, alternadamente, indicados na forma do art. 94. Quinto Cons tucional MP 10 anos de experiência Advogado CUIDADO: _ 1 5 _ 1 3 TJ TRF TRT TST STJ Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete Ministros, escolhidos

Garantias dos membros As garantias são um conjunto de proteções que os membros do Poder Judiciário possuem e que são inerentes ao exercício de suas funções. Uma observação se faz necessária. Quando se fala membro do poder judiciário refiro-me ao titular da Função Jurisdicional, ou seja, ao magistrado, ao juiz. Os demais servidores auxiliares do Poder Judiciário não possuem as mesmas garantias dos juízes. A doutrina classifica as garantias dos magistrados em duas espécies: 01. Garantias de Independência 02. Garantias de Imparcialidade As Garantias de Independência são proteções que garantem ao magistrado uma maior tranquilidade para desempenhar suas funções. O objetivo é permitir ao Juiz segurança no desempenhar de suas funções. Elas estão previstas no artigo 95 as quais são: Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias: I. Vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial transitada em julgado; II. Inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do art. 93, VIII; III. Irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, 4º, 150, II, 153, III, e 153, 2º, I. A vitaliciedade é como se fosse a estabilidade do servidor público com uma diferença: ela é bem mais vantajosa que a simples estabilidade. A vitaliciedade garante ao magistrado que perca o seu cargo apenas por sentença judicial transitada em julgado. Como se pode ver, é bem mais vantajosa que a estabilidade. Atenção para alguns detalhes. A vitaliciedade só será adquirida após dois anos de exercício no cargo. Durante o estágio probatório do juiz, que dura 2 anos, ele poderá perder o cargo por deliberação do próprio tribunal do qual o Juiz faz parte. Um detalhe quase nunca percebido é que a exigência dos dois anos de exercício para se adquirir a vitaliciedade só se aplica aos juízes do primeiro grau, ou seja, aos juízes que ingressaram na carreira por meio de concurso público. Os Juízes que ingressam diretamente no Tribunal, por meio do Quinto Constitucional, ou mesmo no STJ pelo 1/3 das vagas, não precisam esperar os dois anos para adquirir a garantia. Para estes, a vitaliciedade é imediata, sendo adquirida no momento em que ele pisa no Tribunal. A Inamovibilidade prevê que o magistrado não poderá ser removido do local onde exerce a sua função sem a sua vontade. Ele poderá julgar qualquer pessoa, conforme sua convicção, sem medo de ser obrigado a deixar o local onde exerce sua jurisdição. Esta garantia não é absoluta, pois poderá ser removido de ofício por interesse público conforme preleciona o artigo 93, VIII: Art. 93, VIII - o ato de remoção, disponibilidade e aposentadoria do magistrado, por interesse público, fundar-se-á em decisão por voto da maioria absoluta do respectivo tribunal ou do Conselho Nacional de Justiça, assegurada ampla defesa; A Irredutibilidade dos Subsídios representa a garantia de que o magistrado não poderá ter redução em sua remuneração. A forma de retribuição pecuniária do magistrado é por meio de subsídio, que equivale a uma parcela única. Por isso fala-se em irredutibilidade dos subsídios. O parágrafo único do mesmo artigo apresenta o rol de Garantias de Independência. Essas normas são verdadeiras vedações aplicadas aos magistrados. São impedimentos que visam garantir um julgamento imparcial, sem vícios ou privilégios. Por isso, são chamadas de garantias de imparcialidade. São elas: Art. 95. Parágrafo único. Aos juízes é vedado: I. Exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério; II. Receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo; III. Dedicar-se à atividade político-partidária. IV. Receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; V. Exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração. Geralmente as bancas cobram a memorização destas vedações. O inciso I é bem cobrado em razão da exceção prevista na Constituição para a acumulação de cargos ou funções. Segundo este inciso, o magistrado, além de exercer sua função de juiz, também pode exercer uma função de magistério. O inciso II proíbe o magistrado de receber custas ou participação em processos. O Juiz já recebe sua remuneração para desempenhar sua função independente dos valores que estão em jogo nos processos. 33 33 Direito Atualidades Constitucional

3434 Direito Atualidades Constitucional O inciso III proíbe o juiz que se dedique a atividade político-partidária exatamente para evitar que seus julgamentos sejam influenciados por correntes políticas ou convicções partidárias. O juiz precisa ficar alheio a tais situações. O inciso IV proíbe o magistrado de receber ajudas financeiras de terceiros ressalvados os casos previstos em lei. Por exemplo, um juiz não pode receber um carro como agradecimento por um julgamento favorável, mas poderia receber os valores decorrentes da venda de livros que tenha escrito ou mesmo, receber valores pela ministração de palestras. Atenção com estes prazos: 3 anos de atividade jurídica, 3 anos de quarentena e 2 anos para vitaliciedade. Composição dos órgãos do poder judiciário A composição dos tribunais é tema recorrente em prova e que requer um alto poder de memorização do candidato, principalmente pela composição diferenciada entre um e outro tribunal. Vejamos então a composição de cada um dos órgãos do Poder Judiciário. Supremo Tribunal Federal Art. 101. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. O Supremo Tribunal Federal é o órgão de cúpula do Poder Judiciário e é formado por 11 ministros escolhidos pelo Presidente da República depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, dentre os cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Existe mais um requisito que não está escrito neste artigo, mas está previsto no artigo 12, 3º, IV da Constituição. Para ser Ministro do STF tem que ser brasileiro nato: Art. 12, 3º - São privativos de brasileiro nato os cargos: Uma coisa interessante é que a Constituição não exige do candidato a Ministro do STF que tenha formação superior em Direito apesar de exigir notório saber jurídico. Conselho Nacional de Justiça Vejamos agora a composição do Conselho Nacional de Justiça: Art. 103-B. O Conselho Nacional de Justiça compõese de 15 (quinze) membros com mandato de 2 (dois) anos, admitida 1 (uma) recondução, sendo: I. O Presidente do Supremo Tribunal Federal; II. Um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, indicado pelo respectivo tribunal; III. Um Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, indicado pelo respectivo tribunal; IV. Um desembargador de Tribunal de Justiça, indicado pelo Supremo Tribunal Federal; V. Um juiz estadual, indicado pelo Supremo Tribunal Federal; VI. Um juiz de Tribunal Regional Federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça; VII. Um juiz federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça; VIII. Um juiz de Tribunal Regional do Trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho; IX. Um juiz do trabalho, indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho; X. Um membro do Ministério Público da União, indicado pelo Procurador-Geral da República; XI. Um membro do Ministério Público estadual, escolhido pelo Procurador-Geral da República dentre os nomes indicados pelo órgão competente de cada instituição estadual; XII. Dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; XIII. Dois cidadãos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal. 1º O Conselho será presidido pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal e, nas suas ausências e impedimentos, pelo Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal. 2º Os demais membros do Conselho serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. IV. De Ministro do Supremo Tribunal Federal; 3º Não efetuadas, no prazo legal, as indicações previstas neste artigo, caberá a escolha ao Supremo Tribunal Federal.

Aqui há uma composição interessante para ser cobrada em sua prova. A composição do CNJ possui uma dificuldade peculiar na sua memorização. Perceba na leitura do artigo que os membros do Conselho são indicados por algum órgão. Além de memorizar os membros, o candidato tem que memorizar o órgão que indicou o membro. Para isso façamos uma análise lógica na construção desta composição em sua cabeça. A primeira coisa que você tem que fazer é identificar os órgãos que escolhem: 01. STF; 02. STJ; 03. TST; 04. PGR; 05. CFOAB; 06. Câmara dos Deputados; 07. Senado Federal. A partir desta primeira análise, parte-se para a identificação dos membros que são indicados por cada um dos órgãos que deve ser construída de forma lógica. Dentre os membros do CNJ existem 2 advogados.: quem poderia indicar dois advogados? O STF, o STJ, o TST ou o Conselho Federal dos Advogados do Brasil? É óbvio que quem indica dos dois advogados é o CFOAB. Dentre os membros do CNJ existe um membro do Ministério Público da União e um membro do Ministério Público estadual. Quem será que indica estes dois membros do Ministério Público? Será que o STF? Ou seria o STJ? Será que não é mais lógico que a escolha dos membros do Ministério Público seja do Procurador Geral da República que é o chefe do Ministério Público da União? Certamente. Veja que dentro desta lógica fica fácil identificar os membros do CNJ. Continuemos nossa análise. Agora existem membros da justiça trabalhista: 1 Ministro do TST, 1 Juiz do TRT e um Juiz do Trabalho. Quem será que escolhe estes juízes? STF, STJ ou TST? Mais uma resposta bem lógica. Só pode ser o Tribunal Superior do Trabalho o responsável pela escolha destes três membros pertencentes à justiça trabalhista. Ainda temos alguns membros a serem escolhidos. Quem será que escolhe os membros da Justiça Federal (Juiz do TRF e Juiz Federal)? Tem que ser o Tribunal guardião da Legislação Federal: Superior Tribunal de Justiça. Ele também escolherá um membro do seu próprio tribunal para fazer parte do CNJ. Ao Supremo Tribunal Federal fica a responsabilidade pela escolha dos membros da Justiça Estadual, ou seja, um Juiz Estadual e um Desembargador de Tribunal de Justiça. Aqui cabe uma observação importantíssima. O STF não escolhe um de seus ministros para fazer parte do CNJ, pois o Presidente do STF é membro nato. Ele não é escolhido, ele faz parte do CNJ desde sua nomeação como Presidente do STF. Ao mesmo tempo em que é indicado como Presidente do STF, ele também cumulará a função de Presidente do CNJ. Por último nos resta saber quem o Senado Federal e a Câmara dos Deputados indicará para ser membro do CNJ. Cada um deles indicará um cidadão de notável saber jurídico e reputação ilibada. Como se pode perceber, nem todos os membros do Conselho Nacional de Justiça são membros do Poder Judiciário. Essa é uma característica já cobrada em prova, com exceção do Presidente do STF, que é membro nato do CNJ, os demais serão nomeados pelo Presidente da República depois de aprovada a escolha pela maioria do Senado Federal. Caso as indicações acima listadas não sejam efetuadas, caberá ao Supremo Tribunal Federal fazê-las. Lembre-se de que os membros do CNJ exercem um mandato de dois anos, sendo admitida uma recondução. Abaixo segue um esquema de memorização para a composição deste órgão do poder judiciário. 35 35 Direito Atualidades Constitucional

3636 Direito Atualidades Constitucional Superior Tribunal de Justiça O texto constitucional prevê no artigo 104: Art. 104. O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo, trinta e três Ministros. Parágrafo único. Os Ministros do Superior Tribunal de Justiça serão nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: I. um terço dentre juízes dos Tribunais Regionais Federais e um terço dentre desembargadores dos Tribunais de Justiça, indicados em lista tríplice elaborada pelo próprio Tribunal; II. um terço, em partes iguais, dentre advogados e membros do Ministério Público Federal, Estadual, do Distrito Federal e Territórios, alternadamente, indicados na forma do art. 94. O Superior Tribunal de Justiça é composto por no mínimo 33 ministros. Cuidado com isso em prova: não são 33, mas, no mínimo 33. Esse dispositivo permite que o Tribunal possua mais de 33 membros. Seus membros serão nomeados pelo Presidente da República depois de aprovada a escolha pelo Senado Federal. Aqui se aplica uma regra comum nos tribunais superiores: nomeação pelo Presidente mediante aprovação do Senado. Outro requisito é a idade: no mínimo 35 e no máximo 65 anos. Questão sempre cobrada em prova é a composição. A escolha dos Ministros não é livre, estando vinculada ao texto constitucional que prevê: 01. 1/3 das vagas para os membros dos Tribunais Regionais Federais; 02. 1/3 das vagas para os Desembargadores dos Tribunais de Justiça; 03. 1/3 das vagas, dividida em partes iguais, para membros do Ministério Público Federal e advogados com mais de 10 anos de experiência. No que tange às vagas para os membros do Ministério Público e advogados, uma coisa chama a atenção: a divisão em partes iguais. Se houver isso em sua prova e resolver fazer a conta, é muito provável que você marque esta afirmação como sendo incorreta, tendo em vista 1/3 de 33 ser igual a 11, valor este, impossível de se dividir em partes iguais, quando a divisão se trata de pessoas. Contudo esta é a previsão expressa da Constituição que não é de toda absurda. Considerando que o STJ pode ser composto por mais de 33 membros, havendo, por exemplo, 36, seria possível efetivar esta divisão em partes iguais. Logo, não existe nenhum absurdo nesta disposição. Enquanto o órgão for formado por 33 membros, a vaga remanescente é alternada entre membros do MPF e da advocacia. Tribunal Regional Federal O artigo 107 apresenta as regras de composição dos Tribunais Regionais Federais: Art. 107. Os Tribunais Regionais Federais compõem-se de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo: I. um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público Federal com mais de dez anos de carreira; II. os demais, mediante promoção de juízes federais com mais de cinco anos de exercício, por antigüidade e merecimento, alternadamente. Os TRF s possuem a mesma peculiaridade do STJ, no que diz respeito a composição baseada em um mínimo, sendo neste caso, mínimo de 7 juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região. Atualmente são 5 regiões jurisdicionais, cada uma sob a responsabilidade de um TRF. Para fazer parte dos TRF s o juiz precisa ter no mínimo 30 e no máximo 65 anos de idade. Veja que, quando comparada aos Tribunais Superiores, a idade mínima sofre uma atenuação de 35 para 30 anos. Cuidado com isso. Os membros dos TRF s são nomeados pelo Presidente da República sem necessidade de aprovação do Senado Federal. Esta é outra distinção bacana para sua prova. Nos TRF s adota-se a regra do Quinto Constitucional, por meio do qual, 1/5 das vagas são destinadas a advogados e membros do Ministério Público Federal com mais de 10 anos de experiência. As demais vagas são destinadas a promoção de juízes federais com mais de 5 anos de exercício, que pode ocorrer ou por merecimento ou por antiguidade, de forma alternada.

Justiça do Trabalho A Justiça do Trabalho encontra-se prevista no artigo 111 da Constituição, sendo competente para julgar as causas cuja matéria possui natureza trabalhista. São órgãos da Justiça do Trabalho: Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho: I. O Tribunal Superior do Trabalho; II. Os Tribunais Regionais do Trabalho; III. Juízes do Trabalho. 1º a 3º - Vejamos a composição dos órgãos da Justiça trabalhista. Tribunal Superior de Trabalho O Tribunal Superior do Trabalho é o órgão de cúpula da Justiça do Trabalho. Segundo a Constituição Federal, o TST é composto por 27 membros conforme previsão do artigo 111-A: Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: I. Um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; II. os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior. Veja que o Texto Constitucional exige para ser Ministro do TST a condição de brasileiro, maior de trinta e cinco anos e menor de sessenta e cinco anos. A nomeação dos Ministros se dá por ato do Presidente da República após a aprovação do Senado Federal pelo voto da maioria absoluta dos seus membros. Os 27 ministros são divididos da seguinte forma: 1/5 advogados com mais de 10 anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de 10 anos de efetivo exercício; 4/5 juízes dos TRT s, oriundos da magistratura de carreira, indicados pelo próprio tribunal. Como se pode perceber, no TST adota-se o critério de ingresso pela regra do Quinto Constitucional. Além disso, é importante ressaltar a exigência de que juiz do TRT que deseje concorrer a uma vaga no TST seja membro do Poder Judiciário de carreira, isto é, que tenha ingressado nos quadros do tribunal por meio de concurso público nos termos do artigo 93, I da CF. Esta última regra exclui a possibilidade daqueles que são oriundos do quinto constitucional nos TRT s de ingressarem no TST na vaga destinada aos membros da magistratura trabalhista (4/5 das vagas). A Constituição prevê, ainda, o funcionamento junto ao TST da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho conforme o artigo 111-A, 2º: Art. 111-A, 2º Funcionarão junto ao Tribunal Superior do Trabalho: I. a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho, cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira; II. o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa, orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema, cujas decisões terão efeito vinculante. Tribunal Regional do Trabalho O ingresso no Tribunal Regional do Trabalho se dá conforme as regras previstas no artigo 115 da CF: Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo: I. um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; II. os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por antigüidade e merecimento, alternadamente. 1º Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a justiça itinerante, com a realização de audiências e demais funções de atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários. 2º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão funcionar descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo. Art. 116. Nas Varas do Trabalho, a jurisdição será exercida por um juiz singular. 37 37 Direito Atualidades Constitucional

3838 Direito Atualidades Constitucional Parágrafo único. (Revogado pela Emenda Constitucional nº 24, de 1999) Art. 117. e Parágrafo único. (Revogados pela Emenda Constitucional nº 24, de 1999) São no mínimo 7 juízes recrutados, quando possível, na respectiva região os quais serão nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos de idade. Para ser um juiz do TRT é necessário a observação dos seguintes critérios: 1/5 advogados com mais de 10 anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de 10 anos de efetivo exercício; 4/5 juízes do trabalho promovidos por antiguidade e merecimento, alternadamente. A Constituição prevê dentro da estrutura dos TRT s, como forma de democratizar o acesso a Justiça do Trabalho, a possibilidade de instalação da justiça itinerante, com a realização de audiências e demais funções de atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários. Não se esqueça de que os TRT s poderão funcionar descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo, garantindo-se, desta forma, uma maior celeridade processual. Ainda dentro da estrutura da Justiça do trabalho, a Constituição prevê a possibilidade juízes de direito exercerem as atribuições da jurisdição trabalhista nas comarcas não abrangidas pela Justiça do Trabalho, garantindo-se nesse caso, recurso para o TRT: Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. Por fim, a Constituição determinou que a jurisdição nas Varas do Trabalho seja exercida por um juiz singular: Art. 116. Nas Varas do Trabalho, a jurisdição será exercida por um juiz singular. Justiça Eleitoral A justiça eleitoral é a justiça especializada em questões de natureza eleitoral. Seus órgãos estão previstos no artigo 118 da Constituição: Art. 118. São órgãos da Justiça Eleitoral: I. O Tribunal Superior Eleitoral; II. Os Tribunais Regionais Eleitorais; III. Os Juízes Eleitorais; IV. As Juntas Eleitorais. Uma peculiaridade distingue os órgãos da Justiça Eleitoral dos demais órgãos do Poder Judiciário. Apesar de seus membros possuírem as mesmas garantias dos demais membros do Poder Judiciário eles não possuem a vitaliciedade, haja vista serem eleitos para um mandato de dois anos, no mínimo, não podendo exercê-lo por mais de dois biênios consecutivos: Art. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais, dos juízes de direito e das juntas eleitorais. 1º - Os membros dos tribunais, os juízes de direito e os integrantes das juntas eleitorais, no exercício de suas funções, e no que lhes for aplicável, gozarão de plenas garantias e serão inamovíveis. 2º - Os juízes dos tribunais eleitorais, salvo motivo justificado, servirão por dois anos, no mínimo, e nunca por mais de dois biênios consecutivos, sendo os substitutos escolhidos na mesma ocasião e pelo mesmo processo, em número igual para cada categoria. Analisemos a composição de cada um dos órgãos da Justiça Eleitoral. Tribunal Superior Eleitoral O Tribunal Superior Eleitoral é o tribunal superior da Justiça Eleitoral. Sua composição está prevista no artigo 119 da Constituição Federal: Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete membros, escolhidos: I. Mediante eleição, pelo voto secreto: a) três juízes dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal; b) dois juízes dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça; II. Por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal. Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal, e o Corregedor Eleitoral dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça.

Como se pode depreender do texto constitucional, o TSE é composto de no mínimo sete membros os quais serão eleitos ou nomeados segundo as seguintes regras: a) Escolhidos mediante eleição: TRÊS juízes dentre os Ministros STF e DOIS juízes dentre os Ministros do STJ; b) Por nomeação do Presidente da República: DOIS juízes dentre seis ADVOGADOS de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal. O Presidente e o Vice-Presidente do TSE serão escolhidos dentre os Ministros do STF e o Corregedor Eleitoral será escolhido dentre os Ministros do STJ. Tribunal Regional Eleitoral Os Tribunais Regionais Eleitorais serão distribuídos em todo território nacional sendo um em cada Capital de cada Estado e no Distrito Federal os quais se comporão de SETE MEMBROS, conforme dispõe o artigo 120 da Constituição Federal: Art. 120. Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de cada Estado e no Distrito Federal. 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-seão: I. Mediante eleição, pelo voto secreto: a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça; b) de dois juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça; II. De um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do Estado ou no Distrito Federal, ou, não havendo, de juiz federal, escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Regional Federal respectivo; III. Por nomeação, pelo Presidente da República, de dois juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça. 2º - O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente- dentre os desembargadores. Os membros do TRE serão escolhidos conforme os seguintes critérios: a) Mediante eleição: DOIS juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça e DOIS juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça b) Por nomeação do Presidente da República: de DOIS juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça. UM juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do Estado ou no Distrito Federal, ou, não havendo, de juiz federal, escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Regional Federal respectivo; Cada TRE elegerá seu Presidente e o Vice- Presidente dentre os seus desembargadores. 01. Tse - mínimo 7 membros:»» 3 STF»» 2 STJ»» 2 Advogados 02. TRE - 7 membros :»» 2 Desembargadores TJ»» 2 Juízes TJ»» 1 Juiz TRF»» 2 Advogados Juízes e Juntas Eleitorais No que tange aos juízes e juntas eleitorais previstos no artigo 121 da Constituição, sua regulação está prevista no Código Eleitoral entre os artigos 32 e 41, a qual deve ser analisada em disciplina oportuna. Vejamos o que prevê o texto constitucional: Art. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais, dos juízes de direito e das juntas eleitorais. 1º - Os membros dos tribunais, os juízes de direito e os integrantes das juntas eleitorais, no exercício de suas funções, e no que lhes for aplicável, gozarão de plenas garantias e serão inamovíveis. Justiça Militar A Justiça Militar compõe a chamada justiça especializada, neste caso, em direito militar. A sua existência se deve à subordinação dos militares a um regime especial com direitos e deveres distintos quando comparados aos servidores civis. A Constituição Federal definiu como órgãos da justiça militar os seguintes: Art. 122. São órgãos da Justiça Militar: I. o Superior Tribunal Militar; II. os Tribunais e Juízes Militares instituídos por lei. Vejamos a composição de cada um dos órgãos. Superior Tribunal Militar O Superior Tribunal Militar é o órgão de cúpula da Justiça Militar o qual é composto segundo as regras estabelecidas no artigo 123 da CF: 39 39 Direito Atualidades Constitucional

4040 Direito Atualidades Constitucional Art. 123. O Superior Tribunal Militar comporse-á de quinze Ministros vitalícios, nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a indicação pelo Senado Federal, sendo três dentre oficiais-generais da Marinha, quatro dentre oficiaisgenerais do Exército, três dentre oficiais-generais da Aeronáutica, todos da ativa e do posto mais elevado da carreira, e cinco dentre civis. Parágrafo único. Os Ministros civis serão escolhidos pelo Presidente da República dentre brasileiros maiores de trinta e cinco anos, sendo: I. três dentre advogados de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional; II. dois, por escolha paritária, dentre juízes auditores e membros do Ministério Público da Justiça Militar. Veja que o STM é composto por QUINZE ministros nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a indicação pelo Senado Federal. Esses ministros ocuparão os cargos de forma vitalícia e serão escolhidos dentre militares da ativa e do posto mais elevado da carreira, bem como dentre civis escolhidos pelo Presidente da República com mais de 35 anos de idade, observadas as seguintes regras: a) 10 Militares» Três oficiais-generais da Marinha;» Quatro oficiais-generais do Exército;» Três oficiais-generais da Aeronáutica; b) 5 Civis» Três civis dentre advogados de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional;» Dois civis escolhidos de forma paritária, dentre juízes auditores e membros do Ministério Público da Justiça Militar. Tribunais e Juízes estaduais Em relação aos Tribunais e Juízes estaduais, a Constituição Federal fixou regras gerais e deixou a cargo de cada Estado organizar a sua justiça observados os princípios estabelecidos na Constituição Federal: Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição. 1º - A competência dos tribunais será definida na Constituição do Estado, sendo a lei de organização judiciária de iniciativa do Tribunal de Justiça. 2º - Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão. 3º A lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tribunal de Justiça, a Justiça Militar estadual, constituída, em primeiro grau, pelos juízes de direito e pelos Conselhos de Justiça e, em segundo grau, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo militar seja superior a vinte mil integrantes. 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças. 5º Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e julgar, singularmente, os crimes militares cometidos contra civis e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, cabendo ao Conselho de Justiça, sob a presidência de juiz de direito, processar e julgar os demais crimes militares. 6º O Tribunal de Justiça poderá funcionar descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo. 7º O Tribunal de Justiça instalará a justiça itinerante, com a realização de audiências e demais funções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários. Art. 126. Para dirimir conflitos fundiários, o Tribunal de Justiça proporá a criação de varas especializadas, com competência exclusiva para questões agrárias. Parágrafo único. Sempre que necessário à eficiente prestação jurisdicional, o juiz far-se-á presente no local do litígio. ÓRGÃOS MEMBROS IDADE COMPOSIÇÃO STF 11 35-65 Brasileiros natos Notável saber jurídico e reputação ilibada Nomeado pelo Presidente da República mediante aprovação do Senado CNJ 15 ----- Presidente do STF Indicados pelo STF: 1 Desembargador do TJ; 1 juiz estadual Indicados pelo STJ: 1 ministro do STJ; 1 juiz do TRF; 1 juiz federal; Indicados pelo TST: 1 ministro do TST; 1 juiz do TRT; 1 juiz do trabalho Indicados pelo PGR: 1 membro do MPE; 1 membro do MPU Indicados pelo CFOAB: 2 advogados Indicado pela Câmara: 1 cidadão Indicado pelo Senado: 1 cidadão

STJ TRF Mínimo de 33 Mínimo de 7 35-65 Brasileiro Notável saber jurídico e reputação ilibada Nomeado pelo Presidente da República mediante aprovação do Senado 1/3 juizes do TRF 1/3 desembargadores do TJ 1/3 advogados e membros do MPF, MPE e MPDFT 30-65 Nomeados pelo Presidente da República 1/5 advogados e membros do MPF 1 4/5 juízes federais TST 27 35-65 Nomeado pelo Presidente da República mediante aprovação do Senado 1/5 advogados e membros do MPT 4/5 juízes do TRT da magistratura de carreira TRT TSE Mínimo de 7 Mínimo de 7 30-65 Nomeados pelo Presidente da República 1/5 advogados e membros do MPT 4/5 juízes do trabalho ------ Eleição: 3 ministros do STF; 2 ministros do STJ Nomeação pelo Presidente da República: 2 advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral indicados pelo STF TRE 7 ------ Eleição: 2 desembargadores do TJ; 2 juízes de direito do TJ; 1 juiz do TRF ou juiz federal Nomeação pelo Presidente da República: 2 advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral indicados pelo TJ STM 15 ------ Ministros vitalícios Nomeados pelo Presidente da República mediante aprovação do Senado 3 oficiais-generais da Marinha 4 oficiais-generais do Exercito 3 oficiais-generais da Aeronáutica 5 civis escolhidos pelo Presidente dentre brasileiros com mais de trinta e cinco anos sendo três dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e dois dentre juízes auditores e membros do MPJM. Análise das competências dos órgãos do poder judiciário Esse tema é sem dúvida o terror de todo concurseiro. O seu sucesso nesta parte da matéria depende de intensa leitura e memorização das competências que serão cobradas em sua prova. As mais cobradas são, sem dúvida, as do STF e do STJ. Também há grande ocorrência despencado em prova questões sobre o CNJ. Vamos à análise de cada um dos órgãos do Poder Judiciário. Supremo Tribunal Federal O Supremo Tribunal Federal é o órgão de cúpula do Poder Judiciário. Também é conhecido como Tribunal Constitucional, pois possui como atribuição precípua a guarda da Constituição Federal. Como protetor do texto constitucional, ele realiza o chamado Controle de Constitucionalidade Concentrado. Mas isto será tratado em outro momento. Notase que as competências do STF compõem um rol taxativo e estão distribuídas em três espécies: originária, recursal ordinária e recursal extraordinária. Originárias as causas previstas no inciso I do artigo 102 têm início no próprio STF, a quem compete julgar originariamente. Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I. Processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República; c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente; d) o habeas-corpus, sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado de segurança e o habeas-data contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal; e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território; f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta; g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro; 41 41 Direito Atualidades Constitucional ¹ Os advogados e Membros do Ministério Público quando são nomeados para algum cargo do Poder Judiciário pelo Quinto Constitucional precisam comprovar 10 anos de experiência.

4242 Direito Atualidades Constitucional h) (Revogado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância; j) a revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados; l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões; m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de atribuições para a prática de atos processuais; n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados; o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal; p) o pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade; q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal; r) as ações contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Conselho Nacional do Ministério Público; 01. Recurso Ordinário Analisa matéria já debatida em instância anterior atuando como tribunal de 2º grau de jurisdição. O artigo 102, II prevê como competência em sede de recurso ordinário: II. Julgar, em recurso ordinário: a) o habeas-corpus, o mandado de segurança, o habeas-data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão; b) o crime político; 02. Recurso Extraordinário Atua na defesa da norma constitucional. O artigo 102, III prevê que compete ao STF o julgamento das causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida: III. Julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. As questões sobre competências costumam ser bem complicadas pois exigem do candidato a memorização de vários dispositivos, sem contar que as bancas costumam complicar colocando a competência de um tribunal como se fosse de outro tribunal. Veja esse exemplo: 02. (FCC) O litígio entre a França e o Estado de Sergipe deverá ser processado e julgado, originariamente, pelo a) Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe. b) Supremo Tribunal Federal. c) Superior Tribunal de Justiça. d) Tribunal Regional Federal. e) Congresso Nacional. RESPOSTA: B. Previsão expressa no artigo 102, I, e, da CF. Controle de Constitucionalidade O STF, em sede de controle de constitucionalidade concentrado, tem competência para apreciar originariamente a Ação Direta de Inconstitucionalidade e a Ação Declaratória de Constitucionalidade. Estas ações têm como objetivo questionar a constitucionalidade de uma lei ou ato normativo diante da Constituição. Quando este questionamento se dá diretamente no STF é necessário que seja apresentado por um dos legitimados que estão previstos no artigo 103: Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I. O Presidente da República; II. A Mesa do Senado Federal; III. A Mesa da Câmara dos Deputados; IV. A Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V. O Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI. O Procurador-Geral da República;

VII. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII. Partido político com representação no Congresso Nacional; IX. Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 1º - O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal. 2º - Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias. 3º - Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado- Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado. Você deve decorar o rol de legitimados. Observe que os membros do Poder Executivo e Legislativo da União, dos Estados e do Distrito Federal possuem legitimidade para ingressar com estas ações de Controle de Constitucionalidade, contudo as mesmas autoridades no âmbito dos Municípios não possuem e isso despenca em prova. Prefeito e Mesa da Câmara de Vereadores não possuem legitimidade para propor as ações de controle de constitucionalidade citadas acima. Observem também outros detalhes. No que tange às casas legislativas, a competência é da Mesa e não do membro. Mesa da Câmara ou da Assembleia é órgão de direção onde se encontram o Presidente da Casa, os Secretários e demais membros de direção. Quanto aos partidos políticos, não é qualquer partido político que tem legitimidade, tem que ser partido com representação no Congresso Nacional. E representação no Congresso Nacional significa pelo menos um membro em qualquer uma das casas. Em relação à confederação sindical ou entidade de classe, não será qualquer uma que tem legitimidade. Tem que ser de âmbito nacional. Súmulas Vinculantes As súmulas vinculantes são ferramentas jurídicas criadas para garantir maior efetividade ao inciso LXXVIII do artigo 5º da Constituição Federal de 1988 (celeridade processual). Introduzida no direito brasileiro através da Emenda Constitucional nº 45/2004, estas súmulas refletem o pensamento do Supremo Tribunal Federal acerca da validade, interpretação e eficácia de algumas normas que já foram analisadas em reiteradas decisões. A competência para edição destas súmulas é exclusiva do STF. Após a edição da súmula ela produz efeitos vinculantes para todos os órgãos do Poder Judiciário e para a Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. É importante ressaltar que os efeitos das Súmulas Vinculantes não atingem o STF nem o Poder Legislativo. O STF, por poder rever ou cancelar a súmula conforme a evolução jurisprudencial. E o Legislativo, por ser o Poder responsável pela inovação legislativa no Brasil. O seu principal objetivo é diminuir a quantidade de processos com temas idênticos que se acumulam nas diversas instâncias do Judiciário. Ao editar uma súmula vinculante o STF produz segurança jurídica e evita a multiplicação de processos sobre as questões sumuladas. Esse tema está regulado pelo artigo 103-A da Constituição Federal e a lei 11.417/2006. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso. 43 43 Direito Atualidades Constitucional

4444 Direito Atualidades Constitucional As súmulas vinculantes não vinculam o Supremo Tribunal Federal nem o Poder Legislativo. Superior Tribunal de Justiça O Superior Tribunal de Justiça é o conhecido protetor da legislação federal. Suas competências estão arroladas no artigo 105 da Constituição e estão divididas em: originária, recursal ordinária e recursal especial. 01. Originária As causas previstas no inciso I do artigo 105 têm início no próprio STJ, a quem compete julgar originariamente: a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais; b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal; c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea a, ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral; d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, o, bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos; e) as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados; f) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões; g) os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias da União, ou entre autoridades judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do Distrito Federal, ou entre as deste e da União; h) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal; i) a homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias; 02. Recurso Ordinário Analisa matéria já debatida em instância anterior atuando como tribunal de 2º grau de jurisdição. O artigo 105, II prevê como competência em sede de recurso ordinário: a) os habeas-corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória; b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País; 03. Recurso Especial Atua na defesa das normas infraconstitucionais federais. O artigo 105, III prevê que compete ao STJ o julgamento das causas decididas em única ou última instância pelos TRF s e TJ s que: a) Contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhe vigência; b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. Conselho Nacional de Justiça O Conselho Nacional de Justiça é órgão do poder judiciário, mas não possui função jurisdicional. Sua função é de caráter administrativo. O CNJ é responsável pela fiscalização administrativa e financeira do Poder Judiciário. Possui também atribuição para fiscalizar os seus membros quanto a observância dos deveres funcionais. Por fim, deve-se lembrar que o CNJ não possui competência sobre o STF, haja vista este ser o órgão de cúpula de todo o poder judiciário. 4º Compete ao Conselho o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, cabendo-lhe, além de outras atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura: I. Zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou recomendar providências; II. Zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação, a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Poder Judiciário, podendo desconstituí-los, revêlos ou fixar prazo para que se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência do Tribunal de Contas da União;

III. Receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Poder Judiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores de serviços notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou oficializados, sem prejuízo da competência disciplinar e correicional dos tribunais, podendo avocar processos disciplinares em curso e determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa; IV. Representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração pública ou de abuso de autoridade; V. Rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há menos de um ano; VI. Elaborar semestralmente relatório estatístico sobre processos e sentenças prolatadas, por unidade da Federação, nos diferentes órgãos do Poder Judiciário; VII. Elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias, sobre a situação do Poder Judiciário no País e as atividades do Conselho, o qual deve integrar mensagem do Presidente do Supremo Tribunal Federal a ser remetida ao Congresso Nacional, por ocasião da abertura da sessão legislativa. 5º O Ministro do Superior Tribunal de Justiça exercerá a função de Ministro-Corregedor e ficará excluído da distribuição de processos no Tribunal, competindo-lhe, além das atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura, as seguintes: I. Receber as reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos magistrados e aos serviços judiciários; II. Exercer funções executivas do Conselho, de inspeção e de correição geral; III. Requisitar e designar magistrados, delegandolhes atribuições, e requisitar servidores de juízos ou tribunais, inclusive nos Estados, Distrito Federal e Territórios. 6º Junto ao Conselho oficiarão o Procurador- Geral da República e o Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. 7º A União, inclusive no Distrito Federal e nos Territórios, criará ouvidorias de justiça, competentes para receber reclamações e denúncias de qualquer interessado contra membros ou órgãos do Poder Judiciário, ou contra seus serviços auxiliares, representando diretamente ao Conselho Nacional de Justiça. Justiça Federal Estes são os órgãos da chamada Justiça Federal: Art. 106. São órgãos da Justiça Federal: I. os Tribunais Regionais Federais; II. os Juízes Federais. Tribunal Regional Federal e Juízes Federais As competências da Justiça Federal, em regra, estão relacionadas com causas de interesse da União. Muito cuidado com esse tema, pois se você observar bem existe competências que são dos Tribunais Regionais Federais e outras que são dos Juízes Federais. As provas adoram trocar estas competências umas pelas outras. As primeiras encontramse definidas no artigo 108 e as dos Juízes Federais estão previstas no artigo 109: Art. 108. Compete aos Tribunais Regionais Federais: I. Processar e julgar, originariamente: a) os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho, nos crimes comuns e de responsabilidade, e os membros do Ministério Público da União, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral; b) as revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes federais da região; c) os mandados de segurança e os habeas-data contra ato do próprio Tribunal ou de juiz federal; d) os habeas-corpus, quando a autoridade coatora for juiz federal; e) os conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao Tribunal; II. Julgar, em grau de recurso, as causas decididas pelos juízes federais e pelos juízes estaduais no exercício da competência federal da área de sua jurisdição. Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: I. As causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; II. As causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País; III. As causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional; IV. Os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; V. Os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; V-A. As causas relativas a direitos humanos a que se refere o 5º deste artigo; VI. Os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira; VII. Os habeas-corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição; VIII. Os mandados de segurança e os habeasdata contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais; IX. Os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar; 45 45 Direito Atualidades Constitucional

4646 Direito Atualidades Constitucional X. Os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o exequatur, e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização; XI. A disputa sobre direitos indígenas. Justiça do Trabalho Quanto às competências da Justiça do Trabalho, a Constituição encarregou-se de defini-las expressamente no artigo 114: Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I. As ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II. As ações que envolvam exercício do direito de greve; III. As ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; IV. Os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; V. Os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o; VI. As ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; VII. As ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; VIII. A execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; IX. Outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. 1º - Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros. 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. 3º Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito. Justiça Militar Segundo a Constituição Federal, a Justiça Militar é competente para processar e julgar os crimes militares definidos em lei: Art. 124. à Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares definidos em lei. Parágrafo único. A lei disporá sobre a organização, o funcionamento e a competência da Justiça Militar. Importante lembrar que esta competência é da Justiça Militar da União a qual só julgará crimes militares praticados por militares das Forças Armadas. A Constituição também previu a criação da Justiça Militar nos Estados com competência para julgar os militares dos estados (Policiais e Bombeiros militares) em seu artigo 125, 3º ao 5º: Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição. 3º A lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tribunal de Justiça, a Justiça Militar estadual, constituída, em primeiro grau, pelos juízes de direito e pelos Conselhos de Justiça e, em segundo grau, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo militar seja superior a vinte mil integrantes. 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças. 5º Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e julgar, singularmente, os crimes militares cometidos contra civis e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, cabendo ao Conselho de Justiça, sob a presidência de juiz de direito, processar e julgar os demais crimes militares. Justiça Eleitoral Quanto às atribuições da Justiça Eleitoral, não existe dúvida sobre a sua competência especializada em matéria eleitoral. O artigo 121 em seu parágrafo 3º estabelece algumas regras que podem ser cobradas em sua prova: Art. 121, 3º - São irrecorríveis as decisões do Tribunal Superior Eleitoral, salvo as que contrariarem esta Constituição e as denegatórias de habeascorpus ou mandado de segurança. 4º - Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais somente caberá recurso quando: I. Forem proferidas contra disposição expressa desta Constituição ou de lei; II. Ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais tribunais eleitorais; III. Versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições federais ou estaduais; IV. Anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos eletivos federais ou estaduais; V. Denegarem habeas-corpus, mandado de segurança, habeas-data ou mandado de injunção.

01. (CESPE) É da competência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgar, em recurso ordinário, o habeas corpus e o mandado de segurança decididos em única instância pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), se denegatória a decisão. 02. (CESPE) Os tribunais regionais federais podem funcionar de forma descentralizada, constituindo Câmaras regionais, como forma de assegurar a plenitude do acesso à justiça. 03. (CESPE) A CF assegura aos magistrados de primeiro grau a prerrogativa da vitaliciedade, adquirida após três anos de exercício no cargo, e, nesse período de três anos, a perda do cargo pelo magistrado depende de sentença judicial transitada em julgado. 04. (CESPE) Compete ao Supremo Tribunal Federal julgar, mediante recurso extraordinário, causas decididas, em única ou última instância, pelos tribunais regionais federais ou pelos tribunais dos estados, do Distrito Federal e territórios, quando, por exemplo, a decisão recorrida contrariar tratado ou lei federal ou negar-lhes vigência. 05. (CESPE) De acordo com a CF, compete aos juízes federais processar e julgar os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvadas as competências da justiça militar e da justiça eleitoral. 06. (CESPE) O Supremo Tribunal Federal (STF) cumpre, entre outras, a função de órgão de cúpula do Poder Judiciário, e a ele cabe a iniciativa de, por meio de lei ordinária, dispor sobre o Estatuto da Magistratura. 07. (CESPE) A CF assegura aos magistrados a prerrogativa da vitaliciedade. Assim, no caso de um juiz de primeiro grau, a vitaliciedade é adquirida após três anos de exercício. 08. (CESPE) Compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente, as revisões criminais e ações rescisórias de julgados dos tribunais regionais federais. 09. (CESPE) O Supremo Tribunal Federal compõe-se de, no mínimo, trinta e três ministros, escolhidos entre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada. 10. (CESPE) No tocante à organização do Estado brasileiro, a CF determinou que compete ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar originariamente o presidente da República e os governadores dos estados e do Distrito Federal nos crimes comuns. 11. (FCC) Nos termos da Constituição Federal, o Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de a) vinte e um Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta anos, nomeados pelo Presidente do Senado Federal após aprovação pela maioria simples do Congresso Nacional. b) vinte e cinco Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, nomeados pelo Presidente do Congresso Nacional, após aprovação pela maioria absoluta da Câmara dos Deputados. c) vinte e sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, nomeados pelo Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal. d) dezenove Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco nos, nomeados pelo Presidente da Câmara dos Deputados após aprovação pela maioria simples dos seus membros. e) dezessete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta anos, nomeados pelo Presidente do Senado Federal após aprovação pela maioria absoluta dos seus membros. 47 47 Direito Atualidades Constitucional

4848 Direito Atualidades Constitucional 12. (FCC) Os Juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros, deverão contar com mais de a) trinta e menos de sessenta anos de idade. b) trinta e menos de sessenta e cinco anos de idade. c) trinta e menos de setenta anos de idade. d) trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade. e) trinta e cinco e menos de setenta e cinco anos de idade. 13. (FCC) Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe processar e julgar, originariamente, a) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal. b) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta. c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for Governador de Estado, ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral. d) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória. e) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão. 14. (FCC) Quanto ao Poder Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça é composto por quinze membros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e seis anos de idade, sendo a) dois cidadãos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal. b) três juízes do trabalho, indicados pelo Tribunal Superior do Trabalho. c) dois membros do Ministério Público da União, indicados pelo Procurador-Geral da República. d) dois membros do Ministério Público estadual, escolhidos pelo Procurador-Geral da República dentre os nomes indicados pelo órgão competente de cada instituição estadual. e) três juízes federais, indicados pelo Superior Tribunal de Justiça. 15. (FCC) Dentre as principais inovações trazidas pela Emenda Constitucional nº 45 podese afirmar que a) se criou o Conselho Nacional de Justiça, composto de treze membros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e seis anos de idade, com mandato de dois anos, admitida uma recondução. b) a competência para apreciar os pedidos de homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias passou do Superior Tribunal de Justiça para o Supremo Tribunal Federal. c) nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Supremo Tribunal Federal, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. d) os Tribunais Regionais do Trabalho passaram a ser compostos de, no mínimo, nove juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos. e) as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.

16. (ESAF) Assinale a opção correta relativa ao Poder Judiciário. a) Um quinto dos lugares do Superior Tribunal de Justiça será composto de membros do Ministério Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes. b) Cabe ao Conselho da Justiça Federal exercer a supervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema e com poderes para determinar aos Tribunais Regionais Federais que funcionem descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo. c) O Supremo Tribunal Federal pode aprovar súmula que terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. d) Compete privativamente aos Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo respectivo a alteração da organização e da divisão judiciárias. e) Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, em qualquer fase do inquérito ou processo, poderá determinar o deslocamento da competência para a Justiça Federal. 17. (ESAF) Pertinente ao Poder Judiciário, marque a única opção correta. a) A inamovibilidade, como garantia do juiz, não admite exceções. b) A declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo somente se dará pelo voto da maioria dos membros dos Tribunais. c) O presidente do Tribunal, que por ato omissivo retardar a liquidação regular de precatório, incorrerá em crime de responsabilidade. d) Compete ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar originariamente os mandados de segurança contra ato de ministro de Estado. e) É competência dos Tribunais Regionais Federais processar e julgar originariamente a disputa sobre direitos indígenas. 18. (ESAF) Sobre o Poder Judiciário, marque a única opção correta. a) É do Supremo Tribunal Federal a competência exclusiva para julgar os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade. b) No âmbito da União, o encaminhamento, para o Executivo, da proposta orçamentária dos órgãos do poder judiciário é da competência do presidente do Supremo Tribunal Federal. c) Para concorrer à vaga de juiz em Tribunal Regional Federal, no quinto constitucional, o membro do Ministério Público deverá ter mais de dez anos de carreira e ser indicado, pelo seu órgão, em lista sêxtupla, a ser encaminhada ao respectivo tribunal. d) Caberá ao Superior Tribunal de Justiça o julgamento de recurso ordinário contra a decisão que concedeu a segurança em mandado de segurança julgado em única instância pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal. e) A promoção de juiz federal para Tribunal Regional Federal far-se-á, alternadamente, por antiguidade e merecimento, exigindo-se do juiz a ser promovido mais de dez anos de efetivo exercício da magistratura federal. 19. (ESAF) Assinale a opção correta. a) O Presidente do Supremo Tribunal Federal é a autoridade hierárquica máxima do Judiciário e do Ministério Público da União. b) A ação penal pública pode ser proposta, hoje, pelo Ministério Público e pela autoridade policial. c) Somente o Ministério Público pode promover a ação civil pública. d) Incumbe à Justiça do Trabalho processar e julgar toda ação movida por servidor público contra a União, em que se postulem verbas de índole remuneratória. e) Entre as competências do Conselho Nacional de Justiça não se inclui a de rever decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal. 49 49 Direito Atualidades Constitucional

5050 Direito Atualidades Constitucional 20. (ESAF) Sobre o Poder Judiciário, assinale a única opção correta. a) Só poderá ser promovido por merecimento o juiz que demonstrar dois anos de exercício na respectiva entrância e que integrar a primeira quinta parte da lista de antigüidade para a promoção. b) Se o recorrente, no recurso extraordinário, não demonstrar, nos termos da lei, a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, o recurso poderá não ser admitido, liminarmente, pelo Relator designado para o processo. c) Só é possível a criação de Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo da polícia militar seja superior a vinte mil integrantes. d) Em razão de alteração do texto constitucional, recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito sem vinculação com as disposições convencionadas anteriormente. e) Compete ao Conselho Nacional de Justiça o controle do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, cabendo-lhe representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração pública ou de abuso de autoridade. 1 2 3 4 5 ERRADO CERTO ERRADO ERRADO CERTO 6 7 8 9 10 ERRADO ERRADO ERRADO ERRADO ERRADO 11 12 13 14 15 C B B A E 16 17 18 19 20 D C C E E

04 Ordem Social A Ordem Social é um conjunto de ações desencadeadas por meio de prestações positivas do Estado que visam a reduzir as desigualdades sociais e a garantir um tratamento mínimo, com o fim de tornar efetivo o fundamento constitucional da dignidade da pessoa humana. Perceba este sentimento expresso no artigo 193 da Constituição Federal: Art. 193. A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça sociais. Veja que o trabalho é considerado como a base de toda teia social. É ele que garante a dignidade para as pessoas. Além disso, o citado artigo deixa claro o objetivo da Ordem Social, qual seja, garantir o bem-estar e a justiças sociais. Estes direitos decorrem dos direitos sociais trabalhados anteriormente no artigo 6º da Constituição. São direitos implementados por meio de políticas públicas. A Constituição Federal estabeleceu alguns grupos de direitos que serão trabalhados na Ordem Social: a) Seguridade social; b) Educação, Cultura e desporto; c) Ciência e tecnologia; d) Comunicação social; e) Meio Ambiente; f) Família, criança, adolescente, jovem e idoso; e g) Índios. Esse tema quando cobrado em prova, costuma ter uma abordagem próxima da literalidade da Constituição. Significa dizer que para você acertar questões sobre Ordem Social será necessária a leitura repetida dos artigos que compõem esta parte da Constituição Federal. Apesar de o mais cobrado ser o próprio texto, tratarei de cada um destes temas sob uma abordagem doutrinária e jurisprudencial. Seguridade Social A Seguridade social está prevista no artigo 194 e constitui um conjunto de ações que visam a garantir o mínimo existencial para a população, objetivando melhores condições de vida. É composta de três ações: a saúde, a previdência social e a assistência social. A implementação destas ações são obrigação não só do Estado, mas também da sociedade, conforme estabelece o artigo 194: Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Apesar da ação conjunta, a obrigação de organizar a seguridade social é do Estado que deve fazer amparada nos seguintes objetivos: I. universalidade da cobertura e do atendimento; II. uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; III. seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; IV. irredutibilidade do valor dos benefícios; V. equidade na forma de participação no custeio; VI. diversidade da base de financiamento; VII. caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. A universalidade de cobertura representa a cobertura sobre qualquer situação de risco social enquanto que a universalidade de atendimento está relacionada com a cobertura para todos os que necessitarem. A uniformidade e equivalência de benefícios e serviços às populações urbanas e rurais deixa claro que não existe tratamento diferenciado entre os trabalhadores urbanos e rurais. Ambos são tratados da mesma forma. A seletividade e a distributividade visa a redistribuir os benefícios sociais na tentativa de atender a quem mais dele necessitar. Em tese, estes princípios permitem um tratamento desigual sob o enfoque da igualdade material. Direito Constitucional 51

5252 Direito Atualidades Constitucional A Irredutibilidade do valor dos benefícios garante ao beneficiário a manutenção do valor nominal dos benefícios. A equidade na forma de participação no custeio apresenta a idéia de distribuição justa levando em consideração a capacidade de contribuição e a isonomia entre os contribuintes. A idéia aqui para a manutenção da Seguridade é que o custeio seja distribuído de forma justa entre os vários agentes contributivos. Este princípio nos conduz ao seguinte que é a diversidade da base de financiamento, o qual conta com a participação de vários agentes responsáveis pela manutenção financeira da Seguridade Social, especialmente, os trabalhadores, as empresas e os entes estatais. Por fim, temos o último objetivo que é o caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. Aqui temos uma questão que já caiu várias vezes em prova, principalmente por causa da palavra quadripartite, que significa a participação na gestão de forma democrática envolvendo quatro atores sociais: trabalhadores, empregadores, aposentados e o Governo. Agora vamos analisar os três serviços que compõem a Seguridade Social: saúde, previdência social e assistência social. Aqui nós vamos analisar apenas os pontos mais importantes o que não tira do aluno o dever de ler todos os artigos envolvendo estes temas. Como já sinalizei anteriormente, na Ordem Social o mais cobrado em prova é o próprio texto constitucional. Vamos à Saúde! Saúde Acerca deste tema várias questões costumam ser cobradas em prova. Vamos a análise de algumas delas. Caráter não contribuitivo O direito à saúde é uma norma de proteção do direito à vida destinada todas as pessoas independente de contribuição à Previdência Social. Por isso dizemos que não possui caráter contributivo, ou seja, quem quiser ser beneficiado pela saúde pública poderá utilizar dos seus serviços independentemente de filiação ou contribuição à Previdência Social. Veja a leitura do caput do artigo 196 e perceba que este direito de caráter social é garantido a todos: Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Vinculação ao direito à vida O direito à saúde decorre do próprio direito à vida, como forma de garantir qualidade à vida em sua modalidade de existência humana. De nada adianta garantir ao indivíduo o direito de viver se esta vida não possuir o mínimo de dignidade. Garantir saúde é cumprir os ditames constitucionais que protegem o indivíduo em sua existência, em perfeita consonância com o princípio da dignidade da pessoa humana. Remoção de órgãos, tecidos e substâncias humanas Outra norma muito interessante e que pode cair na sua prova é a proteção constitucional à remoção de órgãos, tecidos e substâncias humanas. A Constituição Federal em seu artigo 199, 4º, traz expressamente a vedação para a comercialização de órgãos, apesar de não regulamentar as formas de remoção, pesquisa, coleta e processamento de sangue. A falta de regulamentação ocorre porque a Constituição deixou para a legislação infraconstitucional o dever de fazêla. O dispositivo em questão é um exemplo de norma de eficácia limitada, o qual foi regulamentado pelas leis 10.205/01, 9.434/97 e 11.105/05. Veja agora o dispositivo em questão: Art. 199, 4º - A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus derivados, sendo vedado todo tipo de comercialização. Previdência Social Caráter contributivo e filiação obrigatória Sem dúvida uma das questões mais cobradas em prova está no próprio caput do artigo 201 que afirma ser a Previdência Social de caráter contributivo e filiação obrigatória:

Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: I - cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; II - proteção à maternidade, especialmente à gestante; III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; V - pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes, observado o disposto no 2º. Ter caráter contributivo significa dizer que só poderá ser beneficiado pela previdência social quem contribuir previamente com o sistema de previdência público. Além da contribuição, a Constituição exige a filiação ao Sistema, na qualidade de segurado. Este tema está regulamentado na lei 8.213/91 e será melhor estudado na Disciplina de Direito Previdenciário. Regras para aposentadoria As regras de aposentadoria são o ponto forte deste tema, serão tratadas junto a Disciplina de Direito Previdenciário. Art. 201, 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condições: I. trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de contribuição, se mulher; II. sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, reduzido em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal. 8º Os requisitos a que se refere o inciso I do parágrafo anterior serão reduzidos em cinco anos, para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio. O destaque fica para a redução do período de contribuição para quem exerce a função de magistério. Observe que a Constituição Federal reduziu em cinco anos a o tempo de contribuição necessário para aposentadoria para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio. Com relação a este tema, algumas observações se fazem necessárias. Primeiro, deve se destacar que exclusividade do tempo de efetivo exercício das funções de magistério compreende não apenas as funções exercidas em sala de aula, mas também as exercidas nos cargos de direção, coordenação e assessoramento pedagógico desde que exercidos por professores. Em segundo lugar, deve-se atentar para os professores que possuem estes benefícios os quais estão expressamente previstos na Constituição. Só terão direito à aposentadoria especial os professores da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio. Previdência privada Outra regra interessante que já foi cobrada em prova diz respeito a possibilidade de o regime de previdência ser organizado pela iniciativa privada. Algumas palavras-chaves definem esta relação de previdência privada: complementar, autonomia e facultativo. Vejam o que diz o artigo 202 da CF: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. 1 A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. 2 As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. 3º É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, suas autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e outras entidades públicas, salvo na qualidade de patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição normal poderá exceder a do segurado. 4º Lei complementar disciplinará a relação entre a União, Estados, Distrito Federal ou Municípios, inclusive suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e empresas controladas direta ou indiretamente, enquanto patrocinadoras de entidades fechadas de previdência privada, e suas respectivas entidades fechadas de previdência privada. 5º A lei complementar de que trata o parágrafo anterior aplicar-se-á, no que couber, às empresas privadas permissionárias ou concessionárias 53 53 Direito Atualidades Constitucional

5454 Direito Atualidades Constitucional de prestação de serviços públicos, quando patrocinadoras de entidades fechadas de previdência privada. 6º A lei complementar a que se refere o 4 deste artigo estabelecerá os requisitos para a designação dos membros das diretorias das entidades fechadas de previdência privada e disciplinará a inserção dos participantes nos colegiados e instâncias de decisão em que seus interesses sejam objeto de discussão e deliberação. Quando diz complementar quer, dizer que complementa o regime geral de previdência. A autonomia representa a não-vinculação do regime privado ao público. E por fim, a faculdade de se aderir haja vista não constituir obrigação a nenhum trabalhador. Assistência Social O artigo 203 prevê o os benefícios e serviços da Assistência Social. São várias as prestações oferecidas a quem precisa de assistência, geralmente aos hipossuficientes. A Assistência Social não depende de contribuição à previdência social: Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I. a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II. o amparo às crianças e adolescentes carentes; III. a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV. a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V. a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. Educação O acesso à educação é um dos grandes serviços de ordem social e deverá ser garantida segundo os princípios previstos no artigo 206 que costuma ser muito cobrado em prova: Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II. liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III. pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V. valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; VI. gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII. garantia de padrão de qualidade. VIII. piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. Gratuidade do ensino público Como consequência da regra constitucional que prevê gratuidade do ensino público, o STF editou a Súmula Vinculante nº 12 proibindo a cobrança de taxa de matricula nas universidades públicas: Sumula Vinculante nº 12 - A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o disposto no art. 206, IV, da Constituição Federal. Igualdade de condições e acesso meritocrático Outros dois princípios que se destacam são a igualdade de condições de acesso e permanência na escola e o acesso meritocrático aos níveis mais elevados de ensino: I. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; V. acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; Entende-se por acesso meritocrático aquele que privilegia o mérito de cada estudante na obtenção da vaga para Universidades e demais cursos de pós-graduação, o que justifica a utilização de vestibulares para seleção dos candidatos. O STF entende que quando o servidor e removido ex-ofício de uma localidade de trabalho, o direito a transferências de uma universidade para outra só vale se a transferência for para universidade congênere. Ou seja, de privada para privada e de pública para pública. Segundo este entendimento, o direito à matrícula na Universidade não contempla a transferência de um aluno de Universidade privada para a pública.

Direito Público subjetivo à educação Quando a Constituição prevê que o acesso ao ensino obrigatório e gratuito como Direito Público Subjetivo, ela quer dizer que se você precisar, poderá exigir na Justiça o fornecimento deste direito social sob pena de responsabilização do Poder Público pelo descaso, se houver. Veja os parágrafos 1º e 2º do artigo 208: Art. 208, 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. Estrangeiro Um tema bastante cobrado em prova é a possibilidade de contratação de servidores estrangeiros por Universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológica em decorrência da sua autonomia: Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica. Ensino religioso Questão muito interessante que invoca a laicidade do Estado, isto é, a relação de separação entre Estado e Igreja. Diante desta separação, a Constituição considerou a matrícula na matéria de Ensino Religioso como sendo facultativa: Art. 210, 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. Quando a banca quer complicar é só colocar uma questão com as porcentagens de investimento em educação dos Entes Federativos. Veja só essa questão: 01. (CESPE) Cabe aos municípios atuar prioritariamente no ensino fundamental e médio, devendo aplicar, anualmente, pelo menos 18% de sua receita na manutenção e desenvolvimento da educação. ERRADO. Dois erros podem ser encontrados nesta questão quando a comparamos com os artigos 211 e 212. Primeiro é que os municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e infantil. O outro erro é que a aplicação do município deve ser de 25%. Cultura Um dos direitos de Ordem Social com maior impacto sobre a sociedade é o direito cultural. Historicamente, o acesso a cultura sempre se mostrou uma grande ferramenta de satisfação social e, a garantia do seu acesso a todos os grupos sociais é um dos grandes desafios do Estado: Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. Direito à manifestação popular Um dos princípios constitucionais que protegem este direito social é a pluralidade política. Pluralidade política é pluralidade de idéias, multiplicidade de percepções. Este princípio garante à sociedade o acesso a diversas manifestações culturais de todos os grupos participantes da formação cultural nacional: 1º - O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional. Datas comemorativas Este dispositivo é interessante, pois constitui uma justificativa para a existência de feriados religiosos no Brasil. Apesar do Estado viver uma relação de separação com a Religião, tem-se permitido a criação por meio de lei dos feriados religiosos sob o argumento de garantia das manifestações culturais: Art. 215, 2º - A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais. Patrimônio cultural brasileiro Questão para prova é o rol de elementos culturais que constituem patrimônio cultural brasileiro o qual abrange a manifestação cultural sob várias perspectivas: Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: 55 55 Direito Atualidades Constitucional

5656 Direito Atualidades Constitucional I. as formas de expressão; II. os modos de criar, fazer e viver; III. as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV. as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V. os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. Desportos Aqui também existem algumas questões que podem ser trabalhadas em sua prova como, por exemplo, a diferença entre práticas desportivas formais e não-formais. Práticas desportivas formais são aqueles esportes clássicos, olímpicos, como o futebol, vôlei, basquete, atletismo, dentre outros. Já os esportes não-formais são aqueles que nossas crianças praticam como pique-esconde, pique-bandeirinha, queimada, dentre outros que na prática, possuem o mesmo fim dos esportes formais: o desenvolvimento físico e mental do indivíduo. Ambas as práticas desportivas são amparadas pela Constituição: Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados: Outra questão importantíssima está no regramento da chamada Justiça Desportiva. Apesar do nome justiça trata-se de uma instância de natureza jurídica administrativa. A Constituição Federal exige o esgotamento desta instância quando houver questões desportivas a serem resolvidas. Aqui temos uma exceção ao princípio da Inafastabilidade da Jurisdição onde o esgotamento das vias administrativas é de curso forçado: Art. 217, 1º - O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei. É preciso ressaltar ainda que, segundo o STF, os membros do Poder Judiciário não podem exercer suas funções na Justiça Desportiva. E ainda, segundo o Tribunal Superior do Trabalho, a Justiça Desportiva não tem competência para processar e julgar questões trabalhistas envolvendo os atletas e suas entidades profissionais desportivas. Ciência e Tecnologia Acerca deste tema é importante ressaltar, para sua prova, a diferença apresentada pela Constituição para Pesquisa Científica Básica e a Pesquisa Tecnológica conforme se depreende dos 1º e 2º do artigo 218: Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. 1º - A pesquisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso das ciências. 2º - A pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderantemente para a solução dos problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional. Destaca-se, também, o apoio que deve ser fornecido pelo Estado na formação e capacitação de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa e tecnologia bem como no estímulo às empresas para que invistam nessas áreas: 3º - O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa e tecnologia, e concederá aos que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho. 4º - A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Vinculação da receita dos Estados e DF Veja que questão boa para sua prova, o previsto no 5º que faculta aos Estados e ao Distrito Federal a possibilidade de vinculação de parte de sua receita orçamentária a entidades públicas de pesquisa científica e tecnológica. Veja que não estão incluídos nesta possibilidade a União e os municípios: 5º - É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica. Patrimônio Nacional E ainda não se esqueça de que o Mercado Interno integra o chamado patrimônio nacional: Art. 219. O mercado interno integra o patrimônio nacional e será incentivado de modo a viabilizar o desenvolvimento cultural e sócio-econômico, o bemestar da população e a autonomia tecnológica do País, nos termos de lei federal.

Comunicação Social A Comunicação Social decorre do direito fundamental à liberdade e acaba por concretizar a o princípio da pluralidade, ao prever a manifestação do pensamento como um direito não sujeito a restrições abusivas por parte do Estado. Observe que o artigo 220 trata este direito, aparentemente, de forma absoluta, entretanto, não é demais relembrálo de que não existe direito fundamental absoluto. Caso a manifestação ao pensamento ofenda outro direito fundamental, é possível a sua restrição diante de um conflito de interesses. Não se pode esquecer também que a Constituição foi promulgada em 1988, momento histórico de transição da ditadura para o regime democrático. Era de se esperar que a Constituição Federal se preocupasse demasiadamente com a garantia da manifestação do pensamento: Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV. 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística. Com base nessa liberdade de informação, o STF entendeu que para a profissão de jornalista não seria necessário a obtenção de grau superior de Jornalismo, sob pena de limitar-se este direito que, como dito, não é absoluto, mas goza de ampla proteção constitucional. Competência Legislativa Segundo o 3º e o artigo 21, XVI, a competência para legislar sobre esta matéria é da União, questão esta já cobrada em prova: 3º - Compete à lei federal: I. regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada; II. estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente. Art. 21. Compete à União: XVI. exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de rádio e televisão; Propriedade de empresa jornalística, radiodifusão sonora e de sons e imagens Aqui temos uma questão que eventualmente aparece em provas. Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País. 1º Em qualquer caso, pelo menos setenta por cento do capital total e do capital votante das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens deverá pertencer, direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, que exercerão obrigatoriamente a gestão das atividades e estabelecerão o conteúdo da programação. 2º A responsabilidade editorial e as atividades de seleção e direção da programação veiculada são privativas de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, em qualquer meio de comunicação social. 3º Os meios de comunicação social eletrônica, independentemente da tecnologia utilizada para a prestação do serviço, deverão observar os princípios enunciados no art. 221, na forma de lei específica, que também garantirá a prioridade de profissionais brasileiros na execução de produções nacionais. 4º Lei disciplinará a participação de capital estrangeiro nas empresas de que trata o 1º. 5º As alterações de controle societário das empresas de que trata o 1º serão comunicadas ao Congresso Nacional. O artigo 222 exige para ser proprietário de empresa jornalística que o titular seja brasileiro nato ou naturalizado há mais de 10 anos. Essa regra não impede que estrangeiros sejam proprietários de empresas de comunicação no Brasil haja vista a possibilidade destes estrangeiros integrarem uma pessoa jurídica desde que a administração seja feita por brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos e a pessoa jurídica seja constituída sobre as leis brasileiras. A Constituição limita em 30 % a possibilidade de capital votante estrangeiro. Abaixo alguns outros artigos que já foram alvos de questões de prova: Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal. 1º - O Congresso Nacional apreciará o ato no prazo do art. 64, 2º e 4º, a contar do recebimento da mensagem. 2º - A não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal. 57 57 Direito Atualidades Constitucional

5858 Direito Atualidades Constitucional 3º - O ato de outorga ou renovação somente produzirá efeitos legais após deliberação do Congresso Nacional, na forma dos parágrafos anteriores. 4º - O cancelamento da concessão ou permissão, antes de vencido o prazo, depende de decisão judicial. 5º - O prazo da concessão ou permissão será de dez anos para as emissoras de rádio e de quinze para as de televisão. Art. 224. Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei. Meio Ambiente Nossa Constituição é uma das normas mais garantistas do Meio Ambiente. Esta postura tem colocado o país à frente de muitos outros nas questões de preservação ambiental. É muito interessante a forma como este direito social é apresentado sendo bem de uso comum do povo cuja preservação visa garantir um meio ambiente sadio para as presentes e futuras gerações: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações. Atribuições do Poder Público Para que este ideal de preservação seja garantido, a Constituição exigiu uma serie de condutas dos Poderes Públicos as quais estão previstas no 1º: 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I. preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II. preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III. definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV. exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V. controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; VI. promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; VII. proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. Responsabilização pela atividade lesiva ao meio ambiente Os dois parágrafos que se seguem são muito importantes, pois trazem a possibilidade de responsabilização pelo dano ambiental tanto na esfera administrativa quanto na esfera penal. Isso mesmo, quem polui o meio ambiente pode ser responsabilizado penalmente, incluindo a Pessoa Jurídica. Aqui fica claro que Pessoa Jurídica pode pratica crime: 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. Se uma Pessoa jurídica praticar crime ambiental ela será punida com uma sanção compatível com sua natureza jurídica. Patrimônio Nacional Este parágrafo já caiu várias vezes em prova e requer a memorização do candidato dos ecossistemas que são considerados patrimônio nacional. Cuidado porque em prova os examinadores costumam incluir outro tipo de ecossistema não previsto neste parágrafo. Por exemplo, em 2010 caiu numa prova do CESPE que os pampas gaúchos também integravam o patrimônio nacional. Não preciso nem dizer que os gaúchos que fizeram esta prova erraram a questão! Brincadeiras à parte, sugiro que estes elementos sejam memorizados: 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato- Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. Patrimônio nacional: Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira. E não esqueça do Mercado Interno. Limitação para utilização do meio ambiente Como forma de limitar a utilização do Meio Ambiente, a Constituição instituiu algumas restrições a utilização das terras devolutas ou arrecadadas. Estas terras são consideradas bens dos Estados e por este motivo, indisponíveis: 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. Outro dispositivo limitador é o 6º que restringe a instalação de reatores nucleares os quais, antes de serem instalados, terão sua localização definida em legislação federal: 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas. Família, Criança, Adolescente, Jovem e Idoso Família Este é um dos temas sobre a Ordem Social que devem despencar nas próximas provas em razão das recentes mudanças promovidas pelas Emendas Constitucionais nº 65 e 66 de 2010 bem como o atual posicionamento jurisprudencial do STF: Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração. 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. 3º - Para efeito da proteção do Estado, é 4º - Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher. 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas. 8º - O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. O primeiro destaque é o fim da separação judicial. De acordo com a nova redação do 6º a partir de agora o casamento se dissolve direto com o divórcio, sem a necessidade de efetivar-se primeiro a separação judicial. Outro destaque fica com a recente decisão do STF 1 que reconheceu a possibilidade de União Estável entre casais homoafetivos ampliando a compreensão do 3º. Sobre este tema tenha muito cuidado. A Constituição Federal entende que União Estável ocorre entre homem e mulher, enquanto que o STF entende que pode ocorrer entre casais do mesmo sexo. Diante desta pluralidade de entendimentos, caso em sua prova caia uma pergunta que tenha como base a Constituição Federal, responda que é só entre homem e mulher. Mas se a questão perguntar segundo o STF, neste caso a União Estável poderá ocorrer entre pessoas do mesmo sexo. É bom lembrar também das entidades familiares reconhecidas pela Constituição Federal: 01. Casamento civil ou religioso Quando ocorre a formalização da união entre um homem e mulher segundo as leis civis ou religiosas; 02. União Estável União informal entre pessoas (do mesmo sexo ou não) com efeitos jurídicos iguais aos do casamento; 03. Monoparental Quando a família é formada por qualquer um dos pais e seus descendentes. ¹ Vide ADI 4.277 e ADPF 132, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 5-5-2011, Plenário, DJE de 14-10-2011. 59 59 Direito Atualidades Constitucional

6060 Direito Atualidades Constitucional O STF não liberou o casamento entre casais homoafetivos, apenas reconheceu a União Estável entre eles. Não confunda casamento com união estável. Criança, adolescente e jovem O artigo 227 possui várias normas de proteção para a criança, o adolescente e jovem que podem ser cobradas em sua prova. A Constituição também sofreu alterações neste artigo através da Emenda Constitucional nº 65 que inseriu o Jovem entre os indivíduos que possuem proteção especial da Constituição Federal. Anotem um destaque especial no 3º, I que prevê como idade mínima para o trabalho da criança 14 anos: Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, do adolescente e do jovem, admitida a participação de entidades não governamentais, mediante políticas específicas e obedecendo aos seguintes preceitos: I. aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência materno-infantil; II. criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação. 2º - A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência. 3º - O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos: I. idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o disposto no art. 7º, XXXIII; II. garantia de direitos previdenciários e trabalhistas; III. garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola; IV. garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, igualdade na relação processual e defesa técnica por profissional habilitado, segundo dispuser a legislação tutelar específica; V. obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de qualquer medida privativa da liberdade; VI. estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado; VII. programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao adolescente e ao jovem dependente de entorpecentes e drogas afins. 4º - A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente. 5º - A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros. 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. 7º - No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se- á em consideração o disposto no art. 204. 8º A lei estabelecerá: I. o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos jovens; II. o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando à articulação das várias esferas do poder público para a execução de políticas públicas. Art. 227, Imputabilidade penal Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial. Questão que já foi cobrada em prova e pega muita gente de surpresa pois desconhecem a existência desta regra na própria Constituição Federal. Dizer que são inimputáveis os menores de 18 anos significa dizer que a eles não podem ser imputados a prática de crime e nem podem ser punidos segundo o Código Penal. Por isso o próprio dispositivo determina que a conduta ilícita dos menores de 18 anos seja regulada por legislação especial, a qual já existe: lei 8.069/90, Estatuto da Criança e do Adolescente. Responsabilidade dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais. Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. Atente-se neste dispositivo para o dever recíproco de cuidado que a Constituição impõe tanto aos pais quanto aos filhos. Uma verdadeira lição de moral que não necessitaria sequer estar prevista na Constituição Federal,

contudo, as práticas abusivas de violência e desrespeito registradas em nosso país são tantas que o Legislador Originário não se excedeu em prever tais normas de proteção. Idoso Quanto à proteção constitucional ao idoso, veja o disposto no artigo 230 o qual contém várias informações que podem se tornar questões de prova: Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida. 1º - Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares. 2º - Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos urbanos. Chamamos sua atenção para a realização de programas de amparo aos idosos que se realizarão preferencialmente em seus lares. Preferencialmente não é obrigatoriamente! Outra questão que sempre cai em prova é acerca da idade para a concessão de transporte gratuito: maior de 65 anos de idade. É muito comum as bancas tentarem confundir o candidato colocando a idade de 60 ou 70 anos. Apesar de todas as idades se referirem ao idoso, cada uma tem uma consequência jurídica diferente. Não confunda. Veja um modelo de questão: 02. (CESPE) Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente pelo Estado, em espaços públicos e coletivos, garantida, entre outros benefícios, a gratuidade do transporte público aos maiores de sessenta anos. ERRADO. Segundo o artigo 230 da CF, os programas de amparo ao idoso devem ser realizados preferencialmente em seus lares e a gratuidade do transporte público garantida aos maiores de sessenta e cinco anos. Índios Estes artigos que falam sobre os índios estão entre os mais cobrados da Ordem Social. Primeiro vamos falar das Terras tradicionalmente ocupadas. É importante que você memorize os elementos que caracterizam as terras tradicionalmente ocupadas que estão previstos no 1º do artigo 231: Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. 1º - São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. Não se esqueça de que os índios não possuem a propriedade das terras tradicionalmente por eles habitadas, mas apenas a posse conforme o 2º do art. 231. Não se confunde a propriedade com a posse. A propriedade dessas terras é da União conforme previsto no artigo 20, XI: 2º - As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendolhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. Art. 20. São bens da União: XI. as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. Várias regras constitucionais objetivam a proteção destas terras: 3º - O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficandolhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei. 4º - As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis. 6º - São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé. 7º - Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, 3º e 4º. 61 61 Direito Atualidades Constitucional

6262 Direito Atualidades Constitucional Remoção dos índios Uma norma de proteção muito interessante e que demonstra a preocupação do Constituinte Originário com a preservação da cultura indígena é a que proíbe a remoção obrigatória dos índios sem que seja referendada pelo Congresso Nacional. O STF 2 em uma interpretação ampliativa deste instituto entende que o índio não pode ser intimado por Comissão Parlamentar de Inquérito na condição de testemunha para prestar depoimento fora do seu habitat: 5º - É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, ad referendum do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco. Defesa dos direitos indígenas O artigo 232 delega ao Ministério Público como função institucional o dever de acompanhar os processos que tenham como partes os índios, suas comunidades e organização, os quais possuem legitimidade para ingressar em juízo em defesa dos seus direitos e interesses. A atribuição Ministerial encontra reforço no artigo 129, V da CF: Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo. Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: V. defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas; 01. Ao disciplinar os papéis de Estado e sociedade na garantia do direito à educação, a Constituição da República estabelece que a) a educação é direito de todos, dever exclusivo do Estado e será promovida e incentivada com a colaboração da família do educando. b) a coexistência de instituições públicas e privadas é princípio do ensino, cuja gratuidade é assegurada em estabelecimentos oficiais e particulares, observadas neste caso as condições estabelecidas em lei. c) o ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as condições de cumprimento das normas gerais da educação nacional e autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. d) os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, cabendo à lei definir as hipóteses em que poderão ser dirigidos à iniciativa privada. e) os recursos públicos poderão ser destinados a bolsas de estudo para o ensino médio e superior, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando. 02. Conforme estatuído na Constituição Federal no que se refere aos direitos sociais e à ordem social, é INCORRETO afirmar: a) É direito público subjetivo o acesso ao ensino obrigatório e gratuito, tanto que o não oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. b) É dever do Estado proteger as manifestações das culturas populares, indígenas e afrobrasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional. c) Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e, para tanto, incumbe ao Poder Público, em todas as suas esferas de competência, promover a educação ambiental. d) A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, desenvolvendo, para tanto, programas de amparo, que deverão ser executados, preferencialmente, em estabelecimentos públicos. e) A assistência social será prestada a todos que dela necessitarem, independentemente de contribuição para o seu custeio, por se tratar de direito subjetivo. 03. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Com relação ao meio ambiente é correta a afirmação: a) As usinas que operem com reatores nucleares deverão ter sua localização definida em lei estadual ou municipal, podendo ocorrer uma pré-instalação. b) A Mata Atlântica e o Pantanal Mato- Grossense não são considerados patrimônio nacional pela Constituição Federal brasileira. c) As condutas consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores à sanção penal, que será dependente da obrigação de reparar os danos causados. ² Vide HC 80.240, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 20-6-2001, Primeira Turma, DJ de 14-10-2005.

d) São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. e) A Serra do Mar e a Zona Costeira não são consideradas patrimônio nacional pela Constituição Federal brasileira. 04. Analise: I. Eqüidade na forma de participação no custeio; II. Singularidade da cobertura e do atendimento; III. Igualdade da base de financiamento; IV. Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços. De acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil, são objetivos da seguridade social apenas os indicados em: a) I e II. b) I e IV. c) II e III. d) II e IV. e) III e IV. 05. De acordo com a Constituição Federal, a assistência social deve ser prestada a) com os recursos provenientes do orçamento da seguridade social, vedadas outras fontes. b) integrada ao sistema contributivo previdenciário. c) independentemente de contribuição à seguridade social. d) aos idosos com base no sistema de contribuição social e aos deficientes independentemente de contribuição. e) ao deficiente e menor que provarem necessitar, excluídos os idosos que devem ser atendidos pela Previdência Social. 06. O dever do Poder Público com a educação está representado na garantia de vinculação de a) 30% da receita de impostos e contribuições no caso da União. b) 30% da receita resultante da arrecadação com impostos e contribuições no caso dos Estados e Municípios. c) 25% da receita de impostos e taxas no caso da União. d) 25% da receita de impostos no caso dos Estados. e) 18% da receita de impostos no caso dos Municípios. 07. A seguridade social, além de outros, tem como objetivos a a) iniqüidade na forma de participação no custeio. b) distributividade na prestação dos benefícios e serviços. c) redutibilidade do valor dos benefícios. d) centralização da administração mediante gestão única. e) unidade da base de financiamento estatal. 08. (CESPE) A Constituição Federal de 1988 (CF) não reconhece aos índios a propriedade sobre as terras por eles tradicionalmente ocupadas. 09. (CESPE) Constituem patrimônio nacional a floresta amazônica, a mata atlântica, o pantanal mato-grossense, o cerrado e os pampas gaúchos, devendo sua utilização ocorrer segundo condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. 225, 4 10. (CESPE) As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores a sanções penais e administrativas. As pessoas jurídicas, pela sua natureza, não estão submetidas a tais sanções, devendo a responsabilidade recair, então, sobre seus dirigentes, pessoas físicas. 225, 3 11. (CESPE) O direito à proteção especial da criança e do adolescente abrange, entre outros aspectos, a idade mínima de dezoito anos para a admissão ao trabalho. 227, 3 12. (CESPE) A adoção de crianças é garantia constitucional da família, que estabelecerá de modo autônomo os casos e meios para sua efetivação, não podendo o poder público nela interferir ou estabelecer condições. 227, 5 13. (CESPE) A CF estabelece textualmente que os menores de dezoito anos são inimputáveis, sujeitos às normas da legislação especial. 228 14. (CESPE) Ao poder público, nos termos da lei, compete organizar a seguridade social, considerando diferentes objetivos, entre os quais, está o caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação, nos órgãos colegiados, dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do governo. 194, VII 63 63 Direito Atualidades Constitucional

6464 Direito Atualidades Constitucional 15. (CESPE) Cabe aos municípios atuar prioritariamente no ensino fundamental e médio, devendo aplicar, anualmente, pelo menos 18% de sua receita na manutenção e desenvolvimento da educação. 212, CAPUT 16. (CESPE) Insere-se no rol de competências privativas dos estados e municípios legislar sobre a matéria concernente à disciplina de diversões e espetáculos públicos. Art. 220 3º e 21, XII E XVI 17. (CESPE) Compete ao Poder Executivo, em caráter exclusivo, outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens. Art. 223 18. (CESPE) Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente pelo Estado, em espaços públicos e coletivos, garantida, entre outros benefícios, a gratuidade do transporte público aos maiores de sessenta anos. ART. 230 19. (CESPE) Qualquer medida privativa de liberdade imposta a adolescentes deve ter como pressuposto a brevidade e excepcionalidade da medida. 227, 3º V 20. (CESPE) Estado, sociedade e família são os pilares da política da proteção especial à criança e ao adolescente instituída pela CF, nela estando abrangidos os programas de prevenção e de atendimento às crianças e aos adolescentes dependentes de substâncias entorpecentes e drogas afins. 227, 3º V 1 2 3 4 5 C D D B C 6 7 8 9 10 D B CERTO ERRADO ERRADO 11 12 13 14 15 ERRADO ERRADO CERTO CERTO ERRADO 16 17 18 19 20 ERRADO ERRADO ERRADO CERTO CERTO _

ÍNDICE Ética no serviço público... 294 HÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO 65

66 Ética Atualidades no Serviço Público 01 Ética no serviço público Nesta unidade, trabalharemos o seguinte conteúdo: Ética e moral; Ética, princípios e valores; Ética e democracia: exercício da cidadania; Ética e função pública; Ética no setor público: Código de Ética Profissional do Serviço Público (Decreto nº 1.171/1994). Acrescentamos, ao final, o Decreto nº 6.029/2007, que revogou o Decreto nº 1.171/1994 em parte, e que, muito embora não seja mencionado no edital, tem sido cobrado. O Código de Ética Profissional do Serviço Público (Decreto nº 1.171/1994) contempla essencialmente duas partes. A primeira, dita de ordem substancial (fundamental), fala sobre os princípios morais e éticos a serem observados pelo servidor, e constitui o Capítulo I, que abrange as regras deontológicas (Seção I), os principais deveres do servidor público (Seção II), bem como as vedações (Seção III). Já a segunda parte, de ordem formal, dispõe sobre a criação e funcionamento de Comissões de Ética, e constitui o Capítulo II, que trata das Comissões de Ética em todos os órgãos do Poder Executivo Federal (Exposição de Motivos nº 001/94-CE). Este conteúdo, referente ao Código de Ética Profissional do Serviço Público, considerando os últimos conteúdos cobrados, é um dos mais relevantes e que mais deve ser estudado. Ética e moral Ética A palavra ética vem do grego ethos, que significa modo de ser ou caráter (índole). A Ética é a parte da filosofia que estuda a moralidade das ações humanas, isto é, se são boas ou más. É uma reflexão crítica sobre a moralidade. A ética faz parte do nosso dia-a-dia. Em todas as nossas ações e também relações, em algum grau, utilizamos nossos valores éticos. Isso não quer dizer que o homem já nasça com consciência plena do que é bom ou mau. Essa consciência existe, mas se desenvolve a partir do relacionamento com o meio e do auto descobrimento. A ética pode ser definida como a teoria ou a ciência do comportamento moral, que busca explicar, compreender, justificar e criticar a moral ou as morais de uma sociedade. Compete à ética chegar, por meio de investigações científicas, à explicação de determinadas realidades sociais, ou seja, ela investiga o sentido que o homem dá a suas ações para ser verdadeiramente feliz. A ética é, portanto, filosófica e científica. A ética representa uma abordagem científica sobre as constantes morais, ou seja, referese àquele conjunto de valores e costumes mais ou menos permanente no tempo e no espaço. Em outras palavras, a ética é a ciência da moral, isto é, de uma esfera do comportamento humano. (VÁZQUEZ, 2011). Mas a Ética não é puramente teoria; é um conjunto de princípios e disposições voltados para a ação, historicamente produzidos, cujo objetivo é balizar (limitar) as ações humanas. Todavia, não cabe à ética formular juízos de valor sobre a prática moral de outras sociedades, ou de outras épocas, em nome de uma moral absoluta e universal, mas deve antes explicar a razão de ser desta pluralidade e das mudanças de moral; isto é, deve esclarecer o fato de os homens terem recorrido a práticas morais diferentes e até opostas. (VÁZQUEZ, 2011). Em um sentido mais amplo, a ética engloba um conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa, que estão ligados à prática do bem e da justiça, aprovando ou desaprovando a ação dos homens de um grupo social ou de uma sociedade.

