MONITORAMENTO DA QUALIDADE DO AR 1. CONCEITOS



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Transcrição:

MONITORAMENTO DA QUALIDADE DO AR 1. CONCEITOS Qualidade do ar: termo usado, normalmente, para traduzir o grau e poluição no ar que respiramos. Produto da interação de um complexo conjunto de fatores, entre os quais se destacam a magnitude das emissões, a topografia e as condições meteorológicas da região, favoráveis ou não à dispersão dos poluentes. A qualidade do ar é afetada pelas emissões móveis e estacionárias, bem como pelas características atmosféricas da região considerada, principalmente a capacidade de dispersão do local. Poluição atmosférica: qualquer forma de matéria ou energia com intensidade, concentração, tempo ou características que possam tornar o ar impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem estar público, danoso aos materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e as atividades normais da comunidade. Monitoramento da qualidade do ar: monitoramento realizado para determinar o nível de concentração de poluentes presentes na atmosfera. Poluentes primários: aqueles diretamente emitidos no ambiente, pelas fontes de emissão. Poluentes secundários: aqueles formados na atmosfera através da reação química entre poluentes primários e componentes naturais da atmosfera. Fontes de emissão atmosférica: origem das emissões atmosféricas que possam alterar a qualidade do ar. Dependendo das causas, ou de acordo com a sua especificidade e dispersão territorial e temporal podem ser classificadas como antropogênicas ou naturais. Fontes antropogênicas: emissões atmosféricas geradas por intervenção humana, tais como atividade industrial ou tráfego de automóveis. Fontes naturais: emissões atmosféricas de origem natural englobam fenômenos da natureza tais como emissões provenientes de erupções vulcânicas ou fogos florestais de origem natural. Fontes estacionárias: emissões provenientes de fontes fixas, tanto as antropogênicas quanto as naturais. Fontes móveis: emissões provenientes de fontes em movimento, como o tráfego rodoviário, aéreo, marítimo e fluvial. Fontes pontuais: casos especiais de fontes emissoras, cuja análise e tratamento apresentam particularidades específicas. Pontos de emissão contínua de um dado processo, cuja característica determina o perfil da emissão. Fontes difusas: pontos eventuais de emissões, cuja característica é normalmente variável e influenciada pelas condições ambientais locais. Dióxido de enxofre (SO 2 ): parâmetro resultante, principalmente da queima de combustíveis que contém enxofre, como óleo diesel, óleo combustível e gasolina. Pode reagir com outras

substâncias presentes no ar, formando partículas de sulfato que são responsáveis pela redução da visibilidade na atmosfera. Dióxido de nitrogênio (NO 2 ): parâmetro formado durante processos de combustão. Em grandes cidades os veículos geralmente são os principais responsáveis pela emissão deste parâmetro. O NO2 é originado do NO, sob ação da luz solar e tem papel importante na formação de oxidantes fotoquímicos como o ozônio. Fumaça (FMC): parâmetro associado ao material particulado suspenso na atmosfera, proveniente dos processos de combustão. Material particulado: conjunto de poluentes constituídos de poeiras, fumaças e todo tipo de material sólido e líquido que se mantém suspenso na atmosfera por causa de seu pequeno tamanho. Monóxido de carbono (CO): gás incolor e inodoro que resulta da queima incompleta de combustíveis de origem orgânica (fósseis, biomassa, etc). Em geral é encontrado em áreas de maior circulação de veículos. Ozônio e Oxidantes fotoquímicos: denominação que se dá à mistura de poluentes secundários formados pelas reações entre os óxidos de nitrogênio e compostos voláteis, na presença de luz solar, sendo estes últimos liberados na queima incompleta e evaporação de combustíveis e solventes. O ozônio é o principal produto desta reação, por isto mesmo utilizado como parâmetro indicador da presença de oxidantes fotoquímicos na atmosfera. Tais poluentes formam a chamada névoa fotoquímica ou smog fotoquímico, denominação devido a diminuição de visibilidade na atmosfera, causada pelo mesmo. Ressalta-se que o ozônio encontrado na faixa de ar próxima do solo, é tóxico (mau ozônio), ao contrário do encontrado na estratosfera (cerca de 25 km de altitude) onde tem a importante função de proteger a terra, dos raios ultravioletas emitidos pelo sol. Partículas totais em suspensão (PTS): material particulado com diâmetro aerodinâmico menor que 50 µm. Partículas inaláveis (MP10): de maneira simplificada são as partículas (material particulado) cujo diâmetro aerodinâmico é menor que 10 µm. 2. CONSIDERAÇÕES SOBRE A QUALIDADE DO AR A qualidade do ar de uma área ou região é determinada através de avaliações de poluentes atmosféricos, que são comparados com os padrões de concentrações de poluentes estabelecidos na legislação ambiental. Os padrões de qualidade do ar referem-se às concentrações de poluentes atmosféricos que, quando ultrapassados, poderão afetar a saúde, a segurança e o bem estar da população, bem como ocasionar danos à flora e fauna, aos materiais e ao meio ambiente em geral. Os padrões são baseados em estudos científicos dos efeitos produzidos por poluentes

