FILOSOFIA PÓS-MODERNA Século XX

Documentos relacionados
MICHEL FOUCAULT ( ) ( VIGIAR E PUNIR )

Encontro 6a. Pós-estruturalismo

A escola de Frankfurt. Profª Karina Oliveira Bezerra

FOUCAULT ( )

LIBERDADE E POLÍTICA KARL MARX

França: séc. XX Período entre guerras

O PENSAMENTO TEÓRICO NA SOCIOLOGIA

1 Introdução. 1 Foucault, M. O sujeito e o poder. In: Dreyfus, e Rabinow, P. Michel Foucault. Uma trajetória

DISCIPLINA DE CIÊNCIAS SOCIAIS (FILOSOFIA) OBJETIVOS: 6º Ano

PROGRAMA DA PÓS-GRADUAÇÃO. Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Franca. Foucault, a história e os modos de subjetivação no Ocidente

A Teoria Crítica e as Teorias Críticas

CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS

Pensamento do século XIX

FUNDAMENTOS DA SOCIOLOGIA. A Geografia Levada a Sério

SEMINÁRIOS INTEGRADOS EM ADS GEOPOLÍTICA DO MUNDO CONTEMPORÂNEO

DADOS DO COMPONENTE CURRICULAR

Positivismo de Augusto Comte, Colégio Ser Ensino Médio Introdução à Sociologia Prof. Marilia Coltri

MICHEL FOUCAULT: BASES FILOSÓFICAS PARA A EDUCAÇÃO

Teoria de Karl Marx ( )

RELATO DOS RESULTADOS DA ANÁLISE COMPARATIVA DA DISSERTAÇÃO MARX E FREIRE: A EXPLORAÇÃO E A OPRESSÃO NOS PROCESSOS DE FORMAÇÃO HUMANA. 1.

Ética e política da subjetividade: hermenêutica do sujeito e parrhesía em Michel Foucault.

O que é Linguagem? PROF. RONALDO PINHO

II. Metodologia: 2.1. Desenvolvimento das seções. a) Explanação inicial do conteúdo pelo professor

AUTORES Aldo Vannucchi (Brasil) Ismar Capistrano Costa Filho (Brasil) Theodor Adorno (Alemanha) Max Horkheimer (Alemanha) Roberto DaMatta (Brasil)

Crítica à abordagens recentes do desenvolvimento e das relações Estado e sociedade civil

A SOCIEDADE TRANSPARENTE. Gianni Vattimo

Foucault e a educação. Tecendo Gênero e Diversidade Sexual nos Currículos da Educação Infantil

Unidade 2: História da Filosofia. Filosofia Serviço Social Igor Assaf Mendes

Sociologia 23/11/2015 PRODUÇÃO & MODELOS ECONÔMICOS TIPOS DE MODOS DE PRODUÇÃO

P R O F E S S O R E D M Á R I O V I C E N T E

O USO DA ANÁTOMO-POLÍTICA NAS ESCOLAS: DA DOCILIZAÇÃO DOS CORPOS AO PANOPTISMO

Tempo Histórico na Teoria de Reinhart Koselleck

ÉTICA GERAL E PROFISSIONAL MÓDULO 2

1 Sobre a Filosofia... 1 A filosofia como tradição... 1 A filosofia como práxis... 4

Programa Analítico de Disciplina CIS211 Sociologia Contemporânea II

Filosofia e Sociologia PROFESSOR: Alexandre Linares

Marxismo e Autogestão

CONCEPÇÕES ÉTICAS Mito, Tragédia e Filosofia

Estratificação Social. Fronteira territorial entre o bairro Morumbi e a comunidade de Paraisópolis. Município de São Paulo.