Em suma, a ética é um conjunto de normas que rege a boa conduta humana. Segundo a classificação de Eduardo Garcia Maýnez, são quatro as formas de manifestação do pensamento ético ocidental: 01. Ética empírica; 02. Ética dos bens; 03. Ética formal; Fonte: educacao-charge.digao.bio.br/rizomas/ charges-sobreeducacao.html Para que uma conduta possa ser considerada ética, três elementos essenciais devem ser ponderados: a ação (ato moral), a intenção (finalidade), e as circunstâncias (conseqüências) do ato. Se um único desses três elementos não for bom, correto e certo, o comportamento não é ético. A norma ética é aquela que prescreve como o homem deve agir. Possui, como uma de suas características, a possibilidade de ser violada, ao contrário da norma legal (lei). A ética não deve ser confundida com a lei, embora, com certa freqüência, a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário da lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas. A Ética tem por objeto o comportamento humano no interior de cada sociedade, e o estudo desse comportamento com o fim de estabelecer níveis aceitáveis que garantam a convivência pacífica dentro das sociedades e entre elas, constitui o objetivo da Ética. (LISBOA; MARTINS, 2011). O estudo da ética demonstra que a consciência moral nos inclina para o caminho da virtude, que seria uma qualidade própria da natureza humana. Logo, um homem para ser ético precisa necessariamente ser virtuoso, ou seja, praticar o bem usando a liberdade com responsabilidade constantemente. 04. Ética de valores. A Ética empírica está dividida em: Ética Anarquista: Só tem valor o que não contraria as tendências naturais. Ética Utilitarista: É bom o que é útil. Ética Ceticista: Não se pode dizer com certeza o que é certo ou errado, bom ou mau, pois ninguém jamais será capaz de desvendar os mistérios da natureza. Ética Subjetivista: O homem é a medida de todas as coisas existentes ou inexistentes (Protágoras). Já a Ética dos bens divide-se em: Ética Socrática: Para Sócrates (469 399 a.c.), o supremo bem, a virtude máxima é a sabedoria. As 2 máximas de Sócrates são: Só sei que nada sei e Conhece-te a ti mesmo. Ética Platônica: Para Platão (427 347 a.c), todos os fenômenos naturais são meros reflexos de formas eternas, imutáveis, sugerindo o mundo das idéias. Ética Aristotélica: Para Aristóteles (384 322 a.c.), a felicidade só pode ser conseguida com a integração de suas 3 formas: prazer, virtude (cidadania responsável), sabedoria (filosofia/ ciência). Ética Epicurista: Para Epicuro (341 270 a.c.), o bem supremo é a felicidade, a ser atingido por meio dos prazeres (eudemonismo hedonista) e os do espírito são mais elevados que os do corpo. Seu objetivo maior era afastar a dor e os sofrimentos. Ética Estóica: Zenon (300 a.c.) fundou esta filosofia que ensina a ética da virtude como fim: o estóico não aspira ser feliz, mas ser bom. Para a Ética formal, segundo Kant, uma ação é boa, tem valor, deve ser feita, se obedece o princípio categórico, que está baseado na idéia do dever (vale sempre e é uma ordem). Por fim, para a Ética de valores, uma ação é boa (e conseqüentemente é um dever) se estiver fundamentada em um valor. 67 67 Ética Atualidades no Serviço Público

6868 Ética Atualidades no Serviço Público Moral Os romanos traduziram o ethos grego para o latim mos, de onde vem a palavra moral. O termo moral, portanto, deriva do latim mos ou mores, que significa costume ou costumes (VÁZQUEZ, 2011). A moral é definida como o conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que norteiam o comportamento do indivíduo no seu grupo social. A moral é normativa. Em outras palavras, a moral é um conjunto de regras de conduta adotadas pelos indivíduos de um grupo social e tem a finalidade de organizar as relações interpessoais segundo os valores do bem e do mal. A moral é a ferramenta de trabalho da ética. Sem os juízos de valor aplicados pela moral seria impossível determinar se a ação do homem é boa ou má. A moral ocupa-se basicamente de questões subjetivas, abstratas e de interesse particular do indivíduo e da sociedade, relacionando-se com valores ou condutas sociais. A moral possui, poranto, um caráter subjetivo, que faz com que ela seja influenciada por vários fatores, alterando, assim, os conceitos morais de um grupo para outro. Esses fatores podem ser sociais, históricos, geográficos etc. Observa-se, então, que a moral é dinâmica, ou seja, ela pode mudar seus juízos de valor de acordo com o contexto em que esteja inserida. Sendo assim, a moral é mutável e varia historicamente, de acordo com o desenvolvimento de cada sociedade e, com ela, variam os seus princípios e as suas normas. Ela norteia os valores éticos na Administração Pública. (VÁZQUEZ, 2011). Aristóteles, em seu livro A Política, assevera que os pais sempre parecerão antiquados para os seus filhos. Essa afirmação demonstra que, na passagem de uma geração para outra, os valores morais mudam. Para que um ato seja considerado moral, ou seja, bom, deve ser livre, consciente, intencional e solidário. O ato moral tem, em sua estrutura, dois importantes aspectos: o normativo e o factual. O normativo são as normas e imperativos que enunciam o dever ser. Ex.: cumpra suas obrigações, não minta, não roube etc. O factual são os atos humanos que se realizam efetivamente, ou seja, é a aplicação da norma no dia a dia, no convívio social. Apesar de se assemelharem, e mesmo por vezes se confundirem, ética e moral são termos aplicados diferentemente. Enquanto o primeiro trata o comportamento humano como objeto de estudo e normatização, procurando tomá-lo de forma mais abrangente possível, o segundo se ocupa de atribuir um valor à ação. Esse valor tem como referências as normas e conceitos do que vem a ser bom ou mau, baseados no senso comum. No contexto da ação pública, ética e moral não são considerados termos sinônimos. Portanto, não devem ser confundidos. Enquanto a ética é teórica e busca explicar e justificar os costumes de uma determinada sociedade, a moral é normativa. Enquanto a ética tem caráter científico, a moral tem caráter prático imediato, visto que é parte integrante da vida quotidiana das sociedades e dos indivíduos. A moral é a aplicação da ética no cotidiano, é a prática concreta. A moral, portanto, não é ciência, mas objeto da ciência; e, neste sentido, é por ela estudada e investigada. DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL ÉTICA MORAL Teórica Científica Permanente Universal (absoluta) Regra Princípio Geral Objetiva Normativa Prática (objeto da ciência) Temporal Cultural (relativa) Conduta de regra Aspectos de condutas específicas Específica Subjetiva

Ética: princípios e valores Princípios Princípio pode designar onde alguma coisa ou conhecimento se origina. Pode também ser definido como um conjunto de regras ou código de (boa) conduta, com base no qual se governa a própria vida e ações. Dados esses conceitos, percebe-se que os princípios que regem a conduta em sociedade são aqueles conceitos ou regras que se aprende por meio do convívio, passados de geração para geração. Esses conhecimentos se originaram, em algum momento, no grupo social em que estão inseridos, convencionando-se que sua aplicação é boa, e assim aceita pelo grupo. Quando uma pessoa afirma que determinada ação fere seus princípios, ela está se referindo a um conceito ou regra, que foi originado em algum momento em sua vida ou na vida do grupo social em que está inserida, e que foi aceito como ação moralmente boa. Valores O conceito de valor tem sido investigado e definido em diferentes áreas do conhecimento (filosofia, sociologia, ciências econômicas, marketing etc). Os valores são as normas, princípios ou padrões sociais aceitos ou mantidos por indivíduos, classe ou sociedade. Dizem, portanto, respeito a princípios que merecem ser buscados. O valor exprime uma relação entre as necessidades do indivíduo (respirar, comer, viver, posse, reproduzir, prazer, domínio, relacionar, comparar) e a capacidade das coisas, objetos ou serviços de satisfazê-las. É na apreciação desta relação que se explica a existência de uma hierarquia de valores, segundo a urgência/prioridade das necessidades e a capacidade dos mesmos objetos para as satisfazerem, diferenciadas no espaço e no tempo. Nas mais diversas sociedades, independentemente do nível cultural, econômico ou social em que estejam inseridas, os valores são fundamentais para se determinar quais são as pessoas que agem tendo por finalidade o bem. O caráter dos seres, pelo qual são mais ou menos desejados ou estimados por uma pessoa ou grupo, é determinado pelo valor de suas ações. Todos os termos que servem para qualificar uma ação ou o caráter de uma pessoa têm um peso bom e um peso ruim. Cite-se, como exemplo, os termos verdadeiro e falso, generoso e egoísta, honesto e desonesto, justo e injusto. Os valores dão peso à ação ou caráter de uma pessoa ou grupo. Kant afirmava que toda ação considerada boa moralmente deveria ser universal, ou seja, ser boa em qualquer tempo e em qualquer lugar. Infelizmente o ideal kantiano de valor e moralidade está muito longe de ser alcançado, pois as diversidades culturais e sociais fazem com que o valor dado a determinadas ações mude de acordo com o contexto. O complexo de normas éticas se alicerça em valores, normalmente designados valores do bom. Valores éticos são indicadores da relevância ou do grau de atendimento aos princípios éticos. Por exemplo, a dignidade da pessoa sugere e exige que se valorize o respeito às pessoas. (ALONSO; LÓPEZ; CASTRUCCI, 2010). Esses valores éticos só podem ser atribuídos a pessoas, pois elas são os únicos seres que agem com conhecimento de certo e errado, bem e mal, e com liberdade para agir. (ALONSO; LÓPEZ; CASTRUCCI, 2010). Algumas condutas podem ferir os valores éticos. A prática constante de respeito aos valores éticos conduz as pessoas às virtudes morais. (ALONSO; LÓPEZ; CASTRUCCI, 2010). Ética e democracia: exercício da cidadania Ética e democracia O Brasil ainda caminha a passos muito lentos no que diz respeito à ética, principalmente no cenário político. Vários são os fatores que contribuíram para esta realidade, dentre eles, principalmente, os golpes de Estado, a saber, o Golpe de 30 e o Golpe de 64. 69 69 Ética Atualidades no Serviço Público

7070 Ética Atualidades no Serviço Público Durante o período em que o país vivenciou a ditadura militar e em que a democracia foi colocada de lado, tivemos a suspensão do ensino da filosofia e, conseqüentemente, da ética, nas escolas e universidades, e além disso, os direitos políticos do cidadão suspensos, a liberdade de expressão caçada e o medo da repressão. Como consequência dessa série de medidas autoritárias e também arbitrárias, nossos valores morais e sociais foram perdendo espaço para os valores que o Estado queria impor, levando a sociedade a uma espécie de apatia social. Nos dias atuais estamos presenciando uma nova fase em nosso país, no que tange à aplicabilidade das leis e da ética no poder. Os crimes de corrupção envolvendo desvio de dinheiro estão sendo mais investigados e a polícia tem trabalhado com mais liberdade de atuação em prol da moralidade e do interesse público, o que tem levado os agentes públicos a refletir mais sobre seus atos antes ainda de praticá-los. Essa nova fase se deve principalmente à democracia, implantada como regime político com a Constituição de 1988. Etimologicamente, o termo democracia vem do grego demokratía, em que demo significa governo e kratía, povo. Logo, a democracia, por definição, é o governo do povo. A democracia confere ao povo o poder de influenciar na administração do Estado. Por meio do voto, o povo é que determina quem vai ocupar os cargos de direção do Estado. Logo, insere-se nesse contexto a responsabilidade tanto do povo, que escolhe seus dirigentes, quanto dos escolhidos, que deverão prestar contas de seus atos no poder. A ética exerce papel fundamental em todo esse processo, regulamentando e exigindo dos governantes comportamento adequado à função pública, que lhe foi confiada por meio do voto, e conferindo ao povo as noções e os valores necessários tanto para o exercício e cobrança dos seus direitos quanto para atendimento de seus deveres. É por meio dos valores éticos e morais determinados pela sociedade que podemos perceber se os atos cometidos pelos ocupantes de cargos públicos estão visando ao bem comum e ao interesse público. Exercício da cidadania Em se tratando do exercício da cidadania, podemos afirmar que todo cidadão tem direito a exercer a cidadania, isto é, seus direitos de cidadão; direitos esses garantidos constitucionalmente. Direitos e deveres andam juntos no que tange ao exercício da cidadania. Não se pode conceber um direito que não seja precedido de um dever a ser cumprido; é uma via de mão dupla. Os direitos garantidos constitucionalmente, individuais, coletivos, sociais ou políticos, são precedidos de responsabilidades que o cidadão deve ter perante a sociedade. Por exemplo, a Constituição garante o direito à propriedade privada, mas exige-se que o proprietário seja responsável pelos tributos que o exercício desse direito gera, como, por exemplo, o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Exercer a cidadania, por consequência, é ser probo (íntegro, honrado, justo, reto), agir com ética assumindo a responsabilidade que advém de seus deveres enquanto cidadão inserto no convívio social. Ética e função pública Função pública é a competência, atribuição ou encargo para o exercício de determinada função. Ressalta-se que essa função não é livre, devendo, portanto, estar o seu exercício sujeito ao interesse público, ou seja, da coletividade. No exercício das mais diversas funções públicas, os servidores devem respeitar, além das normatizações vigentes nos órgãos e entidades públicas que regulamentam e determinam a forma de agir dos agentes públicos, os valores éticos e morais que a sociedade impõe para o convívio em grupo. A não observação desses valores acarreta uma série de erros e problemas no atendimento ao público e aos usuários do serviço, o que contribui de forma significativa para uma imagem negativa do órgão ou entidade e também do serviço público. O padrão ético dos servidores públicos, no exercício da função pública, advém de sua natureza, ou seja, do caráter público e de sua relação com o público.

O servidor deve estar atento a esse padrão não apenas no exercício de suas funções, mas também na vida particular. O caráter público do seu serviço deve se incorporar à sua vida privada, a fim de que os valores morais e a boa-fé, amparados constitucionalmente como princípios básicos e essenciais a uma vida equilibrada, sejam inseridos e se tornem uma constante em seu relacionamento com os usuários do serviço bem como com os colegas. Os princípios constitucionais devem ser observados para que a função pública se integre de forma indissociável ao direito. Os princípios são: Legalidade: todo ato administrativo deve seguir fielmente os meandros da lei. Impessoalidade: aplicado como sinônimo de igualdade todos devem ser tratados de forma igualitária e respeitando o que a lei prevê. Moralidade: respeito ao padrão moral para não comprometer os bons costumes da sociedade. Publicidade: refere-se à transparência de todo ato público, salvo os casos previstos em lei. Eficiência: ser o mais eficiente possível na utilização dos meios que são postos a sua disposição para a execução do seu mister (cargo ou função). Ética no setor público As questões éticas estão cada vez mais em voga na cena pública brasileira, dada a multiplicação de casos de corrupção e, sobretudo, a reação da sociedade frente a um tal grau de desmoralização das relações políticas e sociais. Com os escândalos e denúncias de corrupção expostas pela mídia, refletir sobre essas questões traz à tona os conceitos éticos que envolvem a busca por melhores ações tanto na vida pessoal como na vida pública. A ética é pautada na conduta responsável das pessoas. Daí a importância da escolha de um político com esse caráter, a fim de diminuir o mau uso da máquina pública e evitar que se venha auferir ganhos e vantagens pessoais. Porém, as normas morais apenas fornecem orientações, cabendo ao político determinar quais são as exigências e limitações e decidir pela melhor alternativa de ação, que detém a responsabilidade em atender as demandas, no papel de representantes democráticos, com integridade e eficiência. Durante as últimas décadas, o setor público foi alvo, tanto por parte da mídia quanto do senso comum vigente, de um processo deliberado de formação de uma caricatura, que transformou sua imagem no estereótipo de um setor muito burocrático, que não funciona e custa caro à população. O cidadão, mesmo bem atendido por um servidor público, não consegue sustentar uma boa imagem do servidor e também do serviço público, pois o que faz a imagem de um órgão ou entidade pública parecer boa diante da população é o atendimento de seus funcionários, e por mais que os servidores sérios e responsáveis se esforcem, existe uma minoria que consegue facilmente acabar com todos os esforços levados a cabo por aqueles bons funcionários. Nesse ponto, a ética se insere de maneira determinante para contribuir e melhorar a qualidade do atendimento, inserindo no âmbito do poder público os princípios e regras necessários ao bom andamento do serviço e ao respeito aos usuários. Os novos códigos de ética, além de regulamentar a qualidade e o trato dispensados aos usuários e ao serviço público e de trazer punições para os que descumprem as suas normas, também têm a função de proteger a imagem e a honra do servidor que trabalha seguindo fielmente as regras nele contidas, contribuindo, assim, para uma melhoria na imagem do servidor e do órgão ou entidade perante a população. Em se tratando da ética no serviço público, destacamos o Código de Ética Profissional do Servidor Público do Poder Executivo Federal, aprovado pelo Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994, que foi revogado em parte pelo Decreto nº 6.029, de 1º de fevereiro de 2007, que institui Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal. Ambos os Decretos seguem na íntegra. Código de Ética Profissional do Serviço Público (Decreto nº 1.171/1994) DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994. Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. 71 71 Ética Atualidades no Serviço Público

7272 Ética Atualidades no Serviço Público O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, e ainda tendo em vista o disposto no art. 37 da Constituição, bem como nos arts. 116 e 117 da Lei n 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e nos arts. 10, 11 e 12 da Lei n 8.429, de 2 de junho de 1992, DECRETA: Art. 1 Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, que com este baixa. Art. 2 Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será comunicada à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República, com a indicação dos respectivos membros titulares e suplentes. Art. 3 Este decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 22 de junho de 1994, 173 da Independência e 106 da República. ITAMAR FRANCO Romildo Canhim Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.6.1994. ANEXO Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal Seção I Das Regras Deontológicas I. A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos. II. O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e 4, da Constituição Federal. III. A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da idéia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo. (grifo da autora) IV. A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isso se exige, como contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no Direito, como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, como conseqüência, em fator de legalidade. V. O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio. VI. A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional. (grifo da autora) VII. Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior do Estado e da Administração Pública, a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem a negar. (grifo da autora) VIII. Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação. IX. A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causarlhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e seus esforços para construí-los. X. Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor em que exerça suas funções, permitindo a formação de longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço, não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos. (grifo da autora)

XI. O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores, velando atentamente por seu cumprimento, e, assim, evitando a conduta negligente. Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da função pública. (grifo da autora) XII. Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas. XIII. O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação. Seção II Dos Principais Deveres do Servidor Público XIV. São deveres fundamentais do servidor público: a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego público de que seja titular; b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo fim ou procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias, principalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao usuário; (grifo da autora) c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu caráter, escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a melhor e a mais vantajosa para o bem comum; (grifo da autora) d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da gestão dos bens, direitos e serviços da coletividade a seu cargo; e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando o processo de comunicação e contato com o público; f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada prestação dos serviços públicos; g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público, sem qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião, cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar-lhes dano moral; (grifo da autora) h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal; (grifo da autora) i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, interessados e outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las; (grifo da autora) j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva; k) ser assíduo e freqüente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca danos ao trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o sistema; l) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público, exigindo as providências cabíveis; m) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os métodos mais adequados à sua organização e distribuição; n) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções, tendo por escopo a realização do bem comum; o) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função; p) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas funções; q) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores, as tarefas de seu cargo ou função, tanto quanto possível, com critério, segurança e rapidez, mantendo tudo sempre em boa ordem. r) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito; s) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados administrativos; t) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autoridade com finalidade estranha ao interesse público, mesmo que observando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei; u) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento. 73 73 Ética Atualidades no Serviço Público

Seção III Das Vedações ao Servidor Público XV. E vedado ao servidor público; a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e influências, para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem; b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que deles dependam; 7474 Ética Atualidades no Serviço Público c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão; d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material; e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu conhecimento para atendimento do seu mister; (grifo da autora) f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores; g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim; h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências; (grifo da autora) i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços públicos; j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular; l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer documento, livro ou bem pertencente ao patrimônio público; m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros; n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente; o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana; p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de cunho duvidoso.

próprios da carreira do servidor público. XIX. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) XX. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) XXI. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) XXII. A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e sua fundamentação constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus integrantes, com ciência do faltoso. XXIII. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) CAPÍTULO II DAS COMISSÕES DE ÉTICA XVI. Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, indireta autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder público, deverá ser criada uma Comissão de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor, no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público, competindolhe conhecer concretamente de imputação ou de procedimento susceptível de censura. XVII. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) XVIII. À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encarregados da execução do quadro de carreira dos servidores, os registros sobre sua conduta ética, para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos XXIV. Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor público todo aquele que, por força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária ou excepcional, ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, como as autarquias, as fundações públicas, as entidades paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado XXV. (Revogado pelo Decreto nº 6.029, de 2007) 01. Com relação à ética no serviço público, julgue o item a seguir. Devido à impossibilidade de relativização do direito constitucional à privacidade, considera-se que os atos praticados pelo servidor público no âmbito privado são dissociados de sua conduta pública, não influenciando, portanto, seu conceito funcional nem a prestação de serviços ao público. 02. Com relação à ética no serviço público, julgue o item a seguir. No contexto da ação pública, ética e moral são considerados termos sinônimos, visto que ambos dizem respeito a um conjunto de normas, princípios, preceitos e valores que norteiam o comportamento de indivíduos e grupos, na distinção entre o bem e o mal, o legal e o ilegal. 03. Com relação à ética no serviço público, julgue o item a seguir. O servidor público que age contra a injustiça, ainda que em prejuízo próprio, demonstra um comportamento ético. 75 75 Ética Atualidades no Serviço Público

7676 Ética Atualidades no Serviço Público 04. Com relação à ética no serviço público, julgue o item a seguir. Considera-se agente público o cidadão ou cidadã que exerça qualquer atividade pública remunerada, excluindo-se, portanto, dessa classificação, os que desempenham funções voluntárias e transitórias. 05. Com relação à ética no serviço público, julgue o item a seguir. A garantia de direitos fundamentais, estabelecida na CF, é uma forma de promover a conduta ética do Estado e de seu povo. 06. Com relação à ética no serviço público, julgue o item a seguir. Adota conduta ética, no exercício de seu cargo, o servidor público que preserva seus valores pessoais bem como os da organização onde atua. 07. A respeito de ética no serviço público e dos atos de improbidade administrativa, julgue o item a seguir. A alteração do teor de documentos sob avaliação ou validação para providências deve ocorrer somente em situações em que a qualidade e a clareza das informações neles contidas estejam comprometidas. 08. Com relação à ética no serviço público, julgue o item a seguir. De acordo com a ética individualista, as ações são consideradas morais quando promovem os interesses individuais ao longo do tempo. 09. Com relação à ética no serviço público, julgue o item a seguir. De acordo com a abordagem utilitária, ética diz respeito ao cuidado do servidor público com a sua conduta, de modo a considerar sempre os efeitos desta na realização dos próprios interesses. 10. Com relação à ética no serviço público, julgue o item a seguir. O servidor público que escolhe agir de acordo com os interesses coletivos e procura orientar seus esforços para a otimização da satisfação do maior número de pessoas manifesta conduta ética baseada na moral e nos direitos. 11. Com relação à ética no serviço público, julgue o item a seguir. Os dirigentes de organizações públicas que estabelecem regras claramente explicitadas, consistentes e que sejam imparcialmente executadas manifestam conduta ética baseada nos princípios de justiça, equidade e imparcialidade. 12. Considerando o estabelecido no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, julgue o item a seguir. O estabelecimento de um código de ética para o exercício das funções públicas busca garantir que as diferenças individuais não sejam tratadas de modo particular, arbitrário, ou seja, com base na vontade do agente público que presta determinado serviço. 13. Considerando o estabelecido no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, julgue o item a seguir. A moralidade dos atos do servidor público é consolidada quando ele, ao agir, considera a legalidade e a finalidade desses atos, tendo em vista o bem comum. 14. Considerando o estabelecido no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, julgue o item a seguir. A honra e a tradição dos serviços públicos devem ser preservadas pela conduta ética dos servidores públicos, a qual fundamenta a confiança da sociedade nos serviços prestados pela administração pública.

15. Considerando o estabelecido no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, julgue o item a seguir. Em toda e qualquer situação, o ato administrativo, para ser eficaz e moral, deve ser público. 16. Acerca da atuação do servidor público no que se refere à sua conduta, julgue o item que se segue. Em casos de solicitações aéticas e amorais de sua chefia, o servidor público deve procrastinar o atendimento a esses pedidos, como uma forma efetiva de não cometer qualquer ação que atente contra o código de ética. 17. Acerca da atuação do servidor público no que se refere à sua conduta, julgue o item que se segue. Na escolha entre duas opções, o servidor público que decide pela opção mais vantajosa para o bem comum demonstra conduta ética. 18. Acerca da atuação do servidor público no que se refere à sua conduta, julgue o item que se segue. O servidor público deve atentar para as ordens de seus superiores, cumprindo-as sempre, sem hesitação e contestação, pois é o que recomenda um dos princípios éticos referentes à função pública. 19. Acerca da atuação do servidor público no que se refere à sua conduta, julgue o item que se segue. Novos conhecimentos e habilidades ao seu alcance só devem ser utilizados pelo servidor público em situações complexas, que exijam raciocínio mais elaborado e soluções específicas. 20. Acerca da atuação do servidor público no que se refere à sua conduta, julgue o item que se segue. A urbanidade e a cortesia são características exigidas do servidor público no exercício de suas atribuições funcionais. 1 2 3 4 5 ERRADO ERRADO CERTO ERRADO CERTO 6 7 8 9 10 CERTO ERRADO CERTO ERRADO ERRADO 11 12 13 14 15 CERTO CERTO CERTO CERTO ERRADO 16 17 18 19 20 ERRADO CERTO ERRADO ERRADO CERTO 77 77 Ética Atualidades no Serviço Público

INFORMÁTICA ÍNDICE Editores de Apresentação... 79 78

Editores de Apresentação 01 Neste capítulo abordam-se os editores de apresentação de slides, que são comumente citados como editores de apresentação nas provas dos concursos; no entanto, também são mencionados como editores de eslaides. Por padrão, os editores de Apresentação ao contrário dos outros editores (texto e planilha) exibem a barra de ferramentas de desenho, através da qual podemos inserir figuras em um slide, assim como autoformas, textos decorados, entre outras. Formatos de Arquivos O formato de arquivo salvo por padrão no BrOffice (LibreOffice) Impress é o ODP (Open Document Presentation), contudo é possível salvar uma apresentação no formato PTT do PowerPoint (2003) ou PTTX do PowerPoint 2007 e 2010. Existe também um formato de arquivo PPS (2003) e PPSX (2007 e 2010), ele é um formato de autoplay, ou seja, ao ser acionado o arquivo com esse formato ele automaticamente é exibido no modo de exibição de slides. PowerPoint O PowerPoint é o editor de Apresentações de Slides da Microsoft. Aba Página Inicial Ao comparar a Página Inicial do Word com o PowerPoint é possível notar algumas diferenças, como o bloco Slides e o Bloco Desenho, como também algumas diferenças opções nos Blocos Fonte e Parágrafo. A figura a seguir ilustra esta aba. Informática Bloco Slides Este é um dos bloco mais utilizados atente a opção novo slide na figura a seguir, ela apresenta uma seta para baixo, o que significa que um menu Dropdown será aberto, conforme ilustra a figura da sequencia permitindo que seja selecionado o layout do slide a ser inserido. Contudo, é possível mudar o Layout (organização) de um slide mesmo após sua inserção, bastando, para tanto, selecionar o slide desejado e alterar seu layout pela opção Layout. Já a opção redefinir possibilita reestabelecer às configurações padrões de posicionamento, tamanho e formatação dos espaços reservados de um slide. Também se deve observar a opção Seção, pela qual é possível se inserir novas seções em uma apresentação de slides. Bloco Fonte O bloco fonte apresenta a opção sombra de texto e espaçamento entre caracteres que não aparecem no Word, como ilustra a figura a seguir. 79 A opção sombra indicada pela letra S mais espessa, conforme ilustrado a seguir, permite aplicar um efeito de sombra que dá um destaque ao texto, dando a impressão de volume. No PowerPoint também é possível se alterar o espaço entre os caracteres de texto a fim de distribuir melhor um texto em um slide, para isso, basta selecionar o texto e a opção desejada junto à alça da opção Espaçamento Entre Caracteres ilustrada a seguir.

Bloco Parágrafo Neste bloco há novas funcionalidades como: colunas, Direção do Texto, Alinhar Texto e Converter em SmartArt, como pode ser visualizado na figura a seguir. As opções são Em Cima, No Meio e Embaixo. A opção Colunas permite formatar uma caixa de texto selecionada para que exiba seu texto em diversas colunas, para isso pode-se utilizar a opção ilustrada a seguir. 80 Informática A opção Direção do Texto permite alterar a forma como um texto é exibido no PowerPoint a fim de causar um efeito mais chamativo. A opção direção do texto é ilustrada a seguir. As opções encontradas ao clicar na opção Direção do Texto são: Horizontal; Girar em 90º; girar em 270º e Empilhado, conforme ilustrado na sequencia. O recurso SmartArt existe no Word, contudo, no PowerPoint, é possível converter uma estrutura de um texto em parágrafo ou tópicos em um esquema do SmartArt. Algumas das opções possíveis são ilustradas na figura a seguir. Também é possível alinhar o texto verticalmente na caixa de texto, para isso pode-se utilizar a opção Alinhar Texto representada pela figura que se segue. Aba Inserir Na aba Inserir, são disponibilizadas inúmeras opções de estruturas que podem ser inseridas na apresentação em edição, conforme ilustrado a seguir. Pode-se enfatizar a opção Álbum de Fotografias, opção qual permite criar rapidamente por meio da seleção de uma pasta contendo as imagens um álbum de fotos, colocando apenas uma foto por slide ou mais. Aba Design Através desta aba é possível mudar a configuração de um slide, colocando-o com orientação diferente da padrão, paisagem, ou mesmo mudar suas dimensões. Bem como alterar o conjunto de cores de fundo e fontes por meio dos temas.

Aba Transições Na Aba Transições, encontram-se as opções referentes à troca dos slides durante a apresentação, no Office 2010 existem diversos novos efeitos que proporcionam uma melhor qualidade visual a apresentação. Também é possível se configurar tempos para cada slide e para o efeito de transição, por meio das opções disponibilizadas no bloco Intervalo. Aba Animações Já a aba animações são encontradas opções que podem ser aplicadas a elementos em um slide como figuras e textos, da mesma maneira que é possível configurar o tempo de uma troca de slides é possível configurar a duração de uma animação. Aba Apresentação de Slides Na Aba apresentação podemos configurar a apresentação como um todo. Informática A opção do começo exibe a apresentação de slides a partir do primeiro Slide a tecla de atalho correspondente é a tecla F5, já a opção do Slide atual exibe a apresentação a partir do slide selecionado, a tecla de atalho para esta opção é SHIFT + F5. Uma das novidades do Office 2010 é a sua integração com recursos Online, como a opção Transmitir Apresentação de Slides que possibilita disponibilizar uma apresentação de slides para que possa ser visualizada via Internet enquanto é exibida, para tanto é necessário utilizar uma Windows Live ID. Outra opção Interessante é a opção modo de exibição de apresentador que permite, quando a um monitor e um projetor ou mesmo dois monitores conectados ao computador, exibir a apresentação em um (normalmente no projetor) e no outro monitor uma tela de acompanhamento que exibe as anotações de cada slide, a sua miniatura e o tempo decorrido do inicio da apresentação. Editor de Apresentação Impress É o editor de apresentação de slides do BrOffice. Janela do programa Devemos entender algumas partes da janela do editor para melhor entender seus recursos. A primeira barra ao topo onde encontramos os botões Fechar, Maximizar/Restaurar e Minimizar é a chamada de Barra de Título, pois expressa o nome do arquivo e o programa no qual está sendo trabalhado. 81

A barra a seguir é a barra de menu, onde se encontram as ferramentas do programa, observe à direita do menu Ferramentas a existência de um menu diferente dos encontrados no Writer e Calc, o menu Apresentação de Slides, nele são encontradas as opções específicas das operações com slides como, Cronometrar, Transição e Apresentação de slides. Na sequência, são exibidas as duas barras de ferramentas (Padrão e de Formatação). Atente as divisões da janela, na lateral esquerda está o painel Slides, nele são exibidas as miniaturas dos slides a fim de navegação na apresentação bem como de organização. Uma vez que para trocar slides de lugar, basta clicar e mantendo-se o mouse pressionado sobre o slide que se deseja mover, clicar e arrastá-lo ele será disposto na posição desejada. A última barra é a barra de status, por meio dela podemos visualizar em qual slide estamos além de poder alterar o zoom do slide em edição. Acima da barra de status está sendo exibida a barra de desenhos, ilustrada abaixo. Esta barra é comum aos demais editores (Calc e Writer), porém ela só aparece por padrão no Impress para ocultá-la ou exibi-la basta selecionar ela no menu Exibir > Barras de Ferramentas > Desenho. 82 Informática A área central da tela é onde fica o Slide em edição, também conhecida como Palco, quem sabe uma associação ao espaço onde o artista expõe a sua obra. Já, em seguida, é exibido o Painel de tarefas, essa estrutura oferece diversas opções conforme ilustrado a seguir. Acima do slide em edição podem-se encontrar cinco opções, elas são na verdade modos de exibição que podem ser alternados. Mestre Um mestre é aquele que deve ser seguido, ou seja, uma estrutura base para a criação de um conjunto de slides. Por meio dele podemos criar um modelo no qual se definem estilos de título, parágrafo, tópicos, planos de fundo e os campos de data/hora, rodapé e número do slide, conforme pode ser visualizado na imagem abaixo. Para acionar o modo acima exibido basta clicar no menu Exibir > Mestre > Slide Mestre. Já a opção Notas Mestre serve para formatar as características das anotações (notas) que podem ser associadas a cada slide, conforme ilustrado a seguir.

a) exibir a apresentação sem a necessidade de ter o PowerPoint ou Impress instalado em seu computador. b) definir uma formatação padrão para todos os slides que forem criados com base nele. c) resumir os tópicos da apresentação. d) controlar a ordem de apresentação dos slides. e) controlar, por software, todas as funcionalidades do equipamento projetor. RESPOSTA. B. O Slide mestre dos editores de apresentação é similar aos estilos de formatação dos editores de texto, por meio dele podemos alterar as características de um slide, como formatação de fonte, títulos, tópicos, cores, layout entre outras. Já o item Elementos do Slide Mestre serve para indicar quais elementos deseja que apareça nos slides ou notas. No painel de tarefas a opção Páginas Mestre apresenta alguns modelos de Slides Mestres que podem ser utilizados pelo usuário. Layouts Também podendo ser citado como Leiaute, são as estruturas que um slide pode possuir, como slides de título, título e subtítulo, slide em branco entre outros. A figura a seguir ilustra os diversos layouts disponíveis no Impress. Esses podem ser definidos a qualquer momento da edição, mesmo após o slide já ter sido inserido é possível alterar seu layout. Por meio do botão inserir slide, presente na barra de ferramentas padrão é possível escolher no momento da inserção o layout do slide. Após este já ter sido inserido basta selecioná-lo no painel de slides, à esquerda, e escolher er o novo layout desejado pelo botão de Layout do Slide ou pelo painel de tarefas. 01. Um recurso bastante útil nas apresentações de PowerPoint ou Impress é o slide mestre. O slide mestre serve para: 01. Assinale a alternativa correta em relação à suíte de programas de escritório BrOffice. a) O BrOffice Impress é utilizado para criar e gerenciar bancos de dados. b) O aplicativo Presentation da suíte BrOffice cria e edita apresentações em slides para reuniões. c) Arquivos com extensão.ppt não podem ser abertos diretamente do BrOffice. Para ler esse tipo de arquivo, deve-se usar um aplicativo específico de conversão de.ppt para.odp. d) O BrOffice Impress pode, a partir de um documento, gerar arquivos no formato PDF. e) Uma das diferenças entre o BrOffice Impress e outros aplicativos comerciais é que o impress ainda não possui a funcionalidade de criar e executar macros. 02. O eslaide mestre é um elemento do modelo de design que armazena informações sobre o modelo, inclusive estilos de fontes, tamanhos e posições de espaços reservados, design do plano de fundo e esquemas de cores. 03. No Microsoft PowerPoint, a inserção de fórmulas matemáticas pode ser realizada por meio do editor de equações, disponível por meio da opção Objeto, encontrada no menu Inserir. 04. O aplicativo PowerPoint 2003 pode ser utilizado para a preparação da referida apresentação, visto que esse software possui funcionalidades que auxiliam na preparação e na apresentação de palestras, além de ter funcionalidades que permitem a inclusão, na apresentação multimídia, de diversos efeitos visuais e sonoros. 05. Com relação ao PowerPoint, assinale a opção correta. a) No PowerPoint, é possível alterar o esquema de cores do slide, mas não é possível alterar o slide mestre. Informática 83

84 Informática b) A cada alteração feita em um slide no PowerPoint deve-se imediatamente aplicar a opção Salvar para que não sejam definitivamente perdidas as mudanças de edição das apresentações. c) O assistente de apresentações permite que sejam editados diferentes modelos de design aos slides. Cada arquivo.ppt deve possuir apenas um modelo de design de slides. d) A visualização dos slides em forma de tópicos permite a leitura dos títulos e tópicos, o que facilita a revisão do texto, sem características de edição de leiaute e design. e) No PowerPoint, é possível incluir somente uma figura em cada slide. 06. O PowerPoint é um aplicativo utilizado para a criação de apresentações de slides para palestras, cursos, organização de conteúdos, entre outras finalidades. Uma vez aberto um arquivo, a inserção de novos slides em uma apresentação pode ser feita a partir da opção Novo slide, encontrada no menu Inserir, ou acionando-se as teclas +. 07. No Microsoft PowerPoint 2010, versão em português, o recurso que permite colocar efeitos especiais na passagem de um slide para outro é denominado a) transição de slides. b) esquemas de animação. c) personalizar animação. d) esquemas multimídia. e) autoformas. 08. O BrOffice Impress é um programa utilizado para a criação de apresentações em slides que, ao contrário de outros software da suíte BrOffice, não possui um assistente para auxiliar o usuário na criação do documento. 09. Ao se clicar o botão, o PowerPoint passará a ser executado no modo de Apresentação de slides. A forma como as informações contidas nesses slides serão apresentadas dependerá, entre outros fatores, do esquema de animação selecionado. Cada um dos slides de uma apresentação PowerPoint pode ter um esquema de animação diferente. 10. Os aplicativos Impress da BROffice e PaintBrush da Microsoft são concebidos para se fazer impressão de imagens e textos. Uma das principais funcionalidades desses programas é a configuração de impressoras especiais, que permitem o ajuste das cores que se pretende utilizar. 01 D 02 CERTO 03 CERTO 04 CERTO 05 D 06 CERTO 07 A 08 ERRADO 09 CERTO 10 ERRADO _

DIREITO ADMINISTRATIVO ÍNDICE Ato Administrativo... 86 Serviços Públicos... 94 85

01 86 Direito Atualidades Administrativo Ato Administrativo Conceito de ato administrativo: Segundo o Professor Hely Lopes Meirelles, é a manifestação de vontade unilateral: Ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria. Da prática dos atos administrativos gera-se: Superioridade Efeitos jurídicos Elementos (requisitos) de validade do Ato: 01. Competência: Poderes que a lei confere aos agentes públicos para exercer funções com o mínimo de eficácia. A competência tem caráter instrumental, ou seja, é uma instrumento outorgado para satisfazer interesses públicos Finalidade pública. Características da competência: a) Obrigatoriedade Ela é obrigatória para todos os agentes e órgãos públicos b) Irrenunciabilidade A competência é um poder-dever de agir e não pode ser renunciada pelo detentor do poder-dever. Contudo, tem caráter relativo uma vez que a competência pode ser delegada ou pode ocorrer a avocação. c) Intransferível Mesmo após a delegação, a competência pode ser retomada a qualquer tempo pelo titular do poder-dever, por meio da figura da revogação. d) Imodificável Pela vontade do agente, pois somente a lei determina competências. e) Imprescritível A competência pode ser exercida a qualquer tempo. Somente a lei pode exercer a função de determinar prazos prescricionais. Exemplo: O art. 54 da lei 9784/99 determina o prazo decadência de 5 anos para anular atos benéficos para o administrado de boa fé. 02. Finalidade: Visa sempre ao interesse público e à finalidade específica prevista em lei. Exemplo: Remoção de ofício. 03. Forma: O ato administrativo é, em regra, formal e escrito A lei 9784/99, que trata dos processos administrativos no âmbito da União, reza pelo princípio do informalismo, admitindo, que existam atos verbais ou por meio de sinais. (de acordo com o contexto). 04. Motivo: O motivo é a causa imediata do ato administrativo. É a situação de fato e de direito que determina ou autoriza a prática do ato, ou, em outras palavras, o pressuposto fático e jurídico (ou normativo) que enseja a prática do ato. Ex.: CF art. 40, 1º, II, a Trata da aposentadoria por tempo de contribuição. 05. Objeto É o ato em si, ou seja, no caso da remoção o ato administrativo é o próprio instituto da remoção. Exemplo dos elementos em um ato administrativo: Demissão: Ato de demissão deve ter o agente competente para determinar esse ato (competência), depois disso deve ser revertido de forma escrita (forma), a finalidade deve ser o interesse público (finalidade), o motivo deve ser embasado em lei, ou seja, os casos do artigo 132 da lei 8.122/90, o objeto é o próprio instituto da demissão que esta prescrito em lei. Teoria dos Motivos Determinantes Validade e existência e adequação dos motivos declarados. Motivação, exteriorização escrita dos motivos que levaram à produção do ato. Nos atos vinculados, é obrigatória e facultativa nos atos discricionários, contudo, uma vez efetivada a motivação do ato, o administrador fica preso aos motivos e deve cumpri-los, sob pena de anulação do ato.

Atributos do Ato Qualidades especiais dos atos administrativos que lhes asseguram uma qualidade jurídica superior a dos atos de direito privado. Presunção de Legitimidade e Veracidade: Presume-se, em caráter relativo, que os atos da administração foram produzidos em conformidade com a lei e os fatos deles para os administrados são obrigatórios. Ocorre aqui, a inversão do ônus da prova. (Cabe ao administrado provar que o ato é vicioso). Consequências a) Imediata executoriedade do ato administrativo, mesmo impugnado pelo administrado. Até decisão que reconhece o vício ou susta os efeitos do ato. b) Impossibilidade de o Poder Judiciário, analisar, de ofício, elementos de validade do ato não expressamente impugnados pelo administrado. Imperatividade Imperativo, ou seja, é impositivo e independe da anuência do administrado. Exceção: a) Atos Negociais: A administração concorda com uma pretensão do Administrado ou reconhece que ela satisfaz os requisitos para o exercício de certo direito (autorização e permissão discricionário; licença - vinculado) b) Atos Enunciativos: Declara um fato ou emite uma opinião sem que tal manifestação produza por si só efeitos jurídicos. Declara um fato (certidão ou atestado ), ou emite uma opinião (parecer). Relacionado ao poder EXTROVERSO do Estado. Expressão Italiana do autor Renato Aless. Nas provas de concurso, esse poder é usado como sinônimo para imperatividade. Autoexecutoriedade O ato administrativo, uma vez produzido o ato pela Administração, é passível de execução imediata, independente de manifestação do Poder Judiciário. Para Hely Lopes Meirelles, tem que haver previsão legal a exceção existe em casos de emergência. Este atributo incide em todos os atos, com exceção dos atos enunciativos e negociais. A administração não goza de autoexecutoriedade na cobrança de débito, quando o administrado resiste ao pagamento. Tipicidade O ato deve observar a forma, e o tipo previsto em lei para sua produção. Classificação dos Atos Administrativos a) Ato Vinculado: São os que a Administração pratica sem margem alguma de liberdade de decisão, pois a lei previamente determinou o único comportamento possível a ser obrigatoriamente adotado sempre que se configure a situação objetiva descrita na lei. Não cabe ao agente público apreciar a situação objetiva descrita na lei. b) Ato Discricionário: a Administração pode praticar com certa liberdade de escolha, nos termos e limites da lei, quanto ao seu conteúdo, seu modo de realização, sua oportunidade e sua conveniência administrativa. c) Atos Gerais: Caracterizam-se por não possuir destinatários determinados. Os Atos Gerais são sempre determinados e prevalecem sobre os individuais. Podem ser revogados a qualquer tempo. Exemplo: são os decretos regulamentares. Os Atos Gerais necessitam ser publicados em meio oficial. d) Atos Individuais: São aqueles que possuem destinatários certos (determinados), produzindo diretamente efeitos concretos, constituindo ou declarando situação jurídicas subjetivas. Exemplo: nomeação em concurso público e exoneração. Os atos podem ser discricionários ou vinculados e sua revogação somente é passível caso não tenha gerado direito adquirido. e) Atos simples Decorre de uma única manifestação de vontade, de um único órgão. f) Atos complexos Necessita, para formação de seu conteúdo da manifestação, de vontade de dois ou mais órgãos. g) Atos compostos O seu conteúdo depende de manifestação de vontade de um único órgão, contudo para funcionar, depende de outro ato que o aprove. 87 Direito Atualidades Administrativo

Diferenças entre ato complexo e ato composto Características: 8888 Direito Atualidades Administrativo Ato Complexo Ato Composto 1 ato 2 atos 2 vontades 2 vontades 2 ou + órgãos 1 órgão com a aprovação de outro Espécies de atos administrativos N ormativo O rdinatórios N egociais E nunciativos P unitivos Atos normativos São atos caracterizados pela generalidade e pela abstração, isto é, um ato normativo não é prescrito para uma situação determinada, mas para todos os eventos assemelhados; a abstração deriva do fato do ato normativo não representar um caso concreto, determinado, mas sim um caso abstrato, descrito na norma e possível de acontecer no mundo real. A regra abstrata deve ser aplicada no caso concreto. Finalidade: Regulamentar as leis e uniformizar procedimentos administrativos. Características»» Não possuem destinatários determinados;»» Correspondem aos atos gerais;»» Não pode inovar o ordenamento jurídico; Controle Regra: os atos administrativos normativos não podem ser atacados mediante recursos administrativos ou judiciais. Exceção: Atos normativos que gerarem efeitos concretos para determinado destinatário podem ser impugnados pelo administrado na via judicial ou administrativa. Exemplos de atos normativos: decretos regulamentares, instruções normativas, atos declaratórios normativos. Atos ordinatórios São atos administrativos endereçados aos servidores públicos em geral. Finalidade: Divulgar determinações aplicáveis ao adequado desempenho de suas funções.»» Atos internos;»» Decorrem do exercício do poder hierárquico;»» Vinculam os servidores subordinados ao órgão que o expediu;»» Não atingem os administrados;»» Estão hierarquicamente abaixo dos atos normativos;»» Devem obediência aos atos normativos que tratem da mesma matéria relacionada ao ato ordinatório. Ex.: instruções, circulares internas, portarias, ordens de serviço. Atos negociais São atos administrativos editados quando o ordenamento jurídico exige que o particular obtenha anuência prévia da Administração para realizar determinada atividade de interesse dele ou exercer determinado direito. Finalidade: Satisfação do interesse público, ainda que esta possa coincidir com o interesse do particular que requereu o ato. Características»» Os atos negociais não são imperativos, coercitivos e autoexecutórios.»» Os atos negociais não podem ser confundidos com contratos, pois, nos contratos, existe manifestação de vontade bilateral e, nos atos negociais, nós temos uma manifestação de vontade unilateral da Administração Pública que é provocada mediante requerimento do particular.»» Podem ser vinculados, discricionários, definitivos e precários: Atos negociais vinculados: Reconhecem um direito subjetivo do particular, mediante um requerimento desse particular comprovando preencher os requisitos que a lei exige para a anuência do direito, a Administração obrigatoriamente deve praticar o ato. Atos negociais discricionários: Não reconhecem um direito subjetivo do particular, pois, mesmo que o particular atenda às exigências necessárias para a obtenção do ato, a Administração poderá não praticá-lo, decidindo se pratica ou não o ato por juízo de conveniência e oportunidade.

Atos negociais definitivos: Não comportam revogação, são atos vinculados, mas podem ser anulados ou cassados. Sendo assim, esses atos geram ao particular apenas uma expectativa de definitividade; Atos negociais precários: Podem ser revogados a qualquer tempo, são atos discricionários; via de regra, a revogação do ato negocial não gera direito de indenização ao particular. Espécies de atos negociais Licença Fundamenta-se no poder de polícia da Administração. É ato vinculado e definitivo, pois reconhece um direito subjetivo do particular, mediante um requerimento desse particular comprovando preencher os requisitos que a lei exige. Para a anuência do direito, a Administração obrigatoriamente deve praticar o ato. A licença não comporta revogação, mas pode a licença ser anulada ou cassada, sendo assim, esses atos geram ao particular apenas uma expectativa de definitividade. Ex.: alvará para a realização de uma obra, alvará para o funcionamento de um estabelecimento comercial, licença para dirigir, licença para exercer uma profissão. Admissão É o ato unilateral e vinculado pelo qual a Administração faculta a alguém a inclusão em estabelecimento governamental para o gozo de um serviço público. O ato de admissão não pode ser negado aos que preencham as condições normativas requeridas. Ex.: ingresso em estabelecimento oficial de ensino na qualidade de aluno; o desfrute dos serviços de uma biblioteca pública como inscrito entre seus usuários. Aprovação É o ato unilateral e discricionário pelo qual a Administração faculta a prática de ato jurídico (aprovação prévia) ou manifesta sua concordância com ato jurídico já praticado (aprovação a posteriori). Homologação É o ato unilateral e vinculado de controle pelo qual a Administração concorda com um ato jurídico ou série de atos (procedimento) já praticados, verificando a consonância deles com os requisitos legais condicionadores de sua válida emissão. Autorização Na maior parte das vezes em que é praticado, fundamenta-se no poder de polícia do Estado quando a lei exige a autorização como condicionante para prática de uma determinada atividade privada ou para o uso de bem público. Todavia, a autorização também pode representar uma forma de descentralizar, por delegação serviços públicos para o particular. A autorização é caracterizada por uma predominância do interesse do particular que solicita o ato, todavia, também existe interesse público na prática do ato. A autorização é um ato discricionário, pois não reconhece um direito subjetivo do particular, e mesmo que o particular atenda às exigências necessárias para a obtenção do ato, a Administração poderá não praticá-lo, decidindo se pratica ou não o ato por juízo de conveniência e oportunidade. A autorização é um ato precário, pois pode ser revogada a qualquer tempo. Via de regra, a revogação da autorização não gera direito de indenização ao particular, mas, caso a autorização tenha sido concedida por prazo certo, pode haver o direito de indenização para o particular. Prazo: A autorização é concedida sem prazo determinado, todavia pode haver autorização outorgada por prazo certo. Exemplos.:»» Atividades potencialmente perigosas e que podem colocar em risco a coletividade, por isso a necessidade de regulação do Estado:»» Autorização para porte de arma de fogo;»» Autorização para a prestação de serviços privados de educação e saúde;»» Autorização de uso de bem público;»» Autorização de serviço público: prestação de serviço de táxi. Permissão É o ato administrativo discricionário e 89 Direito Atualidades Administrativo

9090 Direito Atualidades Administrativo precário, pelo qual a Administração Pública consente ao particular o exercício de uma atividade de interesse predominantemente da coletividade. Características»» Pode ser concedida por prazo certo;»» Pode ser imposta condições ao particular. A Permissão é um ato precário, pois pode ser revogada a qualquer tempo. Via de regra, a revogação da permissão não gera direito de indenização ao particular, mas, caso a autorização tenha sido concedida por prazo certo ou sob condições, pode haver o direito de indenização para o particular. A permissão concedida ao particular, por meio de um ato administrativo, não se confunde com a permissão para a prestação de serviços públicos. Neste último caso, representa uma espécie de descentralização por delegação realizada por meio de contrato. Ex.: Permissão de uso de bem público. Atos enunciativos São atos administrativos enunciativos aqueles que têm por finalidade declarar um juízo de valor, uma opinião ou um fato. Características»» Não produzem efeitos jurídicos por si só;»» Não contêm uma manifestação de vontade da administração.»» Exemplos: certidão, atestado, parecer e apostila. Certidão É uma cópia de informações registradas em banco de dados da Administração. Geralmente é concedida ao particular mediante requerimento da informação registrada pela Administração. Atestado Declara uma situação de que a Administração tomou conhecimento em virtude da atuação de seus agentes. O atestado não se assemelha à certidão, pois esta declara uma informação constante em banco de dados e aquela declara um fato que não corresponde a um registro de um arquivo da Administração. Parecer É um documento técnico, confeccionado por órgão especializado na respectiva matéria tema do parecer, em que o órgão emite sua opinião relativa ao assunto. Apostila Apostilar significa corrigir, emendar, complementar um documento. Apostilar é o aditamento de um contrato administrativo ou de um ato administrativo. É um ato de natureza aditiva, pois sua finalidade é adicionar informações a um registro já existente. Ex.: Anotar alterações na situação funcional de um servidor. Atos punitivos São os atos administrativos por meio dos quais a Administração Pública impõe sanções a seus servidores ou aos administrados. Fundamento»» Poder disciplinar: Quando o ato punitivo atinge servidores públicos e ainda particulares ligados à Administração por algum vínculo jurídico específico.»» Poder de polícia: Quando o ato punitivo atinge a particulares não ligados à Administração Pública por um vínculo jurídico específico. Os atos punitivos podem ser internos e externos»» Atos punitivos internos: Têm como destinatários os servidores públicos e aplicam penalidades disciplinares, ou seja, os atos punitivos internos decorrem sempre do poder disciplinar.»» Atos punitivos externos: Têm como destinatários os particulares. Podem ter fundamento decorrente do poder disciplinar, quando punem particulares sujeitos à disciplina administrativa, ou podem ter fundamento no poder de polícia, quando punem particulares não ligados à Administração Pública. Todo ato punitivo interno decorre do poder disciplinar, mas nem todo ato que decorre do poder punitivo que decorre do poder disciplinar é um ato punitivo interno, pois quando a Administração aplica punição aos particulares ligados a administração, essa punição decorre do poder disciplinar, mas também representa um ato punitivo externo.

Todo ato punitivo decorrente do poder de polícia é um ato punitivo externo, pois, nesse caso, temos a Administração punindo sempre o particular. Extinção dos Atos Administrativos Anulação / Controle de legalidade É o desfazimento do ato administrativo que decorre de vício de legalidade ou de legitimidade na prática do ato. Cabimento»» Ato discricionário»» Ato vinculado Competência para Anular»» Entidade da Administração Pública que praticou o ato: Pode anular o ato a pedido do interessado ou de ofício em razão do princípio da autotutela.»» Poder Judiciário: Pode anular somente por provocação do interessado. Efeitos da Anulação: Ex tunc, retroagem desde a data da prática do ato, impugnando a validade do ato. Prazo: 5 anos»» Contagem»» Prática do ato No caso de efeitos patrimoniais contínuos, a partir do primeiro pagamento. Revogação / Controle de mérito É o desfazimento do ato administrativo por motivos de conveniência e oportunidade. Cabimento»» Ato discricionário legal, inconveniente e inoportuno»» Não é cabível a revogação de ato vinculado. Competência para Revogar Apenas a entidade da Administração Pública que praticou o ato. Não pode o controle de mérito ser feito pelo poder judiciário na sua função típica de julgar. Todavia, a Administração Pública está presente nos 3 poderes da União e, caso uma entidade da Administração Pública do poder judiciário, do legislativo ou do executivo pratique um ato discricionário legal, e com o passar do tempo, a manutenção dos efeitos desse ato se mostre inconveniente e inoportuna, somente a entidade que criou o ato tem competência para revogá-lo. Assim, o poder judiciário não tem competência para exercer o controle de mérito dos atos da Administração Pública, mas a Administração Pública do poder judiciário prática atos administrativos e cabe somente a esta a revogação dos atos praticados por ela mesma. Efeitos da Revogação: Ex nunc, não retroagem, ou seja, a revogação gera efeitos prospectivos, para frente. Cassação É o desfazimento do ato administrativo decorrente do descumprimento dos requisitos que permitem a manutenção do ato. Na maioria das vezes, a cassação representa uma sanção aplicada ao particular que deixou de atender às condições exigidas para a manutenção do ato. Como exemplo, temos a cassação da carteira de motorista, que nada mais é do que a cassação de um ato administrativo classificado como licença. A cassação da licença para dirigir decorre da prática de infrações de trânsito praticadas pelo particular, sendo assim, nesse caso, a cassação da licença é uma punição. Convalidação Convalidação é a correção com efeitos retroativos do ato administrativo com defeito sanável. Considera-se defeito sanável: Vício de competência relativo à pessoa Exceção: Competência exclusiva (não cabe convalidação) O vício de competência relativo à matéria não é considerado um defeito sanável e também não cabe convalidação. Vício de forma Exceção: a lei determina que a forma seja elemento essencial de validade de determinado ato (também não cabe convalidação). Convalidação Tácita O art. 54 da lei 9784 prevê que a Administração tem o direito de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários. O prazo é de em 5 anos, contado da data em que forem praticados, salvo comprovada má-fé,. Transcorrido esse prazo, o ato foi convalidado, pois não pode ser mais anulado pela Administração. Convalidação Expressa Art. 55 da Lei 9784: Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. 91 Direito Atualidades Administrativo

9292 Direito Atualidades Administrativo 01. (FCC) O ato administrativo vinculado a) pode ser objeto de controle judicial, quanto aos aspectos de legalidade, conveniência e oportunidade. b) pode ser revogado pela Administração, por razões de conveniência e oportunidade, ressalvados os direitos adquiridos e assegurada a apreciação judicial. c) possui todos os elementos definidos em lei e pode ser objeto de controle de legalidade pelo Judiciário e pela própria Administração. d) possui objeto, competência e finalidade definidos em lei, cabendo à Administração a avaliação dos aspectos de conveniência e oportunidade para sua edição. e) pode ser objeto de controle pelo Poder Judiciário em relação aos elementos definidos em lei, constituindo prerrogativa exclusiva da Administração a sua revogação por razões de conveniência e oportunidade. 02. (FCC) Constitui atributo dos atos administrativos: a) Presunção de legitimidade, o que afasta possibilidade de apreciação judicial, salvo para os atos vinculados. b) Autoexecutoriedade, que autoriza a Administração a colocar o ato em execução, empregando meios diretos e indiretos de coerção, na forma prevista em lei. c) Exigibilidade, que autoriza a Administração a utilizar meios coercitivos para o seu cumprimento nos termos da lei, sempre com a intervenção do Poder Judiciário. d) Tipicidade, que impede a Administração de praticar atos de natureza discricionária. e) Presunção de veracidade, que afasta a possibilidade de revogação, salvo por vício de legalidade. 03. (FCC) Pelo atributo de auto executoriedade do ato administrativo, a) o destinatário do ato administrativo pode executá-lo, independentemente da intervenção do agente administrativo ou do Poder Judiciário. b) as normas legais de Direito administrativo são consideradas de aplicabilidade imediata. c) o mérito dos atos administrativos discricionários não pode ser apreciado pelo Poder Judiciário. d) o ato impõe-se ao seu destinatário, independentemente de sua concordância. e) cabe à Administração pô-lo em execução, independentemente de intervenção do Poder Judiciário. 04. (FCC) A respeito do controle jurisdicional dos atos administrativos, é correto afirmar que a) os atos discricionários, por envolverem juízo de conveniência e oportunidade, afastam o controle de legalidade pelo Poder Judiciário. b) apenas os atos vinculados admitem controle do Poder Judiciário, que atinge aspectos de legalidade e mérito. c) o Poder Judiciário pode, por provocação da Administração, revogar atos considerados inconvenientes ou inoportunos, com base na teoria dos motivos determinantes. d) os atos vinculados e os discricionários sujeitam-se ao controle do Poder Judiciário no que diz respeito aos requisitos de legalidade. e) os atos discricionários não admitem exame de aspectos de mérito, podendo, contudo, ser revogados pelo Poder Judiciário quando comprovado desvio de finalidade. 05. (FCC) A Administração Pública pretende extinguir ato administrativo que contém vício de legalidade. Nesse caso, a Administração a) deverá utilizar-se do instituto da revogação dos atos administrativos, de modo a retirá-lo do mundo jurídico. b) deverá socorrer-se do Poder Judiciário para extinguir o ato administrativo. c) extinguirá o ato administrativo, com efeitos, em regra, ex nunc. d) deverá, obrigatoriamente, em qualquer hipótese de vício de legalidade, manter o ato administrativo, corrigindo-se o vício existente. e) anulará o ato administrativo. 06. (FCC) A respeito dos elementos do ato adminitrativo, é correto afirmar: a) A competência é inderrogável e em qualquer caso indelegável. b) O objeto é o resultado último que a Administração Pública pretende alcançar com a edição do ato. c) A obediência à forma constitui garantia jurídica ao administrado, bem como à Administração Pública. d) A motivação é o pressuposto de fato e de direito que serve de fundamento ao ato administrativo. e) Dada a natureza do ato administrativo discricionário, dispensa-se que ele seja motivado. 07. (FCC) A Administração Pública, ao promover avaliação de desempenho de determinado servidor público civil efetivo, assim o fez motivadamente. Dessa forma, constatouse através da pontuação conferida ao servidor,

por ocasião da avaliação, que os quesitos produtividade e assiduidade foram afetados por licenças, que não ultrapassaram o prazo de vinte e quatro meses, para tratamento da própria saúde utilizadas pelo servidor. No entanto, faz-se necessário esclarecer que a lei aplicável considera o afastamento do servidor civil em virtude de licença para tratamento da própria saúde como sendo de efetivo exercício. O ato administrativo de avaliação de desempenho, narrado na hipótese, é a) nulo, por conter vício de forma. b) válido, por decorrer de poder discricionário da Administração Pública. c) nulo, por conter vício de objeto. d) válido, por decorrer do princípio da supremacia do interesse público. e) nulo, por conter vício de motivo. 08. (FCC) A respeito do ato administrativo, é correto afirmar que a) o desvio de poder constitui vício relativo ao motivo do ato administrativo e enseja sua nulidade, com base na teoria dos motivos determinantes. b) a finalidade do ato discricionário decorre da aderência das razões de conveniência e oportunidade ao interesse público, sendo nulo, com base na teoria dos motivos determinantes, o ato que não cumpra tal condição. c) motivo é o pressuposto de fato e de direito que serve de fundamento ao ato e, quando falso, importa a invalidade do ato, que pode ser declarada pelo Poder Judiciário com base na teoria dos motivos determinantes. d) a discricionariedade administrativa impede o exame, pelo Poder Judiciário, do motivo do ato, aplicando- se, no caso dos atos vinculados, a teoria dos motivos determinantes. e) apenas os atos discricionários comportam o exame, pelo Poder Judiciário, da validade e veracidade dos pressupostos de fato e de direito para sua edição. 09. (FCC) Dizer que um ato administrativo é discricionário significa que a) foi editado com base na conveniência e oportunidade do administrador, não podendo ser objeto de controle de legalidade pelo Poder Judiciário. b) depende de autorização legislativa para sua edição, admitindo, em razão da prévia fiscalização, apenas controle de constitucionalidade a cargo do Poder Judiciário. c) permite análise de mérito e vinculação quanto a conveniência e oportunidade pelo Poder Judiciário e pelo Poder Legislativo. d) afasta o controle de oportunidade e conveniência, admitindo apenas revogação nos casos de ilegalidade ou inconstitucionalidade patentes. e) foi editado com base na conveniência e oportunidade conferida pela lei ao administrador, o que não dispensa a demonstração do interesse público, nem o controle de legalidade pelo Poder Judiciário. 10. (FCC) No que diz respeito a convalidação dos atos administrativos, é correto afirmar que a) é sempre possível, por razões de interesse público, independentemente da natureza do vício. b) alcança atos que apresentem defeitos sanáveis, desde que não acarrete lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros. c) é obrigatório quando se trata de vício sanável, não podendo, contudo, retroagir seus efeitos à edição do ato convalidado. d) é facultativa nos casos de vício de forma e de finalidade, retroagindo seus efeitos à data do ato convalidado. e) somente é possível nas hipóteses de vícios de forma, retroagindo seus efeitos à data de edição do ato convalidado. 1 2 3 4 5 C B E D E 6 7 8 9 10 C E C E B 93 Direito Atualidades Administrativo

02 94 Direito Atualidades Administrativo Base Constitucional Serviços Públicos Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre por meio de licitação, a prestação de serviços públicos. Parágrafo único. A lei disporá sobre: I. o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; II. os direitos dos usuários; III. política tarifária; IV. a obrigação de manter serviço adequado. Conforme a redação desse artigo, vemos que incumbe ao Poder Público à prestação direta dos serviços públicos, ou sob delegação (concessão ou permissão), à prestação indireta. Poder Público a que o artigo se refere são as entidades da administração direta e da administração indireta. Assim, a prestação direta dos serviços públicos é a prestação realizada pelas entidades da administração direta e da administração indireta, e a prestação indireta é a prestação realizada por delegação por um particular, seja por meio de concessão ou permissão. Os serviços públicos descritos nesse artigo são conceituados em sentido amplo, ou seja, serviço público em sentido amplo se refere a serviços públicos que têm a possibilidade de serem explorados com o intuito de lucro, relaciona-se com a atividade econômica em sentido amplo. É importante ressaltar que o art. 175 da Constituição Federal se enquadra no título VI (Da Ordem Econômica e Financeira). Características dos Serviços Públicos (Amplo) Referem-se às atividades econômicas em sentido amplo; Têm a possibilidade de serem explorados com o intuito de lucro; Não perde a natureza de serviço público; Titularidade EXCLUSIVA do Poder Público; Pode ser prestado por particular mediante delegação;»» Quando prestado por delegação pelo particular, tal atividade é fiscalizada pelo poder público por meio do exercício do PODER DISCIPLINAR. Atividades prestadas pelo Estado como serviço público e que, ao mesmo tempo, são abertas à livre iniciativa. Atividades relacionadas aos direitos fundamentais sociais (art. 6º CF); São atividades de natureza essencial à sobrevivência e ao desenvolvimento da sociedade; A prestação dessas atividades é um DEVER do Estado e, por isso, tais atividades não podem ser exploradas pelo Poder Público com o intuito de lucro. Não existe delegação dessas atividades a particulares; Os particulares têm o direito de explorar tais atividades, sem delegação do poder público, sob fiscalização decorrente do exercício do PODER DE POLÍCIA. Ex.: Serviços de educação, saúde, assistência social. Se prestados pelo Estado, é um serviço público, caso seja prestado por particular, não se enquadra como serviço público e sim como serviço privado. Todavia, o foco desta aula são os serviços públicos de titularidade exclusiva do Estado, possíveis de serem explorados economicamente com o intuito de lucro e que podem ser prestados por particular mediante delegação. Assim sendo, quando nos referirmos aos serviços públicos, em regra, não estaremos nos reportando às atividades prestadas pelo Estado como serviço público e que ao mesmo tempo podem ser prestadas livremente pelo particular sob fiscalização do poder de polícia.

Elementos definidores de uma atividade como sendo Serviço Público Material O elemento material se refere a uma atividade administrativa que visa à prestação de utilidade ou comodidade material, que possa ser fruível individual ou coletivamente pelos administrados, sejam elas vitais ou secundárias às necessidades da sociedade. Esse elemento inclui a prestação das atividades econômicas em sentido amplo e também a prestação de atividades essenciais, relacionadas aos direitos fundamentais sociais e que podem ser livremente exploradas pelos particulares. Neste caso, vale ressaltar que não se trata de serviço público e sim de serviço privado. Esse elemento exclui da noção de serviço público várias atividades estatais, tais como: Atividade legislativa; Atividade jurisdicional; Poder de polícia Fomento; Intervenção; Atividades internas (atividade-meio da Administração Pública); Obras públicas. Subjetivo / orgânico A TITULARIDADE do serviço é EXCLUSIVA do ESTADO. Formal A prestação do serviço público é submetida a Regime Jurídico de Direito Público. Conceito Serviço público é atividade administrativa concreta traduzida em prestações que diretamente representem, em si mesmas, utilidades ou comodidades materiais para a população em geral, executada sob regime jurídico de direito público pela Administração Pública, ou, se for o caso, por particulares delegatários (concessionários e permissionários, ou ainda, em restritas hipóteses, detentores de autorização de serviço público ). Observem que tal conceito tenta satisfazer a necessidade da presença dos elementos caracterizadores dos serviços públicos. Classificação dos Serviços Públicos Essenciais e Úteis Serviços Públicos Essenciais São serviços essenciais à própria sobrevivência da sociedade; Devem ser garantidos pelo Estado. Ex.: Serviços públicos que relacionados aos direitos fundamentais sociais, saneamento básico. Serviços Públicos de Utilidade Pública Não são essências à sobrevivência da sociedade, mas sua prestação é útil ou conveniente à sociedade, pois proporciona maior bem estar. Ex.: Telefonia. Serviços Públicos Gerais e Individuais Serviços Públicos Gerais ( Uti Universi ) STF: Serviço Público Indivisível; Prestado à coletividade; Usuários indeterminados e indetermináveis. Serviços Públicos Individuais / Específicos / Singulares ( Uti Singuli ) STF: Serviço Público divisível; Prestados a beneficiários determinados; Podem ser remunerados mediante a cobrança de tarifas. Serviços Públicos Delegáveis e Indelegáveis a) Serviços Públicos Delegáveis São prestados pelo Estado centralizadamente; São prestados também por meio de descentralização: Serviços ou outorga legal: Administração Indireta Colaboração ou delegação: Particulares. b) Serviços Públicos Indelegáveis Somente podem ser prestados pelo Estado centralizadamente ou por entidade da administração indireta de direito público. Exige para a sua prestação o exercício do poder de império do Estado. 95 Direito Atualidades Administrativo ALEXANDRINO, Marcelo & PAULO Vicente Direito Administrativo Descomplicado, pg. 685 20ª Edição Editora Método.

9696 Direito Atualidades Administrativo Serviços administrativos, sociais e econômicos Serviços Administrativos São atividades internas da Administração (atividade-meio); Não são diretamente fruível pela população; O benefício gerado à coletividade é indireto. Serviços Públicos Sociais Todos os serviços públicos que correspondem às atividades do art. 6º (Direitos fundamentais sociais); Prestação obrigatória pelo Estado sob regime jurídico de direito público Podem ser livremente prestados por particular sob regime jurídico de direito privado (neste caso não é serviço público e sim serviço privado). Serviços Públicos Econômicos Descritos no art. 175 da CF; Atividade econômica em sentido amplo; Podem ser explorados com o intuito de lucro; Titularidade exclusiva do Estado; Pode ser delegado a particulares. Serviço Público Adequado Definição de serviço público adequado é feita pelo art. 6º 1º da lei 8987/95, conforme veremos a seguir: Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas. Princípios dos serviços públicos Com base no conceito acima exposto de serviço público adequado, concluímos que são princípios da boa prestação dos serviços públicos, além dos princípios fundamentais da Administração Pública, o exposto na redação de tal conceito, sendo assim, vamos analisar os princípios descritos no art. 6º 1º. Regularidade: o padrão de qualidade da prestação do serviço deve ser sempre o mesmo e suficiente para atender com adequação as necessidades dos usuários. Continuidade dos serviços públicos: os serviços públicos não podem ser interrompidos, salvo em situações de emergência ou mediante aviso prévio do prestador, tais como ocorre em casos de inadimplência ou quando o prestador pretende realizar manutenção nos equipamentos necessários à boa prestação do serviço. Eficiência: na prestação dos serviços públicos, devem ser observados o custo e o benefício. Segurança: os serviços devem ser prestados sem riscos aos usuários e estes não podem expor sua saúde em risco na utilização do serviço. Atualidade: busca constante de atualizações de tecnologia e técnicas empregadas, bem como da qualificação de pessoal. A adequação na prestação às novas tecnologias tem como finalidade melhorar o alcance e a eficiência da prestação. Generalidade: a prestação de serviços públicos não distingue usuários, ou seja, a prestação do serviço é igual para todos. Cortesia na Prestação: os prestadores dos serviços públicos devem tratar bem os usuários. Modicidade das Tarifas: as tarifas oriundas da prestação dos serviços públicos devem ter valores razoáveis para os usuários, a finalidade dessa regra é garantir o acesso aos serviços públicos ao maior número de usuários possíveis. Quanto mais essencial for o serviço, mais barata será a tarifa e, em alguns casos, pode até mesmo chegar à zero. Formas de prestação dos serviços públicos Prestação Centralizada: A pessoa política titular do serviço público faz a prestação por meio dos seus próprios órgãos. Prestação Descentralizada: A pessoa política transfere a execução do serviço público para outra pessoa. Modalidades: Prestação Descentralizada por Serviços / Outorga Legal: a pessoa política titular do serviço público transfere a sua titularidade e a sua execução para uma entidade integrante da administração indireta. Prestação Descentralizada Por Colaboração / Delegação: a pessoa política transfere somente a execução do serviço público, por delegação a um particular, que vai executá-lo por sua conta e risco. Exemplos: Concessões, Permissões e Autorizações de Serviços Públicos.

Prestação Desconcentrada: o serviço é executado por um órgão, com competência específica para prestá-lo, integrante da estrutura da pessoa jurídica que detém a titularidade do serviço. Prestação Desconcentrada Centralizada: o órgão competente para prestar o serviço integra a estrutura de uma entidade da administração direta. Prestação Desconcentrada Descentralizada: o órgão competente para prestar o serviço integra a estrutura de uma entidade da administração indireta. A prestação feita por delegação não caracteriza prestação desconcentrada descentralizada, pois, para isso, seria necessário que o particular delegado tivesse a titularidade do serviço público, o que não acontece na delegação, que transfere somente a execução do serviço e mantém a titularidade com o poder concedente. Prestação Direta: é a prestação feita pelo Poder Público, que é sinônimo de administração direta e administração indireta, sendo assim, prestação direta é a prestação do serviço público feita pelas entidades da administração direta e também pelas entidades da administração indireta. Prestação Indireta: é a prestação do serviço público feita por particulares, mediante delegação da execução. Concessão e Permissão de Serviço Público Base Constitucional Art. 22 inc. XXVII CF: Compete privativamente à União legislar sobre: normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, 1, III; Art. 175 único: A lei disporá sobre: I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; II - os direitos dos usuários; III - política tarifária; IV - a obrigação de manter serviço adequado. Competência Para A Edição De Normas Normas Gerais Competência privativa da União (art.22 inc. XXVII CF).»» Lei 8987/95 Institui normas gerais sobre o regime de concessão ou permissão de serviço público.»» Lei 11.079/04 - Institui normas gerais para licitação e contratação de parceria públicoprivada no âmbito da Administração Pública. As duas leis acima descritas são leis nacionais, ou seja, são leis criadas pela União e que devem obrigatoriamente ser observadas pela União, Estados, DF e municípios. Todavia, a Lei 11.079 tem um núcleo que é aplicável somente à Administração Pública federal, ou seja, ela traça normas gerais para todos os entes federados e ainda traz algumas normas específicas que são aplicadas somente à Administração Pública federal. Normas Específicas Cada ente federal cria as suas próprias normas específicas. Lei 8987/95 Institui normas gerais sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos. É importante observar que com base no art. 1º da Lei 8987, é aplicável aos contratos de concessão e permissão de serviços públicos, naquilo que lhes couber, as disposições contidas na lei 8666/93 (licitação e contratos administrativos). Tal lei visa regulamentar as regras contidas no parágrafo único do art. 175 da CF. 97 Direito Atualidades Administrativo * ALEXANDRINO, Marcelo & PAULO Vicente Direito Administrativo Descomplicado, pg. 696 20ª Edição Editora Método. *Art. 37 inc. XXI ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.

9898 Direito Atualidades Administrativo Conceito de concessão e permissão de serviço público Poder Concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou permissão (Art. 2º inc. I). Concessão de Serviço Público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado (art. 2º inc. II). Concessão de Serviço Público Precedida da Execução de Obra Pública: a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado (art. 2º inc. III). Permissão de Serviço Público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco (art. 2º inc. IV). Características comuns das Concessões e permissões São delegações de prestação de serviço público; Transferem somente a execução do serviço público, ficando a titularidade com o poder público concedente; A prestação do serviço é por conta e risco do particular; O poder concedente fiscaliza a prestação feita pelo particular em decorrência do exercício do poder disciplinar; O particular tem o dever de prestar um serviço público adequado;»» Descumprimento»» Intervenção»» Aplicação de penalidade administrativa»» Extinção por caducidade Duração por prazo determinado, podendo o contrato prever sua prorrogação, estipulando as condições; A execução indireta por delegação (concessão ou permissão) depende de lei autorizativa; São sempre precedidos de licitação. Diferenças entre a concessão e permissão de serviços públicos 1 Concessão Sempre licitação na modalidade concorrência Natureza contratual Celebração do contrato: Pessoa Jurídica ou Consórcio de empresas Não há precariedade Não é cabível revogação do contrato Permissão Sempre licitação, todavia admite outras modalidades e não somente concorrência Natureza contratual: Contrato de Adesão (art. 40) Celebração do contrato: pessoa jurídica ou pessoa física Delegação a título precário Revogabilidade unilateral do contrato pelo poder concedente Autorização de serviço público Autorização de serviço público é o ato discricionário, mediante o qual o Poder Público delega ao particular, a título precário, a prestação de serviço público que não exija alto investimento de capital ou alto grau de especialização técnica. Características do termo de autorização Tem natureza precária / discricionária;»» É discricionária a autorização;»» Pode ser revogada unilateralmente pela Administração Pública por razões de conveniência e oportunidade; Em regra, não tem prazo determinado; A revogação não acarreta direito à indenização. 1 Art. 2o da lei 9074/95: É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios executarem obras e serviços públicos por meio de concessão e permissão de serviço público, sem lei que lhes autorize e fixe os termos, dispensada a lei autorizativa nos casos de saneamento básico e limpeza urbana e nos já referidos na Constituição Federal, nas Constituições Estaduais e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e Municípios, observado, em qualquer caso, os termos da Lei no 8.987, de 1995. ALEXANDRINO, Marcelo & PAULO Vicente Direito Administrativo Descomplicado, pg. 704 20ª Edição Editora Método.

