Segurança Contra Incêndio



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Transcrição:

Segurança Contra Incêndio A norma visa, em primeiro lugar, a integridade física das pessoas, e depois a própria segurança patrimonial. A segurança contra incêndio baseia-se em: Fundamentos de projetos, implantação adequada para que o incêndio não se propague para outras edificações, compartimentação, rotas de fuga, acesso para os bombeiros, etc.; Propriedades dos materiais e dos elementos da construção, ignitibilidade, resistência ao fogo, etc.; Dispositivos de detecção e combate ao fogo, principalmente na sua fase inicial. Os critérios de desempenho da NBR 15575 contemplam: RECURSOS PARA DIFICULTAR O PRINCÍPIO DE INCÊNDIO E SUA PROPAGAÇÃO O princípio de incêndio nas habitações e propagação de incêndio para unidades contíguas deve ser evitado ou dificultado ao máximo, devendo-se verificar: A. Proteção contra descargas elétricas (NBR 1519); B. Risco de ignição (combustão) dos materiais em função de curto-circuitos e sobrecargas das instalações elétricas (NBR 5410); C. Projeto e execução de instalações de gás (NBR 13523 e NBR 15526); D. Condição de isolamento (distância) entre edifícios - possibilitar que o edifício seja considerado uma unidade independente; E. Uso de portas e selos corta-fogo; F. Estanqueidade e isolamento entre os sistemas e compartimentos do edifício (NBR 14432). Comentário Sobre a propagação de chamas para outras unidades (conflagração), deve-se considerar duas situações: conflagração na horizontal (conjunto de casas ou sobrados situação recorrente de incêndios em favelas e cortiços), e; conflagração na vertical (incêndio propagado de um pavimento para outros pavimentos, em geral os superiores). Internamente às edificações multipiso, os shafts, caixas de escada e poços de elevadores constituem caminhos preferenciais para a propagação do fogo e da fumaça. Por isso, merecem cuidados muito especiais: enclausuramento, paredes e portas corta-fogo, registros e selos corta-fogo. No Brasil, ainda é pouco reconhecida a importância de projeto específico de proteção contra incêndio de edificações, sendo que muitas legislações praticamente dispensam exigências para edificações com área construída 750m2 e altura 12 metros. 1 P á g i n a

TEMPO REQUERIDO DE RESISTÊNCIA AO FOGO - TRRF Em situação de incêndio, há necessidade de se minimizar o risco de colapso estrutural da edificação. Os materiais empregados na estrutura e nas compartimentações devem estar em acordo com o TRRF Tempo Requerido de Resistência ao Fogo, conforme a norma NBR 14432. Devem também ser atendidas normas específicas para o tipo de estrutura em questão, como a NBR15200 e a NBR 14323. Para outros tipos de estrutura, a NBR 15575 estabelece que deve ser obedecido o Eurocode correspondente, em sua última edição. São considerados os critérios abaixo para classificação da resistência ao fogo de componentes e elementos da construção (pilares, paredes, portas, portas corta-fogo, lajes de piso, etc.): A. Estanqueidade: permite avaliar se as chamas e os gases quentes desenvolvidos no interior do ambiente em combustão são liberados por fissuras ou aberturas no elemento construtivo, podendo expor as pessoas e os objetos que se encontram na face não exposta ao fogo aos efeitos do incêndio; B. Isolamento térmico: permite avaliar se o calor transmitido por radiação e condução através da superfície do elemento construtivo pode ameaçar a segurança das pessoas e dos objetos que se encontram na face não exposta ao fogo. Considera-se que o isolamento térmico deixa de ser atendido quando a temperatura da face não exposta ao fogo atinge 140 C + T ambiente na média, ou 180 C + T ambiente em qualquer ponto de medida; C. Estabilidade: permite avaliar se o elemento ou sistema construtivo não perde seu caráter funcional, ou seja, se não apresenta ruína durante o tempo de ensaio. Vale ressaltar que, no caso de componentes com função estrutural, o ensaio é realizado com atuação da carga vertical de serviço a que o elemento estará submetido na obra real. Em função desses critérios os elementos construtivos são classificados em: Estável ao fogo: atende ao critério de estabilidade citado Pára-chamas: atende ao critério de estabilidade e isolamento térmico citado Corta-fogo: atende aos três critérios anteriores. Os ensaios de reação e de resistência ao fogo são indispensáveis no caso da necessidade de caracterização de estruturas mistas, novos materiais e elementos submetidos à ação do fogo, podendo os dados obtidos alimentar softwares de cálculo estrutural, de estimativa da intensidade do fogo baseada na carga de incêndio, de desenvolvimento e fluxo de fumaça no interior dos edifícios e até para simular o crescimento de um incêndio no interior de uma edificação e estimar o tempo requerido para abandono pelos seus ocupantes. Sob o ponto de vista estrutural, uma grande vantagem dos modelos computacionais é a possibilidade que eles apresentam de estimar as deformações que podem surgir na estrutura, considerando grandes trechos nas análises e não se limitando, geometricamente, às dimensões do forno de ensaio. RESISTÊNCIA AO FOGO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS E DE COMPARTIMENTAÇÃO As paredes estruturais e as paredes de geminação (paredes entre unidades) devem apresentar resistência ao fogo por um período mínimo de 30 minutos, assegurando condições de estabilidade, estanqueidade e isolação térmica, no caso de edificações habitacionais de até cinco pavimentos. Para 2 P á g i n a