específicos e são fixados em níveis que possam propiciar uma margem de segurança adequada. Os poluentes atmosféricos podem ser classificados como: Poluentes primários: São considerados poluentes principais, emitidos diretamente na atmosfera e poluem em caráter local. Destacam-se: Partículas totais em suspensão (PTS); Partículas inaláveis (MP 10 ); Fumaça (FMC); Dióxido de enxofre (SO 2 ); Monóxido de carbono (CO); Dióxido de nitrogênio (NO 2 ). Poluentes Secundários: São formados na atmosfera através de reações químicas entre os poluentes primários e os constituintes naturais da atmosfera. Esses poluentes permanecem em suspensão por um período de tempo mais prolongado. Como exemplos de poluentes secundários têm-se o ozônio (O 3 ), resultado de reações entre os óxidos de nitrogênio (NO x ) e os hidrocarbonetos. 3. PARÂMETROS E PADRÕES DE QUALIDADE DO AR 3.1 Padrões de Qualidade do Ar POLUENTES PADRÃO PRIMÁRIO PADRÃO SECUNDÁRIO TEMPO DE AMOSTRAGEM Partículas Totais em Suspensão 240 80 150 60 24h (a) MGA (b) Partículas Inaláveis 150 50 150 50 24h (a) MAA (c) Fumaça 150 60 100 40 24h (a) MAA (c) Dióxido de Enxofre 365 80 100 40 24h (a) MAA(c) Monóxido de Carbono 40.000 35 ppm 10.000 9 ppm 40.000 35 ppm 10.000 9ppm 1h (a) 8h (a) Ozônio 160 160 1h (a) Dióxido de Nitrogênio 320 100 190 100 ( a ) não deve ser excedido mais que uma vez ao ano ( b )média geométrica anual ( c ) média aritmética anual ( d ) alterado para 24 hs em função da adequação da metodologia de amostragem 1h (d) MAA (c)

Fonte: Resolução CONAMA Nº 03 de 28.06.90 Existem diversos poluentes atmosféricos, os mais comuns estão relacionados na Resolução CONAMA Nº 03/90. 3.2 Parâmetros Os parâmetros são: Material Particulado; o Partículas Totais em Suspensão (PTS) o Partículas Inaláveis (MP 10 ) o Fumaça (FMC) Dióxido de Enxofre (SO 2 ); Monóxido de Carbono (CO); Ozônio (O 3 ); Dióxido de Nitrogênio (NO 2 ). As fontes dos diversos poluentes, bem como os efeitos que cada um poluente origina são bastante diferentes. Estas diferenças começam logo pela sua geração como poluentes primários e poluentes secundários. Os padrões de qualidade do ar são estabelecidos a partir de observações sobre os efeitos dos poluentes sobre a saúde humana, incluindo-se danos ao meio ambiente. Os números indicadores, ou padrões, são definidos por pesquisadores, levando-se em conta os valores culturais da sociedade e os conhecimentos científicos que existem, associados a viabilidade econômica e política de se implantar um determinado número ou condição. Estes níveis de referência, em todos os países, têm mudado com o decorrer dos anos. 3.2.1 Características dos Parâmetros Os parâmetros considerados, com suas respectivas características encontram-se no quadro abaixo: PARÂMETROS Material Particulado Dióxido de Enxofre (SO 2) Monóxido de Carbono (CO) Ozônio (O 3) Dióxido de Nitrogênio (NO 2) CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS Material sólido ou pequenas gotículas de fumo, poeiras e vapor condensado no ar. Incolor; Inodoro, em baixas concentrações; Cheiro intenso de enxofre, quando há altas concentrações. Incolor; Inodoro. Incolor; Principal constituinte do smog fotoquímico, que se traduz por uma névoa que se forma alguns metros acima da superfície do solo. Castanho claro, quando em baixas concentrações; Cria uma brisa castanha, desagradável, em altas concentrações