Exceção: nos casos de autorização por prazo certo, ou seja, com prazo determinado no ato de autorização, a revogação antes do término do prazo pode ensejar ao particular o direito à indenização. Cabimento da autorização de serviços públicos Casos em que o serviço seja prestado a um grupo restrito de usuário, sendo o seu beneficiário exclusivo ou principal o próprio particular autorizado. Ex.: Exploração de serviços de telecomunicação em regime privado, que é autorizada a prestação por usuário restrito que é o seu único beneficiário: Operador privado de rádio-amador. Situações de emergência, transitórias e eventuais. Diferença entre autorização de serviços públicos e a autorização do poder de polícia Autorização de Serviço Público Concede ao particular o exercício de atividade cuja titularidade é exclusiva do poder público Autorização do poder de Polícia Concede ao particular o exercício de atividades regidas pelo direito privado, livre à iniciativa privada Características Comuns entre Concessão, Autorização e Permissão de Serviços Públicos São formas de delegação da prestação de serviços públicos; Transferem somente a execução da atividade e não a sua titularidade; As delegações de serviço público são fiscalizadas em decorrência do Poder Disciplinar da Administração Pública. Diferenças entre Concessão, Permissão e Autorização de Serviços Públicos Concessão Permissão Autorização Sempre licitação na modalidade Sempre licitação, todavia Não há licitação concorrência admite outras modalidades e não somente concorrência Natureza contratual Natureza contratual: Contrato de Adesão (art. 40) Ato administrativo Celebração do contrato: Pessoa Jurídica ou Consórcio de empresas Celebração do contrato: pessoa jurídica ou pessoa física Concessão da Autorização pode ser feita para pessoa física, jurídica ou consórcio de empresas. Não há precariedade Delegação a título precário Ato administrativo precário Não é cabível revogação do contrato Revogabilidade unilateral do contrato pelo poder concedente Revogável unilateralmente pelo Poder Concedente 99 Direito Atualidades Administrativo

10 100 Direito Administrativo Atualidades 01. (CESPE) Os serviços de energia elétrica, gás, transportes, saúde, ensino e assistência e previdência social são exemplos de serviços uti universi, que, na classificação dada pela doutrina, são aqueles que visam à satisfação individual e direta das necessidades dos cidadãos. 02. (CESPE) A permissão de serviço público depende sempre de licitação e contra ela cabe revogação pela Administração Pública a qualquer momento, por motivo de interesse público. 03. (CESPE) Na permissão de serviço público, o poder público transfere a outrem, pessoa física ou jurídica, a execução de serviço público, para que o exerça em seu próprio nome e por sua conta e risco, mediante tarifa paga pelo usuário. 04. (CESPE) Configurada a hipótese de caducidade na concessão de serviço público, o concessionário tem direito à indenização e não se sujeita a penalidades de natureza administrativa. 05. (CESPE) O serviço público concedido não pode ser remunerado por tarifa, visto que não é um serviço do poder público. 06. (CESPE) À concessionária cabe a execução do serviço concedido, incumbindo-lhe a responsabilidade por todos os prejuízos causados ao poder concedente, aos usuários ou a terceiros, não admitindo a lei que a fiscalização exercida pelo órgão competente exclua ou atenue tal responsabilidade. 07. (CESPE) Reversão consiste na transferência, em virtude de extinção contratual, dos bens do concessionário para o patrimônio do concedente. 08. (CESPE) Os contratos de concessão de serviços públicos sempre exigem licitação prévia na modalidade concorrência. 09. (CESPE) Consideram-se serviços públicos coletivos (uti universi) aqueles que têm por finalidade a satisfação individual e direta das necessidades dos cidadãos, como são os de energia elétrica domiciliar e os de uso de linha telefônica 10. (CESPE) A titularidade dos serviços públicos é conferida expressamente ao poder público. 1 2 3 4 5 ERRADO CERTO CERTO ERRADO ERRADO 6 7 8 9 10 CERTO CERTO CERTO ERRADO CERTO

DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL ÍNDICE Da Apropriação Indébita...102 Dos Crimes contra a Dignidade Sexual...106 101

102 Direito Penal Parte Especial Atualidades 102 Da Apropriação Indébita Apropriação Indébita art. 168 Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Aumento de pena 1º - A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa: I. em depósito necessário; II. na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial; III. em razão de ofício, emprego ou profissão. A principal característica do crime de apropriação indébita é a existência de uma situação de quebra de confiança, pois a vítima entrega, voluntariamente, uma coisa móvel ao agente, e este, logo após inverte seu ânimo no tocante ao bem, passando a comportar-se como seu dono. Objetividade jurídica Patrimônio. Objeto material Coisa alheia móvel sobre a qual recai a conduta criminosa (imóveis não). Para o STJ, é possível a prática do crime de apropriação indébita de coisas fungíveis (móveis que podem substituir-se por outro da mesma espécie, qualidade e quantidade). Ex.: dinheiro. Núcleo do tipo É o verbo APROPRIAR que significa tomar para si, fazer sua coisa alheia. Posse/detenção legítima e desvigiada A posse ou a detenção do bem deve ser legítima e também desvigiada. Desse modo, o crime de apropriação indébita deve preencher os seguintes requisitos: A vítima entrega o bem voluntáriamente 01 Se houver fraude para a entrega o crime será de estelionato, se houver violência ou grave ameaça à pessoa o crime será de roubo ou de extorção. O agente tem a posse ou detenção desvigiada do bem O agente recebe o bem de boa-fé Modificação posterior no comportamento do agente Sujeitos do crime Se a posse ou detenção for vigiada e o bem for retirado da vítima sem sua autorização o crime será de furto. Se, ao receber o bem, o agente já tinha a intenção de apropriar-se dele, o crime será de eselionato. Obs.: a boa-fé é presumida. Após entrar licitamente (de boa-fé) na posse ou detenção da coisa, o agente passa a se comportar como se fosse dono. Momento em que apresenta seu ânimo de assenhoramento definitivo (animus rem sibi habendi). Essa alteração no comportamento do agente ocorre de duas formas: a) Prática de algum ato de disposição (venda, doação, locação, troca, etc.) Também conhecida como apropriação inebita própria; b) Recusa na restituição (a vítima solicita a devolução do bem e o agente expressamente se recusa a devolver). Também denominada negativa de restituição. Sujeito ativo - qualquer pessoa, desde que tenha a posse ou detenção LÍCITA da coisa alheia móvel. Sempre pessoa diversa do proprietário. Se o agente é funcionário público e apropria-se de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular (sob a guarda ou custódia da Administração Pública), de que tem a posse em razão do cargo, responderá pelo crime de

peculato-apropriação (art. 312, caput, 1ª parte, CP). Obs.: em regra, a prova desse delito depende da prática de algum ato incompatível com a vontade de restituir. Sujeito passivo - proprietário ou possuidor (pessoa física ou jurídica) do bem. Elemento subjetivo Dolo. Doutrina e jurisprudência defendem a necessidade ânimo de assenhoramento definitivo da coisa. Desse modo, não responderá por este crime aquele que simplesmente se esquece de devolver o bem na data previamente combinada. Não se admite a modalidade culposa. Apropriação indébita de uso Não se pune a apropriação indébita de uso : situação em que a pessoa usa momentaneamente a coisa alheia para em seguida restituí-la integralmente ao seu proprietário. Apropriação indébita x estelionato Apropriação inébita (art. 168, CP) O dolo é posterior ou subsequente. A pessoa recebe a posse ou detenção da coisa de maneira legítima, surgindo a vontade de se apropriar posteriormente. Ex.: pessoa vai a uma locadora de veículos, aluga um veículo, gosta dele e decide não devolver. Estelionato (art. 171, CP) O dolo é anterior ou antecedente. O agente já possuia a intenção de se apropriar do bem antes de alcançar a sua posse ou detenção. Ex.: pessoa vai a uma locadora de veículos, já com a intenção de alugar o veículo e jamais devolvê-lo. Consumação Ocorre no momento em que o agente inverte seu ânimo em relação a coisa alheia móvel, ou seja, ele passa a se comportar como dono do bem. Pode se dar de duas maneiras: Tentativa A apropriação indébita própria admite tentativa. Ex.: A é preso em flagrante no momento em que doava os DVDs de B, do qual tinha a posse legítima e desvigiada. A apropriação indébita negativa de restituição não admite tentativa (conatus), pois é crime unissubsistente: ou o sujeito recusa a devolver o bem, e o crime estará consumado, ou o devolve ao dono, e o fato será atípico. Ação penal A ação penal é pública incondicionada. Competência Local em que o agente se apropria da coisa alheia móvel, dela dispondo ou negando-se a restituí-la ao seu titular. (art. 70, caput, CPP). Obs.: quando o crime de apropriação indébita for praticado por algum representante (comercial ou não) da vítima, a competência será do local em que o agente deveria ter prestado contas dos valores recebidos. Classificação doutrinária Crime comum / material / de forma livre / de concurso eventual / doloso / em regra plurissubsistente, ou unissubsistente (negativa de restituição) / instantâneo. O art. 102 do Estatuto do Idoso (lei 10.741/2003) prevê uma modalidade especial de apropriação indébita, quando praticada contra idoso: Art. 102: Apropriar-se de ou desviar bens, preoventos, pensão ou qualquer outro rendimento do idoso, dando-lhes aplicação diversa da de sua finalidade: Pena reclusão de 1 a 4 anos. O art. 5º, caput, da lei dos crimes contra o sistema financeiro nacional (lei 7.492/86) também contém uma modalidade especial de apropriação indébita: Art. 5º: Apropriar-se, quaisquer das pessoas mencionadas no art. 25 desta lei, de dinheiro, título, valor ou qualquer outro bem móvel de que tem a posse, ou desviá-lo em proveito próprio ou alheio: Pena reclusão de 2 a 6 anos e multa. Trata-se de crime próprio, pois somente pode ser praticado pelo controlador e pelos administradores de instituição financeira (diretores e gerentes). Causas de aumento de pena (art. 168, 1º, CP) A pena será aumentada de um terço quando o agente recebeu a coisa: Em depósito necessário: De acordo com a doutrina majoritária, esta 103 103 Direito Penal Parte Especial 103

Direito Administrativo 104 104 Direito Penal Parte Especial Atualidades 104 causa de aumento de pena incide apenas no depósito necessário miserável, previsto no art. 647, II, CC, (é o que se efetua por ocasião de alguma calamidade, como inundação, incêndio, saque ou naufrágio). Na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial: O fundamento do tratamento penal mais rigoroso repousa na relevância das funções exercidas pelas pessoas indicadas neste inciso, as quais recebem coisas alheias para guardar consigo, necessariamente, até o momento da devolução. Obs.: a palavra síndico deve ser substituída pela expressão administrador judicial, em razão da alteração ocorrida pela Lei 11.101/2005 (lei de falência e recuperação judicial do empresário e da sociedade empresária). Em razão de ofício, emprego ou profissão: Não necessita de relação de confiança entre o agente e a vítima. Emprego Ofício Profissão Prestação de serviço em subordinação e dependência. Ex.: dono de um supermercado e seus funcionários. Ocupação mecânica ou manual, que necessita de um determinado grau de habilidade, e que seja útil ou necessário às pessoas em geral. Ex: mecânico, sapateiro etc. Atividade em que não há hierarquia e necessita de conhecimentos específicos (técnico e intelectual). Ex.: advogado, dentista, médico, arquiteto, contador etc. Apropriação indébita privilegiada O art. 170 do Código Penal dispõe o seguinte: Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 155, 2º. O art. 155, 2º, CP diz o seguinte: Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. Portanto é possível a caracterização da apropriação indébita privilegiada, em qualquer de suas espécies. Apropriação indébita previdenciária art. 168-A Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional: Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 1º Nas mesmas penas incorre quem deixar de: I. recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público; II. recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços; III. pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social. 2º É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. 3º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: I. tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou II. o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. Objetividade jurídica Seguridade social (saúde, previdência e assistência social art. 194, CF/88). Não se trata de crime contra o patrimônio. Objeto material Contribuição previdenciária arrecadada e não recolhida. Núcleo do tipo Deixar de repassar significa deixar de recolher (recolher é depositar a quantia recebida descontada ou cobrada). É crime omissivo próprio ou puro (não admite tentativa) Lei penal em branco homogênea Deve ser complementada pela legislação previdenciária em relação aos prazos de recolhimento. Sujeitos do crime Sujeito ativo: qualquer pessoa, crime comum (admite co-autoria e participação). Obs.: pessoa jurídica não pode ser sujeito ativo. Sujeito passivo: União Federal Competência Justiça Federal (crime praticado em

detrimento dos interesses da União). Elemento subjetivo É o dolo. É dispensável (prescindível) o fim de assenhoramento definitivo (animus rem sibi habendi), pois o núcleo do tipo é deixar de repassar, e não apropriar-se como no crime de apropriação indébita. Não se admite a forma culposa. Consumação Para a maioria da doutrina é crime formal. Para o STF é crime material, pois deve haver a efetiva lesão aos cofres da União. Obs.: se a conduta for praticada mediante fraude, o crime será de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no art. 337-A, CP. É crime unissubsistente A conduta se exterioriza em um único ato, suficiente para a consumação. Ação penal Ação penal pública incondicionada. Hipótese de dificuldades financeiras Firmou-se o entendimento de que há inexigibilidade de conduta diversa (causa supralegal de exclusão da culpabilidade). OBS.: o STJ já decidiu que o fato é atípico em face da ausência de dolo. 01. (CESPE) Em razão de sérias dificuldades de ordem financeira, causadas pelos desajustes da economia nacional, o proprietário de determinada empresa se viu obrigado a não recolher aos cofres previdenciários os recursos relativos às contribuições arrecadadas de seus empregados. Nessa situação, comprovadas as dificuldades insuperáveis que motivaram a conduta do empresário e, em consequência, o estado de necessidade, não terá havido qualquer ilicitude a legitimar a persecução penal. CERTA. Para o CESPE o fato se enquadra em estado de necessidade (excludente de ilicitude) Extinção da punibilidade ( 2º) 2o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal. A ação fiscal tem início com a lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF). Para que ocorra a extinção da punibilidade deve-se preencher, cumulativamente, três requisitos: Espontânea declaração e confissão do débito; Prestação de informações à Previdência Social; Pagamento integral do débito previdenciário antes do início da Ação Fiscal. Para o STJ o pagamento integral do débito previdenciário, antes ou depois do recebimento da denúncia, é causa de extinção da punibilidade (art. 9, 2º, lei 10.684/03). HC 63.168/SC. Perdão judicial e aplicação isolada de pena de multa ( 3º) 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: XIII. tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou XIV. o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. A hipótese do inciso I não se aplica mais, em razão regra contida no art. 9, 2º, lei 10.684/03 e do entendimento do STJ sobre o assunto. Justa causa e prévio esgotamento da via administrativa Lei 9.430/96 - Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências: (...) Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1o e 2o da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168-A e 337-A do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério 105 105 Direito Penal Parte Especial 105

Direito Administrativo 106 106 Direito Penal Parte Especial Atualidades 106 Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) 1o Na hipótese de concessão de parcelamento do crédito tributário, a representação fiscal para fins penais somente será encaminhada ao Ministério Público após a exclusão da pessoa física ou jurídica do parcelamento. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011). 2o É suspensa a pretensão punitiva do Estado referente aos crimes previstos no caput, durante o período em que a pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente dos aludidos crimes estiver incluída no parcelamento, desde que o pedido de parcelamento tenha sido formalizado antes do recebimento da denúncia criminal. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011). 3o A prescrição criminal não corre durante o período de suspensão da pretensão punitiva. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011). 4o Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos no caput quando a pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos débitos oriundos de tributos, inclusive acessórios, que tiverem sido objeto de concessão de parcelamento. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011). Princípio da insignificância Para o STF é possível a aplicação do princípio da insignificância (causa supralegal de exclusão da tipicidade o fato não será crime) quando o valor do débito previdenciário não ultrapassar R$10.000,00 (dez mil reais). O fundamento está no art. 20 da lei 10.522/02 que determina o arquivamento das execuções fiscais, sem cancelamento na distribuição, quando os débitos inscritos como dívida ativa da União não excedam este valor. Forma privilegiada Nos termos do art. 170, CP aplica-se o art. 155, 2º, para este crime (forma privilegiada). Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força da natureza art. 169 Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza: Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. Parágrafo único - Na mesma pena incorre: Apropriação de tesouro I. quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da quota a que tem direito o proprietário do prédio; Apropriação de coisa achada II. quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituíla ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de quinze dias. Art. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 155, 2º. 01. (CESPE) No crime de apropriação indébita, o agente consegue ou recebe a posse ou detenção do bem móvel de outrem já inicialmente de forma clandestina, e o crime se consuma quando logra ter a posse tranquila do objeto material do crime. ERRADO. No crime de apropriação indébita, o agente recebe a posse ou detenção do bem de forma lícita. No entanto, após apossar-se do bem, passa a comportar-se como se dono fosse. O agente passa a agir com ânimo de assenhoramento definitivo do bem (animus rem sibi habendi). Além disso, a jurisprudência pátria vem entendendo que não se faz necessária a posse tranquila do objeto, se consumando no momento da inversão do ânimo sobre o bem. Dos Crimes contra a Dignidade Sexual Dos crimes contra a liberdade sexual Estupro art. 213 Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. 1º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. 2º Se da conduta resulta morte: Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. Revogado: art. 214 Violação sexual mediante fraude art. 215 Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. Revogado: art. 216 Assédio sexual art. 216-A Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Pena detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. Parágrafo único. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001) 2º A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos.

DIREITO PROCESSUAL PENAL ÍNDICE Introdução ao Direito Processual Penal... 108 Do Juiz, do Ministério Público,do Acusado e Defensor, dos Assistentes e Auxiliares da Justiça... 112 Procedimento dos Crimes de Responsabilidade do Funcionário Público... 116 Habeas Corpus e seu Processo... 117 Disposições Constitucionais Aplicáveis ao Processo Penal... 124 107

01 108 Direito Processual Penal Atualidades 108 Introdução ao Direito Processual Penal Após a prática de um crime, cabe ao Estado a sua apuração para fins da aplicação da pena prevista no direito penal. O Estado é o único titular do jus puniendi, que é o direito de aplicar uma sanção a quem comete um crime. Como vivemos em um Estado Democrático de Direito, o Estado sofre limitações quanto ao uso de determinadas modalidades de penas, bem como limitações quanto aos meios utilizados para apurar um crime, às medidas adotadas e ao andamento processual, visando a respeitar a dignidade da pessoa humana, harmonizando-a com as medidas legais pertinentes à elucidação de um crime, bem como com a conseqüente aplicação posterior da pena. Assim sendo, definimos o processo penal como um conjunto de normas jurídicas tendentes a direcionar a atuação da polícia judiciária, bem como de todo o poder judiciário criminal, visando a uma investigação, um processo e uma sentença justa, que se fundamentem na verdade dos fatos, respeitando todos direitos constitucionais do homem, como a ampla-defesa, a presunção de inocência, dentre outros. A manifestação da aplicação das normas de processo penal é o que chamamos de persecução penal, sendo esta o objeto do nosso estudo. A persecução penal comporta duas fases distintas: uma preliminar, de natureza administrativa, em que ocorrem as investigações presididas pela autoridade policial, e outra fase de natureza judicial, em que se desenrola o processo propriamente dito e esta fase é presidida por um juiz de direito. Os princípios do direito processual penal serão trabalhados conforme formos desenvolvendo a matéria, para que assim você veja a aplicação do princípio nas diversas fases da persecução penal. Lei processual penal no espaço Aqui estudaremos a abrangência territorial do código de processo penal, ou seja, o código é aplicado, em regra, nos crimes praticados em todo o território nacional. O código de processo penal será aplicado em todo o território nacional, essa é a regra geral, mas temos algumas exceções que estão previstas no art. 1º do código, são elas: I. os tratados, as convenções e regras de direito internacional; Quando o Brasil homologa a sua participação em um tratado ou convenção internacional que disciplina regras processuais próprias, o Código de Processo Penal Brasileiro não é adotado, ou seja, determinados crimes, mesmo que cometidos no território brasileiro, podem ser julgados por tribunal estrangeiro. Exemplo: Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas estabelece que os diplomatas quando cometerem crimes no território de outro país, serão julgados pelas leis de seu país de origem. II. as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, 2o, e 100); Aqui tratamos das infrações políticoadministrativas, definidas na Lei 1079/50, os chamados de crimes de responsabilidade que, na verdade, não se referem à matéria criminal e são julgados pelo Senado Federal, adotando o procedimento específico da referida lei para o seu processo e julgamento. III. os processos da competência da Justiça Militar; A justiça militar tem a competência constitucional para o julgamento das infrações penais militares, descritas nos artigos 9º e 10º do Código Penal Militar. No julgamento desses casos a justiça militar adota os procedimentos previstos no Código Processual Penal Militar (Dec. Lei 1002). IV. os processos da competência do tribunal especial; V. os processos por crimes de imprensa.

Quanto às duas últimas exceções referentes à aplicação do CPP na apuração e julgamento dos crimes, o único do art. 1º prevê que, na falta de norma, sejam aplicada as regras previstas no código de processo penal de forma subsidiária. Um exemplo de tribunal especial seria o próprio tribunal militar que adota procedimentos próprios. Nos casos de crimes de imprensa, vale o CPP, pois a referida Lei teve os seus efeitos suspensos temporariamente pelo STF, enquanto aguarda decisão do plenário quanto à constitucionalidade da Lei. A regra então é a aplicação do CPP nos crimes cometidos no território nacional, somente não sendo aplicadas suas normas, mas hipóteses acima descritas. Lei processual penal no tempo A lei processual penal é aplicada no tempo da sua vigência, ou seja, a partir do momento em que a lei entra em vigor, ela começa a regular todos os atos processuais penais que serão praticados daquele dia em diante, até a revogação da Lei. É importante analisarmos que se um processo estiver em andamento, sendo regulado pelas normas vigentes do CPP, e tivermos uma alteração nas normas, os atos praticados na vigência da lei anterior, continuarão validos, pois o que vale é o tempo da vigência da lei. A lei nova será aplicada aos atos processuais futuros e não aos passados. 01. Com referência à aplicação da lei processual no tempo e no espaço, aos princípios aplicáveis ao direito processual penal e aos prazos processuais, assinale a opção correta. a) O prazo para interposição de apelação começa a correr a partir da juntada da carta precatória ou do mandado ao processo. b) No processo penal, incluem-se na contagem dos prazos o dia do início e o dia do final do prazo. c) Compete ao tribunal de apelação, em sede de habeas corpus, a aplicação de lei mais benigna editada após o trânsito em julgado de sentença que tiver condenado determinado réu. d) Se após decisão que tiver concedido liberdade provisória a determinado preso, entrar em vigor nova lei que proíba a concessão do benefício para condenados por crime da espécie do cometido por esse preso, deverá o juiz da causa revogar a liberdade provisória, em razão da superveniente proibição legal. e) Nas ações penais privadas subsidiárias das ações públicas, o prazo decadencial para o oferecimento da queixa-crime inicia- se a partir do encerramento do prazo para o promotor de justiça oferecer a denúncia. Comentários: ERRADO. De acordo com a Súmula nº 710 do STF que afirma: No processo penal, contam-se os prazos da data da intimação, e não da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem. ERRADO. De acordo com o art. 798 do CPP: Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia feriado. 1o Não se computará no prazo o dia do começo, incluindose, porém, o do vencimento. ERRADO. Súmula nº 611 do STF: Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna. CERTO. De acordo com o artigo 5, XL da CF, a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; No entanto, a decadência aplica-se na ação penal privada subsidiária da pública, ou seja, quando o Ministério Público deixa de oferecer a denúncia no prazo legal (5 dias réu preso, ou 15 dias réu solto, art. 46 CPP) inicia-se o prazo decadencial para o oferecimento da denúncia, pelo ofendido (art. 100, 3º do CP e art. 29 do CPP), cessando-se o prazo decadencial após decorrido o prazo sem o oferecimento da inicial acusatória. Resposta: D 02. A lei processual penal a) Não admite aplicação analógica nem interpretação extensiva. b) Admite interpretação extensiva, mas não aplicação analógica. c) Aplica-se desde logo, invalidando-se os atos praticados sob a vigência da lei anterior menos benéfica. d) Não admite suplemento dos princípios gerais do direito. e) Admite interpretação extensiva. Comentários: As Letras A, B e D estão equivocadas, pois o próprio código de processo penal, segundo dispõe em seu art. 3º, afirma que A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito. 109 109 Direito Atualidades Processual Penal

110 10 Direito Processual Penal Atualidades Letra C: errada. Conforme art. 2º do CPP, conclui-se que a aplicação da norma processual penal é imediata, reputando válidos, entretanto, os atos realizados sob vigência e o respeito da lei anterior. Aqui se aplica o princípio do tempus regit actum. Vejamos o disposto no art. 2º do CPP: A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validadedos atos realizados sob a vigência da lei anterior. Letra E: correta, pois conforme se viu nas justificativas das letras A, B e D, o art. 3º do CPP admite sim a interpretação extensiva. Resposta: E 03. De acordo com o Código de Processo Penal, é correto afirmar que a nova norma processual a) valerá após sua publicação, independentemente de prazo de vacância. b) valerá após sua entrada em vigor, ainda que o processo não tenha sido concluído. c) poderá ser aplicada a processos já encerrados, pois não existe direito processual adquirido. d) vigerá no processo, desde que não crie obrigação ou ônus para a defesa. e) valerá para o processo que já tenha sentença transitada em julgado e expedição de carta de guia (ou guia de execução). Comentários: Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. Art. 3º A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito. Resposta Letra B. 04. São sistemas que buscam resolver a questão da sucessão de leis processuais no tempo: a) o da supremacia do direito de defesa; o das fases do processo; o da sistematização processual. b) o da complexidade do processo; o do isolamento dos atos processuais; o da garantia da defesa. c) O da unidade processual; o das fases processuais; o do isolamento dos atos processuais. d) O da sistematização processual; o do isolamento dos atos processuais; o da economia processual. e) O das fases do processo; o da intangibilidade do direito e defesa; o da supremacia dos atos praticados. Comentários: ERRADO. O da supremacia do direito de defesa está relacionado com o direito penal material, e o da sistematização processual é princípio apontado em doutrina discreta de processo penal. ERRADO. Não existe a expressão da complexidade do processo. Já a garantia da defesa também se relaciona com o direito material. ERRADO. Incorreto: Quanto à sistematização processual já está comentada na letra a, e a economia processual não é sistema e sim princípio aplicável ao processo penal. ERRADO. Incorreto: A intangibilidade do direito de defesa está relacionada ao direito material e não existe supremacia dos atos praticados e sim isolamento dos atos praticados, pois lei nova não o atinge. Resposta: Letra C

Texto para as questões 1 e 2 (CESPE) Acerca da aplicação da lei processual penal no tempo, julgue os itens que se seguem. 01. O direito processual brasileiro adota o sistema do isolamento dos atos processuais, de maneira que, se uma lei processual penal passa a vigorar estando o processo em curso, ela será imediatamente aplicada, sem prejuízo dos atos já realizados sob a vigência da lei anterior. 02. Em caso de leis processuais penais híbridas, o juiz deve cindir o conteúdo das regras, aplicando, imediatamente, o conteúdo processual penal e fazendo retroagir o conteúdo de direito material, desde que mais benéfico ao acusado. 03. (CESPE) A lei processual penal a) admite interpretação extensiva e o suplemento dos princípios gerais de direito, por expressa disposição legal. b) tem aplicação imediata, devendo os atos praticados sob a vigência de lei anterior revogada serem renovados e praticados sob a égide na nova lei, sob pena de nulidade absoluta. c) não retroagirá, salvo para beneficiar o réu, não vigorando, no direito processual penal, o princípio tempus regit actum. d) não admite aplicação analógica, em obediência ao princípio da legalidade estrita ou tipicidade expressa. 04. (FCC) A nova lei processual penal a) é de incidência imediata, pouco importando a fase em que esteja o processo. b) não é aplicável aos processos, ainda em curso, iniciados na vigência da lei processual anterior. c) não é aplicável aos processos de rito ordinário, ainda em andamento, quando de sua vigência. d) é aplicável, inclusive, aos processos já findos. e) é aplicável somente aos processos, ainda em curso, da competência do Tribunal do Júri. 05. (FGV) Com relação ao sistema processual penal brasileiro, analise as afirmativas a seguir: I. O processo penal rege-se pelo Código de Processo Penal, em todo o território brasileiro, ressalvados, entre outros, os tratados, as convenções e regras de direito internacional. II. A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito. III. A lei processual penal aplica-se imediatamente, sem prejuízo da validade dos atos já realizados sob a vigência da lei anterior. Assinale: a) se nenhuma afirmativa estiver correta. b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. e) se todas as afirmativas estiverem corretas. 06. (FCC) Em relação à lei processual penal no tempo, em caso de lei nova, a regra geral consiste na sua aplicação a) imediata, independentemente da fase em que o processo em andamento se encontre. b) imediata, somente em relação aos processos que se encontrem na fase instrutória. c) somente a processos futuros, ainda que por fatos anteriores. d) somente a processos futuros e sobre fatos posteriores. e) imediata ou a processos futuros conforme decisão fundamentada do juiz em cada caso. 07. (OAB) Sobre a lei processual penal, assinale a alternativa incorreta: a) possui aplicabilidade direta, invalidando os atos praticados sob a vigência da lei anterior; b) admitirá aplicação analógica e a interpretação extensiva; c) possui aplicabilidade direta, sem prejudicar a validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior; d) admitirá quando for o caso, a aplicação dos princípios gerais de direito. 1 2 3 4 5 CERTO ERRADO A A E 6 7 A A 1 111 Direito Atualidades Processual Penal

02 112 Direito Processual Penal Atualidades 12 Do Juiz, do Ministério Público,do Acusado e Defensor, dos Assistentes e Auxiliares da Justiça Juiz É o responsável pela aplicação do direito ao caso concreto, mas não é parte no processo penal, pois parte é quem tem interesse na causa. O juiz deve sempre ser imparcial, ou seja, não pode tomar partido para nenhuma das partes, cabendo a ele somente a condução do processo e o julgamento justo, lembrando que até o trânsito em julgado de uma sentença condenatória todos são inocentes, sendo assim, é inadmissível no processo a presença do juiz parcial, que já formou o seu juízo quanto ao caso antes mesmo de ouvir as partes, e receber as hipóteses de defesas e acusações. O juiz também é responsável pela presidência do processo penal, estando acima das partes (acusação e réu) na tríplice relação processual. sendo, o juiz, na condução dos processos que preside, deve respeitar e fazer respeitar cada etapa procedimental e se por acaso houver um descumprimento na sequência dos atos, tal será nulo. Impedimento dos Juízes Impedimento é obstáculo ou embaraço ao exercício da função no processo. Nesses casos, o juiz é declarado parcial, pois existe vínculo entre o juiz e o objeto do litígio, assim sendo, é inadmissível que ele presida o processo, e a atuação de um juiz impedido no processo é a inexistência dos atos praticados (observe bem que não se fala em nulidade e sim em ato inexistente, o próprio processo não existe). As hipóteses de impedimento são descritas taxativamente no art. 252 do CPP e são elas: I. Tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito; II. Ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha; III. Tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão; IV. Ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito. Para que o juiz possa cumprir com a sua função de aplicar a lei ao caso concreto, está na mão do juiz o poder de polícia durante as audiências que ele preside e não se admite que as forças de segurança presentes numa audiência criminal se subordinem a qualquer outra autoridade que não seja o juiz. Também é o responsável por dar o impulso necessário ao bom andamento do processo, sendo sua competência zelar pela celeridade do processo, conforme preceituado no art. 5º inc. LXXVIII da CF. A pessoa do juiz representa o poder jurisdicional do Estado e tal poder, apesar de tão grande, é totalmente vinculado à lei, assim Suspeição dos Juízes Suspeição é obstáculo ao exercício da função. Nesse caso, existe interesse do juiz na matéria em debate. Caso o juiz seja declarado suspeito, os atos por ele praticados são nulos e em alguns casos podem ser ratificados pelo juiz substituto que irá julgar a lide. A suspeição difere do impedimento em vários aspectos, conforme visto acima, e dentre eles destaca-se que as suspeições podem ser vencidas pelas partes, ou seja, as partes podem aceitar o julgamento do juiz suspeito (desde que este também não se importe em julgar o conflito)e caso isso aconteça, a suspeição será vencida, já o impedimento não poderá ser vencido pelas partes.

As hipóteses de suspeição estão descritas no art. 254 e são elas: I. Se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles; II. Se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiverem respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia; III. Se ele, seu cônjuge, ou parente, consanguíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes; IV. Se tiver aconselhado qualquer das partes; V. Se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes; VI.Se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo. O impedimento ou suspeição decorrente de parentesco por afinidade cessará pela dissolução do casamento que Ihe tiver dado causa, salvo sobrevindo descendentes; mas ainda que dissolvido o casamento sem descendentes, não funcionará como juiz o sogro, o padrasto, o cunhado, o genro ou enteado de quem for parte no processo. Por dissolução do casamento entende-se o divórcio, pois em caso de separação judicial, enquanto não for julgado o divórcio, haverá impedimento. Caso a parte gere a suspeição supervenientemente ao processo, motivada por má-fé e com a única intenção de protelar o julgamento, a suspeição não será reconhecida. Seria, por exemplo, o caso de uma das partes ofender o juiz fora do julgamento e até mesmo do fórum e alegar depois que entre a parte e o juiz existe inimizade. Tal fato não é caracterizado suspeição, pois a suspeição deve existir antes do julgamento e como decorrência natural das relações humanas, não por má-fé para garantir um estado de ilegalidade. Ministério Público O promotor é sujeito e parte imparcial no processo, pois apesar de ser o responsável pela promoção do processo, sua conduta não pode ser balizada pela relação com as partes ou com a causa e sim pela promoção da justiça que é sempre o objetivo da atuação do membro do parquet. O MP é o titular da ação penal pública e o fiscal da ação penal privada. As hipóteses de impedimento ou suspeição dos membros do Ministério Público são as mesmas estudadas anteriormente que podem ser imputadas aos juízes, ou seja, o rol de impedimentos vem descrito no art. 252 e o rol de suspeições no art. 254. Classificação do Ministério Público O MP é dividido em MP Estadual e MP da União e fazem parte do MPU os seguintes órgãos: Ministério Público Federal (também desempenha a função de Ministério Público Eleitoral), Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Militar e Ministério Público do DF. Acusado (Réu ou Querelado) É parte no processo penal, está no pólo passivo da ação penal, assim sendo, é a pessoa denunciada. Tem interesse na demonstração da inocência e, por isso, não é obrigado a colaborar com a acusação, pois não é obrigado a produzir provas contra si mesmo, mas a confissão é aceita, desde que balizada em outras provas. Ao acusado é garantido o direito de ser assistido por defesa técnica (também é um dever a defesa técnica para o deslinde do processo e a ausência de defesa é hipótese de nulidade absoluta do processo); mesmo que o acusado seja fugitivo da justiça, tal direito é garantido. Caso o acusado seja pobre e não tenha condições de constituir advogado, a defesa será feita por defensor dativo ou pela defensoria pública. O CPP, em seu art. 262, fala que o acusado menor será acompanhado por curador. É importante ressaltar neste caso que não existe mais a figura do acusado menor (pessoa entre 18 e 21 anos de idade), pois o Código Civil declara que o maior de 18 anos é plenamente capaz, o que não acontecia na época da redação do código de processo penal. 13 113 Direito Atualidades Processual Penal

114 14 Direito Processual Penal Atualidades Defensor Não é parte no processo mas sim o representante do acusado e sua atuação deve ser intencionada a garantir a decisão mais favorável ao seu cliente, ou seja, caso o cliente seja culpado do fato imputado o advogado deve lutar pela pena mais branda, caso seja inocente, o advogado deve pleitear a absolvição. A ausência de defesa é hipótese de nulidade absoluta, assim sendo, o CPP admite que quando o advogado não puder comparecer, por motivo justificado, a audiência poderá ser remarcada, mas, nesse caso, cabe ao advogado provar a causa justificadora de sua ausência. Nomeação do Advogado O advogado pode ser nomeado por instrumento de mandato ou de termo de audiência quando for indicado no curso do interrogatório. Caso o advogado seja parente do juiz ou do promotor, estaremos diante de hipótese de impedimento. Assistente Assistente é o ofendido, ou seja, a vítima do fato criminoso, pode ser pessoa física ou jurídica, basta, para isso, que seja a vítima da ação criminosa. Tem o objetivo de auxiliar o MP na acusação. Ao assistente são garantidas as seguintes prerrogativas:»» propor meios de prova,»» requerer perguntas às testemunhas,»» aditar o libelo e os articulados,»» participar do debate oral,»» arrazoar os recursos interpostos pelo Ministério Público ou por ele próprio. O MP será sempre previamente ouvido quando o juiz tiver que decidir pela participação do ofendido como assistente, bem como quando o juiz for decidir quanto à produção de provas solicitadas pelo assistente. Caso o juiz não admita o assistente, é vedada a utilização de quaisquer recursos para impugnar a decisão. Funcionários da Justiça São os servidores públicos que atuam no poder judiciário. As hipóteses de suspeição dos juízes se estendem aos funcionários da justiça no que lhes for aplicável. Peritos e Intérpretes Peritos Perito é o especialista em determinada área do conhecimento humano que atua como auxiliar da administração da justiça. Tem a incumbência de produzir laudos periciais dentro da sua área de conhecimento para contribuir na busca da verdade real que é o objetivo do processo penal. Classificação Os peritos são classificados em oficiais e não oficiais, conforme visto no capítulo pertinente às provas. Impedimentos Não poderão funcionar como peritos no processo as seguintes pessoas:»» Sujeitas à pena restritiva de direitos impeditivas do cargo, emprego ou função pública.»» Os que tiverem prestado depoimento no processo ou opinado anteriormente sobre o objeto da perícia;»» Os analfabetos e os menores de 21 anos. Suspeição São as mesmas hipóteses aplicadas ao juiz (art. 254 do CPP). Intérprete É a pessoa especialista em idiomas ou linguagens (exemplo: libras) que vai intermediar as partes quando for necessário. É espécie de perito e, assim sendo, todos as regras acima estudadas quanto aos peritos são aplicadas aos intérpretes. 01. A respeito dos auxiliares da justiça, considere: I. As partes poderão intervir na nomeação de peritos, indicando nomes para o exercício dessa função. II. Não poderão ser peritos os que tiverem prestado depoimento no processo. III. Não poderão ser peritos os que tiverem opinado anteriormente sobre o objeto da perícia. IV. Os intérpretes são, para todos os efeitos, equiparados aos peritos.

Está correto o que consta SOMENTE em a) II e IV. b) I, II e IV. c) I e III. d) II, III e IV. e) II e III. Art. 276. As partes não intervirão na nomeação do perito. Art. 279. Não poderão ser peritos: II - Os que tiverem prestado depoimento no processo ou opinado anteriormente sobre o objeto da perícia. Art. 281. Os intérpretes são, para todos os efeitos, equiparados aos peritos. Resposta: Letra D 02. Em relação aos sujeitos processuais, é correto afirmar: a) O prazo para o assistente recorrer supletivamente começa a correr imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público. b) O assistente será admitido enquanto não for proferida sentença de mérito na ação penal condenatória. c) Desde que devidamente habilitado, o corréu no mesmo processo poderá intervir como assistente do Ministério Público. d) Nos casos a serem submetidos ao tribunal do júri, a assistência deverá ser requerida até 3 (três) dias antes do julgamento para que possa o assistente participar do julgamento em Plenário. e) Nos casos a serem submetidos ao tribunal do júri, a assistência deverá ser requerida até 3 (três) dias antes do julgamento para que possa o assistente participar do julgamento em Plenário. Comentário CERTO. Prazo para o assistente recorrer, supletivamente, começa a correr imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público. (Súmula 448 do STF). ERRADO. Art. 269 CPP. O assistente será admitido enquanto não passar em julgada a sentença e receberá a causa no estado em que se achar.(não restrige se condenatória, absolutória...). ERRADO. Art. 270. CPP. O corréu, no mesmo processo, não poderá intervir como assistente do MP. ERRADO. Art.430 CPP. O assistente somente será admitido se tiver requerido sua habilitação em até 5 (cinco) dias antes da sessão na qual pretenda atuar. ERRADO. O erro da questão é que o prazo para a assistência é de 5 dias e não 3 dias. 03. Relativamente à pessoa do juiz que presidir a tramitação e julgamento do processo criminal, pode-se afirmar, dentre as proposições abaixo, que apenas uma alternativa é CORRETA. Assinale-a: a) Incumbe ao juiz prover a regularidade do processo, mantendo a ordem no curso dos respectivos atos, e, se necessário, poderá requisitar a força pública; de outro lado, não poderá ser declarada suspeição e nem ser reconhecida quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para criá-la. b) O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o quarto grau, inclusive, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito. c) Nos juízos coletivos, não poderão servir no mesmo processo os juízes que forem entre si parentes, consangüíneos ou afins, em linha reta ou colateral até o quarto grau, inclusive. d) O impedimento ou suspeição decorrente de parentesco por afinidade cessará pela dissolução do casamento que Ihe tiver dado causa, salvo sobrevindo descendentes; mas, dissolvido o casamento sem descendentes, poderá funcionar como juiz o sogro, o padrasto, o cunhado, o genro ou enteado de quem for parte no processo. Comentário CERTO. Essa assertiva é letra de Lei, como podemos observar no artigo 256 do Código de Processo Penal: A suspeição não poderá ser declarada nem reconhecida, quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para cria la. ERRADO. Essa questão está prevista no artigo 252 do Código de Processo, inciso I. O erro da questão está em afirmar que é parente de 4º Grau, sendo que o correto é parente de 3º Grau. ERRADO. Nessa alternativa, a banca continua insistindo em afirmar que o parente em 4º Grau, conforme artigo 253 do CPP, é parente em linha reta ou colateral até 3º Grau. ERRADO. Aqui a banca tentou lhe confundir, dizendo que poderá funcionar como juiz o sogro o padrasto, o genro, o cunhado e o enteado de quem for parte no processo, quando, na verdade NÃO poderá atuar, conforme artigo 255 do CPP. 15 115 Direito Atualidades Processual Penal

116 Direito Processual Penal Atualidades 16 Procedimento dos Crimes de Responsabilidade do Funcionário Público São crimes de responsabilidade Peculato, concussão, corrupção passiva, prevaricação, condescendência criminosa. Nos crimes comuns procedimento comum. Tal procedimento não se aplica aos crimes inafiançáveis. Particular partícipe ou co-autor - não se aplica. Procedimento de competência originária dos tribunais - Se aplica o procedimento da lei 8.038/90. Crimes de menor potencial ofensivo - juizado especial, mesmo sendo de procedimento especial salvo se enviado para o juízo comum. Oferecimento - resposta preliminar (prazo de 15 dias) recebimento citação. Ação Penal instruída por Inquérito Policial 03 Súmula 330 do STJ. É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do Código de Processo Penal, na ação penal instruída por inquérito policial. Art. 514. Nos crimes afiançáveis, estando a denúncia ou queixa em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado, para responder por escrito, dentro do prazo de quinze dias. Nos crimes afiançáveis, denúncia ou queixa em devida forma, o juiz manda autuá-la e ordena a notificação do acusado, para responder no prazo de 15 dias. Residência do acusado ou acusado fora da jurisdição. Nomeado defensor. Durante o prazo: Autos em cartório para acusação de defesa. A resposta poderá ser instruída com documentos ou justificações. Art. 515. No caso previsto no artigo anterior, durante o prazo concedido para a resposta, os autos permanecerão em cartório, onde poderão ser examinados pelo acusado ou por seu defensor. Parágrafo único. A resposta poderá ser instruída com documentos e justificações. Rejeição da denúncia ou queixa (RESE). Despacho fundamentado. Inexistência do crime ou improcedência da ação. Recebida a denúncia. Procedimento comum 10 dias - nova resposta; Absolvição sumária. Art. 516. O juiz rejeitará a queixa ou denúncia, em despacho fundamentado, se convencido, pela resposta do acusado ou do seu defensor, da inexistência do crime ou da improcedência da ação. Parágrafo único. Se não for conhecida a residência do acusado, ou este se achar fora da jurisdição do juiz, ser-lhe-á nomeado defensor, a quem caberá apresentar a resposta preliminar. Defesa técnica por advogado - PAD é desnecessário. Súmula vinculante 5 do STF. A sanção do projeto supre a falta de iniciativa do Poder Executivo. A denúncia ou queixa será instruída com documentos ou justificação que façam presumir a existência do delito ou declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de provas.

Habeas Corpus e seu Processo Algumas doutrinas entendem que teria o HC nascido no Direito Romano, mas foi a Magna Carta de João sem terra (1215) que deu a forma mais expressiva ao HC, semelhante ao formato que possui hoje. O habeas corpus também apareceu de forma expressa e foi evoluindo com o tempo em diversos documentos históricos, a saber: Habeas Corpus ACT (1679 e 1816). Aparecimento do habeas corpus no Brasil. No Brasil, apareceu expressamente no código criminal de 1832. Lei 2.003 - estendeu o HC para os estrangeiros. Constituições federais Brasileiras:»» 1891 - HC Brasileiro: nessa época o HC abrangia qualquer direito líquido e certo (o chamado habeas corpus brasileiro).»» 1926 A partir da CF de 1926, o HC passou a abranger tão somente a Liberdade de locomoção.»» 1934 - HC e Mandado de Segurança (criação do Mandado de Segurança). Natureza Jurídica O HC é um remédio constitucional. Também é uma ação de conhecimento de caráter fundamental. É uma ação autônoma de impugnação. O habeas corpus não é recurso. 04 Pedidos do HC O pedido pode se apresentar de diversas formas a depender do momento em que é impetrado o HC, podendo ser: 01. Meramente declaratório (ex.: habeas corpus que busca a extinção da punibilidade). 02. Constitutivo (ex.: anulação da sentença). 03. Condenatório (ex.: pedido de condenação nas custas àquele que agiu de má-fé no cerceamento da liberdade). Parágrafo único. Neste caso, será remetida ao Ministério Público cópia das peças necessárias para ser promovida a responsabilidade da autoridade. Espécies de HC 01. Liberdade ou repressivo (efetivamente preso). 02. Preventivo (ameaça de prisão ou detenção): se a ordem de habeas corpus for concedida para evitar ameaça de violência ou coação ilegal, darse-á ao paciente salvo-conduto assinado pelo juiz. 03. HC para trancamento de ação ou inquérito. Legitimidade 01. Qualquer pessoa (não somente o cidadão como no caso da ação popular).» Em seu favor ou de outrem. Paciente O paciente é o coagido da liberdade de locomoção e não pode ser pessoa jurídica. Autoridade Coatora Autoridade coatora é aquela que é responsável pela coação, pode ser ato de autoridade pública ou particular. É importante diferenciar a figura do Coator, que é o responsável pela prisão e o detentor, que é o agente responsável diretamente pela prisão. O detentor declarará à ordem de quem o paciente estiver preso. Impetrante Pode ser impetrante qualquer pessoa: Pessoa maior ou menor; Nacional ou estrangeiro; Pessoa jurídica em favor de terceiro; Analfabeto; Ministério Público (muito importante); O próprio paciente. Obs.: o assistente de acusação não pode impetrar HC 02. HC de ofício pelo juiz: o juiz não poderá impetrar habeas corpus em favor de um terceiro, mas poderá concedê-lo de ofício num processo o Direito Processual Penal 117

118 18 Direito Processual Penal Atualidades qual preside. 03. HC coletivo:» Não é possível por falta de previsão legal. O STF já se manifestou pela possibilidade do mandado de injunção coletivo. 04. Capacidade postulatória:» Não há necessidade de capacidade postulatória que é aquela capacidade de falar em juízo, capacidade esta outorgada aos advogados em geral. Diferentemente da capacidade processual, pois a banca Cespe, em suas provas, entende que é necessária a capacidade processual para poder impetrar habeas corpus. 05. Punições disciplinares militares:» Não é cabível para discutir o mérito da punição, mas é cabível para se discutir a legalidade. 06. Pena de exclusão de militar ou de perda de patente:» Não é cabível habeas corpus. 07. HC após o trânsito em julgado:» É cabível o habeas corpus após o trânsito em julgado para alegar alguma nulidade, nesse momento, também será cabível a revisão criminal. 08. HC após a extinção da pena privativa de liberdade:» Não é cabível habeas corpus após a extinção da pena privativa de liberdade. Súmula 695 do STF: não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade. 09. Decisão condenatória à pena de multa:» Não é cabível habeas corpus em virtude de uma pena de multa, pois a liberdade de locomoção não estará sendo coagida. Súmula 693 do STF: não cabe habeas corpus contra decisão condenatória à pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada. 10. HC em favor de pessoa jurídica:» Não é cabível, pois pessoa jurídica não sofre coação à liberdade de locomoção. 11. HC por causa do Art. 28 da lei 11.343/06 (usuário de drogas):» Não há a possibilidade de pena privativa de liberdade por causa do crime de usuário previsto no artigo 28 da lei de drogas, portanto não é cabível habeas corpus por causa do crime do usuário. 12. Medida cautelar de recolhimento domiciliar.» É cabível habeas corpus. 01. Em relação ao habeas corpus, assinale a opção CORRETA: a) Será concedido sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. b) Não será concedido em favor de quem já se encontra preso. c) Não será concedido em favor de quem já foi condenado por sentença transitada em julgado. d) Não será concedido a pessoa estrangeira de passagem pelo Brasil. e) Será concedido desde que respeitado seu prazo para a propositura. Resposta: A. Comentário: o habeas corpus poderá ser concedido em favor de quem já se encontra preso ou condenado por sentença transitada em julgado, também poderá ser concedido a pessoa entrangeira de passagem pelo Brasil e não possui prazo para a propositura, desde que exista a coação da liberdade. 13. Habeas corpus contra prisão administrativa:»» Não cabe o habeas corpus contra a prisão administrativa, atual ou iminente, dos responsáveis por dinheiro ou valor pertencente à Fazenda Pública, alcançados ou omissos em fazer o seu recolhimento nos prazos legais, salvo se o pedido for acompanhado de prova de quitação ou de depósito do alcance verificado, ou se a prisão exceder o prazo legal. 14. A concessão do habeas corpus não obstará, nem porá termo ao processo, desde que este não esteja em conflito com os fundamentos daquela. 15. Muito importante: se o habeas corpus for concedido em virtude de nulidade do processo, este será renovado. Coação Ilegal O tópico coação ilegal trata das condutas que ensejam a impetração de habeas corpus, essas condutas estão previstas no artigo 648 do código de processo penal, mas é importante ressaltar que estão previstas em um rol exemplificativo, pois outras condutas, mesmo que não previstas nesse rol, podem

ensejar a impetração de habeas corpus (rol exemplificativo - numerus apertus). 01. Não houver justa causa. A ausência de justa causa se dá sempre que não existirem um mínimo de provas que sustentem a situação de prejuízo para o acusado. Ex.: a) Possibilidade da Prisão:»» Flagrante.»» Ordem escrita e fundamentada - salvo transgressões militares de crime propriamente militar. Portanto, se a prisão for fora desses casos, a prisão será ilegal. b) Inquérito Policial: abertura de inquérito policial sem um mínimo de materialidade. Nesse caso, cabe o HC para trancamento do inquérito policial. 02. Quando alguém estiver preso por mais tempo que determina a lei: Prisão temporária:»» 05 dias + 05 dias.»» 30 dias + 30 dias em caso de crime hediondo. Prisão definitiva:»» Pena já cumprida e réu ainda preso. Súmula 21 STJ: pronunciado o réu, fica superada a alegação do constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo na instrução. Súmula 52 STJ: encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por excesso de prazo. Obs.: o excesso de prazo provocado pela defesa não enseja a aplicação de HC. 03. Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo. 04. Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação. 05. Quando não for alguém admitido a prestar fiança nos casos em que a lei autoriza. Obs.: se a ilegalidade decorrer do fato de não ter sido o paciente admitido a prestar fiança, o juiz arbitrará o valor desta, que poderá ser prestada perante ele, remetendo, neste caso, à autoridade os respectivos autos, para serem anexados aos do inquérito policial ou aos do processo judicial. 06. Quando o processo foi manifestamente nulo. 07. Quando extinta a punibilidade. Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal: I. quando não houver justa causa; II. quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei; III. quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo; IV. quando houver cessado o motivo que autorizou a coação; V. quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza; VI. quando o processo for manifestamente nulo; VII. quando extinta a punibilidade. 02. Considera-se coação ilegal, passível de habeas corpus, a manutenção do acusado em cárcere quando houver cessado o motivo que autorizou a coação. Resposta: certa. Comentário: Caso o motivo que fundamentava a coação, não há que se manter a coação, tornando-se, então, ilegal, logo, cabível o habeas corpus. Formalidade do pedido de HC O HC, em regra, não possui muitas formalidades para que haja a impetração. Como exemplo, os internos do presídio federal impetram HC em folhas simples denominadas requerimentos que são usadas para o preso pedir alguma coisa aos agentes penitenciários. No entanto, exige-se que o HC possua um mínimo de requisitos, quais sejam: 01. Nome do paciente e do coator; 02. Espécie de constrangimento; 03. Assinatura do impetrante. Obs.: é possível o HC ser impetrado por Telegrama, radiograma, telex ou até telefone. A assinatura do impetrante é um requisito mínimo para impetração de habeas corpus, portanto, não é possível a impetração de habeas corpus anônimo (HC apócrifo). 19 119 Direito Atualidades Processual Penal

120 120 Direito Processual Penal Atualidades Competência para conhecimento do HC A competência para conhecimento do Habeas Corpus será a autoridade jurisdicional hierarquicamente superior à autoridade coatora. Exemplos: 01. Se a autoridade coatora for Juiz de direito ou membro do MP - a competência será do Tribunal de justiça. 02. Se a autoridade coatora for juiz federal ou procurador da república - a competência para julgamento será do Tribunal Regional Federal (TRF). 03. Se a autoridade coatora for membro do Tribunal de Justiça ou do Tribunal Regional Federal - a competência para julgamento será do Superior Tribunal de Justiça (STJ) 04. Se a competência para julgamento for promotor que atua perante o tribunal a competência para julgamento é do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 05. Se a autoridade coatora for membro do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios a competência para julgamento será do Tribunal Regional Federal (TRF) e não do TJDFT. 06. Decisão no âmbito dos juizados especiais criminais: a) Se a decisão for de juiz do juizado especial, a competência será da Turma Recursal. b) Se a decisão for da turma recursal: Súmula 690 STF - compete originariamente ao Supremo Tribunal Federal o julgamento de habeas corpus contra decisão de turma recursal de juizados especiais criminais. A súmula 690 está ultrapassada, pois entende o STF que o julgamento de habeas corpus contra ato de decisão de turma recursal deverá ser julgado pelo tribunal de justiça, se for juizado especial criminal federal o julgamento será de competência do TRF. 07. A competência do juiz cessará sempre que a violência ou coação provier de autoridade judiciária de igual ou superior jurisdição. Procedimento Recebida a petição, a autoridade judiciária competente poderá intimar o Ministério Público?»» Se for juiz de 1º grau: não intima (será intimado da decisão para que possa recorrer).»» Se for Tribunal: intima-se o MP. O assistente de acusação não participa do procedimento de habeas corpus, por esse motivo não precisa ser intimado. Requisição de informação da autoridade coatora:»» No Tribunal: há previsão para requisição de informações da autoridade coatora.»» Nos casos de 1º grau: não há previsão para requisição, mas é usualmente feita. O juiz, se julgar necessário, e estiver preso o paciente, mandará que este lhe seja imediatamente apresentado em dia e hora que designar. Em caso de desobediência, será expedido mandado de prisão contra o detentor, que será processado na forma da lei, e o juiz providenciará para que o paciente seja tirado da prisão e apresentado em juízo. Se o paciente estiver preso, nenhum motivo escusará sua apresentação, salvo: 01. Grave enfermidade do paciente (nesse caso, o juiz poderá ir ao local em que o paciente se encontrar); 02. Não estar ele sob a guarda da pessoa a quem se atribuiu a detenção; 03. Comparecimento não tiver sido determinado pelo juiz ou tribunal. Se o juiz ou o tribunal verificar que já cessou a violência ou coação ilegal, julgará prejudicado o pedido. O carcereiro ou o diretor da prisão, o escrivão, o oficial de justiça ou a autoridade judiciária ou policial que embaraçar ou procrastinar a expedição de ordem de habeas corpus, as informações sobre a causa da prisão, a condução e apresentação do paciente, ou a sua soltura, serão multados na quantia de duzentos mil-réis a um conto de réis, sem prejuízo das penas em que incorrer. As multas serão impostas pelo juiz do tribunal que julgar o habeas corpus, salvo quando se tratar de autoridade judiciária, caso em que caberá ao Supremo Tribunal Federal ou ao Tribunal de Apelação impor as multas. Efetuadas as diligências, e interrogado o paciente, o juiz decidirá, fundamentadamente, dentro de 24 (vinte e quatro) horas.

Se a decisão for favorável ao paciente, será logo posto em liberdade, salvo se por outro motivo dever ser mantido na prisão. Se os documentos que instruírem a petição evidenciarem a ilegalidade da coação, o juiz ou o tribunal ordenará que cesse imediatamente o constrangimento. Será incontinente enviada cópia da decisão à autoridade que tiver ordenado a prisão ou tiver o paciente à sua disposição, a fim de juntar-se aos autos do processo. Quando o paciente estiver preso em lugar que não seja o da sede do juízo ou do tribunal que conceder a ordem, o alvará de soltura será expedido pelo telégrafo, se houver, observadas as formalidades estabelecidas no art. 289, parágrafo único, in fine, do código de processo penal ou por via postal. Em caso de competência originária dos Tribunais, a petição de habeas corpus será apresentada ao secretário, que a enviará imediatamente ao presidente do tribunal, ou da câmara criminal, ou da turma, que estiver reunida, ou primeiro tiver de reunir-se. Se a petição contiver os requisitos mínimos do HC, o presidente, se necessário, requisitará da autoridade indicada como coatora informações por escrito. Faltando, porém, qualquer daqueles requisitos, o presidente mandará preenchê-lo, logo que Ihe for apresentada a petição. As diligências ditas anteriormente não serão ordenadas, se o presidente entender que o habeas corpus deva ser indeferido liminarmente. Nesse caso, levará a petição ao tribunal, câmara ou turma, para que delibere a respeito. Recebidas as informações, ou dispensadas, o habeas corpus será julgado na primeira sessão, podendo, entretanto, adiar-se o julgamento para a sessão seguinte. A decisão será tomada por maioria de votos. Havendo empate, se o presidente não tiver tomado parte na votação, proferirá voto de desempate; no caso contrário, prevalecerá a decisão mais favorável ao paciente. O secretário do tribunal lavrará a ordem que, assinada pelo presidente do tribunal, câmara ou turma, será dirigida, por ofício ou telegrama, ao detentor, ao carcereiro ou autoridade que exercer ou ameaçar exercer o constrangimento. A ordem transmitida por telegrama obedecerá ao disposto no art. 289, parágrafo único, in fine. Os regimentos dos Tribunais de Apelação estabelecerão as normas complementares para o processo e julgamento do pedido de habeas corpus de sua competência originária. No processo e julgamento do habeas corpus de competência originária do Supremo Tribunal Federal, bem como nos de recurso das decisões de última ou única instância, denegatórias de habeas corpus, observarse-á, no que Ihes for aplicável, o disposto nos artigos anteriores, devendo o regimento interno do tribunal estabelecer as regras complementares. Preferência e Prazo A ação de habeas corpus terá preferência às demais e não possui prazo para que seja impetrada, desde que a coação à liberdade ainda exista. Gratuidade: de acordo com a Constituição Federal o HC será gratuito. 01. A respeito do habeas corpus, julgue os itens subsequentes. O habeas corpus somente deve ser impetrado por advogado, pois se trata de processo judicial. 02. Em relação ao habeas corpus e ao processo e julgamento dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, julgue os próximos itens. Ordenada a soltura do preso em virtude de ordem de habeas corpus, será condenada nas custas a autoridade que, por má-fé ou evidente abuso de poder, tiver determinado a coação. 03. Julgue os itens que se seguem, em relação ao habeas corpus e aos entendimentos do STF a esse respeito. Não cabe habeas corpus nas hipóteses sujeitas à pena de multa, nos afastamentos dos cargos públicos por questões penais ou administrativas nem na preservação de direitos fundamentais que não a liberdade de locomoção de ir e vir, salvo manifesta teratologia a repercutir na liberdade de locomoção. 04. Julgue o próximo item. A ausência de justa causa tanto pode ser condição para sustentar o trancamento de ação penal como para promover a soltura do réu. 121 121 Direito Atualidades Processual Penal

12 122 Direito Processual Penal Atualidades 05. Assinale a alternativa incorreta. a) Compete ao Tribunal de Justiça o julgamento de habeas corpus impetrado contra decisão proferida por juiz de direito oficiando no Juizado Especial Criminal. b) O menor de 18 anos, o analfabeto e o estrangeiro podem impetrar habeas corpus. c) Não cabe habeas corpus contra sentença condenatória a pena de multa. d) Da decisão do juiz que concede ou denega habeas corpus cabe recurso em sentido estrito. e) Da decisão do Tribunal de Justiça que concede habeas corpus não cabe recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça. 06. Leia atentamente e responda às questões de 63 a 65. O Promotor de Justiça Criminal da Comarca de Campos requisitou instauração de inquérito policial tendente à apuração de crime de desobediência, em tese praticado por Gilmar, diretor da penitenciária estadual de Campos, em virtude de alegado descumprimento de ordem judicial de interdição da penitenciária sob sua direção. Inconformado, Gilmar impetra medida judicial objetivando controlar a legalidade da instauração do inquérito. A medida judicial e o órgão jurisdicional competente para processamento e julgamento da pretensão de Gilmar são: a) mandado de segurança / Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro; b) mandado de segurança / Juízo criminal de Campos; c) habeas corpus / Juízo criminal federal de Campos; d) habeas corpus / Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro; e) recurso especial / Supremo Tribunal Federal. 07. No que tange a habeas corpus, jurisdição e competência, julgue os itens a seguir. Na apreciação do habeas corpus, o órgão jurisdicional não está vinculado à causa de pedir e ao pedido, podendo, assim, ser a ordem concedida, em sentido diverso ou mais amplo do que foi pleiteado ou mencionado pelo impetrante. 08. Considere a seguinte situação hipotética: Um juiz de direito, por motivo fútil, praticou um homicídio doloso, restando devidamente apurada a sua responsabilidade pelo crime. Nessa situação, será competente para o processo e o julgamento do crime o tribunal do júri do local onde ocorreu o delito, pois incide a norma constitucional quanto a competência do júri para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. 09. Julgue os itens a seguir, relativos aos crimes contra a administração pública. Compete ao TRT julgar habeas corpus quando o coator for juiz do trabalho. 10. Assinale a alternativa incorreta. a) O Habeas Corpus não poderá ser interposto quando houver ameaça de violência ou coação à liberdade de locomoção, por abuso de poder ou ilegalidade. b) O Promotor de Justiça poderá impetrar ordem de Habeas Corpus. c) O Magistrado jamais poderá impetrar ordem de Habeas Corpus em favor de terceiro, mas poderá conceder de ofício a ordem no processo que preside. d) Não caberá intervenção do Assistente do Ministério Público no processo de Habeas Corpus. e) Não se pode conhecer de impetração de Habeas Corpus apócrifa. 11. Em relação ao habeas corpus, é correto afirmar que: a) sempre é possível a interposição de habeas corpus quando se tratar de punição disciplinar militar. b) o habeas corpus liberatório é aquele interposto quando há uma ameaça de violência ou coação à liberdade de locomoção, por abuso de poder ou ilegalidade. c) o promotor de justiça não pode figurar como autoridade coatora no pedido de habeas corpus; d) não é cabível o habeas corpus quando a coação emanar de ato de particular. e) o impetrante do habeas corpus não precisa ser representado por advogado. 12. O habeas corpus não: a) poderá ser impetrado por uma pessoa em favor de outrem. b) poderá ser impetrado em defesa da sociedade, para rever decisão injusta. c) poderá ser impetrado pelo Ministério Público.

d) comporta pedido de liminar. e) poderá ser impetrado preventivamente. 13. Julgue os itens seguintes, relativos a habeas corpus, inquérito policial e ação penal. Compete, originariamente, ao STF o julgamento de habeas corpus contra decisão de turma recursal de juizados especiais criminais. 14. Julgue a assertiva seguir: Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade. 15. À luz dos conceitos e das normas aplicáveis à ação e ao processo penal, julgue os itens subsequentes. Não é exigida capacidade processual para a impetração de habeas corpus, pois qualquer pessoa pode fazê-lo, em seu favor ou de outrem, conforme disposto no Código de Processo Penal. 16. Em qual das hipóteses mencionadas seria possível, em tese, a concessão de habeas corpus, inclusive, se o caso, consoante jurisprudência sumulada dos Tribunais Superiores (STJ e STF)? a) No caso de decisão condenatória a pena de multa. b) No caso de processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada. c) Para alegar nulidade de processo no qual foi extinta a pena privativa de liberdade. d) Quando o réu não foi admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza. e) No caso de punição disciplinar. 17. Julgue o item que se segue, acerca do direito processual penal. A ação penal constitucional não condenatória de habeas corpus tem por finalidade evitar ou interromper violência à liberdade de locomoção por ato ilegal ou com abuso de poder perpetrado por agente público ou particular. 18. Em cada um dos itens seguintes, é apresentada uma situação hipotética a respeito da aplicação do direito processual penal, seguida de uma assertiva a ser julgada. Áureo, acadêmico de direito, interpôs recurso ordinário em habeas corpus com o objetivo de pleitear, perante o STJ, o trancamento de ação penal promovida contra Ângelo. Nessa situação, independentemente da qualidade técnica da peça recursal em questão, deve-se reconhecer a ausência de capacidade postulatória de Áureo, mas tal circunstância não impossibilitará que o órgão julgador defira a ordem de ofício, diante da magnitude dos direitos envolvidos. 19. Considerando as disposições constitucionais e legais aplicáveis ao processo penal e, quando for o caso, a doutrina e a jurisprudência correlatas, julgue os itens que se seguem. Embora, como regra geral, não se admita dilação probatória em sede de habeas corpus, é possível a concessão da ordem para o reconhecimento de excesso de prazo no processo penal, em especial para aquelas hipóteses excepcionais nas quais a mora processual não seja atribuível à defesa, bem como se trate de causa dotada de menor complexidade probatória. 20. Considere: I. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público. II. Dentre as hipóteses legais de cabimento do habeas corpus inclui-se a ausência de justa causa. III. Se o habeas corpus for concedido em virtude de nulidade do processo, este não poderá ser renovado. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) I, II e III. d) II, apenas. e) II e III, apenas. 1 2 3 4 5 E C C C A 6 7 8 9 10 D C E C A 11 12 13 14 15 E B E C E 16 17 18 19 20 D C C C B 123 123 Direito Atualidades Processual Penal

124 124 Direito Processual Penal Atualidades CAPÍTULO 5 Disposições Constitucionais Aplicáveis ao Processo Penal Princípio da presunção de inocência ou do estado de inocência ou da situação jurídica de inocência ou da não culpabilidade. CF: Art. 5 LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; Decorrência desse princípio é que o ônus da prova cabe à acusação, cabendo-lhes provar que o fato é típico e de circunstâncias qualificadoras ou causas de aumento de pena. Caberá ao réu, no entanto, provar as excludentes da ilicitude, culpabilidade e as causas extintivas da punibilidade. Vale ressaltar que a acusação deverá trazer um juízo de certeza para que se condene o réu e, ao contrário, caso o réu crie uma dúvida sobre a existência de uma excludente, deverá o juiz sentenciar em favor do acusado. Princípio da igualdade processual ou da paridade das armas - par conditio CF: Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: Decorre desse princípio a necessidade de um advogado para defesa do acusado, exceto quando ele mesmo for advogado. Esse princípio se materializa sempre que para uma das partes for deferida uma oportunidade de se pronunciar no processo, devendo da mesma forma que a outra parte tenha esse direito. Princípio da ampla defesa CF: LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; A ampla defesa se subdivide em autodefesa e defesa técnica. A defesa técnica é aquela exercida pelo advogado, pois este sim tem capacidade postulatória, com exceção de o próprio acusado ser advogado. A defesa técnica é indisponível. A autodefesa é exercida pelo próprio acusado de forma que pode influenciar o magistrado quando de seu interrogatório. Vale notar que a autodefesa é disponível podendo o acusado ficar calado quando da audiência (direito ao silêncio). No entanto, o interrogatório é dividido em duas partes: a qualificação e as perguntas, não podendo o acusado mentir na fase de qualificação sob pena de estar cometendo a contravenção penal prevista no artigo 68 da lei de contravenções penais, caso atribua outra identidade a si, restará configurado o crime do artigo 307 do CP (falsa identidade) e na segunda parte do interrogatório não pode o acusado imputar falsamente um crime a si, pois estaria cometendo o crime de autoacusação falsa (art. 341 CP). Princípio da plenitude da defesa CF: XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) A plenitude de defesa; A plenitude da defesa significa que em se tratando de tribunal do júri, pode o acusado alegar quaisquer tipos de justificativas, mesmo que não sendo técnicas. Pode, por exemplo, apelar para o sentimentalismo para convencer o conselho de sentença. Pode até invocar uma excludente de ilicitude não existente, como por exemplo, a legítima defesa da honra. Princípio do favor rei, favor libertatis, in dubio pro réu, favor inocente ou da prevalência do interesse do réu. CF: ART 5 LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; Esse princípio decorre diretamente do princípio da inocência de forma que, havendo dúvida sobre a culpabilidade do réu, deve o juiz absolvê-lo. Importante notar que esse princípio não tem aplicação na denúncia, pois na dúvida o promotor denuncia e também não tem aplicação na pronúncia (1 fase do júri). Esse princípio não está expresso na constituição federal e sim implícito. Princípio do contraditório ou da bilateralidade da audiência. CF: ART. 5 LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

É o princípio pelo qual oportuniza as parte contraditar tudo o que é dito contra ela. Se a acusação alega algum fato, deverá o acusado ter a oportunidade de desconstituir a alegação da acusação. É com base nesse princípio que o tempo de audiência é distribuído. Se no júri a acusação tem uma hora e meia para falar e mais uma hora de réplica, a defesa também terá uma hora e meia para falar mais uma hora para a tréplica. Princípio do juiz natural CF: ART. 5 LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; Esse princípio garante ao acusado que ele seja julgado por um juiz imparcial e definido anteriormente à ocorrência do crime, veda-se, portanto, o juízo ou tribunal de exceção ou tribunais ad hoc. Vale ressaltar que não fere o princípio do juiz natural a convocação de juízes de primeiro grau feita pelos tribunais e a criação de novas varas para igualar os acervos do juízo. Princípio da publicidade CF: ART. 5 XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; CF: ART. 5 LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; CF: ART. 93 IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; É o princípio que traduz a transparência da atividade jurisdicional do Estado, de forma que, em regra, os atos serão públicos, essa regra, porém, admite exceções de forma que se a defesa da intimidade ou o interesse social o exigir, o ato não será público. No inquérito policial vigora o sigilo. Princípio da vedação das provas ilícitas CF: ART. 5 LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; Provas ilícitas são aquelas que violam dispositivos legais ou constitucionais, não acolhendo o CPP a posição doutrinária de que prova ilícita seria aquela que violasse direito material e prova ilegítima seria aquela que violasse direito processual. Também são vedadas as provas derivadas das ilícitas pela teoria do fruto das árvores envenenadas ou do efeito à distância (fruits of the poisonous tree). Como exceções à vedação das provas derivadas das ilícitas, temos a teoria da fonte independente, a teoria da descoberta inevitável, a teoria da mancha purgada ou tinta diluída e, por último, a teoria da proporcionalidade que aceita a utilização da prova ilícita em defesa do acusado inocente. Princípios da economia processual, celeridade processual e duração razoável do processo. CF: ART. 5 LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. O princípio em comento traduz a ideia de que para o que o processo penal seja justo deverá ele também ser célere. São consequências desse princípio da duração razoável das prisões cautelares e a chamada carta precatória itinerante. Princípio do devido processo legal (due process of law) CF: ART. 5 LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; Esse princípio traduz a ideia da própria existência do processo penal, de forma que não se poderá culpar alguém sem um mínimo de produção de provas por meio de um processo e de que possa ser garantido o seu direito de defesa. 01. Em relação aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, previstos no artigo 5 o, inciso LV, da Constituição da República, é IN- CORRETO afirmar que a) o contraditório é a ciência bilateral dos atos e termos processuais e a possibilidade de contrariá-los. b) a ampla defesa desdobra-se em autodefesa e defesa técnica, sendo a primeira exercida pessoalmente pelo acusado e a segunda por profissional habilitado, com capacidade postulatória e conhecimentos técnicos. c) a defesa técnica é irrenunciável, por se tratar de garantia da própria jurisdição. d) estão intimamente relacionados, uma vez que a ampla defesa garante o contraditório e por ele se manifesta e é garantida. e) foram inovações trazidas pelo texto constitucional de 1988. Sob o Antigo Regime, graças à teoria da justiça reservada, o rei poderia retirar de um processo os juízes competentes e avocar a competência para o seu conselho (avocação) ou fazê- lo julgar pelos comissários especialmente designados para esse efeito (comissão). Ele poderia, então, criar novas jurisdições como comissões extraordinárias ou câmaras de justiça. 125 125 Direito Atualidades Processual Penal

126 126 Direito Processual Penal Atualidades 02. Considerando a evolução do princípio do juiz natural e seu acolhimento na Constituição da República de 1988, analise as afirmativas a seguir: I. Com relação à vedação dos tribunais de exceção, a norma constitucional não causa maiores polêmicas, a não ser no que toca à necessidade de definição das características exigidas para que um tribunal ou órgão jurisdicional possa ser considerado como extraordinário ou de exceção. II. Para definir o que constitui ou caracteriza um tribunal de exceção ou extraordinário, é necessário analisar o outro aspecto da garantia do juiz natural, isto é, sua face positiva, consistente no direito ao juiz competente segundo as regras vigentes no momento do registro do fato. III. A distinção fundamental entre a vedação dos tribunais de exceção (art. 5º, inciso XXXVII), de um lado, e o direito ao juiz competente predeterminado por lei (art. 5º, inciso LIII), de outro, é que a primeira diz respeito à distribuição de competência entre os órgãos previamente instituídos enquanto o segundo diz respeito à constituição do órgão em relação à organização judiciária. IV. O direito ao juiz competente predeterminado tem por finalidade assegurar a integridade do Poder Judiciário, pois uma lei que atribua o julgamento de um processo a órgão que não esteja previsto na Constituição como integrante do Poder Judiciário estará dando poder de julgar para quem a Constituição não previu e que não poderá, portanto, ser investido da função jurisdicional. V. A vedação da criação de tribunais de exceção é considerada como aspecto negativo da garantia do juiz natural, na medida em que, sob o ponto de vista do cidadão, impede o julgamento por um órgão extraordinário. Por outro lado, do ponto de vista dos detentores do poder, que pretendem obter um julgamento parcial, com juízes específica e concretamente escolhidos, a vedação dos tribunais de exceção é um instrumento positivo para a contenção do arbítrio, pois impede que se atribua diretamente o julgamento de um fato específico, ou de um conjunto de fatos, para um órgão escolhido e moldado para decidir num sentido previamente determinado. VI. Tem sido pacificamente aceita a possibilidade de criação de tribunais especiais ou justiças especializadas, que não são considerados incompatíveis com a vedação de instituir tribunais extraordinários ou de exceção. O que os diferencia é que tais tribunais ou juízos especiais são criados antes da prática dos fatos que irão julgar, e têm competência determinada por regras gerais e abstratas, com base em critérios objetivos, e não para um caso particular ou individualmente considerado, escolhido segundo critérios discriminatórios. As afirmativas corretas são somente: a) I, III e V; b) I, V e VI; c) II, III e IV; d) II, IV e VI; e) III, V e VI. A respeito da prisão e da liberdade provisória, bem como das disposições constitucionais acerca do Direito Processual Penal e da ação de habeas corpus, julgue os itens subsequentes. 03. Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. 04. Marque a resposta correta. a) O princípio da identidade física do juiz consiste na dimensão formal do princípio do juiz natural, enquanto a vedação de tribunais de exceção e escolha de juiz traduzem a dimensão substancial do juiz natural. b) São incontestáveis, na doutrina e na jurisprudência, o poder de investigação direta do Ministério Público e a prerrogativa legal de tomar assento imediatamente à direita e no mesmo plano do Magistrado, sem que haja, com isso, ofensa ao sistema acusatório ou à paridade de armas. c) O STF admite como prova a gravação ambiental de conversas entre particulares, mas não admite a gravação clandestina de conversa informal entre agentes policiais e o indiciado, este último, emrazão do direito constitucional ao silêncio. d) A constituição de 1988 consagrou expressamente, no processo penal brasileiro, o princípio da verdade real. Por isso o Juiz poderá, de ofício, produzir prova no curso do processo. e) O Delegado de Polícia não pode ordenar buscas domiciliares. Este poder, contudo, foi atribuído, excepcionalmente, às CPIs, que possuem poderes de investigação típicos da autoridade judiciária. Acerca dos princípios aplicáveis ao direito processual penal e da aplicação da lei processual no tempo e no espaço, julgue os itens seguintes. 05. O princípio da presunção de inocência ou da não culpabilidade subsiste durante todo o processo e tem o objetivo de garantir o ônus da prova à acusação até declaração final de responsabilidade por sentença penal condenatória transitada em julgado. 06. É assegurado, de forma expressa, na norma fundamental, o direito de qualquer acusado à plenitude de defesa em toda e qualquer espécie de procedimento criminal. 07. Com relação aos dispositivos constitucionais aplicáveis ao processo penal, assinale a opção correta. a) A Constituição Federal de 1988 (CF) não admite juízo ou tribunal de exceção, razão por que a atual estrutura do Poder Judiciário não prevê justiças especializadas em determinada matéria. b) A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre devem ser comunicados ao juiz competente e à família do preso ou pessoa por ele indicada no prazo máximo de setenta e duas horas contado a partir da prisão.

c) A garantia de que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória significa que mesmo quem for preso em flagrante cometendo homicídio será possuidor da presunção de inocência. d) Admitir-se-á ação penal privada, subsidiária da pública, no crime de roubo, quando o membro do Ministério Público (MP) manifestar-se pelo arquivamento do inquérito policial. e) Ao assegurar o contraditório, a ampla defesa e a publicidade aos acusados em geral, a CF impôs a observância de tais garantias não só durante o processo penal, mas desde o inquérito policial. 08. O sistema acusatório tem como propósito a realização de um julgamento imparcial. A respeito desse tema, assinale a afirmativa incorreta. a) O juiz estará impedido de exercer jurisdição no processo em que ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito. b) A suspeição dos jurados deverá ser arguida oralmente, decidindo de plano o presidente do Tribunal do Júri. Já a exceção de incompetência do juízo poderá ser oposta verbalmente ou por escrito, no prazo de defesa. c) O acusado poderá arguir a suspeição do magistrado, do membro do Ministério Público, da autoridade policial por atos de inquérito, do intérprete, dos jurados e dos peritos, na defesa de um julgamento imparcial. d) A arguição de suspeição precederá a qualquer outra, salvo quando fundada em motivo superveniente. e) O juiz dar-se-á por suspeito se tiver aconselhado qualquer das partes. Joana rompeu o relacionamento amoroso que mantivera com José por aproximadamente seis meses. Inconformado com a separação e com as recusas de Joana em reatar o namoro, José passou a ameaçá-la por telefone, dizendo que a mataria se a encontrasse com outro e, em seguida, cometeria suicídio. Sentindose intimidada pelo ex-namorado, Joana comunicou o fato à autoridade policial, que instaurou inquérito para apurar o crime de ameaça. Inquirido, José negou a prática do delito. Não conseguindo obter provas do crime, a autoridade policial pleiteou, então, ao Poder Judiciário a interceptação das comunicações telefônicas mantidas entre Joana e José. 09. Nessa situação hipotética, admitindo-se que o MP oficie favoravelmente ao pleito, deve o juiz a) indeferi-lo, visto que não se admite a interceptação de comunicações telefônicas para prova do fato investigado. b) indeferi-lo, por não haver indícios razoáveis de autoria, restando tão somente a palavra de uma das partes contra a outra. c) deferi-lo, dada a existência de indícios razoáveis de autoria. d) deferi-lo, a contrário senso, por inexistir outro meio de obtenção de prova do crime. e) indeferi-lo, dada a possibilidade de aplicar a José as medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha. 10. Analise as proposições acerca dos princípios constitucionais que regem o processo penal. I. A imposição de o réu se recolher ao ergástulo ou nele permanecer para poder apelar não ofende a garantia constitucional da presunção de inocência se - e somente se - os argumentos sobre os quais se fundam o decreto de prisão forem de natureza cautelar. II. Prevê o artigo 198 do Código de Processo Penal que o silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir elemento para a formação do convencimento do juiz. Com base no princípio do nemo tenetur se detegere e dos direitos constitucionais que dele decorrem, é correto afirmar que o dispositivo transcrito estaria em desacordo com os ditâmes do processo penal democrático delineado pela Constituição de 1988. III. No âmbito da ampla defesa, distingue-se a defesa técnica da autodefesa. A primeira, irrenunciável, é exercida pelo defensor do réu, detentor do ius postulandi amplo. A segunda, renunciável, é exercida pelo próprio réu e compõe-se, em síntese, do direito de audiência e do direito de presença. No processo penal a falta de defesa constitui, em regra, nulidade insanável, porém esta somente será reconhecida se resultar em comprovado prejuízo ao réu. IV. A iniciativa positiva do juiz no sentido de determinar a complementação de provas no curso do processo penal fere os princípios do acusatório, da imparcialidade do órgão jurisdicional e do ne procedat judex ex officio, devendo, portanto, ser evitada, restringindo-se o magistrado à análise das provas produzidas pelos sujeitos processuais e coligidas aos autos. V. O princípio da publicidade, que norteia o processo penal, é um poderoso instrumento de fiscalização popular dos órgãos encarregados da persecutio criminis processual, conferindo transparência à atividade jurisdicional e, assim, visando à minimização de eventuais excessos e arbitrariedades. Sob esse prisma, não se admite a restrição do princípio da publicidade no contexto da ação penal, sob pena de inclinar-se o processo à inquisitoriedade desprestigiada pela ordem constitucional. Está(ão) CORRETA(S): a) Apenas as proposições I, II e IV. b) Apenas as proposições I, II e III. c) Apenas as proposições II, III e V. d) Apenas as proposições II, III e IV. e) Apenas as proposições I, II e V. 11. A respeito dos diversos institutos de direito processual penal, assinale a opção correta. a) O princípio constitucional da inviolabilidade das comunicações é absoluto, razão pela qual viola o sigilo de correspondência a mera menção, no julgamento em plenário do júri, ao conteúdo de cartas legalmente interceptadas, ainda que relacionadas ao fato criminoso. b) Os prazos previstos na lei processual penal devem ser somados de forma aritmética a fim de ser reconhecida a coação ilegal à liberdade de locomoção em razão de eventual excesso. 127 127 Direito Atualidades Processual Penal

128 128 Direito Processual Penal Atualidades c) O julgamento da lide cabe ao juiz, titular ou substituto, que concluir a audiência, salvo se convocado, licenciado, afastado por qualquer motivo, promovido ou aposentado, casos em que deverá passar os autos ao seu sucessor. d) A mera correção, de ofício, de erro material na sentença condenatória, em prejuízo do condenado, quando feito em recurso exclusivo da defesa, não constitui reformatio in pejus. e) É necessário que o réu que se livra solto seja pessoalmente intimado da sentença condenatória, não bastando que o seja o seu defensor constituído. 12. Assinale a alternativa CORRETA. O princípio da publicidade garante: a) A realização de determinado ato processual a portas fechadas, limitando-se o número de pessoas presentes. b) O acesso de qualquer advogado aos elementos de prova já documentados e produzidos na fase investigatória. c) A produção de provas numa só audiência, podendo ser indeferidas as irrelevantes ou protelatórias. d) O uso do habeas corpus por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público. 13. Acerca das disposições constitucionais aplicáveis ao direito processual penal, assinale a opção correta. a) De acordo com a jurisprudência do STF, pode o juiz presidente do tribunal do júri reconhecer a atenuante genérica da confissão espontânea, ainda que não tenha sido debatida no plenário. b) Não conflita com a CF norma legal que atribua à Receita Federal do Brasil o afastamento do sigilo de quaisquer dados relativos ao contribuinte c) A jurisprudência do STF admite o uso de prova obtida fortuitamente por meio de interceptação telefônica licitamente conduzida, desde que o crime descoberto, conexo ao que foi objeto da interceptação, não seja punido apenas com detenção. d) Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que para fins lícitos, não se incluindo entre estes, por exemplo, a defesa, em espaços públicos, da legalização das drogas. e) O preceito constitucional segundo o qual a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito não autoriza o STF a determinar ao STJ o exame imediato de pedido de liminar formulado em habeas corpus, sob o argumento de inércia da Corte Superior. Julgue os itens que se seguem, referentes ao direito processual penal. 14. Decorrem do princípio do devido processo legal as garantias procedimentais não expressas, tais como as relativas à taxatividade de ritos e à integralidade do procedimento. 15. Da identidade física do juiz. Recebimento da denúncia. Citação do acusado. Instrução. Sentença. Assim: a) O despacho do juiz, após o recebimento da denúncia ou queixa, ordenando a citação do acusado para responder à acusação no prazo de 10 (dez) dias, obriga-o proferir sentença; b) O despacho do juiz ordenando a intimação do acusado, de seu defensor e do Ministério Público, para a audiência de instrução, obriga-o proferir sentença; c) Os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa obrigam o juiz que presenciou a colheita da prova proferir sentença; d) A resposta do acusado, decorrente da citação ordenada pelo juiz que recebe a denúncia, obriga-o proferir sentença. 16. O princípio constitucional que assegura ao acusado o direito de ampla defesa, em processo em que seja assegurada a igualdade das partes, denomina-se princípio a) do juiz natural. b) do estado de inocência. c) da verdade real. d) da obrigatoriedade. e) do contraditório. 17. Na precisa lição de Canotilho: a ideia de reserva de jurisdição implica a reserva de juiz relativamente a determinados assuntos. Em sentido rigoroso, reserva de juiz significa que em determinadas matérias cabe ao juiz não apenas a última palavra, mas também a primeira (CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 7ª edição, Almedina, 2003, p.664). Leia as afirmativas e marque a opção correta: I. Para o STF a cláusula constitucional da reserva de jurisdição incide sobre determinadas matérias, a saber: a busca domiciliar (CF, art. 5º, XI), a interceptação telefônica (CF, art. 5º, XII) e a decretação da prisão de qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de flagrância (CF, art. 5º, LXI). A reserva de jurisdição traduz a noção de que, nesses temas específicos, assiste ao Poder Judiciário não apenas o direito de proferir a última palavra, mas, sobretudo, a prerrogativa de dizer, desde logo, a primeira palavra, excluindo-se, desse modo, por força e autoridade do que dispõe a própria Constituição, a possibilidade do exercício de iguais atribuições, por parte de quaisquer outros órgãos ou autoridades do Estado. II. Para significativa parte da doutrina a cláusula da reserva de jurisdição tem maior amplitude ficando na exclusiva esfera do judiciário a deliberação não só sobre temas como a busca domiciliar (CF, art. 5º, XI), a interceptação telefônica (CF, art. 5º, XII) e a decretação da prisão de qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de flagrância (CF, art. 5º, LXI), como também os sigilos bancário, fiscal e telefônico.