os demais casos, o tempo requerido de resistência ao fogo deve ser considerado conforme a NBR 14432. RESISTÊNCIA AO FOGO DE SISTEMAS DE COBERTURA A resistência ao fogo da estrutura do sistema de cobertura deve atender aos requisitos da NBR 14432, considerando um valor mínimo de 30 minutos. RESISTÊNCIA AO FOGO DE ENTREPISOS Em situação de incêndio, os entrepisos e os elementos estruturais associados devem apresentar adequada resistência ao fogo, visando controlar os riscos de propagação do incêndio / fumaça e de comprometimento da estabilidade estrutural da edificação como um todo ou de parte dela. Os entrepisos e suas estruturas devem atender aos critérios de resistência ao fogo conforme de!nido a seguir, destacando-se que os tempos requeridos referem-se à categoria corta-fogo: onde são considerados os critérios de isolamento térmico, estanqueidade e estabilidade: A. Unidades habitacionais assobradadas, isoladas ou geminadas: 30 minutos; B. Edificações multifamiliares até 12 m de altura: 30 minutos; C. Edificações multifamiliares com altura acima de 12 m e até 23 m: 60 minutos; D. Edificações multifamiliares com altura acima de 23 m e até 30 m: 90 minutos; E. Edificações multifamiliares com altura acima de 30 m e até 120 m: 120 minutos; F. Edificações multifamiliares com altura acima de 120 m: 180 minutos; G. Subsolos: no mínimo igual ao dos pisos elevados da edificação e não menos que 60 minutos para alturas descendentes até 10 m e não menos que 90 minutos para alturas descendentes superiores a 10 m. ROTAS DE FUGA As rotas de saída de emergência dos edifícios devem atender ao disposto na NBR 9077. PROPAGAÇÃO DA FUMAÇA A inflamação generalizada é preponderantemente determinada pela natureza dos materiais presentes nas superfícies dos elementos construtivos. Estes podem sustentar a combustão e propagar o fogo. Os materiais de revestimento, acabamento e isolamento termoacústico empregados na face interna dos sistemas ou elementos que compõem a edificação devem ter as características de reação ao fogo controladas, incluindo-se a incombustibilidade, propagação superficial de chamas e geração de fumaça. A combustibilidade é avaliada introduzindo-se amostra do material em forno apropriado, registrandose: ΔT Variação da temperatura / aumento da temperatura no interior do forno pela queima do material; Δm Variação da massa perda de massa por calcinação do corpo de prova e tf Tempo de "amejamento do corpo de prova. 3 P á g i n a

