TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA EMENTA: Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público do Estado de Mato Grosso, pelo Município de São José do Rio Claro, referente ao cumprimento da Lei Municipal nº 474/2001, que estabelece que os prédios públicos deverão ser pintados com as cores da bandeira do município. CONSIDERANDO que o artigo 127 da Constituição Federal dispõe que o Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis ; CONSIDERANDO que ao Ministério Público cabe exercer a defesa dos direitos assegurados na Constituição Federal sempre que necessário for garantir o respeito da ordem jurídica pelos poderes municipais, nos termos do artigo 27, inciso I, da Lei 8.625/93; CONSIDERANDO que a construção do Estado Democrático de Direito (artigo 1, caput, da CF) exige que os atos emanados dos respectivos Poderes Públicos Executivo e Legislativo Municipal sejam desenvolvidos com subordinação aos limites impostos no ordenamento jurídico-constitucional, sempre em prol do interesse público primário, sob pena de responsabilização e punição dos detentores de poder descumpridores de tal determinação;
CONSIDERANDO que a Administração Pública direta e indireta de qualquer dos poderes dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade e moralidade, na forma prevista no artigo 37, caput, da Constituição Federal; CONSIDERANDO que ao Ministério Público preventiva e repressivamente compete zelar pela defesa do patrimônio público e social, nos termos do artigo 129, inciso II, da Constituição Federal; CONSIDERANDO que dentro da defesa do patrimônio público municipal compete ao Ministério Público fiscalizar e exigir que a publicidade emanada dos órgãos públicos municipais esteja em perfeita harmonia e consonância com os princípios constitucionais que informam a Administração Pública, notadamente os comandos normativos abstratos da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa; CONSIDERANDO que o princípio da legalidade importa na idéia de que o administrador público somente pode fazer aquilo que a lei expressamente lhe autoriza, posto que administrar é aplicar a lei de ofício; CONSIDERANDO que o princípio da impessoalidade exige que os atos administrativos praticados sejam atribuídos sempre ao respectivo Poder Público que o emitiu e nunca a agentes públicos determinados, os quais são meros instrumentos humanos para a prestação dos serviços públicos e atendimento do bem comum; CONSIDERANDO que o resguardo do princípio da impessoalidade na publicação dos atos da administração pública também objetiva preservar o comando normativo abstrato da moralidade administrativa à luz da sistemática e coordenada do ordenamento jurídico;
CONSIDERANDO que o artigo 37, 1, da Constituição Federal, estabelece que a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativ ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos ; CONSIDERANDO que, em atenção aos princípios constitucionais da Administração Pública, é absolutamente vedada a publicidade de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos nos quais conste expressa referência ao nome de quaisquer autoridades, agentes públicos ou mesmo terceiros; CONSIDERANDO que, em atenção aos princípios constitucionais da Administração Pública, é absolutamente vedada a publicidade de atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos nos quais conste referência a símbolos, slogans, jingles, mensagens, frases, logotipos, marcas, imagens ou quaisquer outros registros de ordem textual, auditiva e visual diversos dos símbolos municipais oficiais; CONSIDERANDO que o ordenamento jurídico pátrio proíbe o emprego de qualquer subterfúgio que pretenda burlar a vedação constitucional da promoção pessoal do administrador gerada às custas da publicidade oficial das atividades dos Poderes Públicos, orientação que, inclusive, permite a apuração da responsabilidade de terceiros interessados direta ou indiretamente no custeio de promoção pessoal de administradores públicos; CONSIDERANDO que os agentes administrativos dos Poderes Públicos condescendentes com o fomento de sua promoção pessoal, ainda
que por intermédio de terceiros ou órgãos de imprensa, também podem ser enquadrados como praticantes de ato de improbidade administrativa, quer pela imoralidade de suas condutas, quer por supostamente auferirem vantagem indevida em razão do exercício da função pública, nos termos da Constituição Federal e da Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92) 1 ; CONSIDERANDO que, de qualquer forma, por ação ou omissão, o puro e simples atentado contra os princípios da administração pública pode caracterizar ato de improbidade administrativa, nos termos do artigo 11 da Lei 8.429/1992; CONSIDERANDO que a responsabilização pela prática de atos de improbidade administrativa pode acarretar a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível, segundo prevê o artigo 37, 4, da Constituição Federal; CONSIDERANDO que se encontra em trâmite nesta Promotoria de Justiça o Procedimento Administrativo GEAP nº 003645-026/2009, instaurado em razão de denúncia de que o município de São José do Rio Claro/MT 1 Nesse sentido, o aresto do Monopólio da Última Palavra (E. STF): Publicidade de Atos Governamentais e Impessoalidade - O art. 37, caput, e seu 1º, da CF, impedem que haja qualquer tipo de identificação entre a publicidade e os titulares dos cargos alcançando os partidos políticos a que pertençam. Com base nesse entendimento, a Turma negou provimento a recurso extraordinário interposto pelo Município de Porto Alegre contra acórdão do tribunal de justiça local que o condenara a abster-se da inclusão de determinado slogan na publicidade de seus atos, programas, obras, serviços e campanhas. Considerou-se que a referida regra constitucional objetiva assegurar a impessoalidade da divulgação dos atos governamentais, que devem voltar-se exclusivamente para o interesse social, sendo incompatível com a menção de nomes, símbolos ou imagens, aí incluídos slogans que caracterizem a promoção pessoal ou de servidores públicos. Asseverou-se que a possibilidade de vinculação do conteúdo da divulgação com o partido político a que pertença o titular do cargo público ofende o princípio da impessoalidade e desnatura o caráter educativo, informativo ou de orientação que constam do comando imposto na Constituição. STF - RE 191668/RS, rel. Min. Menezes Direito, 15.04.2008.