III. Para o STF, a cláusula de reserva de jurisdição não alcança o sigilo telefônico. IV. Os poderes de investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) não estão limitados pela cláusula de reserva de jurisdição já que o art. 58 3 da CRF/88 dispõe que elas terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas II e III estão corretas. c) Apenas III e IV estão corretas d) Apenas a I está correta. e) Apenas a I, II e III estão corretas. Segundo De Plácido e Silva, os princípios jurídicos, sem dúvida, significam os pontos básicos, que servem de ponto de partida ou de elementos vitais do próprio Direito. Indicam o alicerce do Direito. (Vocabulário Jurídico. 28 ed. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2009. p. 1091) 18. Tendo em mira o trecho acima transcrito, mormente os seus conhecimentos sobre a matéria, julgue as proposições a seguir: I. Decorre do princípio da presunção de inocência a imputação do ônus da prova à acusação. II. Em razão do princípio da soberania dos veredictos, não pode o Tribunal reformar a decisão, apenas designar um novo júri. III. O Juiz deve ser previamente designado previamente, por lei, sendo vedado o Tribunal de Exceção, conforme preleciona o princípio do Juiz Natural. IV. De toda alegação fática ou de direito e das provas apresentadas tem o adverso o direito de se manifestar, tendo em vista o que preleciona o princípio do contraditório. a) Todas as proposições estão corretas. b) Todas as proposições estão incorretas. c) As proposições II, III e IV estão corretas. d) As proposições I, II e III estão corretas. e) As proposições I, III e IV estão corretas. 19. Os princípios constitucionais aplicáveis ao processo penal incluem a) a publicidade. b) a verdade real. c) a identidade física do juiz. d) o favor rei. e) a indisponibilidade. 20. A regra que, no processo penal, atribui à acusação, que apresenta a imputação em juízo através de denúncia ou de queixa- crime, o ônus da prova é decorrência do princípio a) do contraditório. b) do devido processo legal. c) do Promotor natural. d) da ampla defesa. e) da presunção de inocência. 01 E 11 C 02 B 12 A 03 CERTO 13 A 04 C 14 CERTO 05 CERTO 15 C 06 ERRADO 16 E 07 C 17 E 08 C 18 D 09 A 19 A 10 B 20 E 129 129 Direito Atualidades Processual Penal

ÍNDICE Lei de Discriminação Racial Lei 7.716/89...196 Estatuto do Idoso: dos Crimes Lei 10.741/03...197 Apresentação e uso de Documento de Identificação Pessoal Lei 5.553/68...199 Estatuto da Criança e do Adolescente...206 Lei 9.034/95 Lei Das Organizações Criminosas...217 Lei dos Juizados Especiais Criminais Lei 9.099/95...222 Lei das Contravenções Penais Decreto-Lei 3.688/41...231 LEI DOS CRIMES AMBIENTAIS 9.605/98...241 Decreto nº 5.948, de 26 de Outubro de 2006...248 130 LEIS ESPECIAIS

CAPÍTULO 01 Lei de Discriminação Racial Lei 7.716/89 Introdução A presente lei define os crimes de preconceito de raça e cor, conforme expressão utilizada na própria lei, no entanto, com alteração posterior, o artigo primeiro da lei, amplia esse rol para tratar também para etnia, religião ou procedência nacional. Mandado expresso de criminalização/penalização: O crime de racismo encontra previsão e citações em várias passagens constitucionais, entendendo- -se como mandado expresso de penalização porque a própria Constituição Federal já previa a conduta de racismo como crime, logo não poderia o legislador ordinário tratar a matéria de outra maneira. Essa previsão encontra respaldo principalmente no art. 5 XLII, mas também pode ser entendido nos arts 1 III, 3 IV e 4 II e VIII, todos da Constituição Federal. Art. 1º : A República Federativa do Brasil (...) tem como fundamentos: III. a dignidade da pessoa humana; Art. 3º IV: Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV. promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (grifo nosso). Art. 4º : A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: II. prevalência dos direitos humanos; VIII. repúdio ao terrorismo e ao racismo; E por último e mais importante deles, art. 5º XLII: A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; Inafiançável = Não se admite a fiança para concessão da liberdade provisória, vale ressaltar que é possível a liberdade provisória sem fiança. Imprescritível = Poderá ser punido a qualquer tempo, não cabendo a causa extintiva da punibilidade pela prescrição. De acordo com a Constituição Federal são imprescritível apenas o racismo e ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. Pena de Reclusão = O legislador ordinário não poderia cominar penas diferentes de reclusão por causa da previsão constitucional. Art. 1º da lei de discriminação racial: Serão punidos, na forma desta lei, os crimes resultantes de: Discriminação (é o ato de separar, segregar ou diferenciar pessoas, animais ou coisas, no caso da lei trata-se apenas de pessoas) ou preconceito (é a opinião formada precipitadamente e, normalmente, de forma negativa/pejorativa) Além de ser discriminação ou preconceito, essa discriminação ou preconceito tem que serem voltados a: Raça, Cor, Etnia, Religião ou Procedência Nacional Esses requisitos tratados no artigo 1 servirão como norte para praticamente todas as condutas previstas na lei, ou seja, os crimes previstos nessa lei dependem do dolo do agente voltado para esses tipos de discriminação ou preconceito. Outras formas de discriminação Discriminação resultante de sexo ou estado civil são tratados pela lei 7437/85, como nessa lei as penas cominadas não são de reclusão, entende parte da doutrina que ela é inconstitucional. Discriminação resultante de deficiência física ou mental são tratadas pela lei 7853/89. Crimes em espécie Art. 3º Impedir ou obstar o acesso a alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da administração direta ou indireta, bem como em concessionárias de serviço público. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, obstar a promoção funcional. Crime formal Independe do prejuízo causado à vítima. Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada. 1º - Condutas equiparadas: I. Deixar de conceder os equipamentos necessários em igualdade de condições II. Impedir a ascensão funcional do empregado. III. Proporcionar ao empregado tratamento diferenciado no ambiente de trabalho, especialmente quanto ao salário. 2º Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento de trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas atividades não justifiquem essas exigências. Pena: reclusão de dois a cinco anos. Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador. Pena: reclusão de um a três anos. Leis Especiais 131

132 Leis Especiais Art. 6º Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino público ou privado de qualquer grau. Pena: reclusão de três a cinco anos. Causa de aumento de pena Se o crime for praticado contra menor de dezoito anos a pena é agravada de 1/3 (um terço). Art. 7º Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel (períodos pré-determinados), pensão (períodos indeterminados), estalagem, ou qualquer estabelecimento similar (interpretação analógica albergue). Pena: reclusão de três a cinco anos. Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público (cafeteria, sorveteria). Pena: reclusão de um a três anos. Art. 9º Impedir o acesso ou recusar atendimento em estabelecimentos esportivos, casas de diversões (espetáculos, circo, cinema), ou clubes sociais abertos ao público (não abrange clubes privativos a sócios). Pena: reclusão de um a três anos. A mera interpelação para apresentação de ingresso não caracteriza discriminação racial nesse artigo. Art. 10. Impedir o acesso ou recusar atendimento em salões de cabelereiros, barbearias, termas ou casas de massagem ou estabelecimento com as mesmas finalidades. Pena: reclusão de um a três anos. Art. 11. Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou escada de acesso aos mesmos: Pena: reclusão de um a três anos. A mera exigência de ingressos em prédios em geral pela porta de serviço, em relação às pessoas que estão promovendo entregas e realizando obras ou trabalhos específicos a moradores e demais ocupantes do edifício não configura o crime. É fundamental que haja o intuito de discriminação racial. Guilherme de Souza Nucci Art. 12. Impedir o acesso ou uso de transportes públicos, como aviões, navios barcas, barcos, ônibus, trens, metrô ou qualquer outro meio de transporte concedido (táxi). Pena: reclusão de um a três anos. Art. 13. Impedir ou obstar o acesso de alguém ao serviço (remunerado ou não) em qualquer ramo das Forças Armadas (PM e Bombeiro). Pena: reclusão de dois a quatro anos. Art. 14. Impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, o casamento ou convivência familiar e social. Pena: reclusão de dois a quatro anos. Efeitos da condenação Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três meses. Os efeitos não são automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença. Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Pena: reclusão de um a três anos e multa. 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa. 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza: Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa. 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: I. o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo; II. a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas. III. a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores. 4º Na hipótese do 2º, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido. Estatuto do Idoso: dos Crimes Lei 10.741/03 Introdução A presente seção tratará dos crimes praticados contra os idosos previstos no estatuto dos idosos, ao final da aula você será capaz de identificar as condutas que estão previstas como crime e diferenciá-las entre si, de forma que o entendimento da lei fique amplo.

Estatuto do Idoso: Considerações Gerais Art. 93. Aplicam-se subsidiariamente, no que couber, as disposições da lei 7.347, de 24 de julho de 1985. Esse artigo trata da aplicação subsidiária da lei de ação civil pública ao Estatuto do Idoso, a lei de ação civil pública trata da ação intentada pelo ministério público quando se tratar de direitos coletivos e difusos. Idoso: Prevê o art. 1º que o estatuto do idoso é destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Em relação ao benefício para o transporte, o estatuto considera o benefício apenas aos maiores de 65 anos A prescrição pela metade do tempo prevista pelo código penal se estende aos menores de 21 anos à data da conduta delitiva e aos maiores de 70 anos na data da sentença. Art. 94. Aos crimes previstos nesta lei, cuja pena máxima privativa de liberdade não ultrapasse 4 (quatro) anos, aplica-se o procedimento previsto na lei 9.099, de 26 de setembro de 1995, e, subsidiariamente, no que couber, as disposições do código penal e do código de processo penal. (grifo nosso) A lei 9.099/95 trata dos juizados especiais criminais e trouxe uma série de medidas despenalizadoras, no entanto, a lei dos juizados é aplicável aos crimes de menor potencial ofensivo, sendo estes todas as contravenções e os crimes cuja pena máxima não ultrapasse dois anos. Fácil perceber a contradição entre as duas leis, no sentido de que as medidas despenalizadoras são aplicadas apenas aos crimes com penas máximas até 02 anos e no caso do estatuto do idoso que, diga-se de passagem veio para proteger aos idosos, essa idade é aumentada para 04 anos para aqueles que praticam algum crime contra os idosos. Essa interpretação seria absurda. Portanto, o STF no julgamento da ADI 3096/10 entendeu que nos crimes contra o idoso se aplica somente o procedimento previsto pela lei 9.099/95, não se aplicando os institutos despenalizadores previsto pela lei dos juizados especiais. Todavia, se o crime contra o idoso for com pena máxima não superior a dois anos, estará de acordo com a regra geral e será de menor potencial ofensivo, portanto, aplicar-se-á a lei dos juizados. Art. 95. Os crimes definidos nesta lei são de ação penal pública incondicionada, não se lhes aplicando os arts. 181 e 182 do Código Penal. Para os crimes definidos no Estatuto do Idoso, não é necessário que o idoso manifeste sua vontade no sentido de que o Estado possa agir em direção a punição do agente (persecução criminal). Nesses casos, o Estado poderá agir de ofício, seja na figura no Delegado iniciando um inquérito policial ou na figura do Promotor de Justiça realizando uma denúncia, por isso, o crime do Estatuto do idoso são chamados de ação penal pública incondicionada. O código Penal prevê em seus artigos 181 e 182 as chamadas escusas absolutórias: Código penal Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo: I. do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; II. de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido em prejuízo: I. do cônjuge desquitado ou judicialmente separado; II. III. de irmão, legítimo ou ilegítimo; de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita. Escusas absolutórias são situações que ocorrem nos crimes contra o patrimônio que o código penal isenta de pena os agentes do crime por causa do vínculo existente com a vítima (art. 181) e transforma em condicionada a representação quando o vínculo é de menor relevância (art. 182). No entanto essas situações não são cabíveis quando se trata de vítima idosa, pois o próprio código penal já trouxe essa previsão no art. 183 (alterado pelo estatuto do idoso) e o estatuto do idoso em seu artigo 95 confirmou a exceção. Crimes em espécie Art. 96. Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade: Pena reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. 1º Na mesma pena incorre quem desdenhar, humilhar, menosprezar ou discriminar pessoa idosa, por qualquer motivo. Causa de Aumento de Pena (1/3) A pena será aumentada de 1/3 (um terço) se a vítima se encontrar sob os cuidados ou responsabilidade do agente. Leis Especiais 133

134 Leis Especiais Art. 97. Deixar de prestar assistência ao idoso, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, em situação de iminente perigo, ou recusar, retardar ou dificultar sua assistência à saúde, sem justa causa, ou não pedir, nesses casos, o socorro de autoridade pública: Pena detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte. Os resultados lesão corporal e morte deverão advir de culpa, caso advenham de dolo, responderá o agente pelos delitos de homicídio e lesão corporal. Art. 98. Abandonar o idoso em hospitais, casas de saúde, entidades de longa permanência, ou congêneres, ou não prover suas necessidades básicas, quando obrigado por lei ou mandado ( art. 1694 e seguintes, CC): Pena detenção de 6 (seis) meses a 3 (três) anos e multa. Neste tipo está previsto o abando material e não o abandono afetivo. Art. 99. Expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado: Pena detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa. 1º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 2º Se resulta a morte: Pena reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. Art. 100. Constitui crime punível com reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa: I. obstar o acesso de alguém a qualquer cargo público por motivo de idade; II. negar a alguém, por motivo de idade, emprego ou trabalho; III. recusar, retardar ou dificultar atendimento ou deixar de prestar assistência à saúde, sem justa causa, a pessoa idosa; IV. deixar de cumprir, retardar ou frustrar, sem justo motivo, a execução de ordem judicial expedida na ação civil a que alude esta Lei; V. recusar, retardar ou omitir dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil objeto desta Lei, quando requisitados pelo Ministério Público. Art. 101. Deixar de cumprir, retardar ou frustrar, sem justo motivo, a execução de ordem judicial expedida nas ações em que for parte ou interveniente o idoso: Pena detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. Art. 102. Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão ou qualquer outro rendimento do idoso, dando-lhes aplicação diversa da de sua finalidade: Pena reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa. Art. 103. Negar o acolhimento ou a permanência do idoso, como abrigado, por recusa deste em outorgar procuração à entidade de atendimento: Pena detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. Art. 104. Reter o cartão magnético de conta bancária relativa a benefícios, proventos ou pensão do idoso, bem como qualquer outro documento com objetivo de assegurar recebimento ou ressarcimento de dívida: Pena detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa. Art. 105. Exibir ou veicular, por qualquer meio de comunicação, informações ou imagens depreciativas ou injuriosas à pessoa do idoso: Pena detenção de 1 (um) a 3 (três) anos e multa. Art. 106. Induzir pessoa idosa sem discernimento de seus atos a outorgar procuração para fins de administração de bens ou deles dispor livremente: Pena reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. Art. 107. Coagir, de qualquer modo, o idoso a doar, contratar, testar ou outorgar procuração: Pena reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. Art. 108. Lavrar ato notarial que envolva pessoa idosa sem discernimento de seus atos, sem a devida representação legal: Pena reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. Art. 109. Impedir ou embaraçar ato do representante do Ministério Público ou de qualquer outro agente fiscalizador: Pena reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. Apresentação e uso de Documento de Identificação Pessoal Lei 5.553/68 Introdução A referida lei traz as vedações a retenção de documento de identificação pessoal, constituindo infração penal sua retenção dolosa, no entanto a própria lei traz as exceções em que o documento poderá ser retido.

Disposições gerais Vedação a retenção de qualquer documento de identificação pessoal (seja o próprio documento, a fotocópia autenticada ou a pública-forma, entendida esta como a cópia autêntica de um documento feita por um tabelião) A vedação a retenção abrange a retenção feita por pessoa física ou jurídica, seja de direito público ou privado. Documentos equiparados pela própria lei: Comprovante de quitação com o serviço militar (certificado de reservista) Título de eleitor Carteira profissional Certidão de registro do nascimento Certidão de casamento Comprovante de naturalização Carteira de identidade de estrangeiro Este rol é exemplificativo, podendo valer como documento de identificação qualquer outro previsto em lei, como, por exemplo, a carteira de motorista e a carteira profissional da OAB. Art. 1º A nenhuma pessoa física, bem como a nenhuma pessoa jurídica, de direito público ou de direito privado, é lícito reter qualquer documento de identificação pessoal, ainda que apresentado por fotocópia autenticada ou pública-forma, inclusive comprovante de quitação com o serviço militar, título de eleitor, carteira profissional, certidão de registro de nascimento, certidão de casamento, comprovante de naturalização e carteira de identidade de estrangeiro. Exceções: A vedação a retenção é a regra geral que possui exceções, sendo a primeira delas o caso em que o documento de identificação for indispensável para a entrada de pessoa em órgão público ou particular. Nesse caso, o dados do documento serão anotados e o documento será IMEDIATAMENTE devolvido. Art. 2º 2º - Quando o documento de identidade for indispensável para a entrada de pessoa em órgãos públicos ou particulares, serão seus dados anotados no ato e devolvido o documento imediatamente ao interessado. Além disso, tem-se a exceção da necessidade do documento para realização de determinado ato. Nesse caso, a pessoa que fizer a exigência extrairá os dados que interessarem, no prazo de 05 dias, em seguida devolvendo o documento ao seu exibidor. Art. 2º Quando, para a realização de determinado ato, for exigida a apresentação de documento de identificação, a pessoa que fizer a exigência fará extrair, no prazo de até 5 (cinco) dias, os dados que interessarem devolvendo em seguida o documento ao seu exibidor. Para ultrapassar esse prazo de 05 dias, somente com autorização judicial. Art. 2º 1º - Além do prazo previsto neste artigo, somente por ordem judicial poderá ser retirado qualquer documento de identificação pessoal. Na lei das contravenções penais, o artigo 68 se assemelha à infração penal prevista nesta lei, a saber: Art. 68. Recusar à autoridade, quando por esta, justificadamente solicitados ou exigidos, dados ou indicações concernentes à própria identidade, estado, profissão, domicílio e residência: Pena multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Parágrafo único. Incorre na pena de prisão simples, de um a seis meses, e multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis, se o fato não constitui infração penal mais grave, quem, nas mesmas circunstâncias, faz declarações inverídicas a respeito de sua identidade pessoal, estado, profissão, domicílio e residência. Pena prisão simples, de três meses a um ano. No entanto, esta contravenção traz a situação contrária à da lei de identificação pessoal. Pois no artigo 68, o agente se fornecer dados necessários à sua identificação (normalmente nega o documento), vale lembrar que no caso do artigo 68 da lei das contravenções penais, as informações são solicitadas de forma justificada e na contravenção da lei 5553/68, a retenção não pode estar justificada. Infração praticada por preposto Quando a infração for praticada por preposto (agente que recebe ordens) ou por agente de pessoa jurídica, será considerado responsável quem deu a ordem de retenção. No entanto, se houver desobediência ou inobservância de ordens por parte do preposto ou agente de pessoa jurídica, este será considerado o infrator. Art. 3 Parágrafo único. Quando a infração for praticada por preposto ou agente de pessoa jurídica, considerar-se-á responsável quem houver ordenado o ato que ensejou a retenção, a menos que haja, pelo executante, desobediência ou inobservância de ordens ou instruções expressas, quando, então, será este o infrator. Infração penal A retenção de documento de identificação pessoal sem previsão legal constitui contravenção penal com pena de prisão simples (sem rigor penitenciário) de 01 a 03 meses ou multa Leis Especiais 135

136 Leis Especiais Prevê a lei que a multa será no valor de NCR$ 0,50 (cinquenta centavos) a NCR$ 3,00 (três cruzeiros novos). No entanto, o art. 2 da lei 7209/84 que alterou toda a parte geral do código penal revogou toda previsão expressa relativa a multas, de forma que a multa será calculada de acordo com o código penal. Primeiro se calcula a quantidade de dias-multa (de 10 a 360 dias-multa) e depois se calcula o valor do dia-multa (de 1/30 avos até 5 vezes o salário mínimo vigente) podendo ainda ser triplicada se não for suficiente. 01. Nos termos da Lei n.º 5.553/1968, a retenção injustificada de qualquer documento de identificação pessoal a) constitui contravenção penal. b) constitui crime. c) constitui infração administrativa, apenas. d) constitui crime e infração administrativa. e) não constitui qualquer infração se apresentado por fotocópia autenticada. RESPOSTA. A A questão trata da literalidade do artigo 3 da lei 5553/68, portanto, a retenção dolosa constitui contravenção penal. Art. 3º Constitui contravenção penal, punível com pena de prisão simples de 1 (um) a 3 (três) meses ou multa de NCR$ 0,50 (cinquenta centavos) a NCR$ 3,00 (três cruzeiros novos), a retenção de qualquer documento a que se refere esta Lei. Outras Infrações Relativas A Retenção De Documentos Se a retenção tem a finalidade de reter a pessoa no local de trabalho, a infração praticada será a de redução à condição análoga a de escravo (art. 149 $ 1, II, CP). Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) 1º Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) I. cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) II. mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) Se a retenção tem a finalidade de impedir que alguém se desligue de serviços de qualquer natureza, a infração praticada será a de frustação de direito assegurado por lei trabalhista (art. 203, $ 1, I CP). Art. 203 - Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do trabalho: Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, de dois contos a dez contos de réis, alem da pena correspondente à violência. Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) 1º Na mesma pena incorre quem: (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) I. obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida; (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) II. impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da retenção de seus documentos pessoais ou contratuais. 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental. 01. Considerando as disposições contidas no CP e na doutrina, bem como nas Leis n.º 11.340/2006 Lei Maria da Penha e n.º 7.716/1989, que trata dos crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor, etnia, religião ou procedência nacional, assinale a opção correta. a) Considere que Mauro, irritado com a demora no andamento da fila do caixa de um supermercado, tenha proferido xingamentos direcionados à atendente do caixa, atribuindo a demora no atendimento à inferioridade intelectual que, segundo ele, era característica intrínseca da raça a que a moça pertencia. Nessa situação, Mauro deve ser acusado de crime de racismo, previsto na legislação específica, por ter negado à funcionária, por motivo racial, o direito de trabalho no comércio. b) Ficará isento de pena o querelado que, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória, ainda que após a sentença de primeiro grau, se retrate cabalmente de calúnia ou difamação. c) O MP não deve intervir nas causas cíveis decorrentes de violência doméstica e familiar contra a mulher, salvo quando for parte, sendo, contudo, obrigatória sua intervenção nas causas criminais que envolvam violência contra a mulher.

d) Suponha que, durante uma discussão, Josefa agrida fisicamente Joana, com quem mantenha relacionamento amoroso durante longo tempo. Suponha, ainda, que Joana sofra lesões leves e que Josefa seja processada e condenada pelo crime, com base no CP, a pena privativa de liberdade de dois anos. Nessa situação, sendo a pena inferior a quatro anos e presentes os demais requisitos legais, cabe, a critério do juiz, a substituição da pena privativa de liberdade por pena de doações mensais de cestas básicas, se o entender suficiente para a reprovação da conduta. e) Pratica o denominado crime exaurido o agente que, mesmo após atingir o resultado pretendido, continua a agredir o bem jurídico protegido pela norma penal. 02. Com relação aos delitos de preconceito e de lavagem de dinheiro e dos delitos contra o sistema financeiro nacional, julgue os próximos itens. O crime de racismo praticado por meio da rede mundial de computadores consuma-se no local onde sejam recebidas as manifestações racistas. 03. Com relação aos delitos de preconceito, julgue o próximo item. O fato de um empresário, por preconceito em relação à cor de determinado empregado, impedir a sua ascensão funcional na empresa, configurará delito contra a organização do trabalho, e não crime resultante de preconceito. 04. NÃO constitui crime previsto na Lei nº 7.716/1989, que tipifica os ilícitos resultantes de preconceito: a) Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público. b) Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou escada de acesso aos mesmos. c) Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. d) Ofender ou ameaçar alguém, por palavra, gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar- lhe mal injusto e grave, em virtude de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. 05. A respeito dos crimes de preconceito racial (Lei n.º 7.716/1989) e contra a pessoa, assinale a opção correta. a) O delito de rixa resta configurado ainda que definida a posição dos contendores, não respondendo pela forma qualificada desse delito o participante que sofra lesão grave, sob pena de caracterização de bis in idem. b) Suponha que o diretor de recursos humanos de uma concessionária de serviço público obste, por discriminação religiosa, a promoção funcional de um subordinado seu. Nesse caso, o referido diretor não praticará conduta penalmente típica, mas infração, a ser apurada no âmbito administrativo. c) No crime de homicídio, é impossível a coexistência da qualificadora do motivo torpe com qualquer atenuante inserida na parte geral do CP, não podendo estas, assim, concorrer no mesmo fato. d) Por incompatibilidade axiológica e por falta de previsão legal, o homicídio qualificado-privilegiado não integra o rol dos denominados crimes hediondos. e) Para a configuração penal do delito de injúria, não se exige o elemento subjetivo consistente no dolo de ofender na modalidade de dolo específico, sendo suficiente, para a caracterização da figura típica, a presença do chamado dolo genérico. 06. Lauro é proprietário de uma lanchonete. Admitia em seu estabelecimento a frequência de pessoas da raça negra, mas recusava-se a servi-las. A conduta de Lauro a) só configura crime de discriminação racial se colocar em situação vexatória a freguesia. b) não configura crime de discriminação racial, pois Lauro admitia em seu estabelecimento a frequência de pessoas da raça negra. c) não configura crime de discriminação racial, pois Lauro é livre para servir a clientela de acordo com as suas preferências. d) configura modalidade de crime de discriminação racial. e) só configura crime de discriminação racial se a conduta for ostensiva e houver solicitação expressa de atendimento por quem esteja nessa situação. 07. Tendo em vista a tutela penal relativa aos crimes raciais, analise as seguintes afirmações: I. A lei brasileira trata igualmente o preconceito derivado de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. II. A lei brasileira pune qualquer tipo de preconceito, inclusive quando derivado de culpa. III. A lei brasileira dá prevalência à proteção aos grupos historicamente estigmatizados pelo preconceito e discriminação raciais. a) Apenas a afirmativa I é correta. b) Todas as afirmativas são incorretas. c) As afirmativas I e III são incorretas. d) Apenas a afirmativa II é incorreta. e) As afirmativas II e III são corretas. Leis Especiais 137

138 Leis Especiais 08. Com base nos delitos em espécie, julgue os próximos itens. Considere que uma jovem atriz negra atue em campanha televisiva promovida por órgão público para a prevenção da AIDS, transmita a seguinte mensagem: eu peço ao meu último parceiro que faça um teste. Nessa situação, ainda que não tenha havido a intenção de associar a disseminação da doença à raça negra, restam violados os direitos à imagem da mulher negra brasileira, o que configura, em tese, crime de racismo. 09. Analise as seguintes afirmativas sobre leis penais especiais e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas. ( ) Quem nega atendimento, em estabelecimento comercial aberto ao público, a um grupo de turistas pernambucanos, ao argumento de que os nordestinos formam uma sub-raça, responde por crime contra a honra, não se submetendo à lei que define crimes resultantes de preconceito de raça e de cor (Lei n. 7.716/89). ( ) Nos crimes falimentares (Lei n. 11.101/05), a declaração da falência é termo inicial da prescrição ou, conforme o caso, causa de sua interrupção. ( ) Nos casos de violação de direitos de autor de programa de computador (Lei n. 9.609/98), se se tratar de reprodução parcial não autorizada, para fins de comércio, somente se procede mediante queixa, sem prejuízo de ação pública em relação a crimes contra a ordem tributária eventualmente conexos. ( ) A lei que dispõe sobre os crimes de lavagem de valores (Lei 9.613/98) prevê a responsabilidade penal das pessoas jurídicas que exerçam atividade de compra e venda de moeda estrangeira como instrumento cambial. Assinale a alternativa que apresenta a sequência de letras CORRETA. a) (V) (V) (F) (F) b) (F) (V) (F) (F) c) (V) (F) (V) (V) d) (F) (F) (V) (V) 10. A respeito da Lei nº 7.716, de 05/01/1989 e alterações posteriores, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, considere: I. A perda do cargo constitui efeito automático da condenação por crime resultante de preconceito de raça ou de cor praticado por servidor público. II. Constitui crime punido com reclusão de dois a cinco anos e multa, fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. III. A suspensão do funcionamento do estabelecimento particular pelo prazo de três meses constitui efeito automático da condenação por crime resultante de preconceito de raça ou de cor praticado por seu responsável. Está correto o que se afirma SOMENTE em: a) III. b) e II. c) I e III. d) II e III. e) II. 11. É crime de preconceito, definido na Lei n.º 7.716/89: a) impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso. b) ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave. c) reduzir alguém à condição análoga à de escravo, submetendo- lhe a trabalhos forçados. d) impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou escada de acesso aos mesmos. 12. No tocante aos crimes resultantes de preconceitos, de raça ou de cor, pode-se afirmar que (Lei nº 7.716/89): a) não constitui efeito da condenação a perda de cargo ou função pública para o servidor público que for sujeito ativo do crime. b) a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três meses constitui um efeito da condenação automático, pois não deve ser motivadamente declarado por sentença. c) não se considera crime fabricar distintivo que utilize a cruz suástica para fins de divulgação do nazismo. d) no caso de prática de discriminação ou preconceito de raça por intermédio de publicação de qualquer natureza, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado a decisão, a destruição do material apreendido. e) no crime de negar ingresso de aluno em estabelecimento público ou privado de qualquer grau, não há agravamento de pena quando praticado contra menor de 18 anos. 13. Em cada um dos itens a seguir, é apresentada uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Pedro pediu em casamento Carolina, que tem 16 anos de idade, e ela aceitou. O pai de Carolina, porém, negou-se a autorizar o casamento da filha, pelo fato de o noivo ser negro. Todavia, para não ofender Pedro, solicitou a Carolina que lhe dissesse que o motivo da sua recusa era o fato de ele ser ateu. Nessa situação, o pai de Carolina cometeu infração penal.

14. Leia e analise os itens abaixo: I. É crime negar ou obstar emprego em empresa privada, punível com a pena de reclusão de dois a cinco anos, resultante de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. II. No crime de negação, sem justa causa, de emprego ou trabalho à pessoa com deficiência o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa com poder para realizar a conduta típica, desde que detenha cargo de direção na empresa. III. Constitui crime punível com reclusão de seis meses a um ano e multa negar a alguém, por motivo de idade, emprego ou trabalho, segundo o Estatuto do Idoso. Marque a alternativa CORRETA: a) todos os itens são corretos; b) apenas os itens I e II são corretos; c) apenas os itens I e III são corretos; d) apenas os itens II e III são corretos; e) não respondida. 15. Acerca da aplicação do direito penal e do entendimento jurisprudencial firmado nos tribunais superiores, julgue o item seguinte. Aos crimes previstos no Estatuto do Idoso são vedadas a aplicação das medidas despenalizadoras da composição civil dos danos e da transação, bem como a incidência das imunidades penais absolutas ou escusas absolutórias. 16. Relativamente ao Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), analise as afirmativas a seguir: I. O Estatuto do Idoso é destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 65 (sessenta e cinco) anos. II. Os crimes definidos no Estatuto do Idoso são de ação penal pública incondicionada, não se lhes aplicando os arts. 181 e 182 do Código Penal. III. Aos crimes previstos no Estatuto do Idoso, cuja pena máxima privativa de liberdade não ultrapasse 2 (dois) anos, aplica-se o procedimento previsto na Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, e, subsidiariamente, no que couber, as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal. Assinale: a) se somente a afirmativa I estiver correta. b) se somente a afirmativa II estiver correta. c) se somente a afirmativa III estiver correta. d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. e) se todas as afirmativas estiverem corretas. 17. Analise as seguintes afirmativas sobre alguns crimes. I. Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou dependências e elevadores ou escada de acesso aos mesmos. II. Deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa. III. Negar a alguém, por motivo de idade, emprego ou trabalho. Podemos afirmar que todos os crimes acima descritos estão previstos nas Leis: a) de Abuso de Autoridade, e na de Proteção ao Idoso. b) Contra o Racismo, na Lei da Anistia, e na Lei de Proteção ao Idoso. c) Contra o Racismo, na Lei sobre Abuso de Autoridade, e na Lei de Proteção ao Idoso. d) de Proteção ao Idoso, na Lei sobre Abuso de Autoridade e na Lei Contra Tortura. 18. A respeito dos crimes praticados contra a criança e o adolescente, contra o meio ambiente e daqueles previstos no Estatuto do Idoso, julgue os itens a seguir. Constitui crime de menor potencial ofensivo abandonar injustificadamente pessoa idosa em hospital ou casa de saúde. 19. Josimar pretende entrar em prédio público, em que é indispensável a apresentação de documento de identidade e exibe ao funcionário responsável sua carteira profissional. Nesse caso, o funcionário a) poderá reter o documento, que será devolvido ao interessado prazo máximo de dez dias. b) deverá reter o documento do interessado durante todo o período em que estiver no interior do prédio. c) deverá anotar seus dados no ato e devolver imediatamente o documento ao interessado. d) só poderia reter o documento se Josimar tivesse apresentado fotocópia autenticada. e) poderá reter o documento por até oito dias, se verificar que Josimar ainda não está cadastrado. Leis Especiais 139

140 Leis Especiais Com relação à legislação especial, julgue o item a seguir. 20. A nenhuma pessoa física, bem como a nenhuma pessoa jurídica, de direito público ou de direito privado, é lícito reter qualquer documento de identificação pessoal, ainda que apresentado por fotocópia autenticada ou pública-forma, inclusive comprovante de quitação com o serviço militar, título de eleitor, carteira profissional, certidão de registro de nascimento, certidão de casamento, comprovante de naturalização e carteira de identidade de estrangeiro, exceto para a prática de determinado ato em que for exigida a apresentação de documento de identificação, ocasião em que a pessoa que fizer a exigência fará extrair, no prazo de até dez dias, os dados que interessarem, devolvendo, em seguida, o documento ao seu exibidor. 01 E 11 D 02 E 12 D 03 E 13 C 04 D 14 C 05 D 15 C 06 D 16 B 07 A 17 C 08 E 18 E 09 B 19 B 10 E 20 E

CAPÍTULO 02 Estatuto da Criança e do Adolescente Introdução A lei 8069/90 (estatuto da criança e do adolescente) é uma lei protetiva em relação as crianças e aos adolescente, em se tratando de direito comparado, o nosso estatuto é um dos mais evoluídos do mundo, pois trata de praticamente todos os tópicos relacionados aos menores. Dos Direitos Fundamentais Do Direito à Vida e à Saúde A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam: O nascimento, por isso, será assegurado à gestante, através do Sistema único de saúde (SUS), o atendimento pré- e perinatal e será atendida, preferencialmente, pelo mesmo médico que acompanhou a fase pré-natal e também terá direito ao apoio alimentar e à nutriz que necessitar e apoio psicológico tanto no período de gestação quanto na fase pós natal para prevenção do estado puerperal, sendo a efetivação desses direitos, incumbência do poder público. O apoio psicológico também será prestado às gestantes ou mães que desejam entregar o filho à adoção. O desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência, por isso, o poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a medida privativa de liberdade. É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias. Para efetivação desses direitos, os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, são obrigados a: Manter registro das atividades desenvolvidas, por meio de prontuários individuais, pelo prazo de dezoito anos; Identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital e da impressão digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela autoridade administrativa competente; Proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no metabolismo do recém-nascido, bem como prestar orientação aos pais; Fornecer declaração de nascimento onde constem necessariamente as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato; Manter alojamento conjunto, possibilitando ao neonato a permanência junto à mãe. Em caso de internação do menor (criança ou adolescente), Os estabelecimentos de atendimento à saúde deverão proporcionar condições para a permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais. Já as gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção serão obrigatoriamente encaminhadas à Justiça da Infância e da Juventude. Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade A criança e o adolescente têm direito: À liberdade, que compreende os seguintes aspectos:»» Ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais;»» Opinião e expressão;»» Crença e culto religioso;»» Brincar, praticar esportes e divertir-se;»» Participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação;»» Participar da vida política, na forma da lei;»» Buscar refúgio, auxílio e orientação. Ao respeito que consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais. Leis Especiais 141

142 Leis Especiais E à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis, sendo dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. Dos Produtos e Serviços Este tópico trata de alguns produtos e serviços que são proibidos a menores, a saber: É proibida a venda, à criança ou ao adolescente, de: armas, munições e explosivos; bebidas alcoólicas; produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda que por utilização indevida; fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles que pelo seu reduzido potencial sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida; revistas e publicações com materiais impróprios; bilhetes lotéricos e equivalentes. É proibida a hospedagem de criança ou adolescente em hotel, motel, pensão ou estabelecimento congênere, salvo se autorizado ou acompanhado pelos pais ou responsável. Da Autorização para Viajar Viagens nacionais Em regra, nenhuma criança poderá viajar para fora de sua comarca (normalmente compreendida como a área de um município), desacompanhada dos pais ou responsável, sem expressa autorização judicial. A autoridade judiciária poderá, a pedido dos pais ou responsável, conceder autorização válida por dois anos. No entanto, existem alguns casos que a criança poderá sair da comarca onde reside, são eles: Se for viajar para comarca contígua à de sua residência, sendo que permaneça no mesmo Estado da federação, ou para comarca incluída em região metropolitana. Se estiver acompanhada:»» De ascendente (avós) ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco;»» De pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável. Viagens internacionais Quando falamos em viagens internacionais, a regra é mais rígida, primeiro porque as restrições são extensíveis às crianças e aos adolescentes e também porque diminui as hipóteses de exceções. O primeiro ponto sensível escondido na norma é que a viagem ao exterior também pode se dar por autorização judicial e essa autorização é dispensável se: A criança ou adolescente estiver acompanhada de ambos os pais ou responsável Se a criança ou adolescente viajar na companhia de um dos pais, autorizado expressamente pelo outro através de documento com firma reconhecida. Sem prévia e expressa autorização judicial, nenhuma criança ou adolescente nascido em território nacional poderá sair do País em companhia de estrangeiro residente ou domiciliado no exterior. Do Conselho Tutelar Disposições Gerais O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. O conselho tutelar é órgão não jurisdicional. O conselho tutelar será composto de cinco membros, escolhidos pela população local para mandato de quatro anos, permitida 1 (uma) recondução, mediante um novo processo de escolha. Em cada Município e em cada Região Administrativa do Distrito Federal haverá, no mínimo, 1 (um) Conselho Tutelar como órgão integrante da administração pública local. Para a candidatura a membro do Conselho Tutelar, serão exigidos os seguintes requisitos: reconhecida idoneidade moral;

idade superior a vinte e um anos; residir no município. Art. 134. Lei municipal ou distrital disporá sobre o local, dia e horário de funcionamento do Conselho Tutelar, inclusive quanto à remuneração dos respectivos membros, aos quais é assegurado o direito a: I. cobertura previdenciária; II. III. IV. gozo de férias anuais remuneradas, acrescidas de 1/3 (um terço) do valor da remuneração mensal; licença-maternidade; licença-paternidade; V. ratificação natalina. Parágrafo único. Constará da lei orçamentária municipal e da do Distrito Federal previsão dos recursos necessários ao funcionamento do Conselho Tutelar e à remuneração e formação continuada dos conselheiros tutelares. O exercício efetivo da função de conselheiro constituirá serviço público relevante e estabelecerá presunção de idoneidade moral. Das Atribuições do Conselho São atribuições do Conselho Tutelar: Atender as crianças e adolescentes nas hipóteses em que deva ser aplicado medida de proteção e aplicá-las, salvo inclusão em programa de acolhimento familiar e colocação em família substituta; Atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas aplicáveis aos pais e responsáveis, salvo medidas aplicáveis somente judicialmente (perda da guarda, destituição da tutela, suspensão ou destituição do poder familiar); Promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:»» requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança;»» representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações. Encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente; Encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência; Providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as previstas como medida de proteção (exceto acolhimento institucional, inclusão em programa de acolhimento familiar e colocação em família substituta), para o adolescente autor de ato infracional; Expedir notificações; Requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário; Assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente; Representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previstos no art. 220, 3º, inciso II, da Constituição Federal; Art. 220, 3, inciso II - Estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no Art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente. Representar ao Ministério Público para efeito das ações de perda ou suspensão do poder familiar, após esgotadas as possibilidades de manutenção da criança ou do adolescente junto à família natural. Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar entender necessário o afastamento do convívio familiar, comunicará incontinenti o fato ao Ministério Público, prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências tomadas para a orientação, o apoio e a promoção social da família. As decisões do Conselho Tutelar somente poderão ser revistas pela autoridade judiciária a pedido de quem tenha legítimo interesse. Art. 262. Enquanto não instalados os Conselhos Tutelares, as atribuições a eles conferidas serão exercidas pela autoridade judiciária. Acerca dos procedimentos afetos às crianças e aos adolescentes, julgue os itens seguintes. 01. (CESPE) Enquanto não forem instalados os conselhos tutelares em um município, as atribuições que lhe são conferidas deverão ser realizadas pelo juiz da infância e da juventude. CERTO. De acordo com o artigo 262 do Estatuto da Criança e do Adolescente, enquanto não forem instalados os conselhos tutelares, as atribuições a eles conferidas serão exercidas pela autoridade judiciária, que no caso, é o juiz da infância e da juventude. Leis Especiais 143

144 Leis Especiais Da Competência Aplica-se ao Conselho Tutelar a regra de competência constante do art. 147. Art. 147. A competência será determinada: VI. VII. pelo domicílio dos pais ou responsável; pelo lugar onde se encontre a criança ou adolescente, à falta dos pais ou responsável. 1º. Nos casos de ato infracional, será competente a autoridade do lugar da ação ou omissão, observadas as regras de conexão, continência e prevenção. 2º A execução das medidas poderá ser delegada à autoridade competente da residência dos pais ou responsável, ou do local onde sediar-se a entidade que abrigar a criança ou adolescente. 3º Em caso de infração cometida através de transmissão simultânea de rádio ou televisão, que atinja mais de uma comarca, será competente, para aplicação da penalidade, a autoridade judiciária do local da sede estadual da emissora ou rede, tendo a sentença eficácia para todas as transmissoras ou retransmissoras do respectivo estado. Da Escolha dos Conselheiros O processo para a escolha dos membros do Conselho Tutelar será estabelecido em lei municipal e realizado sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e a fiscalização do Ministério Público. O processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar ocorrerá em data unificada em todo o território nacional a cada 4 (quatro) anos, no primeiro domingo do mês de outubro do ano subsequente ao da eleição presidencial. A posse dos conselheiros tutelares ocorrerá no dia 10 de janeiro do ano subsequente ao processo de escolha. No processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar, é vedado ao candidato doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive brindes de pequeno valor. Dos Impedimentos São impedidos de servir no mesmo Conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados, durante o cunhadio, tio e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado. Estende-se o impedimento do conselheiro, na forma deste artigo, em relação à autoridade judiciária e ao representante do Ministério Público com atuação na Justiça da Infância e da Juventude, em exercício na comarca, foro regional ou distrital. Dos Crimes São aplicados aos delitos previstos do Estatuto da Criança e do Adolescente, as regras gerais do código Penal e do Código de Processo Penal. A ação penal é pública incondicionada. Delitos na modalidade culposa Art. 228 - Deixar o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de manter registro das atividades desenvolvidas, na forma e prazo referidos no art. 10 desta Lei, bem como de fornecer à parturiente ou a seu responsável, por ocasião da alta médica, declaração de nascimento, onde constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Parágrafo único - Se o crime é culposo: Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa. Art. 229 - Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de identificar corretamente o neonato e a parturiente, por ocasião do parto, bem como deixar de proceder aos exames referidos no art. 10 desta Lei: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Parágrafo único - Se o crime é culposo: Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa. Os parágrafos únicos dos arts. 228 e 229 são as únicas modalidades de delitos culposos no ECA. Antinomia aparente de normais penais CONCEITO: A doutrina entende que há um conflito estabelecido, entre duas ou mais normas aparentemente aplicáveis ao mesmo fato. Por isso, o conflito é aparente, pois há mais de uma norma pretendendo regular o mesmo fato; entretanto, somente uma delas será aplicada ao caso. Assim, para solucionar tal conflito, torna-se necessário que busquemos a aplicação de alguns princípios, como por exemplo: especialidade, subsidiariedade, consunção e alternatividade. Casos importantes: Se houver privação da criança ou do adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente, a autoridade que realizar esse ato responderá pelo ECA e não pela lei de abuso de autoridade, em decorrência do princípio da especialidade.

Se um menor de idade for torturado, o agente delitivo responderá por tortura de acordo com a modalidade prevista na lei de tortura, pois o art. 4 da lei revogou o art. 233 do ECA. Se um agente capaz oferecer droga a um menor de idade, ele responderá pelas regras do art. 243 do ECA, somente se o componente que cause dependência física ou psíquica não for ilícito, como por exemplo, cola de sapato. Agora, se for droga ilícita, o agente será responsabilizado pela lei 11.343/06 (lei de drogas). Dos Crimes Art. 230 - Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente. Se essa conduta for praticada contra adulto será configurado o delito de abuso de autoridade, agora se houver uma privação um pouco mais extensa, poderá ser configurado o delito de sequestro ou cárcere privado. Art. 231. Deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou adolescente de fazer imediata comunicação à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à pessoa por ele indicada. Se essa conduta for praticada contra adulto estará configurado o crime de abuso de autoridade apenas se deixar de avisar ao juiz, pois deixar de avisar à família não está previsto na lei de abuso de autoridade. Importante observar que o CPP, depois das alterações da lei 12403/12, prevê também que se avise ao MP. No entanto, essa conduta não configura crime nem na lei de abuso de autoridade nem no Estatuto da Criança e do Adolescente. Art. 234. Deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata liberação de criança ou adolescente, tão logo tenha conhecimento da ilegalidade da apreensão: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Também estará configurado o abuso de autoridade se essa conduta for praticada contra pessoa maior, no entanto, no crime de abuso de autoridade o sujeito ativo é somente o juiz. Art. 235. Descumprir, injustificadamente, prazo fixado nesta Lei em benefício de adolescente privado de liberdade: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Art. 236. Impedir ou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou representante do Ministério Público no exercício de função prevista nesta Lei: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Art. 237. Subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial, com o fim de colocação em lar substituto. É importante diferenciar esse delito do crime de subtração de incapazes, previsto no art. 240 do CP. A principal diferença é que o crime do ECA possui uma finalidade especial como sublinhado acima, outra diferença importante é que o crime de subtração de incapazes admitirá o perdão judicial se o houver a restituição do menor sem que tenha ocorrido maus-tratos ou privações. Art. 238. Prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa: Pena - reclusão de um a quatro anos, e multa. Parágrafo único. Incide nas mesmas penas quem oferece ou efetiva a paga ou recompensa. Art. 239. Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro. Leis Especiais 145 Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Se essa conduta for praticada contra pessoa maior, a autoridade estará cometendo o crime de abuso de autoridade do art. 4, alínea b. Importante observar que incide no crime aquele que comete ato destinado ao envio, não necessariamente o próprio envio, portanto não é necessário que o envio tenha ocorrido para que o crime fique consumado. Pornografia Infantil Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente:

146 Leis Especiais Pena reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. 1º Incorre nas mesmas penas quem agencia, facilita, recruta, coage, ou de qualquer modo intermedeia a participação de criança ou adolescente nas cenas referidas no caput deste artigo, ou ainda quem com esses contracena. Causas de aumento de pena 2º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o crime: I. no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la; II. III. prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; ou prevalecendo-se de relações de parentesco consanguíneo ou afim até o terceiro grau, ou por adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de quem, a qualquer outro título, tenha autoridade sobre ela, ou com seu consentimento. Art. 241. Vender ou expor à venda fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. Art. 241-A. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: Pena reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. 1º Nas mesmas penas incorre quem: I. assegura os meios ou serviços para o armazenamento das fotografias, cenas ou imagens de que trata o caput deste artigo; II. assegura, por qualquer meio, o acesso por rede de computadores às fotografias, cenas ou imagens de que trata o caput deste artigo. 2º As condutas tipificadas nos incisos I e II do 1o deste artigo são puníveis quando o responsável legal pela prestação do serviço, oficialmente notificado, deixa de desabilitar o acesso ao conteúdo ilícito de que trata o caput deste artigo. Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: Pena reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 1º A pena é diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços) se de pequena quantidade o material a que se refere o caput deste artigo. Causa excludente da ilicitude: 2º Não há crime se a posse ou o armazenamento tem a finalidade de comunicar às autoridades competentes a ocorrência das condutas descritas nos arts. 240, 241, 241-A e 241-C desta Lei, quando a comunicação for feita por: I. agente público no exercício de suas funções; II. III. membro de entidade, legalmente constituída, que inclua, entre suas finalidades institucionais, o recebimento, o processamento e o encaminhamento de notícia dos crimes referidos neste parágrafo; representante legal e funcionários responsáveis de provedor de acesso ou serviço prestado por meio de rede de computadores, até o recebimento do material relativo à notícia feita à autoridade policial, ao Ministério Público ou ao Poder Judiciário. 3 o As pessoas referidas no 2 o deste artigo deverão manter sob sigilo o material ilícito referido. É importante observar que cena de sexo explícito pode ser tanto real quanto simulada. Art. 241-C. Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de representação visual. Esse crime é importante porque tipifica uma conduta que nem mesmo estejam presentes crianças, mas somente a simulação de participação de criança. Art. 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso: Pena reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: I. facilita ou induz o acesso à criança de material contendo cena de sexo explícito ou pornográfica com o fim de com ela praticar ato libidinoso; II. pratica as condutas descritas no caput deste artigo com o fim de induzir criança a se exibir de forma pornográfica ou sexualmente explícita.

Se o agente efetiva a conduta de ato libidinoso estará caracterizado o crime de estupro de vulnerável previsto no art. 217 A do Código Penal. Art. 242. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou explosivo. Quanto a esse delito cabe um importante comentário, ele foi derrogado pelo art. 16, parágrafo único, V do estatuto do desarmamento e somente será aplicado quanto às armas brancas. Art. 243. Vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida: Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave. Esse delito foi parcialmente revogado, ou melhor, derrogado pela lei de drogas, pois se o produto químico causador de dependência física ou psíquica vendido para o menor for ilícito, responderá o agente pela lei de drogas. Se o produto químico for lícito, a exemplo da cola de sapateiro, responderá o agente pela lei de drogas. Art. 244. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente fogos de estampido ou de artifício, exceto aqueles que, pelo seu reduzido potencial, sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida: Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa. Art. 244-A. Submeter criança ou adolescente, como tais definidos no caput do art. 2 o desta Lei, à prostituição ou à exploração sexual: Pena - reclusão de quatro a dez anos, e multa. 1 o Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifique a submissão de criança ou adolescente às práticas referidas no caput deste artigo. 2 o Constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. Corrupção de Menores Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la: Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 1 o Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas ali tipificadas utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da internet. 2 o As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas de um terço no caso de a infração cometida ou induzida for crime hediondo. 01. O crime de corrupção de menores, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la segundo orientação do Superior Tribunal de Justiça é, quanto ao resultado, crime a) de mera conduta b) material c) formal d) permanente RESPOSTA. C. Entendem os tribunais que o crime de corrupção de menores é crime formal, caso em que a prática do delito pelo menor é mero exaurimento do crime. Das Infrações Administrativas Art. 245. Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Art. 246. Impedir o responsável ou funcionário de entidade de atendimento o exercício dos direitos constantes nos incisos II, III, VII, VIII e XI do art. 124 desta Lei: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Art. 247. Divulgar, total ou parcialmente, sem autorização devida, por qualquer meio de comunicação, nome, ato ou documento de procedimento policial, administrativo ou judicial relativo a criança ou adolescente a que se atribua ato infracional: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Leis Especiais 147

148 Leis Especiais 1º Incorre na mesma pena quem exibe, total ou parcialmente, fotografia de criança ou adolescente envolvido em ato infracional, ou qualquer ilustração que lhe diga respeito ou se refira a atos que lhe sejam atribuídos, de forma a permitir sua identificação, direta ou indiretamente. 2º Se o fato for praticado por órgão de imprensa ou emissora de rádio ou televisão, além da pena prevista neste artigo, a autoridade judiciária poderá determinar a apreensão da publicação ou a suspensão da programação da emissora até por dois dias, bem como da publicação do periódico até por dois números. (Expressão declara inconstitucional pela ADIN 869-2). Art. 248. Deixar de apresentar à autoridade judiciária de seu domicílio, no prazo de cinco dias, com o fim de regularizar a guarda, adolescente trazido de outra comarca para a prestação de serviço doméstico, mesmo que autorizado pelos pais ou responsável: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência, independentemente das despesas de retorno do adolescente, se for o caso. Art. 249. Descumprir, dolosa ou culposamente, os deveres inerentes ao poder familiar ou decorrente de tutela ou guarda, bem assim determinação da autoridade judiciária ou Conselho Tutelar: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Art. 250. Hospedar criança ou adolescente desacompanhado dos pais ou responsável, ou sem autorização escrita desses ou da autoridade judiciária, em hotel, pensão, motel ou congênere: Pena multa. 1º Em caso de reincidência, sem prejuízo da pena de multa, a autoridade judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até 15 (quinze) dias. 2º Se comprovada a reincidência em período inferior a 30 (trinta) dias, o estabelecimento será definitivamente fechado e terá sua licença cassada. Art. 251. Transportar criança ou adolescente, por qualquer meio, com inobservância do disposto nos arts. 83, 84 e 85 desta Lei: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Art. 252. Deixar o responsável por diversão ou espetáculo público de afixar, em lugar visível e de fácil acesso, à entrada do local de exibição, informação destacada sobre a natureza da diversão ou espetáculo e a faixa etária especificada no certificado de classificação: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Art. 253. Anunciar peças teatrais, filmes ou quaisquer representações ou espetáculos, sem indicar os limites de idade a que não se recomendem: Pena - multa de três a vinte salários de referência, duplicada em caso de reincidência, aplicável, separadamente, à casa de espetáculo e aos órgãos de divulgação ou publicidade. Art. 254. Transmitir, através de rádio ou televisão, espetáculo em horário diverso do autorizado ou sem aviso de sua classificação: Pena - multa de vinte a cem salários de referência; duplicada em caso de reincidência a autoridade judiciária poderá determinar a suspensão da programação da emissora por até dois dias. Art. 255. Exibir filme, trailer, peça, amostra ou congênere classificado pelo órgão competente como inadequado às crianças ou adolescentes admitidos ao espetáculo: Pena - multa de vinte a cem salários de referência; na reincidência, a autoridade poderá determinar a suspensão do espetáculo ou o fechamento do estabelecimento por até quinze dias. Art. 256. Vender ou locar a criança ou adolescente fita de programação em vídeo, em desacordo com a classificação atribuída pelo órgão competente: Pena - multa de três a vinte salários de referência; em caso de reincidência, a autoridade judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até quinze dias. Art. 257. Descumprir obrigação constante dos arts. 78 e 79 desta Lei: Pena - multa de três a vinte salários de referência, duplicando-se a pena em caso de reincidência, sem prejuízo de apreensão da revista ou publicação. Art. 258. Deixar o responsável pelo estabelecimento ou o empresário de observar o que dispõe esta Lei sobre o acesso de criança ou adolescente aos locais de diversão, ou sobre sua participação no espetáculo: Pena - multa de três a vinte salários de referência; em caso de reincidência, a autoridade judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até quinze dias. Art. 258-A. Deixar a autoridade competente de providenciar a instalação e operacionalização dos cadastros previstos no art. 50 e no 11 do art. 101 desta Lei: Pena - multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 3.000,00 (três mil reais). Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas a autoridade que deixa de efetuar o cadastramento de crianças e de adolescentes em condições de serem adotadas, de pessoas ou casais habilitados à adoção e de crianças e adolescentes em regime de acolhimento institucional ou familiar. Art. 258-B. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de efetuar imediato encaminhamento à autoridade judiciária de caso de que tenha conhecimento de mãe ou gestante interessada em entregar seu filho para adoção: Pena - multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 3.000,00 (três mil reais).

Parágrafo único. Incorre na mesma pena o funcionário de programa oficial ou comunitário destinado à garantia do direito à convivência familiar que deixa de efetuar a comunicação referida no caput deste artigo. 01. Aponte qual das condutas não está descrita como crime contra a criança e o adolescente, nos termos da Lei n.º 8.609/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). a) Descumprir, dolosa ou culposamente, os deveres inerentes ao pátrio poder ou decorrentes de tutela ou guarda, bem assim determinação da autoridade judiciária ou Conselho Tutelar. b) Impedir ou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou representante do Ministério Público no exercício de função prevista em lei. c) Descumprir, injustificadamente, prazo fixado nessa Lei, em benefício de adolescente privado de liberdade. d) Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou constrangimento. e) Deixar o encarregado de serviço ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de manter registro das atividades desenvolvidas, na forma e prazo referidos no art. 10 dessa Lei, bem como de fornecer à parturiente ou a seu responsável, por ocasião da alta médica, declaração de nascimento, onde constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato. 02. Em relação aos crimes cometidos contra crianças e adolescentes definidos pela Lei 8.069/90, marque a opção correta: a) os crimes definidos pela Lei 8069/90 são de ação penal pública condicionada à representação; b) o crime de descumprir injustificadamente prazo fixado na Lei 8069/90 quando em beneficio de adolescente privado de liberdade pode ser cometido por qualquer pessoa; c) os crimes definidos pela Lei 8069/90 são de ação penal pública incondicionada; d) o crime de embaraçar ou impedir a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou representante do Ministério Público no exercício de função prevista pela Lei 8069/90 pode ser praticado somente por funcionário público; e) o crime de submissão de criança ou adolescente que esteja sob a guarda, autoridade ou vigilância a vexame ou a constrangimento somente pode ser praticado pelo juiz, delegado de polícia, promotor de justiça e membro do Conselho Tutelar. 03. Relativamente às assertivas abaixo, assinale, em seguida, a alternativa correta: I. o ato de simular a participação de adolescente em cena de sexo explícito por meio da montagem de vídeo constitui crime definido na Lei nº 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), em que só se procede mediante representação; II. o fato de privar adolescente de sua liberdade sem obedecer às formalidades legais (flagrante de ato infracional ou ordem escrita de autoridade judiciária) constitui crime previsto na Lei nº 4.898/65 (Abuso de autoridade), que prevalece sobre norma correspondente da Lei nº 8.069/90 (ECA); III. o fato de deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata liberação de adolescente ao tomar conhecimento da ilegalidade da apreensão constitui crime previsto Lei nº 8.069/90 (ECA), que prevalece sobre a Lei nº 4.898/65 (Abuso de autoridade); IV. nos crimes da Lei nº 4.898/65, a aplicação da sanção penal obedecerá às regras do Código Penal, podendo as penas ser aplicadas autônoma ou cumulativamente. a) somente a III é verdadeira. b) somente a I e a IV são verdadeiras. c) somente a II e a III são verdadeiras. d) somente a IV é verdadeira. e) somente a III e a IV são verdadeiras. 04. Valter, ocupante de cargo cujas atribuições incluem fornecer declaração de nascimento, não forneceu esse documento a Gabriela, quando ela recebeu alta médica, após dar à luz seu filho. Nessa situação hipotética, a conduta de Valter a) é atípica. b) constitui crime preceituado no ECA, que pode ser punido a título de dolo ou culpa. c) constitui crime preceituado no ECA, punido apenas na modalidade dolosa. d) constituirá crime se ele puder ser considerado funcionário público, para fins penais. e) constitui crime de prevaricação, previsto no CP. Em cada um dos itens a seguir, é apresentada uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. 05. Rodrigo compareceu ao Aeroporto Internacional de Belém com seu filho Gustavo, de 8 anos de idade, para juntos embarcarem em um voo com destino à Venezuela, onde deveriam se encontrar com a mãe da criança, que havia viajado uma semana antes e deixado com Rodrigo uma autorização por escrito, sem firma reconhecida, para que ele levasse Gustavo à capital venezuelana. Nessa situação, o embarque de Gustavo deve ser autorizado porque, estando ele acompanhado de seu pai, o reconhecimento de firma na autorização é uma formalidade dispensável. 06. Sabendo que Patrícia está prestes a viajar de carro de São Paulo para Brasília, um amigo pediu- -lhe que levasse consigo Antônio, que é filho dele e tem 17 anos de idade. Patrícia aceitou o pedido, mas solicitou a seu amigo que lhe conferisse uma autorização por escrito, com firma reconhecida em cartório, para evitar problemas na condução de Antônio. Nessa situação, a autorização solicitada por Patrícia é desnecessária para que Antônio possa viajar com ela de maneira regular. De acordo com o Estatuto da criança e do adolescente, julgue a assertiva a seguir. 07. Os crimes praticados contra a criança e o adolescente podem ser realizados por ação ou omissão, não se admitindo, todavia, a forma culposa. Julgue os itens subsequentes, que se referem a medidas socioeducativas, atos infracionais e crimes praticados contra a criança e o adolescente. 08. Todos os crimes praticados contra a criança e o adolescente previstos no ECA submetem-se à ação penal pública incondicionada. Leis Especiais 149

150 Leis Especiais Considere a Lei Federal nº 8069/70 Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e responda à questão. 09. Dentre os procedimentos citados abaixo, todos relacionados no ECA como crimes contra a criança e o adolescente, aquele cuja pena é a mais grave, prevendo, além de multa, a reclusão de quatro a dez anos, é: a) Submeter criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual. b) Impedir ou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou representante do Ministério Público no exercício de função prevista no ECA. c) Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância, a vexame ou a constrangimento. d) Vender, fornecer, ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida. e) Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la. 10. Como estratégia para prevenir violação de direito da criança e do adolescente, bem como responsabilizar os violadores, o Estatuto da Criança e do Adolescente tipificou como a) crime exibir filme classificado pelo órgão competente como inadequado às crianças e adolescentes admitidos ao espetáculo. b) crime deixar o médico responsável por estabelecimento de atenção à saúde de comunicar à autoridade os casos de que tenha conhecimento envolvendo suspeita de maus tratos contra criança. c) infração administrativa deixar a autoridade competente de efetuar a inclusão de crianças em condições de serem adotadas no respectivo cadastro. d) infração administrativa deixar a autoridade policial de comunicar a apreensão da criança ou adolescente à família do apreendido. e) infração administrativa a venda de fogos de estampido ou de artifício a criança ou adolescente. 11. Segundo o artigo 238 do ECA, prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa constitui: a) um ato de contravenção, sujeito à prisão em flagrante b) um ato culposo, sujeito à perda do poder familiar c) um crime contra a honra, sujeito à multa e ressarcimento dos danos d) um crime, sujeito à pena de reclusão de um a quatro anos, e multa e) um ato de improbidade, sujeito à inquérito policial sumário. 12. Visando a proteção infantil, os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, são obrigados a a) manter registro das atividades desenvolvidas, através de prontuários individuais, pelo prazo de dez anos. b) identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital e da impressão digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela autoridade administrativa competente. c) proceder a exames visando ao diagnóstico e à terapêutica de anormalidades no metabolismo do recém-nascido, bem como prestar orientação aos pais, fornecendo ajuda financeira para esclarecimento de eventual enfermidade. d) fornecer declaração de nascimento onde constem necessariamente as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato, apenas com requerimento judicial. e) manter o neonato em berçário, possibilitando ao neonato a permanência junto à mãe, apenas se não houver internação em enfermaria. 13. Segundo o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente há necessidade de autorização judicial para viajar se a) a criança estiver acompanhada de um tio e se o destino da viagem for outro estado da federação. b) o adolescente viajar de avião e estiver desacompanhado de adulto autorizado pelos pais. c) uma criança de até dois anos de idade viajar para outro município e não estiver na companhia do pai e da mãe. d) o adolescente viajar na companhia da mãe para outro país sem que o pai tenha fornecido autorização por escrito. e) a criança estiver na companhia do pai, mas quem detém sua guarda judicial é a mãe e ela não forneceu autorização escrita para a viagem. 14. Tendo como base as seguintes assertivas: É proibido qualquer trabalho a menores de 14 (quatorze) anos de idade, salvo na condição de aprendiz; I. Aos responsáveis por estabelecimentos que explorem comercialmente bilhar, sinuca ou congênere ou por casas de jogos, é vedado permitir a entrada e a permanência de crianças e adolescentes, salvo se acompanhados dos pais ou responsável legal; II. Em se tratando de viagem ao exterior, nos termos da Lei n.º 8.069/90, a autorização judicial é dispensável se o adolescente viajar na companhia de um dos pais, autorizado expressamente pelo outro através de documento com firma reconhecida; III. Dentre as diretrizes da política de atendimento à criança e ao adolescente, está a criação de conselhos municipais, estaduais e nacional dos direitos da criança e do adolescente, órgãos deliberativos e controladores das ações em todos os níveis, assegurada a participação popular paritária por meio de organizações representativas, sendo os seus membros remunerados de acordo com leis municipais, estaduais e federal; IV. Em caráter excepcional e de urgência, as entidades que mantenham programa de acolhimento institucional poderão acolher crianças e adolescentes sem prévia determinação da autoridade competente, comunicando o fato em até 24 (vinte e quatro) horas ao Juiz da Infância e da Juventude, sob pena de responsabilidade. É possível afirmar: a) Todas as assertivas estão corretas; b) Todas as assertivas estão incorretas; c) Somente a assertiva V está incorreta; d) As assertivas III e IV estão corretas; e) As assertivas I, II e IV estão incorretas. Com base no que dispõe o ECA, julgue o item seguinte: 15. Em se tratando de autorização para viagem ao exterior, não pode a vara da infância suprir o consentimento do genitor, visto que tal situação não está expressamente prevista no dispositivo legal que trata da matéria.

16. Mário tem 5 anos e é filho de Joana e de André. Gilberto, irmão de Joana, pretende viajar para Gramado-RS, com seu sobrinho sem a companhia de sua irmã e de seu marido André. Considerando que Gilberto possui 30 anos de idade e que todos residem em Porto Alegre, para essa viagem Gilberto a) não precisará de expressa autorização judicial, não havendo, também necessidade de comprovação documentalmente do parentesco. b) precisará de expressa autorização judicial, havendo dispositivo legal neste sentido. c) não precisará de expressa autorização judicial, desde que comprove documentalmente o parentesco. d) precisará de expressa autorização judicial ou de autorização dos pais mediante escritura pública. e) precisará de expressa autorização judicial ou de autorização de Joana mediante escritura pública. 17. Considerando as normas aplicáveis à autorização para viagem previstas na Lei n. 8.069/90, é IN- CORRETO afirmar que a) a autorização para viajar não será exigida quando a criança estiver acompanhada dos avós. b) a autorização para viajar não será exigida quando a criança estiver acompanhada de babá, expressamente autorizada pela mãe. c) a autorização é dispensável se a criança estiver na companhia de um dos pais autorizado expressamente pelo outro, quando se tratar de viagem para o exterior. d) a autoridade judiciária poderá, de ofício, conceder autorização válida por até 5 anos. 18. Clara, 9 anos e Célia, 13 anos, são irmãs e necessitam viajar de Goiânia para Palmas, em Tocantins, desacompanhadas do pai, da mãe ou responsável. Segundo as regras previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, a) a autorização para viajar, seja do juiz, do pai, da mãe ou do responsável é dispensada se Clara e Célia viaja rem na companhia de sua outra irmã Laura, de 17 anos. b) se elas viajarem na companhia de um tio materno, a autorização judicial para viajar é dispensável no caso de Célia, mas obrigatória no caso de Clara. c) se Clara viajar na companhia de pessoa maior, não parente, e houver autorização expressa do pai, da mãe ou responsável, não vai precisar de autorização judicial para viajar. d) Célia pode viajar independentemente de autorização dos pais ou do juiz, mas vai precisar de um alvará expedido pelo comissário de menores se viajar de ônibus intermunicipal. e) se ambas viajarem acompanhadas da avó paterna, podem ir sem autorização judicial, mas vão precisar de autorização expressa do pai, da mãe ou responsável. 19. De acordo com o Direito da Infância e da Juventude: a) Sem prévia e expressa autorização judicial, nenhuma criança ou adolescente nascido em território nacional poderá sair do País em companhia de estrangeiro residente ou domiciliado no exterior. b) Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade completos, e adolescente aquela entre treze e dezoito anos de idade. c) O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível, podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros, sem qualquer restrição, em procedimento dotado de ampla publicidade com vistas à preservação de interesses de terceiros. d) A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção ou de tutela. e) É proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir de doze anos de idade. 20. Clara tem 12 anos. Mora em São Paulo com a mãe, que tem sua guarda. Para ir visitar o pai, que mora em Recife, Clara, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, a) poderá viajar, desde que acompanhada de pessoa maior, sem outras exigências. b) poderá viajar acompanhada apenas da avó paterna, desde que a mãe autorize por escrito. c) deve ter autorização do juiz ou comissário de menores, para que possa ir sozinha. d) não precisa de autorização escrita da mãe para ir sozinha. e) não poderá viajar se estiver acompanhada apenas de sua irmã de 16 anos. 01 A 11 D 02 C 12 B 03 E 13 D 04 B 14 E 05 E 15 E 06 C 16 C 07 E 17 D 08 C 18 C 09 A 19 A 10 C 20 D Leis Especiais 151

152 Leis Especiais CAPÍTULO 03 Lei 9.034/95 Lei Das Organizações Criminosas Introdução A presente lei dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas. Da Definição De Ação Praticada Por Organizações Criminosas E Dos Meios Operacionais De Investigação E Prova A lei 9.034/95 define e regula meios de prova e procedimentos investigatórios que versem sobre ilícitos decorrentes de ações praticadas por quadrilha ou bando ou organizações ou associações criminosas de qualquer tipo. Em qualquer fase de persecução criminal são permitidos, sem prejuízo dos já previstos em lei, os seguintes procedimentos de investigação e formação de provas: 1) a ação controlada, que consiste em retardar a interdição policial do que se supõe ação praticada por organizações criminosas ou a ela vinculado, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações; Como para a ação controlada na lei de organizações criminosas não se exige de autorização judicial, a doutrina a chama de ação controlada descontrolada. A ação controlada possui como sinônimos: flagrante postergado, diferido, retardado ou protelado. 2) o acesso a dados, documentos e informações fiscais, bancárias, financeiras e eleitorais. O STF tornou inconstitucional ao acesso a dados fiscais e eleitorais. Decisão Final do Tribunal, por maioria, julgou procedente, em parte, a ação para declarar a inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9034, de 03 de maio de 1995, no que se refere aos dados fiscais e eleitorais, vencido o Senhor Ministro Carlos Velloso, que a julgava improcedente. Ausentes, justificadamente, os Senhores Ministros Marco Aurélio e Cezar Peluso. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Maurício Corrêa. Plenário, 12.02.2004. Acórdão, DJ 22.10.2004.m relação às informações bancárias e financeiras, a lei complementar 75/01 revogou a lei de organizações criminosas, pois a matéria foi por ela tratada: Lei complementar 105/01 - Art. 1 4o A quebra de sigilo poderá ser decretada, quando necessária para apuração de ocorrência de qualquer ilícito, em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial, e especialmente nos seguintes crimes: IX praticado por organização criminosa. 3) a captação e a interceptação ambiental de sinais eletromagnéticos, óticos ou acústicos, e o seu registro e análise, mediante circunstanciada autorização judicial; A lei das organizações criminosas trata da interceptação ambiental, diferentemente da lei 9296/96 que trata da interceptação telefônica. 4) infiltração por agentes de polícia ou de inteligência, em tarefas de investigação, constituída pelos órgãos especializados pertinentes, mediante circunstanciada autorização judicial. De início, a infiltração prevista na lei foi vetada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, pois, para a infiltração, não havia a necessidade de autorização judicial. Como foi vetado, em 2001, com a lei 10.217, o legislador incluiu a infiltração com autorização judicial. Com base na lei de organização criminosa, julgue o próximo item. 01. A infiltração por agentes prevista na lei de organização criminosa, assim como a prevista na lei de drogas, prescinde de autorização judicial. ERRADO. Tanto na lei das organizações criminosas, quando na lei de drogas, a infiltração de agente necessita (imprescinde) de autorização judicial. A autorização judicial será estritamente sigilosa e permanecerá nesta condição enquanto perdurar a infiltração.

Da Preservação do Sigilo Constitucional Nas hipóteses do acesso a dados, documentos e informações fiscais, bancárias, financeiras e eleitorais, ocorrendo possibilidade de violação de sigilo preservado pela Constituição ou por lei, a diligência será realizada pessoalmente pelo juiz, adotado o mais rigoroso segredo de justiça. (Vide Adin nº 1.570-2). Para realizar a diligência, o juiz poderá requisitar o auxílio de pessoas que, pela natureza da função ou profissão, tenham ou possam ter acesso aos objetos do sigilo. O juiz, pessoalmente, fará lavrar auto circunstanciado da diligência, relatando as informações colhidas oralmente e anexando cópias autênticas dos documentos que tiverem relevância probatória, podendo para esse efeito, designar uma das pessoas referidas no parágrafo anterior como escrivão ad hoc. O auto de diligência será conservado fora dos autos do processo, em lugar seguro, sem intervenção de cartório ou servidor, somente podendo a ele ter acesso, na presença do juiz, as partes legítimas na causa, que não poderão dele servir-se para fins estranhos à mesma, e estão sujeitas às sanções previstas pelo Código Penal em caso de divulgação. Os argumentos de acusação e defesa que versarem sobre a diligência serão apresentados em separado para serem anexados ao auto da diligência, que poderá servir como elemento na formação da convicção final do juiz. Em caso de recurso, o auto da diligência será fechado, lacrado e endereçado em separado ao juízo competente para revisão, que dele tomará conhecimento sem intervenção das secretarias e gabinetes, devendo o relator dar vistas ao Ministério Público e ao Defensor em recinto isolado, para o efeito de que a discussão e o julgamento sejam mantidos em absoluto segredo de justiça. As disposições acima foram declaradas inconstitucionais na ADI 1.570-2 no que tange ao acesso a dados, informações e documentos fiscais e eleitoras. Nos demais dados (bancários e financeiros), a norma foi revogada pela lei complementar n 105/01 Estruturação Policial Os órgãos da polícia judiciária estruturarão setores e equipes de policiais especializados no combate à ação praticada por organizações criminosas. Identificação Criminal A identificação criminal de pessoas envolvidas com a ação praticada por organizações criminosas será realizada independentemente da identificação civil. Delação Premiada Nos crimes praticados em organização criminosa, a pena será reduzida de um a dois terços, quando a colaboração espontânea do agente levar ao esclarecimento de infrações penais e sua autoria. Liberdade Provisória Não será concedida liberdade provisória, com ou sem fiança, aos agentes que tenham tido intensa e efetiva participação na organização criminosa. Prazo para encerramento da instrução O prazo para encerramento da instrução criminal, nos processos por crime de que trata esta Lei, será de 81 (oitenta e um) dias, quando o réu estiver preso, e de 120 (cento e vinte) dias, quando solto. Recurso em Liberdade O réu não poderá apelar em liberdade, nos crimes previstos nesta lei. Regime Inicial Os condenados por crime decorrentes de organização criminosa iniciarão o cumprimento da pena em regime fechado. Aplicação do CPP Aplicam-se, no que não forem incompatíveis, subsidiariamente, as disposições do Código de Processo Penal. 01. Em cada um dos itens a seguir é apresentada uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Renato é réu em processo penal relativo a crime praticado em organização criminosa. Nessa situação, é irrelevante para a fixação da pena de Renato o fato de ele ter colaborado espontaneamente com a polícia, oferecendo informações que conduziram à prisão do chefe da quadrilha de que ele participava. 02. na prática de contravenções penais, é aplicável a ação controlada ou o flagrante esperado retardado, previsto na Lei n. 9.034/95 ( Lei do Crime Organizado ). 03. Em relação ao que dispõe a Lei n.º 9.034/1995 e ao entendimento dos tribunais superiores acerca dos institutos de direito penal, assinale a opção correta. a) O juízo processante deve encerrar a instrução criminal em cento e vinte dias se os réus estiverem soltos, e, em cento e oitenta, se estiverem presos. Leis Especiais 153

154 Leis Especiais b) Reconhecida a aplicação do instituto da delação premiada ao agente infrator, compete ao magistrado reduzir-lhe a pena de um meio a dois terços. c) Não incorre em violação de dever funcional o agente policial que, investigando organização voltada à prática de tráfico de heroína, infiltrado, presencie, durante a chegada de um carregamento que, segundo as suas investigações, conteria cerca de 2 t da referida droga, componentes da organização cometerem cinco homicídios, sem prendê-los em flagrante pelos assassinatos. d) A confissão parcial, ainda que não represente auxílio efetivo para a investigação e elucidação do evento delituoso, configura o instituto da delação premiada. e) Durante a persecução criminal, é vedada a captação de sinais óticos. 04. No que se refere a ação policial controlada, julgue os itens seguintes. De acordo com a Lei n.º 9.034/1995, a ação controlada consiste em retardar, mediante prévia ordem judicial, a interdição policial de ação supostamente praticada por organizações criminosas, mantendo-se a ação sob observação e acompanhamento, para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz para a formação de provas e o fornecimento de informações. 05. Com relação ao direito penal e ao direito processual penal, julgue a assertiva. Determinada organização criminosa voltada para a prática do tráfico de armas de fogo esperava um grande carregamento de armas para dia e local previamente determinados. Durante a investigação policial dessa organização criminosa, a autoridade policial recebeu informações seguras de que parte do bando estava reunida em um bar e receberia o dinheiro com o qual pagaria o carregamento das armas, repassando, ainda no local, grande quantidade de droga em troca do dinheiro. Mantido o local sob observação, decidiu a autoridade policial retardar a prisão dos integrantes que estavam no bar de posse da droga, para que os policiais pudessem segui-los, identificar o fornecedor das armas e, enfim, prendê-los em flagrante. Nessa situação, não obstante as regras previstas no Código de Processo Penal, são válidas as diligências policiais e as eventuais prisões, em face da denominada ação controlada, prevista na lei do crime organizado. 06. De acordo com a legislação especial pertinente, julgue o item seguinte. A lei que dispõe acerca da prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas estabeleceu a figura da ação controlada, o que significa que, em determinados casos, a autoridade policial poderá retardar a prisão em flagrante dos investigados, desde que os mantenha sob estrita e ininterrupta vigilância. 07. A respeito do direito penal, julgue os itens seguintes. Os condenados por crime decorrente de organização criminosa iniciarão o cumprimento da pena em regime fechado. 08. Assinale a opção incorreta com base na legislação pertinente. a) No crime organizado, não será concedida liberdade provisória, com ou sem fiança, aos agentes que tenham tido intensa e efetiva participação na organização criminosa. b) Nos crimes previstos no Código de Defesa do Consumidor, é circunstância agravante o cometimento do delito em época de grave crise econômica. c) Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime, sendo indiferente, nos termos do ECA, a prática de contravenção penal pelo menor de idade. d) Não se aplica a transação penal aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa se o agente estiver sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. e) Nos crimes de racismo, constitui efeito não automático da condenação, devendo ser motivadamente declarada na sentença, a perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo de até três meses. 09. Dadas as assertivas abaixo, assinale a alternativa correta I. Em caso de crime praticado em organização criminosa, o prazo para encerramento da instrução criminal, estando o réu solto, será de 120 (cento e vinte) dias. II. Em caso de crime praticado em organização criminosa, o prazo para encerramento da instrução criminal, estando o réu preso, será de 60 (sessenta) dias. III. Nos crimes praticados em organização criminosa, a colaboração espontânea do agente que levar ao esclarecimento de infrações penais e à sua autoria determinará a redução da pena de um a dois terços. IV. Em qualquer fase da investigação será permitida a infiltração de agente policial na organização criminosa, mediante circunstanciada autorização judicial. V. A interceptação de comunicações telefônicas, segundo a previsão da Lei 9.296/1996, poderá ser autorizada inclusive nos casos de delitos punidos no máximo com pena de detenção. a) Está correta apenas a assertiva IV. b) Estão corretas apenas as assertivas I e V. c) Estão corretas apenas as assertivas I, III e IV. d) Estão corretas apenas as assertivas I, II, III e IV. e) Estão corretas todas as assertivas.

