PORTUGAL PROGRAMA DE ESTABILIDADE E CRESCIMENTO Actualização para o período 2004-2007 Dezembro 2003
Í N D I C E I. INTRODUÇÃO...1 II. OBJECTIVOS DE POLÍTICA ECONÓMICA...2 III. ENQUADRAMENTO MACRO-ECONÓMICO...3 EVOLUÇÃO RECENTE...3 CENÁRIO MACRO-ECONÓMICO DE MÉDIO PRAZO (2004 A 2007)...6 IV. FINANÇAS PÚBLICAS...10 EVOLUÇÃO ATÉ 2003...10 ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2004...14 PROGRAMAÇÃO A MÉDIO PRAZO...15 IMPACTO DO AJUSTAMENTO DO CICLO ECONÓMICO SOBRE O DÉFICE...19 EVOLUÇÃO DA DÍVIDA...21 ANÁLISE DA SENSIBILIDADE...21 COMPARAÇÃO COM AS PROJECÇÕES DO PEC DE 2003...23 V. AS REFORMAS ESTRUTURAIS...24 REFORMA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA...24 SAÚDE...26 EDUCAÇÃO...28 ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO LABORAL...29 MEDIDAS PARA LIMITAR O CRESCIMENTO DAS DESPESAS COM SEGURANÇA SOCIAL...31 MEDIDAS DE REFORMA ECONÓMICA...32 VI. CENÁRIOS DE LONGO PRAZO PARA A SEGURANÇA SOCIAL...33
Í N D I C E D E Q U A D R O S E G R Á F I C O S Quadro III-1. Principais hipóteses relativas ao enquadramento externo...7 Quadro III-2. Cenário Macroeconómico...8 Quadro IV-1. Receitas Correntes...11 Quadro IV-2. Despesa Corrente...12 Quadro IV-3. Saldo Global e Primário...13 Quadro IV-4. Conta das Administrações Públicas (2003-2007)...16 Quadro IV-5. Impacto do Ciclo Económico...19 Quadro IV-6. Dívida das Administrações Públicas...21 Quadro IV-7. Sensibilidade à alteração da taxa de crescimento real do PIB...22 Quadro IV-8. Sensibilidade à alteração da taxa de juro...23 Quadro IV-9. Comparação entre as projecções actuais e as anteriores...24 Quadro VI-1. Projecção do Aumento [em pontos percentuais do PIB]...34 Quadro VI-2. Projecção das Despesas em Pensões da Segurança Social...35 Gráfico III-1. Endividamento das Famílias...4 Gráfico III-2. Emprego e Desemprego...5 Gráfico III-3. Taxa de Desemprego...5 Gráfico III-4. Salários e produtividade...5 Gráfico III-5. Salários e produtividade...5 Gráfico III-6. Défice Externo *...6 Gráfico III-7. Indicador Avançado da Actividade Económica...6 Gráfico III-8. PIB e Hiato do Produto...7 Gráfico III-9. Exportações e Procura Externa...9 Gráfico III-10. Remunerações Reais por Trabalhador e Produtividade...10 Gráfico IV-1. Hiato do Produto (*)...19 Gráfico IV-2. Saldo Global Efectivo e Corrigido do Ciclo...20 Gráfico IV-3. Saldo Primário Efectivo Corrigido do Ciclo...20 Gráfico IV-4. Sensibilidade às alterações do PIB...22 Gráfico IV-5. Sensibilidade às alterações da taxa de juro...23 Gráfico IV-6. PIB Taxa de crescimento real (%)...24
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 1 I. INTRODUÇÃO 1 A economia portuguesa tem registado, desde a segunda metade de 2002, um crescimento negativo. Tal facto deve-se, essencialmente, à acumulação de dois factores uma procura externa muito débil e uma procura interna sofrendo os efeitos da gradual correção dos fortes desequilíbrios macroeconómicos que entretanto se haviam formado. Deste modo, a taxa de variação homóloga do PIB que, no final do segundo trimestre de 2001 tinha sido de 2,5%, situava-se no final do segundo trimestre de 2003 em 2,1%. No fim de 2003 a economia parece estar em recuperação e os desequilíbrios macroeconómicos estão a atenuar-se. O valor do défice externo (soma da balança corrente com a balança de capital) reduziu-se, de cerca de 9% do PIB, em 2000, para um valor que deverá ficar aquém de 4% do PIB em 2003. Também o défice das contas públicas corrigido do ciclo económico registou um claro decréscimo ao longo dos últimos dois anos. Espera-se que, para o conjunto do ano de 2003, a economia registe um crescimento negativo de cerca de 0,8%. A recuperação económica, da qual existem alguns sinais, deverá consolidar-se em 2004, ano para o qual se espera um crescimento de cerca de 1%. 2 O Programa de Estabilidade apresentado por Portugal no fim de 2002 previa um crescimento económico para 2003 de 1,3%, superior em cerca de 2 pontos percentuais ao que se espera presentemente. Este desvio na previsão acarretaria só por si a ultrapassagem do limite dos 3% fixado no Tratado, pelo que o Governo adoptou um conjunto de medidas com o objectivo de manter o défice público abaixo daquele limite. No entanto, a concretização daquelas medidas não evita que o padrão de ajustamento previsto na anterior versão do Programa de Estabilidade tenha de ser sujeito a uma revisão, apresentada na presente actualização. 3 A nova trajectória de ajustamento das contas públicas toma em consideração as recomendações efectuadas a Portugal nas Orientações Gerais de Política Económica - défices ajustados do ciclo a decrescerem em, pelo menos, 0,5% do PIB ao ano, sobretudo através de ajustamentos nas despesas e nos sectores da administração pública, educação, saúde e segurança social. Sofre, no entanto, os efeitos de uma revisão em baixa não só do crescimento económico no ano base de 2003 mas também no dos anos subsequentes. Tal não significa qualquer revisão do objectivo de equilíbrio das contas públicas no médio prazo. Constitui, tão só, a adaptação da anterior trajectória de ajustamento a circunstâncias não previsíveis quando esta trajectória foi delineada. 4 O Programa de Estabilidade para 2004-2007 baseia-se no estabelecido no Orçamento do Estado para o ano de 2004. Segue as orientações contidas no artigo 3.º do Regulamento do Conselho n.º 1466/97, de 7 de Julho de 1997 e contém os dados preconizados no Código de Conduta de 2001. Foi aprovado pelo Governo Português no início de Dezembro de 2003.
