Tribunal de Contas da União



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Transcrição:

Tribunal de Contas da União Dados Materiais: Decisão 187/96 - Plenário - Ata 14/96 Processo nº TC 011.152/94-0 - Sigiloso Interessado: Deputado Estadual Wagner Siqueira, membro da Assembléia Legislativa do Estado do Rio1 de Janeiro. Órgão: Secretaria de Estado da Educação/RJ. Relator: Ministro Bento José Bugarin. Representante do Ministério Público: não atuou. Unidade Técnica: SECEX/RJ. Especificação do quorum: Ministros presentes: Homero dos Santos (na Presidência), Fernando Gonçalves, Adhemar Paladini Ghisi, Carlos Átila Álvares da Silva, Paulo Affonso Martins de Oliveira, Iram Saraiva, Humberto Guimarães Souto e Bento José Bugarin (Relator). Assunto: Denúncia. Ementa: Denúncia formulada por Deputado Estadual. Convênio. FAE. Aquisição de alimentos destinados à aquisição de merenda escolar pela Secretaria de Educação do Estado do RJ. Superfaturamento de preços. Procedimentos licitatórios. Conhecimento. Improcedência. Determinação. Arquivamento. Data DOU: 22/04/1996 Página DOU: 6787 Data da Sessão: 10/04/1996 Relatório do Ministro Relator: GRUPO: I - CLASSE VII - PLENÁRIO TC 011.152/94-0 - Sigiloso NATUREZA: Denúncia. ÓRGÃO: Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro.

RESPONSÁVEL: Deputado Estadual Wagner Siqueira, membro da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. EMENTA: - Denúncia relacionada com a aquisição de gêneros alimentícios. Conhecimento, uma vez que foram atendidos os requisitos de admissibilidade. Realização de inspeção. Não comprovação dos fatos denunciados, embora tenha sido constatada a falta de planejamento na compra efetuada. Conhecimento ao Ministro de Estado com vistas à adoção das medidas no âmbito de sua competência. Ciência ao interessado. Cancelamento do sigilo. Arquivamento dos autos. Trata-se de denúncia formulada pelo Deputado Estadual Wagner Siqueira sobre possíveis irregularidades na aquisição, pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, com recursos transferidos pelo Ministério da Educação e do Desporto, por intermédio da Fundação de Assistência ao Estudante - FAE/MEC, de gêneros alimentícios para o Programa de Merenda Escolar. 02. Os fatos denunciados são, em essência: superfaturamento de preços e a suspeição do processo de aquisição em virtude da velocidade com que foi conduzido (fls. 01/02). APURAÇÃO DOS FATOS 03. Em razão da realização da inspeção determinada pelo Plenário, na Sessão Reservada de 24/08/94 (fls. 10/11), a SECEX/RJ emitiu o Relatório de fls. 67/73. Em decorrência, foi realizada, nos termos do Despacho de fls. 75, a audiência prévia dos responsáveis (fls. 76/78), que apresentaram, tempestivamente, as razões de justificativas de fls. 84/127. ESCLARECIMENTOS APRESENTADOS 04. Esclareceu o Sr. Noel de Carvalho Neto (fls. 84/86 e 88) que o Convênio nº 17/93 recebeu, no exercício de 1992, o número 25/92 e que os recursos foram movimentados na conta nº 290.663-5 do Banco do Brasil, Agência 001, consoante documentação de fls. 90/91. 05. Por sua vez, o Sr. Cláudio Roberto Mendonça Shiphorst ressaltou que (fls. 99/106): a) como o convênio não admitia prorrogação, os recursos, se não fossem aplicados, teriam de ser devolvidos ao Tesouro da União no dia 30/04/94, razão pela qual foram aplicados na compra dos alimentos; b) foi discutido com o Tribunal de Contas do Estado o enquadramento legal da aquisição dentro da norma que permitia a licitação dispensada;

