Eduardo Souza Junior¹ Gustavo Bertholdo² Ginger Mello 3 Lúcio Kanashiro 4 Sidney Kina 5 Resumo Cimentação adesiva de laminados cerâmicos E.max Adhesive cementation of E.max ceramic laminates A etapa de cimentação é de fundamental importância para o tratamento restaurador usando laminados cerâmicos. É nessa etapa que normalmente são verificados os erros e acertos nas etapas anteriores de planejamento, preparo e moldagem dos laminados. É fundamental que o dentista conheça essa etapa, desde o tratamento da superfície interna da restauração cerâmica até o preparo do substrato dental para a técnica adesiva. Dessa forma, o objetivo desse artigo é mostrar de forma segura a cimentação de laminados cerâmicos reforçados por dissilicato de lítio, o que garante um resultado final satisfatório do tratamento conservador estético. Descritores: Cimentação adesiva, cimento resinoso, laminados cerâmicos. Coluna Visão Protética Abstract Cementation process is very important for the restorative treatment using ceramic laminates. In this step one can verify the mistakes and corrections made in the prior steps of planning, preparation and impression of the laminates. It is crucial that the professional knows this step, from the internal treatment of the ceramic to the preparation of the dental substrate for the adhesive bonding technique. Thus, the aim of this study was to present in a safe way the luting process for ceramic laminates reinforced by lithium disilicate, which guarantees a satisfactory outcome of conservative esthetic treatment. Descriptors: Adhesive luting, resin cement, laminate veneers. 1 Prof. de Prótese e Mat. Dentários UNIVAG, Me. em Clínica Odontológica (Dentística) UNICAMP. 2 Prof. de Prótese UNIVAG, Me. em Prótese Dental UNINGÁ. 3 Profª. de Dentística UNIVAG, Especialista em Dentística. 4 CD. 5 Me. em Prótese Dental - UNICAMP. E-mail do autor: edujcsj@gmail.com Recebido para publicação: 11/12/2013 Aprovado para publicação: 20/01/2014 Como citar este artigo: Souza Jr. E, Bertholdo G, Mello G, Kanashiro L, Kina S. Cimentação adesiva de laminados cerâmicos E.max. Prosthes. Lab. Sci. 2014; 3(10):93-101.
94 PROSTHESIS Introdução A etapa de cimentação é extremamente importante, já que é o desfecho final de todo o trabalho minimamente invasivo para laminados cerâmicos 2,5. A cimentação adesiva é normalmente realizada após o procedimento de prova seca e prova úmida (utilizando os cimentos de teste, também chamados de try-in) 3. Essa etapa minimiza as chances de erro de cor do cimento resinoso definitivo durante a cimentação propriamente dita. Após seleção de cor do cimento e do tipo (fotoativado para laminados cerâmicos e de polimerização dupla para as coroas), deve-se partir para dois tipos de tratamento de superfície: da superfície interna da restauração cerâmica e do substrato dental. Para o tratamento da cerâmica, em especial as cerâmicas vítreas reforçadas com cristais de dissilicato de lítio (ex.: E.max, Ivoclar Vivadent), deve-se inicialmente condicionar a cerâmica com ácido hidrofluorídrico com o intuito de criar microporosidades na parte vítrea para que possa haver um embricamento micromecânico do sistema de cimentação e a restauração 1,4. Para o E.max, esse tempo é de 20 segundos, com posterior lavagem com água pelo mesmo tempo. Uma alternativa para a remoção de detritos é a limpeza da superfície interna com ácido fosfórico por um minuto. Essa limpeza deve ser realizada com a aplicação ativa do ácido, utilizando um pincel microbrush. Outra alternativa para a remoção de detritos após o ácido hidrofluorídrico é a imersão da restauração por 5 minutos em uma cuba ultrassônica com álcool. Posteriormente, parte-se para a etapa de silanização, que é um tratamento