10. Assinale a alternativa correta. A ação controlada: a) é uma medida prevista nos procedimentos investigatórios que versem sobre ilícitos decorrentes de ações praticadas por organizações ou associações criminosas de qualquer tipo, consistente em realizar interceptações telefônicas pela autoridade policial para identificar os suspeitos da autoria dessas infrações penais. b) é uma medida prevista nos procedimentos investigatórios que versem sobre infrações penais de Lavagem de Dinheiro ou de Capitais e consiste em uma ordem judicial permitindo o acesso aos dados, documentos e informações fiscais, bancárias, financeiras e eleitorais dos suspeitos de tais condutas. c) é uma medida prevista nos procedimentos investigatórios que versem sobre infrações penais de Lavagem de Dinheiro ou de Capitais e consiste na decretação judicial da apreensão ou sequestro bens, direitos ou valores do suspeito da autoria desses delitos. d) é uma medida prevista nos procedimentos investigatórios que versem sobre ilícitos decorrentes de ações praticadas por organizações ou associações criminosas de qualquer tipo e consiste em retardar a intervenção policial do que se supõe fato praticado por organizações criminosas, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações. e) é uma medida prevista nos procedimentos investigatórios que versem sobre ilícitos decorrentes de ações praticadas por organizações ou associações criminosas de qualquer tipo, que depende de ordem judicial e visa a captação e a interceptação ambiental de sinais eletromagnéticos, óticos ou acústicos, e o seu registro e análise. 11. Com relação à legislação especial, julgue o item que se segue. Na lei que disciplina os casos de organização criminosa, não se exige a prévia autorização judicial para a realização da chamada ação policial controlada. Julgue o item que se segue, referentes a procedimentos processuais penais. 12. Em qualquer fase da persecução criminal relacionada a procedimentos investigatórios que versem sobre ilícitos decorrentes de ações praticadas por quadrilha, bando, organizações ou associações criminosas de qualquer tipo, será permitida a infiltração de agentes de polícia ou de inteligência, em tarefas de investigação constituída pelos órgãos especializados pertinentes, mediante circunstanciada autorização judicial. 13. Assinale a opção correta com base nos ensinamentos do direito penal. a) Nos crimes relativos a licitação, a pena de multa diverge do sistema geral de dias-multa estabelecido no CP e consiste em pagamento de quantia fixada em percentuais calculados na vantagem efetivamente obtida ou potencialmente auferível pelo agente, cujos percentuais não poderão ser inferiores a 2% nem superiores a 5% do valor do contrato licitado ou celebrado com dispensa ou inexigibilidade de licitação. b) A prática de crime de abuso de autoridade acarreta para o agente a responsabilidade administrativa, civil e penal. A perda da função pública e a inabilitação para o exercício de qualquer função pública são efeitos automáticos da sentença penal condenatória por esse delito. c) A lei que regula prevenção e repressão à organização criminosa define esta como quadrilha ou bando ou associação criminosa, estável, com ânimo associativo e duradouro, com a finalidade específica de praticar crimes no âmbito internacional. Em situações excepcionais, a legislação autoriza o juiz a realizar diligências, pessoalmente, mesmo nos casos de sigilo preservados pela CF. d) O sistema penal brasileiro, no tocante aos delitos contra a fé pública, unificou os crimes de atribuir- -se falsa identidade para obter vantagem e o uso, como próprio, de documento de identidade alheio, em uma única figura típica, ressaltando, nesses casos, a possibilidade da incidência de sanção penal mais severa, se o fato constituir elemento de crime mais grave. e) A interceptação telefônica somente poderá ser autorizada pelo magistrado, nos termos da legislação de regência, quando houver indícios suficientes de autoria e prova da materialidade da prática de crimes hediondos e de delitos executados por organizações criminosas. 14. Com relação às ações praticadas por organizações criminosas, assinale a opção correta segundo a legislação que rege a matéria. a) Em caso de condenação, o réu pode apelar em liberdade. b) Os condenados por crime decorrente de organização criminosa podem iniciar o cumprimento da pena em regime aberto ou semiaberto. c) A identificação criminal de pessoas envolvidas com a ação praticada por organizações criminosas não será realizada se já houver identificação civil. d) Se a autoridade policial estiver diante da realização do crime praticado por organização criminosa, pode retardar a realização da prisão, sob o fundamento de aguardar o momento oportuno para tanto, colhendo-se mais provas e informações. e) Independentemente de autorização judicial, o agente policial pode ingressar, como se fosse um autêntico membro, em organizações criminosas de qualquer tipo, a fim de colher dados e provas para o combate ao crime organizado. Leis Especiais 155

156 Leis Especiais 15. A respeito do crime organizado e com base na legislação respectiva, assinale a opção correta. a) O réu pode apelar em liberdade, se for primário e portador de bons antecedentes. b) Os condenados por crime decorrente de organização criminosa iniciam o cumprimento da pena em regime fechado. c) O civilmente identificado não deve ser submetido a identificação criminal. d) O participante de organização criminosa tem sua pena reduzida em um a dois terços, ainda que sua colaboração não tenha sido espontânea. e) Não se concede liberdade provisória, com ou sem fiança, a qualquer participante de organização criminosa. 16. Com relação aos meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas, assinale a opção correta. a) A legislação não prevê o regime inicial de pena a que devem ser submetidos os condenados por crime decorrente de organização criminosa, devendo o julgador ater-se aos parâmetros fixados no CP, especialmente no que concerne ao quantum da pena privativa de liberdade. b) A intensa e efetiva participação na organização criminosa, segundo entendimento consolidado no STJ, não constitui fundamento idôneo para negar a liberdade provisória ao réu. c) O STF declarou inconstitucional o dispositivo legal que previa causa obrigatória de diminuição de pena em caso de delação premiada, sob o fundamento de que, dada a gravidade de tais crimes, não se poderia admitir a diminuição de pena em face da mera colaboração do agente. d) Não prevê a legislação a captação e a interceptação ambiental de sinais, mas somente a interceptação telefônica, a qual deve ser precedida de circunstanciada autorização judicial. e) É permitida a ação controlada, que consiste em retardar a interdição policial do que se supõe ação praticada por determinada organização criminosa, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e do fornecimento de informações. A Lei n.º 9.034/1995, que dispõe acerca da utilização de meios operacionais para prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas, em seu art. 2.º, determina que são permitidos, como procedimentos de investigação e formação de provas, a captação, a interceptação pelo ambiente, o registro e a análise de sinais eletromagnéticos, ópticos e acústicos, e a infiltração de agentes de polícia ou de inteligência em tarefas de investigação. Em ambos os casos, a lei destaca que os procedimentos devem ser precedidos por circunstanciada autorização judicial. Com referência ao texto acima e às organizações criminosas nele mencionadas, julgue os itens a seguir. 17. No caso de a organização criminosa ter sido constituída para a prática de tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e para a sua comercialização local, o combate a essas ações criminosas será da competência exclusiva da Polícia Federal. 18. Em relação a crime organizado, julgue os itens que se seguem. Não há previsão expressa quanto à identificação criminal de pessoas envolvidas com a ação praticada por organizações criminosas, sendo aplicável a regra geral segundo a qual o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal. 19. Julgue o próximo item: Prevê a lei causa de redução da pena em caso de colaboração espontânea do agente envolvido em crime praticado em organização criminosa, desde que essa colaboração leve ao esclarecimento da infração penal e de sua autoria. 20. Com relação ao crime organizado, analise as afirmativas a seguir: I. A lei 9.034/95, que dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas, não se aplica às ações praticadas por quadrilha ou bando, apenas às ações praticadas por organizações criminosas. II. Os condenados por crimes decorrentes de organização criminosa iniciarão o cumprimento da pena em regime fechado. III. Na apuração de crimes praticados por organizações criminosas, em qualquer fase de persecução criminal, são permitidos, sem prejuízo dos já previstos em lei, os seguintes procedimentos de investigação e formação de provas: ação controlada; captação e interceptação ambiental; infiltração por agentes de polícia. Assinale: a) se nenhuma afirmativa estiver correta. b) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. c) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. d) se somente a afirmativa III estiver correta. e) se todas as afirmativas estiverem corretas. 01 ERRADO 11 CERTO 02 CERTO 12 CERTO 03 CERTO 13 A 04 ERRADO 14 D 05 CERTO 15 B 06 CERTO 16 E 07 CERTO 17 ERRADO 08 C 18 ERRADO 09 C 19 CERTO 10 D 20 B

CAPÍTULO 04 Lei dos Juizados Especiais Criminais Lei 9.099/95 Introdução A lei dos juizados especiais criminais trata da competência e dos princípios dos juizados especais previstos pela constituição federal para julgamento das infrações penais de menor potencial ofensivo. Âmbito de competência Os juizados especiais criminais são órgãos da justiça ordinária estadual (lei 9.099/95) ou federal (lei 10.259/01) Art. 1º Os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, órgãos da Justiça Ordinária, serão criados pela União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos Estados, para conciliação, processo, julgamento e execução, nas causas de sua competência. Princípios Informadores Os princípios informadores estão no art. 2 da lei dos juizados especiais estaduais (lei 9.099/95): Art. 2º O processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando, sempre que possível, a conciliação ou a transação. Objetivos dos Juizados Embora existam diversos objetivos para a lei dos juizados especiais criminais, o mais notório á aplicação de medidas despenalizadoras, como a transação e a conciliação, a reparação dos danos e a aplicação de penas não privativas da liberdade. Infrações de Menor Potencial Ofensivo As chamadas IMPO (infrações de menor potencial ofensivo) serão julgadas pelos juizados especiais criminais e são consideradas IMPO todas as contravenções e crimes cuja pena máxima não ultrapasse 02 anos, cumuladas ou não com multa. Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006) A redação original do art, 61 da lei dos juizados especiais excepcionava os crimes submetidos a procedimento especial para conceituação das infrações de menor potencial ofensivo. Portanto, com a alteração trazida pela lei 11.343/06, essa excepcionalidade foi retirada, ficando claro que, agora, os juizados especiais criminais julgam os crimes submetidos a procedimento especial ou não. Redação anterior do art. 61 da lei dos juizados criminais; Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a um ano, excetuados os casos em que a lei preveja procedimento especial. (Vide Lei nº 10.259, de 2001) Redação atual do art. 61 da lei dos juizados: Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006) Portanto, os crimes submetidos a procedimento especial, como os falimentares e os crimes de abuso de autoridade, serão julgados no juizado especial criminal desde que o quantum da pena seja compatível. A respeito dos juizados especiais cíveis e criminais (Lei n.º 9.099/1995), julgue os itens que se seguem. 01. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos, cumulada ou não com multa. CERTO. Serão infrações de menor potencial ofensivo as contravenções e os crimes que a lei comina pena MÁXIMA não superior a 02 anos, cumulada ou não com multa, submetida ou não a procedimento especial. Pena Máxima Para verificação da pena máxima de 02 anos há que se considerar as causas de aumento de pena, as qualificadoras, as causas de diminuição de pena e concurso de crimes, seja formal (causa de aumento) ou material (somam-se as penas) Aplicação da lei 9.099/95 Justiça Militar Não se aplica a lei 9.099/95 (art. 90-A da lei dos juizados especiais) Lei Maria da Penha Não se aplica a lei 9.099/95 (art. 41 da lei Maria da Penha) Estatuto do Idoso (art. 94 da lei 10.741/03) Art. 94. Aos crimes previstos nesta Lei, cuja pena máxima privativa de liberdade não ultrapasse 4 (quatro) anos, aplica-se o procedimento previsto na Lei n o 9.099, de 26 de setembro de 1995, e, subsidiariamente, no que couber, as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal. (Vide ADI 3.096-5 - STF) Leis Especiais 157

158 Leis Especiais Interessante notar que a pena máxima para aplicação das leis dos juizados é de 02 anos e quando se trata de vítima idoso essa pena máxima é aumentada para 04 anos, por isso que o STF, ao julgar a ADI 3096 entendeu que essa regra de 04 anos serve para aplicação do procedimento previsto pela lei dos juizados (procedimento sumaríssimo) e não a aplicação dos institutos despenalizadores previstos na lei. Foro por prerrogativa de função O julgamento será no tribunal previsto, no entanto, caso a pena esteja de acordo com o quantum dos juizados, serão aplicados os institutos despenalizadores lá no tribunal. Código de Trânsito Brasileiro O CTB prevê alguns crimes diretamente relacionados ao trânsito, dentre os crimes, o homicídio culposo tem pena de 02 a 04 anos, portanto não irá para o juizado especial, a embriaguez ao volante tem pena de 06 meses a 03 anos, portanto não será submetida a julgamento no juizado especial, porém caberá suspensão condicional do processo. O mais interessante é o crime de lesão corporal culposa no trânsito que tem pena de 06 meses a 02 anos, portanto, a regra é que irá para o Juizado Especial, no entanto, o próprio CTB, trouxe algumas hipóteses que excepcionaria essas regras, são elas: a) Sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência; b) Participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística, de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente; c) Transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50 km/h (cinqüenta quilômetros por hora). Competência e Atos processuais Para a definição de competência, o Código de Processo Penal adotou, em regra, a teoria do resultado. No entanto, a lei dos juizados define a competência pelo local em que a infração foi praticada. (teoria da atividade) Art. 63. A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração penal. Regras Processuais Os atos processuais serão públicos e poderão realizar-se em horário noturno e em qualquer dia da semana, conforme dispuserem as normas de organização judiciária. Os atos processuais serão válidos sempre que preencherem as finalidades para as quais foram realizados.. Não se pronunciará qualquer nulidade sem que tenha havido prejuízo. A prática de atos processuais em outras comarcas poderá ser solicitada por qualquer meio hábil de comunicação. Serão objeto de registro escrito exclusivamente os atos havidos por essenciais. Os atos realizados em audiência de instrução e julgamento poderão ser gravados em fita magnética ou equivalente. A citação será pessoal e far-se-á no próprio Juizado, sempre que possível, ou por mandado. Não encontrado o acusado para ser citado, o Juiz encaminhará as peças existentes ao Juízo comum para adoção do procedimento previsto em lei (citação por edital). O procedimento sumaríssimo do juizado especial inadmite a citação por edital. No entanto, a citação por hora certa é possível de acordo com o enunciado 110 do FONAJE. Se o processo for complexo ou existir a conexão ou continência, o processo irá para o juízo comum. Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. Art. 77. 2º Se a complexidade ou circunstâncias do caso não permitirem a formulação da denúncia, o Ministério Público poderá requerer ao Juiz o encaminhamento das peças existentes, na forma do parágrafo único do art. 66 desta Lei (enviar para o juízo comum) A intimação far-se-á por correspondência, com aviso de recebimento pessoal ou, tratando-se de pessoa jurídica ou firma individual, mediante entrega ao encarregado da recepção, que será obrigatoriamente identificado, ou, sendo necessário, por oficial de justiça, independentemente de mandado ou carta precatória, ou ainda por qualquer meio idôneo de comunicação. Fase Preliminar Termo Circunstanciado É um relatório sumário da ocorrência da Infração de Menor Potencial Ofensivo que indicará as partes, a infração penal, as provas e testemunhas. Servirá como um substitutivo do inquérito policial.

Prisão em Flagrante e Fiança Se o ator for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança. A contrariu sensu, se o autor não for encaminhado diretamente nem assumir o compromisso de comparecer ao juizado, a ele poderá se impor prisão em flagrante e a exigência de fiança. Em se tratando de usuário de drogas, em nenhuma hipótese se imporá prisão em flagrante. Vale ressaltar que a vedação da prisão em flagrante não impede a detença e a condução do autor a delegacia para lavratura do TCo. Composição Civil dos Danos A composição civil dos danos é o acordo realizado entre a vítima e o autor quando se tratar de ação penal privada ou ação penal pública condicionada à representação para que o autor do fato repare o dano causado e nem se inicie uma ação penal. Caso as partes a composição, ela será reduzida a termo e homologada pelo juiz mediante sentença irrecorrível, e terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente. O acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação. Diferentemente do Código Penal que a reparação do dano não enseja renúncia. Art. 104. Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado pelo crime. A audiência preliminar com intuito de conciliação será conduzida pelo juiz ou por conciliador, estes são os auxiliares da justiça recrutados na forma da lei local, preferentemente entre bacharéis em Direito, excluídos os que exerçam funções na administração da Justiça Criminal. Não obtida a composição civil dos danos, será dada a oportunidade ao ofendido para que ofereça a representação, no entanto o seu não-oferecimento não implica decadência do direito. Pois ainda possuirá o prazo legal para oferecer a representação (normalmente esse prazo é de 06 meses a contar do conhecimento da autoria do delito). A ausência da vítima, devidamente intimada, à audiência de conciliação, não importa em renúncia ao direito de queixa. Transação Penal Transação Penal é um acordo entre o Ministério Público e o acusado para aplicação imediata de uma pena restritiva de direitos ou multa e que não enseja em reconhecimento da autoria (culpa). O art. 76 caput só trabalha a transação penal nas ações penais públicas, isto é, quando o titular da ação penal é pública, mas entendem alguns doutrinadores que na ação penal privada também caberia transação penal, mas nesse caso o acordo seria com o ofendido, titular da ação penal privada. Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta. 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até a metade. Vedações à transação Não se admitirá a proposta de transação se ficar comprovado: ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por sentença definitiva; ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela aplicação de pena restritiva ou multa, nos termos deste artigo; não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida (circunstâncias judiciais favoráveis). Características da Transação Penal 1) Depende de aceitação pelo acusado e pelo advogado (prevalece a vontade do acusado). 2) Só é cabível se não for caso de arquivamento do termo circunstanciado. 3) Não gera reincidência 4) Somente será aplicado em caso de IMPO Descumprimento Injustificado da Transação Penal A transação penal poderá ensejar em multa ou em pena restritiva de direitos, caso enseje em multa, deverá ser paga na secretaria do juizado. O descumprimento da multa acarretará a inscrição como dívida ativa e o descumprimento da pena restritiva de direitos imposta prevalece que o MP deverá denunciar o autor da infração. Leis Especiais 159

160 Leis Especiais Da sentença que homologa a transação penal cabe apelação. Prescrição A transação penal não interrompe nem suspende a prescrição. Somente interromperá a prescrição, o recebimento da denúncia ou queixa; e ocorrerá a suspensão da prescrição com a suspensão condicional do processo. Sequência de atos Termo circunstanciado de ocorrência tentativa de composição civil dos danos proposta de transação representação (se for o caso) oferecimento da denúncia ou queixa citação Audiência de instrução e julgamento nova proposta de transação defesa preliminar (tentativa de não recebimento da denúncia) recebimento da denúncia ou queixa proposta de suspensão condicional do processo. Da rejeição da denúncia cabe apelação no prazo de 10 dias (no CPP o recurso cabível é o RESE recurso em sentido estrito) O prazo de apelação do CPP é de 05 dias + 08 dias para apresentar as razões, nos juizados as razões e o recurso serão apresentados conjuntamente no prazo de 10 dias. Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base no termo circunstanciado de ocorrência, com dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de delito quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente. Quando da audiência de instrução e julgamento, nenhum ato será adiado, determinando o Juiz, quando imprescindível, a condução coercitiva de quem deva comparecer. Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, podendo o Juiz limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias. A sentença, dispensado o relatório, mencionará os elementos de convicção do Juiz. Recursos e Turma Recursal Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que poderá ser julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado. Súmula 376, STJ - Compete à turma recursal processar e julgar o mandado de segurança contra ato de juizado especial. Embargos de declaração Caberão embargos de declaração quando, em sentença ou acórdão, houver obscuridade, contradição, omissão ou dúvida (No CPP, em vez de dúvida está ambiguidade). Os embargos de declaração serão opostos por escrito ou oralmente, no prazo de cinco dias, contados da ciência da decisão (no CPP, o prazo é de 02 dias). Quando opostos contra sentença, os embargos de declaração suspenderão o prazo para o recurso. Se forem opostos contra acórdão de turma recursal, interrompem (zeram) o prazo para recurso. No CPP, se forem opostos contra sentença ou contra acórdão, interrompem o prazo para recurso, salvo se forem procrastinatórios. Os erros materiais podem ser corrigidos de ofício. 01. De acordo com a Lei nº. 9.099/1995, é correto afirmar que os embargos de declaração serão opostos a) por escrito ou oralmente, no prazo de 5 dias, contados da ciência da decisão. b) somente por escrito, no prazo de 5 dias, contados da ciência da decisão. c) somente oralmente, no prazo de 2 dias, contados da ciência da decisão. d) por escrito ou oralmente, no prazo de 2 dias, contados da ciência da decisão. e) somente por escrito, no prazo de 2 dias, contados da ciência da decisão. Letra A: Os embargos de declaração são opostos no prazo de 05 dias contados da ciência da decisão e podem ser escritos ou orais. Recursos extraordinários Contra acórdão de turma recursal cabe recurso extraordinário, mas não cabe recurso especial. Súmula 203, STJ - Não cabe recurso especial contra decisão proferida, nos limites de sua competência, por órgão de segundo grau dos juizados especiais.

Súmula 640, STF - É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal. Habeas Corpus contra decisão de turma recursal Entendia o STF que o habeas corpus contra turma recursal de juizado especial criminal era competência do STF, esse entendimento estava na súmula 690. No entanto, esse entendimento está ultrapassado. Agora cabe ao tribunal competente julgar o HC (Tribunal de justiça no caso de juizado especial criminal ou Tribunal Regional Federal no caso de juizado especial federal). Súmula 690, STF - Compete originariamente ao Supremo Tribunal Federal o julgamento de habeas corpus contra decisão de turma recursal de juizados especiais criminais. Conflito de Competência Súmula 428, STJ - Compete ao Tribunal Regional Federal decidir os conflitos de competência entre juizado especial federal e juízo federal da mesma seção judiciária. Súmula 348, SJ - Compete ao Superior Tribunal de Justiça decidir os conflitos de competência entre juizado especial federal e juízo federal, ainda que da mesma seção judiciária. (cancelada em 17.03.2010) Suspensão Condicional Do Processo A suspensão condicional do processo é um instituto a ser proposto pelo MP para que o processo fique suspenso por um período chamado de prova (02 a 04 anos), desde que o acusado fique sob certas circunstâncias e ao final do período o juiz declara extinta a punibilidade, caso não tenha ocorrido a revogação da suspensão. Para aplicação da suspensão condicional do processo, há de se considerar a pena MÍNIMA não superior a 01 ano, diferentemente dos demais institutos que se considera a pena máxima não superior a 02 anos. O STF entende que se um crime tem uma pena alternativa de multa, sempre caberá suspensão independentemente da quantidade de pena. Ex.: art. 5 da lei 8137/90, pena - 2 a 5 anos ou multa. Além do requisito da pena mínima, também é necessário para aplicação da suspensão que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime e também possua os requisitos que autorizam a suspensão condicional da pena. Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal). A suspensão condicional do processo pode ser aplicada em qualquer juízo, pois o artigo 89 diz: abrangidos ou não pela lei dos juizados. A suspensão condicional do processo é uma proposta feita pelo MP ao juiz posteriormente ao recebimento da denúncia, caso o MP não queira propor, mesmo sendo o caso de suspensão, o juiz poderá aplicar por analogia o artigo 28 do CPP e remeter os autos ao Procurador Geral de Justiça. Condições da Suspensão Reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; O descumprimento injustificado dessa primeira hipótese ou se o beneficiário vier a ser processado por outro crime, a suspensão será obrigatoriamente revogada. Proibição de frequentar determinados lugares; Proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz; Comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. Suspensão da Prescrição Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo. Extinção da Punibilidade Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade. Desclassificação do Delito Caso ao final do processo, o juiz entenda que a conduta deverá ser desqualificada para outro crime, caberá suspensão condicional do processo desde que este crime para o qual foi desclassificada a conduta seja de médio potencial ofensivo (crimes cuja pena mínima não ultrapasse 01 ano). Esse é o entendimento do STJ na súmula 337: Súmula 337, STJ É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva. Leis Especiais 161

162 Leis Especiais 01. Sobre os juizados especiais criminais, assinale a alternativa correta. a) O juizado especial criminal tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução de infrações penais de menor potencial ofensivo, assim consideradas as contravenções penais e crimes com pena máxima não superior a dois anos cumulados com multa. b) Um dos principais objetivos do processo no juizado especial criminal é a reparação dos danos sofridos pela vítima, tanto que a composição dos danos civis é homologada por sentença irrecorrível que acarreta renúncia ao direito de queixa ou representação, nos casos de ação penal de iniciativa privada ou ação penal pública condicionada à representação. c) Das sentenças proferidas contra o réu, é cabível a interposição de recurso inominado, no prazo de dez dias, a ser julgado pela Turma Recursal. d) Por não haver disposição expressa na Lei 9.099/1995, entende-se cabível o recurso de embargos de declaração regido pelo art. 535 do Código de Processo Civil de 1973. 02. Os Juizados Especiais Criminais foram criados no ano de 1995 com o objetivo de conferir tratamento jurídico menos gravoso às infrações de menor potencial ofensivo. Neste contexto, de acordo com a Lei no 9.099/95, a) Nos crimes de ação penal pública a proposta de transação penal é oferecida pelo juiz, com a aquiescência do Ministério Público, quando presentes os requisitos legais. b) O oferecimento da resposta ocorre antes do recebimento da denúncia ou queixa. c) As disposições da Lei se aplicam à Justiça Militar, no que couber. d) São infrações de menor potencial ofensivo todos os crimes cuja pena máxima não exceda 2 (dois) anos, ressalvados os casos em que a lei preveja procedimento especial. e) É cabível a realização de citação por edital nos Juizados Especiais Criminais, aplicando-se o art. 366 do CPP. 03. No âmbito do sistema dos Juizados Especiais, regramentos específicos devem ser observados. Indique, tendo em conta as assertivas que seguem, a alternativa CORRETA: I. Em sede de audiência preliminar, presentes as partes, e estas representadas por seus respectivos advogados, é possível proceder com a composição dos danos civis e, como consequência, independentemente da infração penal em tese cometida, após homologação judicial redundará em renúncia ao direito de queixa ou representação. II. É facultado ao representante do Ministério Público ofertar proposta de transação penal, quando indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, se necessária e suficiente a adoção da medida, sendo obrigatório respeitar, entretanto, sua impossibilidade no caso de eventual existência de condenação criminal anterior com pena restritiva de liberdade, de concessão de idêntico benefício nos últimos cinco anos. III. O oferecimento de denúncia pelo Ministério Público ocorrerá oralmente na audiência preliminar, devendo a proposição de suspensão condicional do processo acontecer somente após a apresentação da defesa preliminar, já na audiência de instrução e julgamento. IV. O juiz ao prolatar a sentença condenatória aplicará a pena privilegiando a imposição de pena diversa da privativa de liberdade. a) Apenas as assertivas I, II e IV são verdadeiras. b) Apenas as assertivas II e III são verdadeiras. c) Apenas as assertivas II e IV são verdadeiras. d) Apenas as assertivas I e IV são verdadeiras. e) Apenas as assertivas I e III são verdadeiras. 04. Leia atentamente as assertivas a seguir. I. Nos crimes sujeitos ao procedimento da Lei n.º 9.099/95, a respeito do lugar do crime, adota-se a teoria da atividade. II. No delito plurilocal, no caso de a conduta e o resultado ocorrerem dentro do território nacional, aplica-se a teoria da ubiquidade. III. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro do domicílio ou da residência do réu somente quando não conhecido o lugar da infração. IV. Em relação ao foro especial, previsto em lei ordinária ou de organização judiciária, no caso de cometimento de crime contra a vida, prevalecerá a competência do Tribunal do Júri. Estão corretas apenas as afirmativas: a) I e IV. b) II e III. c) II e IV. d) I, II e IV. 05. Compete ao Juizado Especial Federal Criminal processar e julgar os feitos de competência da Justiça Federal relativos às infrações de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. Consideram-se infrações de menor potencial ofensivo as contravenções e os crimes a que a lei comine pena máxima NÃO superior a a) três anos, cumulada ou não com multa. b) dois anos, cumulada ou não com multa. c) dois anos, desde que não cumulada com multa. d) um ano, desde que não cumulada com multa. e) dois anos e seis meses, cumulada ou não com multa.

06. Acerca dos juizados especiais criminais, assinale a opção correta. a) No caso de revogação obrigatória da suspensão condicional do processo pela circunstância de o beneficiário ser processado pela prática de outro crime no curso da suspensão, se for oferecida a denúncia e ocorrer a absolvição sumária do réu por decisão transitada em julgado, deverá haver repristinação do benefício revogado. b) Se, oferecida denúncia, deixar o MP de ofertar, por motivos desconhecidos, a proposta de suspensão condicional do processo, ainda que presentes todos os requisitos do benefício, e restando silentes o juiz, o acusado e seu defensor, admite-se a aplicação do benefício em qualquer tempo e grau de jurisdição, por ser direito público subjetivo do acusado. c) O descumprimento das condições estabelecidas na transação penal, homologada, ou não, pelo juízo, permite a propositura da ação penal e enseja a imputação do crime de desobediência, em concurso material, caso o magistrado deixe consignada, na proposta de transação, advertência a esse respeito, aceita pelo autor do fato e por seu advogado. d) A condenação anterior por crime culposo sem que se tenha aplicado pena privativa de liberdade não é circunstância impeditiva à suspensão condicional do processo e) Tratando-se de crime contra a honra de servidor público federal, em razão do exercício de suas funções, admite-se, oferecida a queixa-crime, que a proposta de suspensão condicional do processo seja oferecida tanto pelo MP quanto pelo querelante, em razão da legitimidade concorrente para a ação penal. 07. Relativamente aos Juizados Especiais Criminais, assinale a afirmativa incorreta. a) Nas hipóteses de infração de menor potencial ofensivo, ao autor do fato que, após a lavratura do termo circunstanciado, for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança. b) Nos casos de infrações penais de menor potencial ofensivo em que a ação penal é de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação, o autor do fato e a vítima poderão realizar a composição dos danos, pondo fim ao litígio e acarretando a renúncia ao direito de queixa ou representação. c) A composição dos danos civis será reduzida a escrito e homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, porá fim ao processo, devendo, no entanto, a vítima ajuizar ação de conhecimento perante o juízo civil competente. d) O processo perante o Juizado Especial orientar- -se-á pelos critérios da oralidade, informalidade, economia processual e celeridade, objetivando, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não privativa de liberdade. e) Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. 08. Sobre o Juizado Especial Criminal (Lei 9.099/95) e seus institutos, considere as seguintes afirmativas: 1) O benefício da suspensão condicional do processo não é aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso material ou formal, quando a pena mínima cominada, seja pela somatória, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um ano. 2) O Juizado Especial Criminal tem competência para conciliação, julgamento e execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, consideradas como tais aquelas cuja pena máxima não exceda a 2 anos. 3) A competência do juizado será determinada pelo lugar do domicílio do autor ou do réu. 4) Os atos processuais serão públicos e poderão se realizar em horário noturno e em qualquer dia da semana. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras. b) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras. c) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras. d) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. e) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras 09. Sobre a Lei nº. 9.099/95, pode-se afirmar: a) Caso um indivíduo seja surpreendido praticando uma infração penal de menor potencial ofensivo, será preso em flagrante e recolhido à prisão. b) Um indivíduo conduzido à delegacia por infração de menor potencial ofensivo, praticado contra a sua esposa, dentro de sua residência, poderá, como medida acautelatória, ter decretado o seu afastamento do lar. c) A suspensão condicional da pena é instituto despenalizante previsto na Lei nº. 9.099/95. d) A proposta de transação penal é admissível, mesmo que o agente tenha sido beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela aplicação de pena restritiva ou multa. e) A proposta de transação penal é admissível, mesmo que o agente tenha sido beneficiado com outra proposta em menos de cinco anos. 10. À luz da lei que dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais (Lei 9.099/95), assinale a alternativa correta. a) A competência do juizado será determinada pelo lugar em que se consumar a infração penal. b) A citação será pessoal e se fará no próprio juizado, sempre que possível, ou por edital. c) O instituto da transação penal pode ser concedido pelo juiz sem a anuência do Ministério Público. d) Tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta. Leis Especiais 163

164 Leis Especiais 11. Com relação aos Juizados Especiais Criminais (Lei n.º 9.099/95), analise os seguintes itens: I. O agente que trouxer consigo drogas, para consumo pessoal, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, será processado e julgado na forma da Lei n.º 9.099/95; II. Aplica-se o rito processual previsto na Lei n.º 9.099/95 aos crimes de abuso de autoridade; III. No procedimento sumaríssimo previsto na Lei n.º 9.099/95 para o julgamento das infrações penais de menor potencial ofensivo, da decisão de rejeição da denúncia caberá recurso em sentido estrito; O descumprimento da proibição de frequentar determinados lugares ou da proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz, são causas de revogação obrigatória da suspensão condicional do processo. Está correto apenas o que se afirma em a) I e II. b) I e III. c) II e IV. d) III e IV. e) I e IV. 12. Acerca do procedimento relativo aos crimes de menor potencial ofensivo, previsto na Lei n.º 9.099/1995, assinale a opção correta. a) A reparação dos danos sofridos pela vítima não é objetivo do processo perante o juizado especial criminal, devendo ser objeto de ação de indenização por eventuais danos materiais e morais sofridos, perante a vara cível ou o juizado especial cível competente. b) Não sendo encontrado o acusado, para ser citado pessoalmente, e havendo certidão do oficial de justiça afirmando que o réu se encontra em local incerto e não sabido, o juiz do juizado especial criminal deverá proceder à citação por edital, ouvido previamente o MP. c) Na audiência preliminar, o ofendido terá a oportunidade de exercer o direito de representação verbal nas ações penais públicas condicionadas e, caso não o faça, ocorrerá a decadência do direito. d) Tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo o caso de arquivamento, o MP poderá propor a aplicação imediata de pena de multa, a qual, se for a única aplicável, poderá ser reduzida, pelo juiz, até a metade. 13. A Lei 9.099 de 26 de novembro de 1995 instituiu os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, os quais tem competência para conciliação, processo, julgamento e execução, nos limites da indigitada lei. No que respeita aos Juizados Especiais Criminais, é correto afirmar: I. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrentes da aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos da transação penal e da composição dos danos civis. II. A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração penal. III. A citação será pessoal e far-se-á no próprio Juizado, sempre que possível, por mandado ou por carta com aviso de recebimento. IV. O processo perante o Juizado Especial orientarse-á pelos critérios da oralidade, informalidade, economia processual e celeridade, objetivando, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não privativa de liberdade. a) Somente as proposições I, II e IV estão corretas. b) Somente as proposições I, III e IV estão corretas. c) Somente as proposições I, II e III estão corretas. d) Somente as proposições I e II estão corretas. e) Todas as afirmativas estão corretas. De acordo com a legislação especial pertinente, julgue o item. 14. A transação penal prevista na lei que dispõe acerca dos juizados especiais criminais implica suspensão do curso processual até o prazo final do acordo transacional, não resultando em reincidência, sendo vedado o registro do feito em certidão de antecedentes criminais. 15. Considerando as disposições processuais penais previstas na Lei federal n.º 9.099/1995 (Lei dos Juizados Especiais), assinale a opção correta. a) Os processos referentes aos juizados especiais criminais devem orientar-se pelos critérios de oralidade, documentação, simplicidade, formalidade, economia processual e celeridade, em busca, sempre que possível, da conciliação ou da transação. b) O juizado especial criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência apenas para a conciliação e o julgamento das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. c) Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrente da aplicação das regras de conexão e continência, serão observados os institutos da transação penal, excluindo- -se os da composição dos danos civis. d) Os atos processuais serão públicos e poderão realizar-se em horário noturno e em qualquer dia da semana, conforme dispuserem as normas de organização judiciária. 16. Analise as afirmativas abaixo relacionadas à Lei de Juizados Especiais (Lei nº 9.099/95): I. A citação do acusado será sempre pessoal e, sempre que possível, será realizada no próprio Juizado, ou por meio de mandado. Já a intimação será realizada por correspondência, com aviso de recebimento pessoal ou, sendo necessário, por oficial de justiça, independentemente de mandado ou carta precatória, ou ainda por qualquer meio idôneo de comunicação.

II. Não se admitirá a proposta de transação se ficar comprovado ter sido o autor da infração processado pela prática de crime, ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela aplicação de pena restritiva ou multa e não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida. III. A suspensão condicional do processo será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano. E poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta. IV. Caberá apelação, interposta no prazo de dez dias por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente, da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença, que será julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado. A análise permite concluir que: a) A afirmativa III está verdadeira e a afirmativa IV está incorreta; b) As afirmativas I e II estão corretas; c) A afirmativa IV está correta e a afirmativa I está incorreta; d) Apenas a afirmativa II está incorreta; e) Todas as afirmativas estão corretas. 17. No que se refere à suspensão do processo prevista no artigo 89, da Lei n o 9.099/95, é INCOR- RETO afirmar que a) A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado por outro crime. b) Além das condições obrigatórias estabelecidas por lei o Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado. c) A decisão judicial que homologa a suspensão condicional do processo interrompe a prescrição e, durante o prazo de suspensão do processo, não correrá a prescrição. d) Expirado o prazo de suspensão do processo, sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade. e) A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta. 18. No que concerne aos juizados especiais criminais, assinale a opção correta. a) São aplicáveis os preceitos desses juizados especiais no âmbito da justiça militar. b) É vedada a concessão da suspensão condicional do processo aos acusados que, condenados em feito criminal anterior, não possam mais ser havidos como reincidentes, dada a consumação do lapso de cinco anos do cumprimento da respectiva pena. c) Compete ao tribunal de justiça de cada estado processar e julgar habeas corpus impetrado contra ato emanado de turma recursal. d) O benefício da suspensão condicional do processo não pode ser revogado após o período de prova, ainda que os fatos que ensejaram a revogação tenham ocorrido antes do término desse período. 19. Assinale a afirmação incorreta. a) A lavratura do termo circunstanciado nas infrações penais de menor potencial ofensivo persequíveis mediante ação privada prescinde da prévia manifestação de vontade da vítima. b) A lavratura do termo circunstanciado nas infrações de pequeno potencial ofensivo persequíveis mediante ação pública condicionada à representação prescinde da existência desta condição de procedibilidade. c) Não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança, ao autor da infração de pequeno potencial ofensivo que assumir o compromisso de comparecer ao Juizado Especial. d) A ausência da vítima, devidamente intimada, à audiência de conciliação, importa em renúncia ao direito de queixa. e) Nas infrações de pequeno potencial ofensivo, a vítima decai do direito de queixa ou representação no prazo de 6 meses, contados do dia em que veio a saber quem é autor do crime praticado na vigência da Lei n.º 9.099/95. 20. De acordo com a Lei dos Juizados Especiais Criminais (Lei n o 9.099/95), tratando-se de ação penal pública condicionada à representação, se, na audiência preliminar, não for obtida a composição dos danos, mas o ofendido optar por não exercer o direito de representação, a) A ação será, desde logo, julgada extinta pela ocorrência da decadência do direito. b) O não-oferecimento da representação implica em renúncia desse direito. c) O prazo decadencial se interromperá e voltará a correr a partir da data da audiência. d) O não-oferecimento da representação não implica em decadência do direito, que poderá ser exercido no prazo de seis meses. e) O prazo decadencial ficará suspenso, até o ofendido juntar procuração comprovando estar assistido por advogado. 01 B 11 A 02 B 12 D 03 C 13 A 04 A 14 C 05 B 15 D 06 A 16 D 07 C 17 C 08 A 18 C 09 B 19 D 10 D 20 D Leis Especiais 165

166 Leis Especiais CAPÍTULO 05 Lei das Contravenções Penais Decreto-Lei 3.688/41 Introdução A referida lei traz as regras gerais e tipificas as condutas entendidas como contravenção penal, trazendo as regras que distingue as contravenções dos crimes/delitos. Esse tema se torna muito relevante diante da realidade expressada atualmente no sentido de incriminação ainda maior das condutas, deixando de lado as contravenções penais, salvo o jogo do bicho, pois, provavelmente se tornará crime. Infração Penal No Brasil, o conceito de infração penal foi subdividido em duas espécies (teoria bipartite), infração penal é o gênero e as espécies são ou crime ou contravenção penal. Se olharmos para a conduta em si, não dá para diferenciar crime de contravenção, por isso se diz que ontologicamente (na essência) são iguais, o que os diferenciam é a valoração dada pelo legislador (ontologicamente iguais, mas axiologicamente diferentes). Contravenção penal sinônimos: Crime formiga, delito liliputiano, crime vagabundo, crime-anão. IMPO = infrações de menor potencial ofensivo: São todas as contravenções e os crimes cuja pena máxima não seja superior a 02 anos. Reclusão Detenção Crime Regime fechado, semi-aberto e aberto Regime semi-aberto e aberto Contravenção Penal A prisão simples é sem rigor penitenciário e será em regime semiaberto ou aberto. Será em estabelecimento especial ou em seção especial de prisão comum (colônia agrícola ou casa do albergado), desde que fique sempre separado. Prisão simples e Multa Se a pena não ultrapassa 15 dias o trabalho é facultativo. No caso de prisão comum, o trabalho é facultativo para os presos provisórios (somente o trabalho interno) e para os presos políticos. Penas Acessórias As penas acessórias são a publicação da sentença (jornal de grande circulação na região) e as seguintes interdições de direitos: A incapacidade temporária para profissão ou atividade, cujo exercício dependa de habilitação especial, licença ou autorização do poder público; a suspensão dos direitos políticos (enquanto dure a execução da pena privativa de liberdade ou aplicação da medida de segurança detentiva). Limites das Penas Paras os crimes prevê o código penal em seu artigo 75 que o máximo da pena cumprida será de 30 anos: Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) anos. Já para as contravenções penais, a regra é diferente, pois o tempo máximo de cumprimento de pena é de 05 anos, art. 10 da lei das contravenções penais: Art. 10. A duração da pena de prisão simples não pode, em caso algum, ser superior a cinco anos, nem a importância das multas ultrapassarem cinquenta contos. Multa A multa prevista pelo código penal será aplicada de acordo com o artigo 49 e seguintes: A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de 10 (dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa. O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse salário. A multa pode ser aumentada até o triplo, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica do réu, é ineficaz, embora aplicada no máximo. A lei das contravenções penais prevê que a multa não pode ultrapassar cinquenta contos, no entanto, o art. 2 da lei 7.209/84 que alterou a parte geral do código penal prevê que as expressões de multa estão revogadas aplicando-se a regra contida no código penal. Conversão da multa em pena privativa de liberdade A lei das contravenções penais prevê em seu artigo 9 a conversão da multa em pena privativa de liberdade: Art. 9º A multa converte-se em prisão simples, de acordo com o que dispõe o Código Penal sobre a conversão de multa em detenção. Parágrafo único. Se a multa é a única pena cominada, a conversão em prisão simples se faz entre os limites de quinze dias e três meses. No entanto toda doutrina entende que quando se revogou a parte do código penal relativa a conversão de multas em pena privativa de liberdade, isso não seria mais possível em nenhuma legislação específica, ou seja, o art. 9 estaria tacitamente revogado.

Suspensão Condicional da Pena (Susis) Na lei das contravenções penais a pena pode ser suspensa pelo prazo de 01 a 03 anos, essa é a previsão do art. 11: Art. 11. Desde que reunidas as condições legais, o juiz pode suspender por tempo não inferior a um ano nem superior a três, a execução da pena de prisão simples, bem como conceder livramento condicional. No código penal a suspensão da pena é vinculada a quantidade de pena recebida na sentença, a saber: Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos. 2 o A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão. Internação em Manicômio Judiciário ou em Casa de Custódia Leis das Contravenções Penais Art. 16. O prazo mínimo de duração da internação em manicômio judiciário ou em casa de custódia e tratamento é de seis meses. Código Penal Art. 96 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo indeterminado, perdurando enquanto não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1 (um) a 3 (três) anos. Internação em Colônia Agrícola ou Instituto de Trabalho, de reeducação ou de ensino profissional São internados em colônia agrícola ou em instituto de trabalho, de reeducação ou de ensino profissional, pelo prazo mínimo de um ano: O condenado por vadiagem (art. 59); O condenado por mendicância (art. 60 e seu parágrafo). Essa previsão está no art. 15 da lei das contravenções penais e prevê que além das penas cominadas aos crimes vadiagem ou mendicância (a mendicância foi revogada), o agente também sofreria uma medida de internação concomitante, esse é o chamado duplo binário, não mais aceito pela doutrina moderna. Ação Penal Nos crimes previstos pelo código penal, com aplicação subsidiária à legislação extravagante, a ação penal em regra é pública incondicionada, sendo privada ou condicionada a representação quando a lei assim exigir. Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido. 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça. Crime Ação penal privada Vítima (queixacrime) pública Condicionada a representação ou incondicionada MP (denúncia). No caso de contravenção penal, a ação sempre será pública incondicionada: Art. 17. A ação penal é pública, devendo a autoridade proceder de ofício. Crítica da doutrina: A lei 9.099/95 transformou os delitos de lesão dolosa leve e lesão culposa em crimes de ação penal pública condicionada à representação, no entanto a contravenção penal de vias de fato (empurrão, socos, desde que não tenha lesão), continua a ser pública incondicionada. Se o mais (lesão corporal) é condicionada à representação, o menos (vias de fato) também deveria o ser. Tentativa De Contravenção Penal A tentativa é um instituto que tem a natureza jurídica mutacional, pois de acordo com a infração penal ela terá uma natureza jurídica diferente. Nos chamados delitos de empreendimento ou de atentado, a tentativa é impossível de ocorrer na prática, pois a própria tentativa já configura o delito. Também ocorre quando a própria legislação pune a tentativa como se fosse consumada, como no caso das faltas graves praticadas pelos presos. Há aqueles crimes que inadmitem a tentativa, como nos crimes culposos e nos omissivos próprios. No entanto a regra geral é que a tentativa é uma causa de diminuição de pena, pois é o que prevê o art. 14, parágrafo único do CP. Art. 14 - Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. No caso das contravenções penais, muitas questões dão como correta que a tentativa é inadmissível, lógico, se cair algo do tipo, pode marcar. No entanto, não se poderia dizer que a tentativa é inadmissível, pois no mundo dos fatos ela existe, somente não será punida, pois assim entendeu o legislador. Art. 4º Não é punível a tentativa de contravenção. Leis Especiais 167

168 Leis Especiais Territorialidade Somente será punida a contravenção penal se for praticada no território nacional. Portanto, a contravenção penal não será motivo de extradição. Art. 2º A lei brasileira só é aplicável à contravenção praticada no território nacional. Reincidência Crime (no Brasil ou no exterior) + contravenção penal = reincidência Contravenção (no Brasil) + contravenção penal = reincidência Art. 7º Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma contravenção depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção. Presunção de Periculosidade Presumem-se perigosos: O condenado por motivo de contravenção cometido, em estado de embriaguez pelo álcool ou substância de efeitos análogos, quando habitual a embriaguez; O condenado por vadiagem ou mendicância; Voluntariedade Art. 3º Para a existência da contravenção, basta a ação ou omissão voluntária. Deve-se, todavia, ter em conta o dolo ou a culpa, se a lei faz depender, de um ou de outra, qualquer efeito jurídico. Diz o artigo 3 que para a existência da contravenção penal, é desnecessário a existência do dolo ou da culpa, no entanto, para o direito penal moderno não há falar em infração penal sem que exista o elemento subjetivo dolo ou culpa, pois senão estaríamos diante de uma responsabilização penal objetiva. Tanto na teoria causalista (o dolo e a culpa estavam na culpabilidade), quanto na teoria finalista (dolo e culpa estão na conduta) o dolo e a culpa são necessários para a existência do crime. Erro de direito Art. 8º No caso de ignorância ou de errada compreensão da lei, quando escusáveis, a pena pode deixar de ser aplicada. Contravenções Penais em Espécie Contravenções Referentes à Pessoa Art. 18. Fabricar, importar, exportar, ter em depósito ou vender, sem permissão da autoridade, arma ou munição: Pena prisão simples, de três meses a um ano, ou multa, de um a cinco contos de réis, ou ambas cumulativamente, se o fato não constitui crime contra a ordem política ou social. Art. 19. Trazer consigo arma fora de casa ou de dependência desta, sem licença da autoridade: Pena prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis a três contos de réis, ou ambas cumulativamente. 1º A pena é aumentada de um terço até metade, se o agente já foi condenado, em sentença irrecorrível, por violência contra pessoa. 2º Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis a um conto de réis, quem, possuindo arma ou munição: a) deixa de fazer comunicação ou entrega à autoridade, quando a lei o determina; b) permite que alienado menor de 18 anos ou pessoa inexperiente no manejo de arma a tenha consigo; c) omite as cautelas necessárias para impedir que dela se apodere facilmente alienado, menor de 18 anos ou pessoa inexperiente em manejá-la. Os artigos 18 e 19 foram tacitamente derrogados (revogação parcial) pelo estatuto do desarmamento, permanecendo a contravenção relativa a armas brancas. Anúncio de meio abortivo Art. 20. Anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar aborto: Pena - multa de hum mil cruzeiros a dez mil cruzeiros. A contravenção acima prevê apenas a pena de multa, já o crime de incitação pública para a prática de crimes, a pena é de detenção de 3 a 6 meses ou multa. Vias de Fato Art. 21. Praticar vias de fato contra alguém: Pena prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de cem mil réis a um conto de réis, se o fato não constitui crime. Parágrafo único. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos. Internação Irregular em Estabelecimento Psiquiátrico Art. 22. Receber em estabelecimento psiquiátrico, e nele internar, sem as formalidades legais, pessoa apresentada como doente mental:

Pena multa, de trezentos mil réis a três contos de réis. 1º Aplica-se a mesma pena a quem deixa de comunicar a autoridade competente, no prazo legal, internação que tenha admitido, por motivo de urgência, sem as formalidades legais. 2º Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa de quinhentos mil réis a cinco contos de réis, aquele que, sem observar as prescrições legais, deixa retirar-se ou despede de estabelecimento psiquiátrico pessoa nele, internada. Art. 23. Receber e ter sob custódia doente mental, fora do caso previsto no artigo anterior, sem autorização de quem de direito: Pena prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis. Contravenções Referentes ao Patrimônio Art. 24. Fabricar, ceder ou vender gazua ou instrumento empregado usualmente na prática de crime de furto: Pena prisão simples, de seis meses a dois anos, e multa, de trezentos mil réis a três contos de réis. Art. 25. Ter alguém em seu poder, depois de condenado, por crime de furto ou roubo, ou enquanto sujeito à liberdade vigiada ou quando conhecido como vadio ou mendigo, gazuas, chaves falsas ou alteradas ou instrumentos empregados usualmente na prática de crime de furto, desde que não prove destinação legítima: Pena prisão simples, de dois meses a um ano, e multa de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 26. Abrir alguém, no exercício de profissão de serralheiro ou oficio análogo, a pedido ou por incumbência de pessoa de cuja legitimidade não se tenha certificado previamente, fechadura ou qualquer outro aparelho destinado à defesa de lugar nu objeto: Pena prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis a um conto de réis. Pena prisão simples, de um a seis meses, e multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis. Contravenções Referentes à Incolumidade Pública Art. 28. Disparar arma de fogo em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela: Pena prisão simples, de um a seis meses, ou multa, de trezentos mil réis a três contos de réis. Parágrafo único. Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a dois meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis, quem, em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, sem licença da autoridade, causa deflagração perigosa, queima fogo de artifício ou solta balão aceso. A contravenção penal de disparo foi tacitamente revogada pelo estatuto do desarmamento, a contravenção de deflagração perigosa foi tacitamente revogada pelo código penal no artigo 251 1, a contravenção penal de soltar balões foi tacitamente revogado pela lei dos crimes ambientais, apenas permaneceu a contravenção de queima de fogo de artifício. Art. 29. Provocar o desabamento de construção ou, por erro no projeto ou na execução, dar-lhe causa: Pena multa, de um a dez contos de réis, se o fato não constitui crime contra a incolumidade pública. Art. 30. Omitir alguém a providência reclamada pelo Estado ruinoso de construção que lhe pertence ou cuja conservação lhe incumbe: Pena multa, de um a cinco contos de réis. Omissão de Cautela da Guarda ou Condução de Animais Art. 31. Deixar em liberdade, confiar à guarda de pessoa inexperiente, ou não guardar com a devida cautela animal perigoso: Pena prisão simples, de dez dias a dois meses, ou multa, de cem mil réis a um conto de réis. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: a) na via pública, abandona animal de tiro, carga ou corrida, ou o confia à pessoa inexperiente; b) excita ou irrita animal, expondo a perigo a segurança alheia; c) conduz animal, na via pública, pondo em perigo a segurança alheia. Art. 64. Tratar animal com crueldade ou submetê-lo a trabalho excessivo: Pena prisão simples, de dez dias a um mês, ou multa, de cem a quinhentos mil réis. 1º Na mesma pena incorre aquele que, embora para fins didáticos ou científicos, realiza em lugar público ou exposto ao publico, experiência dolorosa ou cruel em animal vivo. 2º Aplica-se a pena com aumento de metade, se o animal é submetido a trabalho excessivo ou tratado com crueldade, em exibição ou espetáculo público. Leis Especiais 169

170 Leis Especiais Art. 32 da lei dos Crimes Ambientais: Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal. Direção sem Habilitação e Direção Perigosa de Veículo e embarcação Art. 32. Dirigir, sem a devida habilitação, veículo na via pública, ou embarcação a motor em aguas públicas: Pena multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. O artigo 32 da lei das contravenções penais foi tacitamente revogado pelo artigo 309 do código de trânsito brasileiro (CTB), subsistindo a contravenção na direção sem habilitação de embarcação (súmula 720, STF). Art. 34. Dirigir veículos na via pública, ou embarcações em águas públicas, pondo em perigo a segurança alheia: Pena prisão simples, de quinze a três meses, ou multa, de trezentos mil réis a dois contos de réis. Há que se considerar que algumas condutas do CTB absorvem a infração penal do artigo 34: Dirigir veículo com concentração de álcool Art. 306 CTB Participando de rachas Art. 308 CTB Com velocidade incompatível transitando próximo a escolas, hospitais, local de embarque e desembarque, logradouros estreitos, onde haja grande circulação de pessoas Art. 311 CTB Direção sem Habilitação e direção perigosa de aeronave Art. 33. Dirigir aeronave sem estar devidamente licenciado: Pena prisão simples, de quinze dias a três meses, e multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 35. Entregar-se na prática da aviação, a acrobacias ou a voos baixos, fora da zona em que a lei o permite, ou fazer descer a aeronave fora dos lugares destinados a esse fim: Pena prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis. Art. 36. Deixar do colocar na via pública, sinal ou obstáculo, determinado em lei ou pela autoridade e destinado a evitar perigo a transeuntes: Pena prisão simples, de dez dias a dois meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: a) apaga sinal luminoso, destrói ou remove sinal de outra natureza ou obstáculo destinado a evitar perigo a transeuntes; b) remove qualquer outro sinal de serviço público. Art. 37. Arremessar ou derramar em via pública, ou em lugar de uso comum, ou do uso alheio, coisa que possa ofender, sujar ou molestar alguém: Pena multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Parágrafo único. Na mesma pena incorre aquele que, sem as devidas cautelas, coloca ou deixa suspensa coisa que, caindo em via pública ou em lugar de uso comum ou de uso alheio, possa ofender sujar ou molestar alguém. Art. 38. Provocar, abusivamente, emissão de fumaça, vapor ou gás, que possa ofender ou molestar alguém: Pena multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Contravenções Referentes à Paz Pública Art. 39. Participar de associação de mais de cinco pessoas, que se reúnam periodicamente, sob compromisso de ocultar à autoridade a existência, objetivo, organização ou administração da associação: Pena prisão simples, de um a seis meses, ou multa, de trezentos mil réis a três contos de réis. 1º Na mesma pena incorre o proprietário ou ocupante de prédio que o cede, no todo ou em parte, para reunião de associação que saiba ser de caráter secreto. 2º O juiz pode, tendo em vista as circunstâncias, deixar de aplicar a pena, quando lícito o objeto da associação. Art. 40. Provocar tumulto ou portar-se de modo inconveniente ou desrespeitoso, em solenidade ou ato oficial, em assembleia ou espetáculo público, se o fato não constitui infração penal mais grave; Pena prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 41. Provocar alarma, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto: Pena prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.

Perturbação do Trabalho ou do sossego Art. 42. Perturbar alguém o trabalho ou o sossego alheio: I. com gritaria ou algazarra; II. III. IV. exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais; abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos; provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda: Pena prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Contravenções Referentes à Fé Pública Art. 43. Recusar-se a receber, pelo seu valor, moeda de curso legal no país: Pena multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 44. Usar, como propaganda, de impresso ou objeto que pessoa inexperiente ou rústica possa confundir com moeda: Pena multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 45. Fingir-se funcionário público: Pena prisão simples, de um a três meses, ou multa, de quinhentos mil réis a três contos de réis. Art 46. Usar, publicamente, de uniforme, ou distintivo de função pública que não exerce; usar, indevidamente, de sinal, distintivo ou denominação cujo emprego seja regulado por lei. Pena multa, de duzentos a dois mil cruzeiros, se o fato não constitui infração penal mais grave. Contravenções Relativas à Organização Do Trabalho Art. 47. Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício: Pena prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis. Art. 48. Exercer, sem observância das prescrições legais, comércio de antiguidades, de obras de arte, ou de manuscritos e livros antigos ou raros: Pena prisão simples de um a seis meses, ou multa, de um a dez contos de réis. Art. 49. Infringir determinação legal relativa à matrícula ou à escrituração de indústria, de comércio, ou de outra atividade: Pena multa, de duzentos mil réis a cinco contos de réis. Contravenções Relativas à Polícia de Costumes Art. 50. Estabelecer ou explorar jogo de azar em lugar público ou acessível ao público, mediante o pagamento de entrada ou sem ele: Pena prisão simples, de três meses a um ano, e multa, de dois a quinze contos de réis, estendendo- -se os efeitos da condenação à perda dos moveis e objetos de decoração do local. 1º A pena é aumentada de um terço, se existe entre os empregados ou participa do jogo pessoa menor de dezoito anos. 2º Incorre na pena de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis, quem é encontrado a participar do jogo, como ponteiro ou apostador. 3º Consideram-se, jogos de azar: c) o jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte; d) as apostas sobre corrida de cavalos fora de hipódromo ou de local onde sejam autorizadas; e) as apostas sobre qualquer outra competição esportiva. 4º Equiparam-se, para os efeitos penais, a lugar acessível ao público: a) a casa particular em que se realizam jogos de azar, quando deles habitualmente participam pessoas que não sejam da família de quem a ocupa; b) o hotel ou casa de habitação coletiva, a cujos hóspedes e moradores se proporciona jogo de azar; c) a sede ou dependência de sociedade ou associação, em que se realiza jogo de azar; d) o estabelecimento destinado à exploração de jogo de azar, ainda que se dissimule esse destino. Art. 51. Promover ou fazer extrair loteria, sem autorização legal: Pena prisão simples, de seis meses a dois anos, e multa, de cinco a dez contos de réis, estendendo-se os efeitos da condenação à perda dos moveis existentes no local. 1º Incorre na mesma pena quem guarda, vende ou expõe à venda, tem sob sua guarda para o fim de venda, introduz ou tenta introduzir na circulação bilhete de loteria não autorizada. 2º Considera-se loteria toda operação que, mediante a distribuição de bilhete, listas, cupões, vales, sinais, símbolos ou meios análogos, faz depender de sorteio a obtenção de prêmio em dinheiro ou bens de outra natureza. 3º Não se compreendem na definição do parágrafo anterior os sorteios autorizados na legislação especial. Leis Especiais 171

172 Leis Especiais Art. 52. Introduzir, no país, para o fim de comércio, bilhete de loteria, rifa ou tômbola estrangeiras: Pena prisão simples, de quatro meses a um ano, e multa, de um a cinco contos de réis. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem vende, expõe à venda, tem sob sua guarda. para o fim de venda, introduz ou tenta introduzir na circulação, bilhete de loteria estrangeira. Art. 53. Introduzir, para o fim de comércio, bilhete de loteria estadual em território onde não possa legalmente circular: Pena prisão simples, de dois a seis meses, e multa, de um a três contos de réis. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem vende, expõe à venda, tem sob sua guarda, para o fim de venda, introduz ou tonta introduzir na circulação, bilhete de loteria estadual, em território onde não possa legalmente circular. Art. 54. Exibir ou ter sob sua guarda lista de sorteio de loteria estrangeira: Pena prisão simples, de um a três meses, e multa, de duzentos mil réis a um conto de réis. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem exibe ou tem sob sua guarda lista de sorteio de loteria estadual, em território onde esta não possa legalmente circular. Art. 55. Imprimir ou executar qualquer serviço de feitura de bilhetes, lista de sorteio, avisos ou cartazes relativos a loteria, em lugar onde ela não possa legalmente circular: Pena prisão simples, de um a seis meses, e multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 56. Distribuir ou transportar cartazes, listas de sorteio ou avisos de loteria, onde ela não possa legalmente circular: Pena prisão simples, de um a três meses, e multa, de cem a quinhentos mil réis. Art. 57. Divulgar, por meio de jornal ou outro impresso, de rádio, cinema, ou qualquer outra forma, ainda que disfarçadamente, anúncio, aviso ou resultado de extração de loteria, onde a circulação dos seus bilhetes não seria legal: Pena multa, de um a dez contos de réis. Art. 58. Explorar ou realizar a loteria denominada jogo do bicho, ou praticar qualquer ato relativo à sua realização ou exploração: Pena prisão simples, de quatro meses a um ano, e multa, de dois a vinte contos de réis. Parágrafo único. Incorre na pena de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis, aquele que participa da loteria, visando a obtenção de prêmio, para si ou para terceiro. Art. 59. Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover à própria subsistência mediante ocupação ilícita: Pena prisão simples, de quinze dias a três meses. Parágrafo único. A aquisição superveniente de renda, que assegure ao condenado meios bastantes de subsistência, extingue a pena. 01. Assinale a alternativa que aponta contravenção penal recentemente revogada. a) Mendicância. b) Vadiagem. c) Jogo do bicho. d) Importunação ofensiva ao pudor. e) Perturbação da tranquilidade. RESPOSTA. A. O artigo 60 da lei das contravenções penais trazia o crime mendicância que foi revogado em 2009 pela lei 11983/09. Vale ressaltar que o artigo 59 (vadiagem) continua em vigor, ou seja, a vadiagem é uma contravenção penal Art. 61. Importunar alguém, em lugar público ou acessível ao público, de modo ofensivo ao pudor: Pena multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 62. Apresentar-se publicamente em estado de embriaguez, de modo que cause escândalo ou ponha em perigo a segurança própria ou alheia: Pena prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Parágrafo único. Se habitual a embriaguez, o contraventor é internado em casa de custódia e tratamento. Art. 63. Servir bebidas alcoólicas: I. a menor de dezoito anos; Prevalece no STJ que essa contravenção penal prevalece sobre o crime previsto no artigo 243 do ECA de vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida. II. III. IV. a quem se acha em estado de embriaguez; a pessoa que o agente sabe sofrer das faculdades mentais; a pessoa que o agente sabe estar judicialmente proibida de frequentar lugares onde se consome bebida de tal natureza: Pena prisão simples, de dois meses a um ano, ou multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis. Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte ou por motivo reprovável: Pena prisão simples, de quinze dias a dois meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.

Contravenções Referentes à Administração Pública Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I. crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II. crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa, de trezentos mil réis a três contos de réis. Art. 67. Inumar ou exumar cadáver, com infração das disposições legais: Pena prisão simples, de um mês a um ano, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 68. Recusar à autoridade, quando por esta, justificadamente solicitados ou exigidos, dados ou indicações concernentes à própria identidade, estado, profissão, domicílio e residência: Pena multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Parágrafo único. Incorre na pena de prisão simples, de um a seis meses, e multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis, se o fato não constitui infração penal mais grave, quem, nas mesmas circunstâncias, faz declarações inverídicas a respeito de sua identidade pessoal, estado, profissão, domicílio e residência. Pena prisão simples, de três meses a um ano. Art. 70. Praticar qualquer ato que importe violação do monopólio postal da União: Pena prisão simples, de três meses a um ano, ou multa, de três a dez contos de réis, ou ambas cumulativamente. 01. Acerca das contravenções penais, com principal previsão no Decreto-Lei nº 3.688, de 03 de outubro de 1941, assinale a alternativa correta. a) Não é punível a tentativa de contravenção; apenas a contravenção consumada, portanto. b) A pena de prisão simples deve ser cumprida com rigor penitenciário e em regime fechado. c) A lei brasileira é aplicável à contravenção praticada em território estrangeiro. d) O condenado à pena de prisão simples deverá cumprir pena junto dos condenados apenados com reclusão ou detenção. 02. Para as contravenções penais, a lei prevê a aplicação isolada ou cumulativa das penas de a) Prisão simples e detenção. b) Reclusão e detenção. c) Multa e prisão simples. d) Detenção e multa. e) Reclusão e prisão simples. 03. Considerando as disposições contidas na Parte Geral da Lei das Contravenções Penais, assinale a alternativa incorreta. a) A lei brasileira só é aplicável à contravenção praticada no território nacional. b) Não é punível a tentativa de contravenção. c) Nas contravenções, as penas principais são prisão simples e multa. d) Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma contravenção depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção. e) Nas contravenções, em caso de ignorância ou de errada compreensão da lei, quando inescusáveis, a pena pode deixar de ser aplicada. Acerca das contravenções penais, analise a hipótese a seguir e marque a alternativa correta: Osíris, jovem universitária de Medicina, soube estar gestante. Todavia, tratava-se de gravidez indesejada, e Osíris queria saber qual substância deveria ingerir para interromper a gestação. Objetivando tal informação, Osíris estimulou uma discussão em sala de aula sobre o aborto. O professor de Osíris, então, bastante animado com o interesse dos alunos sobre o assunto, passou também a emitir sua opinião, a qual era claramente favorável ao aborto. Referido professor mencionou, naquele momento, diversas substâncias capazes de provocar a interrupção prematura da gravidez, inclusive fornecendo os nomes de inúmeros remédios abortivos e indicando os que achava mais eficazes. Além disso, também afirmou que as mulheres deveriam ter o direito de praticar aborto sempre que achassem indesejável uma gestação. 04. Nesse sentido, considerando-se apenas os dados mencionados, é correto afirmar que o professor de Osíris praticou a) A contravenção penal prevista no art. 20 do Decreto- Lei 3.688/41, que dispõe: anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar aborto. b) O crime previsto no art. 286 do Código Penal, que dispõe: incitar, publicamente, a prática de crime. c) O crime previsto no art. 68 da Lei 8.078/90, que dispõe: fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. d) Fato atípico. Leis Especiais 173

174 Leis Especiais 05. Quanto às contravenções penais, é possível afirmar que a) Admitem a tentativa. b) Geram reincidência, se praticadas após condenação definitiva por crime. c) A pena de multa, se não paga, deve ser convertida em prisão simples. d) A ignorância da lei nunca isenta de pena. e) A pena pode ser cumprida, inicialmente, em regime fechado. 06. É certo afirmar: I. Além da possibilidade de trabalhar fora do estabelecimento prisional, o condenado do regime semiaberto poderá obter autorização de saída temporária para, sem vigilância direta, visitar a família, frequentar cursos supletivos profissionalizantes, de instrução de segundo grau ou superior, bem como participar de atividades outras que concorram para a ressocialização. II. Vender, fornecer ou entregar arma de fogo, branca ou munição a criança ou adolescente constitui contravenção penal. III. Constitui-se crime de desvio, ocultação ou apropriação de bens, apropriar-se, desviar ou ocultar bens pertencentes ao devedor sob recuperação judicial ou à massa falida, inclusive por meio da aquisição por interposta pessoa. IV. O aviso de inclusão de insumo não empregado na produção do bem ou na prestação dos serviços é crime contra as relações de consumo, tendo a sua consumação no momento em que o agente insere no produto a falsa informação. Analisando as proposições, pode-se afirmar: a) Somente as proposições II e IV estão corretas. b) Somente as proposições II e III estão corretas. c) Somente as proposições I e III estão corretas. d) Somente as proposições I e IV estão corretas. 07. Sobre as contravenções penais, previstas no Decreto-lei nº 3.688/41, é correto afirmar: a) O princípio da territorialidade tem aplicação exclusiva em se tratando de contravenção penal e, pois, não comporta a aplicação das regras previstas no art. 7º do Código Penal (extraterritorialidade). Ainda, em matéria de contravenção penal, pune-se a tentativa com a pena correspondente à infração consumada, diminuída de um a dois terços, conforme previsão do art. 14, parágrafo único, do Código Penal. b) O princípio da territorialidade tem aplicação em se tratando de contravenção penal, mas a regra da extraterritorialidade se impõe, em caráter excepcional, apenas em relação às infrações cometidas contra o Presidente da República. Ainda, em matéria de contravenção, existe previsão expressa de que não é punível a tentativa. c) O princípio da territorialidade tem aplicação exclusiva em se tratando de contravenção penal e, pois, não comporta a aplicação das regras previstas no art. 7º do Código Penal (extraterritorialidade). Ainda, em matéria de contravenção, existe previsão expressa de que não é punível a tentativa. d) O princípio da territorialidade não tem aplicação exclusiva em se tratando de contravenção penal e, pois, comporta a aplicação das regras previstas no art. 7º do Código Penal (extraterritorialidade). E, em matéria de contravenção penal, pune-se a tentativa com a pena correspondente à infração consumada, diminuída de um a dois terços, conforme previsão do art. 14, parágrafo único, do Código Penal. e) A aplicação da lei no espaço e a tentativa não são matérias tratadas de forma específica no decreto-lei que versa sobre as contravenções penais. Acerca do crime contra a dignidade sexual e da Lei das Contravenções Penais, assinale a opção correta. Considere a seguinte situação hipotética. Antônio convidou Bruna, 25 anos de idade, para ir a uma festa. De forma dissimulada, Antônio colocou determinada substância na bebida de Bruna, que, após alguns minutos, ficou totalmente alucinada. Aproveitando- -se do estado momentâneo de Bruna, que não poderia oferecer resistência, Antônio levou-a para o estacionamento da festa, onde com ela manteve conjunção carnal. Passado o efeito da substância, Bruna de nada se lembrava. 08. Nessa situação, Antônio praticou o delito de estupro comum, e não o de estupro de vulnerável. a) Aquele que mendiga, por ociosidade ou cupidez, pratica contravenção penal, ficando sujeito à pena de prisão simples. b) Aquele que pratica tentativa de contravenção penal deve ser punido, no entanto fará jus à causa de redução de pena prevista no CP em seu limite máximo. c) A mulher pode ser coautora do delito de estupro. d) A lei brasileira é aplicável a contravenção penal praticada fora do território nacional. 09. Assinale a alternativa correta: I. Trata-se de contravenção penal o uso, publicamente, de uniforme ou de distintivo de função pública que não exerce. II. Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. III. Quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima, não responderá pelo crime por ausência de potencial consciência da ilicitude. IV. Em todos os crimes contra a propriedade intelectual previstos no Código Penal, o intuito de lucro direto ou indireto é exigido para a caracterização do tipo penal. a) Somente a proposição I e II estão corretas. b) Somente as proposições I, III e IV estão corretas. c) Somente as proposições II e IV estão corretas. d) Somente as proposições I, II e III estão corretas. e) Todas as proposições estão corretas.

10. Analise as seguintes assertivas: I. A tentativa na contravenção penal não é passível de punição. II. Segundo a lei penal, quando o agente, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, somente responde pelos atos já praticados. Há desistência voluntária quando o agente, embora tenha iniciado a execução do crime, não a leva adiante, desistindo da consumação. Basta que a desistência seja voluntária, não se exigindo que seja espontânea. III. Não há punição a ser aplicada se, nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, houver arrependimento posterior, sendo reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente. Assinale a alternativa correta: a) Apenas as assertivas I e II são verdadeiras; b) Apenas as assertivas II e III são verdadeiras; c) Apenas as assertivas I e III são verdadeiras; d) Todas as assertivas são verdadeiras; e) Apenas uma assertiva é verdadeira. 01 A 06 C 02 C 07 C 03 E 08 D 04 D 09 D 05 B 10 A Leis Especiais 175

176 Leis Especiais CAPÍTULO 06 LEI DOS CRIMES AM- BIENTAIS 9.605/98 Introdução A presente lei trata dos crimes cometidos contra o meio ambiente e seu principal objetivo é a reparação ou compensação dos danos ambientais, por isso, prevê, em sua maioria, crimes de menor potencial ofensivo (princípio do poluidor pagador) Da Apreensão do Produto e do Instrumento de Infração Administrativa ou de Crime Verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos. Os animais serão libertados em seu habitat ou entregues a jardins zoológicos, fundações ou entidades assemelhadas, desde que fiquem sob a responsabilidade de técnicos habilitados. Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a instituições científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes. Os produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a instituições científicas, culturais ou educacionais. Os instrumentos utilizados na prática da infração serão vendidos, garantida a sua descaracterização por meio da reciclagem. Aspectos processuais penais Nas infrações penais previstas na Lei dos crimes ambientais, a ação penal é pública incondicionada. A transação penal nas infrações de menor potencial ofensivo ambiental tem como requisito a composição civil dos danos (compromisso formal de reparar o dano), salvo dano irreparável. A suspensão condicional do processo prevista na lei dos juizados prevê que serão suspensos os processos de crimes cuja pena mínima não seja superior a um ano. No entanto, a lei ambiental prevê a suspensão para crimes de menor potencial ofensivo (pena máxima até dois anos). Dos crimes em espécie As normas penais incriminadoras ambientais são, em sua maioria, normas penais em branco. É cabível o princípio da insignificância em crimes ambientais (STJ). Dos crimes contra a fauna Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida: Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa. 1º Incorre nas mesmas penas: I. quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo com a obtida; II. III. Perdão judicial quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural; quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente. 2º No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ameaçada de extinção, pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. 3 São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras. Causas de aumento de pena Caso haja o concurso entre essas causas de aumento de pena e as agravantes da parte geral, prevalecerá as causas aumento de pena. Não podendo ser aplicadas as duas em respeito ao princípio da vedação do bis in idem. 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é praticado: I. contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que somente no local da infração; II. em período proibido à caça; III. durante a noite; IV. com abuso de licença; V. em unidade de conservação; VI. com emprego de métodos ou instrumentos capazes de provocar destruição em massa.

5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício de caça profissional. 6º As disposições deste artigo não se aplicam aos atos de pesca. Art. 30. Exportar para o exterior peles e couros de anfíbios e répteis em bruto, sem a autorização da autoridade ambiental competente: Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. Art. 31. Introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico oficial favorável e licença expedida por autoridade competente: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. Com relação à legislação especial, julgue o item a seguir. 01. Constitui crime, previsto na Lei nº 9.605/98, a realização de experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, para fins didáticos ou científicos, ainda que, para tanto, não existam recursos alternativos. ERRADO. A experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, será crime se não existirem recursos alternativos. 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal. Art. 33. Provocar, pela emissão de efluentes ou carreamento de materiais, o perecimento de espécimes da fauna aquática existentes em rios, lagos, açudes, lagoas, baías ou águas jurisdicionais brasileiras: Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas cumulativamente. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas: I. quem causa degradação em viveiros, açudes ou estações de aquicultura de domínio público; II. quem explora campos naturais de invertebrados aquáticos e algas, sem licença, permissão ou autorização da autoridade competente; VII. quem fundeia embarcações ou lança detritos de qualquer natureza sobre bancos de moluscos ou corais, devidamente demarcados em carta náutica. Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente: Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem: I. pesca espécies que devam ser preservadas ou espécimes com tamanhos inferiores aos permitidos; II. pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos; Para que esta norma penal (proibição de utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos na prática da pescaria) incida sobre caso concreto, é indispensável que a pesca com equipamentos proibidos possa, efetivamente, causar risco às espécies ou ao ecossistema. VIII. transporta, comercializa, beneficia ou industrializa espécimes provenientes da coleta, apanha e pesca proibidas. Art. 35. Pescar mediante a utilização de: I. explosivos ou substâncias que, em contato com a água, produzam efeito semelhante; II. substâncias tóxicas, ou outro meio proibido pela autoridade competente: Pena - reclusão de um ano a cinco anos. Art. 36. Para os efeitos desta Lei, considera-se pesca todo ato tendente a retirar, extrair, coletar, apanhar, apreender ou capturar espécimes dos grupos dos peixes, crustáceos, moluscos e vegetais hidróbios, suscetíveis ou não de aproveitamento econômico, ressalvadas as espécies ameaçadas de extinção, constantes nas listas oficiais da fauna e da flora. Causas Excludentes da Ilicitude Nesses casos, apesar de o agente cometer a conduta, esta não será ilícita por incidir as causas especiais de exclusão da ilicitude prevista na lei dos crimes ambientais Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado: I. em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família; Leis Especiais 177

178 Leis Especiais II. para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora de animais, desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade competente; III. por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente. Acerca das disposições expressas na legislação ambiental, julgue os itens a seguir. 01. Considere que um fazendeiro, nos limites de sua propriedade rural, abata espécime da fauna silvestre brasileira sem autorização do órgão competente, visando proteger seu rebanho da ação predatória do animal. Nessa situação, o fato é atípico, pois a legislação ambiental expressamente prevê essa excludente. ERRADO. Somente não será crime o abate animal para proteger lavouras, se houver autorização legal e expressa da autoridade competente. Dos crimes contra a flora Art. 38. Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção: Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade. Art. 38-A. Destruir ou danificar vegetação primária ou secundária, em estágio avançado ou médio de regeneração, do Bioma Mata Atlântica, ou utilizá- -la com infringência das normas de proteção: Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade. Art. 39. Cortar árvores em floresta considerada de preservação permanente, sem permissão da autoridade competente: Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Art. 40. Causar dano direto ou indireto às Unidades de Conservação e às áreas de que trata o art. 27 do Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990, independentemente de sua localização: Pena - reclusão, de um a cinco anos. 1º Entende-se por Unidades de Conservação de Proteção Integral as Estações Ecológicas, as Reservas Biológicas, os Parques Nacionais, os Monumentos Naturais e os Refúgios de Vida Silvestre. 2 º A ocorrência de dano afetando espécies ameaçadas de extinção no interior das Unidades de Conservação de Proteção Integral será considerada circunstância agravante para a fixação da pena. 3º Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade. Art. 41. Provocar incêndio em mata ou floresta: Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa. Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa. Se o incêndio for em lavoura ou pastagem, estará configurado o crime do art. 250, CP. Art. 42. Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano: Pena - detenção de um a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Com relação à legislação especial, julgue o item a seguir. 01. O ato de soltar balões somente se caracteriza como crime contra o meio ambiente se, em consequência da conduta, houver incêndio em floresta ou em outras formas de vegetação, em áreas urbanas ou em qualquer tipo de assentamento humano. ERRADO. Será crime o ato de soltar balões que possam provocar incêndios, não sendo necessário que tenha ocorrido o incêndio em floresta ou em outras formas de vegetação. Art. 44. Extrair de florestas de domínio público ou consideradas de preservação permanente, sem prévia autorização, pedra, areia, cal ou qualquer espécie de minerais: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. Art. 45. Cortar ou transformar em carvão madeira de lei, assim classificada por ato do Poder Público, para fins industriais, energéticos ou para qualquer outra exploração, econômica ou não, em desacordo com as determinações legais: Pena - reclusão, de um a dois anos, e multa.