2 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 5 A presente actualização do Programa de Estabilidade baseia-se em objectivos de política económica bem definidos, descritos no capítulo II, e num cenário macroeconómico explicitado no capítulo III. A descrição da política orçamental prosseguida no último ano e a prosseguir no período de vigência do Programa é efectuada no capítulo IV, que contém uma análise de sensibilidade da trajectória do défice público a variações do crescimento económico e das taxas de juro. No capítulo V, expõem-se as principais reformas estruturais em curso ou a implementar no período de vigência do presente Programa de Estabilidade. Finalmente, no capítulo VI são apresentadas as projecções a longo prazo relacionadas com o impacto do envelhecimento da população nas contas públicas. II. OBJECTIVOS DE POLÍTICA ECONÓMICA 6 Tal como enunciado na anterior actualização do Programa de Estabilidade, os principais objectivos de política económica em Portugal são: Acelerar a convergência real com a União Europeia; Preparar a economia e as finanças públicas para as mudanças demográficas de longo prazo. 7 Para a prossecução destes objectivos de longo prazo é essencial que se prossigam os esforços de saneamento das finanças públicas, com redução das despesas correntes, se intensifiquem as reformas estruturais de molde a aumentar a competitividade da economia e se aprofundem os esforços com o propósito de aumentar a eficiência do investimento efectuado na qualificação dos Portugueses. 8 A gradual anulação do défice das contas públicas é condição essencial para o progresso e o desenvolvimento sustentado da economia portuguesa. A revisão da trajectória de ajustamento que agora se apresenta deve-se a uma conjuntura económica claramente mais deprimida do que o antecipado. O equilíbrio das contas públicas permanece como um objectivo central que, uma vez atingido, deverá ser mantido de forma sustentada. 9 Para a prossecução deste objectivo, o Governo conta com um importante instrumento a Lei de Estabilidade Orçamental. Esta Lei estipula que todos os organismos da Administração Pública estão sujeitos a três princípios fundamentais: Estabilidade orçamental - os orçamentos deverão estar equilibrados ou em excedente, de acordo com o Sistema Europeu de Contas, SEC-95; Solidariedade recíproca os diferentes sectores da Administração Pública deverão contribuir, proporcionalmente, para a estabilidade orçamental da totalidade da Administração, mesmo que uma tal contribuição implique que as transferências do Estado para as outras entidades da Administração Pública fiquem aquém do estipulado por
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 3 lei. De notar que a Lei de Estabilidade Orçamental é uma Lei Orgânica, o que significa que prevalece sobre o restante corpo legislativo; Transparência as entidades da Administração Pública que não divulgarem as suas contas nos prazos legais deixarão de receber transferências do Estado. 10 O cumprimento sustentado da estabilidade orçamental requer a obtenção de excedentes orçamentais em anos de forte crescimento económico e a prossecução continuada dos esforços de contenção de gastos correntes e de racionalização da Administração Pública. Só deste modo será possível acomodar o crescimento previsto das despesas com o envelhecimento da população e libertar adicionalmente recursos produtivos para o sector privado da economia. Contribuir-se-á, deste modo, para a aceleração da convergência real da economia Portuguesa para níveis idênticos aos da média da União Europeia. 11 Esta aceleração da convergência real exigirá um claro aumento da produtividade dos factores de produção. A produtividade está, em Portugal, muito aquém dos níveis médios europeus e tem evoluído, nos últimos anos, de um modo não favorável quando comparada com os salários médios reais. As reformas estruturais em curso reorganização da Administração Pública, reformas nos sectores da saúde e da educação, incentivos à inovação tecnológica e criação de um ambiente favorável ao investimento visam promover o aumento da competitividade, contribuindo, ainda que de forma não imediata, para a consolidação das finanças públicas. III. ENQUADRAMENTO MACRO-ECONÓMICO EVOLUÇÃO RECENTE 12 Desde o final do ano 2000, a economia portuguesa tem registado um forte abrandamento da procura interna, em resultado do ajustamento das decisões de consumo e de investimento dos agentes privados aos elevados níveis de endividamento acumulados na segunda metade da década de 90.
4 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 Gráfico III-1. Endividamento das Famílias (Em % do rendimento disponível) 115 105 95 85 75 65 55 45 35 25 15 endividamento (esc. da esq.) Juros pagos 10 9 8 7 6 5 4 3 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001e 2002e 2003e Fonte: Banco de Portugal e Ministério das Finanças ; e estimativa. 13 Em 2003, a actividade económica prosseguiu a tendência negativa iniciada no ano anterior. O PIB deverá, deste modo, registar uma contracção entre 1% e 0,5%, em termos reais, face a um crescimento de 0,4% em 2002. Esta deterioração reflecte a intensificação do processo de ajustamento da economia, num contexto de fraco crescimento da economia internacional. Depois de uma desaceleração gradual, o consumo privado deverá diminuir em 2003, reflectindo igualmente a desaceleração do rendimento disponível dos particulares, associada à moderação salarial e ao aumento do desemprego. Espera-se ainda um aumento da taxa de poupança, por motivo de precaução. O investimento privado deverá registar uma quebra mais acentuada do que em 2002, em resultado da persistência de restrições financeiras e das fracas perspectivas em relação à evolução da procura interna e externa. O débil dinamismo dos mercados externos condicionou a evolução das exportações portuguesas, que deverão manter um crescimento moderado, ainda que superior ao registado em 2002. Do mesmo modo, em 2003, as importações deverão registar uma diminuição mais intensa do que no ano anterior, em consonância com a evolução da procura interna. Deste modo, o contributo da procura externa líquida para o crescimento do PIB continuará positivo e deverá aumentar em 2003, mas não o suficiente para compensar a deterioração do contributo da procura interna. A situação do mercado de trabalho deteriorouse em 2003, em consonância com o normal desfasamento, face ao ciclo económico, e em linha com a tendência observada desde 2001. Nos primeiros três trimestres, a taxa de actividade situou-se ao nível da verificada em 2002 (51,8%), o emprego caíu 1,1% e a taxa de desemprego atingiu 6,3% (5,1% em 2002). Apesar do aumento da taxa de desemprego, em termos de média anual, o comportamento intra-anual mostra uma relativa estabilização desde o 4.º trimestre de 2002.