3.2.2 Principais Fontes As principais fontes de geração relacionadas aos parâmetros, para as diversas atividades, encontram-se no quadro abaixo: PARÂMETROS Material Particulado Dióxido de Enxofre (SO 2) Monóxido de Carbono (CO) Ozônio (O 3) Dióxido de Nitrogênio (NO 2) FONTES Tráfego; Setor industrial (cimenteiras, indústrias químicas; refinarias, etc); Obras de construção civil; Varrição de áreas; Movimentação de matérias primas. Setor industrial (especialmente refinarias, indústria química e caldeiras abastecida com combustíveis fósseis). Tráfego, especialmente de veículos sem catalisador; Indústrias. Forma-se ao nível do solo, como resultado de reações químicas que se estabelecem entre alguns poluentes primários, na presença de luz solar. Tráfego; Setor industrial, em geral, pela queima de combustíveis a temperaturas relativamente elevadas. 4. QUALIDADE DO AR E SAÚDE Os efeitos adversos da poluição atmosférica podem se manifestar no ser humano, animais e vegetais de forma crônica, ou seja, mediante exposição a uma dosagem mediana de poluentes no longo prazo, ou de forma aguda, quando o receptor fica exposto a altas doses de poluentes atmosféricos num curto espaço de tempo. O monitoramento sistemático das concentrações de poluentes presentes na atmosfera (qualidade do ar) é fundamental para garantir a qualidade de vida existente no local. Para simplificar o processo de divulgação da qualidade do ar é utilizada uma ferramenta matemática desenvolvida denominada índice de qualidade do ar - IQA. Esse índice é utilizado desde 1981 e, para sua criação, foi utilizada como base uma longa experiência desenvolvida no Canadá e EUA. No Brasil, este índice já é adotado por alguns estados como referencia para a qualidade do ar. Através do IQA, para cada poluente medido é relacionado um índice, que qualifica o parâmetro, conforme apresentado na tabela abaixo: QUALIDADE ÍNDICE PTS MP 10 O 3 CO (ppm) NO 2 SO 2 Boa 0-50 0-80 0-50 0-80 0-4,5 0-100 0-80 Regular 51-100 81-240 51-150 81-160 4,6-9 101-320 81-365 Inadequada 101-199 241-375 151-250 161-200 9,1-15 321-1130 366-800 Má 200-299 375-625 251-420 201-800 15,1-30 1131-2260 801-1600

Péssima > 299 > 625 > 420 >800 >30 >2260 >1600 Fonte: CETESB Significado de cada índice adotado como IQA. QUALIDADE ÍNDICE SIGNIFICADO Boa 0-50 Praticamente não há riscos à saúde. Regular 51-100 Pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas), podem apresentar sintomas como tosse seca e cansaço. A população, em geral, não é afetada. Inadequada 101-199 Má 200-299 Toda a população pode apresentar sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta. Pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas), podem apresentar efeitos mais sérios na saúde. Toda a população pode apresentar agravamento dos sintomas como tosse seca, cansaço, ardor nos olhos, nariz e garganta e ainda apresentar falta de ar e respiração ofegante. Efeitos ainda mais graves à saúde de grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas). Péssima > 299 Toda a população pode apresentar sérios riscos de manifestações de doenças respiratórias e cardiovasculares. Aumento de mortes prematuras em pessoas de grupos sensíveis. Fonte: CETESB Os efeitos adversos que os poluentes apresentados na Resolução CONAMA Nº 03/90 podem causar na atmosfera serão descritos a seguir: Material Particulado, representado na Resolução por três indicadores: Partículas Totais em Suspensão, Partículas Inaláveis e Fumaça, começam pelos aspectos estéticos, pois este interfere na visibilidade e está associada à geração de corrosão e sujeira em superfícies (prédios, tecidos, outros materiais e estruturas). Os efeitos sobre a saúde estão associados à capacidade do sistema respiratório de remover as partículas no ar inalado, retendo-as nos pulmões; presença nas partículas de substâncias minerais que possuem propriedades tóxicas; presença nas partículas de compostos orgânicos, como os hidrocarbonetos policíclicos, que possuem propriedades carcinogênicas e capacidade das partículas finas de aumentar os efeitos fisiológicos de gases irritantes, também presentes no ar, ou de catalisar e transformar quimicamente estes gases, criando espécies mais nocivas. Dentre as partículas inaláveis, as mais grossas ficam retidas na parte superior do sistema respiratório. Quanto as mais finas, as partículas penetram mais profundamente no sistema respiratório, atingindo inclusive os alvéolos pulmonares. A capacidade do material particulado em aumentar os efeitos fisiológicos dos gases presentes no ar é um dos aspectos mais importantes a ser considerado. Os efeitos de uma