não estaria cumprindo a Lei Municipal nº 474/2001, que estabelece que os prédios públicos deverão ser pintados com as cores do município; Celebram este compromisso de ajustamento, na forma do art. 5º, 6º, da Lei nº 7.347/85, acrescentado pelo art. 113 da Lei n 8.078/90, c/c artigo 585 do Código de Processo Civil, de um lado, o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO, por meio de sua Promotoria de Justiça de São José do Rio Claro/MT representada pela Promotora de Justiça Dra. Claire Vogel Dutra, doravante denominada compromitente, e de outro lado Município de São José do Rio Claro/MT - representado pelo Prefeito Municipal, Sr. Massao Paulo Watanabe, doravante denominado compromissário, nos seguintes termos e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA: O COMPROMISSÁRIO acima qualificado reconhece que, conforme fotografias anexadas aos presentes autos, os prédios públicos e veículos do município de São José do Rio Claro não estão pintados com as cores da bandeira do município, em desacordo com o que dispõe a Lei Municipal nº 474/2001; CLÁUSULA SEGUNDA: Por este instrumento, visando solucionar as irregularidades acima apontadas, o COMPROMISSÁRIO obriga se a adotar todas as medidas cabíveis para tal. CLÁUSULA TERCEIRA: Visando cumprir o disposto na cláusula anterior, o COMPROMISSÁRIO assume a obrigação de:
3.1 IMEDIATAMENTE: abster-se de realizar pinturas e propagandas contendo nomes, símbolos, imagens, aí incluídos slogans, ou cores que façam menção, ainda que de forma dissimulada, à gestão municipal; 3.2 NO PRAZO DE NOVENTA DIAS: providenciar a pintura dos prédios públicos com as cores da bandeira e os veículos com o brasão do município de São José do Rio Claro/MT, nos termos do que dispõe a Lei Municipal nº 474/2001. CLAÚSULA QUARTA Os prazos ajustados passam a valer desde a data da celebração do presente Termo de Ajustamento de Conduta TAC, independente de sua homologação pelo E. CSMP/MT. PARÁGRAFO ÚNICO Na hipótese de caso fortuito, força maior ou necessidade técnica/jurídica comprovada, os prazos aqui acordados poderão sofrer novo ajustamento, antes do seu termo, desde que não importe em descaracterização do objeto final do presente TAC. CLÁUSULA QUINTA: O não cumprimento dos prazos e obrigações constantes das cláusulas do presente instrumento, por parte do COMPROMISSÁRIO, implicará na imposição de multa diária no valor de R$ 1.000,00 (mil reais) por dia ou por evento, bem como as demais penalidades estipuladas nas demais cláusulas, que reverterá para o Fundo de que cuida o artigo 13 da Lei nº 7.347/85, ou ainda outro Fundo Estadual ou Municipal criado para esse fim, sem prejuízo das sanções administrativas e penais cabíveis, ressalvadas as hipóteses de descumprimento justificado. CLÁUSULA SEXTA: O compromitente poderá fiscalizar a execução do presente acordo, requisitando informações aos compromissários quando
bem lhe aprouver, tomando as providências legais cabíveis sempre que se fizer necessário para o bom e fiel compromisso do presente compromisso de ajustamento; CLÁUSULA SÉTIMA: Este compromisso produzirá efeitos legais a partir de sua celebração e, terá eficácia de título executivo extrajudicial, na forma dos artigos 5º, 6º, da Lei nº 7.347/85 e artigo 585, inciso VII, do Código de Processo Civil. E, por estarem de acordo, firmam o presente termo de ajustamento de conduta que produzirá seus efeitos legais a partir de sua celebração. O presente TAC é firmado em 03 (três) vias de igual teor, as quais serão encaminhadas aos seguintes órgãos: Município de São José do Rio Claro/MT; Promotoria de Justiça de São José do Rio Claro/MT; e Câmara de Vereadores de São José do Rio Claro/MT. Registre-se. Publique-se. São José do Rio Claro/MT, 11 de fevereiro de 2010. CLAIRE VOGEL DUTRA Promotora de Justiça MASSAO PAULO WATANABE Prefeito de São José do Rio Claro