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 5 Gráfico III-2. Emprego e Desemprego (%) Gráfico III-3. Taxa de Desemprego (%) 2,5 7,5 6,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0-0,5-1,0 6,5 5,5 4,5 6,0 5,5 5,0 4,5 4,0 3,5-1,5 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003* Variação do emprego (escala da esquerda) Taxa de desemprego (escala da direita) 3,5 3,0 I00 II00 III00 IV00 I01 II01 Trimestral III01 IV01 I02 II02 III02 IV02 I03 Média Anual II03 III03 Fonte: INE, Inquérito Trimestral ao Emprego. * Primeiros três trimestres. Fonte: INE, Inquérito Trimestral ao Emprego. A taxa de inflação deverá registar uma ligeira diminuição, passando de 3,7% em 2002 para uma taxa próxima de 3,3% em 2003. Para o abrandamento do crescimento dos preços, contribuíram a contracção da procura interna e a moderação salarial. O crescimento dos salários registou, de facto, uma significativa desaceleração em 2003, reflectindo o congelamento de parte dos salários na função pública e a moderação salarial no sector privado. Espera-se, deste modo, que, em 2003, o crescimento da produtividade ultrapasse o dos salários reais. Gráfico III-4. Salários e produtividade (taxas de variação, %) 6 112 Gráfico III-5. Salários e produtividade (Índice 1999=100) 5 110 4 3 2 1 0 108 106 104 102-1 2000 2001 2002 2003e 100 1999 2000 2001 2002 2003e Salários reais Produtividade Salários reais Produtividade Fontes: INE; Ministério das Finanças. e estimativa. Fontes: INE; Ministério das Finanças. e estimativa. 14 A melhoria da balança comercial, e a redução das necessidades de financiamento dos agentes privados continuaram a contribuir para a redução do desequilíbrio das contas externas. De facto, o défice conjunto das Balanças Corrente e de Capital deverá situar-se abaixo dos 4% do PIB em 2003 (8,9% em 2000).
6 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 Gráfico III-6. Défice Externo * (% do PIB) 12 9 6 3 0-3 1999 2000 2001 2002 2003e Défice corrente Défice corrente e de capital Superavite de capital Fonte: Banco de Portugal. * Medido pela soma do saldo corrente e de capital. 15 Em termos intra-anuais, a actividade económica deverá apresentar um comportamento menos desfavorável na segunda metade de 2003. Com efeito, têm-se registado alguns sinais positivos: os indicadores de confiança dos consumidores e dos empresários têm evidenciado uma tendência positiva, o índice de produção industrial apresentou uma evolução favorável no terceiro trimestre, as taxas de juro e de inflação têm permanecido em níveis baixos, a procura externa após um período de estagnação está a recuperar, e o indicador avançado da OCDE para Portugal tem sugerido uma evolução positiva. Gráfico III-7. Indicador Avançado da Actividade Económica (Taxa de variação, em %)* 10 8 6 4 2 0-2 -4-6 -8-10 Jan-99 Mai-99 Set-99 Jan-00 Mai-00 Set-00 Jan-01 Mai-01 Set-01 Jan-02 Mai-02 Set-02 Jan-03 Mai-03 Set-03 Área do euro Portugal * Calculada de acordo com a seguinte fórmula: ((índice do mês m/média do índice de m-1 a m-12)^(12/6,5)-1). Fonte: OCDE. CENÁRIO MACRO-ECONÓMICO DE MÉDIO PRAZO (2004 A 2007) 16 O cenário macro-económico para a economia portuguesa no período de 2004 a 2007 segue a mesma linha das projecções elaboradas no Outono de 2003 pelas instituições internacionais. Supõe uma recuperação da economia mundial, com
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 7 início na segunda metade de 2003 o que, aliás, veio a ser confirmado pelos dados do PIB para o 3º trimestre de 2003 quer para os EUA quer para o conjunto da área do euro. Quadro III-1. Principais hipóteses relativas ao enquadramento externo 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Taxa de juro de curto prazo (média anual) 3,3 2,3 2,3 3,2 3,3 3,4 Taxa de juro de longo prazo (média anual) 5,0 4,2 4,5 4,9 5,1 5,2 Taxa de câmbio 1 Euro =... USD (média anual) 0,94 1,15 1,16 1,16 1,16 1,16 PIB mundial (taxa de crescimento real) 2,8 3,3 4,1 4,1 3,7 3,8 PIB UE-15 (taxa de crescimento real) 1,1 0,8 2,0 2,4 2,5 2,6 Crescimento dos principais mercados de exportação 1,5 3,1 5,7 7,1 7,2 7,5 Preços mundiais das importações em USD (taxa de crescimento) 8,2 1,8 0,7 0,0 0,0 Preço do petróleo Brent (US$/bbl) 25,0 28,3 25,6 24,1 24,1 24,1 Fontes: Comissão Europeia, Ministério das Finanças. Tomou-se como hipótese de base um crescimento real do PIB na União Europeia de 2% em 2004 e 2,5%, em média anual, no período de 2005 a 2007. Considerando a evolução dos principais parceiros comerciais de Portugal, supôs-se que a procura externa relevante para a economia portuguesa acelere de 3,1% em 2003, para um valor próximo de 7%, em média anual, no período 2004 a 2007. 17 As projecções são ainda condicionadas pelos pressupostos quanto à evolução do processo de ajustamento em curso na economia portuguesa. No cenário central, admite-se que a influência do processo de ajustamento da procura interna privada tenha atingido a expressão máxima em 2003, diluindo-se progressivamente nos anos seguintes. Supõe-se, assim um crescimento, embora moderado, da procura interna. Este crescimento deverá, no entanto, ficar aquém do crescimento médio verificado no final da década de 90.. Por sua vez, a continuação do processo de consolidação orçamental traduzir-se-á, no horizonte de projecção, num contributo moderado do consumo e investimento públicos. Deste modo, o cenário de base da presente actualização do Programa de Estabilidade supõe um crescimento moderado da actividade em 2004, seguido de uma aceleração progressiva nos anos seguintes projectando-se taxas de crescimento real para o PIB de 2,5% em 2005, 2,8% em 2006 e 3% em 2007. 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0-2,0-4,0-6,0 Gráfico III-8. PIB e Hiato do Produto 6,0 4,0 2,0 0,0-2,0-4,0-6,0-8,0-10,0-12,0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Hiato do produto (escala da esquerda) PIB (taxa de crescimento real, %) 2005 2006 2007 Fonte: INE e Ministério das Finanças.