Pensamento do século XIX

Produção de conhecimento: uma característica das sociedades humanas

Teorias socialistas. Capítulo 26. Socialismo aparece como uma reação às péssimas condições dos trabalhadores SOCIALISMO UTÓPICO ROBERT OWEN

Sociologia I Prof.: Romero. - Definição - Contexto - A. Comte - Durkheim

ARON, Raymond. O Marxismo de Marx. 3. Ed. Tradução: Jorge Bastos. São Paulo: Arx, 2005.

Profª Karina Oliveira Bezerra Aula 05 Unidade 1, capítulo 5: p. 63 Unidade 8, capítulo 5: p. 455 Filme: Germinal

KARL MARX -Vida, obra e contexto sociopolítico-

A sociedade disciplinar em Foucault. Professor Guilherme Paiva

CURSO DE DIREITO Autorizado pela Portaria no de 05/12/02 DOU de 06/12/02 PLANO DE CURSO

COLÉGIO CEC 24/08/2015. Conceito de Dialética. Professor: Carlos Eduardo Foganholo DIALÉTICA. Originalmente, é a arte do diálogo, da contraposição de

Immanuel Kant. Como é possível o conhecimento? O conhecimento é possível porque o homem possui faculdades que o tornam possíveis".

HISTORICIDADE DA IDEOLOGIA: DE CONCEITO CRÍTICO A CONCEITO ADAPTADO

Marx e as Relações de Trabalho

Sociologia Prof. Fernando César Silva. ÉTICA PROTESTANTE Max Weber

ÉTICA E PRÁTICA EDUCATIVA, OUTRA VEZ. Cipriano Carlos luckesi 1

Aula ao vivo 21/03/2014 Pensamento Sociológico

Plano de Ensino. Identificação. Câmpus de Bauru. Curso 2401N - Relações Públicas. Ênfase. Disciplina RP00007A - Filosofia e Comunicação.

AVALIE ENSINO MÉDIO MATRIZ DE REFERÊNCIA DE CIÊNCIAS HUMANAS 1º SÉRIE DO ENSINO MÉDIO E 2ª SÉRIE DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL INTEGRADA AO ENSINO MÉDIO

Teoria da História. Prof. Dr. Celso Ramos Figueiredo Filho

FATORES HISTÓRICOS DO SURGIMENTO: Agentes motivadores:

O Marxismo de Karl Marx. Professor Cesar Alberto Ranquetat Júnior

Resumo das aulas de Filosofia 2ª série do Ensino Médio/ 1 trimestre / 2 avaliação

Programa de Formação Sindical

Material de divulgação da Editora Moderna

Filosofia e Política

AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM PLANO DE ENSINO

O SOCIALISMO DEPOIS DE MARX

A abrangência da antropologia Mércio Gomes

7º ENFOPE - Encontro Internacional de Formação de Professores. 8º FOPIE - Fórum Permanente de Inovação Educacional.

Metas/Objetivos/Domínios Conteúdos/Competências/Conceitos Número de Aulas

SARTRE: FENOMENOLOGIA E EXISTENCIALISMO LIBERDADE E RESPONSABILDIADE

CONSTRUÇÕES DISCURSIVAS DOS CONCEITOS DE CRIANÇA E ADOLESCENTE EM MATERIALIDADES LEGISLATIVAS. José Ricardo de Souza Rebouças Bulhões 1 INTRODUÇÃO

SOCIOLOGIA PRINCIPAIS CORRENTES.

BEM VIVER. Eduardo Gudynas 260 DECRESCIMENTO: VOCABULÁRIO PARA UM NOVO MUNDO

Filosofia Moderna: a nova ciência e o racionalismo.

CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA. Profº Ney Jansen Sociologia

FILOSOFIA DO SÉCULO XIX

Professor Roberson Calegaro

Da Modernidade à Modernização. Prof. Benedito Silva Neto Teorias e experiências comparadas de desenvolvimento PPGDPP/UFFS

Resumo Aula-tema 08: Nova Sociologia da Educação: uma Visão sobre Michel Foucault

A NECESSIDADE DO ESTUDO DO MARXISMO E DA COMPREENSÃO DA SOCIEDADE

GRAMSCI: uma educação da práxis

CIDADANIA E POLÍTICA CIDADANIA

Transcrição:

Século XX O termo pós-moderno se aplica aos filósofos e outros intelectuais que têm em comum a crítica ao projeto da modernidade, ou seja, a emancipação humano-social através do desenvolvimento da razão. Esses pensadores partem da constatação das catástrofes produzidas pela humanidade e do colapso do seu modelo civilizatório: guerras, miséria, desigualdades extremas, degradação ambiental, corrupção políticas, fanatismo religioso, retorno à barbárie, etc. Seguindo a trilha de Adorno, esses filósofos percebem a absorção dos indivíduos pelo sistema capitalista como um fenômeno totalitário que se dá pela narcotização das consciências pela indústria cultural.

Século XX Para os pensadores pós-modernos, o processo de alienação atinge todos os setores da vida social: no trabalho, no lazer e no consumo, na educação, na política, etc. Essas tendências, segundo eles, se acentuaram com o fracasso das experiências socialistas realizadas em diversos países e com a sua degeneração em regimes políticos autoritários.

Século XX A falência do socialismo, como modelo alternativo ao capitalismo, teria levado o mundo a se conformar ou se resignar com a ordem vigente, sem qualquer perspectiva de transformação. Além da desilusão, historicamente constatada, de que o avanço científico-tecnológico possa contribuir para a emancipação humana, a filosofia pós-moderna é marcada pela debilitação da esperança e pelo fim das utopias. Diante das frustrações históricas e do sentimento de impotência, os pensadores cocluíram que perdemos o controle da economia global e não é possível a transformação conjunta da vida social.

Século XX Na filosofia pós-moderna, os grandes projetos emancipatórios, como o do socialismo marxista, perderam o sentido e não podem mais orientar iniciativas coletivas. Sem a perspectiva de transformação social radical, os filósofos pósmodernos passaram a analisar os diversos aspectos da vida social de forma fragmentária, sem se estruturar numa visão de conjunto. Os intelectuais pós-modernos abandonaram a pretensão filosófica, tão típica do pensamento da modernidade, de tentar compreender o mundo como uma totalidade, um sistema ordenado e dotado de sentido e coerência.

Século XX Os filósofos pós-modernos desenvolveram uma visão fragmentada da vida social e dos indivíduos. Preocupam-se em captar os aspectos singulares e as particularidades da realidade social. A filosofia pós-moderna dirige suas investigações e reflexões para a diversidade do real. Valorizam as pluralidades culturais e o também a alteridade, a consideração pela diferença do outro. A produção teórica desses filósofos se concentrou, especialmente, nos aspectos da vida social em que se verifica maior racionalização rumo ao controle dos indivíduos, denunciando formas de opressão que os acompanham na sua vida cotidiana.

MICHEL FOUCAULT (1926-84) Segundo Michel Foucault, filósofo francês, as sociedades modernas apresentam uma nova organização do poder, que se desenvolveu a partir do século XVIII. Nessa nova estruturação, o poder não se concentra apenas no setor político, isto é, no Estado e nas suas formas de repressão, pois está disseminado nos vários âmbitos da vida social. Para Foucault, o poder se fragmentou em muitos micropoderes e se tornou muito mais eficar na sua capacidade de controle sobre a sociedade.

MICHEL FOUCAULT (1926-84) Foucault analisou os micropoderes que se espalham pelas mais diversas instituições da vida social, que são exercidos por uma imensa rede de pessoas que interiorizam e cumprem as normas estabelecidas pela disciplina social. Nessa perspectiva de análise, desenvolvida na sua obra intitulada Microfísica do poder, Foucault afirma que o poder está em toda parte, não porque englobe tudo, mas porque emana de tudo.

