AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.576.490 - SP (2015/0258395-6) RELATOR AGRAVANTE : MINISTRO HERMAN BENJAMIN : MUNICÍPIO DE SÃO PAULO : DÉBORA GRUBBA LOPES E OUTRO(S) : VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENERATION LTDA : MARCIA DE LOURENCO ALVES DE LIMA E OUTRO(S) : MUNICÍPIO DE GOVERNADOR MANGABEIRA : GRACIELE OLIVERIA COUTINHO E OUTRO(S) : MUNICÍPIO DE CACHOEIRA : MARIA ABYGAIL DO AMARAL AGUIAR CUNHA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. ISS. SERVIÇO DE SUPERVISÃO DE MONTAGENS DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS PRESTADOS NA VIGÊNCIA DA LC 116/2003. SUJEITO ATIVO. 1. O STJ definiu o sujeito ativo do ISS incidente sobre serviço prestado na vigência da LC 116/2003 nos seguintes termos: a) "como regra geral, o imposto é devido no local do estabelecimento prestador, compreendendo-se como tal o local onde a empresa que é o contribuinte desenvolve a atividade de prestar serviços, de modo permanente ou temporário, sendo irrelevantes para caracterizá-lo as denominações de sede, filial, agência, posto de atendimento, sucursal, escritório de representação, contato ou quaisquer outras que venham a ser utilizadas; b) na falta de estabelecimento do prestador, no local do domicílio do prestador. Assim, o imposto somente será devido no domicílio do prestador se no local onde o serviço for prestado não houver estabelecimento do prestador (sede, filial, agência, posto de atendimento, sucursal, escritório de representação); c) nas hipóteses previstas nos incisos I a XXII, acima transcritos, mesmo que não haja local do estabelecimento prestador, ou local do domicílio do prestador, o imposto será devido nos locais indicados nas regras de exceção". 2. Tal orientação foi adotada no julgamento do RESP 1.117.121/SP, no regime do art. 543-C do CPC/1973. 3. No caso dos autos, o Tribunal de origem não decidiu a causa, partindo da premissa de que a definição da existência de unidade econômica no local da prestação dos serviços é imprescindível para o deslinde da questão. 4. Dessa forma, tendo em vista a vedação do reexame de fatos e provas em Recurso Especial, conforme entendimento da Súmula 7/STJ, a causa deve ser julgada pelo Tribunal de origem tendo como balizamento a tese jurídica definida pelo STJ. 5. Agravo Regimental não provido. ACÓRDÃO Documento: 1511257 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 24/05/2016 Página 1 de 6
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília, 10 de maio de 2016(data do julgamento). MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator Documento: 1511257 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 24/05/2016 Página 2 de 6
AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.576.490 - SP (2015/0258395-6) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN AGRAVANTE : MUNICÍPIO DE SÃO PAULO : DÉBORA GRUBBA LOPES E OUTRO(S) : VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENERATION LTDA : MARCIA DE LOURENCO ALVES DE LIMA E OUTRO(S) : MUNICÍPIO DE GOVERNADOR MANGABEIRA : GRACIELE OLIVERIA COUTINHO E OUTRO(S) : MUNICÍPIO DE CACHOEIRA : MARIA ABYGAIL DO AMARAL AGUIAR CUNHA E OUTRO(S) RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Trata-se de Agravo Regimental contra decisão que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pelo município de São Paulo (fls. 753-759, e-stj). O insurgente, em breve síntese, alega (fl. 766, e-stj): No caso presente, em que os serviços prestados pela Autora, ora recorrida não se enquadram em nenhuma das exceções previstas nos incisos do artigo 3º da Lei Complementar 116/03, deve o conflito ser resolvido de acordo com a regra do caput, qual seja, o local do estabelecimento prestador. Não poderia o N. Relator, inovando no ordenamento jurídico ter criado mais uma exceção ao texto legal para incluir uma hipótese em que o imposto não deveria ser recolhido no local do estabelecimento prestador, sob a escusa de estar "relativizando" o preceito legal. De fato, a lei foi clara em explicitar os serviços cujo imposto deveria ser vinculado ao local da prestação, não possibilitando ao aplicador escolher outros e incluir na exceção legal. Pugna pela reconsideração da decisão agravada ou pelo provimento, pelo colegiado, do Agravo Regimental. É o relatório. Documento: 1511257 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 24/05/2016 Página 3 de 6
AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.576.490 - SP (2015/0258395-6) VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 30.3.2016. Conforme consta da decisão monocrática, este Tribunal Superior julgou o RESP 1.117.121/SP no rito do art. 543-C do CPC, quando definiu a sujeição ativa do ISS, conforme disciplina da Lei Complementar 116/2003, nos seguintes termos, consoante excerto do voto condutor, de relatoria da e. Ministra Eliana Calmon: 1ª) como regra geral, o imposto é devido no local do estabelecimento prestador, compreendendo-se como tal o local onde a empresa que é o contribuinte desenvolve a atividade de prestar serviços, de modo permanente ou temporário, sendo irrelevantes para caracterizá-lo as denominações de sede, filial, agência, posto de atendimento, sucursal, escritório de representação, contato ou quaisquer outras que venham a ser utilizadas; 2ª) na falta de estabelecimento do prestador, no local do domicílio do prestador. Assim, o imposto somente será devido no domicílio do prestador se no local onde o serviço for prestado não houver estabelecimento do prestador (sede, filial, agência, posto de atendimento, sucursal, escritório de representação); 3ª) nas hipóteses previstas nos incisos I a XXII, acima transcritos, mesmo que não haja local do estabelecimento prestador, ou local do domicílio do prestador, o imposto será devido nos locais indicados nas regras de exceção. No caso dos autos, verifico que o Tribunal local, ao dirimir a controvérsia, não se posicionou em conformidade com a tese jurídica acima apontada, especialmente porque não levou em consideração que a existência de unidade econômica no local da prestação dos serviços é imprescindível para o deslinde da questão. Logo, tendo em vista a vedação do reexame de fatos e provas em Recurso Especial, conforme entendimento da Súmula 7/STJ, determino o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que este decida a causa tendo como balizamento a tese jurídica apontada acima. Documento: 1511257 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 24/05/2016 Página 4 de 6
Com essas considerações, nego provimento ao Agravo Regimental. É como voto. Documento: 1511257 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 24/05/2016 Página 5 de 6
CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEGUNDA TURMA AgRg no Número Registro: 2015/0258395-6 PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.576.490 / SP Números Origem: 01133133220068260000 1133133220068260000 2572005 46632005 PAUTA: 10/05/2016 JULGADO: 10/05/2016 Relator Exmo. Sr. Ministro HERMAN BENJAMIN Presidente da Sessão Exma. Sra. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES Subprocuradora-Geral da República Exma. Sra. Dra. SANDRA VERÔNICA CUREAU Secretária Bela. VALÉRIA ALVIM DUSI RECORRENTE RECORRENTE RECORRIDO RECORRIDO RECORRIDO AUTUAÇÃO : MUNICÍPIO DE SÃO PAULO : DÉBORA GRUBBA LOPES E OUTRO(S) : VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENERATION LTDA : MARCIA DE LOURENCO ALVES DE LIMA E OUTRO(S) : OS MESMOS : MUNICÍPIO DE GOVERNADOR MANGABEIRA : GRACIELE OLIVERIA COUTINHO E OUTRO(S) : MUNICÍPIO DE CACHOEIRA : MARIA ABYGAIL DO AMARAL AGUIAR CUNHA E OUTRO(S) ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO - Impostos - ISS / Imposto sobre Serviços AGRAVANTE AGRAVO REGIMENTAL : MUNICÍPIO DE SÃO PAULO : DÉBORA GRUBBA LOPES E OUTRO(S) : VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENERATION LTDA : MARCIA DE LOURENCO ALVES DE LIMA E OUTRO(S) : MUNICÍPIO DE GOVERNADOR MANGABEIRA : GRACIELE OLIVERIA COUTINHO E OUTRO(S) : MUNICÍPIO DE CACHOEIRA : MARIA ABYGAIL DO AMARAL AGUIAR CUNHA E OUTRO(S) CERTIDÃO Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Documento: 1511257 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 24/05/2016 Página 6 de 6