EXECUÇÃO CONTRA DEVEDOR SOLVENTE II. AÇÃO DE EXECUÇÃO (TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL) Em se tratando de Ação de Execução, trata-se de processo autônomo. Não há fase de conhecimento e fase de cumprimento de sentença. Tão logo não gera um título executivo judicial, mas sim vem em decorrência de um título executivo extrajudicial. - Pagar quantia em dinheiro (Art. 646 a 724, CPC). TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL - Cumprir obrigação de fazer ou não fazer (Art. 632 a 643, CPC). - Entrega de coisa certa ou incerta (Art. 621 a 631, CPC). A. DA OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA (Art. 646 a 724, CPC) 1. Do descumprimento da obrigação O título executivo cria a obrigação entre as partes e o seu descumprimento possibilita a interposição de ação executiva para satisfazê-la. Art. 646. A execução por quantia certa tem por objeto expropriar bens do devedor, a fim de satisfazer o direito do credor (art. 591). Art. 591. O devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei. 2. Da ação de execução por quantia certa a) Da petição inicial São requisitos da petição inicial (art. 614 e 615, CPC): Art. 614. Cumpre ao credor, ao requerer a execução, pedir a citação do devedor e instruir a petição inicial: I - com o título executivo extrajudicial; II - com o demonstrativo do débito atualizado até a data da propositura da ação, quando se tratar de execução por quantia certa; III - com a prova de que se verificou a condição, ou ocorreu o termo (art. 572). Art. 615. Cumpre ainda ao credor: I - indicar a espécie de execução que prefere, quando por mais de um modo pode ser efetuada; II - requerer a intimação do credor pignoratício, hipotecário, ou anticrético, ou usufrutuário, quando a penhora recair sobre bens gravados por penhor, hipoteca, anticrese ou usufruto; III - pleitear medidas acautelatórias urgentes; IV - provar que adimpliu a contraprestação, que Ihe corresponde, ou que Ihe assegura o cumprimento, se o executado não for obrigado a satisfazer a sua prestação senão mediante a contraprestação do credor. Página1
b) Despacho inicial Varia de acordo com o juízo de admissibilidade Positivo Citação do devedor (Art. 652, caput, CPC) Art. 652. O executado será citado para, no prazo de 3 (três) dias, efetuar o pagamento da dívida. Fixação de honorários (652-A, CPC) Art. 652-A. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários de advogado a serem pagos pelo executado (art. 20, 4 ). Certidão para averbação em cartório (Art. 615-A.) Parcialmente negativo - Petição inicial incompleta ou desacompanhada dos documentos indispensáveis emenda em 10 dias (Art. 616,CPC). Negativo Extinção liminar do processo (Art. 267, CPC). c) Da citação Inicia prazo para pagar em 03 dias prazo processual (dia após dia); Impossibilidade de indicar bens (art. 652, 2, CPC): Art. 652 (ANTIGO). O devedor será citado para, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, pagar ou nomear bens à penhora. Art. 652 Omissis. 2 - O credor poderá, na inicial da execução, indicar bens a serem penhorados. Obs. Inexistindo pagamento e não indicação de bens pelo exequente, poderá o juiz, de ofício ou a requerimento do credor, determinar a intimação do devedor para indicar bens, na pessoa de seu advogado (art. 652, 3 e 4, CPC). Redução dos honorários em caso de pronto pagamento (Art. 562, ú, CPC) Art. 652-A. Omissis. Parágrafo único. No caso de integral pagamento no prazo de 3 (três) dias, a verba honorária será reduzida pela metade. Parcelamento Por força do art. 745-A do CPC, o devedor da obrigação poderá requerer o parcelamento do crédito: Art. 745-A. No prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exeqüente e comprovando o depósito de 30% (trinta por cento) do valor em execução, inclusive custas e honorários de advogado, poderá o executado requerer seja admitido a pagar o restante em até 6 (seis) parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e juros de 1% (um por cento) ao mês. 1º Sendo a proposta deferida pelo juiz, o exeqüente levantará a quantia depositada e serão suspensos os atos executivos; caso indeferida, seguir-se-ão os atos executivos, mantido o depósito. Página2
