Ministério de Minas e Energia - MME Serviço Geológico do Brasil - SGB/CPRM Superintendência Regional de Manaus - SUREG/MA Apresentação Previsão e Alerta de Cheias em Manaus 1
SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL CPRM/SGB DIRETORIA DE HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL - DHT DEPARTAMENTO DE HIDROLOGIA - DEHID SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE MANAUS SUREG/MA Marco Antônio de Oliveira Superintendente Regional Andre Luis Martinelli Real dos Santos Gerente de Hidrologia e Gestão Territorial Hertz Rebelo de Sousa Supervisor de Hidrologia de Superfície José Luiz Marmos Supervisor de Gestão Territorial Luis Emanoel Alexandre Goulart Gerente de Recursos Minerais Antônio Charles da Silva Oliveira Supervisor de Mapeamento Geológico Antônia Railine da Costa Silva Supervisor de Avaliação de Recursos Minerais Raimundo de Jesus Gato D Antona Gerente de Relações Institucionais e Desenvolvimento Aldenir Justino de Oliveira Supervisor de Editoração Técnica Renê Luzardo Supervisor de Laboratório e Documentação Francisco de Assis Galdino da Silva Gerente de Administração e Finanças Evandro Silva Caldeira Supervisor de Administração Cleverson Noé Ribeiro Supervisor de Finanças 2
Apresentação Previsão e Alerta de Cheias em Manaus Execução: Serviço Geológico do Brasil - SGB/CPRM Superintendência Regional de Manaus/SUREG-MA Gerência de Hidrologia e Gestão Territorial - GEHITE Supervisão de Hidrologia de Superfície Elaboração: Marco Antônio de Oliveira - Pesquisador em Geociências Andre Luis Martinelli Real dos Santos - Pesquisador em Geociências Hugo Galúcio Pereira - Pesquisador em Geociências Luana Lisboa Pesquisadora em Geociências Colaboração: Hertz Rebelo de Souza - Pesquisador em Geociências Alice Maria Costa do Nascimento Amorim - Técnica em Geociências João Bosco Alfenas - Técnico em Geociências Vanessa Cunha Técnica em Geociências 3
Apresentação Enchente é um fenômeno natural que ocorre nos cursos de água em regiões urbanas e rurais. Ela consiste na elevação dos níveis de um curso d água, seja este de pequena (córrego, riacho, arroio, ribeirão) ou de grande (rio) dimensão, podendo causar inundações, ou seja, o transbordamento de água do canal principal. Não existe rio sem ocorrência de enchente. Todos têm sua área natural de inundação e esse fenômeno não é, necessariamente, sinônimo de catástrofe. No entanto, quando o homem ultrapassa os limites das condições naturais do meio em que vive, e a área inundável não apresenta uma ocupação adequada, como construção de residências nas áreas ribeirinhas, então as inundações passam a ser um problema social, econômico e/ou ambiental, e torna-se um evento catastrófico (MMA, 2007). Outros fatores naturais que interferem na ocorrência das inundações estão relacionados com a formação dos escoamentos e sua propagação ao longo da bacia de contribuição, a citar a topografia e a rede de drenagem. As altas declividades das vertentes e dos cursos de água reduzem o tempo de resposta da bacia às precipitações, gerando vazões máximas à jusante. As velocidades dos escoamentos são igualmente proporcionais às declividades. Quanto maior a declividade maior a velocidade e, portanto, maior a capacidade destrutiva dos escoamentos (MMA, 2007). É importante enfatizar que as intervenções humanas realizadas ao longo da bacia hidrográfica são os grandes causadores de danos ou que podem agravar ou reduzir a magnitude das enchentes. As principais intervenções estão ligadas a urbanização e aos obstáculos que se criam ao escoamento da água. A urbanização impermeabiliza os solos provocando aumento dos volumes de águas escoados superficialmente, das velocidades dos escoamentos e a redução do tempo de resposta da bacia. Uma bacia urbanizada pode apresentar um tempo de resposta de 5 a 20 vezes menor do que uma bacia natural. Esta redução do tempo de resposta torna a bacia mais sensível às precipitações mais curtas, as quais são mais intensas. A expansão dos espaços urbanos, com a implantação de zonas industriais e de novos loteamentos tende a agravar a situação (MMA, 2007). Assim o sistema de previsão e alerta de cheias consiste em alertar e informar a população em caso de elevação dos níveis da água no Rio Negro podendo apresentar 4