Art. 46. Receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição de licença do vendedor, outorgada pela autoridade competente, e sem munir-se da via que deverá acompanhar o produto até final beneficiamento: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, tem em depósito, transporta ou guarda madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem licença válida para todo o tempo da viagem ou do armazenamento, outorgada pela autoridade competente. Art. 48. Impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. Art. 49. Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Parágrafo único. No crime culposo, a pena é de um a seis meses, ou multa. Art. 50. Destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas ou vegetação fixadora de dunas, protetora de mangues, objeto de especial preservação: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. Art. 50-A. Desmatar, explorar economicamente ou degradar floresta, plantada ou nativa, em terras de domínio público ou devolutas, sem autorização do órgão competente: Pena - reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa. Causa excludente da ilicitude 1º Não é crime a conduta praticada quando necessária à subsistência imediata pessoal do agente ou de sua família. 2º Se a área explorada for superior a 1.000 ha (mil hectares), a pena será aumentada de 1 (um) ano por milhar de hectare. Art. 51. Comercializar motosserra ou utilizá-la em florestas e nas demais formas de vegetação, sem licença ou registro da autoridade competente: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. Art. 52. Penetrar em Unidades de Conservação conduzindo substâncias ou instrumentos próprios para caça ou para exploração de produtos ou subprodutos florestais, sem licença da autoridade competente: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. Causas de aumento de pena Art. 53. Nos crimes previstos nesta Seção, a pena é aumentada de um sexto a um terço se: I. do fato resulta a diminuição de águas naturais, a erosão do solo ou a modificação do regime climático; II. o crime é cometido: a) no período de queda das sementes; b) no período de formação de vegetações; c) contra espécies raras ou ameaçadas de extinção, ainda que a ameaça ocorra somente no local da infração; d) em época de seca ou inundação; e) durante a noite, em domingo ou feriado. Da poluição e outros crimes ambientais Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 1º Se o crime é culposo: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. Hipóteses qualificadoras 2º - Se o crime: I. tornar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana; II. causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população; III. IV. causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público de água de uma comunidade; dificultar ou impedir o uso público das praias; V. ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos: Pena - reclusão, de um a cinco anos. 3º Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível. Art. 55. Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida: Leis Especiais 179

180 Leis Especiais Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem deixa de recuperar a área pesquisada ou explorada, nos termos da autorização, permissão, licença, concessão ou determinação do órgão competente. Art. 56. Produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 1º Nas mesmas penas incorre quem: I. abandona os produtos ou substâncias referidos no caput ou os utiliza em desacordo com as normas ambientais ou de segurança; II. manipula, acondiciona, armazena, coleta, transporta, reutiliza, recicla ou dá destinação final a resíduos perigosos de forma diversa da estabelecida em lei ou regulamento. 2º Se o produto ou a substância for nuclear ou radioativa, a pena é aumentada de um sexto a um terço. 3º Se o crime é culposo: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. Causas gerais de aumento de pena dos crimes contra a flora Art. 58. Nos crimes dolosos previstos nesta Seção, as penas serão aumentadas: I. de um sexto a um terço, se resulta dano irreversível à flora ou ao meio ambiente em geral; II. de um terço até a metade, se resulta lesão corporal de natureza grave em outrem; III. até o dobro, se resultar a morte de outrem. Parágrafo único. As penalidades previstas neste artigo somente serão aplicadas se do fato não resultar crime mais grave. Art. 60. Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Art. 61. Disseminar doença ou praga ou espécies que possam causar dano à agricultura, à pecuária, à fauna, à flora ou aos ecossistemas: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Dos crimes contra o Ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural Art. 62. Destruir, inutilizar ou deteriorar: I. bem especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial; II. arquivo, registro, museu, biblioteca, pinacoteca, instalação científica ou similar protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial: Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena é de seis meses a um ano de detenção, sem prejuízo da multa. Art. 63. Alterar o aspecto ou estrutura de edificação ou local especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial, em razão de seu valor paisagístico, ecológico, turístico, artístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental, sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com a concedida: Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. Art. 64. Promover construção em solo não edificável, ou no seu entorno, assim considerado em razão de seu valor paisagístico, ecológico, artístico, turístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental, sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com a concedida: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. Art. 65. Pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano: Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. 1º Se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de 6 (seis) meses a 1 (um) ano de detenção e multa. 2º Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico nacional. Dos crimes contra a Administração Ambiental Art. 66. Fazer o funcionário público afirmação falsa ou enganosa, omitir a verdade, sonegar informações ou dados técnico-científicos em procedimentos de autorização ou de licenciamento ambiental:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. Art. 67. Conceder o funcionário público licença, autorização ou permissão em desacordo com as normas ambientais, para as atividades, obras ou serviços cuja realização depende de ato autorizativo do Poder Público: Pena - detenção, de um a três anos, e multa. Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de três meses a um ano de detenção, sem prejuízo da multa. Com relação à legislação especial, julgue o item a seguir. 01. O agente que concede licença ambiental em desacordo com a legislação comete crime próprio, de ação penal pública incondicionada e que não admite a modalidade culposa. ERRADO. Essa modalidade de crime ambiental prevê a modalidade culposa. Art. 68. Deixar, aquele que tiver o dever legal ou contratual de fazê-lo, de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental: Pena - detenção, de um a três anos, e multa. Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de três meses a um ano, sem prejuízo da multa. Art. 69. Obstar ou dificultar a ação fiscalizadora do Poder Público no trato de questões ambientais: Pena - detenção, de um a três anos, e multa. Art. 69-A. Elaborar ou apresentar, no licenciamento, concessão florestal ou qualquer outro procedimento administrativo, estudo, laudo ou relatório ambiental total ou parcialmente falso ou enganoso, inclusive por omissão: Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. 1º Se o crime é culposo: Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos. 2º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se há dano significativo ao meio ambiente, em decorrência do uso da informação falsa, incompleta ou enganosa. 01. Constitui crime cuja pena é de seis meses a um ano e multa matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, em desacordo com as prescrições legais pertinentes. Assim, diante de uma ocorrência policial dessa natureza e não havendo causas de aumento de pena, a autoridade policial competente deverá lavrar termo circunstanciado, em face da incidência de delito de menor potencial ofensivo. Acerca das disposições expressas na legislação ambiental, julgue os itens a seguir. 02. A ação penal para todos os delitos previstos na lei que dispõe acerca das sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente é, exclusivamente, pública incondicionada. 03. Relativamente à tutela penal do meio ambiente, assinale a opção correta. a) Não constitui crime o abate de animal quando realizado, entre outras hipóteses, em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família. b) Constitui crime matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente. Tal proibição não alcança, entretanto, os espécimes em rota migratória que não sejam nativos. c) Comprovada a responsabilidade de pessoa jurídica na prática de crime ambiental, ficará automaticamente excluída a responsabilidade das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato. d) Os animais ilegalmente caçados que forem apreendidos deverão ser libertados em seu habitat, não podendo ser entregues a jardins zoológicos ou a entidades similares. 04. Considerando a disciplina legal dos crimes contra o meio ambiente, assinale a opção correta. a) Incidem nas penas previstas em lei, na medida de sua culpabilidade, as pessoas que, tendo conhecimento da conduta criminosa de alguém contra o ambiente e podendo agir para evitá-la, deixem de impedir sua prática. b) As sanções penais aplicáveis às pessoas físicas pela prática de crimes ambientais são as penas restritivas de direitos e multa, mas não, as privativas de liberdade. c) Por se tratar de ente fictício, a pessoa jurídica não pode ser sujeito ativo dos crimes ambientais. d) O ato de soltar balões somente se caracteriza como crime contra o meio ambiente se, em consequência da conduta, houver incêndio em floresta ou em outras formas de vegetação, em áreas urbanas ou em qualquer tipo de assentamento humano. e) A responsabilidade penal por crimes ambientais está integralmente amparada no princípio da culpabilidade; desse modo, os tipos penais previstos na lei que dispõe sobre os crimes ambientais (Lei n.º 9.605/1998) só se consumam se os delitos forem praticados dolosamente. 05. De acordo com a Lei 9.605/98, afirma-se: I. Não é crime o abate de animal, quando realizado em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família. II. Não é crime o abate de animal, quando realizado para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora de animais, independentemente de autorização. Leis Especiais 181

182 Leis Especiais III. Não é crime o abate de animal, quando realizado por ser este nocivo, desde que assim caracterizado pelo órgão competente. IV. Constitui crime destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia. V. Nos crimes contra a flora a pena é aumentada de um sexto a um terço se o crime for cometido no período de queda das sementes. Estão CORRETAS: a) Somente as afirmativas I e II. b) Somente as afirmativas I, II, IV e V. c) Somente as afirmativas II, III e IV. d) Somente as afirmativas I, III, IV e V. e) Todas as afirmativas. 06. Assinale a alternativa incorreta: a) Os estabelecimentos comerciais que vendem motosserras são obrigados ao registro junto ao IBAMA, assim como aqueles que adquirem os equipamentos. O porte e uso de motosserras, por sua vez, depende de licença concedida pelo IBAMA, que deve ser renovada a cada 02 (dois) anos; b) A legislação ambiental permite a responsabilização criminal da pessoa jurídica, sendo-lhe aplicáveis as penas de multa, restritivas de direitos e de prestação de serviços à comunidade. Dentre as modalidades desta última, encontram-se o custeio de programas e de projetos ambientais, bem como, a manutenção de espaços públicos; c) Caracteriza crime ambiental manter em cativeiro animal da fauna silvestre, proveniente de criadouro não autorizado e sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente. Em tal hipótese, apreendido o animal, este será libertado em seu habitat ou entregue a jardim zoológico, fundações ou entidades assemelhadas, desde que fique sob a responsabilidade de técnicos habilitados; d) Constitui crime contra o meio ambiente executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida. Já a conduta de deixar de recuperar a área explorada, nos termos da determinação do órgão competente, caracteriza apenas infração administrativa, punida com multa diária; e) Constituem espécies de sanções para a prática de infrações administrativas ambientais, dentre outras: advertência, multa simples, multa diária, destruição ou inutilização do produto, embargo de obra ou atividade e demolição de obra. 07. A propósito do crime de poluição previsto no art. 54 da Lei nº 9.605/98, analise as seguintes afirmações: I. O crime se caracteriza quando o agente causa ou produz poluição atmosférica em níveis de que resultem, ou possam resultar danos à saúde humana. II. O crime se caracteriza quando o agente causa ou produz poluição de qualquer natureza, de que resulte a mortandade de animais. III. O crime se caracteriza quando o agente causa ou produz poluição de qualquer natureza que venha a provocar destruição de qualquer parcela da flora. Todas as afirmativas acima são corretas. a) As afirmativas I e III são corretas. b) As afirmativas II e III são corretas. c) Apenas a afirmativa I é correta. d) Apenas a afirmativa III é incorreta. 08. Assinale a alternativa correta: a) constitui crime de poluição, descrito no art. 54 da Lei nº 9.605/98 (Crimes ambientais), o ato de causar poluição de qualquer natureza, que resulte em danos à saúde humana, na mortandade de animais ou na destruição, ainda que não significativa, da flora. b) os crimes contra o meio ambiente, previstos na Lei nº 9.605/98, não admitem a modalidade culposa. c) nos crimes contra o meio ambiente, previstos na Lei nº 9.605/98, a colaboração do réu com os agentes de vigilância e controle ambiental constitui circunstância atenuante. d) nos crimes contra o meio ambiente, previstos na Lei nº 9.605/98, a responsabilidade das pessoas jurídicas exclui a das pessoas físicas partícipes do mesmo fato, mas não as que atuam como autoras ou coautoras. e) constitui crime, previsto na Lei nº 9.605/98, a realização de experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, para fins didáticos ou científicos, ainda que, para tanto, não existam recursos alternativos. Em relação aos crimes ambientais, julgue o item abaixo. 09. Constitui crime ambiental, sujeito à pena de detenção e multa, vender ou expor à venda, ter em depósito, transportar ou guardar madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem licença válida para todo o tempo da viagem ou do armazenamento, outorgada pela autoridade competente. Com relação à legislação especial, julgue o item que se segue. 10. Deve-se reconhecer a atipicidade material da conduta de uso de apetrecho de pesca proibido se resta evidente a completa ausência de ofensividade ao bem jurídico tutelado pela norma penal, qual seja, a fauna aquática. 01 C 06 D 02 C 07 E 03 A 08 C 04 A 09 C 05 D 10 C

CAPÍTULO 07 Decreto nº 5.948, de 26 de Outubro de 2006 Aprova a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e institui Grupo de Trabalho Interministerial com o objetivo de elaborar proposta do Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas - PNETP. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea a, da Constituição, Decreta: Art.1º Fica aprovada a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que tem por finalidade estabelecer princípios, diretrizes e ações de prevenção e repressão ao tráfico de pessoas e de atendimento às vítimas, conforme Anexo a este Decreto. Art. 10. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Anexo Política Nacional De Enfrentamento Ao Tráfico De Pessoas Capítulo I Disposições Gerais Art.1º A Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas tem por finalidade estabelecer princípios, diretrizes e ações de prevenção e repressão ao tráfico de pessoas e de atenção às vítimas, conforme as normas e instrumentos nacionais e internacionais de direitos humanos e a legislação pátria. Art.2º Para os efeitos desta Política, adota-se a expressão tráfico de pessoas conforme o Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial Mulheres e Crianças, que a define como o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos. 1º O termo crianças descrito no caput deve ser entendido como criança e adolescente, de acordo com a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, Estatuto da Criança e do Adolescente. 2º O termo rapto descrito no caput deste artigo deve ser entendido como a conduta definida no art. 148 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940, Código Penal Brasileiro, referente ao seqüestro e cárcere privado. 3º A expressão escravatura ou práticas similares à escravatura deve ser entendida como: I. a conduta definida no art. 149 do Decreto- -Lei no 2.848, de 1940, referente à redução à condição análoga a de escravo; e II. a prática definida no art. 1º da Convenção Suplementar sobre a Abolição da Escravatura, do Tráfico de Escravos e das Instituições e Práticas Análogas à Escravatura, como sendo o casamento servil. 4º A intermediação, promoção ou facilitação do recrutamento, do transporte, da transferência, do alojamento ou do acolhimento de pessoas para fins de exploração também configura tráfico de pessoas. 5º O tráfico interno de pessoas é aquele realizado dentro de um mesmo Estado-membro da Federação, ou de um Estado-membro para outro, dentro do território nacional. 6º O tráfico internacional de pessoas é aquele realizado entre Estados distintos. 7º O consentimento dado pela vítima é irrelevante para a configuração do tráfico de pessoas. Capítulo II Princípios E Diretrizes Seção I Princípios Art.3º São princípios norteadores da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas: I. respeito à dignidade da pessoa humana; II. III. IV. não-discriminação por motivo de gênero, orientação sexual, origem étnica ou social, procedência, nacionalidade, atuação profissional, raça, religião, faixa etária, situação migratória ou outro status; proteção e assistência integral às vítimas diretas e indiretas, independentemente de nacionalidade e de colaboração em processos judiciais; promoção e garantia da cidadania e dos direitos humanos; V. respeito a tratados e convenções internacionais de direitos humanos; VI. VII. universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos; e transversalidade das dimensões de gênero, orientação sexual, origem étnica ou social, procedência, raça e faixa etária nas políticas públicas. Leis Especiais 183

184 Leis Especiais Parágrafo único. A Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas observará os princípios da proteção integral da criança e do adolescente. Seção II Diretrizes Gerais Art.4º São diretrizes gerais da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas: I. fortalecimento do pacto federativo, por meio da atuação conjunta e articulada de todas as esferas de governo na prevenção e repressão ao tráfico de pessoas, bem como no atendimento e reinserção social das vítimas; II. III. IV. fomento à cooperação internacional bilateral ou multilateral; articulação com organizações não-governamentais, nacionais e internacionais; estruturação de rede de enfrentamento ao tráfico de pessoas, envolvendo todas as esferas de governo e organizações da sociedade civil; V. fortalecimento da atuação nas regiões de fronteira, em portos, aeroportos, rodovias, estações rodoviárias e ferroviárias, e demais áreas de incidência; VI. VII. VIII. IX. verificação da condição de vítima e respectiva proteção e atendimento, no exterior e em território nacional, bem como sua reinserção social; incentivo e realização de pesquisas, considerando as diversidades regionais, organização e compartilhamento de dados; incentivo à formação e à capacitação de profissionais para a prevenção e repressão ao tráfico de pessoas, bem como para a verificação da condição de vítima e para o atendimento e reinserção social das vítimas; harmonização das legislações e procedimentos administrativos nas esferas federal, estadual e municipal relativas ao tema; X. incentivo à participação da sociedade civil em instâncias de controle social das políticas públicas na área de enfrentamento ao tráfico de pessoas; XI. XII. incentivo à participação dos órgãos de classe e conselhos profissionais na discussão sobre tráfico de pessoas; e garantia de acesso amplo e adequado a informações em diferentes mídias e estabelecimento de canais de diálogo, entre o Estado, sociedade e meios de comunicação, referentes ao enfrentamento ao tráfico de pessoas. Seção III Diretrizes Específicas Art.5º São diretrizes específicas de prevenção ao tráfico de pessoas: I. implementação de medidas preventivas nas políticas públicas, de maneira integrada e intersetorial, nas áreas de saúde, educação, trabalho, segurança, justiça, turismo, assistência social, desenvolvimento rural, esportes, comunicação, cultura, direitos humanos, dentre outras; II. III. IV. apoio e realização de campanhas socioeducativas e de conscientização nos âmbitos internacional, nacional, regional e local, considerando as diferentes realidades e linguagens; monitoramento e avaliação de campanhas com a participação da sociedade civil; apoio à mobilização social e fortalecimento da sociedade civil; e V. fortalecimento dos projetos já existentes e fomento à criação de novos projetos de prevenção ao tráfico de pessoas. Art.6º São diretrizes específicas de repressão ao tráfico de pessoas e de responsabilização de seus autores: I. cooperação entre órgãos policiais nacionais e internacionais; II. III. IV. cooperação jurídica internacional; sigilo dos procedimentos judiciais e administrativos, nos termos da lei; e integração com políticas e ações de repressão e responsabilização dos autores de crimes correlatos. Art.7º São diretrizes específicas de atenção às vítimas do tráfico de pessoas: I. proteção e assistência jurídica, social e de saúde às vítimas diretas e indiretas de tráfico de pessoas; II. III. IV. assistência consular às vítimas diretas e indiretas de tráfico de pessoas, independentemente de sua situação migratória e ocupação; acolhimento e abrigo provisório das vítimas de tráfico de pessoas; reinserção social com a garantia de acesso à educação, cultura, formação profissional e ao trabalho às vítimas de tráfico de pessoas; V. reinserção familiar e comunitária de crianças e adolescentes vítimas de tráfico de pessoas;

VI. VII. VIII. atenção às necessidades específicas das vítimas, com especial atenção a questões de gênero, orientação sexual, origem étnica ou social, procedência, nacionalidade, raça, religião, faixa etária, situação migratória, atuação profissional ou outro status; proteção da intimidade e da identidade das vítimas de tráfico de pessoas; e levantamento, mapeamento, atualização e divulgação de informações sobre instituições governamentais e não-governamentais situadas no Brasil e no exterior que prestam assistência a vítimas de tráfico de pessoas. Capítulo III Ações Art.8º Na implementação da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, caberá aos órgãos e entidades públicos, no âmbito de suas respectivas competências e condições, desenvolver as seguintes ações: I. na área de Justiça e Segurança Pública: a) proporcionar atendimento inicial humanizado às vítimas de tráfico de pessoas que retornam ao País na condição de deportadas ou não admitidas nos aeroportos, portos e pontos de entrada em vias terrestres; b) elaborar proposta intergovernamental de aperfeiçoamento da legislação brasileira relativa ao enfrentamento do tráfico de pessoas e crimes correlatos; c) fomentar a cooperação entre os órgãos federais, estaduais e municipais ligados à segurança pública para atuação articulada na prevenção e repressão ao tráfico de pessoas e responsabilização de seus autores; d) propor e incentivar a adoção do tema de tráfico de pessoas e direitos humanos nos currículos de formação dos profissionais de segurança pública e operadores do Direito, federais, estaduais e municipais, para capacitação, quando do ingresso na instituição e de forma continuada, para o enfrentamento a este tipo de crime; e) fortalecer as rubricas orçamentárias existentes e criar outras voltadas para a formação dos profissionais de segurança pública e de justiça na área de enfrentamento ao tráfico de pessoas; f) incluir nas estruturas específicas de inteligência policial a investigação e repressão ao tráfico de pessoas; II. g) criar, nas Superintendências Regionais do Departamento de Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, estruturas específicas para o enfrentamento do tráfico de pessoas e outros crimes contra direitos humanos; h) promover a aproximação dos profissionais de segurança pública e operadores do Direito com a sociedade civil; i) celebrar acordos de cooperação com organizações da sociedade civil que atuam na prevenção ao tráfico de pessoas e no atendimento às vítimas; j) promover e incentivar, de forma permanente, cursos de atualização sobre tráfico de pessoas, para membros e servidores dos órgãos de justiça e segurança pública, preferencialmente por meio de suas instituições de formação; k) articular os diversos ramos do Ministério Público dos Estados e da União, da Magistratura Estadual e Federal e dos órgãos do sistema de justiça e segurança pública; l) organizar e integrar os bancos de dados existentes na área de enfrentamento ao tráfico de pessoas e áreas correlatas; m) celebrar acordos de cooperação técnica com entidades públicas e privadas para subsidiar a atuação judicial e extrajudicial; n) incluir o tema de tráfico de pessoas nos cursos de combate à lavagem de dinheiro, ao tráfico de drogas e armas e a outros crimes correlatos; o) desenvolver, em âmbito nacional, mecanismos de prevenção, investigação e repressão ao tráfico de pessoas cometido com o uso da rede mundial de computadores, e conseqüente responsabilização de seus autores; e p) incluir a possível relação entre o desaparecimento e o tráfico de pessoas em pesquisas e investigações policiais; na área de Relações Exteriores: a) propor e elaborar instrumentos de cooperação internacional na área do enfrentamento ao tráfico de pessoas; b) iniciar processos de ratificação dos instrumentos internacionais referentes ao tráfico de pessoas; c) inserir no Manual de Serviço Consular e Jurídico do Ministério das Relações Exteriores um capítulo específico de assistência consular às vítimas de tráfico de pessoas; Leis Especiais 185

186 Leis Especiais III. IV. d) incluir o tema de tráfico de pessoas nos cursos de remoção oferecidos aos servidores do Ministério de Relações Exteriores; e) promover a coordenação das políticas referentes ao enfrentamento ao tráfico de pessoas em fóruns internacionais bilaterais e multilaterais; f) propor e apoiar projetos de cooperação técnica internacional na área de enfrentamento ao tráfico de pessoas; g) coordenar e facilitar a participação brasileira em eventos internacionais na área de enfrentamento ao tráfico de pessoas; e h) fortalecer os serviços consulares na defesa e proteção de vítimas de tráfico de pessoas; na área de Educação: a) celebrar acordos com instituições de ensino e pesquisa para o desenvolvimento de estudos e pesquisas relacionados ao tráfico de pessoas; b) incluir a questão do tráfico de pessoas nas ações e resoluções do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação (FNDE/MEC); c) apoiar a implementação de programas e projetos de prevenção ao tráfico de pessoas nas escolas; d) incluir e desenvolver o tema do enfrentamento ao tráfico de pessoas nas formações continuadas da comunidade escolar, em especial os trabalhadores da educação; e) promover programas intersetoriais de educação e prevenção ao tráfico de pessoas para todos os atores envolvidos; e f) fomentar a educação em direitos humanos com destaque ao enfrentamento ao tráfico de pessoas em todas modalidades de ensino, inclusive no ensino superior; na área de Saúde: a) garantir atenção integral para as vítimas de tráfico de pessoas e potencializar os serviços existentes no âmbito do Sistema Único de Saúde; b) acompanhar e sistematizar as notificações compulsórias relativas ao tráfico de pessoas sobre suspeita ou confirmação de maus-tratos, violência e agravos por causas externas relacionadas ao trabalho; c) propor a elaboração de protocolos específicos para a padronização do atendimento às vítimas de tráfico de pessoas; e d) capacitar os profissionais de saúde na área de atendimento às vítimas de tráfico de pessoas; V. na área de Assistência Social: VI. VII. VIII. a) oferecer assistência integral às vítimas de tráfico de pessoas no âmbito do Sistema Único de Assistência Social; b) propiciar o acolhimento de vítimas de tráfico, em articulação com os sistemas de saúde, segurança e justiça; c) capacitar os operadores da assistência social na área de atendimento às vítimas de tráfico de pessoas; e d) apoiar a implementação de programas e projetos de atendimento específicos às vítimas de tráfico de pessoas; na área de Promoção da Igualdade Racial: a) garantir a inserção da perspectiva da promoção da igualdade racial nas políticas governamentais de enfrentamento ao tráfico de pessoas; b) apoiar as experiências de promoção da igualdade racial empreendidas por Municípios, Estados e organizações da sociedade civil voltadas à prevenção ao tráfico de pessoas e atendimento às vítimas; e c) promover a realização de estudos e pesquisas sobre o perfil das vítimas de tráfico de pessoas, com ênfase na população negra e outros segmentos étnicos da população brasileira; na área do Trabalho e Emprego: a) orientar os empregadores e entidades sindicais sobre aspectos ligados ao recrutamento e deslocamento de trabalhadores de uma localidade para outra; b) fiscalizar o recrutamento e o deslocamento de trabalhadores para localidade diversa do Município ou Estado de origem; c) promover articulação com entidades profissionalizantes visando capacitar e reinserir a vítima no mercado de trabalho; e d) adotar medidas com vistas a otimizar a fiscalização dos inscritos nos Cadastros de Empregadores que Tenham Mantido Trabalhadores em Condições Análogas a de Escravo; na área de Desenvolvimento Agrário: a) diminuir a vulnerabilidade do trabalhador e prevenir o recrutamento mediante políticas específicas na área de desenvolvimento rural;

IX. b) promover ações articuladas com parceiros que atuam nos Estados de origem dos trabalhadores recrutados; c) formar parcerias no que tange à assistência técnica para avançar na implementação da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural; d) excluir da participação em certames licitatórios e restringir o acesso aos recursos do crédito rural a todas as pessoas físicas ou jurídicas que explorem o trabalho forçado ou em condição análoga a de escravo; e) promover a reinclusão de trabalhadores libertados e de resgate da cidadania, mediante criação de uma linha específica, em parceria com o Ministério da Educação, para alfabetização e formação dos trabalhadores resgatados, de modo que possam atuar como agentes multiplicadores para a erradicação do trabalho forçado ou do trabalho em condição análoga a de escravo; e f) incentivar os Estados, Municípios e demais parceiros a acolher e prestar apoio específico aos trabalhadores libertados, por meio de capacitação técnica; na área dos Direitos Humanos: a) proteger vítimas, réus colaboradores e testemunhas de crimes de tráfico de pessoas; b) receber denúncias de tráfico de pessoas através do serviço de disque-denúncia nacional, dando o respectivo encaminhamento; c) incluir ações específicas sobre enfrentamento ao tráfico de pessoas e fortalecer ações existentes no âmbito de programas de prevenção à violência e garantia de direitos; d) proporcionar proteção aos profissionais que atuam no enfrentamento ao tráfico de pessoas e que, em função de suas atividades, estejam ameaçados ou se encontrem em situação de risco; e) incluir o tema do tráfico de pessoas nas capacitações dos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente e Conselhos Tutelares; f) articular ações conjuntas de enfrentamento ao tráfico de crianças e adolescentes em regiões de fronteira; g) promover, em parceira com os órgãos e entidades diretamente responsáveis, a prevenção ao trabalho escravo, através da sensibilização de operadores de Direito, orientação a produtores rurais acerca dos direitos trabalhistas, educação e capacitação de trabalhadores rurais; e h) disponibilizar mecanismos de acesso a direitos, incluindo documentos básicos, preferencialmente nos Municípios identificados como focos de aliciamento de mão- -de-obra para trabalho escravo; X. na área da Proteção e Promoção dos Direitos da Mulher: a) qualificar os profissionais da rede de atendimento à mulher em situação de violência para o atendimento à mulher traficada; b) incentivar a prestação de serviços de atendimento às mulheres traficadas nos Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência; c) apoiar e incentivar programas e projetos de qualificação profissional, geração de emprego e renda que tenham como beneficiárias diretas mulheres traficadas; d) fomentar debates sobre questões estruturantes favorecedoras do tráfico de pessoas e relativas à discriminação de gênero; e) promover ações de articulação intersetoriais visando a inserção da dimensão de gênero nas políticas públicas básicas, assistenciais e especiais; f) apoiar programas, projetos e ações de educação não-sexista e de promoção da diversidade no ambiente profissional e educacional; g) participar das capacitações visando garantir a temática de gênero; e h) promover, em parceria com organizações governamentais e não-governamentais, debates sobre metodologias de atendimento às mulheres traficadas; XI. na área do Turismo: a) incluir o tema do tráfico de pessoas, em especial mulheres, crianças e adolescentes nas capacitações e eventos de formação dirigidos à cadeia produtiva do turismo; b) cruzar os dados dos diagnósticos feitos nos Municípios para orientar os planos de desenvolvimento turístico local através do programa de regionalização; e c) promover campanhas de sensibilização contra o turismo sexual como forma de prevenção ao tráfico de pessoas; XII. na área de Cultura: a) desenvolver projetos e ações culturais com foco na prevenção ao tráfico de pessoas; e b) fomentar e estimular atividades culturais, tais como programas regionais de rádio, peças e outros programas veiculados por radiodifusores, que possam aumentar a conscientização da população com relação ao tráfico de pessoas, trabalho escravo e exploração sexual, respeitadas as características regionais. Leis Especiais 187

DIREITOS HUMANOS ÍNDICE CAPÍTULO 01... 190 Conceito, História, Classificação e Características... 190 Conceito... 190 CAPÍTULO 02... 194 Direitos Humanos e o Ordenamento Jurídico Brasileiro... 194 Direitos Humanos na Constituição Federal... 194 CAPÍTULO 03... 203 Os Direitos Humanos na Constituição Federal de 1988:... 203 Título II Dos Direitos e Garantias Fundamentais... 203 CAPÍTULO 04... 210 Conceito, Terminologia, Estrutura Normativa e Fundamentação... 210 Conceito e Terminologia... 210 CAPÍTULO 05... 213 Evolução Histórica, Classificação e Características dos Direitos Humanos... 213 Evolução Histórica dos Direitos Humanos... 213 Classificação dos Direitos Humanos... 214 Características dos Direitos Humanos... 215 CAPÍTULO 06... 216 Direitos Humanos, Direito Humanitário e Direito dos Refugiados... 216 Introdução... 216 Direito Humanitário... 216 Direito dos Refugiados... 217 CAPÍTULO 07... 219 Programa Nacional de Direitos Humanos... 219 189

190 Direitos Humanos CAPÍTULO 01 Conceito, História, Classificação e Características Conceito O Direito representa as opções, os valores, os bens que a comunidade humana, as sociedades organizadas, em determinados momento e lugar, escolheram como os mais relevantes, para que fossem respeitados por todos e protegidos pela própria comunidade e pelo Estado. Os Direitos Humanos são aqueles direitos de que são titulares todas as pessoas, pela sua tão só condição de serem humanos, e que visam a garantir, resguardar um patamar mínimo necessário para uma vida digna. São direitos que existem com o objetivo de proteger e promover a dignidade de toda pessoa humana; os quais podem ser exigidos, opostos em face do Poder Público, do Estado (eficácia vertical) ou dos particulares, pessoas físicas ou jurídicas (eficácia horizontal). Eles estão previstos na esfera mundial, escritos em documentos internacionais (tratados, convenções, resoluções, etc.), como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH). Quando aqueles direitos são transportados para o nosso direito interno e inseridos em nossa Constituição Federal, passam a ser chamados de Direitos Fundamentais. Alguns autores nacionais preferem chamá-los de direitos humanos fundamentais ; aqui, no entanto, será adotado adotar o nome Direitos Fundamentais. Na Constituição Federal de 1988, foram incorporados diversos Direitos Humanos, distribuídos por todo o texto, mas especialmente entre os artigos 5º a 17, sob o Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais. No direito nacional, eles também desempenham a função de garantir patamares mínimos para a manutenção da dignidade da pessoa humana. A denominação utilizada - Direitos Fundamentais - deve-se, segundo Ingo Wolfgang Sarlet 1, ao caráter básico e fundamentador do sistema jurídico do Estado de Direito. São, assim, os direitos básicos, fundamentais da comunidade jurídica. História Os Direitos Humanos não surgiram subitamente, a partir de um único evento, de um único fato. A formação dos referidos Direitos possui diversas origens, diversos fundamentos e vários acontecimentos que marcam uma longa história será dividida de lutas, conquistas e reconquistas. Apenas para fins didáticos e para o objetivo de nosso curso, podemos dividir a história dos Direitos Humanos em duas fases: a primeira, situada na Idade Média até meados do século XVIII; a segunda, iniciada com a Declaração de Direitos do Bom Povo da Virginia (1776). A primeira fase dos Direitos Humanos teve a contribuição teórica da filosofia clássica greco-romana, do pensamento cristão primitivo e, mais tarde, da doutrina jusnaturalista. Desse período, ressaltamos apenas 02 (dois) marcos importantes: A Magna Carta (Magna Charta Libertatum), 1215-1225 (Inglaterra). Assinada pelo Rei João Sem-Terra, ela limitava os poderes do monarca, garantindo algumas liberdades a um grupo específico de homens livres, a nobreza. Dela surgem as bases das liberdades públicas do direito constitucional inglês; A Carta de Direitos (Bill of Rights), 1689 (Inglaterra). Formulada no seio da Revolução Inglesa de 1688, instituiu definitivamente a monarquia constitucional subordinada à soberania popular. Ela limitava ainda mais os poderes do monarca em face do fortalecimento do Parlamento, representante do povo. Na segunda fase, tem-se início o processo de introdução dos Direitos Humanos no direito interno dos Estados, em declarações de direitos e, em especial, nas Constituições. Servem como fontes de inspiração 2, nesta fase, o pensamento Iluminista, as doutrinas liberais (em especial no campo econômico) e, mais tarde, as doutrinas sociais e o direito humanitário. Além da Declaração de Direitos do Bom Povo da Virginia (1776), redigida no contexto da proclamação da independência Americana, podemos destacar, ainda, os seguintes marcos: Constituição Americana, 1787 (EUA). Ao texto inicialmente adotado, foram introduzidas 10 (dez) emendas em 1791, as quais continham, efetivamente, alguns Direitos Humanos, considerados fundamentais; Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, 1789 (França). Foi escrita durante a Revolução Francesa, era influenciada pelos ideais iluministas e possuía caráter individualista, mas universalizante. Constitui-se, também, como o principal documento na formação do modelo do Estado Liberal; 1 A eficácia dos direitos fundamentais. POA: Livraria do Advogado, 2008. p. 38. 2 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 16ª Ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1999. p. 176.

Homem e do Cidadão, de 1789, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovado no âmbito da ONU, em 1948. Convenção de Genebra, 1864. Assinada em Genebra, Suíça, em 22 de agosto de 1864, por alguns países europeus, visava a minorar os efeitos desastrosos das guerras, estabelecendo regras de tratamento aos combatentes e às populações civis. É o marco do chamado Direito Humanitário; Carta Encíclica Rerum Novarum, 1891. Elaborada pelo Papa Leão XIII e publicada em 15 de maio de 1891, trata da condição dos operários e é considerada um marco do direito do trabalho no mundo; Constituição Mexicana, 1917. Introduziu junto ao texto um longo rol de direitos sociais, especificadamente direitos fundamentais para os trabalhadores; Constituição Alemã ou Constituição de Weimar, 1919. Também incorporou diversos direitos sociais, instituindo as linhas mestras do Estado Democrático Social, que serviu de modelo para inúmeros países; Organização Internacional do Trabalho - OIT - 1919. É um organismo internacional, criado logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, com o objetivo de estabelecer, mundialmente, a melhoria das condições de trabalho; Liga das Nações, 1920. Organismo Internacional criado, também, logo após a Primeira Guerra Mundial, com o objetivo de estabelecer o diálogo entre os países, evitar um novo conflito e manter a paz; Organização das Nações Unidas - ONU -, 1945. É um organismo internacional criado pelos Estados soberanos, a partir da aprovação da Carta das Nações Unidas, em 1945, substituindo a Liga das Nações. Dentre os objetivos que possui está a promoção de todos os Direitos Humanos; Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948. Aprovada no âmbito da ONU e veiculada por meio de uma Resolução. Apesar de não ter força jurídica vinculante, é considerado o principal documento no que se refere à proteção internacional dos Direitos Humanos atualmente. Classificação Dentre as diversas classificações que se pode fazer dos Direitos Humanos, é interessante destacar apenas aquela que os agrupa (a) segundo o momento histórico em que passaram a ser reconhecidos em documentos nacionais e internacionais e (b) segundo algumas características comuns, em dimensões ou gerações. Para Ingo Wolfgang Sarlet 3, a expressão gerações sugere uma ideia de alternância, de substituição dos Direitos Humanos ao longo da história. Por outro lado, o termo dimensões, dentro do movimento de mutação, transformação dos Direitos Humanos, transmite a ideia de um processo cumulativo, de complementaridade, de expansão e de fortalecimento. Aqui será considerada a segunda expressão, para dividir os Direitos Humanos em: a) direitos de Primeira Dimensão, ou seja, os quais correspondem à fase inicial de afirmação, de reconhecimento dos Direitos Humanos em documentos nacionais ou internacionais, situada nos séculos XVIII e XIX. São direitos de conteúdo individualista, de defesa do indivíduo em face do Estado. Por isso, são chamados de direitos negativos ( direitos de liberdade ), pois exigem do poder constituído uma abstenção, uma não interferência na órbita de direitos dos indivíduos. Constitui-se de direitos Civis e Políticos como, o direito à vida, à liberdade, à propriedade privada, à igualdade perante a lei, à segurança; b) direitos de Segunda Dimensão, cujo surgimento e afirmação se dão a partir do final do século XIX e início do século XX. Estes direitos possuem dimensão positiva direitos positivos, prestacionais ( direitos de igualdade ) impondo ao Estado, ao Poder Público um comportamento ativo na realização da justiça social, da igualdade material. Constitui-se de direitos Econômicos, Sociais e Culturais como a educação, a saúde, o trabalho, a previdência; c) direitos de Terceira Dimensão, os quais surgem a partir da metade do século XX, como resultado do movimento de internacionalização dos Direitos Humanos. Sua nota distintiva reside no fato de que são direitos, são bens jurídicos que se desligam, desprende-se da figura do homem-indivíduo como seu titular, sendo direitos de titularidade coletiva ou difusa ( direitos de fraternidade ). 3 A eficácia dos direitos fundamentais. POA: Livraria do Advogado, 2008. p. 52 Direitos Humanos 191

192 Direitos Humanos São os direitos de Solidariedade e Fraternidade como o direito à paz, à autodeterminação dos povos, ao meio-ambiente e à sadia qualidade de vida, ao desenvolvimento, à comunicação, ao patrimônio comum da humanidade, à democracia participativa. Há autores, ainda, que afirmam a existência de uma Quarta e uma Quinta dimensões de Direitos Humanos, o que, no entanto, não tem sido encampado pela maioria da doutrina. Características Os Direitos Humanos possuem algumas características jurídicas. Dentre as principais, destacamse: a) a Universalidade: todos os indivíduos, todos os seres humanos são dela titulares, sem distinção de qualquer espécie; b) a Inalienabilidade e a Irrenunciabilidade: são direitos que não possuem conteúdo patrimonial, por isso, são intransferíveis e inegociáveis. Uma vez conferidos, deles o indivíduo não pode se desfazer e tampouco pode a eles renunciar. Os Direitos Humanos podem não ser exercidos, mas isso não significa que possam ser renunciados; c) a Imprescritibilidade: justamente porque não possuem conteúdo patrimonial, o não exercício no decurso do tempo não implica em sua perda, sua inexigibilidade; d) a Interdependência ou Indivisibilidade: apesar de estarem escritos em diversos documentos e de terem conteúdo distinto, os Direitos Humanos se complementam, são dependentes uns dos outros para que haja uma realização plena. Somente a efetivação integral e completa de todos os Direitos Humanos garante que o respeito à dignidade da pessoa humana seja realizado; e) a Relatividade: nenhum Direito Humano é absoluto a ponto de afastar, em todas as situações, os demais. Havendo confronto entre eles, somente com a análise do caso concreto, aplicando-se os critérios de proporcionalidade e razoabilidade, um deles poderá ser mitigado em relação ao outro. Prevalecerá aquele que, tendo em vista o caso concreto, melhor proteger a dignidade da pessoa humana princípio da primazia da norma mais favorável; f) a Historicidade: significa que eles nascem, modificam-se. Evoluem acompanhando as mudanças da sociedade. Não nasceram em um único momento da história ou possuem outra origem que não a dialeticidade da vida em sociedade. 01. (CESPE) O direito fundamental à vida é hierarquicamente superior a todos os demais direitos humanos, estejam eles previstos na Constituição Federal ou na Declaração Universal dos Direitos Humanos. ERRADO. O direito à vida constitui-se como um dos principais direitos humanos. No entanto, mesmo esse direito não é absoluto, podendo ceder, em determinados casos concretos, para que outro direito humano prevaleça. No Código Penal é possível encontrar um exemplo claro da relatividade do direito à vida, quando o artigo 128 permite o aborto se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. Sistemas de Proteção dos Direitos Humanos A reconhecida importância internacional da promoção da dignidade da pessoa humana, por meio da garantia efetiva dos Direitos Humanos, resultou na criação de diversas Instituições, dando origem a sistemas internacionais, os quais constituem ferramenta adicional ao Sistema Nacional de proteção àqueles direitos. O Sistema Global ou Universal de proteção dos Direitos Humanos gira em torno da Organização das Nações Unidas ONU, por isso, é também chamado de sistema das Nações Unidas, conforme diz Flávia Piovesan 4. Esse sistema tem como diplomas básicos: a) a Carta das Nações Unidas ou Carta da ONU, de 1945. É o tratado que cria a ONU, fixando os propósitos e princípios da organização. Foi promulgado no Brasil pelo Decreto n. 19.841/1945; b) a Declaração Universal dos Direitos Humanos - DUDH -, de 1948. Foi adotada e proclamada pela Resolução 217-A (III), da Assembleia Geral das Nações Unidas. A veiculação por meio de uma Resolução não lhe confere força jurídica vinculante; c) o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos - PIDCP -, de 1966. É um instrumento adicional à DUDH, que visa a detalhar alguns direitos, notadamente os de primeira dimensão. O PIDCP é um tratado com força jurídica vinculante. Foi promulgado no Brasil pelo Decreto n. 592/1992; 4 Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. 10ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2009.

d) o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais - PIDESC -, de 1966. É, também, um instrumento adicional à DUDH, e que visa a detalhar alguns direitos, notadamente os de segunda dimensão. O PIDESC é um documento com força jurídica vinculante. Foi promulgado no Brasil pelo Decreto n. 591/1992. Este é o Princípio da Primazia da Norma Mais Favorável ou Princípio pro homine, previsto expressamente no artigo 5º, do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos - PIDCP - (ONU), de 1966, e no artigo 29, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos CADH - (OEA), de 1969. Por sua vez, os Sistemas Regionais são quatro, o Interamericano, o Europeu, o Africano e o Asiático. Vale ressaltar apenas o Sistema Interamericano, o qual está constituído em torno da Organização dos Estados Americanos (OEA), criada em 1948, por meio da Carta da Organização dos Estados Americanos, e da qual são membros todos os trinta e cinco países das Américas, inclusive o Brasil. O Sistema Interamericano possui como documentos básicos: a) a Carta da Organização dos Estados Americanos ou Carta de Bogotá, de 1948. Foi promulgada no Brasil por meio do Decreto n. 30.544/1952; b) a Convenção Americana sobre Direitos Humanos CADH -, ou Pacto de São José da Costa Rica, de 1969; c) o Protocolo adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais ou Protocolo de San Salvador, de 1988. É um documento adicional à CADH, que traz relação detalhada de direitos econômicos, sociais e culturais a serem respeitados pelos Estados Americanos. Foi promulgado no Brasil pelo Decreto n. 3.321/1999. Esses sistemas internacionais se complementam somando-se ao Sistema Nacional de proteção dos direitos humanos, o qual está organizado em torno das Instituições internas e dos Direitos Fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988. Diante da existência de diversos Sistemas de proteção dos Direitos Humanos, é natural que um mesmo direito esteja previsto em mais do que um diploma normativo, o que pode conduzir a um conflito. Na verdade, quando se trata de Direitos Humanos, não há um verdadeiro conflito de normas, mas uma concorrência. Quando tal situação for observada, deve ser aplicada aquela norma mais favorável ao indivíduo, aquela que melhor proteja a dignidade humana. 01. (CESPE) A respeito do desenvolvimento histórico dos direitos humanos e seus marcos fundamentais, assinale a opção correta. a) Os direitos humanos surgem todos de uma vez, não se originam de processo histórico paulatino. b) Não há uma correlação entre o surgimento do cristianismo e o respeito à dignidade da pessoa humana. c) As gerações de direitos humanos mais recentes substituem as gerações de direitos fundamentais mais antigas. d) A proteção dos direitos humanos é objeto também do direito internacional. e) A ONU é o órgão responsável pela UDHR e pela Declaração Americana de Direitos. 02. (VUNESP) Quando se fala em Direitos Humanos, considerando sua historiciedade, é correto dizer que. a) somente passam a existir com as Declarações de Direitos elaboradas a partir da Revolução Gloriosa Inglesa de 1688. b) foram estabelecidos, pela primeira vez, por meio da Carta Magna de 1215, que é a expressão maior da proteção dos Direitos do Homem em âmbito universal. c) a concepção contemporânea de Direitos Humanos foi introduzida, em 1789, pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, fruto da Revolução Francesa. d) a internacionalização dos Direitos Humanos surge a partir do Pós-Guerra, como resposta às atrocidades cometidas durante o nazismo. 03. (CESPE) Inalienáveis são aqueles direitos fundamentais dos quais as pessoas somente podem abrir mão em situações muito especiais. 04. Os direitos humanos são irrenunciáveis, de modo que podem até deixar de ser exercidos por seus titulares, os quais, no entanto, jamais podem abrir mão de tais direitos. Direitos Humanos 193

194 Direitos Humanos 05. (VUNESP) Considerando a evolução histórica, os marcos jurídicos fundamentais e a estrutura normativa dos Direitos Humanos, pode-se afirmar que a) a globalização dos direitos humanos forçou os Estados a escolherem entre um sistema global e um regional de proteção a esses direitos, uma vez que ambos sistemas não podiam coexistir. b) os indivíduos passaram a ser sujeitos de direito internacional, mas, por razões de soberania, ainda dependem dos Estados para acionar os mecanismos de proteção dos direitos humanos. c) a Declaração Universal dos Direitos Humanos introduziu internacionalmente a concepção contemporânea desses direitos. d) a vítima de uma lesão dos direitos humanos deverá acionar em sua proteção, nessa ordem, o sistema jurídico nacional, depois o regional e, por último, o global, em razão da hierarquia da estrutura normativa de proteção. 06. (PC/MG) O sistema internacional de proteção dos direitos humanos pode apresentar diferentes âmbitos de aplicação, daí poder se falar de sistemas global e regional. O instrumento de maior importância no sistema interamericano é a Convenção Americana de Direitos Humanos, também denominada Pacto de San José da Costa Rica que: a) foi assinada em San José, Costa Rica, em 1969, tendo como Estados-membros todos os países das Américas do Norte, Central e do Sul, que queiram participar. b) substancialmente reconhece e assegura um catálogo de direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, garantindo-lhes a plena realização. c) exige dos governantes dos Estados signatários estritamente obrigações de natureza negativas, como por exemplo o dever de não torturar um indivíduo. d) em face dos direitos constantes no texto, cada Estado-parte deve respeitar e assegurar o livre e pleno exercício desses direitos e liberdades, sem qualquer discriminação. 01 D 04 C 02 D 05 C 03 E 06 D CAPÍTULO 02 Direitos Humanos e o Ordenamento Jurídico Brasileiro Direitos Humanos na Constituição Federal Fundamento da Dignidade da Pessoa Humana Em primeiro lugar, temos que observar que a Constituição Federal coloca, como princípio fundamental da República Federativa do Brasil, em seu artigo 1º, inciso III, a dignidade da pessoa humana. A dignidade da pessoa humana é considerada o princípio com maior hierarquia axiológica da Constituição Federal. Ao erigir a dignidade da pessoa humana como fundamento da República, a Constituição Federal de 1988 coloca o indivíduo como sujeito de direitos, a razão de ser do próprio Estado que, pela efetiva garantia dos direitos fundamentais deve permitir o seu desenvolvimento integral. Direitos Humanos e Cidadania A cidadania representa um vínculo existente entre uma determinada sociedade política e seus membros e que é fonte de diversas obrigações daquela para com estes e, é claro, de deveres destes para com a aquela. A cidadania pressupõe a conquista e a efetiva fruição de diversos direitos - para além dos políticos - a todos os cidadãos. É desta forma que a encontramos em alguns documentos internacionais de direitos humanos. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), o artigo XXI prevê que Todo ser humano tem o direito de fazer parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto. Já o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) assegura, em seu artigo 25, que Todo cidadão terá o direito e a possibilidade, sem qualquer das formas de discriminação mencionadas no artigo 2 e sem restrições infundadas: de participar da condução dos assuntos públicos, diretamente ou por meio de representantes livremente escolhidos; de votar e de ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas por sufrágio universal e igualitário e por voto secreto, que garantam a manifestação da vontade dos eleitores. Apesar da ênfase dada aos direitos políticos, é consenso que a cidadania, atualmente, exige a concretização de diversos direitos humanos, também de natureza civil, econômica, social e cultural.

Na Constituição Federal de 1988, a cidadania está colocada com um dos fundamentos da República, conforme se vê no artigo 1º, inciso II, possuindo um significado amplo de garantia de participação dos indivíduos não só na vida política, mas também social, econômica e cultural do Estado brasileiro. Em nosso ordenamento jurídico, a cidadania é um status conferido apenas aos nacionais, natos ou naturalizados. Neste contexto devemos entender a nacionalidade como um vínculo jurídico-político que se forma entre o Estado e o indivíduo e que faz deste um componente do povo. Este vínculo confere aos indivíduos certos direitos e lhes impõe determinadas obrigações existentes naquele Estado de que é nacional, ou seja, confere-lhe o status de cidadão. A cidadania, na atual Constituição Federal materializase, dentre outras formas, por meio: do exercício dos direitos políticos. Estes asseguram, efetivamente, a participação do cidadão no processo político, na administração do Estado, por meio do direito de sufrágio (art. 14, da CF) ativo (votar) e passivo (ser votado) -, que é exercido nas eleições, nos plebiscitos, e nos referendos. O exercício dos direitos políticos também se verifica na possibilidade de organização e participação em partidos políticos (art. 17, da CF); da iniciativa popular, ou seja, na possibilidade de um cidadão propor um projeto de lei (art. 61, caput e parágrafo 2º, da CF); da propositura da ação popular visando anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural (art. 5º, LXXIII, da CF). Em vista do atual texto constitucional, para que o exercício da cidadania seja pleno, para que se cumpra o princípio democrático (art. 1º, da CF) é necessário que a todos sejam assegurados não só direitos civis e políticos, mas também direitos econômicos, sociais e culturais. O cidadão é, então, aquele consciente de que têm direitos e de que pode e deve exigir do Estado o estabelecimento de condições para tanto. O cidadão é, também, aquele ciente de que possui deveres para com a comunidade onde ele está inserido e os cumpre. O conteúdo da cidadania, segundo nossa Constituição Federal inclui, então, não só direitos, mas também responsabilidades, deveres individuais e coletivos, como os (a) de prestação do serviço militar obrigatório (art. 143, da CF), (b) de pagar tributos, (c) de voto (art. 14, parágrafo 1º, da CF). Em um Estado Democrático de Direito não há um direito sem um dever que seja imediatamente correlato, mesmo que implícito. Assim, apesar de o texto constitucional não relacionar expressamente todos os deveres que devem ser cumpridos pelos cidadãos, o Capítulo I, do Título II deixa claro que ao lado dos direitos existem os deveres individuais e coletivos. Da Prevalência dos Direitos Humanos nas Relações Internacionais Como uma consequência da adoção do fundamento da dignidade da pessoa humana (art. 1o, inciso III, da CF), a Constituição Federal coloca como princípio a reger as relações internacionais da República Federativa do Brasil, a prevalência dos direitos humanos (art. 4º, inciso II, da CF). A partir da leitura conjugada deste dispositivo com aquele do artigo 5º, caput, podemos afirmar que a Constituição Federal adotou o chamado Princípio da Universalidade dos Direitos Fundamentais, o que significa que se deve assegurar o gozo daqueles a todas as pessoas que estejam em nosso território, e não apenas aos brasileiros e estrangeiros residentes no país. Este é o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e que pode ser visto em diversos de seus julgados. A adoção daquele princípio não significa, no entanto, que não possa haver diferenças a serem consideradas na titularidade de alguns direitos. 01. (Questão do Professor) Devido a comando expresso da CF, o Brasil rege-se, em suas relações internacionais, entre outros, pelo princípio da prevalência dos direitos humanos. CERTO. Conforme encontramos no artigo 4º, inciso II, da CF. Institucionalização dos Direitos e Garantias Fundamentais Além de extenso rol de princípios fundamentais (arts. 1º a 4º), a Constituição Federal de 1988 ainda incorporou uma série de direitos humanos, previstos em documentos internacionais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH). Na Carta Magna foram reunidos direitos humanos das três dimensões, os quais receberam o nome de direitos fundamentais. No âmbito interno são direitos que também buscam resguardar, assegurar um patamar mínimo necessário para a garantia de uma vida digna a todos, buscando concretizar o princípio fundamental da dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III, da CF). Direitos Humanos 195

196 Direitos Humanos Os direitos fundamentais estão presentes principalmente nos artigos 5º a 17 é o chamado catálogo - sob o Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais, em cinco Capítulos: Capítulo I - Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (art. 5º), Capítulo II Dos Direitos Sociais (arts. 6º a 11), Capítulo III Da Nacionalidade (arts. 12 e 13), Capítulo IV Dos Direitos Políticos (arts. 14 a 16) e Capítulo V Dos Partidos Políticos (art. 17). Este rol não é, contudo, taxativo, fechado. Segundo dispõe o parágrafo 2º, do artigo 5º, da Constituição Federal, Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 01. (Defensor Público DPE/MA-CESPE-2011- Adaptada) Os direitos fundamentais, restritos, na CF, exclusivamente aos direitos individuais, são cláusulas pétreas, ou seja, não podem ser alterados por emenda constitucional. ERRADO. Os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988, não se resumem aos direitos individuais, sendo que ali encontramos, ainda, direitos de outras dimensões. Garantias Fundamentais Do Título II da Constituição Federal, devemos fazer uma rápida observação acerca da distinção entre direitos fundamentais e garantias fundamentais. Os direitos são bens, são valores escolhidos pela sociedade como os mais importantes e que são, então, escritos em leis, na Constituição Federal (ex: a liberdade, a legalidade, a propriedade). Apesar de ligadas a determinados valores e bens, as garantias possuem um aspecto instrumental. São instituições e mecanismos gerais (Ministério Público, Defensoria Pública, etc.) ou específicos de proteção aos Direitos Fundamentais. Deste último grupo podemos citar, por exemplo, (a) o Habeas corpus (art. 5º, LXVIII, da CF), (b) o Mandado de Segurança (art. 5º, LXIX, da CF), (c) o Habeas data (art. 5º, LXXII, CF), (d) a irretroatividade da lei (art. 5º, XXXVI, CF), (e) o acesso ao judiciário (art. 5º, XXXV, da CF), (f) o devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF). Direitos e Deveres Individuais E Coletivos No Capítulo I, do Título II, da Constituição Federal estão contemplados os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, todos relacionados no artigo 5º, cujo caput possui a seguinte redação: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes São direitos predominantemente de primeira dimensão, direitos civis, relacionados à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, os quais têm uma redação muito parecida com aquela que lhes é dada pelos documentos internacionais de direitos humanos. Os 78 (setenta e oito incisos) do artigo 5º são desdobramentos daqueles direitos básicos mencionados no seu caput. Assim, o direito fundamental à vida e, consequentemente, à integridade física e mental podem ser encontrados no inciso III (proibição da tortura, de tratamento desumano ou degradante) e no inciso XLIX (integridade física e moral dos presos). O direito fundamental à liberdade está expresso no inciso IV (liberdade de manifestação do pensamento), inciso VI (liberdade de consciência e de crença), inciso IX (liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação), inciso XIII (liberdade de exercício profissional), inciso XV (liberdade de locomoção), inciso XVI (liberdade de reunião), incisos XVII e XX (liberdade de associação). O direito fundamental à igualdade igualdade de todos no tratamento dispensado pela lei - está reproduzido no inciso I (igualdade em direitos e obrigações entre homens e mulheres). O direito fundamental à segurança pode ser encontrado no inciso XXXIX (legalidade penal), inciso XL (irretroatividade da lei penal), inciso XLV (personalidade da pena, intranscendência da pena), inciso LVI (inadmissão da prova ilícita), inciso LVII (presunção de inocência). Por sua vez, o direito fundamental à propriedade está expresso nos incisos XXII e XXIII (direito de propriedade vinculado a sua função social), incisos XXVII e XXIX (propriedade intelectual). Além dos direitos, nos incisos do artigo 5º, da Constituição Federal encontramos diversas garantias, diversas ações constitucionais chamadas de remédios constitucionais como o habeas corpus, o habeas data, o mandado de segurança e o mandado de injunção. Titulares dos Direitos Fundamentais O artigo 5º, caput, da Constituição Federal ainda dispõe que são titulares dos direitos fundamentais, então, os brasileiros (natos e naturalizados) e os estrangeiros residentes no Brasil. No entanto, segundo entendimento já pacífico no Supremo Tribunal Federal (STF), fundado no Princípio da Universalidade dos Direitos Fundamentais, guardadas as peculiaridades de alguns direitos, os quais exigem uma qualidade específica da pessoa como, por exemplo, ser nacional -, os direitos fundamentais devem ser garantidos, também, aos estrangeiros não residentes.

Ainda, apesar de os direitos fundamentais dirigirem-se, em princípio, às pessoas físicas, naturais, o nosso ordenamento jurídico também reconhece às pessoas jurídicas a titularidade de alguns deles, desde que compatíveis com a sua natureza, como os direitos de propriedade e de imagem. Reserva do Possível O parágrafo 1º, do artigo 5º, da Constituição Federal prevê que As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Apesar do que sua redação possa deixar transparecer, não se deve extrair do dispositivo a conclusão de que toda e qualquer norma de direito fundamental é direta e plenamente aplicável, ou seja, de que todas possuem imediata eficácia jurídica e social. Segundo Ingo Wolfgang Sarlet 5, citando Robert Alexy, este dispositivo contém uma espécie de mandado de otimização, estabelecendo, impondo aos órgãos estatais a tarefa de reconhecerem a maior eficácia possível aos direitos fundamentais, a todos eles, não só os constantes do catálogo ou do artigo 5º. Aquela norma põe o Poder Público na obrigação de tudo fazer no sentido de realizar os direitos fundamentais. Reconhece-se, desta forma, que os direitos fundamentais podem ser implementados em graus distintos conforme as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. A reserva do possível constitui-se, assim, em um limite fático e jurídico comumente utilizado pelo Estado como obstáculo à implementação dos direitos fundamentais, principalmente os direitos sociais, os quais exigem, normalmente, substancial utilização de recursos públicos para a sua concretização. A reserva do possível não é, no entanto, um limite imanente, inseparável, dos direitos fundamentais. Aceita-se, assim, que em face principalmente da escassez de recursos públicos os Direitos Fundamentais possam não ser implementados ou o serem apenas de maneira limitada. O Supremo Tribunal Federal entende, contudo (conferir o julgamento da ADPF n. 45/DF, em 29 de abril de 2004), que a escassez de recursos deve ser cabalmente provada pelo Poder Público, pois em nome da mesma não se pode adiar indefinidamente a concretização dos Direitos Fundamentais. Ainda, os limites impostos pela reserva do possível não serão obstáculo à implementação de direitos que garantam um mínimo existencial. Apesar de não haver parâmetros legais ou mesmo uniformidade doutrinária e jurisprudencial, podemos dizer que o mínimo existencial corresponde a um conjunto menor, mais específico de Direitos Fundamentais (ex: educação, saúde e assistência social), essenciais para subsistência de qualquer pessoa. 5 A eficácia dos direitos fundamentais. POA: Livraria do Advogado, 2008. p. 288. A Constituição Brasileira e os Tratados Internacionais de Direitos Humanos O parágrafo 2º, do artigo 5º, da Constituição Federal prevê que Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. O dispositivo afirma, em um primeiro momento e como vimos, que existem direitos fundamentais na Constituição Federal e que não só aqueles do catálogo, ou seja, aqueles que estão escritos no Titulo II Dos Direitos e Garantias Fundamentais (arts. 5º ao 17). Além das disposições constantes do catálogo existem direitos fundamentais espalhados por toda a Constituição Federal, como, por exemplo, no artigo 201 (previdência social), artigo 203 (assistência social), artigo 205 (educação). A leitura deste parágrafo nos faria concluir ainda, pela existência de direitos fundamentais em documentos internacionais de direitos humanos. O entendimento do Supremo Tribunal Federal é, no entanto, o de que somente os tratados de direitos humanos incorporados ao ordenamento jurídico por meio do rito previsto no parágrafo terceiro, do artigo 5º, da Constituição Federal é que podem se constituir em nova fonte de direitos fundamentais. O parágrafo 3º, do artigo 5º, da Constituição Federal prevê que Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. Só os tratados e as convenções firmados e que forem aprovados, agora, sob este rito especial introduzido na Constituição Federal por meio da EC n. 45, de 2004 - é que passam a ocupar o status de Emenda Constitucional, ou seja, serão formal e materialmente constitucionais. Os únicos documentos internacionais com este status até o presente momento são a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência ou Convenção de Nova Iorque e seu Protocolo Facultativo, da ONU, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007 e promulgados internamente pelo Decreto n. 6.949, de 25 de agosto de 2009. Ainda, a partir do julgamento do RExt n. 466.343/ SP, em 01 de dezembro de 2008, em que se discutia a possibilidade da prisão do depositário infiel em vista do artigo 7º, parágrafo 7, da CADH, o Supremo Tribunal Federal passou a entender que todos os demais tratados e convenções de Direitos Humanos aprovados pelo rito comum (arts. 49, inciso I e 84, incisos IV e VIII, da CF) possuem status supralegal. Ou seja, estão abaixo da Carta Magna e acima da legislação ordinária. Direitos Humanos 197

198 Direitos Humanos Desta forma, apenas os tratados de direitos humanos, já aprovados ou que vierem a ser aprovados pelo rito ordinário integram o ordenamento jurídico brasileiro com status de norma supra legal. Acompanhe o organograma abaixo: CF, EC s e documentos aprovados nos termos do 3o, art. 5º, CF. Status "Supralegal": tratados de direitos humanos aprovados segundo o rito comum dos arts. 49, I e 84, IV e VIII, CF. Lei Ordinária, Lei Complementar, Lei Delegada, Medida Provisória, etc. Decretos, Portarias, Instruções Normativas, etc. 01. (FCC) Para que os tratados de direitos humanos produzam efeito de emenda constitucional, deverão ser aprovados, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, em dois turnos de votação, por três quintos dos votos dos respectivos membros. CERTO. Conforme encontramos no artigo 5º, parágrafo 3º, da CF. Direitos Sociais No Capítulo II do Título II, nos artigos 6º a 11, da Constituição Federal estão relacionados os Direitos Sociais ; direitos notadamente de segunda dimensão, ligados predominantemente ao valor igualdade, à igualdade material, substancial. Muitos dos direitos ali arrolados implementam as disposições existentes em documentos internacionais de direitos humanos, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC). No artigo 6º estão previstos 10 (dez) direitos sociais, a saber: a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados. No entanto, no Capítulo II, nos artigos 7º a 11 vamos encontrar apenas direitos individuais e coletivos dos trabalhadores. Sem, contudo, estarem vinculados especificadamente às relações de trabalho, deparamonos com os direitos sociais nominados no artigo 6º em outros dispositivos da Constituição Federal como, por exemplo, a Saúde, no artigo 196, a Previdência Social, no artigo 201 e a Educação, no artigo 205. Observe, ainda, que, apesar de estarmos tratando aqui de direitos positivos, que exigem uma prestação, um fazer por parte do Estado, podemos encontrar no Capítulo II disposições que impõem uma abstenção, uma atuação negativa, como, por exemplo, a não interferência do Estado nas organizações sindicais (art. 8º) e o livre exercício do direito de greve (art. 9º). No artigo 7º, incisos I a XXXIV, estão relacionados especificadamente direitos que devem ser respeitados nas relações de trabalho urbanas ou rurais e que concretizam as previsões dos artigos XXIII e XXIV, da DUDH e dos artigos 6º e 7º, do PIDESC. Ali, tentando implementar a garantia a uma remuneração justa e satisfatória que assegure ao trabalhador, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, prevista no artigo XXIII, parágrafo 3, da DUDH e, também, no artigo 7º, a, ii, do PIDESC, a nossa Constituição Federal estabelece no artigo 7º, inciso IV, um piso remuneratório mínimo, um salário mínimo nacional. No artigo 8º trata-se do direito à associação profissional e sindical. Observemos que o dispositivo constitucional está garantindo direitos distintos, ou seja, de associação profissional e sindical. O direito à associação sindical está garantido no artigo XXIII, parágrafo 4, da DUDH e, também, no artigo 8º, do PIDESC. O parágrafo 2, do artigo 8º, do PIDESC admite, contudo, que os Estados Partes possam estabelecer restrições ao exercício deste direito pelos membros das forças armadas, da polícia ou da administração pública. Nossa Constituição Federal assegura o direito à associação sindical aos servidores públicos civis, no artigo 37, inciso VI, mas acaba vedando-o aos servidores militares, conforme os artigos 42, 1º e 142, 3º, inciso IV, da Constituição Federal. Já o artigo 9º trata do direito de greve, o qual também se encontra previsto expressamente no artigo 8º, parágrafo 1, d, do PIDESC, e que deve ser exercido de conformidade com as leis de cada país. O artigo 9º garante o direito de greve especificadamente aos trabalhadores da iniciativa privada. Este direito deverá ser exercido nos termos da Lei n. 7.783/1989. A Constituição Federal também assegura o direito de greve aos servidores civis, no artigo 37, inciso VII, o qual pode ser exercido, segundo o Supremo Tribunal Federal, dentro dos parâmetros estabelecidos pela Lei n. 7.783/1989, até que seja editada a lei especifica de que trata aquele artigo. Aos servidores militares veda-se, contudo, o exercício do direito de greve, conforme os artigos 42, 1º e 142, 3º, inciso IV, da Constituição Federal.

Da Nacionalidade No Capítulo III do Título II, nos artigos 12 e 13, da Constituição Federal está previsto o direito à nacionalidade, um direito fundamental de primeira dimensão. A nacionalidade é um vínculo jurídico-político que se forma entre o Estado e o indivíduo e que faz deste um componente do povo. Este vínculo confere aos indivíduos certos direitos e lhes impõe determinadas obrigações existentes naquele Estado de que é nacional. Aquele que não possui uma nacionalidade é chamado de apátrida ou de heimatlos. O que possui múltiplas nacionalidades é chamado de polipátrida. O direito a uma nacionalidade está garantido em documentos internacionais, em primeiro lugar, na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), em seu artigo XV, o qual dispõe: 1 Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. 2 Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade. Mas atentemos que, segundo o parágrafo 1º do artigo II, da DUDH, a titularidade dos Direitos Humanos e o dever de proteção dos mesmos pelos Estados-Membros não dependem da nacionalidade da pessoa ou mesmo do fato de ser ela apátrida: Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) trata expressamente do direito à nacionalidade apenas quando faz referência, no artigo 24, parágrafo 3º, ao direito que toda a criança tem de adquirir uma. Mas é claro que todas as pessoas têm, independentemente de sua idade, o direito a uma nacionalidade. O PIDCP também prevê em seu artigo 2, parágrafo 1º, o dever dos Estados Partes de assegurar o gozo dos Direitos Humanos a todas as pessoas, independentemente de sua nacionalidade: 1 Os Estados Partes do presente pacto comprometemse a respeitar e garantir a todos os indivíduos que se achem em seu território e que estejam sujeitos a sua jurisdição os direitos reconhecidos no presente Pacto, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer condição. De sua parte, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH) já em seu preâmbulo informa que os direitos essenciais do homem não derivam do fato de ser ele nacional de determinado Estado, mas sim do fato de ter como fundamento os atributos da pessoa humana (...). O direito à nacionalidade está expresso no artigo 20, em que se assegura, inclusive, que Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território houver nascido, se não tiver direito a outra. E, da mesma forma como ocorreu na DUDH e no PIDCP, o artigo 1, parágrafo 1º, do Pacto de São José da Costa Rica também impõe aos Estados-Partes a obrigação de respeitar os Direitos Humanos, a todos, independentemente de sua nacionalidade: Os Estados-Partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição social. No entanto, o fato de os documentos internacionais citados não permitirem distinções fundadas na nacionalidade, no que diz com o reconhecimento dos Direitos Humanos, não significa que todos, nacionais e estrangeiros possam gozar, indistintamente, dos mesmos direitos. Dos Direitos Políticos No Capítulo IV do Título II, nos artigos 14 a 16, da Constituição Federal foram relacionados os Direitos Políticos, direitos fundamentais marcadamente de primeira dimensão. São direitos conferidos às pessoas para participar da vida e dos negócios políticos do Estado. Eles são a expressão da soberania popular, do poder popular. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), no artigo XXI, os direitos políticos aparecem assegurados com a seguinte redação: Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. (...) A vontade do povo será a base da autoridade do governo. Esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto. O direito de participação na vida política do Estado pode se dar, então, de forma direta ou indireta; neste último caso, por meio de pessoas que representam a vontade popular. E é a vontade popular, expressa de forma direta ou indireta, o que legitima as ações governamentais. Direitos Humanos 199

200 Direitos Humanos Já o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) assegura, no artigo 25, que Todo cidadão terá o direito e a possibilidade, sem qualquer das formas de discriminação mencionadas no artigo 2 e sem restrições infundadas: a) de participar da condução dos assuntos públicos, diretamente ou por meio de representantes livremente escolhidos; b) de votar e de ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas por sufrágio universal e igualitário e por voto secreto, que garantam a manifestação da vontade dos eleitores; Com uma redação muito parecida àquela do PIDCP, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH) dispõe em seu artigo 23, parágrafo 1º, ao tratar dos Direitos Políticos, que 1 Todos os cidadãos devem gozar dos seguintes direitos e oportunidades: a) de participar da direção dos assuntos públicos, diretamente ou por meio de representantes livremente eleitos; b) de votar e ser eleitos em eleições periódicas autênticas, realizadas por sufrágio universal e igual e por voto secreto que garanta a livre expressão da vontade dos eleitores; Apesar de os Estados terem assumido o compromisso de garantir os Direitos Humanos a todos (artigo 1, parágrafo 1º, da CADH), inclusive independentemente de sua nacionalidade, origem nacional, a fruição de alguns deles pode ser limitada em vista de uma qualidade especial da pessoa e da natureza do próprio direito. Este é o caso em relação aos direitos políticos que, conforme prevê o parágrafo 2º, do artigo 23, da CADH pode ser limitado nos seguintes termos: 2 A lei pode regular o exercício dos direitos e oportunidades a que se refere o inciso anterior, exclusivamente por motivos de idade, nacionalidade, residência, idioma, instrução, capacidade civil ou mental, ou condenação, por juiz competente, em processo penal. Nossa Constituição Federal, no parágrafo 2º, do artigo 14, estabelece expressamente algumas restrições ao exercício dos direitos políticos, prevendo que Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos. Como se pode ver são, então, direitos que somente podem ser exercidos pelos cidadãos, ou seja, pelos brasileiros natos ou naturalizados. O exercício dos direitos políticos tem, dessa forma, como pressuposto, a aquisição da nacionalidade brasileira. E os brasileiros adquirem os direitos políticos, por sua vez, com o alistamento eleitoral. Cláusulas Pétreas Dada a importância que possuem os direitos e as garantias fundamentais, a Constituição Federal impõe uma limitação absoluta à sua supressão. Dispõe o artigo 60, parágrafo 4º, inciso IV, da Constituição Federal que não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir, dentre outros, os direitos e garantias individuais. Esse dispositivo impõe uma limitação material ao poder de reforma da Constituição Federal - criando as assim chamadas cláusulas pétreas mas que, em princípio, dirige-se apenas aos direitos e garantias individuais, não a todos os direitos fundamentais. Direitos Humanos e Responsabilidade do Estado Por expressa disposição constitucional (art. 21, inciso I) é o ente federado União aquele que representa a República Federativa do Brasil em suas relações internacionais, responsabilizando-se junto à Comunidade Internacional pelas obrigações assumidas, inclusive aquelas decorrentes de tratados e convenções de Direitos Humanos já ratificados. Apesar disso, a apuração e processamento da maioria dos casos em que se poderiam encontrar uma violação aos direitos consagrados naqueles documentos não era de sua competência, mas dos Estados. Visando equalizar, então, as responsabilidades da União no âmbito interno e internacional, em dezembro de 2004, a Emenda Constitucional n. 45 introduziu no artigo 109, da Constituição Federal - o qual trata da competência dos Juízes Federais -, o inciso V-A e o parágrafo 5º, instituindo a possibilidade de federalização dos crimes que implicassem em grave violação dos Direitos Humanos. Criou-se, assim, um novo instituto jurídico chamado de incidente de deslocamento de competência (IDC). Além do fato de ser interesse da União a correta apuração dos casos de violação a Direitos Humanos, presentes em tratados nos quais se obrigou, este Incidente foi instituído, sem sombra de dúvidas, em vista da importância que os Direitos Humanos possuem atualmente, no cenário nacional e internacional. Seu principal objetivo é assegurar, portanto, o cumprimento das obrigações decorrentes de documentos internacionais sobre Direitos Humanos firmados pelo Brasil. O parágrafo 5º, do artigo 109, da Constituição Federal prevê: Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. Assim, diante de um caso que represente significativa violação aos Direitos Humanos o Superior Tribunal de Justiça poderá autorizar o deslocamento da apuração, do processamento do mesmo para a competência da Justiça Federal. Atentemos, a partir da leitura daquele parágrafo, que: o IDC somente pode ser suscitado pelo Procurador-Geral da República (PGR). O PGR é o chefe de todo o MPU (art. 128, 1º, da CF); o órgão do Poder Judiciário com competência para a análise do IDC é, única e exclusivamente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ);

o IDC pode ser suscitado em qualquer fase do inquérito ou do processo. Julgado procedente, o Incidente desloca a competência para a apuração, o processo e a punição dos crimes para a unidade da Justiça Federal com jurisdição no local do fato. O procedimento investigatório passa a ser de responsabilidade da Polícia Federal. Contudo, o IDC não afasta permanentemente a responsabilidade dos Estados. Eles continuam tendo responsabilidade primária, sendo que a responsabilidade da União é apenas subsidiária e só existirá naqueles casos que preencham os requisitos estabelecidos na Constituição Federal. Apesar da relevância deste novo instituto, não há regulamentação infraconstitucional acerca do processo/procedimento do IDC. Assim, a partir do texto constitucional e das decisões já proferidas pelo STJ (no IDC 1, em 08 de junho de 2005 e no IDC 2, em 27 de outubro de 2010), podemos estabelecer os seguintes pressupostos de admissão do IDC: a existência de uma grave violação de Direitos Humanos. Não existem critérios objetivos para determinar em que consiste uma grave violação. Assim, a gravidade deverá ser analisada a partir do contexto em que o caso está inserido; deve haver risco de o Brasil responder internacionalmente, em vista do descumprimento de obrigações já assumidas em documentos internacionais; a verificação da incapacidade, de inércia, de negligência, de falta de vontade política ou de condições materiais ou de pessoal do Estado - da sua Polícia e da sua Justiça -, em dar respostas efetivas às ocorrências de graves violações a Direitos Humanos. O primeiro Incidente a ser julgado procedente foi o IDC n. 02, em 27 de outubro de 2010, deslocando para a competência da Justiça Federal da Paraíba o processo e julgamento do caso envolvendo o assassinato, em 24 de janeiro de 2009, do advogado e ex-vereador Manoel Bezerra de Mattos Neto, o qual denunciava a existência de grupos de extermínio que atuavam nos municípios de Itambé/PE, Timbaúba/PE e Pedras de Fogo/PB. Reconheceu-se estarem presentes no caso os pressupostos que levam à admissão do IDC, dentre eles a incapacidade das instâncias e autoridades locais de oferecer respostas efetivas como levantar provas, combater, reprimir ou punir as ações desses grupos de extermínio que deixaram de ser feitas, muitas vezes, pela impossibilidade de condições (STJ. IDC 2/DF. Rel. Min. Laurita Vaz. Julgamento em 27 de outubro de 2010). 01. (CESPE) Em relação ao incidente de deslocamento de competência (IDC), previsto no artigo 109, 5º, da Constituição Federal é correto afirmar: e) que ele provoca o deslocamento de processo ou inquérito onde estejam sendo apuradas quaisquer violações a direitos humanos para a competência da Justiça Federal. ERRADO. Conforme disposto no artigo 109, 5º, da Constituição Federal e segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Incidentes de Deslocamento de Competência de n. 01 e n. 02, não é qualquer ofensa aos direitos humanos que autoriza o IDC, mas apenas aquelas hipóteses de grave violação. f) pode ser suscitado por Procurador da República perante o STJ. ERRADO. Nos termos do artigo 109, 5º, da Constituição Federal, o IDC somente pode ser suscitado pelo chefe de todo o Ministério Público da União, o Procurador-Geral da República; não pode fazê-lo qualquer outro membro do Ministério Público. g) segundo entendimento do STJ, somente poderá ser suscitado no caso de inércia, negligência, falta de vontade política ou de condições reais do Estado-membro, em dar respostas efetivas às ocorrências de graves violações de direitos humanos. CERTO. Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, manifestado nos Incidentes de Deslocamento de Competência de n. 01 e n. 02. h) julgado procedente, o incidente desloca o julgamento do processo para o órgão da Justiça Federal com jurisdição no Distrito Federal. ERRADO. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Incidentes de Deslocamento de Competência de n. 01 e n. 02, julgado procedente o incidente desloca a análise do processo para a unidade da Justiça Federal com jurisdição no local do fato. 01. (CESPE) A dignidade da pessoa humana é um fundamento da República Federativa do Brasil. 02. (CESPE) Os direitos e as garantias expressos na Constituição Federal de 1988 excluem outros de caráter constitucional decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, uma vez que a enumeração constante no artigo 5.º da CF é taxativa. 03. (FGV) Em 2008, o Congresso Nacional aprovou por Decreto Legislativo a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Essa convenção já foi aprovada na forma do artigo 5º, 3º, da Constituição, sendo sua hierarquia normativa de norma supralegal. Direitos Humanos 201

202 Direitos Humanos 04. (CESPE) Em capítulo próprio da Constituição Federal, é apresentado o rol de todos os direitos sociais a serem considerados no texto constitucional. 05. (CESPE) Os direitos sociais, de estatura constitucional, correspondem aos chamados direitos de segunda geração. Entre esses direitos, incluem-se a educação, a saúde, o trabalho, a alimentação, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. 06. (CESPE) Quanto ao tratamento que o permissivo constitucional brasileiro consagra a direitos e a garantias fundamentais, julgue os itens subsequentes. I. A CF não permite ao ordenamento jurídico pátrio recepcionar normas estrangeiras, como o Pacto de São José da Costa Rica. II. Salvo exceções, a CF proscreve a prisão por dívidas. III. O art. 5.º da CF concentra esses direitos e essas garantias. Além disso, a CF conforma norma modelar, que inclui um rol de direitos objetivamente previstos, como o reconhecimento da concessão de asilo a estrangeiros acusados da prática de crimes políticos. IV. Embora o art. 5.º da CF disponha de forma minuciosa sobre os direitos e as garantias fundamentais, ele não é exaustivo e não exclui outros direitos. V. O art. 5.º da CF exaure o tratamento da matéria no acervo jurídico brasileiro, consagrando garantias basilares do Estado democrático de direito. Estão certos apenas os itens: a) I e III. b) I e IV. c) II e IV. d) II e V. e) III e V. 07. (FUMARC) Na Constituição de 1988, os direitos sociais foram enumerados no art. 6 e são eles: a) A educação, a saúde, a segurança, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. b) A educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. c) A educação, a saúde, a igualdade, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. d) A educação, a saúde, a propriedade, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados 08. (FGV) Com relação aos chamados direitos econômicos, sociais e culturais, é correto afirmar que a) são direitos humanos de segunda geração, o que significa que não são juridicamente exigíveis, diferentemente do que ocorre com os direitos civis e políticos. b) são previstos, no âmbito do sistema interamericano, no texto original da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica). c) formam, juntamente com os direitos civis e políticos, um conjunto indivisível de direitos fundamentais, entre os quais não há qualquer relação hierárquica. d) incluem o direito à participação no processo eleitoral, à educação, à alimentação e à previdência social. 09. (FGV) No âmbito dos direitos humanos, a respeito do Incidente de Deslocamento de Competência, instituído pela Emenda Constitucional 45, assinale a alternativa correta. a) Para assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos de que o Brasil seja parte, o Procurador-Geral da República pode suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal, nas hipóteses de graves violações aos direitos humanos. b) O incidente de deslocamento de competência, embora garanta o cumprimento de obrigações do Estado brasileiro em relação aos tratados internacionais de direitos humanos, não está relacionado com a razoável duração do processo para a consecução da finalidade de efetiva proteção dos direitos humanos. c) Pelo incidente de deslocamento de competência, a Justiça Federal só julgaria os casos relativos aos direitos humanos após o Brasil ser responsabilizado internacionalmente. d) O incidente de deslocamento de competência se efetiva contrariamente ao princípio do federalismo cooperativo por não obedecer à hierarquia de competência para julgamento dos crimes comuns, mesmo no âmbito de ferimento aos direitos humanos. 10. (CESPE) Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o STJ, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a justiça federal.

01 CERTO 06 C 02 ERRADO 07 B 03 ERRADO 08 C 04 ERRADO 09 A 05 CERTO 10 CERTO CAPÍTULO 03 Os Direitos Humanos na Constituição Federal de 1988: Título II Dos Direitos e Garantias Fundamentais A Constituição Federal de 1988 incorporou uma série de Direitos Humanos previstos em documentos internacionais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH). Na Carta Magna, foram reunidos Direitos Humanos das 03 (três) dimensões, os quais receberam o nome de Direitos Fundamentais, devido ao caráter de essenciais, enquanto fundantes de todo o nosso direito. No âmbito interno, são direitos que também buscam resguardar, assegurar um patamar mínimo necessário para a garantia de uma vida digna a todos. Os Direitos Fundamentais estão presentes principalmente entre artigos 5º ao 17 é o chamado catálogo - sob o Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais - em 05 (cinco) Capítulos: Capítulo I - Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos - (art. 5º), Capítulo II Dos Direitos Sociais - (arts. 6º ao 11), Capítulo III Da Nacionalidade - (arts. 12 e 13), Capítulo IV Dos Direitos Políticos - (arts. 14 ao 16) e Capítulo V Dos Partidos Políticos - (art. 17). 02. Do Título II, é valido fazer uma rápida observação acerca da distinção entre direitos fundamentais e garantias fundamentais. Os direitos são bens, são valores escolhidos pela sociedade como os mais importantes, os quais são, então, escritos em leis, na Constituição Federal (ex: a liberdade, a legalidade, a propriedade). Apesar de ligadas a determinados valores e bens, as garantias possuem um aspecto instrumental. São instituições e mecanismos gerais (Ministério Público, Defensoria Pública, etc.) ou específicos de proteção aos Direitos Fundamentais. Desse último grupo podemos citar, por exemplo, (a) o Habeas corpus (art. 5º, LXVIII, da CF), (b) o Mandado de Segurança (art. 5º, LXIX, da CF), (c) o Habeas data (art. 5º, LXXII, da CF), (d) a irretroatividade da lei (art. 5º, XXXVI, da CF), (e) o acesso ao judiciário (art. 5º, XXXV, da CF), (f) o devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF). 03. No Capítulo I, estão contemplados os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, todos relacionados no artigo 5º, cujo caput possui a seguinte redação: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: Direitos Humanos 203

204 Direitos Humanos São direitos, predominantemente, de primeira dimensão, direitos civis, os quais estão relacionados à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, tendo uma redação muito parecida com aquela que lhes é dada pelos documentos internacionais de Direitos Humanos. Guardadas as peculiaridades de alguns direitos, os quais exigem uma qualidade específica da pessoa, os Direitos Fundamentais são garantidos aos brasileiros (natos ou naturalizados) e aos estrangeiros residentes e não residentes, como vem entendendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Os 78 (setenta e oito) incisos do artigo 5º são desdobramentos daqueles direitos básicos mencionados no caput do referido artigo. Assim, o direito fundamental à vida e, consequentemente, à integridade física e mental pode ser encontrado no inciso III (proibição da tortura, de tratamento desumano ou degradante) e no inciso XLIX (integridade física e moral dos presos). O direito fundamental à liberdade está expresso no inciso IV (liberdade de manifestação do pensamento), inciso VI (liberdade de consciência e de crença), inciso IX (liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação), inciso XIII (liberdade de exercício profissional), inciso XV (liberdade de locomoção), inciso XVI (liberdade de reunião), incisos XVII e XX (liberdade de associação). O direito fundamental à igualdade igualdade de todos no tratamento dispensado pela lei - está reproduzido no inciso I (igualdade em direitos e obrigações entre homens e mulheres). O direito fundamental à segurança pode ser encontrado no inciso XXXIX (legalidade penal), inciso XL (irretroatividade da lei penal), inciso XLV (personalidade da pena, intranscendência da pena), inciso LVI (inadmissão da prova ilícita), e inciso LVII (presunção de inocência). Por sua vez, o direito fundamental à propriedade está expresso nos incisos XXII e XXIII (direito de propriedade vinculado a sua função social), incisos XXVII e XXIX (propriedade intelectual). Além dos direitos, nos incisos do artigo 5º da Constituição Federal, encontram-se diversas garantias, diversas ações constitucionais chamadas de remédios constitucionais como o habeas corpus, o habeas data o mandado de segurança e o mandado de injunção. 04. Além dos direitos e garantias fundamentais expressos nos incisos, encontram-se nos parágrafos do artigo 5º da Constituição Federal, importantes disposições. O parágrafo 1º, do artigo 5º da Constituição Federal, prevê que As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Apesar da redação deixar transparecer, não se deve extrair do dispositivo a conclusão de que toda e qualquer norma de Direito Fundamental é direta e plenamente aplicável, ou seja, de que todas possuem imediata eficácia jurídica e social. Segundo Ingo Wolfgang Sarlet 2, citando Robert Alexy, esse dispositivo contém uma espécie de mandado de otimização, estabelecendo, impondo aos órgãos estatais a tarefa de reconhecerem a maior eficácia possível aos Direitos Fundamentais, a todos eles, não somente aos constantes no catálogo ou no artigo 5º. Assim, em primeiro lugar, é possível extrair desde dispositivo a conclusão de que todas as normas que veiculem Direitos Fundamentais possuem pelo menos uma eficácia, a eficácia jurídica (ou aspecto objetivo), para impedir a edição de legislação infraconstitucional que lhe seja contrária. Depois, aquela norma põe o Poder Público na obrigação de tudo fazer no sentido de realizar os Direitos Fundamentais. Reconhece-se, dessa forma, que os Direitos Fundamentais podem ser implementados em graus distintos conforme as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. Por fim, esse dispositivo autoriza que, nos casos previstos constitucionalmente, possa o Poder Judiciário colmatar a lacuna que inviabiliza a aplicabilidade imediata dos Direitos Fundamentais, por meio da Ação Direita de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) e do Mandado de Injunção (MI). a) O parágrafo 1º, do artigo 5º da Constituição Federal, põe o Poder Público na obrigação de tudo fazer no sentido de realizar os Direitos Fundamentais. É nesse momento que surge a discussão acerca da reserva do possível e do mínimo existencial. A reserva do possível constitui-se em um limite fático e jurídico, comumente utilizado pelo Estado como obstáculo à implementação dos Direitos Fundamentais, principalmente os Direitos Sociais, os quais exigem, normalmente, substancial utilização de recursos públicos para a concretização. A reserva do possível não é, no entanto, um limite imanente, inseparável, dos Direitos Fundamentais. Aceita-se, assim, que em face principalmente da escassez de recursos públicos, os Direitos Fundamentais possam não ser implementados ou o sejam apenas de maneira limitada. O Supremo Tribunal Federal entende, contudo (conferir o julgamento da ADPF n. 45/DF, em 29 de abril de 2004), que a escassez de recursos deve ser cabalmente provada pelo Poder Público, pois, em nome da mesma, não se pode adiar indefinidamente a concretização dos Direitos Fundamentais.