MICHEL FOUCAULT (1926-84) O objetivo da filosofia de Foucault foi colocar à mostra as estruturas veladas ou ocultas de poder. Assim, o filósofo francês se inspirou na obra de Nietzsche e desenvolveu uma genealogia do poder. Foucault afirma que valores (bem e mal, verdadeiro ou falso, certo ou errado, sadio ou doente, etc.) são consagrados historicamente em função de interesses relativos ao poder dentro da sociedade, isto é, dependem das instâncias nas quais o poder se encontra. Nesse sentido, na concepção de Foucault esse poder não teria mais um caráter criativo, pois produz a realidade e seus conceitos, do que um poder repressivo ou de censura.

MICHEL FOUCAULT (1926-84) Em seu livro Vigiar e punir, Foucault aborda a questão do poder a partir do estudo da evolução dos mecanismos de controle social e punição que se tornaram, segundo ele, cada vez menos visíveis e mais racionalizados. Foucault define a sociedade contemporânea como uma sociedade disciplinar, na qual prevalece a produção de práticas disciplinares voltadas para a vigilância e controle constantes dos indivíduos. Por outro lado, se o poder se encontra em múltiplos espaços, resisrtir a esse estado das coisas não caberia a um partido político ou classe revolucionária. Exigiria a ação de múltiplos focos de resistência.

Baudrillard é um pensador que dedica seus estudos e investigações à compreensão da indústria cultural, do consumismo e do processo de massificação que caracterizam a sociedade de massa. JEAN BAUDRILLARD (1929- ) No processo de massificação e uniformização da sociedade, segundo ele, ocorre a neutralização das perspectivas de transformação social e os indivíduos são absorvidos pela banalização da vida cotidiana.

JEAN BAUDRILLARD (1929- ) Baudrillard afirma que a sociedade contemporânea não pode mais ser compreendida a partir de sua estruturação em classes sociais, pois essas perderam a sua identificação como tal. Para esse filósofo, a sociedade atual é a sociedade do espetáculo. Nessa sociedade, as novas tecnologias e os meios de comunicação de massa ganham cada vez mais espaço e importância. Na sociedade pós-moderna a mídia desenvolveu a capacidade de criar uma realidade virtual que substituiria, gradativamente, a própria realidade vivida pelos indivíduos.

JACQUES DERRIDA (1930-2004) Derrida é um filósofo que também critica a forma como se desenvolveu a razão na civilização do Ocidente, a partir do próprio conceito de razão. Ele afirma que toda a filosofia ocidental é marcada pelo que ele chamou de logocentrismo. Isso significa que, desde o início, a filosofia se baseou na ideia de um centro, de algo que unifica e estrutura sua construção teórica. Deus, homem, verdade são exemplos de noções que organizam o entendimento do mundo.

JACQUES DERRIDA (1930-2004) Segundo Derrida, a cada um destes centros, em torno dos quais se construiu a civilização ocidental, corresponde o seu oposto, a sua antítese: Deus-diabo, homem-mulher, verdade-mentira, etc. Essa lógica das oposições, segundo ele, teve origem na Grécia, na oposição entre logos (razão) e mito, sendo preservada em toda a trajetória da filosofia ocidental. Derrida propôs desconstruir o conceito de logus, ou seja, negar sua supremacia em relação ao seu par lógico, sem o qual o logus não teria sentido. Sua filosofia é o desconstrutivismo.

JACQUES DERRIDA (1930-2004) Derrida afirma que o pensamento filosófico ocidental atribuiu um valor absoluto a um dos elementos que compõem essa dualidade central, criando verdades absolutas. O filósofo nega essas verdades, afirmando que elas são, de fato, construções culturais. A desconstrução desses centros da filosofia ocidental, em especial as noções de razão e de sujeito, porque elas acabaram se tornando ou sendo utilizadas como formas de dominação. A desconstrução seria uma filosofia voltada principalmente para a análise da linguagem que, para Derrida, seria a estrutura essencial da cultura.