8 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 18 A evolução do produto apresenta um perfil de aceleração ligeiramente mais acentuado face ao esperado para o conjunto das economias da UE, admitindose assim a retoma do processo de convergência da economia portuguesa a partir de 2005. A redução dos desequlíbrios macroeconómicos propiciam um ambiente favorável à aceleração das reformas económicas e ao consequente aumento da produtividade, permitindo que se verifique um relançamento do crescimento em bases mais sólidas e sustentáveis. Quadro III-2. Cenário Macroeconómico 2002 2003 2004 2005 2006 2007 PIB, taxa de crescimento real (%) (7+8+9) 0.4-0.7 1.0 2.5 2.8 3.0 PIB a preços correntes (mil milhões de euros) 129.3 132.0 136.3 142.5 149.6 157.4 Deflator do PIB (taxa de variação, %) 4.6 2.8 2.2 2.0 2.1 2.1 IHPC (taxa de variação, %) 3.7 3.3 2.0 2.0 2.0 2.0 Emprego total (taxa de variação, %) 0.2-0.8 0.4 1.2 1.3 1.4 Produtividade do trabalho (taxa de variação, %) 0.2 0.0 0.7 1.3 1.4 1.6 Taxas de crescimento real (%) 1. Despesas de consumo final das famílias 0.6-0.7 0.5 2.0 2.5 2.7 2. Despesas de consumo final das Adminstrações Públicas 2.8-1.3-0.5 0.0 0.2 0.2 3. Formação bruta de capital fixo -5.3-7.0 2.5 5.0 6.2 6.5 4. Variação de existências + aquisições líquidas de cessões de objectos de valor (em % do PIB) 0.0-0.2 0.0 0.0 0.0 0.0 5. Exportações de bens e serviços 2.1 2.9 5.6 6.4 6.6 6.6 6. Importações de bens e serviços -0.4-2.6 4.0 5.2 6.3 6.4 Contributos para o crescimento real do PIB 7. Procura interna (1+2+3) -0.5-2.4 0.8 2.4 3.0 3.2 8. Variação de existências + aquisições líquidas de cessões de objectos de valor (=4) 0.0-0.2 0.0 0.0 0.0 0.0 9. Exportações líquidas 0.8 1.9 0.2 0.1-0.2-0.2 Fonte: Ministério das Finanças. 19 O consumo privado deverá evidenciar uma recuperação gradual, à medida que as expectativas quanto à evolução da actividade económica e do desemprego se tornarem mais favoráveis. O investimento privado deverá registar uma aceleração ao longo do horizonte de projecção, em linha com a atenuação das restrições financeiras das empresas. Por sua vez, as medidas tomadas com vista a melhorar a competitividade fiscal deverão promover o investimento nacional e estrangeiro bem como as exportações. Admite-se, no entanto, como hipótese conservadora, a ausência de ganhos de quotas de mercado no horizonte de programação.
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 9 Gráfico III-9. Exportações e Procura Externa (Taxa de crescimento em volume, %) 15,0 13,0 11,0 9,0 7,0 5,0 3,0 1,0-1,0-3,0-5,0 Projecção 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Quotas de Mercado Procura Externa Exportações de Bens Fontes: INE e Ministério das Finanças. 20 No período final do horizonte de projecção projecta-se o retorno a taxas de crescimento do PIB próximas do produto potencial. Deste modo, o hiato do produto mantém-se negativo em todo o período de projecção, começando a reduzir-se em 2007. Esta hipótese, juntamente com a hipótese de moderação salarial e crescimento moderado dos preços dos produtos importados (tendo em conta as hipóteses assumidas para as taxas de câmbio e os preços internacionais de matérias-primas), constituem os principais determinantes da evolução da inflação, que deverá diminuir de um valor próximo de 3,3% em 2003 para níveis próximos dos 2% no período 2004-07. 21 A expansão da actividade económica determinará um aumento do emprego o qual, dada a reacção desfasada estimada em cerca de 5/6 trimestres do emprego face ao ciclo económico, se tornará mais expressivo somente a partir de 2005. Projecta-se um retorno da taxa de desemprego ao seu nível natural (o valor estimado actualmente situa-se ligeiramente acima de 5%) a partir de 2006, em parte porque se supõe uma moderação dos salários reais, com crescimentos inferiores aos da produtividade, ao contrário do que ocorreu no passado recente. Deste modo, prevê-se, em linha com a Comissão Europeia, uma significativa desaceleração dos custos unitários de trabalho. 22 O aumento dos ganhos de produtividade deverá ser proporcionado pela modernização do enquadramento jurídico do mercado de trabalho (realizado em 2003) e pelos resultados das reformas estruturais descritas no Capítulo V.
10 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 Gráfico III-10. Remunerações Reais por Trabalhador e Produtividade (Taxa de crescimento, %) 10,0 8,0 6,0 Projecção 4,0 2,0 0,0-2,0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Remunerações reais por Trabalhador Produtividade Fontes: INE e Ministério das Finanças. 23 As projecções apresentadas estão sujeitas a diversos riscos. A trajectória de crescimento poderá ser negativamente afectada, inter alia, por: Uma recuperação da conjuntura internacional menos pronunciada do que a assumida no cenário central; Uma evolução desfavorável das taxas de juro e ou das taxas de câmbio; Um aumento da instabilidade relacionada com um ajustamento brusco do desequilíbrio das contas externas norte americanas. IV. FINANÇAS PÚBLICAS EVOLUÇÃO ATÉ 2003 24 A consolidação orçamental é um objectivo intermédio de prioridade elevada, quer porque é uma condição necessária para um desenvolvimento económico sustentável, quer porque contribui positivamente para a redução dos desequilíbrios macroeconómicos que ainda subsistem na economia portuguesa. 25 Em 2001, o rácio das receitas fiscais e contribuições sociais face ao PIB reduziu-se em cerca de 0,6 pontos percentuais do PIB, enquanto as despesas correntes primárias continuaram a crescer, atingindo 37,2% do PIB. O défice global das Administrações Públicas aumentou de 2,8% em 2000 para 4,2% em 2001, acima do valor de referência do Tratado. Assim, em Julho de 2002, a Comissão Europeia desencadeou o Procedimento dos Défices Excessivos (PDE) para Portugal. O Conselho Ecofin adoptou, a 5 de Novembro de 2002, uma Decisão sobre a existência de uma situação de défice excessivo e emitiu uma Recomendação no sentido de as autoridades portuguesas adoptarem medidas para eleminar aquela situação.