2º O não pagamento de qualquer das prestações implicará, de pleno direito, o vencimento das subseqüentes e o prosseguimento do processo, com o imediato início dos atos executivos, imposta ao executado multa de 10% (dez por cento) sobre o valor das prestações não pagas e vedada a oposição de embargos. Via Oficial de Justiça (REGRA) Hora certa ou edital (Sum STJ n 196) Sum STJ n 196 - Ao executado que, citado por edital ou por hora certa, permanecer revel, será nomeado curador especial, com legitimidade para apresentação de embargos. Vedação da carta de citação (Art. 222, d, CPC) Art. 222 - A citação será feita pelo correio, para qualquer comarca do País, exceto: d) nos processos de execução; Descumprimento - Penhora (art. 652, 2, CPC) Art. 652 Omissis. 1 - Não efetuado o pagamento, munido da segunda via do mandado, o oficial de justiça procederá de imediato à penhora de bens e a sua avaliação, lavrando-se o respectivo auto e de tais atos intimando, na mesma oportunidade, o executado. d) Da Penhora e avaliação - A penhora deve incidir sobre tantos bens quantos bastem ao pagamento do principal atualizado, juros, custas e honorários advocatícios e será efetuada onde quer que se encontrem os bens, ainda que sob a posse, detenção ou guarda de terceiros. Art. 659. A penhora deverá incidir em tantos bens quantos bastem para o pagamento do principal atualizado, juros, custas e honorários advocatícios. 1º - Efetuar-se-á a penhora onde quer que se encontrem os bens, ainda que sob a posse, detenção ou guarda de terceiros. Ordem de bens penhoráveis - A penhora sempre obedecerá a uma ordem preferencial de bens, disposta nos incisos do art. 655 do CPC. Essa regra deverá ser observada tanto pelo credor quanto pelo oficial de justiça. Substituição da penhora Inobservância da ordem legal (art. 656, I, do CPC); Penhora de bens já penhorados ou com gravame, desde que haja bens livres (art. 656, IV, CPC); Bens de baixa liquidez (art. 656, V, CPC); Forma menos onerosa ao devedor, desde que não traga prejuízo ao credor (Art. 668, CPC). Página3
Inexistência de bens passíveis de penhora - O Oficial de Justiça não deverá penhorar bens de valor insignificante em relação à dívida, o objetivo é a satisfação do débito em favor do credor e não a mera penalização do devedor. Quando o Oficial de Justiça não encontrar bens penhoráveis, deverá, por imposição legal explícita, descrever na certidão os bens que guarnecem a residência ou o estabelecimento do devedor. Art. 659 Omissis. 2º Não se levará a efeito a penhora, quando evidente que o produto da execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução. 3º No caso do parágrafo anterior e bem assim quando não encontrar quaisquer bens penhoráveis, o oficial descreverá na certidão os que guarnecem a residência ou o estabelecimento do devedor. Penhora de bem indivisível - É importante observar que, quando o bem penhorado for indivisível, a meação do cônjuge alheio à execução será deslocada para o produto da alienação do bem (Art. 655-B, CPC). Art. 655-B. Tratando-se de penhora em bem indivisível, a meação do cônjuge alheio à execução recairá sobre o produto da alienação do bem. Inexistência de bens do devedor no foro da Execução - Se o devedor não tiver bens no foro da causa, far-se-á a execução por carta, penhorando-se, avaliando-se e alienando-se os bens no foro da situação. A penhora é realizada mediante a apreensão e/ou depósito dos bens, lavrando-se um só auto se as diligências forem concluídas no mesmo dia (Art. 658, CPC). Penhora on line - A penhora on-line foi introduzida ao Código de Processo Civil pelo art. 655-A. Essa forma de penhora se perfaz quando o juiz, a requerimento do exequente, requisita à autoridade supervisora do sistema bancário informações sobre a existência de ativos em nome do executado (dinheiro em depósito ou aplicação financeira). Existindo tais ativos, o juiz poderá, no mesmo ato, determinar sua indisponibilidade até o valor indicado na inicial, são as chamadas ordens judiciais de bloqueio. Da avaliação pela reforma do CPC passou a ser dever do Oficial de Justiça apresentar avaliação dos bens penhorados, de acordo com o valor de mercado, observada a depreciação de uso. Em último caso, sendo impossibilitada, deverá ser informada ao juízo, que nomeia avaliador. Art. 475-J. Omissis. 1º Do auto de penhora e de avaliação será de imediato intimado o executado, na pessoa de seu advogado (arts. 236 e 237), ou, na falta deste, o seu representante legal, ou pessoalmente, por mandado ou pelo correio, podendo oferecer impugnação, querendo, no prazo de quinze dias. 2º Caso o oficial de justiça não possa proceder à avaliação, por depender de conhecimentos especializados, o juiz, de imediato, nomeará avaliador, assinando-lhe breve prazo para a entrega do laudo. Página4