algum perigo de provocar inundações. Ele se baseia no monitoramento hidrometeorológico e no conhecimento da dinâmica dos processos hidrológicos permitindo acompanhar e prever a evolução das ondas de cheias nas áreas sujeita a inundação. Assim o sistema de previsão e alerta permite evitar o fator surpresa, reduzindo prejuízos devidos ao alagamento das vias, aprisionamento de veículos, inundações de bens materiais e equipamentos nas edificações residenciais, comerciais e industriais. O alerta facilita as ações preventivas de isolamento e retirada de pessoas e de bens, das áreas sujeitas a inundação, para os níveis de água futuros previstos pela previsão hidrológica (MMA, 2007). O Serviço Geológico do Brasil realiza o Alerta de Cheias em Manaus desde 1989, com o monitoramento do processo anual de níveis d água dos Rios do sistema Solimões, Negro e Amazonas. As cheias fluviais na Amazônia, com ressalvas para o fato de que possam apresentar maior ou menor amplitude, é um fenômeno natural que faz parte da dinâmica natural dos rios da Amazônia. No caso específico das cheias que ocorrem na orla de Manaus e seus entornos, elas são devidas, em sua maior parte às contribuições do Rio Solimões e dos seus afluentes da margem direita e, em menor grau, aos tributários da margem esquerda, inclusive o próprio Rio Negro. São cheias que apresentam um longo tempo de percurso, devido ao gigantesco tamanho da bacia hidrográfica e à pequena declividade observada nos leitos dos seus principais corpos d águas. Isto facilita a sua previsibilidade com vários dias de antecedência. As próprias cheias de magnitudes consideradas potencialmente danosas, cujas frequências situam-se em torno de onze anos, podem ser creditadas, também, à vastidão da bacia hidrográfica e à sua pequena declividade. 5
Justificativa O sistema de alerta de Cheias em Manaus é uma medida não estrutural adotada com o intuito de minimizar os prejuízos causados por cheias e vazantes nas bacias hidrográficas. A operação do sistema de alerta de cheias em Manaus tem-se desenvolvido de forma positiva, contando com cooperações Institucionais da Defesa Civil, Governo do Estado, Prefeitura e os diversos veículos de imprensa. Com a crescente demanda por dados confiáveis, precisos e disponíveis em tempo compatível, o Sistema de Alerta de Cheias tem alcançado e gerado bons resultados no caso das previsões de enchentes em Manaus. Consciente da importância deste projeto, o Serviço Geológico do Brasil SGB/CPRM está buscando desenvolver estudos no sentido de ampliar cada vez mais a área de atuação de suas previsões hidrológicas. 6
Localização e Acesso da Região Metropolitana de Manaus-AM A Região Metropolitana de Manaus, situa-se no Estado do Amazonas e é composta pela união de oito municípios: Manaus, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Novo Airão, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva. O município de Manaus comporta um dos maiores parques industriais da América Latina e, representa 60% da população do estado do Amazonas, contendo cerca de 14,89% da população de toda a Região Norte do Brasil. Figura 01: Mapa de localização e Acesso da Região Metropolitana de Manaus-AM. 7
Mapa de Localização das Estações de Monitoramento Hidrológico Previsão e Alerta de Cheias em Manaus Figura 02: Mapa de localização das Estações de Monitoramento Hidrológico. 8
Mapa das Estações de Monitoramento Hidrológico e as respectivas Situações dos Níveis Figura 03: Mapa de localização das Estações de Monitoramento Hidrológico contendo uma específica situação dos Níveis. 9
MATERIAIS E MÉTODOS DE PESQUISA Previsão de Alerta de Cheias em Manaus Para o Sistema de Previsão do Alerta de Cheias em Manaus, torna-se imprescindível a realização de atividades de campo e modelagem de informações em escritório e em laboratórios de geoprocessamento. Com intuito de realizar o levantamento de informações sobre eventos hidrológicos críticos, na área objeto do presente estudo, realiza-se a composição e alimentação do Banco de Dados de Cheias, contendo: Datas e períodos de ocorrência de cheias, tipos e classificações; Áreas e bairros frequentemente atingidos; Dados coletados em estações hidrológicas existentes na bacia e de levantamentos das medidas realizadas durante os eventos de cheias; Registros