Ainda, os limites impostos pela reserva do possível não serão obstáculo à implementação de direitos que garantam um mínimo existencial. Apesar de não haver parâmetros legais ou mesmo uniformidade doutrinária e jurisprudencial, pode-se dizer que o mínimo existencial corresponde a um conjunto menor, mais específico, de Direitos Fundamentais (ex: educação, saúde e assistência social), os quais são essenciais para subsistência de qualquer pessoa. 05. O parágrafo 2º, do artigo 5º da Constituição Federal, prevê que Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. O dispositivo afirma, em um primeiro momento, que existem Direitos Fundamentais na Constituição Federal que vão além daqueles do catálogo, ou seja, aqueles que estão escritos no Titulo II Dos Direitos e Garantias Fundamentais (arts. 5º ao 17). Além das disposições constantes no catálogo, existem direitos fundamentais espalhados por toda a Constituição Federal, por exemplo, no artigo 201 (previdência social), no artigo 203 (assistência social) e no artigo 205 (educação). A leitura deste parágrafo leva, ainda, à conclusão da existência de Direitos Fundamentais em documentos internacionais de Direitos Humanos. O entendimento do Supremo Tribunal Federal é, no entanto, o de que somente os tratados de Direitos Humanos incorporados ao ordenamento jurídico por meio do rito previsto no parágrafo 3º, do artigo 5º da Constituição Federal, é que podem se constituir em nova fonte de Direitos Fundamentais. 06. O parágrafo 3º, do artigo 5º, da Constituição Federal, prevê que Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. Só os tratados e as convenções firmados e que forem aprovados, agora, sob este novo rito introduzido na Constituição Federal por meio da EC n. 45/2004 - é que passam a ocupar o status de Emenda Constitucional, ou seja, serão formal e materialmente constitucionais. Os únicos documentos internacionais com esse status, até o presente momento, são a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência ou Convenção de Nova Iorque e o respectivo Protocolo Facultativo, da ONU, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007, e promulgados internamente pelo Decreto n. 6.949, de 25 de agosto de 2009. No entanto, a partir do julgamento do RExt n. 466.343/SP, em 01 de dezembro de 2008, em que se discutia a possibilidade da prisão do depositário infiel, em vista do artigo 7º, parágrafo 7º, da CADH, o Supremo Tribunal Federal passou a entender que todos os demais tratados e convenções de Direitos Humanos aprovados pelo rito ordinário, comum (art. 49, incisos I e 84, incisos IV e VIII, da CF), possuem status supra legal, ou seja, estão abaixo da Carta Magna e acima da legislação ordinária. Dessa forma, apenas os tratados de direitos humanos já aprovados, ou que vierem a ser aprovados pelo rito ordinário, integram o ordenamento jurídico brasileiro com status de norma supra legal. Assim, hoje, os tratados e as convenções internacionais com conteúdo de Direitos Humanos, ratificados e promulgados pelo Brasil, podem possuir apenas os seguintes status: Rito Aprovados por meio do rito ordinário (artigos 49, incisos I e 84, incisos IV e VIII, da CF) Aprovados por meio do rito especial (parágrafo 3º, do artigo 5º, da CF) Status Norma supra legal Norma formal e materialmente constitucional 07. No Capítulo II, dos artigos 6º ao 11 da Constituição Federal, estão relacionados os Direitos Sociais, os quais são direitos notadamente de segunda dimensão, ligados predominantemente ao valor a igualdade, à igualdade material, substancial. Muitos dos direitos arrolados no mencionado capítulo implementam as disposições existentes em documentos internacionais de Direitos Humanos, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC). No artigo 6º estão previstos 10 (dez) direitos sociais, a saber: a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados. No entanto, no Capítulo II, dos artigos 7º ao 11, encontram-se apenas direitos individuais e coletivos dos trabalhadores. Sem, contudo, estarem vinculados especificadamente às relações de trabalho, são encontrados os direitos sociais nominados no artigo 6º em outros dispositivos da Constituição Federal como, por exemplo, a Saúde, no artigo 196, a Previdência Social, no artigo 201 e a Educação, no artigo 205. Observe, ainda, que, apesar de estarem sendo tratados aqui dos direitos positivos, que exigem uma prestação, um fazer por parte do Estado, é possível encontrar, no Capítulo II disposições que impõem uma abstenção, uma atuação negativa, como, por exemplo, a não interferência do Estado nas organizações sindicais (art. 8º) e o livre exercício do direito de greve (art. 9º). Direitos Humanos 205

206 Direitos Humanos 08. No artigo 7º, incisos I a XXXIV, estão relacionados especificadamente direitos que devem ser respeitados nas relações de trabalho urbanas ou rurais os quais concretizam as previsões dos artigos XXIII e XXIV, da DUDH, e dos artigos 6º e 7º, do PIDESC. Ali, tentando implementar a garantia a uma remuneração justa e satisfatória que assegure ao trabalhador, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, prevista no artigo XXIII, parágrafo 3º, da DUDH e, também, no artigo 7º, a, ii, do PIDESC, a Constituição Federal do Brasil estabelece, no artigo 7º, inciso IV, um piso remuneratório mínimo, um salário mínimo nacional. A respeito da garantia constitucional do salário mínimo, faz necessário mencionar, pelo menos as Súmulas Vinculantes n. 4, n. 6 e n. 16, do Supremo Tribunal Federal, as quais dispõem: a) Súmula Vinculante 4 - Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial. A Súmula reafirma o que já estava disposto no inciso IV, do artigo 7º da Constituição Federal, no sentido de vedar o uso do salário mínimo como indexador. Nesse caso, tratando especificadamente de vantagens remuneratórias do servidor público, como o adicional de insalubridade. b) Súmula Vinculante 6 - Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial. Dentre outras razões apresentadas quando da aprovação da Súmula, ficou consignado que as praças exerceriam um múnus público, um dever para com a nação, não se enquadrando no conceito estrito de trabalho e consequente contraprestação. c) Súmula Vinculante 16 - Os artigos 7º, IV, e 39, 3º (redação da EC 19/98), da Constituição, referem-se ao total da remuneração percebida pelo servidor público. Entende-se, que a garantia do inciso IV, do artigo 7º, deve ser aferida a partir da observação do total da remuneração recebida pelo servidor e não apenas do salário-base/vencimento. Muitos daqueles direitos fundamentais dos trabalhadores são extensíveis aos servidores públicos civis, por força do artigo 39, parágrafo 3º, da Constituição Federal. O artigo 8º trata do direito à associação profissional e sindical. É válido observar que o dispositivo constitucional está garantindo direitos distintos, ou seja, de associação profissional e sindical. O direito à associação sindical está garantido no artigo XXIII, parágrafo 4º, da DUDH e, também, no artigo 8º, do PIDESC. O parágrafo 2º, do artigo 8º do PIDESC, admite, contudo, que os Estados Partes possam estabelecer restrições ao exercício desse direito pelos membros das forças armadas, da polícia ou da administração pública. A Constituição Federal brasileira assegura o direito à associação sindical aos servidores públicos civis, no artigo 37, inciso VI, mas acaba vedando-o aos servidores militares, conforme dispõe o artigo 142, inciso IV. Já o artigo 9º trata do direito de greve, o qual também se encontra previsto expressamente no artigo 8º, parágrafo 1º, d, do PIDESC, e deve ser exercido de conformidade com as leis de cada país. O artigo 9º garante o direito de greve especificadamente aos trabalhadores da iniciativa privada. Esse direito deverá ser exercido nos termos da Lei n. 7.783/1989. A Constituição Federal também assegura o direito de greve aos servidores civis, no artigo 37, inciso VII, o qual pode ser exercido, segundo o Supremo Tribunal Federal, dentro dos parâmetros estabelecidos pela Lei n. 7.783/1989, até que seja editada a lei especifica de que trata aquele artigo. Aos servidores militares veda-se, contudo, o exercício do direito de greve, conforme o artigo 142, inciso IV da Constituição Federal. 09. No Capítulo III, nos artigos 12 e 13 da Constituição Federal, está previsto o direito à nacionalidade, um direito fundamental de primeira dimensão. A nacionalidade é um vínculo jurídico -político que se forma entre o Estado e o indivíduo, fazendo deste um componente do povo. Este vínculo confere aos indivíduos certos direitos e lhes impõe determinadas obrigações existentes naquele Estado de que é nacional. Aquele que não possui uma nacionalidade é chamado de apátrida ou de heimatlos. O que possui múltiplas nacionalidades é chamado de polipátrida. O direito a uma nacionalidade está garantido em documentos internacionais, em primeiro lugar, na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), no artigo XV, o qual dispõe: Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade. Em todo o caso, segundo o parágrafo 1º, do artigo II da DUDH, a titularidade dos Direitos Humanos e o dever de proteção dos mesmos pelos Estados-Membros não dependem da nacionalidade da pessoa ou mesmo do fato de ser ela apátrida: Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) trata expressamente do direito à nacionalidade apenas quando faz referência, no artigo 24, parágrafo 3, ao direito que toda criança tem de adquirir uma. Mas é claro que todas as pessoas têm, independentemente da idade, o direito a uma nacionalidade. O PIDCP também prevê no artigo 2º, parágrafo 1º, o dever dos Estados Partes de assegurar em o gozo dos Direitos Humanos a todas as pessoas, independentemente da nacionalidade: 1 Os Estados Partes do presente pacto comprometem-se a respeitar e garantir a todos os indivíduos que se achem em seu território e que estejam sujeitos a sua jurisdição os direitos reconhecidos no presente Pacto, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer condição. A Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH), já no preâmbulo, informa que os direitos essenciais do homem não derivam do fato de ser ele nacional de determinado Estado, mas sim do fato de ter como fundamento os atributos da pessoa humana (...). O direito à nacionalidade está expresso no artigo 20, no qual se assegura, inclusive, que Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território houver nascido, se não tiver direito a outra. Da mesma forma que ocorreu na DUDH e no PIDCP, o artigo 1º, parágrafo 1º, do Pacto de São José da Costa Rica também impõe aos Estados-Partes a obrigação de respeitar os Direitos Humanos, a todos, independentemente de sua nacionalidade: Os Estados- Partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição social. No entanto, o fato de os documentos internacionais citados não permitirem distinções fundadas na nacionalidade, no que diz com o reconhecimento dos Direitos Humanos, não significa que todos, nacionais e estrangeiros possam gozar, indistintamente, dos mesmos direitos. a) A partir das regras contidas na Constituição Federal, o povo brasileiro compreende duas espécies de nacionais, os natos e os naturalizados. Será brasileiro nato - nacionalidade primária, originária ou involuntária aquele que se enquadre nas hipóteses do artigo 12, inciso I, alíneas a, b ou c, da Constituição Federal. Por sua vez, brasileiro naturalizado - nacionalidade secundária, derivada ou voluntária é aquele que opta por tal condição, nos termos do artigo 12, inciso II, da Constituição Federal e da Lei n. 6.815/1980. Como se pode ver, adotou-se no Brasil, um sistema misto de reconhecimento da nacionalidade primária ou originária: o local de nascimento (critério territorial ou jus solis) e o vínculo consanguíneo (critério consanguíneo, de parentesco ou jus sanguinis). A Constituição Federal, no parágrafo 2º, do artigo 12, não admite que sejam estabelecidas diferenças na concessão e gozo dos direitos aos brasileiros natos e naturalizados, além daquelas hipóteses previstas no próprio texto Magno. Dentre as distinções constitucionalmente previstas, é valido citar a proibição aos brasileiros naturalizados de ocupar os cargos previstos no parágrafo 3º, do artigo 12. Por sua vez, as hipóteses de perda da nacionalidade são aquelas taxativamente previstas no parágrafo 4º, do artigo 12 da Constituição Federal. Observe que tanto o nato quanto o naturalizado podem perder a nacionalidade brasileira. Assim, poderá cair na condição de apátrida o brasileiro nato que adquirir outra nacionalidade fora das hipóteses das alíneas a e b, do inciso II, do parágrafo 4º, do artigo 12, da Constituição Federal. É importante destacar, por fim, que a Constituição Federal, no artigo 5º, inciso XLVII, alínea d, reproduz o disposto no artigo 22, parágrafo 5º da CADH, vedando a expulsão (banimento) de nacionais brasileiros. 10. No Capítulo IV, dos artigos 14 ao 16, foram relacionados os Direitos Políticos, direitos fundamentais marcadamente de primeira dimensão. São direitos conferidos às pessoas para participar da vida e dos negócios políticos do Estado. Eles são a expressão da soberania popular, do poder popular. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), no artigo XXI, os direitos políticos aparecem assegurados com a seguinte redação: 1 Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. (...) 3 A vontade do povo será a base da autoridade do governo. Esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto. O direito de participação na vida política do Estado pode se dar, então, de forma direta ou indireta; nesse último caso, por meio de pessoas que representam a vontade popular, sendo esta expressa de forma direta ou indireta, o que legitima as ações governamentais. Já o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) assegura, no artigo 25, que Todo cidadão terá o direito e a possibilidade, sem qualquer das formas de discriminação mencionadas no artigo 2 e sem restrições infundadas: a) de participar da condução dos assuntos públicos, diretamente ou por meio de representantes livremente escolhidos; b) de votar e de ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas por sufrágio universal e igualitário e por voto secreto, que garantam a manifestação da vontade dos eleitores; Direitos Humanos 207

208 Direitos Humanos Com uma redação muito parecida àquela do PIDCP, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH) dispõe em no artigo 23, parágrafo 1º, ao tratar dos Direitos Políticos, que 1 Todos os cidadãos devem gozar dos seguintes direitos e oportunidades: a) de participar da direção dos assuntos públicos, diretamente ou por meio de representantes livremente eleitos; b) de votar e ser eleitos em eleições periódicas autênticas, realizadas por sufrágio universal e igual e por voto secreto que garanta a livre expressão da vontade dos eleitores; 11. Apesar de os Estados terem assumido o compromisso de garantir os Direitos Humanos a todos (artigo 1º, parágrafo 1º, da CADH), inclusive independentemente da nacionalidade, origem nacional, a fruição de alguns deles pode ser limitada em vista de uma qualidade especial da pessoa e da natureza do próprio direito. Esse é o caso em relação aos direitos políticos que, conforme prevê o parágrafo 2º, do artigo 23 da CADH, podem ser limitado nos seguintes termos: A lei pode regular o exercício dos direitos e oportunidades a que se refere o inciso anterior, exclusivamente por motivos de idade, nacionalidade, residência, idioma, instrução, capacidade civil ou mental, ou condenação, por juiz competente, em processo penal. A Constituição Federal brasileira, no parágrafo 2º, do artigo 14, estabelece expressamente algumas restrições ao exercício dos direitos políticos, prevendo que Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos. Como se pode ver são, então, direitos que somente podem ser exercidos pelos cidadãos, ou seja, pelos brasileiros natos ou naturalizados. O exercício dos direitos políticos tem, dessa forma, como pressuposto, a aquisição da nacionalidade brasileira. E os brasileiros adquirem os direitos políticos, por sua vez, com o alistamento eleitoral. 12. Na sistemática adotada pela Constituição Federal, os direitos políticos podem ser positivos ou negativos. Os direitos políticos positivos asseguram, efetivamente, a participação do cidadão no processo político e nos órgãos governamentais. São eles o direito de sufrágio (art. 14, da CF) ativo (votar) e passivo (ser votado), que é exercido nas eleições, nos plebiscitos e nos referendos -, a iniciativa popular (art. 61, caput, da CF), a ação popular (art. 5º, LXXIII, da CF) e a organização e participação em partidos políticos (art. 17, da CF). Já os direitos políticos negativos são previsões constitucionais que conduzem à privação do direito de participar do processo político e dos órgãos governamentais, como a perda ou suspensão dos direitos políticos (art. 15, da CF) e as hipóteses de inelegibilidades (art. 14, parágrafos 4º ao 8º, da CF). Estas as inelegibilidades - podem ser diretas (atingem a pessoa do candidato, como, por exemplo, aquela do artigo 14, parágrafo 5º da CF) ou indiretas (quando atingem pessoas ligadas a um ocupante de mandato eletivo), sendo que as últimas podem ser encontradas especificadamente no parágrafo 7º, do artigo 14, da Constituição Federal. Em relação às inelegibilidades indiretas relacionadas aos cônjuges, conferir a Súmula Vinculante n. 18, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proclama: A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no 7º, do artigo 14, da Constituição Federal. Por fim, é necessário atentar-se ao fato de que a Constituição Federal, seguindo as disposições constantes nos documentos internacionais de Direitos Humanos, prevê, no artigo 15, que é vedada a cassação (que é a retirada arbitrária) de direitos políticos, permitindo, contudo, a perda ou suspensão dos mesmos em algumas hipóteses relacionadas, como o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (art. 15, alínea a da CF). 01. (CESPE) As liberdades individuais garantidas na Constituição Federal de 1988 não possuem caráter absoluto. 02. (CESPE) O Brasil, por ser um país laico, não tem religião oficial, sendo assegurada constitucionalmente a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, bem como o livre exercício dos cultos religiosos. 03. (CESPE) São legitimados para a propositura do mandado de segurança coletivo os partidos políticos com representação no Congresso Nacional, as entidades de classe, as associações e as organizações sindicais em funcionamento há pelo menos um ano, na defesa dos interesses coletivos e dos interesses individuais homogêneos. 04. (CESPE) Os direitos e as garantias expressos na Constituição Federal de 1988 excluem outros de caráter constitucional decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, uma vez que a enumeração constante no artigo 5.º da CF é taxativa. 05. A reserva do possível constitui um limite fático, um obstáculo à implementação apenas dos direitos fundamentais sociais, direitos prestacionais por excelência. Os direitos civis e políticos, por não demandarem a aplicação de recursos públicos não padecem de tais limitações. 06. (CESPE) Os direitos sociais, de estatura constitucional, correspondem aos chamados direitos de segunda geração. Entre esses direitos, incluem-se a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados.

07. (CESPE) Em capítulo próprio da Constituição Federal, é apresentado o rol de todos os direitos sociais a serem considerados no texto constitucional. 08. (CESPE) Na condição de direitos fundamentais, os direitos sociais são autoaplicáveis e suscetíveis de defesa mediante ajuizamento de mandado de injunção sempre que a omissão do poder público inviabilize seu exercício. 09. (CESPE) Os direitos sociais previstos na Constituição, por estarem submetidos ao princípio da reserva do possível, não podem ser caracterizados como verdadeiros direitos subjetivos, mas, sim, como normas programáticas. Dessa forma, esses direitos devem ser tutelados pelo poder público, quando este, em sua análise discricionária, julgar favoráveis as condições econômicas e administrativas. 10. (CESPE) Caracteriza-se como violação à CF o estabelecimento de remuneração inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial. 11. (CESPE) Hans, ainda que tenha nascido em território brasileiro, não adquiriu nacionalidade originária brasileira, não obstante o fato de o Brasil adotar, em regra, o jus soli, como critério de atribuição da nacionalidade originária. Apesar disso, Hans, de nacionalidade germânica, tem capacidade para ser titular de direitos e deveres na ordem civil, de acordo com o direito brasileiro. 12. (CESPE) Um cargo de tenente do Exército apenas poderá ser exercido por brasileiro nato. 13. (CESPE) Consideram-se direitos políticos negativos as restrições e os impedimentos ao exercício da capacidade eleitoral ativa e passiva. 14. (CESPE) Em nenhuma hipótese o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do presidente da República, de governador de estado ou de prefeito municipal, podem ser candidatos a cargos eletivos no território de jurisdição do titular. 15. (MPT) Sobre a restrição de direitos humanos e direitos fundamentais, é CORRETO afirmar que: a) No Brasil, a Constituição da República não admite a restrição de direitos fundamentais, os quais constituem cláusulas pétreas. b) Não é possível haver restrição de direitos nem de garantias fundamentais por meio de legislação infraconstitucional, mesmo que a norma Constitucional remeta a regulamentação da matéria ao legislador ordinário. c) Excepcionalmente, a Constituição da República admite a restrição de direitos e garantias fundamentais que ela própria consagra, em razão de interesses superiores. d) Os direitos humanos devem ser aplicados integralmente pelos países signatários dos respectivos Tratados internacionais, não sendo admissível falar-se em ressalvas restritivas a suas cláusulas. 16. (FUMARC) Na Constituição de 1988, os direitos sociais foram enumerados no art. 6 e são eles: a) A educação, a saúde, a segurança, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. b) A educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. c) A educação, a saúde, a igualdade, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. d) A educação, a saúde, a propriedade, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. 17. (CESPE) Quanto ao tratamento que o permissivo constitucional brasileiro consagra a direitos e a garantias fundamentais, julgue os itens subsequentes. I. A CF não permite ao ordenamento jurídico pátrio recepcionar normas estrangeiras, como o Pacto de São José da Costa Rica. II. Salvo exceções, a CF proscreve a prisão por dívidas. III. O art. 5.º da CF concentra esses direitos e essas garantias. Além disso, a CF conforma norma modelar, que inclui um rol de direitos objetivamente previstos, como o reconhecimento da concessão de asilo a estrangeiros acusados da prática de crimes políticos. IV. Embora o art. 5.º da CF disponha de forma minuciosa sobre os direitos e as garantias fundamentais, ele não é exaustivo e não exclui outros direitos. V. O art. 5.º da CF exaure o tratamento da matéria no acervo jurídico brasileiro, consagrando garantias basilares do Estado democrático de direito. Estão certos apenas os itens: a) I e III. b) I e IV. c) II e IV. d) II e V. e) III e V. 18. (CESPE) O art. 5.º da CF, em seu vasto campo de abrangência, contempla, entre outros temas, a questão da privação de liberdade. Ao fazê-lo, a CF segue parâmetros republicanos e democráticos, reconhecendo inúmeras garantias a serem conferidas ao preso. A respeito de tais garantias, julgue os seguintes itens. I. Ninguém pode ser preso, senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade competente, salvo nos casos de direito II. penal militar. O preso tem direito à identificação dos autores de sua prisão e a conhecer os responsáveis por seu interrogatório policial. III. O preso deve ser informado de seus direitos, que incluem a assistência familiar e a defesa, salvo se acusado da prática de crime hediondo. Direitos Humanos 209

210 Direitos Humanos IV. O preso, informado de seus direitos, deve, por todos os meios, colaborar com o interrogatório e com a investigação policial. V. A privação de liberdade é medida a ser tomada em condições extremas, tutelada constitucionalmente apenas na ausência da possibilidade legal de concessão de fiança ou de liberdade provisória. A quantidade de itens certos é igual a: a) 1. b) 2. c) 3. d) 4. e) 5. 19. (CESPE) Considerando que o direito constitucional, no Brasil, veda, como norma, a extradição de brasileiros, assinale a opção correta. a) Nenhum brasileiro pode ser extraditado, salvo o naturalizado, se este tiver praticado, antes da naturalização, crime político ou comum, ou se for comprovado seu envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes ou drogas afins. b) Brasileiros naturalizados são declarados inextraditáveis se acusados da prática de crimes políticos ou de opinião. c) A lei permite a extradição de brasileiros em caso de comprovação de envolvimento com tráfico ilícito de entorpecentes ou drogas afins. d) O brasileiro detentor de dupla nacionalidade pode ser extraditado. e) Apesar de nenhum brasileiro poder ser extraditado, em qualquer circunstância, o seu banimento é permitido, nos termos da lei. 20. (CESPE)O ato de aquisição de outra nacionalidade não acarreta a perda da nacionalidade do brasileiro nato ou naturalizado, residente em estado estrangeiro, quando a norma estrangeira, por motivos profissionais ou para o exercício de direitos civis, impor a sua naturalização como condição para a permanência naquele país. 01 CERTO 11 CERTO 02 CERTO 12 CERTO 03 ERRADO 13 CERTO 04 ERRADO 14 ERRADO 05 ERRADO 15 C 06 CERTO 16 B 07 ERRADO 17 C 08 CERTO 18 B 09 ERRADO 19 B 10 ERRADO 20 CERTO CAPÍTULO 04 Conceito, Terminologia, Estrutura Normativa e Fundamentação Conceito e Terminologia Iniciaremos o estudo dos direitos humanos a partir da explanação de alguns conceitos básicos, imprescindíveis para a correta compreensão da matéria. Assim, em primeiro lugar, o que é o direito? O direito representa as opções, os valores, os bens que a comunidade humana, as sociedades organizadas, em determinados momento e lugar, escolheram como os mais relevantes, para que fossem respeitados por todos e protegidos pela própria comunidade e pelo Estado, como, por exemplo, a vida, a liberdade, a igualdade. Os direitos humanos são aqueles direitos de que são titulares todas as pessoas, pela sua tão só condição de serem humanos, e que visam garantir, resguardar um patamar mínimo necessário para uma vida digna. São direitos que existem com o objetivo de proteger e promover a dignidade de toda pessoa humana podendo ser exigidos, opostos em face do Estado (eficácia vertical) ou dos particulares, pessoas físicas ou jurídicas (eficácia horizontal). Eles estão previstos na esfera internacional, escritos em documentos internacionais (tratados, convenções, resoluções, etc.), como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH). Ainda, prefere-se a expressão direitos humanos à direitos do homem, porque quando se usa esta expressão estaremos nos referindo a direitos naturais ainda não positivados, ou seja, que não estão escritos em uma lei, um tratado; não estão formalizados, decorrem da razão, da consciência do homem sobre si mesmo. Quando os direitos humanos são transportados para o nosso direito interno e inseridos em nossa Constituição Federal, passam a ser chamados de direitos fundamentais. Alguns autores nacionais preferem chamá-los de direitos humanos fundamentais ; aqui, no entanto, nós vamos adotar o nome direitos fundamentais, assim como consta do Título II, da Constituição Federal. Na Constituição Federal de 1988 foram incorporados diversos direitos humanos, distribuídos por todo o texto, mas em especial nos artigos 5º a 17, sob o Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais.

Em nosso direito eles também desempenham a função de garantir patamares mínimos para a manutenção da dignidade da pessoa humana. Estrutura Normativa A reconhecida importância internacional da promoção da dignidade da pessoa humana, por meio da garantia efetiva dos direitos humanos, resultou na criação de diversas instituições, dando origem a sistemas internacionais, os quais constituem ferramenta adicional e subsidiária ao nosso Sistema Nacional de proteção àqueles direitos, cada qual com uma estrutura normativa (normas) própria. O Sistema Global ou Universal de proteção dos direitos humanos gira em torno da Organização das Nações Unidas (ONU) e é, por isso, também chamado de sistema das Nações Unidas. Esse sistema tem como normas básicas: a Carta das Nações Unidas ou Carta da ONU, de 1945. É o tratado que cria a ONU, fixando seus propósitos e princípios. Este documento não relaciona nenhum direito humano, mas fixa a promoção da dignidade da pessoa humana como um dos principais objetivos da organização. Foi promulgado no Brasil pelo Decreto n. 19.841, de 1945; a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), de 1948. Foi adotada e proclamada pela Resolução 217-A, da Assembleia Geral das Nações Unidas. Sua veiculação por meio de uma Resolução não lhe confere, contudo, força jurídica vinculante. A DUDH também não cria nenhum órgão voltado à proteção ou promoção dos direitos humanos. Apesar disso é, hoje, um dos principais documentos de direitos humanos em todo o mundo; o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP) de 1966. É um instrumento adicional à DUDH e que visa detalhar alguns de seus direitos, notadamente de primeira dimensão (civis e políticos). O PIDCP é um tratado com força jurídica vinculante. Foi promulgado no Brasil pelo Decreto n. 592, de 1992; o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), de 1966. É, também, um instrumento adicional à DUDH, e visa detalhar alguns de seus direitos, notadamente de segunda dimensão (econômicos, sociais e culturais). O PIDESC é um documento com força jurídica vinculante. Foi promulgado no Brasil pelo Decreto n. 591, de 1992. Por sua vez, os Sistemas Regionais são três, o Interamericano, o Europeu e o Africano. Estes sistemas reúnem parte dos países de determinadas regiões do globo. Interessa-nos, por enquanto, apenas o Sistema Interamericano, o qual está constituído em torno da Organização dos Estados Americanos (OEA), criada em 1948 por meio da Carta da Organização dos Estados Americanos, e da qual são membros todos os 35 (trinta e cinco) países das Américas, inclusive o Brasil. O Sistema Interamericano possui como normas básicas: a Carta da Organização dos Estados Americanos ou Carta de Bogotá, de 1948. Apesar de não relacionar nenhum direito humano, a Carta prevê a sua proteção e promoção, sem qualquer discriminação pelos Estados membros, como um de seus princípios. Foi promulgada no Brasil por meio do Decreto n. 30.544, de 1952; a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (DADDH), de 1948, foi aprovada na IX Conferência Internacional Americana, em Bogotá. Assim como a DUDH, a DADDH foi veiculada por meio de uma resolução - Resolução XXX -, o que não lhe confere força jurídica vinculante. É considerada, contudo, um marco dos direitos humanos nas Américas; a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH), também chamada de Pacto de São José da Costa Rica, foi firmada no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 22 de novembro de 1969, tendo sido promulgada no Brasil pelo Decreto n. 678, de 1992. Diferentemente da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (DADDH), a CADH é um documento internacional com força jurídica vinculante e é o principal instrumento do Sistema Interamericano; o Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais ou Protocolo de San Salvador, de 1988. É um documento adicional à CADH, e que traz relação detalhada de direitos econômicos, sociais e culturais a serem respeitados pelos Estados Americanos. Foi promulgado no Brasil pelo Decreto n. 3.321, de 1999. Esses sistemas internacionais se complementam somando-se ao nosso Sistema Nacional de proteção dos direitos humanos, o qual está organizado em torno das instituições internas e nos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988. 01. O sistema internacional de proteção dos direitos humanos apresenta, no âmbito de aplicação, um sistema global e sistemas regionais, além do sistema nacional. Cada um dos sistemas de proteção apresenta um aparato jurídico próprio. CERTO. Conforme pudemos constatar cada um dos sistemas de proteção aos direitos humanos possui normas que são próprias. Fundamentação Ao tratarmos da fundamentação dos direitos humanos estamos querendo saber quais as razões que justificam o respeito aos mesmos. Direitos Humanos 211

212 Direitos Humanos Os fundamentos mais conhecidos são o direito natural ou jusnaturalismo e o positivismo jurídico. Para o jusnaturalismo os direitos humanos decorrem da razão, da consciência do homem sobre si mesmo, existindo, portanto, antes ainda de que qualquer previsão sua em leis, em tratados e constituições. Como consequência da adoção deste fundamento há que se reconhecer os direitos humanos como preceitos universalmente válidos, para todos os lugares e todos os tempos. Para o positivismo jurídico os direitos humanos surgem da necessidade dos homens, vivendo em sociedade, de proteger certos valores e bens que são, em dado contexto histórico e social, importantes. Assim, os direitos humanos seriam direitos históricos, variáveis e relativos. Da predominante adoção desta fundamentação é que podemos identificar certas características dos direitos humanos, como a relatividade e a historicidade, além de procedermos a sua classificação em dimensões ou gerações. 01. (CESPE) A principal função dos direitos humanos é garantir o respeito à dignidade humana, tutelando homens e mulheres contra os excessos do Estado e estabelecendo prerrogativas e direitos que lhes assegurem, ao menos, o mínimo de condições de vida. 02. (CESPE) As violações a direitos fundamentais ocorrem tanto nas relações entre o cidadão e o Estado quanto nas relações travadas entre pessoas físicas e jurídicas de direito privado. 03. (CESPE) A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi elaborada durante a Primeira Grande Guerra Mundial, para promover a consolidação dos direitos humanos, dos povos e das nações. 04. (CESPE) A Declaração Universal dos Direitos Humanos - DUDH, adotada e proclamada pela Resolução 217 A (III) da Assembleia Geral da ONU em 10/12/1948 e assinada pelo Brasil na mesma data, representou o repúdio direto das ideologias que tinham por princípio o desprezo e o desrespeito pelos direitos do homem. As liberdades consideradas como a mais alta aspiração do homem comum, no preâmbulo da DUDH são a liberdade de palavra, de crença e de viver a salvo do temor e da necessidade. 05. (CESPE) A Declaração Universal dos Direitos Humanos, detentora de força jurídica obrigatória e vinculante, além de fixar um elenco de direitos e liberdades fundamentais a serem garantidos pelos Estados-partes, determina as sanções aplicáveis no caso de seu descumprimento. 06. (PC/MG) O sistema internacional de proteção dos direitos humanos pode apresentar diferentes âmbitos de aplicação, daí poder se falar de sistemas global e regional. O instrumento de maior importância no sistema interamericano é a Convenção Americana de Direitos Humanos, também denominada Pacto de San José da Costa Rica que a) foi assinada em San José, Costa Rica, em 1969, tendo como Estados-membros todos os países das Américas do Norte, Central e do Sul, que queiram participar. b) substancialmente reconhece e assegura um catálogo de direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, garantindo-lhes a plena realização. c) exige dos governantes dos Estados signatários estritamente obrigações de natureza negativas, como por exemplo o dever de não torturar um indivíduo. d) em face dos direitos constantes no texto, cada Estado-parte deve respeitar e assegurar o livre e pleno exercício desses direitos e liberdades, sem qualquer discriminação. 07. (FUMARC-2011) Para a proteção dos direitos humanos, o instrumento de maior importância no sistema interamericano é a Convenção Americana de Direitos Humanos, também denominada Pacto de San José da Costa Rica. Leia as assertivas abaixo: I. Foi esse Pacto assinado em San José, na Costa Rica, em 1969, mas somente entrou em vigor somente em 1988, com a promulgação da chamada Constituição Cidadã no Brasil. II. Apenas Estados-membros da Organização dos Estados Americanos têm o direito de aderir à Convenção Americana, que até março de 2010 contava com 25 Estados-partes. III. Os Estados-partes da Convenção têm deveres negativos que consistem em não violar os direitos, as medidas necessárias para assegurar o pleno exercício dos direitos humanos internacionais são da competência da ONU. Marque a opção CORRETA: a) Somente a assertiva I é incorreta. b) As assertivas I, II e III estão corretas. c) As assertivas I, II e III estão incorretas. d) Somente a assertiva II está correta. 08. (PC/MG) Analise as seguintes afirmativas acerca da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas. ( ) É, tecnicamente, uma recomendação que a Assembléia Geral das Nações Unidas faz aos seus membros (Carta das Nações Unidas, art. 10). ( ) Mostra os abusos praticados pelas potências ocidentais após o encerramento das hostilidades, pois foi redigida sob o impacto das atrocidades cometidas na Segunda Guerra Mundial.

( ) Enuncia os valores fundamentais da liberdade, da igualdade e da fraternidade, mas é omissa quanto à proibição do tráfico de escravos e da escravidão. ( ) Representa a culminância de um processo ético que levou ao reconhecimento da igualdade essencial de todo ser humano e de sua dignidade de pessoa. Assinale a alternativa que apresenta a sequencia de letras CORRETA. a) (V) (F) (V) (F) b) (F) (V) (F) (V) c) (V) (F) (F) (V) d) (F) (V) (V) (F) 09. (NUCEPE) Em relação ao conceito dos Direitos Humanos, identifique com V as alternativas VERDADEIRAS e F, as FALSAS e marque, em seguida, a sequência CORRETA. ( ) O núcleo do conceito de Direitos Humanos se encontra no reconhecimento da dignidade da pessoa humana. Essa dignidade expressa num sistema de valores, exerce uma função orientadora sobre a ordem jurídica porquanto estabelece o bom e o justo para o homem. ( ) Direitos Humanos é uma expressão moderna, mas o princípio que invoca é tão antigo quanto a própria humanidade. É que determinados direitos e liberdades são fundamentais para a existência humana. ( ) Os Direitos Humanos surgiram a partir do século XX, e devem ser utilizados apenas nos países democráticos. ( ) Os Direitos Humanos são considerados fundamentais porque sem eles a pessoa humana não consegue existir ou não é capaz de se desenvolver e de participar plenamente da vida. ( ) Os Direitos Humanos devem privilegiar apenas a parcela da população mais carente, fato que justifica sua própria existência. a) V, V, F, V, F b) V, V, V, V, V c) V, V, F, F, V d) F, F, V, F, V e) V, V, F, F, F 10. (Questão do Professor) O sistema interamericano tem como principal instrumento a Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969, a qual relaciona extenso rol de direitos humanos de primeira e segunda dimensões. 01 CERTO 06 D 02 CERTO 07 D 03 ERRADO 08 C 04 CERTo 09 A 05 ERRADO 10 ERRADO CAPÍTULO 05 Evolução Histórica, Classificação e Características dos Direitos Humanos Evolução Histórica dos Direitos Humanos Os direitos humanos não surgiram subitamente, a partir de um único evento, de um único fato. Sua formação possui diversas origens, diversos fundamentos e vários acontecimentos que marcam a sua longa história. Uma história de lutas, conquistas e reconquistas. Apenas para fins didáticos e para o objetivo de nosso estudo, podemos dividir a história dos direitos humanos em duas fases: a primeira, situada na Idade Média até meados do século XVIII; a segunda, iniciada com a Declaração de Direitos do Bom Povo da Virginia (1776). A primeira fase dos Direitos Humanos teve a contribuição teórica da filosofia clássica greco-romana, do pensamento cristão primitivo e, mais tarde, da doutrina jusnaturalista. Desse período, ressaltamos apenas dois marcos importantes: a Magna Carta (Magna Charta Libertatum), 1215-1225 (Inglaterra). Assinada pelo Rei João Sem-Terra, ela limitava os poderes do monarca, garantindo algumas liberdades a um grupo específico de homens livres, a nobreza. Dela surgem as bases das liberdades públicas do direito constitucional inglês; a Carta de Direitos (Bill of Rights), 1689 (Inglaterra). Formulada no seio da Revolução Inglesa de 1688, instituiu definitivamente a monarquia constitucional subordinada à soberania popular. Ela limitava ainda mais os poderes do monarca em face do fortalecimento do Parlamento, representante do povo. Na segunda fase tem-se início o processo de introdução dos direitos humanos no direito interno dos Estados, em declarações de direitos e em especial nas suas Constituições. Servem de fontes ideológicas nesta fase o pensamento Iluminista, as doutrinas liberais (em especial no campo econômico) e, mais tarde, as doutrinas sociais e o direito humanitário. Além da Declaração de Direitos do Bom Povo da Virginia (1776), redigida no contexto da proclamação da independência Americana, podemos destacar, ainda, os seguintes marcos: Direitos Humanos 213

214 Direitos Humanos Constituição Americana, 1787 (EUA). Ao texto inicialmente adotado, foram introduzidas 10 (dez) emendas em 1791, as quais continham, efetivamente, alguns Direitos Humanos, considerados fundamentais; Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, 1789 (França). Foi escrita durante a Revolução Francesa, era influenciada pelos ideais iluministas e possuía caráter individualista, mas universalizante. Constitui-se, também, como o principal documento na formação do modelo do Estado Liberal; Não confundir a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovado no âmbito da ONU, em 1948. Convenção de Genebra, 1864. Assinada em Genebra, Suíça, em 22 de agosto de 1864, por alguns países europeus, visava minorar os efeitos desastrosos das guerras, estabelecendo regras de tratamento aos combatentes e às populações civis. É o marco do chamado Direito Humanitário; Carta Encíclica Rerum Novarum, 1891. Elaborada pelo Papa Leão XIII, e publicada em 15 de maio de 1891, trata da condição dos operários e é considerada um marco do direito do trabalho no mundo; Constituição Mexicana, 1917. Introduziu em seu texto um longo rol de direitos sociais, especificadamente direitos fundamentais para os trabalhadores; Constituição Alemã ou Constituição de Weimar, 1919. Também incorporou diversos direitos sociais, instituindo as linhas mestras do Estado Democrático Social que serviu de modelo para inúmeros países; Organização Internacional do Trabalho - OIT, 1919. É um organismo internacional, criado logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, com o objetivo de estabelecer, mundialmente, a melhoria das condições de trabalho; Liga das Nações, 1920. Organismo Internacional criado, também, logo após a Primeira Guerra Mundial com o objetivo de estabelecer o diálogo entre os Países, evitar um novo conflito e manter a paz; Organização das Nações Unidas - ONU, 1945. É um organismo internacional criado pelos Estados soberanos a partir da aprovação da Carta das Nações Unidas, em 1945, substituindo a Liga das Nações. Dentre seus objetivos está a promoção de todos os Direitos Humanos; Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948. Aprovada no âmbito da ONU e veiculada por meio de uma Resolução. Apesar de não ter força jurídica vinculante é considerado o principal documento no que se refere à proteção internacional dos Direitos Humanos atualmente. Classificação dos Direitos Humanos Dentre as diversas classificações que podemos fazer dos direitos humanos, interessa-nos apenas aquela que os agrupa. a) segundo o momento histórico em que passaram a ser reconhecidos em documentos nacionais e internacionais. b) segundo algumas características comuns, em dimensões ou gerações. Para a doutrina a expressão gerações sugere uma ideia de alternância, de substituição dos direitos humanos ao longo de sua história. Por outro lado, o termo dimensões, dentro do movimento de mutação, transformação dos direitos humanos, transmite a ideia de um processo cumulativo, de complementaridade, de expansão e de fortalecimento. Aqui nos valeremos da segunda expressão, para dividir os direitos humanos em: direitos de Primeira Dimensão, os quais correspondem à fase inicial de afirmação, de reconhecimento dos direitos humanos em documentos nacionais ou internacionais, situada nos séculos XVIII e XIX. São direitos de conteúdo individualista, de defesa do indivíduo em face do Estado. Por isso são chamados de direitos negativos ( direitos de liberdade ), pois exigem do poder constituído uma abstenção, uma nãointerferência na órbita de direitos dos indivíduos. Constitui-se de direitos Civis e Políticos, como, por exemplo, o direito à vida, à liberdade, à propriedade privada, à igualdade perante a lei, à segurança; direitos de Segunda Dimensão, cujos surgimento e afirmação se dão a partir do final do século XIX e início do século XX. Estes direitos possuem dimensão positiva direitos positivos, prestacionais ( direitos de igualdade ) impondo ao Estado, ao Poder Público um comportamento ativo na realização da justiça social, da igualdade material. Constitui-se de direitos Econômicos, Sociais e Culturais como a educação, a saúde, o trabalho, a previdência; direitos de Terceira Dimensão, os quais surgem a partir da metade do século XX, como resultado do movimento de internacionalização dos direitos humanos. Sua nota distintiva reside no fato de que são direitos, são bens jurídicos que se desligam, desprende-se da figura do homem-indivíduo como seu titular, sendo direitos de titularidade coletiva ou difusa ( direitos de fraternidade ). São os direitos de Solidariedade e Fraternidade como o direito à paz, à autodeterminação dos povos, ao meio-ambiente e à sadia qualidade de vida, ao desenvolvimento, à comunicação, ao patrimônio comum da humanidade, à democracia participativa.

Características dos Direitos Humanos Os direitos humanos possuem algumas características jurídicas. Dentre as principais, destacamos: a Universalidade: todos os indivíduos, todos os seres humanos são deles titulares, sem distinção de qualquer espécie; a Inalienabilidade e a Irrenunciabilidade: são direitos que não possuem conteúdo patrimonial e, por isso, são intransferíveis, inegociáveis. Uma vez conferidos, deles o indivíduo não pode se desfazer e tão pouco pode a eles renunciar. Os direitos humanos podem não ser exercidos, mas isso não significa que possam ser renunciados; a Imprescritibilidade: justamente porque não possuem conteúdo patrimonial, o seu nãoexercício no decurso do tempo não importa em sua perda, sua inexigibilidade; a Interdependência ou Indivisibilidade: apesar de estarem escritos em diversos documentos e de terem conteúdo distinto, os direitos humanos se complementam, são dependentes uns dos outros para a sua realização plena. Somente a efetivação integral e completa de todos os direitos humanos garante que o respeito à dignidade da pessoa humana seja realizado; a Relatividade: nenhum direito humano é absoluto a ponto de afastar, em todas as situações, os demais. Havendo confronto entre eles, somente na análise do caso concreto, aplicando-se os critérios de proporcionalidade e razoabilidade, um deles poderá ser mitigado em relação ao outro. Prevalecerá aquele que, no caso concreto, melhor proteja a dignidade da pessoa humana princípio da primazia da norma mais favorável; a Historicidade: significa que eles nascem, modificam-se, evoluem acompanhando as mudanças da sociedade. Não nasceram em um único momento da história ou possuem outra origem que não a dialeticidade da vida em sociedade. 01. (CESPE) O direito fundamental à vida é hierarquicamente superior a todos os demais direitos humanos, estejam eles previstos na Constituição Federal ou na Declaração Universal dos Direitos Humanos. ERRADO. O direito à vida constitui-se como um dos principais direitos humanos. No entanto, mesmo este direito não é absoluto, podendo ceder, em determinados casos concretos, para que outro direito humano prevaleça. Em nosso Código Penal vemos um exemplo claro da relatividade do direito à vida, quando o artigo 128 permite o aborto se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. 01. (CESPE) A respeito do desenvolvimento histórico dos direitos humanos e seus marcos fundamentais, assinale a opção correta. a) Os direitos humanos surgem todos de uma vez, não se originam de processo histórico paulatino. b) Não há uma correlação entre o surgimento do cristianismo e o respeito à dignidade da pessoa humana. c) As gerações de direitos humanos mais recentes substituem as gerações de direitos fundamentais mais antigas. d) A proteção dos direitos humanos é objeto também do direito internacional. e) A ONU é o órgão responsável pela UDHR e pela Declaração Americana de Direitos. 02. (CESPE) Inalienáveis são aqueles direitos fundamentais dos quais as pessoas somente podem abrir mão em situações muito especiais. 03. (CESPE) A característica de relatividade dos direitos fundamentais possibilita que a própria Constituição Federal de 1988 (CF) ou o legislador ordinário venham a impor restrições ao exercício desses direitos. 04. O direito fundamental à vida é hierarquicamente superior a todos os demais direitos humanos, estejam eles previstos na CF ou na Declaração Universal dos Direitos Humanos. 05. Os direitos humanos de segunda dimensão ainda não foram incorporados à legislação nacional, permanecendo, pois, como normas programáticas do direito internacional humanitário. 06. Os direitos humanos de primeira geração referem-se às reivindicações de condições dignas de trabalho e originam-se das lutas sociais desencadeadas com a Revolução Industrial. 07. (NUCEPE) Identifique a sequência que apresenta apenas características dos Direitos Humanos. a) Inviolabilidade, Universalidade, Efetividade e Prescritibilidade. b) Universalidade, Irrenunciabilidade, Efetividade e Complementaridade. c) Interdependência, Alienabilidade, Imprescritibilidade e Inviolabilidade. d) Inalienabilidade, Complementaridade, Regionalidade e Independência. e) Regionalidade, Independência, Universalidade e Irrenunciabilidade. Direitos Humanos 215

216 Direitos Humanos 08. (ESAF) Os direitos humanos não devem ser analisados isoladamente, com prevalência de um conjunto de direitos humanos sobre os demais. Esse conceito representa a seguinte característica dos Direitos Humanos: a) Indivisibilidade. b) Indisponibilidade. c) Generalidade. d) Efetividade. e) Essencialidade. 09. (VUNESP) Quando se fala em Direitos Humanos, considerando sua historiciedade, é correto dizer que: a) somente passam a existir com as Declarações de Direitos elaboradas a partir da Revolução Gloriosa Inglesa de 1688. b) foram estabelecidos, pela primeira vez, por meio da Carta Magna de 1215, que é a expressão maior da proteção dos Direitos do Homem em âmbito universal. c) a concepção contemporânea de Direitos Humanos foi introduzida, em 1789, pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, fruto da Revolução Francesa. d) a internacionalização dos Direitos Humanos surge a partir do Pós-Guerra, como resposta às atrocidades cometidas durante o nazismo. 10. Sobre os direitos humanos, assinale a alternativa correta. a) Sob uma perspectiva histórica abrangem apenas os direitos à liberdade, segurança e propriedade. b) Compreendem, além dos direitos civis e políticos, os direitos sociais, econômicos e culturais, sendo que os últimos não são exigíveis. c) Correspondem aos direitos naturais, ou seja, são verificáveis a partir do que acontece na natureza, e são protegidos por organismos internacionais. d) Têm como características a universalidade, a historicidade, a indivisibilidade e a relatividade. 01 D 06 ERRADO 02 ERRADO 07 B 03 CERTO 08 A 04 ERRADO 09 A 05 ERRADO 10 D CAPÍTULO 06 Direitos Humanos, Direito Humanitário e Direito dos Refugiados Introdução Os direitos humanos expressam aquelas normas internacionais voltadas à proteção e promoção da dignidade da pessoa humana em toda e qualquer situação, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH). O direito humanitário e o direito dos refugiados, por sua vez, também compõem-se de normas de direitos humanos, somente que voltadas para a proteção da pessoa em situações específicas. Direito Humanitário O direito humanitário conhecido, também, como Direito de Genebra - é o ramo dos direitos humanos que visa restringir a violência própria das guerras, a partir do estabelecimento de regras mínimas para o tratamento dos ex-combatentes e das populações civis. O objetivo é a proteção dos bens e das pessoas que não participam do conflito (civis) e das pessoas que deixaram de participar do conflito (os feridos, os doentes, os náufragos, os prisioneiros de guerra, os combatentes que depuseram as armas). O direito humanitário surge, principalmente, dos esforços do suíço Henri Dunant, o qual defende, inclusive, a criação de uma entidade voltada a prestar assistência aos feridos nas guerras, chamada de Comitê Internacional e Permanente de Socorros dos Feridos Militares, conhecido, hoje, como Cruz Vermelha. O marco do direito humanitário é a Convenção para a Melhoria da Sorte dos Feridos e Enfermos dos Exércitos em Campanha, adotada por potências europeias no ano de 1864, em Genebra, na Suíça. Atualmente, os principais documentos internacionais de direito humanitário são as quatro conhecidas Convenções de Genebra e seus três Protocolos Adicionais: a) Convenção I - Convenção para Melhorar a Situação dos Feridos e Doentes das Forças Armadas em Campanha, adotada em 12 de agosto de 1949; b) Convenção II - Convenção para Melhorar a Situação dos Feridos, Doentes e Náufragos das Forças Armadas no Mar, adotada em 12 de agosto de 1949; c) Convenção III - Convenção Relativa ao Tratamento dos Prisioneiros de Guerra, adotada em 12 de agosto de 1949;

d) Convenção IV - Convenção para a Proteção das Pessoas Civis em Tempo de Guerra, adotada em 12 de agosto de 1949; e) Protocolo I - Adicional às Convenções de Genebra de 12 de Agosto de 1949, relativo à Proteção das Vítimas dos Conflitos Armados Internacionais, adotado em 7 de dezembro de 1979; f) Protocolo II - Adicional às Convenções de Genebra de 12 de agosto de 1949, relativo à Proteção das Vítimas dos Conflitos Armados não Internacionais, adotado em 7 de dezembro de 1979; g) Protocolo III - Adicional às Convenções de Genebra de 12 de agosto de 1949, relativo à Adoção de Emblema Distintivo Adicional, adotado em 8 de dezembro de 2005. Todas as Convenções de Genebra e os Protocolos Adicionais já forma promulgados internamente pelo Brasil. As Convenções e os Protocolos Adicionais possuem algumas normas que lhes são comuns, ou seja, que devem ser aplicadas a qualquer tipo de conflito armado, seja ele nacional ou internacional. Assim, as pessoas que não tomem parte diretamente nas hostilidades, incluindo os membros das forças armadas que tenham deposto as armas e as pessoas que tenham sido postas fora de combate por doença, ferimentos, detenção, ou por qualquer outra causa, serão, em todas as circunstâncias, tratadas com humanidade, sem nenhuma distinção de caráter desfavorável baseada na raça, cor, religião ou crença, sexo, nascimento ou fortuna, ou qualquer outro critério análogo. Para este efeito, são e manter-se-ão proibidas, em qualquer ocasião e lugar, relativamente às pessoas acima mencionadas: a) as ofensas contra a vida e a integridade física, especialmente o homicídio sob todas as formas, mutilações, tratamentos cruéis, torturas e suplícios; b) a tomada de reféns; c) as ofensas à dignidade das pessoas, especialmente os tratamentos humilhantes e degradantes; d) as condenações proferidas e as execuções efetuada sem prévio julgamento, realizado por um tribunal regularmente constituído, que ofereça todas as garantias judiciais reconhecidas como indispensáveis pelos povos civilizados. Ainda, todos os feridos e doentes serão recolhidos e tratados pelas partes no conflito. O direito humanitário possui ao menos dois princípios que são universamente aceitos: a neutralidade e a universalidade. Pelo primeiro, a prestação de assistência humanitária pelas entidades que a ele se dedicam, não pode ser encarada como uma intromissão no conflito ou tomada de posição em favor de qualquer um dos lados. Já em vista do segundo, a assistência humanitária deve ser prestada a todas aquelas pessoas envolvidas no conflito e que necessitem, sem qualquer discriminação. Por fim, estão encarregados da aplicação das regras de direito humanitário, além dos Estados signatários dos tratados, principalmente os órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU), o Tribunal Penal Internacional (TPI) e as entidades que fazem parte do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Lembrando que as entidades que fazem parte desse movimento o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha ou do Crescente Vermelho e a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho não são organizações internacionais ou governamentais. São organizações não-governamentais, de direito privado e sem fins lucrativos. 01. A Cruz Vermelha Internacional é a principal organização internacional responsável pela efetivação das normas de direito humanitário. ERRADO. Apesar de poderem atuar em conjunto com organizações internacionais e com os Estados, as entidades que fazem parte do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho são organizações não governamentais, de direito privado e sem fins lucrativos. Direito dos Refugiados Refugiado, segundo consta do artigo 1º, da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados, da ONU, de 1951 é qualquer pessoa que, temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país, ou que, se não tem nacionalidade e se encontra fora do país no qual tinha sua residência habitual em consequência de tais acontecimentos, não pode ou, devido ao referido temor, não quer voltar a ele. Aquela Convenção e o Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados, também da ONU, de 1967 formam o que se conhece como o Estatuto dos Refugiados. Aqueles dois documentos já foram promulgados pelo Brasil. Internamente, o Brasil ainda adotou a Lei n. 9.474, de 1997, a qual define mecanismos para a implementação do Estatuto dos Refugiados. Nesta Lei (art. 1º) o conceito de refugiado é mais amplo, compreendendo todo indivíduo que: a) devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país ; b) não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias descritas no inciso anterior ; c) devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país. Direitos Humanos 217

218 Direitos Humanos O refúgio não se confunde com o asilo político, colocado como princípio que rege as relações internacionais da República Federativa do Brasil (art. 4º, inciso X, da CF). O asilo está relacionado notadamente com uma perseguição normalmente individual, fundada em dissidência política ou de opinião, ao passo que o refúgio, como vimos, decorre de uma convulsão generalizada no país de origem do refugiado, motivadas por questões diversas como raça, religião, nacionalidade, além de opiniões políticas. Na lei, os efeitos da condição de refugiado adquirida por uma pessoa serão extensivos ao cônjuge, aos ascendentes e descendentes, assim como aos demais membros do grupo familiar que do refugiado dependerem economicamente, desde que se encontrem em território nacional (art. 2º). Atentemos que o reconhecimento da condição de refugiado obstará o seguimento de qualquer pedido de extradição baseado nos fatos que fundamentaram a concessão de refúgio (art. 33). Ainda, não será expulso do território nacional o refugiado que esteja regularmente registrado, salvo por motivos de segurança nacional ou de ordem pública (art. 36). No entanto, não serão beneficiados da condição de refugiado os indivíduos que (art. 3º): b) já desfrutem de proteção ou assistência por parte de organismo ou instituição das Nações Unidas que não o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados ACNUR ; c) sejam residentes no território nacional e tenham direitos e obrigações relacionados com a condição de nacional brasileiro ; d) tenham cometido crime contra a paz, crime de guerra, crime contra a humanidade, crime hediondo, participado de atos terroristas ou tráfico de drogas ; e) sejam considerados culpados de atos contrários aos fins e princípios das Nações Unidas. A Lei ainda cria o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), órgão de deliberação coletiva, no âmbito do Ministério da Justiça, ao qual compete, dentre outros, (a) analisar o pedido e declarar o reconhecimento, em primeira instância, da condição de refugiado, (b) decidir a cessação, em primeira instância, ex officio ou mediante requerimento das autoridades competentes, da condição de refugiado e (c) determinar a perda, em primeira instância, da condição de refugiado (art. 12). 01. (CESPE) O Direito Internacional Humanitário, campo das ciências jurídicas com o objetivo de prestar assistência às vítimas de guerra, surgiu, efetivamente, com a primeira convenção firmada em Genebra, em 1864. 02. (CESPE) O direito humanitário estabelece regras de tratamento e proteção aos bens e às populações civis, que não participam do conflito, nada dispondo a respeito dos combatentes que tenham deposto as armas. 03. (CESPE) O direito humanitário, também conhecido como Direito de Genebra é composto por diversos documentos de direito internacional. Dentre eles podemos citar a Convenção para Melhorar a Situação dos Feridos e Doentes das Forças Armadas em Campanha e a Convenção para Melhorar a Situação dos Feridos, Doentes e Náufragos das Forças Armadas no Mar, ambas adotadas em 12 de agosto de 1949. 04. (CESPE) Ao contrário do direito internacional dos direitos humanos, o direito internacional humanitário não se vale de tribunais para sua implementação, já que não se espera que as partes em conflito aberto submetam-se a decisões judiciais. 05. (CESPE) A assistência humanitária, na forma de ações de socorro emergencial de índole humanitária, imparcial e não discriminatória, é direito previsto pelo direito internacional humanitário, que pode ser levado a cabo por Estados, organizações internacionais e organizações não governamentais. 06. (CESPE) É regra comum às Convenções de Genebra, que as pessoas que não tomem parte diretamente nas hostilidades, incluindo os membros das forças armadas que tenham deposto as armas e as pessoas que tenham sido postas fora de combate por doença, ferimentos, detenção, ou por qualquer outra causa, serão, em todas as circunstâncias, tratadas com humanidade, sem nenhuma distinção de caráter desfavorável baseada na raça, cor, religião ou crença, sexo, nascimento ou fortuna, ou qualquer outro critério análogo. 07. (CESPE) Nos termos da legislação brasileira, pode-se considerar refugiado, também, a pessoa que, devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigada a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país. 08. (CESPE) No Brasil, o reconhecimento da condição de refugiado dá-se por decisão da representação do Alto Comissariado das Nações Unidas para refugiados ou por decisão judicial. 09. (FGV) O reconhecimento da situação de refugiado pelo Poder Executivo não impede a extradição, se o estrangeiro estiver sendo acusado de crime comum que não tenha qualquer pertinência com os fatos considerados para a concessão do refúgio.

10. (CESPE) Nos termos da Lei n. 9.474, de 1997, os efeitos da condição de refugiado adquirida por uma pessoa não serão extensivos ao seu cônjuge, aos seus ascendentes e a seus descendentes, os quais devem requerer, individualmente o refúgio ao Brasil. 01 CERTO 06 CERTO 02 ERRADO 07 CERTO 03 CERTO 08 ERRADO 04 ERRADO 09 CERTO 05 CERTO 10 ERRADO CAPÍTULO 07 Programa Nacional de Direitos Humanos O Decreto n. 7.037, de 21 de dezembro de 2009 aprovou o Terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). O PNDH-3 é um grande projeto de ação do Estado brasileiro, uma política de Estado para os direitos humanos, com orientações, diretrizes e metas a serem cumpridas gradualmente e de forma integrada pela Administração Pública Federal, com vistas à efetiva e ampla promoção dos Direitos Humanos e dos Direitos Fundamentais. Em relação aos dois programas anteriores - PNDH-1 (Decreto n. 1.904/1996) e PNDH-2 (Decreto n. 4.229/2002) -, neste Terceiro Programa há uma sensível ampliação dos temas de Direitos Humanos objeto das ações do Estado, com a incorporação de algumas demandas sociais como a apuração e o esclarecimento público das violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política, no período compreendido entre 1946 a 1988, e de questões presentes em documentos internacionais recentes, como a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, aprovados no âmbito da ONU, em 30 de março de 2007 e promulgados no Brasil pelo Decreto n. 6.949, de 25 de agosto de 2009. No PNDH-3 os Direitos Humanos são colocados, no entanto, como tema transversal, o que significa dizer que eles estão presentes, permeiam de forma explícita todas as ações, as políticas do Estado. Eles serão trabalhados de diferentes formas nos diversos assuntos (meio-ambiente, educação, habitação, segurança pública etc.), mas sempre tendo em vista a sistematicidade e a integralidade dos Direitos Humanos. Reafirmam-se, deste modo, as características já vistas da universalidade e da interdependência ou indivisibilidade quando se pugna pela efetivação de todos os Direitos Humanos, de Primeira, Segunda e Terceira dimensões. Para o que aqui nos interessa, que é o estudo dos Direitos Humanos na administração da justiça, temos que atentar que o PNDH-3: estabelece, em primeiro lugar, a primazia dos Direitos Humanos em todas as políticas relacionadas ao tema; considera necessária uma ampla reforma no modelo de polícia e de policiamento; busca a transparência e a participação popular no que compete às questões de Segurança Pública; propõe medidas voltadas primordialmente à prevenção da violência e da criminalidade; amplia o controle sobre o uso da força e das armas de fogo. Direitos Humanos 219

220 Direitos Humanos O Decreto ainda institui em seu artigo 4º, o Comitê de Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3, vinculado à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR), com os objetivos básicos de promover a articulação dos órgãos e entidades envolvidos e acompanhar a implementação do Programa. Apesar de serem disposições voltadas à Administração Federal, o artigo 5º, do Decreto convida os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e os órgãos do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e do Ministério Público a aderirem ao Programa. No Anexo ao Decreto, seguindo especificadamente 06 (seis) Eixos Orientadores foram estabelecidas 25 (vinte e cinco) diretrizes, 82 (oitenta e dois) objetivos estratégicos e mais de quinhentas ações programáticas, a serem cumpridas, implementadas por determinados órgãos federais, isoladamente ou em conjunto. Os Eixos Orientadores são: Eixo Orientador I: Interação democrática entre Estado e sociedade civil (Diretrizes 1 a 3), Eixo Orientador II: Desenvolvimento e Direitos Humanos (Diretrizes 4 a 6), Eixo Orientador III: Universalizar direitos em um contexto de desigualdades (Diretrizes 7 a 10), Eixo Orientador IV: Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência (Diretrizes 11 a 17), Eixo Orientador V: Educação e Cultura em Direitos Humanos (Diretrizes 18 a 22) e Eixo Orientador VI: Direito à Memória e à Verdade (Diretrizes 23 a 25). Dentre todas as ações programáticas previstas, vejamos inicialmente algumas relacionadas no Eixo Orientador IV: Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência. Na Diretriz 11, relacionada à Democratização e modernização do sistema de segurança pública, no Objetivo estratégico III, que trata da Promoção dos Direitos Humanos dos profissionais do sistema de segurança pública, assegurando sua formação continuada e compatível com as atividades que exercem preveem-se diversas medidas visando à defesa dos Direitos Humanos dos agentes de segurança pública, como: o fornecimento de equipamentos de proteção individual efetiva, o acompanhamento permanente da saúde mental dos profissionais, processos de reabilitação e reintegração ao trabalho para os casos de deficiência adquirida no exercício da função e a instituição de um seguro para os casos de acidentes incapacitantes ou morte em serviço. Na Diretriz 14, que trata do Combate à violência institucional, com ênfase na erradicação da tortura e na redução da letalidade policial e carcerária, no Objetivo estratégico II Padronização de procedimentos e equipamentos do sistema de segurança pública, encontramos as seguintes ações programáticas: Elaborar procedimentos operacionais padronizados para as forças policiais federais, com respeito aos Direitos Humanos. Responsáveis: Ministério da Justiça e Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República; Elaborar procedimentos operacionais padronizados sobre revistas aos visitantes de estabelecimentos prisionais, respeitando os preceitos dos Direitos Humanos. Responsáveis: Ministério da Justiça, Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República; Elaborar diretrizes nacionais sobre uso da força e de armas de fogo pelas instituições policiais e agentes do sistema penitenciário. Responsáveis: Ministério da Justiça e Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Visando implementar a presente ação programática, a Portaria Interministerial n. 4.226, de 31 de dezembro de 2010, estabelece as Diretrizes sobre o Uso da Força pelos Agentes de Segurança Pública, a serem obrigatoriamente cumpridas pelo Departamento de Polícia Federal, pelo Departamento de Polícia Rodoviária Federal, pelo Departamento Penitenciário Nacional e pela Força Nacional de Segurança Pública. Finalizando, no Eixo Orientador VI: Direito à Memória e à Verdade, Diretriz 23, Objetivo estratégico I, prevê-se a criação, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, da Comissão Nacional da Verdade. Esta Comissão teria a tarefa de examinar as violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política ocorrida no período determinado pelo artigo 8º, do ADCT, ou seja, entre 1946 a 1988. O Projeto de Lei n. 7.376/2010, de autoria do Poder Executivo, o qual cria a Comissão Nacional da Verdade foi aprovado pela Câmara dos Deputados na data de 22 de setembro de 2011 e posteriormente encaminhado ao Senado Federal. No Senado Federal o Projeto de Lei (PLC n. 88/11) foi aprovado na data de 26 de outubro de 2011, obtendo a sanção presidencial no dia 18 de novembro de 2011 e sendo convertido na Lei n. 12.528/2011.

01. (CESPE) A Comissão Nacional da Verdade, criada pela Lei n. 12.528, de 2011, com os objetivos de examinar as violações de Direitos Humanos e punir os responsáveis é um dos Objetivos Estratégicos do PNDH-3, dentro do Eixo Orientador VI, que trata do Direito à Memória e à Verdade. ERRADO. A Comissão Nacional da Verdade não tem o objetivo de punir, mas apenas de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período fixado no artigo 8º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional. 01. O Terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), fruto de intenso debate público, especialmente durante a 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, restou aprovado pelo Decreto n. 7.037, de 21 de dezembro de 2009. No Eixo Orientador IV, Objetivo Estratégico III, podemos encontrar uma ação programática voltada à garantia de reabilitação e reintegração ao trabalho dos profissionais do sistema de segurança pública federal, nos casos de deficiência adquirida no exercício da função. 02. Nos termos do PDNH-3 a Comissão Nacional da Verdade, prevista no Eixo Orientador VI: Direito à Memória e à Verdade, irá apurar as infrações e punir aqueles que cometeram crimes no período da ditadura militar. 03. O Programa Nacional de Direitos Humanos 3, aprovado pelo Decreto n. 7037, de 2009 tem, como um de seus Eixos Orientadores a Segurança Pública e Privada, o Acesso a Justiça e o Combate à Violência. 04. (CESPE) Considerando que a Política Nacional de Direitos Humanos é responsável pelo desenvolvimento de políticas públicas para a afirmação dos direitos humanos na sociedade brasileira, assinale a opção correta acerca dos programas nacionais de direitos humanos (PNDHs). a) A implementação do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos visa fortalecer os direitos humanos como instrumento transversal das políticas públicas e revisar a legislação sobre abuso de autoridade e desacato à autoridade, conforme definido no PNDH-1. b) O PNDH-3 apresenta propostas para o aperfeiçoamento do poder público no desenvolvimento de políticas públicas de prevenção ao crime e à violência, reforçando a noção de acesso universal à justiça como direito fundamental. c) O Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção do Trabalhador Adolescente tem por finalidade coordenar as diversas formas de intervenção estabelecidas no PNDH-2, de forma a assegurar a eliminação do trabalho infantil. d) O PNDH-2 prevê ações em prol do direito à memória e à verdade, que incluem a promoção da apuração e do esclarecimento público das violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política ocorrida no Brasil, com o propósito de promover a reconciliação nacional. e) O PNDH-1 foi lançado em 1996 com o objetivo de estabelecer ações específicas para garantir o direito a educação, saúde, previdência e assistência social, trabalho, moradia, meio ambiente saudável, alimentação, cultura e lazer, assim como de estabelecer propostas voltadas para a educação e sensibilização de toda a sociedade brasileira, visando à construção e consolidação de uma cultura de respeito aos direitos humanos. 05. (FCC) O 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH III), fruto de intenso debate público, especialmente durante a 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, restou aprovado pelo Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009. Mesmo assim, alguns aspectos causaram grande repercussão, gerando alterações no texto original por parte da Presidência da República, nos termos do Decreto nº 7.177, de 12 de maio de 2010. Qual dos itens abaixo NÃO sofreu alteração? a) DIRETRIZ 24? Preservação da memória histórica e construção pública da verdade. OBJETIVO ESTRATÉGICO I? Incentivar iniciativas de preservação da memória histórica e de construção pública da verdade sobre períodos autoritários. b) DIRETRIZ 25? Modernização da legislação relacionada com promoção do direito à memória e à verdade, fortalecendo a democracia. OBJETIVO ESTRATÉGICO I? Suprimir do ordenamento jurídico brasileiro eventuais normas remanescentes de períodos de exceção que afrontem os compromissos internacionais e os preceitos constitucionais sobre Direitos Humanos. c) DIRETRIZ 9? Combate às desigualdades estruturais. OBJETIVO ESTRATÉGICO III? Garantia dos direitos das mulheres para o estabelecimento das condições necessárias para sua plena cidadania. d) DIRETRIZ 22? Garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para consolidação de uma cultura em diretos humanos. OBJETIVO ESTRATÉGICO I? Promover o respeito aos Direitos Humanos nos meios de comunicação e o cumprimento de seu papel na promoção da cultura em Direitos Humanos. e) DIRETRIZ 13? Prevenção da violência e da criminalidade e profissionalização da investigação de atos criminosos. OBJETIVO ESTRATÉGICO I? Ampliação do controle de armas de fogo em circulação no país. Direitos Humanos 221

222 Direitos Humanos 06. Uma das finalidades do PNDH-3, aprovado pelo Decreto n. 7037, de 2009 é dar continuidade à integração e ao aprimoramento dos mecanismos de participação existentes, bem como criar novos meios de construção e monitoramento das políticas públicas sobre direitos humanos no Brasil. 07. Constitui ação programática do PNDH-3, propor alteração do texto constitucional, de modo a considerar as polícias militares não mais como forças auxiliares do Exército, mantendo-as apenas como força reserva. 08. Encontra-se no PNDH-3, dentro Eixo Orientador IV, que trata da Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência, como uma de suas ações programáticas a elaboração de projeto de emenda constitucional prevendo a redução da idade a partir da qual se consideram as pessoas penalmente imputáveis. 09. O mesmo Decreto que aprovou o PNDH-3 instituiu o Comitê de Acompanhamento e Monitoramento, com a finalidade de promover a articulação entre os órgãos e entidades envolvidos na implementação das suas ações programáticas, elaborar os Planos de Ação dos Direitos Humanos, estabelecer indicadores para o acompanhamento, monitoramento e avaliação dos Planos de Ação dos Direitos Humanos, acompanhar a implementação das ações e recomendações e elaborar e aprovar seu regimento interno. 10. O PNDH-3, em relação aos programas de direitos humanos anteriores não ampliou o rol de ações programáticas, trazendo apenas aperfeiçoamento aos mecanismos de sua implementação. 01 CERTO 06 CERTO 02 ERRADO 07 CERTO 03 ERRADO 08 ERRADO 04 B 09 CERTO 05 E 10 ERRADO

FÍSICA ÍNDICE CAPÍTULO 01... 224 Cinemática... 224 Cinemática Escalar...224 Cinemática Vetorial...226 Movimento Circular...229 CAPÍTULO 02... 232 Dinâmica... 232 Leis de Newton e suas Aplicações...232 Trabalho...234 Potência...235 Energia...235 Conservação de Energia e suas transformações...236 Impulso, Quantidade de Movimento e Conservação da Quantidade de Movimento..236 Colisões...237 CAPÍTULO 03... 239 Estática... 239 Estática dos Corpos Rígidos...239 Estática dos Fluídos - Hidrostática...240 CAPÍTULO 04... 244 Ondulatórias... 244 Movimento Harmônico Simples (MHS)...244 Ondas...246 Ondas Sonoras...247 Efeito Doppler...248 Ondas Eletromagnéticas...248 Frequências Naturais e Ressonância...249 CAPÍTULO 05... 251 Óptica... 251 Reflexão da Luz...251 Refração da Luz...254 Instrumentos Óticos...257 223

224 Física CAPÍTULO 01 Cinemática É o campo da física que estuda os movimentos realizados pelos corpos. Cinemática Escalar Ponto Material É um corpo cujas dimensões podem ser desprezadas, levando-se em conta um referencial.»» Ex.: Uma pessoa no deserto. Corpo Extenso É um corpo cujas dimensões são levadas em conta de acordo com o referencial.»» Ex.: Uma pessoa numa sala. Referencial, Repouso e Movimento Referencial é o que se toma por base para avaliar se um corpo está em repouso ou em movimento. Quando a distância entre o referencial e o corpo aumenta (ou diminue), diz-se que há movimento, mas quando a distância entre eles fica inalterada, então há repouso.»» Ex.: Uma pessoa caminhando (referencial = árvore) = movimento.»» Ex.: Duas pessoas dentro de um mesmo carro (referencial = próprias pessoas) = repouso. Não existem repouso e movimento absoluto, pois tudo depende do referencial adotado. Trajetória É uma linha que une todas as posições ocupadas por um corpo durante o seu movimento. A trajetória também depende do referencial adotado. Resumindo, trajetória é o caminho feito pelo corpo em relação ao referencial adotado.»» Ex.: Objeto lançado de um avião. Para uma pessoa que observa a queda de dentro do avião, o objeto cairá em linha, mas para uma pessoa que observa do solo, o objeto terá uma trajetória oblíqua. Espaço É a medida algébrica, ao longo de uma trajetória, da distância do ponto onde se encontra o corpo ao ponto de referência adotado como origem. Deslocamento Escalar É a variação do espaço, ou seja, diferença entre o espaço final e o espaço inicial. Em outras palavras, é a distância entre as posições inicial e final. Distância Percorrida É a soma dos valores dos deslocamentos parciais. Velocidade Escalar É a relação entre o deslocamento de um corpo em determinado tempo. Em outras palavras, é a rapidez com que o corpo se desloca. Divide-se em velocidade escalar média e velocidade escalar instantânea. Matematicamente, a velocidade média é representada pela equação: V m Em que: V m = velocidade média; ΔS = variação do espaço = espaço final (S) espaço inicial (S o ); Δt = variação do tempo = tempo final (t) tempo inicial (t o ). A velocidade instantânea é dada em um momento específico, no qual não há variações para o tempo. A medida da velocidade pode ser expressa tanto em Km/h (quilômetro por hora) como em m/s (metro por segundo). Para transformar de uma unidade para outra, basta multiplicar ou dividir por 3,6.»» Ex.: 90Km/h 25m/s (de Km/h para m/s divide-se por 3,6)»» Ex.: 30m/s 108Km/h (de m/s para Km/h multiplica-se por 3,6) Velocidade Relativa Existem duas regras práticas para se chegar ao módulo de uma velocidade escalar relativa entre dois corpos: 01. Quando dois ou mais corpos vão para o mesmo sentido, a velocidade escalar relativa (V rel ) é dada pelas diferenças entre as velocidades desses corpos. 02. Quando dois ou mais corpos estão em sentidos contrários, a velocidade escalar relativa (V rel ) é dada pelas somas entre as velocidades desses corpos. Movimento Uniforme (MU) É quando um corpo se desloca com velocidade constante durante todo o percurso. No movimento uniforme, a velocidade instantânea do corpo será igual à velocidade média, pois não haverá variação na velocidade em nenhum momento do percurso. Para calcular a posição do corpo no decorrer do tempo, usa-se a seguinte equação: Em que: S = espaço final; S o = espaço inicial; v = velocidade; t = tempo. Acompanhe-me: quando o corpo se desloca no mesmo sentido da orientação da trajetória indicada (v > 0 e ΔS > 0), diz-se que ele está em movimento progressivo. Já quando o corpo se desloca no sentido contrário da orientação da trajetória indicada (v < 0 e ΔS < 0), diz-se que ele está em movimento retrógrado. Gráficos do Movimento Uniforme São dois os gráficos do movimento uniforme, um do Espaço X tempo e outro da Velocidade X tempo.

Gráfico: espaço X tempo: S α t No MUV, a velocidade escalar média pode ser calculada por meio do já conhecido V m, como também através da média aritmética entre as velocidades escalares, final e inicial. Já, para calcular o deslocamento (variação do espaço), usa-se outra equação: A tangente do ângulo formado é igual à medida da velocidade. Gráfico: Velocidade X tempo: s A área formada entre dois tempos é igual ao deslocamento (variação do espaço). Movimento Uniformemente Variado (MUV) É quando um corpo se desloca com velocidade variada durante o percurso, existindo, nesse deslocamento, uma aceleração que produz essa variação de velocidade. É também conhecido como movimento acelerado (ou retardado). Para calcular a aceleração média do corpo no movimento, usa-se a seguinte fórmula: t at 2 Em que: S = espaço final; S o = espaço inicial; V o = velocidade inicial; a = aceleração; t = tempo. Existe outra equação, usada tanto para encontrar a velocidade, como para o deslocamento, que não necessita do tempo (observe que todas as equações anteriores usam o tempo), é a chamada equação de TORRICEL- LI: s Em que: V = velocidade final; V o = velocidade inicial; a = aceleração; ΔS = variação do espaço = espaço final (V) espaço inicial (V o ). Gráficos do Movimento Uniformemente Variado São três os gráficos do movimento uniformemente variado, um do Espaço X tempo, outro da Velocidade X tempo e um da Aceleração X tempo. Gráfico: espaço X tempo: s Física 225 Em que: α m = velocidade média; ΔV = variação da velocidade = velocidade final (V) velocidade inicial (V o ); Δt = variação do tempo = tempo final (t) tempo inicial (t o ). A aceleração instantânea é dada em um momento específico, no qual não há variações para o tempo. A medida da aceleração deve ser expressa em m/s 2 (metro por segundo ao quadrado). Para calcular a velocidade do corpo no decorrer do tempo, usa-se a seguinte equação: Em que: V = velocidade final; V o = velocidade inicial; a = aceleração; t = tempo. Gráfico: Velocidade X tempo: v α t t

A tangente do ângulo formado é igual à medida da aceleração, e a área formada entre dois tempos é igual ao deslocamento (variação do espaço). Gráfico: Aceleração X tempo: a Graficamente, um vetor é representado por um segmento orientado de reta. Cálculos com vetores. Alguns cálculos com vetores necessitarão do conhecimento sobre trigonometria. Adição de vetores. Quando é feita uma operação com vetores, chama-se o seu resultado de resultante. Dado dois vetores e, a resultante é obtida graficamente traçando-se pelas extremidades de cada um deles uma paralela ao outro. A t Física Obs.: A área formada entre dois tempos é igual à variação da velocidade. Movimento Vertical É uma variação do MUV quando os corpos são lançados para cima ou para baixo. Obs.: no movimento vertical, deve-se desprezar a resistência do ar. As equações são as mesmas do MUV, devendo apenas trocar a aceleração a pela aceleração da gravidade g, que tem valor de g = 9,80m/s2 (na maioria dos cálculos, usa-se o valor de 10m/s2 por aproximação), e o espaço S pela altura h. Obs.: Deve-se também atentar para quando um corpo é lançado para cima ou para baixo. Quando for para cima, o valor de g será negativo; quando for para baixo, o valor de g será positivo. As equações são: 226 ± gt R a O B b Em que é o vetor soma. Como a figura formada é um paralelogramo, este método é denominado método do paralelogramo. A intensidade do vetor é dada por: Quando temos um caso particular, no qual os vetores estão em posições ortogonais entre si, basta aplicar o teorema de Pitágoras. R a b Subtração entre dois vetores gt2 Dados dois vetores e, o vetor resultante é dado, em que A é a extremidade e B é a por origem. 2g h Em que: V = velocidade final; Vo = velocidade inicial; g = aceleração da gravidade; t = tempo; h = altura final; ho = altura inicial; Δh = variação da altura = altura final (V) - altura inicial (Vo). Cinemática Vetorial C Grandezas físicas que não ficam totalmente determinadas com um valor e uma unidade são chamadas de grandezas vetoriais. Os vetores têm, além do valor numérico, a direção e o sentido determinados. Um vetor pode ser representado da seguinte forma: com uma seta acima da letra que o representa para indicar que se trata de uma grandeza vetorial. a O R B b por: Analiticamente, o vetor é dado»» Módulo:»» Direção: da reta AB»» Sentido: de B para A Produto de um número por um vetor: O produto de um número a por um vetor resultará em outro vetor dado por: Módulo: = a. Direção: a mesma de ; Sentido: 1) se a > 0 - o mesmo sentido de 2) se a < 0 - contrário de.

Vetor Oposto Denomina-se vetor oposto de um vetor o vetor - com as seguintes características: Analiticamente, temos: o triângulo OP P é retângulo, portanto: Direção de Sentido de é a mesma de é contrário ao de a -a A figura representa o vetor e o seu oposto -. Preste atenção para dois detalhes: 01. Quando dois vetores tiverem a mesma direção e o mesmo sentido (a = 0º), o vetor resultante será: Adição de mais de dois vetores (método do polígono): Neste método, o objetivo é formar um polígono com os vetores que se deseja somar. O vetor soma ou resultante será aquele que tem origem na origem do primeiro e extremidade do último. Note que: Quando a extremidade do último vetor coincidir com a origem do primeiro, isto é, quando o polígono for fechado, o vetor resultante será nulo. (R = 0) Física Intensidade: R = a + b Direção: Mesma de e Sentido: Mesmo de e 02. Quando dois vetores tiverem a mesma direção e os sentidos opostos (a = 180º), o vetor resultante será: Decomposição de um vetor Intensidade: R = a - b Direção: Mesma de e Sentido: Mesmo do vetor de maior módulo São dados um vetor e um sistema de dois eixos ortogonais x e y: y P a y O a x P x Projeta-se ortogonalmente as extremidades do vetor nos eixos x e y, obtendo-se suas componentes retangulares a x e a y. P Vetor soma de mais de dois vetores: Quando um sistema é formado por mais de dois vetores concorrentes e coplanares, a solução analítica é possível. Para tanto, deve-se empregar o método das projeções de cada vetor em dois eixos perpendiculares. Neste item, vamos considerar o ângulo que o vetor forma com o eixo de referência como sendo um ângulo menor ou igual a 90º. O eixo de referência será sempre o eixo x. De acordo com essa convenção, observa-se o ângulo que cada vetor da figura forma com o eixo x. e 30 o d 60 o f y c g b 45 o 45 o h a x 227

228 Física Movimento em Duas Direções Também conhecido como Principio de Galileu, diz que se um corpo realiza um movimento em várias direções ao mesmo tempo, pode-se estudar o movimento de cada direção em separado.»» Ex.: um barquinho se movimentando em um rio. Observe que se não houvesse correnteza, a velocidade do barquinho em relação a um observador parado na margem seria V B, porém, com a correnteza, o movimento do barco em relação a este observador seria uma composição do movimento do rio e do próprio barco, de forma que em relação a este observador, o barco apresentaria uma velocidade resultante diferente da velocidade do barco, o que pode ser observado nos exemplos abaixo. 01. Barco se movimentando a favor da correnteza: c Sendo a velocidade do barco em relação ao observador parado na margem, B a velocidade do barco e C a velocidade da correnteza, podemos observar que a velocidade é resultante de B e C, e conforme a teoria, quando vetores atuam na mesma direção e mesmo sentido, o módulo do vetor resultante é dado pela soma dos módulos dos vetores, então: V = V B + V C (o barco desce o rio mais rapidamente do que desceria se não existisse a correnteza). 02. Barco se movimenta contra a correnteza: c Neste caso, B e C são perpendiculares entre si. O barco deslocar-se-á na trajetória AB, como mostra a figura. O módulo da velocidade resultante será determinado pelo Teorema de Pitágoras. Pode-se, então, observar que a velocidade do barco e a velocidade da correnteza são perpendiculares entre si, e que a velocidade do barco B não tem componente na direção de C, ou seja, a correnteza não terá nenhuma influência no tempo em que o barco gasta para atravessar o rio; haja ou não correnteza, o tempo de travessia será o mesmo, pois o efeito da correnteza é unicamente o de deslocar o barco rio abaixo. Do mesmo modo, sendo nula a componente de B na direção da correnteza, a velocidade do barco não terá influência no seu movimento rio abaixo. É essa independência de dois movimentos simultâneos que constitui o princípio da independência dos movimentos de Galileu. Movimento Oblíquo É um movimento que une uma parte vertical e uma parte horizontal.»» Ex.: O lançamento de uma bola. y 0 g Trajetória do corpo X Agora, B e C possuem sentidos opostos, sendo assim, o módulo da velocidade resultante será: V = V B V C (o barco gastará mais tempo para subir o rio do que para descer). 03. Barco se movimentando perpendicularmente às margens. 45º Trajetória do Barco B O que interessa aqui são as medidas da altura máxima atingida e do alcance máximo. Para calcular a altura máxima, usa-se a seguinte fórmula: A c Em que: V o = velocidade inicial; g = aceleração da gravidade; θ = ângulo formado com o eixo x. =

Para calcular o alcance máximo, usa-se a seguinte fórmula: A velocidade angular é medida em radianos por segundo (rad/s). = Em que: V o = velocidade inicial; g = aceleração da gravidade; θ = ângulo formado com o eixo x. Movimento Circular Define-se o movimento circular e uniforme (MCU) como sendo um movimento em círculos (podendo ser uma circunferência ou um arco de circunferência) e com velocidade constante. Parece que não, mas é um movimento bastante usual, presente nos ventiladores, liquidificadores, rodas gigantes, etc. Um corpo descreve um movimento circular uniforme quando passa, de tempo em tempo, no mesmo ponto da trajetória, sempre com a mesma velocidade. Assim, podemos dizer que esse movimento é repetitivo e pode ser chamado de movimento periódico. Nos movimentos periódicos, existem dois conceitos muito importantes que são o período e a frequência. Período (T): é o tempo gasto para se completar uma volta. = A unidade do período é o segundo (s). Frequência (f): é o número de voltas que o corpo efetua em um determinado tempo. f = A unidade da frequência é o Hertz (Hz). Já quando um corpo descreve uma trajetória circular, mas sua velocidade não é constante, ele está realizando um movimento circular uniformemente variado (MCUV). Equações do Movimento Circular As equações que determinam o movimento circular são as seguintes: Posição (deslocamento) angular: S = Ɵ. R Em que: S = espaço percorrido; Ɵ = ângulo; R = raio de circunferência. Velocidade angular média: Em que: ω = velocidade angular; Ɵ = variação de ângulo; t = variação de tempo. A relação entre ângulos em grau e em radianos é: 2π rad. = 360 graus. Relação entre velocidade escalar v e velocidade angular ω : Aceleração centrípeta (ac): Em que: V = velocidade escalar; ω = velocidade angular; R = raio de circunferência. Aceleração angular: a c = ou a c = 2 R Em que: γ = aceleração angular; ω = variação de velocidade; t = variação do tempo. A aceleração angular é medida em radianos por segundo ao quadrado (rad/s²). Relação entre aceleração escalar α e aceleração angular γ: Outras equações do Movimento Circular são: Em que: θ = ângulo final; θ 0 = ângulo inicial; ω = velocidade angular final; ω 0 = velocidade angular inicial; γ = aceleração angular; t = tempo; θ = variação de ângulo. Física 229

Para o MCUV, ainda há a seguinte fórmula: t 230 Física Em que: a r = aceleração resultante; a t = aceleração tangencial; a c = aceleração centrípeta. Transmissão de movimento circular Ra Na transmissão de movimento circular, a velocidade linear é a mesma em todos os pontos e, por isso, vale a seguinte relação entre raios e frequência de rotação. Rb Em que: R = raio da circunferência; f = frequência da circunferência. 01. Durante uma viagem, um passageiro observou que o ônibus passou por cinco marcos de quilometragem, consecutivos, no intervalo de 16 minutos. Sabendo-se que os marcos de quilometragem estão separados regularmente de uma distância igual a 5,0 km, a velocidade escalar média do ônibus, medida pelo passageiro, em km/h, foi de: a) 75 b) 80 c) 90 d) 95 e) 100 RESPOSTA. A. Se ele passou por 5 marcos, então ele percorreu 20 km (entre cada marco há 5 km e entre os 5 marcos há 4 espaços). Agora, para calcular a velocidade média do ônibus, basta fazer: V m = Δs/Δt V m = 20/0,2666 (16 min. correspondem a 0,2666 da hora) V m = 75Km/h r Com relação à mecânica, julgue os 2 próximos itens. 01. Se um veículo, trafegando em uma rodovia, percorrer 225 km em 2 horas e 15 minutos, então, nesse percurso, a sua velocidade média será de 100 km/h. 02. Um corpo em movimento circular uniforme é submetido a uma aceleração centrípeta tangencial à sua trajetória. As grandezas físicas escalares são perfeitamente definidas uma vez dado o seu valor numérico ou módulo (juntamente com a respectiva unidade). Entretanto, muitas são as grandezas físicas que, para serem definidas, necessitam, alem de módulo, de direção e sentido. Essas grandezas são chamadas grandezas vetoriais. Com relação à teoria matemática dos vetores e escalares, julgue os itens. 03. É possível que a soma de três vetores não nulos de mesmo módulo seja também nula, bastando, para isso, que, pelo menos, dois dos vetores tenham direção idêntica e sentidos opostos. 04. No movimento circular uniforme, o vetor que representa a força centrípeta é sempre perpendicular ao vetor velocidade instantânea e paralelo ao vetor aceleração centrípeta. Um helicóptero H se movimenta na descendente com velocidade inicial, de módulo 10 m/s, formando um ângulo de 3º com a horizontal, conforme mostra a figura abaixo. A aceleração do helicóptero é constante, horizontal e contrária ao movimento. Quando o helicóptero atinge o ponto P, 50 m abaixo da posição inicial, o seu movimento passa a ser vertical com aceleração zero. 50m H X 3º P

05. Qual é, aproximadamente, em m, o deslocamento horizontal X do helicóptero? Dados: cos 3 o = 1 sen 3 o = 0,05 a) 32 b) 50 c) 167 d) 500 e) 1.000 06. Um caminhão passou no quilômetro 100 de uma rodovia com velocidade de 50,0 km/h, manteve essa velocidade até o quilômetro 110, quando freou uniformemente e parou em uma placa que indicava 120,0 km. No instante em que o caminhão passou no quilômetro 100, uma motocicleta que se encontrava parada nesse local partiu com movimento uniformemente acelerado durante parte do percurso e uniformemente retardado em seguida, até parar no quilômetro 120, chegando junto com o caminhão. Nessas condições, a velocidade máxima da motocicleta, em km/h, foi, aproximadamente, igual a: a) 70 b) 69 c) 67 d) 65 e) 60 07. Um corpo que cai a partir do repouso em queda livre no vácuo, depois de percorrer uma altura h, chega ao solo com velocidade v. Abandonado do repouso, de uma altura 4h, o corpo atinge o solo com velocidade: a) nula b) 2v c) 3v d) 4v e) 5v Em uma pista de atletismo, dois atletas correm em raias diferentes, com velocidades iguais em módulo, como mostra a figura abaixo. M 40m P 30m C Q N 10m Raia 1 Raia 2 08. O primeiro atleta passa pelo ponto M ao mesmo tempo em que o segundo passa pelo ponto P e, em seguida, chegam simultaneamente aos pontos N e Q. Os arcos PQ e MN são trajetórias em semicírculos concêntricos de centro em C e de raios 30 m e 40 m, respectivamente. Se os pontos P, C, Q e N são colineares, o ângulo Ɵ mede, aproximadamente: a) 13º b) 35º c) 45º d) 60º e) 75º 09. Um objeto, na superfície da Terra, é lançado verticalmente para cima com velocidade inicial de 40 m/s. O tempo necessário para que o objeto atinja a altura máxima é de: a) 10s. b) 8s. c) 6s. d) 4s. e) 2s. 10. Ao longo de uma estrada retilínea, um carro passa pelo posto policial da cidade A, no km 223, às 9h 30min e 20s, conforme registra o relógio da cabine de vigilância. Ao chegar à cidade B, no km 379, o relógio do posto policial daquela cidade registra 10h 20min e 40s. O chefe do policiamento da cidade A verifica junto ao chefe do posto da cidade B que o seu relógio está adiantado em relação àquele em 3min e 10s. Admitindo-se que o veículo, ao passar no ponto exato de cada posto policial, apresenta velocidade dentro dos limites permitidos pela rodovia, o que se pode afirmar com relação à transposição do percurso pelo veículo, entre os postos, sabendo-se que, neste trecho, o limite de velocidade permitida é de 110 km/h? a) Trafegou com velocidade média ACIMA do limite de velocidade. b) Trafegou com velocidade sempre ABAIXO do limite de velocidade. c) Trafegou com velocidade média ABAIXO do limite de velocidade. d) Trafegou com velocidade sempre ACIMA do limite de velocidade e) Trafegou com aceleração média DENTRO do limite permitido para o trecho. 01 CERTO 06 C 02 ERRADO 07 B 03 ERRADO 08 C 04 CERTO 09 D 05 D 10 A Física 231

232 Física CAPÍTULO 02 Dinâmica É o estudo do movimento com a força, e força é a interação entre dois corpos. Associado ao conceito de força, tem-se outros três conceitos: Aceleração: faz com que o corpo altere a sua velocidade quando uma força é aplicada. Deformação: faz com que o corpo mude seu formato quando sofre a ação de uma força. Força Resultante: É a força que produz o mesmo efeito que todas as outras aplicadas a um corpo. Leis de Newton e suas Aplicações A 1ª lei de Newton, também conhecida como Princípio da Inércia, diz: Um corpo em repouso tende a permanecer em repouso, e um corpo em movimento tende a permanecer em movimento.»» Ex.: você dentro de um veículo. A 2ª lei de Newton, também conhecida como Princípio Fundamental da Dinâmica, diz: A força é sempre diretamente proporcional ao produto da aceleração de um corpo pela sua massa. Em outras palavras, pode ser também: a aceleração que um corpo adquire é diretamente proporcional à força que atua sobre ele. Ou seja: Em que: F = resultante de todas as forças que agem sobre o corpo (em N); m = massa do corpo no qual as forças atuam (em kg); a = aceleração adquirida (em m/s²). A unidade de força é o N (Newton). Ex.: empurrar um carro. A 3ª lei de Newton, também conhecida como Princípio da Ação e Reação, diz: As forças atuam sempre em pares; para toda força de ação, existe uma força de reação, de igual intensidade, mesma direção e sentido contrário.»» Ex.: para se deslocar, o nadador empurra a água para trás, e esta, por sua vez, empurra-o para frente. Força de Tração Dado um sistema no qual um corpo é puxado por um fio ideal, ou seja, que seja inextensível, flexível e tem massa desprezível, podemos considerar que a força é aplicada no fio, que, por sua vez, aplica uma força no corpo, a qual se chama Força de Tração, que faz com que o corpo se mova. Força Peso Ocorre quando a aceleração que um corpo assume é a aceleração da gravidade. É uma força vertical. Em que: P = força Peso (em N); m = massa do corpo no qual as forças atuam (em kg); g = aceleração da gravidade (em m/s²). O Peso de um corpo é a força com que a Terra o atrai, podendo ser variável, quando a gravidade variar, mas a massa do corpo, por sua vez, é constante, ou seja, não varia. Uma das unidades da Força Peso é o kilograma-força, que por definição é: 1 kgf é o peso de um corpo de massa 1kg submetido à aceleração da gravidade de 9,8 m/s². A sua relação com o Newton é: P = mg 1 Kgf = 1 kg. 9,8 m/s 2 1 Kgf = 9,8 Kg. m/s 2 = 9,8 N Existe outra força que também é vertical, a Força Normal, porém, essa é vertical na perpendicular ao plano em que o corpo está. Trata-se de uma força de reação do plano ao corpo. Quando as forças que atuam na vertical se anulam e o corpo se encontra em equilíbrio, diz-se que o Peso é igual a Normal. Força de Atrito É uma força que se opõe ao movimento. Em que: F at = força de atrito; μ = coeficiente de atrito; N = força Normal. A força de atrito pode ser estática ou dinâmica, depende se há movimento ou não. Sempre que não tiver movimento, o atrito será estático; agora, quando houver movimento, então o atrito será dinâmico.