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 11 26 O Governo adoptou, em 2002, várias medidas para controlar as despesas públicas e, em particular, as despesas com o pessoal. A Lei de Alteração ao Orçamento do Estado para 2002 foi aprovada e o objectivo para o défice das Administrações Públicas foi fixado em 2,8% do PIB. O impacto positivo das medidas adoptadas, combinado com um controlo mais rigoroso da execução orçamental permitiu que o défice das Administrações Públicas, em 2002 fosse reduzido para 2,7% do PIB, apesar de o crescimento económico ter sido menor do que inicialmente previsto. O saldo primário melhorou de 1,1% do PIB em 2001 para um excedente de 0,4% em 2002. 27 O Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para 2003-2006 tinha como objectivo, para 2003, um défice global das Admistrações Públicas de 2,4% do PIB, uma redução de cerca de 0,4 pontos percentuais face ao ano anterior. Para atingir este objectivo as receitas deveriam aumentar 0,7 pontos percentuais do PIB, enquanto o aumento das despesas deveria estar limitado a 0,3 pontos percentuais. Estas metas tinham como base um crescimento real do PIB de mais dois pontos percentuais do que o que actualmente se prevê para 2003. 28 As previsões mais recentes apontam para um decréscimo do PIB de cerca de 0,8% em 2003. Esta evolução, pior que a prevista, tem um impacto forte nas receitas de impostos e contribuições sociais, cuja estimativa actual é de um decréscimo de 0,7 pontos percentuais do PIB face ao ano anterior. Os impostos directos deverão registar uma redução substancial de 1 ponto percentual do PIB, devido ao abrandamento dos salários e lucros. A estimativa da receita corrente regista uma diminuição para 40,3% do PIB, menos 1 ponto percentual que em 2002. Quadro IV-1. Receitas Correntes 1995 2000 2001 2002e 2003p Taxas de Crescimento (%) Impostos sobre a produção e importação 4,3 5,8 9,6 2,6 Impostos sobre o rendimento e riqueza 13,2 0,6 4,1-8,5 Contribuições sociais 10,9 7,7 7,6 3,5 Outras receitas correntes -2,4 2,6 13,0-3,1 Receita corrente total 7,5 4,7 8,0-0,3 Percentagem do PIB Impostos sobre a produção e importação 13,6 14,4 14,3 15,0 15,1 Impostos sobre o rendimento e riqueza 8,9 10,4 9,8 9,7 8,7 Contribuições sociais 11,0 11,8 11,9 12,2 12,4 Outras receitas correntes 4,3 4,2 4,1 4,4 4,2 Receita corrente total 37,7 40,8 40,1 41,3 40,3 e estimativa; p - previsão
12 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 29 O esforço de consolidação é patente na desaceleração das despesas correntes, cuja taxa de crescimento passa de 7,5% em 2002, para 3,8% em 2003 e no consumo público (de 6,9% em 2002, para 1% em 2003). 30 No entanto, a intensidade da consolidação é amortecida pelo crescimento intenso nas prestações sociais (12,2%), reflectindo o aumento das pensões, o impacto da fase baixa do ciclo e alterações na contabilização. De facto, o aumento da taxa de desemprego, de 5,1% em 2002, para cerca de 6,4% em 2003, induziu um aumento na despesa com subsídios. Adicionalmente, a passagem de 31 hospitais públicos a sociedades anónimas contribuiu, também, para avolumar as prestações sociais em espécie. 31 Reflectindo a contenção orçamental e a alteração de contabilização referida no ponto anterior, estima-se que as despesas com o pessoal diminuam para 14,8% do PIB, após atingirem um pico de 15,4% em 2002. Contudo o aumento das prestações sociais (1,5 pontos percentuais do PIB) mais do que anula este resultado. 32 Apesar da efectiva travagem no crescimento da despesa, a diminuição do PIB determina que o peso da despesa corrente continue a aumentar (para 42% do PIB), enquanto a poupança corrente irá deteriorar-se de 0% do PIB em 2002 para 1,7% em 2003. 33 Para compensar parcialmente esta evolução negativa da poupança corrente, o Governo teve de adoptar medidas extraordinárias que deverão aumentar as receitas de capital de 2% do PIB em 2002 para 3,8% em 2003. Quadro IV-2. Despesa Corrente 1995 2000 2001 2002e 2003p Taxas de Crescimento (%) Consumo intermédio 13,0 3,3 5,9-5,7 Despesa com o pessoal 11,0 8,0 6,7-2,0 Prestações sociais 10,4 7,3 9,6 12,2 Juros 7,8 3,7-0,4-2,3 Subsídios -32,0 33,0 14,8 20,7 Outras despesas correntes 16,9-0,9 8,8 4,3 Despesa corrente total 9,2 7,0 7,5 3,8 Percentagem do PIB Consumo intermédio 3,7 4,4 4,3 4,3 4,0 Despesa com o pessoal 13,6 15,0 15,2 15,4 14,8 Prestações sociais 13,2 14,0 14,1 14,8 16,2 Juros 6,3 3,3 3,2 3,0 2,9 Subsídios 1,3 1,1 1,3 1,5 1,7 Outras despesas correntes 1,6 2,4 2,2 2,3 2,4 Despesa corrente total 39,8 40,2 40,3 41,3 42,0 e estimativa; p - previsão
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 13 34 Depois de uma diminuição da despesa de capital em 2002 de 16,4%, em 2003, deverá registar-se um crescimento desta despesa em 8,4%, subindo o respectivo racio face ao PIB de 4,7%, para 5%. 35 A estimativa para o défice global das Administrações Públicas, em 2003, é de 2,9% do PIB, comparado com 2,7% no ano anterior. Contudo, para atingir esta meta o Governo terá que recorrer a medidas extraordinárias destinadas a contrabalançar a quebra nas receitas fiscais causadas, no essencial, pela fase baixa do ciclo que o país atravessa em 2003. Entre essas medidas, algumas em preparação e outras já concluídas, importa mencionar a transferência da responsabilidade por encargos com as pensões de aposentação a cargo dos CTT Correios de Portugal para a Caixa Geral de Aposentações e a venda de créditos tributários vencidos a uma instituição financeira privada. Ambas as operações foram devidamente notificadas ao Eurostat e validadas por esta instituição. Quadro IV-3. Saldo Global e Primário 1995 2000 2001 2002e 2003p Percentagem do PIB Receita total 39,6 42,3 42,0 43,3 44,1 Despesa total 45,0 45,2 46,3 46,0 47,0 Saldo global -5,5-2,8-4,2-2,7-2,9 Saldo primário 0,8 0,4-1,0 0,3-0,1 e estimativa; p - previsão 36 Para conter o crescimento das despesas no curto prazo foram tomadas várias medidas em 2003: a) As novas contratações mantiveram-se congeladas; esta política, combinada com o forte aumento das saídas de funcionários por aposentação, irá conduzir a uma diminuição no emprego público de cerca de 1%. Interrompe-se, deste modo, a dinâmica de crescimento do emprego público, cujo volume tinha aumentado continuamente nos últimos anos; b) Os salários mensais dos funcionários públicos acima de 1000 euros foram congelados, e os abaixo desse valor tiveram um aumento de 1,5%; c) Suspensão das revalorizações salariais e reclassificações de carreiras; d) Foi criada a bolsa de emprego público, que tem informação online sobre a oferta e procura de emprego dentro da administração pública, o que permitirá aumentar a mobilidade e reduzir o recrutamento externo. 