e) Do arresto - O arresto ocorre, geralmente, quando o Oficial de Justiça não consegue encontrar o executado, entretanto, logra êxito na localização de seus bens. Na ação de execução, quando o Oficial de Justiça não encontra o devedor, o arresto é automático, posto que a norma não faculta e sequer menciona qualquer condição, é simplesmente impositiva. Art. 653. O oficial de justiça, não encontrando o devedor, arrestar-lhe-á tantos bens quantos bastem para garantir a execução. Parágrafo único. Nos 10 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça procurará o devedor três vezes em dias distintos; não o encontrando, certificará o ocorrido. Da conversão em penhora - O arresto é uma medida de segurança, de emergência, em razão da impossibilidade de citação. Depois de citado o executado, inclusive por edital se for o caso, o arresto deverá ser convertido em penhora (não confundir com Medida Cautelar de Arresto). f) Da adjudicação - A adjudicação consiste na transferência de propriedade do bem penhorado para o credor, ou para o credor com garantia real, ou para os credores concorrentes que hajam penhorado o mesmo bem, ou para o cônjuge, ou para os descendentes ou ascendentes do executado, ou para os sócios no caso de penhora de quotas da sociedade; mediante oferecimento de preço não inferior ao da avaliação (Art. 685-A.). g) Da expropriação - Após a penhora e avaliação, inicia-se a fase expropriatória. As formas expropriatórias (procedimentos para se transformar os bens penhorados do executado em pecúnia) relacionadas pelos incisos do art. 647 do CPC são a adjudicação, a alienação por iniciativa particular, a alienação em hasta pública e o usufruto de bem móvel ou imóvel. Art. 647 - A expropriação consiste: I - na adjudicação em favor do exeqüente ou das pessoas indicadas no 2o do art. 685-A desta Lei; II - na alienação por iniciativa particular; III - na alienação em hasta pública; IV - no usufruto de bem móvel ou imóvel. Alienação por iniciativa de particular - o exequente requer que sejam os bens penhorados alienados por sua própria iniciativa ou por intermédio de corretor credenciado perante a autoridade judiciária. Alienação em hasta pública - meio da qual os bens penhorados são vendidos pelo Poder Público. Hasta pública - tem como espécies a praça, quando se trata de bens imóveis; o leilão, quando se trata de bens móveis; e o pregão da bolsa de valores, quando se trata de títulos ou mercadorias com valor na Bolsa de Valores. Página5
Usufruto de bem móvel ou imóvel - gradual satisfação do crédito através dos frutos e rendimentos de um bem, seja ele móvel ou imóvel. h) Extinção da obrigação Com o pagamento ou finda a expropriação dos bens, com a apuração e satisfação do crédito exequendo, o processo de execução é extinto. Mas o processo de execução pode ser extinto por outros motivos também, conforme art. 794, CPC. Art. 794. Extingue-se a execução quando: I - o devedor satisfaz a obrigação; II - o devedor obtém, por transação ou por qualquer outro meio, a remissão total da dívida; III - o credor renunciar ao crédito. B. DA EXECUÇÃO DE ALIMENTOS (Art. 732 E 733, CPC) 1. Conceito e espécies de alimentos - alimentos correspondem a uma prestação destinada a uma pessoa, sendo indispensável para a sua subsistência e para manutenção da condição social e moral daquela. Dividem-se em três modalidades: a. Alimentos provisórios servem de antecipação de tutela em ação de alimentos, devendo ser demonstrados a verossimilhança e prova inequívoca (presume-se o risco de dano irreparável ou de difícil reparação). Tem efeito satisfativo; b. Alimentos provisionais É uma Espécie de Ação Cautelar, tendo como requisito básico a demonstração Fumus Boni Iuris e Periculum in Mora. Tem efeito cautelar. c. Alimentos definitivos fixados em sede de sentença ou quando esta confirma os alimentos provisórios ou provisionais. 2. Formas de execução - A escolha da modalidade de cobrança está condicionada ao período do débito, ou seja, se o débito está vencido ou não há mais de três meses, conforme a Súmula 309 do STJ. Sum. 309, STJ - O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. a. Coerção pessoal (prisão civil do devedor) A Constituição Federal autoriza a prisão de devedor somente quanto em caráter alimentar ou quando considerado infiel depositário (Impossibilidade da prisão do infiel depositário em razão do Brasil ser signatário do Pacto de São José da Costa Rica RE 349.703/RS): Art. 5º - Omissis. (...) LXVII - Não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. Página6
