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ATIVOS explicativa 31/12/11 31/12/10 PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO explicativa 31/12/11 31/12/10

Transcrição:

RESOLUÇÃO A resolução dessa questão demanda a capacidade de classificação dos elementos patrimoniais e do resultado como componentes dos fluxos de caixa das atividades operacionais, de investimento e de financiamento. Esse assunto é tratado no Pronunciamento Técnico CPC n 03. À luz desse pronunciamento, analisaremos em separado cada um dos elementos propostos no enunciado. Porém, antes de realizar a análise, é importante classificar as contas apresentadas em seus respectivos grupos patrimoniais e de resultado, conforme a seguir apresentado. ATIVO PASSIVO duplicatas descontadas dividendos a pagar PL (-) depreciação acumulada C. Soc. Integralizado em moeda (-) gastos na emissão de ações ajustes de instrumentos financeiros DESPESA RECEITA IR e CSLL apurada juros ativos despesa com aj. De instr. Fin. lucro líquido do exercício Agora sim, vamos analisar o tratamento de cada um dos elementos acima, na DFC. (a) duplicatas descontadas Luiz Eduardo Santos Página 1 de 5

O Desconto de duplicatas é uma operação de captação de recursos de terceiros no curto prazo. Sua classificação para fins de fluxos de caixa é polêmica. Por um lado, poder-se-ia considerar que essa operação caracteriza atividade de financiamento, conforme disposto no parágrafo 17 do pronunciamento: 17. A divulgação separada dos fluxos de caixa advindos das atividades de financiamento é importante por ser útil na predição de exigências de fluxos futuros de caixa por parte de fornecedores de capital à entidade. Exemplos de fluxos de caixa advindos das atividades de financiamento são: (a) caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais; (b) pagamentos em caixa a investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade; (c) caixa recebido pela emissão de debêntures, empréstimos, notas promissórias, outros títulos de dívida, hipotecas e outros empréstimos de curto e longo prazos; (d) amortização de empréstimos e financiamentos; e (e) pagamentos em caixa pelo arrendatário para redução do passivo relativo a arrendamento mercantil financeiro. Por outro lado, seria possível considerar que ela seja decorrente da operação de vendas e, portanto, classificada entre as atividades operacionais, conforme parágrafo 15 do pronunciamento: 15. A entidade pode manter títulos e empréstimos para fins de negociação imediata ou futura (dealing or trading purposes), os quais, no caso, são semelhantes a estoques adquiridos especificamente para revenda. Dessa forma, os fluxos de caixa advindos da compra e venda desses títulos são classificados como atividades operacionais. Da mesma forma, as antecipações de caixa e os empréstimos feitos por instituições financeiras são comumente classificados como atividades operacionais, uma vez que se referem à principal atividade geradora de receita dessas entidades. (b) dividendos a pagar Os dividendos a pagar podem ser classificados como atividade de financiamento ou operacionais, conforme disposto no parágrafo 34 do pronunciamento: 34. Os dividendos e os juros sobre o capital próprio pagos podem ser classificados como fluxo de caixa de financiamento porque são custos da obtenção de recursos financeiros. Alternativamente, os dividendos e os juros sobre o capital próprio pagos podem ser classificados como componente dos fluxos de caixa das atividades operacionais, a fim de auxiliar os usuários a determinar a capacidade de a entidade pagar dividendos e juros sobre o capital próprio utilizando os fluxos de caixa operacionais. (c) imposto de renda e contribuição social apurada O imposto de renda a recolher deve caracterizar fluxo de caixa das atividades operacionais, salvo situações especiais, conforme disposto no parágrafo 35 do pronunciamento: Luiz Eduardo Santos Página 2 de 5