37 As reformas estruturais foram prosseguidas em 2003, tendo como objectivos comuns finais: aumentar a eficiência na aplicação dos recursos, contribuindo, assim, para a consolidação orçamental; aumentar a produtividade e
14 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 competitividade do país; e melhorar a qualidade da prestação dos serviços públicos. Destacam-se, como mais importantes, as reformas efectuadas nas áreas da saúde, educação e segurança social, incluindo no regime de segurança social dos funcionários públicos (ver detalhes no capítulo V). 38 Tendo como objectivo assegurar as condições necessárias para conter a despesa pública no longo prazo e melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados aos cidadãos foi lançada um reforma da administração pública tendo como meta menos Estado, melhor Estado. Os principais objectivos da reforma e um plano de implementação das medidas recomendadas foram aprovadas pelo Conselho de Ministros (ver detalhes no capítulo V). ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2004 39 O Orçamento de Estado para 2004, aprovado pela Assembleia da República, assenta num conjunto de medidas de política, de que se destacam: a) Continuar as reformas estruturais nos sectores da saúde, educação e segurança social para conter a despesa pública e assegurar a sustentabilidade de longo prazo; b) Efectuar a reforma da administração pública para aumentar a eficiência e produtividade e para melhor servir os cidadãos; c) Reduzir o IRC de 30% para 25%, para promover o investimento e ajudar as empresas a aumentar a competitividade; d) Aplicar a reforma do imposto sobre o património com o objectivo de estabelecer um sistema simples e justo de avaliação de bens imóveis, que irá aumentar a eficiência na luta contra a fraude fiscal e alargar a base do imposto. As taxas do imposto serão reduzidas substancialmente; e) Assegurar a solidariedade entre os sectores da administração pública no esforço de consolidação das finanças públicas os orçamentos deverão estar em equilíbrio ou em excedente. Foi fixada uma variação nula para o endividamento líquido da administração local e regional; f) Melhorar a qualidade do investimento público; g) Reduzir como regra geral as despesas de funcionamento em 10% face ao ano anterior; h) Aprofundar o processo de fusão e reestruturação dos organismos públicos, evitando acumulação de tarefas e concentrando os recursos nas funções principais do Estado.
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 15 40 O cenário macroeconómico para 2004 aponta para uma taxa de crescimento real do PIB entre 0,5% and 1,5%; uma taxa de inflação de cerca de 2%; e um ligeiro aumento da taxa de desemprego para cerca de 6,5%. 41 Neste enquadramento, não é provável que as receitas de impostos registem uma recuperação importante, ao que se acrescenta o efeito da redução da taxa de IRC que se estima em 100 milhões de euros em 2004 e 400 milhões em 2005. Assim, prevê-se que a receita de impostos (excluindo contribuições sociais) se mantenha, praticamente, constante em percentagem do PIB face ao ano anterior, sendo o aumento das receitas dos impostos sobre a produção e importação anulado pela diminuição dos impostos sobre o rendimento e riqueza. 42 O aumento em 0,7% do PIB previsto para as receitas correntes será suportado por um aumento das contribuições sociais (devido maioritariamente à recuperação de dívidas à segurança social) e das outras receitas correntes (resultante, principalmente, do aumento das importâncias pagas pela prestação de serviços por parte das Administrações Públicas). As receitas totais irão decrescer 0,3 pontos percentuais do PIB, devido ao decréscimo das receitas de capital comparado com o ano anterior, onde foram incorporadas o impacto das medidas extraordinárias. 43 A consolidação do lado da despesa será assegurada com o decréscimo da despesa total em 0,4 pontos percentuais do PIB. Este resultado assenta na estabilidade na despesa corrente, que se manterá em 43% do PIB, e no decréscimo da despesa de capital para 4,6% do PIB. 44 O défice global das administrações públicas irá decrescer apenas marginalmente de 2,9% em 2003 para 2,8% do PIB em 2004. No entanto, ajustado do ciclo o défice reduzir-se-á em cerca de 0,6 pontos percentuais, situando-se em 1,1% do PIB. PROGRAMAÇÃO A MÉDIO PRAZO 45 A consolidação das finanças públicas deverá ser alcançada através de uma correcção progressiva na quantidade e qualidade da despesa em todos os sectores das administrações públicas. O reforço da disciplina orçamental e a solidariedade intra-sectores foram princípios base instituídos pela lei da estabilidade orçamental, que constituem um instrumental fundamental para alcançar aquele objectivo. O processo de consolidação é apoiado em reformas estruturais que permitirão conter a despesa de forma gradual e sustentada, melhorando em simultâneo a qualidade na prestação de serviços públicos. 46 A programação financeira para o período 2005 a 2007 cobre um período em que o hiato do produto se manterá negativo, reduzindo-se apenas no ano