Força Elástica É a força que atua nas molas, calculando a sua deformidade. Em que: F = intensidade da força; k = constante elástica da mola; x = deformidade da mola. Força Centrípeta É a força que atua no corpo para garantir que o ele mantenha sua trajetória circular. É uma força voltada para o centro da circunferência. Em que: F c = força centrípeta; m = massa do corpo no qual as forças atuam (em kg); a c = aceleração centrípeta; v = velocidade escalar; ω = velocidade angular; R = raio da circunferência. Plano Inclinado No plano inclinado, ocorre uma decomposição de força. y N Sistemas de Forças A resultante das forças que atuam em vários corpos ao mesmo tempo depende da forma como esses corpos estão relacionados, veja algumas situações e como ficam: Corpos em contato: B A Quando uma força é aplicada a corpos em contato existem pares ação-reação de forças que atuam entre eles e que se anulam. Podemos fazer os cálculos, neste caso, imaginando: m a + m b Depois de sabermos a aceleração, que é igual para ambos os blocos, podemos calcular as forças que atuam entre eles, utilizando a relação que fizemos acima: Física 0 x P x A força Peso se divide em duas outras: P x e P y. Logo, a força resultante no eixo y é: P 0 P y (na vertical há equilíbrio) Corpos ligados por um fio ideal: Um fio ideal é caracterizado por ter massa desprezível, ser inextensível e flexível, ou seja, é capaz de transmitir totalmente a força aplicada nele de uma extremidade à outra. Como o fio ideal tem capacidade de transmitir integralmente a força aplicada em sua extremidade, podemos tratar o sistema como se os corpos estivessem encostados: 233 E a força resultante no eixo x é: ou A tração no fio será calculada por meio da relação feita acima: (se houver força de atrito) Corpos ligados por um fio ideal através de polia ideal:

Uma polia ideal tem a capacidade de mudar a direção do fio e transmitir a força integralmente. A Dadas as forças no bloco: F Das forças em cada bloco: B Então, conforme a 2ª Lei de Newton: P 234 Física A N a P a T Como as forças Peso e Normal no bloco se anulam, é fácil verificar que as forças que causam o movimento são a Tração e o Peso do Bloco B. T B P b Mas F = k x e P = m g, então: Trabalho Quando se fala de trabalho, está se falando do trabalho de uma força, que produz deslocamento de um corpo. Utilizamos a letra grega tau minúscula (t) para expressar trabalho. A unidade de Trabalho é o Joule (J) Quando uma força tem a mesma direção do movimento, o trabalho realizado é positivo: t > 0; Quando uma força tem direção oposta ao movimento, o trabalho realizado é negativo: t < 0. Força paralela ao deslocamento Quando a força é paralela ao deslocamento, ou seja, o vetor deslocamento e a força não formam ângulo entre si, calculamos o trabalho: Conhecendo a aceleração do sistema, podemos calcular a Tensão no fio: Força não paralela ao deslocamento Sempre que a força não é paralela ao deslocamento, devemos decompor o vetor em suas componentes paralelas e perpendiculares: Corpo preso a uma mola: Dado um bloco, preso a uma mola: Considerando F II a componente paralela da força. Ou seja:

Quando o móvel se desloca na horizontal, apenas as forças paralelas ao deslocamento produzem trabalho. Logo: Teorema da Energia Cinética Considere um corpo movendo-se em MUV. v i m v f m Trabalho da força Peso Para realizar o cálculo do trabalho da força peso, devemos considerar a trajetória, como a altura entre o corpo e o ponto de origem, e a força a ser empregada, a força Peso. Então: O Teorema da Energia Cinética (TEC) diz que: O trabalho da força resultante é medido pela variação da energia cinética. Ou seja: Potência Está diretamente relacionado ao Trabalho, pois nada mais é que o Trabalho em função do tempo. Definimos, então, potência relacionando o Trabalho com o tempo gasto para realizá-lo: Como sabemos que: Então: A unidade de potência é o watt (W). Energia Potencial Energia Potencial é a energia que pode ser armazenada e tem a capacidade de ser transformada em energia cinética. Conforme o corpo perde energia potencial, ganha energia cinética ou vice-e-verso. Energia Potencial Gravitacional É a energia que corresponde ao trabalho que a força Peso realiza. É obtido quando consideramos o deslocamento de um corpo na vertical, tendo como origem o nível de referência (solo, chão de uma sala...). Física 235 Além do watt, usa-se com frequência as unidades: 1kW (1 quilowatt) = 1.000W 1MW (1 megawatt) = 1.000.000W = 1.000kW 1cv (1 cavalo-vapor) = 735W 1HP (1 horse-power) = 746W Energia É a capacidade de executar um Trabalho. Dentre tantas energias, aprenda sobre: Energia Cinética; Energia Potencial Gravitacional; Energia Potencial Elástica. Energia Cinética É a energia ligada ao movimento dos corpos, que põe os corpos em movimento. Sua equação é dada por: A unidade de energia é a mesma do trabalho: o Joule (J) Enquanto o corpo cai, vai ficando mais rápido, ou seja, ganha Energia Cinética, e como a altura diminui, perde Energia Potencial Gravitacional. Energia Potencial Elástica Corresponde ao trabalho que a força Elástica realiza. x 0 Como a força elástica é uma força variável, seu trabalho é calculado através do cálculo da área do seu gráfico, cuja Lei de Hooke diz ser: x

Força F No gráfico de uma força constante, o valor do impulso é numericamente igual à área entre o intervalo de tempo de interação: Força F A A x Deformação t 1 t 2 Tempo 236 Física Como a área de um triângulo é dada por: Então: Conservação de Energia e suas transformações A energia mecânica de um corpo é igual à soma das energias potenciais e cinética dele. Então: Quando não são consideradas as forças dissipativas (atrito, por exemplo), a energia mecânica é conservada, então: Quantidade de Movimento É a transferência de movimento de um corpo para outro. A quantidade de movimento relaciona a massa de um corpo com sua velocidade: Relação entre Impulso e Quantidade de Movimento Teorema do Impulso: Considerando a 2ª Lei de Newton: E utilizando-a no intervalo do tempo de interação: Mas sabemos que:, logo: Já quando são levadas em conta as forças dissipativas, fica: Como vimos: Impulso, Quantidade de Movimento e Conservação da Quantidade de Movimento Impulso É a atuação de uma força em um corpo durante um período de tempo. Calcula-se o impulso por: Então: O impulso de uma força, devido à sua aplicação em certo intervalo de tempo, é igual à variação da quantidade de movimento do corpo ocorrida neste mesmo intervalo de tempo.

Conservação da Quantidade de Movimento Assim como a energia mecânica, a quantidade de movimento também é mantida quando não há forças dissipativas, ou seja, o sistema é conservativo, fechado ou mecanicamente isolado. Um sistema é conservativo se: Então, se o sistema é conservativo, temos: Choque inelástico: É o tipo de choque que ocorre quando, após a colisão, os corpos seguem juntos (com a mesma velocidade). Choque parcialmente elástico: É o tipo de choque que ocorre quando, após a colisão, os corpos seguem separados (velocidade diferentes), tendo o sistema uma perda de energia cinética. Choque perfeitamente elástico: É o tipo de choque que ocorre quando, após a colisão, os corpos seguem separados (velocidade diferentes) e o sistema não perde energia cinética. Como a massa de um corpo, ou mesmo de um sistema, dificilmente varia, o que sofre alteração é a velocidade deles. Colisões Durante uma colisão de dois corpos, as forças externas são desprezadas se comparadas às internas, portanto, o sistema pode ser sempre considerado mecanicamente isolado: Com relação à mecânica, julgue o item a seguir. 01. De acordo com a terceira lei de Newton, a força de ação e a força de reação correspondente não atuam em um mesmo corpo, mas em corpos distintos. CERTO. De acordo com a lei: As forças atuam sempre em pares; para toda força de ação, existe uma força de reação, de igual intensidade, mesma direção e sentido contrário. Portanto, a ação que um corpo exerce sobre o outro faz com que esse outro reaja sobre o corpo que exerceu a ação. Física Coeficiente de restituição Antes do choque (colisão), os corpos A e B se aproximam com velocidade V ap (velocidade de aproximação). Após o choque, os corpos A e B se afastam com velocidade V af (velocidade de afastamento). O coeficiente de restituição (e) de um choque é definido pela razão entre as velocidades de afastamento e velocidade de aproximação. Tipos de choque No choque entre dois corpos, podem ocorrer perdas de energia em virtude do aquecimento, da deformação e do som provocados pelo impacto, porém, jamais haverá ganho de energia. Portanto, o módulo da velocidade de afastamento deve ser menor ou, no máximo, igual ao módulo da velocidade de aproximação. Como a velocidade de afastamento (V af ) apresenta módulo menor ou igual ao módulo da velocidade de aproximação (V ap ), a razão entre elas determina um coeficiente de restituição compreendido entre zero e um. Com relação aos princípios da física e suas aplicações, julgue os itens a seguir. 01. Considere que um objeto de massa 10M, em estado de repouso, sofra uma explosão interna ao sistema e fragmente-se em dois corpos de massas 3M e 7M. Nesse caso, sabendo-se que o corpo de massa 7M encontra-se a 6km da posição original do objeto, então, a distância entre os fragmentos é de 20km. 02. Considere que um pêndulo balístico, composto por um bloco de massa M, em repouso, suspenso por um fio, ao ser atingido por um projétil de massa m, com velocidade igual a v, alcança uma altura h acima do solo. Supondo que a colisão seja perfeitamente inelástica e sem perda de energia, a velocidade v do projétil, em função da altura e das massas, é expressa por. As leis de conservação são úteis para a resolução de problemas de mecânica, sobretudo quando as forças atuantes não são conhecidas. Os dois princípios mais utilizados são o da conservação da energia mecânica e o da conservação da quantidade de movimento. Obedece-se ao princípio de conservação da energia mecânica sempre que não houver forças dissipativas envolvidas e ao da conservação da quantidade de movimento sempre que um sistema puder ser considerado isolado de forças externas. Com base nesses princípios, julgue os itens a seguir. 237

238 Física 03. Suponha que uma bola de basquete, anteriormente em repouso, seja solta verticalmente sob ação da gravidade de uma altura h. Suponha, ainda, que, após rebater no solo, a bola alcance a altura h 2. Nessa situação, para que essa bola, solta da mesma altura h, alcance em nova largada, a altura 3h 4, deve-se aumentar seu coeficiente de restituição em 50%. 04. Considere um corpo em movimento retilíneo sobre uma superfície horizontal com atrito. Uma prova de que sua energia é conservada é o aquecimento da superfície. 05. Se uma pedra de 0,5kg for lançada do solo para o alto com velocidade de 10,0m/s e retornar à mesma posição em que foi lançada com velocidade de 8,0m/s, então, o trabalho total efetuado pela força de atrito do ar terá sido igual a 10,0J. 06. As situações apontadas nesta questão são todas referentes à energia mecânica, que pode se apresentar de duas formas: potencial e cinética. A primeira forma refere-se à energia armazenada por um corpo devido à sua posição e a segunda é a energia devido ao movimento. Analise as afirmativas e marque C para as corretas e I para as incorretas: ( ) A energia potencial gravitacional de uma carga de massa 20.000N, que está suspensa a uma altura de 10m do solo, é de 200.000J. ( ) A energia cinética de um automóvel que pesa 1000kg, quando ele atinge a velocidade de 72km/h, é de 200.000J. ( ) Um corpo de massa 10kg, em queda livre, passa por um determinado ponto, a uma altura de 10m do solo, com velocidade de 8m/s. Considerando g = 10m/s 2, podemos afirmar que a energia mecânica desse corpo em relação ao solo é de 320J. ( ) De acordo com a lei de Hooke, podemos afirmar que uma mola de constante elástica k = 400N/m, que sofre uma compressão de 5cm, tem sua energia potencial elástica de 0,5J. ( ) Quando um corpo se movimenta em queda livre, a energia mecânica é constante. ( ) Em queda livre, uma pedra, apesar de não ter energia cinética, tem energia potencial gravitacional em relação ao solo. A sequência está correta em: a) I, C, C, I, C, I b) C, C, I, C, I, C c) C, C, I, C, C, I d) I, I, C, C, C, I e) C, I, C, I, C, C 07. Os blocos 1, 2 e 3 têm massas m 1 = m 2 = m 3 = 5 kg e encontram-se juntos um do outro sobre uma superfície sem atrito. Uma força de 60 N é aplicada horizontalmente no bloco 1, conforme o esquema abaixo: 60N 1 2 3 O módulo da força resultante que o bloco 1 exerce sobre o bloco 2 vale: a) 50 N. b) 40 N. c) 30 N. d) 20 N. e) 10 N. 08. O esquema abaixo representa dois corpos de massa m e M ligados por um fio ideal que passa por uma polia de massa desprezível. Essa configuração de massas e polias é denominada máquina de Atwood. Considere que M = 2m, que o fio está submetido a uma tensão T e que a aceleração da gravidade, g, é igual a 10,0 m/s 2. m Nessas condições, o módulo da aceleração dos corpos, em m/s 2, será aproximadamente igual a: a) 6,5. b) 10,0. c) 0,0. d) 3,3. e) 6,2 09. Um automóvel de massa 1.000 kg, inicialmente a 15 m/s, colide contra uma parede e para, conforme mostram as figuras abaixo. Antes da colisão Após a colisão M T 15 m/s Sabendo-se que a colisão durou 0,20s, qual é, aproximadamente, em N, o módulo da força média da parede sobre o carro durante a colisão? a) 1.330 b) 3.000 c) 6.660 d) 15.000 e) 75.000

10. Um corpo de massa igual a 10 kg na superfície da Terra é lançado verticalmente para cima com velocidade inicial de 10 m/s. Considerando nula a resistência do ar, no ponto mais alto, as energias cinética e potencial do corpo, em joule, valem, respectivamente, a) zero e 100. b) 500 e 500. c) zero e 500. d) 100 e 500. e) 500 e 200. 01 CERTO 06 C 02 ERRADO 07 B 03 ERRADO 08 D 04 ERRADO 09 E 05 ERRADO 10 C CAPÍTULO 03 Estática Estática é a parte da física que estuda e explica o equilíbrio das forças que atuam em um corpo, fazendo com que esse corpo não se mova ou fique em MU. Quando o corpo está parado (v = 0), diz-se que ele está em equilíbrio estático, já quando o corpo está em Movimento Uniforme (v = constante), ele está em equilíbrio dinâmico. Estática dos Corpos Rígidos Para que um ponto esteja em equilíbrio, ele precisa satisfazer a seguinte condição: A resultante de todas as forças aplicadas a este ponto deve ser nula. Chamamos de corpo rígido ou corpo extenso todo o objeto que não pode ser descrito por um ponto. Para conhecermos o equilíbrio nestes casos, é necessário estabelecer dois conceitos: Centro de Massa Seja CM o ponto em que podemos considerar concentrada toda a massa do corpo, este ponto será chamado Centro de Massa do corpo. Para corpos simétricos, que apresentam distribuição uniforme de massa, o centro de massa é o próprio centro geométrico do sistema, como no caso de uma esfera homogênea ou de um cubo perfeito. Para os demais casos, o cálculo do centro de massa é feito através da média aritmética ponderada das distâncias de cada ponto do sistema. Momento de uma Força Imagine uma pessoa tentando abrir uma porta: ela precisará fazer mais força se for empurrada na extremidade contrária à dobradiça, onde a maçaneta se encontra, ou no meio da porta? Claramente, percebemos que é mais fácil abrir ou fechar a porta se aplicarmos força em sua extremidade, onde está a maçaneta. Isso acontece, pois existe uma grandeza chamada Momento de Força, que também pode ser chamado Torque. Esta grandeza é proporcional à Força e à distância da aplicação em relação ao ponto de giro, ou seja: Como este é um produto vetorial, podemos dizer que o módulo do Momento da Força é: Em que: M = Módulo do Momento da Força; F = Módulo da Força; d = distância entre a aplicação da força ao ponto de giro; braço de alavanca; sen θ = menor ângulo formado entre os dois vetores. Física 239

240 Física Como sen 90 = 1, se a aplicação da força for perpendicular à d, o momento será máximo; Como sen 0 = 0, quando a aplicação da força é paralela à d, o momento é nulo. O Momento da Força de um corpo é: Positivo quando girar no sentido anti-horário; Negativo quando girar no sentido horário. Condições de equilíbrio de um corpo rígido Para que um corpo rígido esteja em equilíbrio, além de não se mover, esse corpo não pode girar. Por isso, precisa satisfazer duas condições: 1) A resultante das forças aplicadas sobre seu centro de massa deve ser nula (não se move ou se move com velocidade constante). 2) A resultante dos Momentos da Força aplicados ao corpo deve ser nula (não gira ou gira com velocidade angular constante). Estática dos Fluídos - Hidrostática Chamamos hidrostática a ciência que estuda os líquidos em equilíbrio estático. Fluido Fluído é uma substância que tem a capacidade de escoar. Quando um fluído é submetido a uma força tangencial, deforma-se de modo contínuo, ou seja, quando colocado em um recipiente qualquer, o fluído adquire o seu formato. Podem-se considerar como fluidos líquidos e gases. Particularmente, ao falar em fluídos líquidos, deve-se falar em sua viscosidade, que é o atrito existente entre suas moléculas durante um movimento. Quanto menor a viscosidade, mais fácil o escoamento do fluído. Pressão É a força exercida sobre a superfície de determinada área. Matematicamente, a pressão é igual ao quociente entre a força aplicada e a área desta superfície. Em que: p = Pressão (Pa); F = Força (N); A = Área (m²). A unidade de pressão é o Pascal (Pa), que é o nome adotado para N/m². Densidade A densidade é a grandeza que relaciona a massa de um corpo ao seu volume. Em que: d = Densidade (kg/m³); m = Massa (kg); V = Volume (m³). Pressão hidrostática Da mesma forma como os corpos sólidos, os fluídos também exercem pressão sobre outros, devido ao seu peso. Para obtermos essa pressão, consideremos um recipiente contendo um líquido de densidade d que ocupa o recipiente até uma altura h, em um local do planeta onde a aceleração da gravidade é g. A Força exercida sobre a área de contato é o peso do líquido. Como: Mas: Logo: P = d = V = Ou seja, a pressão hidrostática não depende do formato do recipiente, apenas da densidade do fluído, da altura do ponto onde a pressão é exercida e da aceleração da gravidade. Pressão atmosférica Atmosfera é uma camada de gases que envolvem toda a superfície da Terra. Aproximadamente, todo o ar presente na Terra está abaixo de 18000 metros de altitude. Como o ar é formado por moléculas que têm massa, o ar também tem massa e, por consequência, peso. A pressão que o peso do ar exerce sobre a superfície da Terra é chamada Pressão Atmosférica, e seu valor depende da altitude do local onde é medida. Quanto maior a altitude menor a pressão atmosférica e vice-versa.

Teorema de Stevin A diferença entre as pressões de dois pontos de um fluído em equilíbrio é igual ao produto entre a densidade do fluído, a aceleração da gravidade e a diferença entre as profundidades dos pontos. Seja um líquido qualquer de densidade d em um recipiente qualquer. Escolhemos dois pontos arbitrários R e T. Ao aplicarmos uma força qualquer, as pressões no ponto A e B sofrerão um acréscimo: Se o líquido em questão for ideal, ele não sofrerá compressão, então, a distância h será a mesma após a aplicação da força. Assim: h Q Q As pressões em Q e R são: R h R Prensa hidráulica: Física A diferença entre as pressões dos dois pontos é: S 1 S 2 Por meio desse teorema, podemos concluir que todos os pontos a uma mesma profundidade, em um fluido homogêneo (que tem sempre a mesma densidade), estão submetidos à mesma pressão. Teorema de Pascal O acréscimo de pressão exercida num ponto em um líquido ideal em equilíbrio se transmite integralmente a todos os pontos desse líquido e às paredes do recipiente que o contêm. Quando aplicamos uma força a um líquido, a pressão causada se distribui integralmente e igualmente em todas as direções e sentidos. Pelo teorema de Stevin sabemos que: Então, considerando dois pontos, A e B: Uma das principais aplicações do teorema de Pascal é a prensa hidráulica. Essa máquina consiste em dois cilindros de raios diferentes A e B, interligados por um tubo. No seu interior, existe um líquido que sustenta dois êmbolos de áreas diferentes S 1 e S 2. Se aplicarmos uma força de intensidade F no êmbolo de área S 1, exerceremos um acréscimo de pressão sobre o líquido dado por: Pelo teorema de Pascal, sabemos que esse acréscimo de pressão será transmitido integralmente a todos os pontos do líquido, inclusive ao êmbolo de área S 2, porém, transmitindo uma força diferente da aplicada: 241 h B A Como o acréscimo de pressão é igual para ambas as expressões, pode-se igualá-las:

Empuxo Ao entrarmos em uma piscina, nos sentimos mais leves do que quando estamos fora dela. Isso acontece devido a uma força vertical para cima exercida pela água a qual chamamos Empuxo, e a representamos por. O Empuxo representa a força resultante exercida pelo fluído sobre um corpo. Como tem sentido oposto à força Peso, causa o efeito de leveza, no caso da piscina. A unidade de medida do Empuxo é o Newton (N). Peso Aparente Conhecendo o princípio de Arquimedes, podemos estabelecer o conceito de peso aparente, que é o responsável, no exemplo dado da piscina, por nos sentirmos mais leves ao submergirmos. Peso aparente é o peso efetivo, ou seja, aquele que realmente sentimos. No caso de um fluido: 242 Física m Princípio de Arquimedes Arquimedes descobriu que todo o corpo imerso em um fluído em equilíbrio, dentro de um campo gravitacional, fica sob a ação de uma força vertical, com sentido oposto a este campo, aplicada pelo fluido, cuja intensidade é igual à intensidade do Peso do fluído que é ocupado pelo corpo. Assim: Em que: = Empuxo (N); d F = Densidade do fluido (kg/m 3 ); V FD = Volume do fluído deslocado (m 3 ); g = Aceleração da gravidade (m/s 2 ). Com relação aos princípios da física e suas aplicações, julgue o item a seguir. 01. Para que uma estrutura composta por treliças esteja em equilíbrio estático, o somatório das forças e o dos momentos devem ser ambos, nulos. CERTO. De acordo com a teoria para que um corpo rígido esteja em equilíbrio, além de não se mover, esse corpo não pode girar. Por isso, precisa satisfazer duas condições: 1) A resultante das forças aplicadas sobre seu centro de massa deve ser nula (não se move ou se move com velocidade constante). 2) A resultante dos Momentos da Força aplicados ao corpo deve ser nula (não gira ou gira com velocidade angular constante). 01. A figura abaixo representa um mecanismo hidráulico ideal e isolado. Uma força constante F 1 foi aplicada sobre o êmbolo esquerdo até que o mesmo descesse h 1 metros. Como consequência, o êmbolo direito subiu h 2 metros, exercendo uma força F 2 para cima. O trabalho realizado por F 1 foi W 1 e por F 2, W 2. As seções retas dos êmbolos esquerdo e direito têm área A 1 e A 2, respectivamente, com A 1 < A 2. O valor do empuxo não depende da densidade do corpo que é imerso no fluído, mas podemos usá-la para saber se o corpo flutua, afunda ou permanece em equilíbrio com o fluído. Então, se: Densidade do corpo > densidade do fluído: o corpo afunda; Densidade do corpo = densidade do fluído: o corpo fica em equilíbrio com o fluido; Densidade do corpo < densidade do fluído: o corpo flutua na superfície do fluido. F 1 F 2 Considerando essas informações e com base no princípio de Pascal, assinale a opção correta. a) W 1 > W 2 ; h 1 < h 2 ; F 1 < F 2 b) W 1 < W 2 ; h 1 > h 2 ; F 1 > F 2 c) W 1 = W 2 ; h 1 < h 2 ; F 1 > F 2 d) W 1 = W 2 ; h 1 > h 2 ; F 1 < F 2 e) W 1 < W 2 ; h 1 < h 2 ; F 1 < F 2

02. Um cubo de aresta igual a 10,0 cm se encontra suspenso em um dinamômetro que registra o peso de 40,0 N. Logo em seguida, metade do cubo é imerso em um líquido e o dinamômetro registra 32,0 N. Nessas condições e considerando-se o módulo da aceleração da gravidade local igual a 10,0m/s 2, é correto afirmar que a densidade do líquido, em g/cm 3, é igual a: a) 3,6 b) 2,0 c) 1,6 d) 1,0 e) 0,8 03. Um elevador hidráulico é constituído pelos tubos cilíndricos 1 e 2 cujos diâmetros são, respectivamente, iguais a 30 mm e 18 cm, com todos os espaços preenchidos por óleo hidráulico, conforme o esquema abaixo: Tubo 2 Tubo 1 F Para elevar uma massa de 800 kg, a força F, gerada pela pressão do óleo, deve ser superior a: a) 222 N. b) 282 N. c) 484 N. d) 666 N. e) 828 N. 04. Uma barra homogênea horizontal com massa de 20 kg encontra-se apoiada sobre dois suportes P e Q. Uma esfera homogênea de massa 50 kg repousa sobre a barra, como mostra a Figura abaixo. P 0,50 m 1,5 m Qual é, aproximadamente, em N, o módulo da força de interação entre o suporte P e a barra? Dado: Aceleração da gravidade = 10 m/s 2 a) 125 b) 225 c) 350 d) 375 e) 475 Q 05. O peso de um recipiente contendo água é medido através de uma balança que registra 8,0N. Em seguida, é colocado na água um bloco de 15kg, pendurado por um fio, de modo que esse bloco fique com 30% do seu volume submerso, conforme mostram as Figuras abaixo. 8,0 N 10,0 N Sabendo-se que, com a presença do bloco, a balança passa a registrar 10,0N, qual é a densidade do bloco, em kg/m 3? Dados: Densidade da água = 1,00. 10 3 kg/ m 3 ; Aceleração da gravidade = 10,0 m/s 2. a) 0,3. 10 3 b) 0,7. 10 3 c) 1,2. 10 3 d) 22,5. 10 3 e) 52,5. 10 3 06. Quando alguém tenta flutuar horizontalmente, na água, assume uma posição na qual seu centro de flutuabilidade, ponto de aplicação da força de empuxo e, está localizado em seu corpo, acima do seu centro de gravidade, onde atua a força peso,, conforme mostrado na Figura 1, abaixo. Essas duas forças formam um binário que tende a girar o corpo até que elas se alinhem na direção vertical, conforme mostrado na Figura 2. Figura 1 Figura 2 Em relação a essas duas forças, é correto afirmar que: a) o empuxo é a força que a água exerce sobre o corpo, enquanto o peso é a força exercida pelo corpo sobre a Terra. b) o empuxo é a força que o corpo exerce sobre a água, enquanto o peso é a força exercida pelo corpo sobre a Terra. c) o empuxo é a força que a água exerce sobre o corpo, enquanto o peso é a força exercida pela Terra sobre o corpo. d) o empuxo é a força que o corpo exerce sobre a água, enquanto o peso é a força exercida pela Terra sobre o corpo. e) o empuxo não é a força que o corpo exerce sobre a água, enquanto o peso não é a força exercida pelo corpo sobre a Terra. Física 243

244 Física 07. Para se estabelecer o equilíbrio da barra homogênea de 0,5 kg, apoiada em C, deve-se suspender em: A 10 cm C 60 cm a) A, um corpo de 1,5 kg. b) A, um corpo de 1,0 kg. c) A, um corpo de 0,5 kg. d) B, um corpo de 1,0 kg. e) B, um corpo de 1,5 kg. 08. No ar, o peso de um corpo maciço, de densidade 7,8 g/cm 3, é obtido por um dinamômetro, que indica 3,9N. Mergulhando-se o corpo totalmente num liquido, a indicação do dinamômetro é de 3,0N. Adotando g = 10 m/s 2, a densidade do líquido, em g/cm 3, é de: a) 2,4 b) 1,8 c) 1,2 d) 0,9 e) 0,5 Três corpos, de mesmas dimensões, estão em equilíbrio mecânico na água cuja densidade é 1,0 g/cm 3, como está representado na figura. I II III B CAPÍTULO 04 Ondulatórias Chamamos de ondulatória a parte da física que é responsável por estudar as características e propriedades em comum dos movimentos das ondas. Movimento Harmônico Simples (MHS) Os movimentos harmônicos simples estão presentes em vários aspectos de nossas vidas, como nos movimentos do pêndulo de um relógio, de uma corda de violão ou de uma mola. Esses movimentos realizam um mecanismo de vai e vem em torno de uma posição de equilíbrio, sendo caracterizados por um período e por uma frequência. O período T é o menor intervalo de tempo para uma repetição desse fenômeno. A frequência f é o número de vezes que um movimento é repetido em um determinado intervalo de tempo. Assim, pode-se verificar que: ou A unidade de T é o segundo e a de f é hertz (Hz). No estudo feito do MHS, utilizaremos como referência um sistema massa-mola, que pode ser visualizado na figura a seguir. Corpo I: metade do volume imerso; Corpo II: dois terços do volume imerso; Corpo III: totalmente imerso. Se o peso do corpo III vale 60N e a aceleração da gravidade vale 10 m/s 2, julgue os itens abaixo: 09. O módulo do empuxo sobre o corpo III vale 60N. 10. O módulo do empuxo sobre o corpo I é menor que seu peso. 01 D 06 C 02 C 07 B 03 A 08 B 04 E 09 CERTO 05 D 10 ERRADO x 0 O bloco em vermelho ligado a uma mola tendo como posição de equilíbrio do sistema a posição X o. Nesse sistema, desprezaremos as forças dissipativas (atrito e resistência do ar). O bloco, quando colocado em oscilação, movimentar-se-á sob a ação da força restauradora elástica, que pode ser calculada pela seguinte expressão: Período O período de um corpo em MHS é o intervalo de tempo referente a uma oscilação completa e pode ser calculado através da seguinte expressão: O período [T(s)] depende da massa do corpo colocado em oscilação [m(kg)] e da constante elástica da mola [k(n/m)].

Frequência Aceleração do Móvel em MHS A frequência de um corpo em MHS corresponde ao número de oscilações que esse corpo executa por unidade de tempo e essa grandeza pode ser determinada pela seguinte expressão: Sendo: Então: Frequência é inversamente proporcional ao período e pode ser expressa matematicamente pela seguinte relação: A fase é sempre medida em radianos. A pulsação pode ser definida por: Posição do Móvel em MHS A fase inicial é o igual ao ângulo inicial do movimento em um ciclo trigonométrico, ou seja, é o ângulo de defasagem da onda senoidal. Física A equação que representa a posição de um móvel em MHS será dada a seguir em função do tempo. m x 0 -a a As posições a e -a são deformações máximas que a mola terá quando o bloco de massa m for colocado em oscilação. A posição X é dada em função do tempo. Energia do Oscilador Analisando a energia mecânica do sistema, tem-se que: v = 0 v = 0 -A 0 A Quando o objeto é abandonado na posição x = A, a energia mecânica do sistema é igual à energia potencial elástica armazenada, pois não há movimento e, consequentemente, energia cinética. Assim: x x Em que: A = elongação máxima (m); ω = frequência angular (rad/s); = espaço angular que um ponto projetado pelo bloco sobre uma circunferência realiza (rad); t = intervalo de tempo. Velocidade do Móvel em MHS Sendo: Logo: Ao chegar na posição x = -A, novamente o objeto ficará momentaneamente parado (v = 0), tendo sua energia mecânica igual à energia potencial elástica do sistema. No ponto em que x = 0, ocorrerá o fenômeno inverso ao da máxima elongação, sendo que: 245 Em que: a = elongação máxima (m); ω = frequência angular (rad/s); = espaço angular que um ponto projetado pelo bloco sobre uma circunferência realiza (rad); t = intervalo de tempo.

246 Física Assim, podemos concluir que, na posição x = 0, ocorre a velocidade máxima do sistema massa-mola, já que toda a energia mecânica é resultado dessa velocidade. Para todos os outros pontos do sistema: Como não há dissipação de energia nesse modelo, toda a energia mecânica é conservada durante o movimento de um oscilador massa-mola horizontal. Pêndulo Simples Um pêndulo é um sistema composto por uma massa acoplada a um pivô que permite sua movimentação livremente. A massa fica sujeita à força restauradora causada pela gravidade. O pêndulo simples consiste em uma massa presa a um fio flexível e inextensível por uma de suas extremidades e livre por outra, representado da seguinte forma: m O período de um pêndulo simples pode ser expresso por: Ondas No estudo da física, onda é uma perturbação que se propaga no espaço ou em qualquer outro meio, como, por exemplo, na água. Uma onda transfere energia de um ponto para outro, mas nunca transfere matéria entre dois pontos. As ondas podem se classificar de acordo com a direção de propagação de energia, quanto à natureza das ondas e quanto à direção de propagação. Quanto à direção de propagação de energia, as ondas se classificam da seguinte forma: Unidimensionais: propagam-se em uma única dimensão; Bidimensionais: propagam-se num plano; Tridimensionais: propagam-se em todas as direções. l Quanto à natureza, as ondas se classificam em: Ondas mecânicas: são aquelas que necessitam de um meio material para se propagar como, por exemplo, onda em uma corda ou mesmo as ondas sonoras; Ondas eletromagnéticas: são aquelas que não necessitam de meio material para se propagarem, elas podem se propagar tanto no vácuo (ausência de matéria) como também em certos tipos de materiais. São exemplos de ondas eletromagnéticas: a luz solar, as ondas de rádio, as micro-ondas, raios X, entre muitas outras. Quanto à direção de propagação, as ondas se classificam em: Ondas transversais: são aquelas que têm a direção de propagação perpendicular à direção de vibração, como, por exemplo, as ondas eletromagnéticas. Ondas longitudinais: nessas ondas, a direção de propagação se coincide com a direção de vibração. Nos líquidos e gases, a onda se propaga dessa forma. Para descrever uma onda, é necessária uma série de grandezas, entre elas, temos: velocidade, amplitude, frequência, período e o comprimento de onda. Componentes de uma onda Uma onda é formada por alguns componentes básicos, quais sejam: A Crista Vale Em que: A = amplitude da onda. É denominada comprimento da onda, e expressa pela letra grega lambida (λ), a distância entre duas cristas ou dois vales consecutivos. Chamamos período da onda (T) o tempo decorrido até que duas cristas ou dois vales consecutivos passem por um ponto, e frequência da onda (f) o número de cristas ou vales consecutivos que passam por um mesmo ponto, em uma determinada unidade de tempo. Portanto, o período e a frequência são relacionados por: A unidade internacionalmente utilizada para a frequência é Hertz (Hz), sendo que 1Hz equivale à passagem de uma crista ou de um vale em 1 segundo. A

Velocidade de propagação das ondas Como não transportam matéria em seu movimento, é previsível que as ondas se desloquem com velocidade contínua, logo, estas devem ter um deslocamento que valide a expressão: A propagação do som em meios gasosos depende fortemente da temperatura do gás. É possível, inclusive demonstrar experimentalmente que a velocidade do som em gases é dada por: É comum aos movimentos uniformes, mas, conhecendo a estrutura de uma onda: λ Em que: k = constante que depende da natureza do gás; T = temperatura absoluta do gás (em kelvin). Intensidade sonora A intensidade do som é a qualidade que nos permite caracterizar se um som é forte ou fraco, e depende da energia que a onda sonora transfere. A intensidade sonora (I) é definida fisicamente como a potência sonora recebida por unidade de área de uma superfície, ou seja: Física Temos que ΔS = λ e que Δt = T, assim: Mas como a potência pode ser definida pela relação de energia por unidade de tempo: Então, também podemos expressar a intensidade por: Esta é a equação fundamental da Ondulatória, já que é valida para todos os tipos de onda. Desse modo, é comum utilizar-se frequências na ordem de khz (1quilohertz = 1.000Hz) e de MHz (1megahertz = 1.000.000Hz) Ondas Sonoras São ondas mecânicas, pois somente se propagam através de um meio material. Diferentemente das ondas eletromagnéticas (como, por exemplo, a luz), as ondas sonoras não podem se propagar no vácuo. As ondas sonoras são consideradas ondas de pressão. Por exemplo, quando um músico bate em um tambor musical, a vibração da membrana produz alternadamente compressões e rarefações do ar, ou seja, produz variações de pressão que se propagam através do meio, no caso, o ar. Dependendo da fonte emitente, as ondas sonoras podem apresentar qualquer frequência, desde poucos hertz (como as ondas produzidas por abalos sísmicos), até valores extremamente elevados (comparáveis às frequências da luz visível). Porém, nós, seres humanos, só conseguimos ouvir ondas sonoras cujas frequências estejam compreendidas entre 20 Hz e 20.000 Hz, sendo chamadas, genericamente, de sons. Ondas sonoras que possuem frequência abaixo de 20 Hz são denominadas infrassons e as ondas que possuem frequência superior a 20.000 Hz são denominadas ultrassons. As unidades mais usadas para a intensidade são J/m² e W/m². É chamada mínima intensidade física, ou limiar de audibilidade, o menor valor da intensidade sonora ainda audível: É chamada máxima intensidade física, ou limiar de dor, o maior valor da intensidade sonora suportável pelo ouvido: Conforme um observador se afasta de uma fonte sonora, a intensidade sonora ou nível sonoro (β) diminui logaritmicamente, sendo representado pela equação: A unidade utilizada para o nível sonoro é o Bel (B), mas como essa unidade é grande, se comparada com a maioria dos valores de nível sonoro utilizados no cotidiano, seu múltiplo usual é o decibel (db), de maneira que 1B = 10dB. 247

248 Física Efeito Doppler O Efeito Doppler é a alteração da frequência sonora percebida pelo observador em virtude do movimento relativo de aproximação ou afastamento entre a fonte e o observador. Veja, inicialmente, o caso de uma fonte sonora fixa e um observador movendo-se ao longo de uma mesma reta, adotando um referencial que esteja em repouso em relação ao meio através do qual as ondas se propagam. Se ambos, fonte e observador, estivessem em repouso, o número de ondas recebidas na unidade de tempo seria dada por: Número de ondas = Em que: v é a velocidade do som; λ é o comprimento de onda emitido pela fonte. No entanto, em virtude do movimento do observador, em direção à fonte de ondas, ela receberá um número adicional de ondas (simultaneamente) que será dado por: Numero adicional de ondas = Em que: v o é a velocidade do observador. Como a frequência de uma onda pode ser definida como o número de comprimentos de onda que serão produzidos (recebidos) na unidade de tempo, então, a frequência percebida pelo observador será a seguinte: Tornando a relação mais geral, para o caso em que o observador se aproxime (sinal positivo) ou se afaste (sinal negativo), a frequência percebida pelo observador poderá ser dada pela seguinte expressão: Em que: o termo f representa a frequência percebida pelo observador (chamada frequência aparente), e f é a frequência emitida pela fonte (chamada frequência real). Agora, no caso em que a fonte se move enquanto o observador permanece em repouso, os comprimentos de ondas tornar-se-ão cada vez menores (som mais agudo). Então, sabendo que a frequência da fonte é f e v s é a velocidade das ondas emitidas (lembremo-nos que estamos tratando do som), o comprimento de onda que chegará ao observador será dado por: Dessa forma, como o som torna-se mais agudo (maior frequência), essa fonte poderá ser calculada da seguinte forma: Generalizando, mais uma vez, os resultados para os casos em que a fonte aproxima-se (sinal negativo) ou afasta-se (sinal positivo) do observador: Portanto, se ambos movem-se relativamente entre si, a expressão resultante será: Fenomenologicamente, podemos compreender o Efeito Doppler da seguinte forma: no caso de aproximação, a frequência aparente da onda recebida pelo observador fica maior que a frequência emitida. Ao contrário, no caso de afastamento, a frequência aparente diminui. Um exemplo típico é o caso de uma ambulância com sirene ligada que passe por um observador. Ao se aproximar, o som é mais agudo (maior frequência e menor comprimento de onda), enquanto que, ao se afastar, o som é mais grave (menor frequência e maior comprimento de onda). Por um viés mais prático, o efeito Doppler permite a medição da velocidade de objetos através da reflexão de ondas emitidas pelo próprio equipamento de medição, que podem ser radares, baseados em radiofrequência, ou lasers, que utilizam frequências luminosas. Muito utilizado para medir a velocidade de automóveis, aviões, na Mecânica dos fluidos e na Hidráulica, em partículas sólidas dentro de um fluido em escoamento. Ondas Eletromagnéticas O resultado da interação de campos variáveis é a produção de ondas de campos elétricos e magnéticos que podem se propagar até mesmo pelo vácuo e apresentam propriedades típicas de uma onda mecânica, como reflexão, retração, difração, interferência e transporte de energia. A essas ondas, dá-se o nome de ondas eletromagnéticas. As ondas eletromagnéticas têm como característica principal a sua velocidade. Da ordem de 300.000Km/s no vácuo, no ar, sua velocidade é um pouco menor. Considerada a maior velocidade do universo, elas podem vencer vários obstáculos físicos, tais como gases, atmosfera, água, paredes, dependendo da sua frequência.

Tanto a luz como o infravermelho ou ondas de rádios são iguais, e o que diferencia uma onda eletromagnética da outra é a sua frequência. Quanto mais alta for essa frequência, mais energética é a onda. Em uma onda eletromagnética, o campo elétrico variável e o campo magnético variável estão intimamente ligados: ambos variam em fase, ou seja, quando um deles atinge a intensidade máxima, o mesmo ocorre com o outro e, quando um deles se anula, o outro também se anula. Além disso, os campos e são perpendiculares um ao outro e também à direção de propagação da onda que se desloca com velocidade v. Isso nos permite classificar a onda eletromagnética como onda transversal. A figura abaixo mostra-nos a disposição dos campos elétricos e magnéticos de uma onda eletromagnética, e a direção e o sentido de sua propagação. x λ v y Representação esquemática da oscilação dos campos elétrico e magnético de uma onda eletromagnética. Observe que a distância entre dois pontos vizinhos de máximo do campo elétrico, ou do campo magnético, corresponde ao comprimento de onda λ da onda eletromagnética. Para as ondas eletromagnéticas, vale, também, a equação fundamental das ondas: v = λ. f, em que f é a frequência com que os campos variam. Assim, é possível estabelecer uma relação entre a intensidade E do campo elétrico e a intensidade B do campo magnético: Em que v é a velocidade de propagação da onda eletromagnética. Frequências Naturais e Ressonância Sempre que um corpo capaz de oscilar sofrer uma série periódica de impulsos, com uma frequência igual a uma das frequências naturais de vibração do corpo, este, em geral, é posto em vibração com uma amplitude relativamente grande. Esse fenômeno é chamado de ressonância e diz-se que o corpo entra em ressonância com os impulsos aplicados. Cada sistema físico capaz de vibrar possui uma ou mais frequências naturais, isto é, que são características do sistema, mais precisamente da maneira como este é construído. Como, por exemplo, um pêndulo ao ser afastado do ponto de equilíbrio, cordas de um violão ou uma ponte para a passagem de pedestres sobre uma rodovia movimentada. Todos esses sistemas possuem sua frequência natural, que lhes é característica. Quando ocorrem excitações periódicas sobre o sistema, como quando o vento sopra com frequência constante sobre uma ponte durante uma tempestade, acontece um fenômeno de superposição de ondas que alteram a energia do sistema, modificando sua amplitude. z Conforme estudamos anteriormente, se a frequência natural de oscilação do sistema e as excitações constantes sobre ele estiverem sob a mesma frequência, a energia do sistema será aumentada, fazendo com que vibre com amplitudes cada vez maiores. O fenômeno da ressonância é facilmente demonstrado ao colocarmos dois diapasões idênticos no ar, quando um é posto a vibrar, naturalmente o outro poderá ser ouvido, pois iniciará uma vibração. 01. Em um pêndulo simples, a força restauradora é a força elástica da corda à qual o objeto está preso. ERRADO. De acordo com a teoria o pêndulo, é um sistema composto por uma massa acoplada a um pivô que permite sua movimentação livremente. A massa fica sujeita à força restauradora causada pela gravidade. Logo, a força restauradora está associada à massa e ao Peso e não à corda e à força elástica. Ondas mecânicas são perturbações que se propagam em um meio elástico, carregando energia, como as ondas concêntricas formadas na superfície de um lago logo após se atirar nele uma pedra. Alguns conceitos matemáticos que tipicamente associamos a ondas são os mesmos que possibilitam descrever movimentos oscilatórios, como os observados em um pêndulo simples ou em um sistema massa-mola. Uma característica comum a todos esses sistemas é a existência de uma força restauradora, como a força elástica exercida por uma mola. Com relação aos fenômenos ondulatórios em geral, julgue os itens subsequentes. 01. Considere que uma das cordas de um instrumento de cordas tenha massa de 20,0g e comprimento de 1,0m. Nessa situação, para produzir um tom com o dobro da frequência dessa corda, é necessário trocá-la por outra com massa de 10,0g e comprimento de 2,0m. 02. Conhecida a constante elástica da mola, é possível calcular a energia mecânica total de um sistema massa-mola medindo-se a amplitude máxima de seu movimento. 03. A Figura abaixo mostra uma onda periódica que se propaga numa corda vibrante com velocidade v = 10m/s. Podemos afirmar que a frequência dessa onda é igual a: a) 1 Hz b) 2 Hz c) 3 Hz d) 4 Hz e) 5 Hz 5m 2m Física 249

250 Física 04. O período de oscilação de um corpo de massa m = 0,04 kg que oscila em torno da posição O de equilíbrio, com M.H.S. (Fig. abaixo), vale: Dado: a constante elástica da mola k = 0,16N/m; despreze as ações dissipativas. (K) m v = 0 0 a) πs b) 2πs c) 3πs d) 4πs e) 2πs 05. Uma partícula, em movimento harmônico simples de amplitude igual a 0,25m e período de 2s, apresenta módulo da aceleração máxima, em m/s 2, igual a: a) π 2 /2 b) π 2 /4 c) π 2 d) π/2 e) π/4 06. Um turista, observando o mar de um navio ancorado, avaliou em 12 metros a distância entre as cristas das ondas que se sucediam. Além disso, constatou que se escoaram 50 segundos até que passassem por ele 19 cristas, incluindo, nessa contagem, tanto a que passava no instante em que começou a marcar o tempo como a que passava por ele quando terminou. Efetuando os cálculos adequadamente, ele concluiu, corretamente, que a velocidade de propagação dessas ondas valia: a) 2,16 m/s b) 2,82 m/s c) 3,10 m/s d) 3,80 m/s e) 4,32 m/s 07. Quando uma ambulância se aproxima ou se afasta de um observador, este percebe uma variação na altura do som emitido pela sirene (o som percebido fica mais grave ou mais agudo). Esse fenômeno é denominado Efeito Doppler. Considerando o observador parado: a) o som percebido fica mais agudo à medida que a ambulância se afasta. b) o som percebido fica mais agudo à medida que a ambulância se aproxima. c) a frequência do som emitido aumenta à medida que a ambulância se aproxima. d) o comprimento de onda do som percebido aumenta à medida que a ambulância se aproxima. e) o comprimento de onda do som percebido é constante, quer a ambulância se aproxime ou se afaste do observador, mas a frequência do som emitido varia. 08. Duas ondas propagam-se no mesmo meio, com a mesma velocidade. O comprimento de onda da primeira é igual ao dobro do comprimento de onda da segunda. Então, podemos dizer que a primeira terá, em relação à segunda: a) mesmo período e mesma frequência; b) menor período e maior frequência; c) maior período e menor frequência; d) menor período e menor frequência; e) maior período e maior frequência. 09. Um homem balança um barco no qual se encontra e produz ondas na superfície de um lago cuja profundidade é constante até a margem, observando o seguinte: 1 - o barco executa 60 oscilações por minuto; 2 - a cada oscilação, aparece a crista de uma onda; 3 - cada crista gasta 10s para alcançar a margem. Sabendo-se que o barco se encontra a 9,0m da margem e considerando as observações anteriores, pode-se afirmar que as ondas do lago têm um comprimento de onda de: a) 6,6 m b) 5,4 m c) 3,0 m d) 1,5 m e) 0,90 m 10. O ouvido humano consegue ouvir sons desde aproximadamente 20Hz até 20.000Hz. Considerando que o som se propaga no ar com velocidade de módulo 330m/s, qual é o intervalo de comprimento de onda detectado pelo ouvido humano? a) 16,5 m até 16,5 mm b) 165 m até 165 mm c) 82,5 m até 82,5 mm d) 8,25 m até 8,25 mm e) 20 m até 20 mm 01 ERRADO 06 E 02 CERTO 07 B 03 B 08 C 04 A 09 E 05 B 10 A

CAPÍTULO 05 Óptica Óptica é o ramo da física que estuda os fenômenos relacionados à luz. A óptica explica os fenômenos da reflexão, refração e difração. Reflexão da Luz Reflexão é um fenômeno físico no qual ocorre a mudança da direção de propagação da luz (desde que o ângulo de incidência não seja de 90 ). Ou seja, consiste no retorno dos feixes de luz incidentes em direção à região de onde ela veio, após eles entrarem em contato com uma determinada superfície refletora. Quando a luz incide sobre uma superfície e retorna para o meio em que estava se propagando, dizemos que ela sofreu reflexão. A reflexão difere da refração, pois a refração consiste no desvio de luz para um meio diferente do qual a luz estava se propagando. A reflexão pode ser de dois tipos: reflexão regular, quando os raios de luz incidem sobre superfícies totalmente polidas, e reflexão difusa, quando os raios incidem sobre superfícies irregulares. Essa última é a responsável pela percepção do ambiente que nos cerca. É possível esquematizar a reflexão de um raio de luz, ao atingir uma superfície polida, da seguinte forma: A N C T i B r Espelho plano Um espelho plano é aquele em que a superfície de reflexão é totalmente plana. Os espelhos planos têm utilidades bastante diversificadas, desde as domésticas até como componentes de sofisticados instrumentos ópticos. Representa-se um espelho plano por: A Espelho plano i As principais propriedades de um espelho plano são a simetria entre os pontos objeto e imagem e que a maior parte da reflexão que acontece é regular. Construção das imagens em um espelho plano: Para se determinar a imagem em um espelho plano, basta imaginarmos que o observador vê um objeto que parece estar atrás do espelho. Isso ocorre porque o prolongamento do raio refletido passa por um ponto imagem virtual (PIV), atrás do espelho. Nos espelhos planos, o objeto e a respectiva imagem têm sempre naturezas opostas, ou seja, quando um é real o outro deve ser virtual, portanto, para se obter geometricamente a imagem de um objeto pontual, basta traçar por ele, através do espelho, uma reta e marcar simetricamente o ponto imagem. Translação de um espelho plano: Considerando a figura: N B r C Física 251 Em que: AB = raio de luz incidente; BC = raio de luz refletido; N = reta normal à superfície no ponto B; T = reta tangente à superfície no ponto B; i = ângulo de incidência, formado entre o raio incidente e a reta normal; r = ângulo refletido, formado entre o raio refletido e a reta normal. Leis da reflexão Os fenômenos em que acontece reflexão, tanto regular quanto difusa e seletiva, obedecem a duas leis fundamentais que são: 1ª lei da reflexão: O raio de luz refletido e o raio de luz incidente, assim como a reta normal à superfície, pertencem ao mesmo plano, ou seja, são coplanares. 2ª Lei da reflexão: O ângulo de reflexão (r) é sempre igual ao ângulo de incidência (i). i = r d 1 d 2 d 1 l A parte superior do desenho mostra uma pessoa a uma distância d 1 do espelho, logo, a imagem aparece a uma distância d 1 em relação ao espelho. Na parte inferior da figura, o espelho é transladado l para a direita, fazendo com que o observador esteja a uma distância d 2 do espelho, fazendo com que a imagem seja deslocada x para a direita. Pelo desenho, podemos ver que: x = 2d 2-2d 1 Que pode ser reescrito como: x = 2(d 2 - d 1 ) d 2 x

Mas, pela figura, podemos ver que: l = d 2 - d 1 Espelhos esféricos Chamamos espelho esférico qualquer calota esférica que seja polida e possua alto poder de reflexão. Logo: x = 2l 252 Física Assim, pode-se concluir que sempre que um espelho é transladado paralelamente a si mesmo, a imagem de um objeto fixo sofre translação no mesmo sentido do espelho, mas com comprimento equivalente ao dobro do comprimento da translação do espelho. Se utilizarmos essa equação, e medirmos a sua taxa de variação em um intervalo de tempo, podemos escrever a velocidade de translação do espelho e da imagem da seguinte forma: Ou seja, a velocidade de deslocamento da imagem é igual ao dobro da velocidade de deslocamento do espelho. Quando o observador também se desloca, a velocidade ao ser considerada é a velocidade relativa entre o observador e o espelho, ao invés da velocidade de translação do espelho, ou seja: Associação de dois espelhos planos Dois espelhos planos podem ser associados, com as superfícies refletoras se defrontando e formando um ângulo α entre si, com valores entre 0 e 180. É fácil observar-se que a esfera da qual a calota acima faz parte tem duas faces, uma interna e outra externa. Quando a superfície refletiva considerada for a interna, o espelho é chamado côncavo, já nos casos em que a face refletiva é a externa, o espelho é chamado convexo. espelho convexo espelho côncavo Reflexão da luz em espelhos esféricos: Assim como para espelhos planos, as duas leis da reflexão também são obedecidas nos espelhos esféricos, ou seja, os ângulos de incidência e reflexão são iguais, e os raios incididos, refletidos e a reta normal ao ponto incidido. normal incidente refletido refratado Para se calcular o número de imagens que serão vistas na associação, usa-se a fórmula: Aspectos geométricos dos espelhos esféricos: Sendo α o ângulo formado entre os espelhos. Para o estudo dos espelhos esféricos, é útil o conhecimento dos elementos que os compõe, esquematizados na figura abaixo: calota Quando a expressão for um número par, o R ponto objeto P poderá assumir qualquer posição entre os dois espelhos. e.p. C α V Se a expressão for um número ímpar, o ponto objeto P, deverá ser posicionado no plano bissetor de α. C é o centro da esfera; V é o vértice da calota;

O eixo que passa pelo centro e pelo vértice da calota é chamado eixo principal. As demais retas que cruzam o centro da esfera são chamadas eixos secundários. O ângulo α, que mede a distância angular entre os dois eixos secundários que cruzam os dois pontos mais externos da calota, é a abertura do espelho. O raio da esfera R que origina a calota é chamado raios de curvatura do espelho. Um sistema óptico que consegue conjugar, a um ponto objeto, um único ponto como imagem é dito estigmático. Os espelhos esféricos normalmente não são estigmáticos, nem aplanéticos ou ortoscópicos, como os espelhos planos. No entanto, espelhos esféricos só são estigmáticos para os raios que incidem próximos do seu vértice V e com uma pequena inclinação em relação ao eixo principal. Um espelho com essas propriedades é conhecido como espelho de Gauss. Um espelho que não satisfaz as condições de Gauss (incidência próxima do vértice e pequena inclinação em relação ao eixo principal) é dito astigmático. Um espelho astigmático conjuga a um ponto uma imagem parecendo uma mancha. Focos dos espelhos esféricos: Para os espelhos côncavos de Gauss, pode-se verificar que todos os raios luminosos que incidirem ao longo de uma direção paralela ao eixo secundário passam por (ou convergem para) um mesmo ponto F - o foco principal do espelho. F espelho convexo Determinação de imagens: Analisando objetos diante de um espelho esférico, em posição perpendicular ao eixo principal do espelho, podemos chegar a algumas conclusões importantes. Um objeto pode ser real ou virtual. No caso dos espelhos, dizemos que o objeto é virtual se ele se encontra atrás do espelho. No caso de espelhos esféricos, a imagem de um objeto pode ser maior, menor ou igual ao tamanho do objeto. A imagem pode, ainda, aparecer invertida em relação ao objeto. Se não houver sua inversão, dizemos que ela é direita. Nos espelhos côncavos: Se o objeto estiver antes do centro de curvatura, sua imagem será real, invertida e menor do que o objeto e estará entre o centro de curvatura e o foco do espelho; Se o objeto estiver no centro de curvatura, sua imagem será real, invertida e do mesmo tamanho do objeto e estará no centro de curvatura do espelho; Se o objeto estiver entre o centro de curvatura e o foco do espelho, sua imagem será real, invertida e maior do que o objeto e estará antes do centro de curvatura; Se o objeto estiver no foco, sua imagem não existirá; Se o objeto estiver depois do foco, sua imagem será virtual, normal e maior do que o objeto. Nos espelhos convexos: As imagens são sempre virtuais, normais e menores do que o objeto. Equação fundamental dos espelhos esféricos: Física 253 y i espelho côncavo No caso dos espelhos convexos, a continuação do raio refletido é que passa pelo foco. Tudo se passa como se os raios refletidos se originassem do foco. x C F o p p

Dadas a distância focal e posição do objeto, é possível determinar, analiticamente, a posição da imagem por meio da equação de Gauss, que é expressa por: Índice de refração relativo entre dois meios Chama-se índice de refração relativo entre dois meios a relação entre os índices de refração absolutos de cada um dos meios, de modo que: Aumento linear transversal: A ampliação ou aumento da imagem é dada por: Mas, como visto: Sendo o foco do espelho aproximadamente igual ao ponto médio do centro de curvatura ao vértice do espelho, tem-se: Então, podemos escrever: 254 Física Refração da Luz A refração é o fenômeno que ocorre com a luz quando ela passa de um meio homogêneo e transparente para outro meio também homogêneo e transparente, porém, diferente do primeiro. Nessa mudança de meio, podem ocorrer mudanças na velocidade de propagação e na direção de propagação. Meio homogêneo: é o meio no qual todos os pontos apresentam as mesmas propriedades físicas, como densidade, pressão e temperatura. Meio transparente: é o meio através do qual podemos visualizar nitidamente os objetos. Meio isotrópico: é o meio no qual a velocidade da luz é a mesma em qualquer que seja sua direção de propagação. Índice de refração absoluto Para o entendimento completo da refração, convém a introdução de uma nova grandeza que relacione a velocidade da radiação monocromática no vácuo e em meios materiais. Essa grandeza é o índice de refração da luz monocromática no meio apresentado, e é expressa por: Em que n é o índice de refração absoluto no meio, e c é a velocidade da luz no vácuo (300.000.000m/s ou 3. 10 8 m/s). É importante observar que o índice de refração absoluto nunca pode ser menor do que 1, já que a maior velocidade possível em um meio é c, se o meio considerado for o próprio vácuo. Para todos os outros meios materiais, n é sempre maior que 1. Ou seja: Refringência Dizemos que um meio é mais refringente que outro quando seu índice de refração é maior que do outro. Ou seja, o etanol é mais refringente que a água. De outra maneira, podemos dizer que um meio é mais refringente que outro quando a luz se propaga por ele com velocidade menor que no outro. Observe o desenho: Raio 1 v. 1 λ. 1 f Meio de refração Leis de Refração θ 1 θ 2 Meio de incidência Raio 2 v. 2 λ. 2 f dioptro Em que: Raio 1 é o raio incidente, com velocidade e comprimento de onda característico; Raio 2 é o raio refratado, com velocidade e comprimento de onda característico; A reta tracejada é a linha normal à superfície; O ângulo formado entre o raio 1 e a reta normal é o ângulo de incidência; O ângulo formado entre o raio 2 e a reta normal é o ângulo de refração; A fronteira entre os dois meios é um dioptro plano.

Conhecendo os elementos de uma refração, podemos entender o fenômeno através das duas leis que o regem. 1ª Lei da Refração: diz que o raio incidente (raio 1), o raio refratado (raio 2) e a reta normal ao ponto de incidência (reta tracejada) estão contidos no mesmo plano, que, no caso do desenho acima, é o plano da tela. 2ª Lei da Refração - Lei de Snell: é utilizada para calcular o desvio dos raios de luz ao mudarem de meio, e é expressa por: Prisma Um prisma é um sólido geométrico formado por uma face superior e uma face inferior paralelas e congruentes (também chamadas de bases) ligadas por arestas. As laterais de um prisma são paralelogramos. No entanto, para o contexto da óptica, é chamado prisma o elemento óptico transparente com superfícies retas e polidas que é capaz de refratar a luz nele incidida. O formato mais usual de um prisma óptico é o de pirâmide com base quadrangular e lados triangulares. No entanto, sabemos que: = Além de que: Ao agruparmos essas informações, chegamos a uma forma completa da Lei de Snell: Dioptro É todo o sistema formado por dois meios homogêneos e transparentes. Quando essa separação acontece em um meio plano, chamamos, então, dioptro plano. ar dioptro água A figura acima representa um dioptro plano, na separação entre a água e o ar, que são dois meios homogêneos e transparentes. Formação de imagens através de um dioptro: Considere um pescador que vê um peixe em um lago. O peixe encontra-se a uma profundidade H da superfície da água. O pescador o vê a uma profundidade. Conforme mostra a figura abaixo: Observador A aplicação usual dos prismas ópticos é seu uso para separar a luz branca policromática nas sete cores monocromáticas do espectro visível, além de que, em algumas situações, pode refletir tais luzes. Funcionamento do prisma: Quando a luz branca incide sobre a superfície do prisma, sua velocidade é alterada, no entanto, cada cor da luz branca tem um índice de refração diferente, e logo, ângulos de refração diferentes, chegando à outra extremidade do prisma separadas. Tipos de prismas: Prismas dispersivos são usados para separar a luz em suas cores de espectro. Prismas refletivos são usados para refletir a luz. Prismas polarizados podem dividir o feixe de luz em componentes de variadas polaridades. Lentes esféricas convergentes Em uma lente esférica com comportamento convergente, a luz que incide paralelamente entre si é refratada, tomando direções que convergem a um único ponto. Tanto lentes de bordas finas como de bordas espessas podem ser convergentes, dependendo do seu índice de refração em relação ao do meio externo. O caso mais comum é aquele em que a lente tem índice de refração maior que o índice de refração do meio externo. Nesse caso, um exemplo de lente com comportamento convergente é o de uma lente biconvexa (com bordas finas): Física 255 H h x θ 2 θ 1 Ar - meio 1 Água - meio 2 n 1 A fórmula que determina essa distância é: n 1 < n 2

256 Física Já o caso menos comum ocorre quando a lente tem menor índice de refração que o meio. Nesse caso, um exemplo de lente com comportamento convergente é o de uma lente bicôncava (com bordas espessas): n 1 n 2 n 1 > n 2 Lentes esféricas divergentes Em uma lente esférica com comportamento divergente, a luz que incide paralelamente entre si é refratada, tomando direções que divergem a partir de um único ponto. Tanto lentes de bordas espessas como de bordas finas podem ser divergentes, dependendo do seu índice de refração em relação ao do meio externo. O caso mais comum é aquele em que a lente tem índice de refração maior que o índice de refração do meio externo. Nesse caso, um exemplo de lente com comportamento divergente é o de uma lente bicôncava (com bordas espessas): n 1 n 2 n 1 < n 2 Já o caso menos comum ocorre quando a lente tem menor índice de refração que o meio. Nesse caso, um exemplo de lente com comportamento divergente é o de uma lente biconvexa (com bordas finas): Focos de uma lente e Vergência Focos principais: Uma lente possui um par de focos principais: foco principal objeto (F) e foco principal imagem (F ), ambos localizam-se a sobre o eixo principal e são simétricos em relação à lente, ou seja, a distância OF é igual a distância OF. Foco imagem (F ): É o ponto ocupado pelo foco imagem, podendo ser real ou virtual. Foco objeto (F): É o ponto ocupado pelo foco objeto, podendo ser real ou virtual. Distância focal: É a medida da distância entre um dos focos principais e o centro óptico, esta medida é caracterizada pela letra f. Vergência: Dada uma lente esférica em determinado meio, chamamos vergência da lente (V) a unidade caracterizada como o inverso da distância focal, ou seja: A unidade utilizada para caracterizar a vergência no Sistema Internacional de Medidas é a dioptria, simbolizado por di. Um dioptria equivale ao inverso de um metro, ou seja: 1di = 1m -1 Uma unidade equivalente à dioptria, muito conhecida por quem usa óculos, é o Grau. 1di = 1grau Quando a lente é convergente, usa-se distância focal positiva (f > 0), e para uma lente divergente, usa-se distância focal negativa (f < 0). Associação de lentes Duas lentes podem ser colocadas de forma que funcionem como uma só, desde que sejam postas coaxialmente, isto é, com eixos principais coincidentes. Nesse caso, elas serão chamadas de justapostas, se estiverem encostadas, ou separadas, caso haja uma distância d separando-as. Essas associações são importantes para o entendimento dos instrumentos ópticos. Quando duas lentes são associadas, é possível obter uma lente equivalente. Esta terá a mesma característica da associação das duas primeiras. n 1 n 2 n 1 > n 2 Se a lente equivalente tiver vergência positiva, será convergente, e se tiver vergência negativa, será divergente.

Associação de lentes justapostas: Quando duas lentes são associadas de forma justaposta, utiliza-se o teorema das vergências para definir uma lente equivalente. Como exemplo de associação justaposta temos: Lente 1 Lente 2 E.p. A B Esse teorema diz que a vergência da lente equivalente à associação é igual à soma algébrica das vergências das lentes componentes. Ou seja: 0 B 0 i A V eq = V 1 + V 2 Que também pode ser escrita como: p p Física Associação de lentes separadas: Quando duas lentes são associadas de forma separada, utiliza-se uma generalização do teorema das vergências para definir uma lente equivalente. Um exemplo de associação separada é: Lente 1 d Lente 2 E.p. Projetor Um projetor é um equipamento provido de uma lente convergente (objetiva) que é capaz de fornecer imagens reais, invertidas e maiores que o objeto, que pode ser um slide ou filme. Normalmente, os slides ou filmes são colocados invertidos, assim, a imagem projetada será vista de forma direta. A generalização do teorema diz que a vergência da lente equivalente à tal associação é igual à soma algébrica das vergências dos componentes menos o produto dessas vergências pela distância que separa as lentes. Desta forma: V eq = V 1 + V 2 - V 1 V 2 d Que também pode ser escrito como: Instrumentos Óticos Câmera fotográfica A câmera fotográfica é um equipamento capaz de projetar e armazenar uma imagem em um anteparo. Nos antigos equipamentos, nos quais um filme deve ser posto dentro da câmera, o anteparo utilizado é um filme fotossensível capaz de propiciar uma reação química entre os sais do filme e a luz que incide nele. No caso das câmeras digitais, uma das partes do anteparo consiste em um dispositivo eletrônico, conhecido como CCD (Charge-CoupledDevice), que converte as intensidades de luz que incidem sobre ele em valores digitais armazenáveis na forma de Bits (pontos) e Bytes (dados). O funcionamento óptico da câmera fotográfica é basicamente equivalente ao de uma câmera escura, com a particularidade que, no lugar do orifício, uma lente convergente é utilizada. No fundo da câmera, encontra-se o anteparo no qual a imagem será gravada. Lupa A Lupa é o mais simples instrumento óptico de observação. Também é chamada de lente de aumento. Uma lupa é constituída por uma lente convergente com distância focal na ordem de centímetros, capaz de conjugar uma imagem virtual, direta e maior que o objeto. No entanto, esse instrumento se mostra eficiente apenas quando o objeto observado estiver colocado entre o foco principal objeto e o centro óptico. 257 Quando uma lupa é presa a um suporte, recebe a denominação de microscópio simples.

258 Física Microscópio Composto Um microscópio composto é um instrumento óptico composto fundamentalmente por um tubo delimitado nas suas extremidades por lentes esféricas convergentes, formando uma associação de lentes separadas. A lente mais próxima do objeto observado é chamada objetiva, e é uma lente com distância focal na ordem de milímetros. A lente próxima ao observador é chamada ocular, e é uma lente com distância focal na ordem de centímetros. O funcionamento de um microscópio composto é bastante simples. A objetiva fornece uma imagem real, invertida e maior que o objeto. Essa imagem funciona como objeto para o ocular, que funciona como uma lupa, fornecendo uma imagem final virtual, direta e maior. Ou seja, o objeto é aumentado duplamente, fazendo com que objetos muito pequenos sejam melhores observados. Esse microscópio composto também é chamado Microscópio Óptico, sendo capaz de aumentar até 2.000 vezes o objeto observado. Existem também Microscópio Eletrônicos capazes de proporcionar aumentos de até 100.000 vezes e Microscópios de Varredura que produzem aumentos superiores a 1 milhão de vezes. Luneta Lunetas são instrumentos de observação a grandes distâncias, sendo úteis para observação de astros (luneta astronômica) ou para observação da superfície terrestre (luneta terrestre). Uma luneta é basicamente montada da mesma forma que um microscópio composto, com objetiva e ocular, no entanto, a objetiva da luneta tem distância focal na ordem de metros, sendo capaz de observar objetos afastados. Olho humano O olho humano é um sistema óptico complexo, formado por vários meios transparentes, além de um sistema fisiológico com inúmeros componentes. Todo o conjunto que compõe a visão humana é chamado globo ocular. humor vítreo retina esclera coróide mácula nervo ópitico conjuntiva íris cristalino pupila córnea humor aquoso A luz incide na córnea e converge até a retina, formando as imagens. Para essa formação de imagem, acontecem vários fenômenos fisiológicos, no entanto, para o estudo da óptica, podemos considerar o olho como uma lente convergente, com distância focal variável. Sendo representado: córnea lente 5mm 15mm retina Tal representação é chamada olho reduzido, e traz a representação das distâncias entre a córnea e a lente e entre a lente e a retina, sendo a última a distância da imagem produzida em relação a lente (p ). Adaptação visual: Chama-se adaptação visual a capacidade apresentada pela pupila de se adequar à luminosidade de cada ambiente, comprimindo-se ou dilatando-se. Em ambientes com grande luminosidade, a pupila pode atingir um diâmetro de até 1,5mm, fazendo com que entre menos luz no globo ocular, protegendo a retina de um possível ofuscamento. Já em ambientes mais escuros, a pupila se dilata, atingindo diâmetro de até 10mm. Assim, a incidência de luminosidade aumenta no globo ocular, possibilitando a visão em tais ambientes. Acomodação visual: As pessoas que têm visão considerada normal, emétropes, têm a capacidade de acomodar objetos de distâncias de 25cm em média, até distâncias no infinito visual. Ponto próximo: A primeira distância (25cm) corresponde ao ponto próximo, que é a mínima distância que uma pessoa pode enxergar corretamente. O que caracteriza essa situação é que os músculos ciliares encontram-se totalmente contraídos.

Nesse caso, pela equação de Gauss: Simplificamos e fazemos a proporção: Considerando o olho com distância entre a lente e a retina de 15mm, ou seja, p =15mm: Agora, aplicamos a equação fundamental dos espelhos esféricos: Nesse caso, o foco da imagem será encontrado 14,1mm distante da lente. Ponto remoto: Quando a distância infinita corresponde ao ponto remoto que a distância máxima alcança para uma imagem focada. Nessa situação, os músculos ciliares encontram-se totalmente relaxados. Da mesma forma que para o ponto próximo, podemos utilizar a equação de Gauss para determinar o foco da imagem. Física No entanto, é um valor indeterminado, mas se pensarmos que infinito corresponde a um valor muito alto, veremos que essa divisão resultará em um valor muito pequeno, podendo ser desprezado. Assim, teremos que: Eixo central f f 01. Durante uma experiência, um estudante coloca uma vela acesa sobre o eixo principal de um espelho côncavo, com distância focal de 1,0m. Para que a imagem conjugada pelo espelho seja direita e quatro vezes maior, ele deve posicionar a vela a uma distância do vértice do espelho, medida em cm, igual a: a) 80 b) 75 c) 65 d) 50 e) 45 RESPOSTA. B Aplicamos a fórmula da ampliação ou aumento da imagem: Figura 1 Figura 2 Instrumentos ópticos, como o ilustrado na figura I acima, são comumente utilizados em técnicas de identificação forense. As lupas, compostas por lentes delgadas e convergentes, são frequentemente usadas. Considere uma lupa composta por uma lente biconvexa de raios iguais em módulo e que sejam d 0, d 1 e f. respectivamente, as distâncias do objeto, da imagem e do foco em relação ao eixo central na lente - figura II. Com base nessas informações e nas figuras acima, julgue os itens que se seguem: 01. Para um objeto posicionado no ponto focal, sua imagem estará localizada no infinito. 02. Se d 0 < ƒ, então, a imagem será invertida. 03. A figura mostra o esquema da associação de duas lentes convergentes L 1 e L 2, coaxiais, afastadas de uma distância igual a 0,5m. Observa-se que, incidindo na lente L 1 um pincel cilíndrico de luz monocromática com 2,5cm de diâmetro e coincidente com o eixo óptico, emerge da lente L 2 um pincel luminoso cilíndrico com 10,0cm de diâmetro, coincidente com o eixo óptico do sistema. 259

Luz L 1 L 2 Eixo óptico 06. Um raio de luz parte do ponto A, no meio n 1, e atravessa a interface entre os meios até chegar ao ponto B, no meio n 2. Considere que a razão entre as velocidades nos meios n 2 e n 1 é V 2 /V 1 = 2; que a distância do ponto A até a normal N é de x = 4 m e que a distância da normal N até o ponto B é de y = 10 m, como mostrado na figura: 260 Física Com base nas observações, a distância focal da lente L 2, medida em cm, é igual a: a) 15 b) 20 c) 25 d) 30 e) 40 04. Considere as situações seguintes. I. Você vê a imagem ampliada do seu rosto, conjugada por um espelho esférico. II. Um motorista vê a imagem reduzida de um carro atrás do seu, conjugada pelo espelho retrovisor direito. III. Uma aluna projeta, por meio de uma lente, a imagem do lustre do teto da sala de aula sobre o tampo da sua carteira. A respeito dessas imagens, em relação aos dispositivos ópticos referidos, pode-se afirmar que: a) as três são virtuais. b) I e II são virtuais; III é real. c) I é virtual; II e III são reais. d) I é real; II e III são virtuais. e) as três são reais. 05. Na figura, P representa um peixinho no interior de um aquário a 13 cm de profundidade em relação à superfície da água. Um garoto vê esse peixinho através da superfície livre do aquário, olhando de duas posições: O 1 e O 2. O 1 O 2 n 1 n 2 V 1 V 2 h A θ I x = 4m y = 10m Considere, também, que a distância h, entre o ponto A e a interface, é igual à distância entre o ponto B e a interface. O valor da distância h, em metros, é: a) b) c) d) e) 16 07. Um anteparo está a 30,0cm de uma lente convergente, de distância focal 5,0cm, e a imagem de um objeto é formada no anteparo, que, em relação ao objeto, fica ampliada: a) duas vezes. b) três vezes. c) quatro vezes. d) cinco vezes. e) seis vezes. 08. Um raio de luz R atinge um espelho plano A, reflete-se e atinge outro espelho plano B, perpendiculares entre si, sofrendo uma segunda reflexão. Nessas condições, é correto afirmar que o raio refletido em B: A N θ R h B P 60 o R Sendo n água = 1,3 o índice de refração da água, pode-se afirmar que o garoto vê o peixinho a uma profundidade de: a) 10 cm, de ambas as posições. b) 17 cm, de ambas as posições. c) 10 cm em O 1 e 17 cm em O 2. d) 10 cm em O 1 e a uma profundidade maior que 10 cm em O 2. e) 10 cm em O 1 e a uma profundidade menor que 10 cm em O 2. a) é paralelo a R. b) é perpendicular a R. c) é inclinado em relação a R. d) faz um ângulo de 30º com R. e) faz um ângulo de 60º com R. B

09. Uma explosão solar é observada na Terra 500s depois de produzida. Se o espaço entre a Terra e o Sol fosse constituído de um meio de índice de refração igual a 2, o tempo decorrido entre o instante da explosão e o de sua observação na Terra seria: a) Nulo b) 1.000s c) 250s d) 750s e) O mesmo, pois o que se observa na Terra é o barulho produzido pela explosão, cuja velocidade de propagação não tem nenhuma relação com o índice de refração do meio. 10. Um objeto de altura 40 cm é colocado a 20 cm de uma câmara escura de orifício, de profundidade 15 cm. Determine, em cm, a altura da imagem projetada. a) 10 b) 15 c) 20 d) 25 e) 30 01 CERTO 06 A 02 ERRADO 07 D 03 E 08 A 04 B 09 B 05 E 10 E Referências Bibliográficas sofisica.com.br mundoeducacao.com.br brasilescola.com fismat.net.br algosobre.com.br Física 261