Charli Ludtke Médica Veterinária Coordenação Geral de Desenvolvimento Rural Secretaria do Produtor Rural e Cooperativismo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento EUTANÁSIA DE AVES E SUINOS RECOMENDAÇÕES
Por que se preocupar com o bem-estar dos animais durante o abate? ÉTICA
Foto: Osmar Dalla Costa
Veterinário- responsabilidades- métodos apropiados para evitar a dor e angústia desnecessária; Assegurar que a morte dos animais seja realizada e monitorada por pessoas capacitadas (técnicas específicas para eutanasiar de acordo com a espécie); Redução do risco de propagação de enfermedades (biosseguridade); Controle permanentemente dos procedimentos relacionados ao bem-estar dos animais e biosseguridade.
Exigências de bem-estar animal
EUTANÁSIA
Definição Origem grega: Eutanásia eu = bom thanatos = morte O que é uma boa morte? sem dor e desconforto rápida inconsciência parada cardíaca e respiratória perda da função cerebral
Discussão ética Originalmente o termo é utilizado para terminar a vida do animal para minimizar dor ou diestresse. Eutanásia x sacrifício Animais de laboratório, pesquisa, ensino; Controle de doenças; Controle populacional; Interesses econômicos; Riscos a seres humanos.
BAIA HOSPITALAR????
Escolha do método Espécie / tamanho Comportamento Contenção Habilidade do profissional Número de animais Custo Instalações / equipamentos Legislação
Métodos OFICINA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O BEM-ESTAR DOS ANIMAIS DE PRODUÇÃO - BRASÍLIA 2015 Físicos Seguido de sangria / secção da medula. Químicos Inalação; Administração parenteral, imersão.
Principais Métodos Físicos
Métodos Físicos Dardo cativo Projétil Eletrocussão Concussão Deslocamento cervical Decapitação Macerador Características: Geralmente rápido Problema de estética Risco aos seres humanos Destruição de tecidos
Dardo cativo Penetrativo Não penetrativo Seguido de sangria ou secção da medula Habilidade do profissional Manutenção do equipamento Próprio para equídeos, ruminantes e suínos Prós Inconsciência imediata Não contamina a carcaça Contras Contenção Dano ao tecido neural
Métodos Mecânicos Sangria Pistola Dardo Cativo ( indicado para suínos com mais de 8 kg)
EUTANÁSIA
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Pistola de dardo cativo- penetrativa
EUTANÁSIA J. Woods Livestock Services
EUTANÁSIA- CAPACITAÇÃO
EUTANÁSIA- IMOBILIZAÇÃO
EUTANÁSIA- LOCAL DE APLICAÇÃO- ALVO
POSICIONAMENTO DO ALVO
EUTANÁSIA- AVALIAÇÃO DOS SINAIS DE CONSCIÊNCIA
MONITORAMENTO OFICINA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O BEM-ESTAR DOS ANIMAIS DE PRODUÇÃO - BRASÍLIA 2015
Eutanásia dos leitões- menos de 8Kg Métodos Utilizados Marreta Impacto
Eliminar (eutanasiar) leitões deformados
Eutanásia dos leitões
Eutanásia dos leitões
Concussão Crânios frágeis suínos neonatos, pequenos animais de laboratório Habilidade do profissional Fadiga do profissional Sempre que possível, escolher outros métodos Baixo custo Prós Não contamina a carcaça Contenção Contras Dano ao tecido neural Estética
Projétil armas de fogo Legalidade Habilidade do profissional Arma / munição apropriadas para a espécie Prós Inconsciência imediata Distância (selvagens) Contras Risco Dificuldade de acerto Dano ao tecido neural
Eletrocussão Suínos, frangos, ruminantes, cães Insensibilização elétrica seguida de fibrilação cardíaca Treinamento do profissional Cuidado com eletroimobilização Prós Baixo custo Não contamina a carcaça Contras Contenção Risco