16 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 terminal da programação. Este contexto exigirá um esforço acrescido por parte do Governo, já que a consolidação assentará exclusivamente na redução do peso da despesa no PIB. Não obstante, espera-se que as reformas estruturais em curso permitam alcançar uma diminuição progressiva do défice das Administrações Públicas, de forma a alcançar uma situação próxima do equilíbrio em 2006 para o saldo corrigido do ciclo económico (ver secção seguinte). 47 A receita de impostos deverá cair ao longo do período, em resultado do impacto na redução da taxa o imposto sobre as pessoas colectivas que diminuirá para 25% em 2004 e para 20% em 2006 (com um custo total de mil milhões de euros). Esta redução é considerada como fundamental para relançar o investimento e aumentar a competitividade. Quadro IV-4. Conta das Administrações Públicas (2003-2007) Percentagem do PIB 2003 2004 2005 2006 2007 Saldo Global das AP por Subsectores Administrações Públicas -2.9-2.8-2.2-1.6-1.1 Administração Central -3.6-3.0-2.4-1.8-1.5 Administração Local -0.1 0.0 0.0 0.0 0.0 Fundos de Segurança Social 0.8 0.2 0.1 0.3 0.4 Administrações Públicas Receitas totais 44.1 43.7 43.2 42.9 42.5 Despesas totais 47.0 46.6 45.5 44.5 43.5 Saldo Global -2.9-2.8-2.2-1.6-1.1 Juros 2.9 2.9 3.1 3.0 3.0 Saldo primário -0.1 0.1 0.9 1.5 2.0 Componentes da receita Impostos 23.8 23.7 23.5 23.4 23.0 Contribuições sociais 12.4 12.7 12.6 12.6 12.6 Outras 7.9 7.3 7.2 6.9 6.8 Receitas totais 44.1 43.7 43.2 42.9 42.5 Componentes da despesa Consumo Público 20.9 20.1 19.6 19.2 18.7 Prestações sociais 16.2 16.5 16.4 16.3 16.2 Juros 2.9 2.9 3.1 3.0 3.0 Subsídios 1.7 1.8 1.8 1.7 1.6 Formação Bruta de Capital Fixo 3.5 3.0 2.9 2.8 2.6 Outras 1.7 2.3 1.7 1.5 1.5 Despesas totais 47.0 46.6 45.5 44.5 43.5 48 As contribuições sociais, após um ligeiro ajustamento em baixa face a 2004, deverão manter-se estáveis em 12,6% do PIB, durante todo o período. As restantes receitas diminuirão, reflectindo a redução progressiva do recurso a
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 17 receitas extraordinárias que, durante o período mais baixo do ciclo económico apoiam a consolidação. 49 O consumo público deverá, entre 2004 e 2007, diminuir 1,4 pontos percentuais do PIB, em resultado da continuação de uma política de contenção salarial, da diminuição de emprego na função pública, e do controle efectivo dos gastos nos sectores com maior peso na despesa. 50 A programação assenta nos mesmos princípios já definidos no PEC de 2003, nomeadamente a restrição do crescimento anual nominal da despesa nos sectores com maior peso na consolidação orçamental: saúde, com 4%; educação não superior, com 1,6%; educação superior, com uma variação nula. 51 Adicionalmente serão tomadas medidas ao longo do período que limitem as transferências do Estado para o sistema de segurança social em 3,1% do PIB e para a segurança social dos funcionários públicos em 2,1% do PIB. A variação endividamento líquido das administrações regionais e locais manter-se-á nula, e os serviços e fundos autónomos terão obrigatoriamente os seus orçamentos em equilíbrio ou excedente. 52 A despesa com prestações sociais reduzir-se-á progressivamente de 16,5% do PIB em 2004, quando se prevê que a taxa de desemprego atinja o máximo, para 16,2% em 2007. 53 A despesa total e a despesa primária reduzir-se-ão, entre 2004 e 2006, em respectivamente 3 e 3,2 pontos percentuais do PIB. 54 O saldo global reduzir-se-á de 2,8% em 2004, para 1,1% em 2007, enquanto o saldo primário passará de um valor marginalmente positivo em 2004, para um excedente de 2% em 2007. O saldo global ajustado do ciclo económico atingirá em 2006 uma situação próxima do equilíbrio, evoluindo para um excedente de 0,4% do PIB em 2007.
18 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 PROGRAMAÇÃO FINANCEIRA PARA A CONSOLIDAÇÃO DAS FINANÇAS PÚBLICAS (Percentagem do PIB) Carga Fiscal 36.5% 36.0% 35.5% 35.0% 34.5% 34.0% 33.5% 33.0% 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 17.0% 16.0% 15.0% 14.0% 13.0% 12.0% 11.0% 10.0% Contribuições e Prestações Sociais Contribuições Prestações 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Consumo Público Despesas Corrente Primária excluindo 22% 24% Prestações Sociais 21% 20% 22% 19% 18% 20% 17% 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 18% 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 18.9% 19.7% 20.5% 20.7% 21.1% 20.9% 20.1% 19.6% 19.2% 18.7% 21.3% 22.5% 22.9% 23.0% 23.5% 22.9% 22.5% 21.7% 21.2% 20.0% Receitas e Despesas Correntes das AP Receita Total e Despesa Primária 44% 45% 42% 43% 40% 41% 38% 39% 36% 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Despesa Receita 37% 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Despesa Receita 0.0% Capacidade/Necessidade de Financiamento das AP -1.0% -2.0% -3.0% -4.0% -5.0% 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 19 IMPACTO DO AJUSTAMENTO DO CICLO ECONÓMICO SOBRE O DÉFICE 55 Depois de um período de cinco anos em que o crescimento económico se manteve acima do potencial, em 2002 o output gap fechou e nos anos seguintes tornou-se negativo e alargou-se progressivamente. A inversão deste movimento dar-se-á apenas em 2007. Gráfico IV-1. Hiato do Produto (*) (Desvio do PIB actual face ao potencial em percentagem do potencial) 6 4 2 0-2 -4-6 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 (*) Metodologia da Função Produção. 56 A componente cíclica do saldo orçamental tornou-se negativa em 2003 e mantém-se negativa ao longo de todo o período de projecção. O saldo global ajustado do ciclo melhora progressivamente de um défice de 1,7% do PIB em 2003, para uma posição próxima do equilíbrio em 2006 e excedentária em 2007. Quadro IV-5. Impacto do Ciclo Económico 2003 2004 2005 2006 2007 Taxa de crescimento real do PIB -0.8 1.0 2.5 2.8 3.0 Saldo global das AP (% PIB) -2.9-2.8-2.2-1.6-1.1 Juros (% PIB) 2.9 2.9 3.1 3.0 3.0 Taxa de crescimento do PIB potencial 1.9 2.4 2.6 2.8 2.8 Output gap -2.3-3.5-3.7-3.7-3.5 Componente cíclica do saldo orçamental -1.2-1.8-1.7-1.5-1.5 Saldo orçamental ajustado do ciclo -1.7-1.1-0.6-0.1 0.4 Saldo primário ajustado do ciclo 1.2 1.9 2.5 3.0 3.4 Nota: Metodologia da função de produção