fotográficos e vídeo-gráficos; Informações sobre perdas materiais e; Correlações sobre os fenômenos meteorológicos associados ao evento extremos do Sistema Rio Negro e Solimões. A série histórica de observações das cheias em Manaus iniciou-se em setembro de 1902, tendo como base a observação de um cotagrama típico da estação fluviométrica do Porto de Manaus (Roadway), estabelecendo-se assim uma correlação entre as cotas de um determinado dia com a cota do pico da cheia. Esta tem sido uma das ferramentas principais que nos permite prever a magnitude das cheias, com um alto nível de acerto e antecedências sucessivas de 75, 45 e 15 dias do evento (Figuras 04, 05 e 06). Foto 04: Cotagrama da Estação Hidroviária do Amazonas, localizada no Porto de Manaus. 10
Foto 05: Cotagrama da Estação Hidroviária do Amazonas durante o Período de Seca do Rio Negro. Foto 06: Cotagrama da Estação Hidroviária do Amazonas durante o Período de Cheia do Rio Negro. As projeções estatísticas são continuamente validadas pelo acompanhamento da evolução dos níveis d água nas estações fluviométricas, instaladas em pontos estratégicos das bacias, fato que nos permite realizar consultas, via telefone, através dos observadores. Elegeu-se como data referência para a formulação de previsões, os dias 31 de março, 30 de abril e 31 de maio de cada ano. A previsão emitida em 31 de março é estabelecida a partir de uma equação de mínimos quadrados, gerados pelos pares de cotas referentes aos dias 31 de março da série histórica considerada e o pico real da 11
cheia correspondente àquele ano. Semelhantemente são geradas as equações para os dias 30 de abril e 31 de maio. De fato, pode-se realizar a modelagem dos dados em qualquer dia, principalmente no período dos meses de março a maio, para a realização das previsões, sendo necessário somente definir as equações correspondentes. De acordo com os demais modelos de previsões de cheias, esses possuem maiores probabilidades de acerto, quanto mais próximo se estiver do dia do evento previsto. Aquisição e Consistência dos Dados Pluviométricos e Fluviométricos Periodicamente, realiza-se a aquisição, análise e consistência dos dados pluviométricos e fluviométricos seguindo os métodos estabelecidos pelo Serviço Geológico do Brasil SGB/CPRM e descritos em Tucci (2005). Nosso objetivo principal é montar as séries históricas consistidas de precipitação, cotas, vazões e dos perfis das seções transversais dos rios que possuem correlação direta ao do Sistema do Rio Negro e Solimões. Nesta etapa, a avaliação da rede hidrometereológica é constante, o objetivo é permitir a realização das previsões de cotas com antecedência e precisão que subsidie as ações das autoridades, a Figura 7 apresenta o histórico de cheias e vazantes para a estação de Manaus. Foto 07: Cotagrama com as cheias e vazantes observadas em Manaus no período 1902-2014. 12
Sistema de Alerta de Cheias em Manaus A frequência de divulgação dos boletins de monitoramento é semanal e os alertas de cheias com a previsão da cota máxima em Manaus são realizados nos dias 31 de março, 30 de abril e 31 de maio de cada ano ou definida de acordo com a magnitude dos eventos previstos, sendo realizado por meio de uma coletiva de imprensa na sede da Superintendência Regional de Manaus. Mapeamento das Áreas de Risco e de Áreas Inundáveis Após a realização dos estudos e emissão do Alerta de Cheias, são realizados mapeamentos que permitam definir as áreas inundáveis da cidade, bem como as zonas susceptíveis a possíveis desmoronamentos associados as cotas máximas atingidas, gerando mapas de áreas de risco e de cotas máximas atingidas pelo Rio. Avaliação Periódica do Funcionamento do Sistema de Alerta de Cheias Ao final de cada operação de todo o Sistema de Alerta de Cheias em Manaus, são realizadas reuniões técnicas e Institucionais, com o intuito de se avaliar o funcionamento do Sistema, bem como propor melhorias e realizar o planejamento das ações futuras do próximo ciclo hidrológico. São avaliadas também, questões logísticas e administrativas para verificação do funcionamento adequado de todos os componentes e materiais envolvidos na aquisição dos dados do Sistema de Alerta de Cheias, implementando-se as propostas de melhorias já previamente estabelecidas. 13