mistura de material particulado e dióxido de enxofre, por exemplo, são mais acentuados do que os provocados na presença individualizada de cada um deles. Dióxido de Enxofre, os efeitos dos gases na saúde humana estão intimamente associados à sua solubilidade nas paredes do aparelho respiratório, fato este que governa a quantidade do poluente capaz de atingir as porções mais profundas do aparelho respiratório. Existem evidências de que o dióxido de enxofre agrava as doenças respiratórias contribuindo ainda para seu desenvolvimento, isoladamente, produz irritação no sistema respiratório e, absorvido em partículas, pode ser conduzido mais profundamente no sistema, podendo produzir danos aos tecidos do pulmão. Monóxido de carbono, os efeitos da exposição de seres humanos ao monóxido de carbono são associados à capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue. O monóxido de carbono compete com oxigênio na combinação com a hemoglobina do sangue, uma vez que a afinidade de hemoglobina pelo monóxido de carbono é de 210 vezes maior do que pelo oxigênio. Quando uma molécula de hemoglobina recebe uma molécula de monóxido de carbono forma-se a carboxihemoglobina, que diminui a capacidade do sangue de transportar oxigênio. Os sintomas da exposição ao monóxido de carbono dependem da quantidade de hemoglobina combinada com o monóxido de carbono. Tem sido demonstrado experimentalmente que baixos níveis de carboxihemoglobina já podem causar diminuição na capacidade de estimar intervalos de tempo e podem diminuir os reflexos e a acuidade visual da pessoa exposta. Oxidante fotoquímico é a denominação dada à mistura de poluentes secundários formados pela reação dos hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio na presença da luz solar. O principal ingrediente desta mistura é o gás ozônio (O3), por isso mesmo utilizado como parâmetro indicador da presença dos oxidantes fotoquímicos, que têm em sua composição também quantidades pequenas de compostos oxigenados derivados de hidrocarbonetos. O efeito mais relatado dos oxidantes fotoquímicos está associado à irritação dos olhos. Os principais componentes da mistura causadora deste efeito são: os peróxi-acetilnitratos, o formaldeído e a acroleína. A presença dos oxidantes fotoquímicos na atmosfera tem sido associada à redução da capacidade pulmonar e ao agravamento de doenças respiratórias, com a asma. Estudos realizados em animais mostram que o ozônio causa o envelhecimento precoce, provoca danos na estrutura pulmonar e diminui a capacidade de resistir às infecções respiratórias. Mesmo pessoas saudáveis, como os atletas, têm-se mostrado sensíveis aos efeitos do ozônio, pela diminuição da capacidade de executar exercícios físicos. A forma de controlar a