Procedimento - Se o débito for inferior a três meses, o credor pode fazer uso do rito do art. 733, caput e 1º, do CPC: Art. 733 - Na execução de sentença ou de decisão, que fixa os alimentos provisionais, o juiz mandará citar o devedor para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. 1º - Se o devedor não pagar, nem se escusar, o juiz decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. Dupla pena Ainda que se encerre o prazo da prisão decretar, posto em liberdade o devedor não se exime do pagamento do débito, que se procegue pelo disposto no art. 732 do CPC: Art. 733 Omissis. (...) 2º - O cumprimento da pena não exime o devedor do pagamento das prestações vencidas e vincendas. Pagamento do débito O pronto pagamento suspende a prisão e caso já tenha se consumado o devedor deve ser posto em liberdade: Art. 733 Omissis. (...) 3º - Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão. b. Penhora de bens (expropriação) Por força do disposto no art. 732 do CPC cumulado com o entendimento da Súmula 309 do STJ, os alimentos vencidos pretéritos a três meses, serão executados buscando a penhora de bens do devedor, não sendo cabível a prisão: Art. 732 - A execução de sentença, que condena ao pagamento de prestação alimentícia, far-se-á conforme o disposto no Capítulo IV deste Título. Ocorre que a Lei n. 11.232/05 modificou diversos artigos do CPC e estabeleceu uma nova forma de cumprimento para as sentenças que condenam ao pagamento de importância em pecúnia, mas não trouxe alteração ao artigo 732, do CPC. Questionase: o devedor condenado ao pagamento de alimentos será executado na forma tradicional, mediante processo autônomo de execução, sendo citado para em três dias realizar o pagamento (652 do CPC), ou por meio da técnica de cumprimento de sentença, tendo o prazo de quinze dias para realizar o pagamento, sob pena de incidir a multa de dez por cento (art. 475-J do CPC)? EXECUÇÃO AUTÔNOMA - os que se alinham no sentido da não aplicação da Lei n. 11.232/05 destacam que o art. 732 do CPC, que versa sobre a execução dos alimentos sob pena de penhora, não foi objeto de qualquer alteração. Desse modo, não foi a intenção do legislador modificar a execução dos alimentos, devendo esta ser realizada por meio de processo autônomo. Com efeito, o art. 732 do CPC reporta-se ao Capítulo IV do Título II do Livro II, ou seja, aos arts. 646 a 724 do CPC, e não ao Livro I do Código. CRÍTICA nova citação do devedor/morosidade na tramitação processual (quem tem fome tem pressa)/não incidência da multa. Página7
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA (Art. 475-J) - Os argumentos que são utilizados para defender a aplicação da Lei n. 11.232/05 são, em linhas gerais, os seguintes: a) unificação dos atos cognitivos e executórios em um único processo; b) necessidade de acabar com uma nova citação do devedor; c) otimização do processo judicial; d) a defesa do devedor será realizada por um meio mais simples, que é a impugnação. CRÍTICA Prazo de 15 dias para pagar ao invés de 03 dias. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE C/C ALIMENTOS CUMPRIMENTO DE SENTENÇA EXECUÇÃO DOS CRÉDITOS ALIMENTARES NOS PRÓPRIOS AUTOS APLICAÇÃO DA LEI N. 11.232/2005 RECURSO PROVIDO. Em que pese a Lei n. 11.232/05, ao extinguir o processo de execução de título judicial, não ter tratado especificamente da execução de alimentos, a doutrina e a jurisprudência tem entendido ser possível o rito de cumprimento de sentença para executar créditos alimentares, de modo a preservar a celeridade da providência, em razão de seu caráter alimentar. (TJMT 5ª Câm. Cível - RAI 51590/2011 Rel. Des. Carlos Alberto Alves da Rocha Julg. 14.09.2011). AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXECUÇÃO DE SENTENÇA - ALIMENTOS - REGRAS DA LEI Nº 11.232/2005 - INCIDÊNCIA. Apesar de não conter menção expressa, a Lei nº 11.232/2005 que acrescentou o art. 475-J ao Código de Processo Civil aplica-se à execução de alimentos. (TJMT - 2ª Câm. Cív. - RAI 54746/2007 - Rela. Dra. Clarice Claudino da Silva - Julg. 11.09.2009). 