químico com uma molécula bifuncional, a qual vai proporcionar uma união da parte inorgânica da cerâmica com a parte orgânica dos adesivos e cimentos resinosos 4. Essa aplicação deve ser feita por 1 minuto e, se possível, os solventes devem ser volatilizados utilizando-se jato de ar quente 6, como por exemplo de um secador de cabelo. Após, aplica-se então o adesivo, sem a fotoativação do mesmo, para que não haja desadaptação durante a etapa de cimentação. Por outro lado, para o substrato dental, deve-se inicialmente avaliar se está em esmalte ou dentina. A diferença entre eles é o tempo de aplicação máxima do ácido e o tipo de secagem. Utilizando a técnica convencional, para esmalte, deve-se condicionar com ácido fosfórico a 37% por 30 segundos, com posterior lavagem e secagem abundante com jato de ar e seguindo a aplicação do sistema adesivo, também sem fotoativação. Para a dentina, as únicas diferenças são o tempo de condicionamento de 15 segundos, lavagem e a secagem deve ser realizada com cautela, com a intenção de deixar a dentina levemente úmida para uma boa união com o sistema adesivo. Em seguida, aplica-se o cimento resinoso fotoativado na superfície interna da restauração e faz- -se o posicionamento correto. Depois, os excessos devem ser removidos com o uso de um pincel e tiras de poliéster nas interproximais, e deve-se realizar uma fotoativação prévia na região cervical de cerca de 3 a 4 segundos, com o intuito de pré-polimerizar a resina composta e remover com maior facilidade o excesso de cimento resinoso. Seguindo, faz-se a fotoativação propriamente dita por 40 segundos em cada face com uma fonte de luz de irradiância satisfatória. É importante salientar que para laminados cerâmicos deve-se escolher um agente cimentante fotoativado, enquanto que para coroas devem-se escolher materiais duais para fazer a cimentação. Isso ocorre devido à espessura dos laminados cerâmicos, a qual permite uma maior passagem de luz e uma maior garantia de polimerização efetiva do cimento resinoso 3.
95 Figura 1 - Fotografia inicial em máxima intercuspidação habitual. Nota-se uma severa alteração de cor e inclinação dos dentes da paciente. Figura 2 - Sorriso inicial da paciente. Figura 4 - Vista lateral direita inicial. Figura 5 - Vista inicial com fundo negro de contraste para melhor observação das alterações de cor. Figura 3 - Fotografia inicial com lábios em repouso. Figura 6 - Vista lateral esquerda inicial. Souza Jr. E, Bertholdo G, Mello G, Kanashiro L, Kina S.
96 PROSTHESIS Figura 7 - Preparos para as restaurações cerâmicas, envolvendo preparos para laminados e para coroas. Figura 8 - Restaurações cerâmicas finalizadas E.max (Ivoclar VIvadent) em uma visão frontal. Figura 9 - Vista oclusal esquerda das restaurações cerâmicas finalizadas. Figura 10 - Vista oclusal direita das restaurações cerâmicas finalizadas.
97 Figura 11 - Laminado cerâmico E.max sem preparo dental (lente de contato) do dente 23. Figura 12 - Condicionamento interno das peças cerâmicas com ácido hidrofluorídrico a 10% por 20 segundos. Esse procedimento cria microporosidades na superfície interna da cerâmica, o que facilita o embricamento micromecânico tanto do sistema adesivo quanto do cimento resinoso. Figura 13 - Aspecto interno opaco após o condicionamento com ácido hidrofluorídrico. Figura 14 - Limpeza da superfície interna das cerâmicas com ácido fosfórico a 37% por 1 minuto. Este procedimento é realizado com o intuito de remoção dos detritos que prejudicam a etapa de cimentação. Figura 15 - Aplicação ativa do ácido fosfórico para uma efetiva remoção de detritos. Figura 16 - Aplicação de silano na superfície interna da cerâmica por 1 minuto. Souza Jr. E, Bertholdo G, Mello G, Kanashiro L, Kina S.