Corrente e voltagem corretas Posição correta e pressão Tempo suficiente Precisa sangrar ou usar corrente de baixa frequência (50 Hz) para causar fibrilação cardíaca
Na eletrocussão, quando a corrente elétrica passa pelo cérebro, causa imediata insensibilização do animal (AVMA..., 2013), não havendo, nesse caso, a necessidade de utilizar outro método para induzir a perda da consciência. A eletrocussão é o método de eutanásia mais empregado em suínos de produção (DENICOURT et al., 2010; ON-FARM..., 2009), sendo também o mais usado na insensibilização dos animais em abatedouros. A segunda é a técnica de um passo. Neste caso os eletrodos são posicionados para que a corrente elétrica passe pelo cérebro e coração ao mesmo tempo, causando a insensibilização (perda da consciência) e morte do animal por fibrilação cardíaca no mesmo instante (AVMA..., 2013)
Existem vários modelos de equipamentos para eletrocussão de suínos, sendo que a maioria foi desenvolvida para abatedouros, sendo muito complexos e caros para a prática de eutanásia em granjas. Entretanto, eletricistas podem montar modelos que sejam seguros e mais simples para esse fim. A eutanásia dos suínos deve ser realizada pelo médico veterinário. Em situações eventuais onde este profissional não estiver disponível, o procedimento poderá ser executado por produtores ou funcionários de granjas, desde que sob supervisão e treinamento do médico veterinário.
SINAIS INÍCIO DA FASE TÔNICA OFICINA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O BEM-ESTAR DOS ANIMAIS DE PRODUÇÃO - BRASÍLIA 2015 10 a 15 segundos
SINAIS FASE CLÔNICA OFICINA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O BEM-ESTAR DOS ANIMAIS DE PRODUÇÃO - BRASÍLIA 2015 15 a 45 segundos
Deslocamento cervical Pequenas aves Treinamento do profissional Prós Rápida execução Não contamina a carcaça Contras Sem perda imediata da consciência Habilidade
Fonte: HSA
Maceração OFICINA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O BEM-ESTAR DOS ANIMAIS DE PRODUÇÃO - BRASÍLIA 2015 Aves de até 72 horas de vida Morte instantânea Grande número de animais Prós Morte instantânea Seguro Grande número de animais Contras Equipamento
Principais Métodos Químicos
Inalação OFICINA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O BEM-ESTAR DOS ANIMAIS DE PRODUÇÃO - BRASÍLIA 2015 Diestresse por aversão, hipóxia Câmara apropriada Concentração, fluxo de liberação Risco ao operador Neonatos perda lenta de consciência
Nitrogênio e argônio Sem odor, inertes Anóxia remoção do O2 Adequado para aves Suínos concentrações adequadas e exposição rápida Prós Baixo custo e baixo risco aos operadores Contras Perda da consciência após hipóxia e hiperventilação Reestabelecimento de baixas concentrações de O2 permite a recuperação
Dióxido de carbono Acidose respiratória Estimula a respiração Reação difere entre animais Prós Efeitos analgésico e anestésico Não acumula nos tecidos Baixo custo Contras Irritação de membranas Gelo seco pode causar lesões em contato com animais
Gás CO2 Entrada Saída
Agentes dissociativos e agonistas α2-adrenérgicos Quetamina + xilazina Pode ser IM se não houver acesso venoso Prós Rápida perda de consciência Contras Alto custo Fármacos controlados
Parada cardíaca Cloreto de potássio e sais de magnésio Administrar somente após a insensibilização / anestesia
Avaliação dos métodos Ausência de dor Tempo inconsciência e morte Irreversibilidade Confiabilidade Segurança Custo Compatível com análise post mortem Estética Descarte seguro da carcaça