3. Execução dos provisionais Quanto aos alimentos provisórios ou provisionais fixados liminar ou incidentalmente, também é possível o uso de qualquer das modalidades executórias. No entanto, a cobrança não poderá ser processada nos mesmos autos, para não obstaculizar o andamento da ação. O pedido será levado a efeito em outro procedimento, nos moldes da execução provisória (CPC, art. 475-O). Art. 735 - Se o devedor não pagar os alimentos provisionais a que foi condenado, pode o credor promover a execução da sentença, observando-se o procedimento estabelecido no Capítulo IV deste Título. 4. Da execução de acordo extrajudicial não homologado - acordo não homologado pelo juiz, mas referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados das partes é considerado título executivo (art. 585, II, CPC) e serão executados por meia de ação de autônoma de execução. Art. 585 - São títulos executivos extrajudiciais: (...) II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas; o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores; Página8
C. DA EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA (Art. 730 e 731, CPC) 1. Conceito Fazenda Pública - Fazenda Pública é formada pela União, Estados, Municípios, Territórios, Distrito Federal, autarquias e fundações instituídas pelo Poder Público. As empresas públicas e as sociedades de economia mista, embora integrem a Administração Pública indireta ou descentralizada, não são consideradas tal. 2. Modalidade diversa de execução contra a Fazenda Pública contra a Fazenda Pública não cabem medidas de invasão patrimonial, de forma que a execução sempre dependerá da atuação positiva da Administração Pública. No que tange à execução por quantia certa continuará a se desenvolver por meio de processo autônomo, dado que a Lei 11.232/05 não revogou o disposto no artigo 730 do Código de Processo Civil. Art. 730 - Na execução por quantia certa contra a Fazenda Pública, citar-se-á a devedora para opor embargos em 30 (trinta) dias; se esta não os opuser, no prazo legal, observar-seão as seguintes regras: I - o juiz requisitará o pagamento por intermédio do presidente do tribunal competente; II - far-se-á o pagamento na ordem de apresentação do precatório e à conta do respectivo crédito. 3. Do procedimento O procedimento de execução por quantia certa contra a Fazenda Pública encontra-se disciplino no artigo 100 da Constituição Federal: Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim. a. Da preferência do crédito alimentar excepciona-se a regra de pagamento segundo ordem cronológica de apresentação para os créditos de natureza alimentícia. Art. 100 Omissis. 1º - A Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de salários, vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios previdenciários e indenizações por morte ou invalidez, fundadas na responsabilidade civil, em virtude de sentença transitada em julgado. 2º Os débitos de natureza alimentícia cujos titulares tenham 60 (sessenta) anos de idade ou mais na data de expedição do precatório, ou sejam portadores de doença grave, definidos na forma da lei, serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, até o valor equivalente ao triplo do fixado em lei para os fins do disposto no 3º deste artigo, admitido o fracionamento para essa finalidade, sendo que o restante será pago na ordem cronológica de apresentação do precatório. b. Da preferência do crédito alimentar a EC 37/02 deu nova redação ao artigo 87 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que prevê como obrigações de pequeno valor, na ausência de leis federal, estaduais e municipais definidoras, o valor de quarenta salários mínimos para os Estado e trinta salários mínimos para os municípios. No que se refere à União, a Lei Federal n 10.259, de 12.07.2001, define pequeno valor como condenações iguais ou inferiores a sessenta salários mínimos. Art. 100 Omissis. 3º O disposto no caput deste artigo, relativamente à expedição de precatórios, não se aplica aos pagamentos de obrigações definidas em lei como de pequeno valor que a Fazenda Federal, Estadual, Distrital ou Municipal deva fazer em virtude de sentença judicial transitada em julgado. Página9
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