c) o processo de aquisição obedeceu os parâmetros contidos na tabela dos preços médios publicados no Diário Oficial/RJ; d) os preços situaram-se abaixo dos praticados no mercado; e) os gêneros adquiridos (carnes e ovos) são, efetivamente, caracterizados como perecíveis e, indiscutivelmente, foram destinados ao atendimento dos objetivos do Programa; f) o Tribunal de Contas do Estado constatou a lisura dos procedimentos realizados e determinou o arquivamento do processo (fls. 126/127); g) a FAE/MEC, ao realizar auditoria, concluiu pela regularidade do processo e a Secretaria recebeu duas outras transferências no decorrer do exercício de 1994. ANÁLISE E CONCLUSÃO DA SECEX/RJ (fls. 128/134) 06. Considerou satisfatórias as justificativas apresentadas pelo Sr. Noel de Carvalho Neto, quanto à questão relacionada com a conta bancária (fls. 129). 07. Pertinente aos esclarecimentos oferecidos pelo Sr. Cláudio Roberto Mendonça Shiphorst, o Sr. Analista, após tecer considerações quanto ao significado do conceito de gêneros perecíveis, manifestou-se favorável ao acatamento das justificativas. Porém, sugeriu que o Tribunal efetivasse recomendação à FAE (fls. 130). 08. Propôs, ainda, o arquivamento do processo e conhecimento ao interessado da decisão adotada. PARECER DO SR. DIRETOR (fls. 132/133) E DO SR. SECRETÁRIO (fls. 134) 09. Manifestaram-se de acordo com as conclusões do Sr. Analista. É o Relatório. Voto do Ministro Relator: A FAE/MEC celebrou, em 19/03/93, o Convênio nº 17/93 com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Educação/RJ, objetivando a aquisição de alimentos destinados à merenda escolar. Em 28/12/93, foi celebrado o quinto termo aditivo (objeto da presente denúncia), no valor de CR$ 331 milhões, aproximadamente. 02. A denúncia de fls. 01/03 evidencia dois fatos: a) superfaturamento de preços na compra de 64.200 (sessenta e quatro mil e duzentos) Kg de carnes congeladas e 20.403 (vinte mil e quatrocentos e três) dúzias de ovos extra brancos; b) alta

velocidade nos procedimentos licitatórios adotados visando efetuar a compra. 03. Com relação ao primeiro item, a SECEX/RJ apurou que os preços dos produtos comprados pela Secretaria situaram-se sempre abaixo dos maiores praticados no mercado, na data de 29/04/94 (fls. 66; 72, item 30; 132). 04. No tocante ao segundo item, o Sr. Diretor destaca, com muita propriedade, que o cerne da questão reside na falta de integração entre os diversos setores da administração pública. 05. Observa-se, dos autos, uma clara preocupação dos responsáveis em vislumbrar lacunas que permitam a aplicação dos recursos liberados sem prévio planejamento. 06. No caso específico, a compra, embora não tenha sido realizada com preços superfaturados, não foi a mais vantajosa para a administração pública, já que a SUNAB registrou, também, preços menores que os pagos pela Secretaria (fls. 66, 132). 07. Registre-se, consoante informado pelo responsável (fls. 101, item "a"), que as aquisições foram realizadas com base na premissa de que "como o convênio não admitia prorrogação, estes recursos, se não fossem aplicados, teriam de ser devolvidos ao Tesouro da União no dia 30 de abril de 1994, sábado". 08. Muito embora os gêneros alimentícios tenham sido aplicados no objeto pactuado do convênio, certamente os recursos teriam sido aplicados com maior eficácia se tais aquisições fossem devidamente planejadas. 09. Por outro lado, um dos fundamentos utilizados pela Secretaria de Educação/RJ para efetivar a compra sem o correspondente processo licitatório reside no fato dos alimentos terem sido caracterizados como "gêneros perecíveis", à vista no disposto no art. 24, inciso XII, da Lei nº 8.666/93, com redação dada pela Lei nº 8.883/94. 10. Em face da relevância do significado contido na mencionada expressão, entendo oportuno efetuar algumas considerações a respeito. 11. Nesse sentido, a Lei nº 8.666/93, já com a redação alterada, ao instituir normas para licitações e contratos da Administração Pública determinou, em seu art. 24, inciso XII, que a licitação é dispensável nas compras de hortifrutigranjeiros, pão e outros gêneros perecíveis, "no tempo necessário para a realização dos processos licitatórios correspondentes", realizadas diretamente