Métodos aceitáveis Res. CFMV 1000/2012 Espécie Cães e gatos Equídeos Bovinos Suínos Aves Peixes Animais de laboratório OFICINA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O BEM-ESTAR DOS ANIMAIS DE PRODUÇÃO - BRASÍLIA 2015 Método Barbitúricos, anestésicos inalatórios ou injetáveis + KCl, eletrocussão com insensibilização prévia Barbitúricos, anestésicos inalatórios ou injetáveis + KCl Arma de fogo, dardo cativo Barbitúricos, anestésicos inalatórios ou injetáveis + KCl Dardo cativo e sangria, arma de fogo Barbitúricos, anestésicos injetáveis + KCL, overdose de anestésicos inalatórios, eletrocussão com insensibilização prévia, CO2, dardo cativo, arma de fogo Barbitúricos, anestésicos inalatórios ou injetáveis + KCl Deslocamento cervical, CO2, decapitação Barbitúricos, anestésicos inalatórios ou injetáveis + KCl CO2, decapitação, benzocaína Barbitúricos, anestésicos inalatórios ou injetáveis + KCl Deslocamento cervical, CO2, decapitação, secção da medula
Métodos inaceitáveis Resolução CFMV 1000/2012 Embolia gasosa; Traumatismo craniano; Incineração in vivo; Hidrato de cloral para pequenos animais; Clorofórmio ou éter sulfúrico; Descompressão; Afogamento; Exsanguinação sem inconsciência prévia; Imersão em formol ou qualquer outra substância fixadora; Uso isolado de bloqueadores neuromusculares, KCl ou sulfato de magnésio; Qualquer tipo de substância que possa causar sofrimento ao animal e/ou demandar tempo excessivo para morte; Eletrocussão sem insensibilização ou anestesia prévia; Qualquer outro método considerado sem embasamento científico.
Abate Sanitário
Intenções para abater animais com o propósito de controlar doenças Proteger a saúde humana; Eliminar sofrimento do animal doente; Prevenir sofrimento em animal suscetível; Manter o rebanho do país saudável; Sustentar uma criação viável/ abastecimento da cadeia alimentar.
Critérios para a seleção do método Natureza da doença (ex. notificação obrigatória, zoonoses) ou desastres; Localização da propriedade; Espécie, número, tamanho e idade dos animais; Saúde e segurança do operador; Disponibilidade de recurso e necropsia; Biossegurança; Custo e eficiência do método.
Abate para controle de doenças- no local Comunicação Liderança Rodízio no trabalho/pausas Fadiga/ estresse Conhecimento do criador Sistemas com bom manejo
Abate como controle de doenças Roupas de proteção Pontos de desinfecção TODOS têm a responsabilidade de garantir que todos os animais estejam mortos!!
Organização do local de manejo para abate sanitário na propriedade 1. Utilize cercados que já existem; 2. Sistemas de corredores para ovelhas e suínos 3. Cercado para abate e remoção dos animais; 4. Cercados móveis para suínos; 5. Se os animais estão acostumados com manejo ou se forem sedados, podem ser abatidos num espaço aberto; 6. Um grande cercado com feno/palhas para abate com armas de fogo*
Cercado de contenção
Métodos Mecânicos Deslocamento Cervical Vantagens Não possui vantagens para o Bem-estar animal. Desvantagens Utilizado apenas em aves com até 3kg de peso vivo. A perda da consciência não é imediata. Necessita de uma boa contenção. Fadigas na operação pode levar a severos comprometimentos do BEA.
Cuba - método elétrico- móvel
Gelo seco em um saco
Métodos Químicos CO2 Vantagens Proceder a eutanásia no próprio local e em caixas contendo pequeno grupos de animais; O manejo e a contenção são mínimos. Desvantagens O CO 2 é um gás aversivo. Dificuldade em se avaliar a morte dos animais nas caixas. Necessita de concentrações certas. Utilizado apenas para leitões e aves.