35. Os fluxos de caixa referentes ao imposto de renda (IR) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) devem ser divulgados separadamente e devem ser classificados como fluxos de caixa das atividades operacionais, a menos que possam ser identificados especificamente como atividades de financiamento e de investimento. (d) capital social integralizado em moeda A integralização de capital caracteriza fluxo das atividades de financiamento, conforme parágrafo 17: 17. A divulgação separada dos fluxos de caixa advindos das atividades de financiamento é importante por ser útil na predição de exigências de fluxos futuros de caixa por parte de fornecedores de capital à entidade. Exemplos de fluxos de caixa advindos das atividades de financiamento são: (a) caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais; (b) pagamentos em caixa a investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade; (c) caixa recebido pela emissão de debêntures, empréstimos, notas promissórias, outros títulos de dívida, hipotecas e outros empréstimos de curto e longo prazos; (d) amortização de empréstimos e financiamentos; e (e) pagamentos em caixa pelo arrendatário para redução do passivo relativo a arrendamento mercantil financeiro. (e) lucro líquido do exercício Pelo método indireto de apuração da Demonstração dos Fluxos de Caixa, o lucro líquido do exercício deve ser devidamente ajustado, para apresentação dos fluxos de caixa das atividades operacionais, de acordo com o disposto no parágrafo 20 do pronunciamento: 20. De acordo com o método indireto, o fluxo de caixa líquido advindo das atividades operacionais é determinado ajustando o lucro líquido ou prejuízo quanto aos efeitos de: (a) variações ocorridas no período nos estoques e nas contas operacionais a receber e a pagar; (b) itens que não afetam o caixa, tais como depreciação, provisões, tributos diferidos, ganhos e perdas cambiais não realizados e resultado de equivalência patrimonial quando aplicável; e (c) todos os outros itens tratados como fluxos de caixa advindos das atividades de investimento e de financiamento. (f) despesa com ajuste de instrumentos financeiros O ajuste de instrumentos financeiros é transação sem efeito de caixa. Porém seu valor acompanha o dos juros. Portanto, trata-se de ponto polêmico na elaboração da DFC. (g) juros ativos Luiz Eduardo Santos Página 3 de 5

Este é um ponto polêmico da DFC. Os juros ativos (a receber) são classificados como componentes das atividades operacionais de instituições financeiras, mas nas demais instituições, eles podem ser classificados como componentes das atividades operacionais ou, alternativamente, de investimentos. Nesse sentido, cabe referir o parágrafo 33 do pronunciamento: 33. Os juros pagos e recebidos e os dividendos e os juros sobre o capital próprio recebidos são comumente classificados como fluxos de caixa operacionais em instituições financeiras. Todavia, não há consenso sobre a classificação desses fluxos de caixa para outras entidades. Os juros pagos e recebidos e os dividendos e os juros sobre o capital próprio recebidos podem ser classificados como fluxos de caixa operacionais, porque eles entram na determinação do lucro líquido ou prejuízo. Alternativamente, os juros pagos e os juros, os dividendos e os juros sobre o capital próprio recebidos podem ser classificados, respectivamente, como fluxos de caixa de financiamento e fluxos de caixa de investimento, porque são custos de obtenção de recursos financeiros ou retornos sobre investimentos. (h) gastos na emissão de ações O gasto na emissão de ações compõe o fluxo das atividades de financiamento. (i) depreciação acumulada A depreciação acumulada é transação sem efeito no caixa, mas compõe o fluxo das atividades de investimento. (j) ajustes de instrumentos financeiros O ajuste de instrumentos financeiros é transação sem efeito de caixa. Porém seu valor acompanha o dos juros. Portanto, trata-se de ponto polêmico na elaboração da DFC. Por fim, vamos realizar a resolução da questão propriamente dita: 1- quanto a atividade de financiamento, temos que as contas referentes ao Capital Social, aos gastos na emissão de ações certamente se referem a financiamentos, portanto, temos pelo menos duas contas compondo os fluxos de caixa dessa atividade. 2- porém quanto às atividades operacionais, não encontramos no rol de contas apresentados três que possam compor o fluxo de caixa dessa atividade, vejamos: Luiz Eduardo Santos Página 4 de 5

A DFC pelo método indireto tem a seguinte estrutura: ( ) Lucro Líquido (consta do rol de contas) (-) itens do resultado que não afetam o fluxo das atividades operacionais (no rol de contas, somente há IR / Aj. De Instr. Fin. / Juros Ativos) (obs. Não há despesa de depreciação) (-) aumentos nos ativos operacionais (os ativos apresentados podem ser classificados nas atividades de investimentos) (+) aumentos de passivos operacionais (os passivos apresentados podem ser classificados nas atividades de financiamento) (=) Fluxo de caixa das atividades operacionais Com certeza, somente podemos afirmar que há uma conta Lucro líquido. Portanto, verificamos que a assertiva está ERRADA. GABARITO 110 E Luiz Eduardo Santos Página 5 de 5