formação dos oxidantes fotoquímicos na atmosfera é reduzindo as concentrações das substâncias que lhe são precursoras (óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos). Dióxido de nitrogênio. Devido à sua baixa solubilidade, é capaz de penetrar profundamente no sistema respiratório, podendo dar origem às nitrosaminas, algumas capazes de provocar o câncer. O dióxido de nitrogênio é também um poderoso irritante, podendo conduzir a sintomas que lembram aqueles do enfisema pulmonar. 5. METODOLOGIA DE AMOSTRAGEM A escolha dos monitores de poluição deve levar em consideração, além dos padrões legais, os recursos necessários para a aquisição, operação e manutenção dos equipamentos. Várias metodologias e equipamentos foram desenvolvidos para detectar a quantidade de material particulado e de gases presentes no ar atmosférico. Estes equipamentos possuem sensores eletroquímicos que são responsáveis pelo monitoramento destes gases. Como qualquer equipamento de medição, a confiabilidade dos valores obtidos depende da sensibilidade e da precisão do equipamento. O intervalo de calibração deve ser respeitado. Além disso, o operador do equipamento deve conhecer o funcionamento do mesmo e ser capaz de perceber quando o instrumento está com problemas. De acordo com a Resolução CONAMA Nº 03/90 constitui-se Método de Referência (Medição) os métodos aprovados pelo INMETRO e na ausência deles os recomendados pelo IBAMA como os mais adequados e que deva ser utilizado preferencialmente. Poderão ser adotados métodos equivalentes aos métodos de referência, desde que aprovados pelo IBAMA. O quadro a seguir apresenta os métodos indicados para medição dos parâmetros. Quadro: Métodos de medição dos parâmetros (ou equivalentes) PARÂMETROS UNIDADE MÉTODO DE MEDIÇÃO Partículas Totais em Suspensão µg/m 3 24h Amostrador de grandes volumes Partículas Inaláveis µg/m 3 24h Separação Inercial/Filtração Fumaça µg/m 3 24h Refletância Dióxido de Enxofre µg/m 3 24h Peróxido de Hidrogênio Dióxido de Nitrogênio µg/m 3 1h ( * ) Quimiluminescência Monóxido de Carbono (ppm) 8h Infravermelho não dispersivo Ozônio µg/m 3 1h Quimiluminescência ( * ) alterado para 24h em função da adequação da metodologia de amostragem Fonte: Resolução CONAMA Nº 03 de 28.06.90 A descrição sucinta de cada método segue abaixo: Partículas Totais em Suspensão - Amostrador de grandes volumes (Hi-Vol)

Método gravimétrico para análise de partículas em suspensão em ambientes. A coleta das partículas é feita através de papel filtro ou filtro de fibra de vidro, permite longos períodos de coleta. O Hi-Vol é composto basicamente de: Amostrador; Casa ou gabinete; Rotâmetro; Regulador e controlador de fluxo. A metodologia utilizada no Brasil é a NBR 9547 Material Particulado em suspensão no ar ambiente Determinação da concentração total pelo método do amostrador de grande volume. O método consiste em succionar o ar ambiente para o interior de um abrigo, através de uma bomba, passando por um filtro de vidro de 8 x 10, a uma vazão de 1,1 a 1,7 m3/min e por um período de 24 horas corridas (cerca de 2.000 m3/dia). O material com diâmetro entre 0,1 e 100 micra é retido no filtro. Um medidor de vazão registra a quantidade de ar succionada. A concentração de partículas em suspensão no Ar ambiente (MG/nm3) é então gravimetricamente determinada, relacionando-se a massa retida no filtro e o volume de ar succionado. Partículas Inaláveis - Separação Inercial/Filtração Para medição de Material Particulado Inalável, recomenda-se amostradores de Grande Volume (Hi-Vol MP10). A metodologia adotada é a Norma 13412 Material Particulado na atmosfera determinação da concentração de partículas inaláveis pelo método do amostrador de grande volume acoplado a um separador inercial de partículas. A metodologia consiste na separação, por inércia, do material particulado de tamanho superior a 10µm, através de chicanas. As partículas menores, que passam por estas chicanas ficam retidas em papel filtro. Fumaça - Refletância Para medir a quantidade de fumaça presente no ar, oriunda de veículos automotores, podese utilizar o método de Aceleração Livre. Este método é importante para definir se o veículo cumpre as condições legais de qualidade do ar. A eficácia da medição depende dos operadores, dos procedimentos de ensaio, da equipe de medição e da calibração do equipamento. O método adotado no Brasil, para avaliação de emissão de fumaça, é a norma NBR 10736 Material Particulado em suspensão na atmosfera Determinação da concentração de fumaça pelo método da refletância da luz. A amostragem consiste em impor ao motor uma rápida aceleração de modo a obter a utilização máxima da bomba de injeção. Esta situação se mantém até que se obtenha a