CO2 gas- caçambas e containers
Sistema móvel de CO2
Espuma abate sanitário de perus Cedido por Raj, (2012)
Nitrogênio abate sanitário de frangos Cedido por Raj, (2012)
Gas no galpão- CO2
Dispersão antes do gás Aves pós gás amontoando em pequenas quantidades A barreira excluiu as aves, algumas amontoando-se vistas em volta da barreira
Overdose de anestésico na alimentação e na água Alfa-cloralose foi testada 3 a 6% recomendada; Gosto muito amargo; Aves precisam consumir a dose letal de uma única vez (alimentação ou água); Jejum (24 h) deve forçar o consume; Precisa de um método de abate, gás em container.
Avestruzes OFICINA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O BEM-ESTAR DOS ANIMAIS DE PRODUÇÃO - BRASÍLIA 2015 Insensibilizador manual ou dardo cativo seguido de sangria.
Suínos Dardo cativo Arma de fogo Elétrico Mistura de gases
Suínos OFICINA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O BEM-ESTAR DOS ANIMAIS DE PRODUÇÃO - BRASÍLIA 2015 Movimento dos suínos utilizando corredores temporários; Cercados de contenção podem ser feitos usando fardos de feno.
Abate para controle de doenças- dardo cativo Exige tecnica e paciência Armas e munição suficientes Não insensibilizar até que o animal esteja contido alvo utilizar o pith Posição correta Avaliar a eficiência da insensibilização Se houver dúvida- atirar de novo
Suínos: mistura de gases Opções possíveis: É necessário pesquisa e desenvolvimento Gás em container; Gás nas propriedades.
Conclusões Ética Escolha do método Confiabilidade ideal sobredosagem de anestésicos Sem causar medo, dor ou diestresse Importante seguir protocolos e normas
OBRIGADA!!! charli.ludtke@agricultura.gov.br
Referências Bibliográficas INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 3, DE 17 DE JANEIRO DE 2000. Acesso: http://extranet.agricultura.gov.br/sislegisconsulta/consultarlegislacao.do?operacao=visualizar &id=1793. REGULAMENTO TÉCNICO DE MÉTODOS DE INSENSIBILIZAÇÃO PARA O ABATE HUMANITÁRIO DE ANIMAIS DE AÇOUGUE. OIE. The World Organization for Animal Health. Slaughter of animals. In. Terrestre animal health code. 2010. Chap. 7.5. Disponível em: http://www..oie.int/eng/normes/mcode/en_chapitre_1.7.5.htm>. Acesso em: 21 de jul. 2010. GRANDIN, T; 1997. Good management practices for animal handling and stunning, American Meat Institute, Washington, DC. GRANDIN. T. Published by AMI FOUNDATION. Recommended Animal Handling Guidelines Audit Guide: A Systematic Approach to Animal Welfare, 2010. p. 4-49. GREGORY, N.G, Stunning and Slaughter. Animal Welfare and Meat Science. Cabi. Publishing. 1998. PATRICIA CRUZ BARBALHO. Avaliação de programas de treinamento em manejo racional de bovinos em frigoríficos para melhoria do bem-estar animal. Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho Faculdade de ciências agrárias e veterinárias câmpus de Jaboticabal. Jaboticabal, 2007. p.10 59.
Referências Bibliográficas VELARDE, A., FAUCITANO, L., GISPERT, M., OLIVER, M. A., & DIESTRE, A; 1998. A survey of the efficiency of electrical and carbon dioxide stunning on insensitivity in slaughter pigs. In: Proceedings International Congress of Meat Science and Technology. 1076 1077. WARRISS, P. D, Meat Science: An Introductory Text., 225 páginas. 2 edição, Cabi. Publishing. 2010. American Veterinary Medical Association. AVMA Guidelines for the Euthanasia of Animals: 2013 Edition. AVMA, 2013 Conselho Federal de Medicina Veterinária. Resolução nº 1000, de 11 de maio de 2012. CFMV, 2012. Organização Mundial de Saúde Animal. Código Sanitário de Animais Terrestres. OIE, 2012