98 PROSTHESIS Figura 17 - Acondicionamento do laminado no dispositivo para realização da secagem com ar quente. Figura 18 - Secagem do silano com jato de ar quente para uma correta volatilização do solvente e para facilitar a união do material resinoso com a estrutura policristalina e vítrea da cerâmica. Figura 19 - Aplicação do sistema adesivo na superfície interna da cerâmica, sem fotoativação para não proporcionar desadaptação marginal durante o procedimento de cimentação. Figura 20 - Proteção dos dentes adjacentes com fita teflon para que haja somente condicionamento com ácido fosfórico a 37% dos dentes a serem cimentados. Figura 21 - Condicionamento com ácido fosfórico a 37% por 30 segundos em esmalte.
99 Figura 22 - Lavagem abundante para a correta remoção do ácido fosfórico. Figura 23 - Aplicação do sistema adesivo na estrutura dental sem fotoativação. Figura 24 - Aplicação do cimento resinoso na superfície interna do laminado. Figura 25 - Posicionamento do laminado sobre a estrutura dental. É importante salientar que o eixo de inserção dos laminados cerâmicos é realizado no sentido vestíbulo-palatino. Figura 26 - Remoção inicial dos excessos com um pincel. Souza Jr. E, Bertholdo G, Mello G, Kanashiro L, Kina S.
100 PROSTHESIS Figura 27 - Fotoativação da restauração pela superfície vestibular por 40 segundos. Figura 28 - Fotoativação da restauração pela face incisal por 40 segundos. Figura 29 - Fotografia final com os lábios em repouso. Nota-se a integração dento-labial das restaurações cerâmicas. Figura 30 - Sorriso final da paciente. Figura 31 - Vista lateral direita final. Figura 32 - Vista final das restaurações em E.max cimentadas, em máxima intercuspidação habitual. Figura 33 - Vista lateral esquerda final.
101 Figura 34 - Vista lateral direita com fundo negro de contraste do tratamento final. Figura 35 - Vista aproximada dos incisivos superiores cimentados. Nota-se uma harmonia de cor e formato dos dentes da paciente. Figura 36 - Vista lateral esquerda com fundo negro de contraste do tratamento final. Figura 37 - Vista com fundo negro de contraste dos dentes superiores. Nota-se a harmonia do sorriso com as restaurações cerâmicas cimentadas. Conclusão A cimentação correta dos laminados cerâmicos garante a longevidade do tratamento restaurador estético. Sendo assim, a utilização do sistema de cimentação efetiva aliada a um correto tratamento de superfície do substrato e da restauração promove uma durabilidade da restauração clinicamente. O profissional precisa entender sobre os tipos de cerâmica e quais tratamentos podem ser realizados nesses materiais, que tenham como finalidade melhorar a união adesiva entre cimento resinoso e cerâmico. Referências bibliográficas 1. Calixto LR, Pinto SCS, Bandéca MC, Firoozmand LM, Clavijo VRG, Mello-Júnior F. Reabilitação estética multidisciplinar: Parte 3 preparo para facetas, confecção de provisórios, prova e cimentação dos laminados cerâmicos. Clinica Int J Braz Dent. Out/dez 2012; 8(4):412-421. 2. Clavijo VGR, Souza NC, Andrade MF, Susin AH. Sistema IPS Empress II: Recuperação estética em dentes anteriores. Clinica Int J Braz Dent. Jul-Sep 2006; 2(3):218-224. 3. Clavijo VRC, Cavaretti MH, Beltrán MC, Ferreira LA, Andrade MF. Fragmentos cerâmicos. Clinica Int J Braz Dent. Jul-Sep 2010; 6(3):290-299. 4. Clavijo VGR, Kabbach W. Restaurações indiretas em ceramic facetas sem prepare dental (lentes de contato). Clinica Int J Braz Dent. Out/dez 2012; 8(4):374-385. 5. Lima ADF, Carvalho JFO, Cravo FL. Restaurações cerâmicas em dentes anteriores: simples realização? R Dental Press Estét. Oct-Dec 2010; 7(4):88-96. 6. Shen C, Oh W, Williams JR. Effect of post-silanization drying on the bond strength of composite to ceramic. J Prosthet Dent. 2004; 91(5):453-458. Souza Jr. E, Bertholdo G, Mello G, Kanashiro L, Kina S.