máxima velocidade do motor. Depois de alcançada esta velocidade, inicia-se a desaceleração até que o motor volte ao seu estado natural. Esta operação provoca a emissão de uma nuvem de fumaça em quantidade equivalente à emissão de fumaça caso o veículo estivesse em uso. A bomba de sucção utiliza um filtro de papel, o qual muda de cor (torna-se negro) em função da qualidade do gás. A mudança da cor é conseguida através da passagem dos gases, provenientes do escapamento durante a aceleração pelo filtro. O tempo de sucção varia de 6 a 8 segundos. Dióxido de Enxofre SO 2 Para medir a concentração e dióxido de enxofre (SO 2 ) no ar atmosférico o método adotado é o da pararonasilina, regulamentado pela Norma Brasileira NBR9546: Dióxido de enxofre no ar ambiente Determinação pelo método da peróxido de hidrogênio. Neste método, para coleta do poluente, é utilizado um sistema de borbulhadores onde um determinado volume do ar ambiente, mediante o uso de uma bomba de vácuo, é succionado e borbulhado em solução de reagentes específicos para cada poluente, por um tempo específico (normalmente 24 horas). O método da peróxido de hidrogênio consiste em um complexo estável de diclorosulfitomercurato formado pela absorção do dióxido de enxofre em uma solução de tetracloromercurato de potássio (TCM), reage com peróxido de hidrogênio e formaldeído. O ácido metil sufônico peróxido de hidrogênio de coloração intensa é então formado, controlando-se a adição de amostra e reagentes. A absorvância desta solução, proporcional à concentração de dióxido de enxofre, é lida em espectrofotômetro. Dióxido de Nitrogênio NO 2 Para medir a concentração e dióxido de nitrogênio (NO 2 ) no ar atmosférico o método adotado é o do arsenito de sódio, regulamentado como método equivalente da US EPA EQN-1277-026 Método do Arsenito de Sódio para a determinação de Dióxido de Nitrogênio na atmosfera. O dióxido de nitrogênio (NO 2 ) ambiente é coletado borbulhando-se ar através de uma solução de hidróxido de sódio e arsenito de sódio, durante a amostragem é determinada colorimetricamente pela reação de íon de nitrito com ácido fosfórico, sulfanilamida e diidrocloreto N-(1-naftil)-etilenediamina, medindo-se a absorção do corante azo altamente colorido a 540 nm. O método é aplicado em amostragem integrada de NO 2 por 24 horas no ar ambiente. As amostras coletadas são transferidas para análise manual num laboratório. Monóxido de Carbono CO A determinação da concentração de monóxido de carbono é realizada, no Brasil, por espectrofotometria de infravermelho não-dispersivo. Esta metodologia é regulamentada pela

NBR13157: Atmosfera Determinação da concentração de monóxido de carbono por espectrofotometria de infravermelho não-dispersivo IVND. Ozônio O 3 O método adotado para monitoramento do ozônio é o NBKI (neutral buffered potassium iodide). Neste método, o O 3 reage com o iodeto de potássio liberando iodina, que é determinada pelo espectrofotômetro. Apesar de simples e barato, a interferência com SO 2 e NO 2, e deterioração da iodina tornou este método de pouco uso. 6. PLANOS DE MONITORAMENTO DA QUALIDADE DO AR - CDP. As atividades desenvolvidas nos portos/terminais administrados pela Companhia Docas do Pará CDP podem emitir, durante suas operações, material particulado e gases para a atmosfera. O conhecimento e/ou avaliação periódica da qualidade do ar em termos de parâmetros constantes na Resolução CONAMA Nº 03/90 na área de influência é uma das formas para verificar os níveis de contribuição das emissões de poluentes das atividades portuárias, na qualidade do ar da região. As análises dos resultados/informações da qualidade do ar da área de influência, associados com parâmetros meteorológicos poderão mostrar as contribuições das atividades portuárias, e servirão de base para o inventário de qualidade do ar da região. Basicamente, as características das emissões de material particulado nos portos e terminais administrados pela CDP consistem dos próprios produtos manuseados durante as atividades realizadas. As emissões de gases podem ser originadas nos porões dos navios que podem formar estes gases em função da característica do produto transportado, podendo, ainda, ter outras contribuições de emissões durante a descarga do navio. Neste sentido, buscando conhecer as contribuições das atividades portuárias sobre a qualidade do ar na sua área de influencia, a CDP elaborou para algumas de suas Unidades Portuárias Planos de Monitoramento da Qualidade do Ar. Os planos de monitoramento da CDP consideraram dentre outros fatores: as fontes emissão de poluentes atmosféricos; as condições meteorológicas e os níveis de poluentes na atmosfera. Para definição da localização dos pontos de monitoramento e dos parâmetros a serem efetivamente monitorados foram realizadas companhas preliminares e com base nos resultados obtidos definiram-se os pontos de amostragens mais representativos e os parâmetros mais adequados para cada unidade portuária. A frequência das amostragens considerou a periodicidade da realização de determinadas operações e a metodologia proposta foi baseada no estabelecido em normas técnicas e legislações pertinentes. O método de medição e os equipamentos a serem utilizados foram definidos de acordo com os parâmetros a serem monitorados.