ESCADAS, ELEVADORES E MONTA-CARGAS Escadas, elevadores e monta-cargas devem ser considerados, para efeito de avaliação de desempenho de segurança ao fogo, como interrupções na continuidade dos pisos, por meio dos quais o fogo e a fumaça podem se propagar. Por essa razão devem ser objeto de avaliação de desempenho de forma a verificar se o sistema de piso como um todo apresenta resistência ao fogo compatível com o estabelecido no critério quanto a resistência ao fogo entrepisos. As escadas devem ser enclausuras por meio de paredes e portas corta-fogo. A resistência ao fogo das paredes corta-fogo deve ser de: No mínimo 120 minutos, quando a altura da edificação não superar 120 m; No mínimo 180 minutos para edifícios mais altos. As portas corta-fogo, quando o hall de acesso à escada for isento de carga de incêndio, devem apresentar resistência ao fogo de: No mínimo 60 minutos, para escadas com antecâmara (duas portas empregadas); No mínimo 90 minutos, para escadas sem antecâmara (uma porta empregada). As portas corta-fogo devem apresentar resistência de, no mínimo, 120 minutos quando houver carga de incêndio no hall de acesso à escada. As paredes que conformam os poços de elevadores e monta-cargas devem apresentar resistência ao fogo, na categoria corta-fogo, idêntica aos sistemas de pisos (item 5.5.3). As portas de andar de elevadores e monta-cargas, caso localizadas em hall isento de carga de incêndio, devem apresentar resistência ao fogo de: No mínimo 30 minutos na categoria pára-chamas, para hall de acesso isento de carga de incêndio; No mínimo a categoria prevista para o piso, na categoria corta-fogo, caso localizadas em halls não isentos de carga de incêndio. Deve ser procedida análise de projeto e avaliações de resistência ao fogo de acordo com as normas NBR 10636 e NBR 6479, respectivamente, para elementos fixos e móveis. EQUIPAMENTOS DE EXTINÇÃO O edifício habitacional deve dispor de sinalização, iluminação de emergência e equipamentos de extinção de incêndio conforme as NBR 17240, NBR 10898, NBR 12693, NBR 13434 (Partes 1 e 2) e NBR 13714, atendendo à legislação vigente. Comentário Iniciado um incêndio numa habitação, na maioria das vezes, os usuários dispõem de três a cinco minutos para extingui-lo. Depois disso, a tendência é que ocorra in"amação generalizada, com substancial aumento dos riscos à saúde e à vida. 4 P á g i n a

Toda a atenção deve ser dada à prevenção, principalmente por meio das denominadas medidas de proteção passiva contra incêndio, representadas pela incorporação à construção de materiais incombustíveis, com os menores índices possíveis de propagação de chamas, geração de fumaça, produção de gases tóxicos e outros. Os materiais de construção devem ainda apresentar resistência ao fogo e resistência mecânica. Na medida em que os edifícios crescem em altura, maior cuidado deverá ser dado às proteções passivas e ativas, enquadrando-se no segundo caso os detectores e alarmes de incêndio, sistemas de chuveiros automáticos e hidrantes, etc. Os cuidados também deverão ser redobrados em função da disponibilidade ou não de postos de bombeiros nas proximidades da obra, das condições das vias públicas, da intensidade do tráfego, das condições de implantação dos edifícios e outras. Os Manuais de Uso, Operação e Manutenção deverão conter informações básicas sobre prevenção e combate a incêndio, incluindo orientações para não efetuar gatos ou utilizar benjamins3 nas instalações elétricas, não estocar combustíveis nem manter botijões de gás combustível no interior do imóvel, como proceder rápida evacuação, não combater incêndio em eletricidade com água, etc. REFERÊNCIAS NORMATIVAS ABNT NBR 5410, Instalações elétricas de baixa tensão ABNT NBR 5419, Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas ABNT NBR 13523, Central de gás liquefeito de petróleo (GLP) ABNT NBR 14323, Dimensionamento de estruturas de aço de edifícios em situação de incêndio Procedimento ABNT NBR 14432, Exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos de edificações Procedimento ABNT NBR 15200, Projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio ABNT NBR 15526, Redes de distribuição interna para gases combustíveis em instalações residenciais e comerciais - Projeto e execução ABNT NBR 15575-1, Edificações Habitacionais - Desempenho Parte 1: Requisitos gerais ABNT NBR 15575-2, Edificações Habitacionais - Desempenho Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais; ABNT NBR 15575-3, Edificações Habitacionais - Desempenho Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos; ABNT NBR 15575-4, Edificações Habitacionais - Desempenho Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas ABNT NBR 15575-5, Edificações Habitacionais - Desempenho Parte 5: Requisitos para os sistemas de coberturas ABNT NBR 15575-6, Edificações Habitacionais - Desempenho Parte 6: Requisitos para os sistemas hidrossanitários 5 P á g i n a