com base no preço do dia. 12. Registre-se que o revogado Decreto-lei nº 2.300/86 estabelecia que as compras eventuais de gêneros alimentícios perecíveis, em centro de abastecimento, poderiam ser realizadas diretamente com base no preço do dia. 13. A Lei nº 8.883/94 foi inovadora na medida em que condicionou a possibilidade de contratação direta apenas pelo tempo necessário para a realização do certame licitatório, além da observância de outros requisitos. 14. Em recente magistério proferido pelo Professor Diógenes Gasparini ("in" Boletim de Licitações e Contratos - nº 11 - nov./94, pág. 529/530) são quatro os requisitos para a regularidade da dispensa de licitação, quanto à compra em questão, a saber: a) que se trate de gênero alimentício; b) que seja perecível; c) que esteja instaurado o processo licitatório para a sua aquisição; d) que se faça com base no preço do dia. 15. Gênero perecível não pode significar, segundo o mencionado autor, outra coisa senão gêneros alimentícios perecíveis, isto é, produtos que servem para a alimentação humana, suscetíveis de perecimento, embora não se possa afirmar que não há alimento não perecível. 16. A despeito disso, compartilho com o entendimento do emérito autor, no sentido de que não é relevante saber em que tempo um produto alimentício se deteriora para enquadrá-lo no procedimento licitatório específico. Assim, se o alimento é considerado perecível, a sua aquisição poderá ser efetuada por via direta. 17. Entretanto, é preciso deixar bastante claro que a perecibilidade de um produto alimentício não pode ser considerada como condição para que a sua aquisição seja efetuada sem o competente processo licitatório. 18. Ora, o dispositivo legal (art. 24, inciso XII) impôs que a licitação para aquisição dos produtos alimentícios só pode ser dispensada no tempo necessário para a realização dos processos licitatórios correspondentes. Significa dizer que os órgãos da Administração Pública devem instaurar o competente processo licitatório e durante o seu transcorrer o licitante poderá, em caso de necessidade, adquirir, diretamente, o gênero alimentício perecível. 19. No presente caso, a Secretaria Estadual de Educação

efetuou a compra (carnes congeladas e ovos) sem licitação. Tais produtos foram distribuídos dentro do programa de nutrição escolar que é previamente planejado. 20. Entendo, como bem ressalta a SECEX/RJ (fls. 130), que não cabe interpretar lato sensu carne congelada como gênero perecível para fugir ao certame licitatório, se considerarmos que a aquisição tinha como meta atender a um Programa de Alimentação Escolar previamente planejado, organizado e promovido no âmbito do Estado do Rio de Janeiro que, conforme sustenta o próprio ex-secretário de Educação, "é um dos únicos estados da federação a possuir programa próprio de merenda escolar que é executado pelo sistema de adiantamentos em que cada escola compra e presta contas dos gêneros adquiridos" (fls. 101). 21. Registre-se que, de acordo com a pesquisa realizada no SIAFI, o valor liberado foi comprovado. A prestação de contas está na condição de "a aprovar". 22. Finalmente, entendo oportuno dar conhecimento, a título colaborativo, dos fatos aqui tratados ao Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Educação e Cultura, para que adote as medidas no âmbito de sua competência, tendo em vista que o Programa de Alimentação Escolar (Lei nº 8.913/94) envolve a participação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Em razão do exposto, acolho os pareceres e VOTO no sentido de que o Tribunal adote a Decisão que ora submeto à apreciação deste E. Plenário. Decisão: O Tribunal Pleno, diante das razões expostas pelo Relator, DECIDE: 1 - conhecer da presente denúncia, uma vez que foram observados os requisitos constitucional, legal e regimental (cf. art. 74, 1º, da Constituição Federal, arts. 1º, inciso XVI, 53, da Lei nº 8.443/92; e art. 213 do Regimento Interno, respectivamente) para, no mérito, considerá-la improcedente, haja vista que não restou comprovado o superfaturamento dos produtos alimentícios destinados ao Programa de Alimentação Escolar executado pela Secretaria de Estado de Educação/RJ com recursos transferidos pela FAE/MEC; 2 - determinar à Secretaria de Educação a rigorosa observância dos procedimentos licitatórios indicados, a partir de oportuno planejamento das compras necessárias;

3 - dar ciência da presente Decisão, bem como do Relatório e Voto que a fundamentam, ao Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Educação e Desporto, e ao Excelentíssimo Senhor Deputado Estadual Wagner Siqueira; 4 - cancelar a chancela de sigiloso aposta aos autos; 5 - determinar o arquivamento do processo. Indexação: Denúncia; Parlamentar; Convênio; FAE; RJ; Aquisição; Superfaturamento de Preços; Alimentação; MEC; Licitação; Preço de Mercado;