20 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 Gráfico IV-2. Saldo Global Efectivo e Corrigido do Ciclo Gráfico IV-3. Saldo Primário Efectivo Corrigido do Ciclo 1% 0% -1% -2% -3% -4% -5% -6% Corr. ciclo Efectivo 4% 3% 2% 1% 0% -1% -2% -3% Corr. ciclo Efectivo 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 CAIXA I. OUTRAS MEDIDAS COM IMPACTO NA CONSOLIDAÇÃO DAS FINANÇAS PÚBLICAS - PROCESSO ORÇAMENTAL; - Reforço do controle e fiscalização dos contribuintes: simplificação dos documentos de pagamento dos principais impostos; elaboração do cadastro dos contribuintes por actividades económicas; organização do cadastro dos devedores ao fisco e supressão dos benefícios fiscais para os contribuintes com dívidas tributárias; - Reforma da Tributação do Património visa alterar o actual sistema de tributação do património desajustado da realidade actual, com injustiças na distribuição da carga tributária, propiciadoras de fenómenos de fraude e evasão fiscal e com um regime de avaliações caracterizado pela discricionariedade e subjectivismo na determinação dos valores patrimoniais dos imóveis. A reforma prevê a instituição de um sistema mais simples e objectivo de avaliações prediais que permitirá aumentar a eficácia no combate à fraude fiscal, o alargamento da base tributária através da aproximação dos valores de avaliação aos valores de mercado e da tipificação de novos factos sujeitos a tributação; e a redução generalizada e substancial das taxas, diminuindo os ganhos de evasão. Os projectos dos novos códigos que suportam a reforma da tributação do património serão submetidos à Assembleia da República até final de 2003; - Aprovada legislação sobre as condições de acesso à informação pertinente à investigação de crimes tributários pela Polícia Judiciária e pela Administração Tributária; - Solicitada autorização legislativa, em sede de Lei do Orçamento do Estado para 2004, para proceder ao cruzamento das bases de dados da Administração Tributária e da Segurança Social; - Racionalização de custos de comunicação na Administração Pública: para combater os efeitos negativos da gestão dispersa, serão renegociadas todas as condições contratuais com os operadores de telecomunicações (um potencial de redução de 25% de custos de comunicação, para o mesmo nível de serviço); - Compras electrónicas: este projecto arrancou no 1º semestre de 2003 com a definição estratégica do modelo de compras públicas electrónicas e irá avançar com projectos piloto em sete Ministérios.
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 21 EVOLUÇÃO DA DÍVIDA 57 Em 2000 a dívida das Administrações Públicas era de 53,3% do PIB. Nos anos de 2001, por força do défice excessivo verificado, e em 2002 devido ao grande valor que assumiram as operações de regularização de pagamentos em atraso, o rácio da dívida face ao PIB subiu em 4,8 pontos percentuais. 58 Em 2003 o rácio da dívida aumentará em 1,5 pontos percentuais do PIB, o que é explicado em grande medida pelo fraco contributo do crescimento nominal do PIB que não é suficiente para compensar o dos juros. A contribuição do saldo primário para a variação do ratio é apenas marginalmente negativa. Quadro IV-6. Dívida das Administrações Públicas 2003 2004 2005 2006 2007 % do PIB Dívida Bruta das Administrações Públicas 59.5 60.0 59.7 58.6 57.0 Variação da Dívida Bruta das AP 1.5 0.5-0.4-1.1-1.5 Contribuições para a variação da dívida bruta Saldo primário 0.1-0.1-0.9-1.5-2.0 Efeito Juros e crescimento nominal do PIB 1.7 1.0 0.4 0.1 0.1 Outros -0.3-0.4 0.1 0.2 0.3 59 Apesar de o saldo primário contribuir positivamente para a redução do ratio da dívida sobre o PIB em 2004, a continuação de um crescimento económico fraco induzirá um aumento deste rácio que se situará no limiar de 60%. Após esse ano, reflectindo o fortalecimento do processo de consolidação orçamental, deverá começar a diminuir progressivamente, atingindo no final do período da projecção 57% do PIB. ANÁLISE DA SENSIBILIDADE 60 O saldo orçamental apresenta uma sensibilidade de 0,42, em média no período, por cada ponto percentual de variação na taxa crescimento do PIB. Um cenário de crescimento económico mais intenso, sustentado ao longo do período de projecção, permitiria alcançar uma posição orçamental próxima do equilíbro em 2007. O caminho de consolidação da despesa apresentado no presente programa é considerado como fixo, pelo que a receita adicional gerada por um cenário mais positivo contribuirá directamente para acelerar o processo de consolidação orçamental.
22 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 Quadro IV-7. Sensibilidade à alteração da taxa de crescimento real do PIB 2004 2005 2006 2007 PIB (C) 1.0 2.5 2.8 3.0 PIB(+) 3.5 3.8 4.0 PIB(-) 1.5 1.8 2.0 Saldo Global das AP (C) -2.8-2.2-1.6-1.1 Saldo Global das AP (+) -1.8-0.7 0.2 Saldo Global das AP (-) -2.7-2.4-2.3 Gráfico IV-4. Sensibilidade às alterações do PIB Cenário central (C); Mais alta (+); Mais baixa (-) 1 ponto percentual 0.5 0.0-0.5-1.0-1.5-2.0-2.5-3.0 Saldo Global das AP em % do PIB 2004 2005 2006 2007 C + - 61 O mesmo princípio é válido na situação de um cenário mais negativo, caso em que o processo de consolidação será mais vagaroso, não podendo o Governo comprometer-se com uma intensidade superior à prevista no presente programa para o ajustamento da despesa pública. 62 As variações nas taxas de juro têm um efeito menos intenso no saldo orçamental, mas mesmo nestas condições o Governo considera ser irrealista supor que seja possível absorver o choque através de uma redução mais intensa da despesa do que a proposta no presente programa. 63 Em ambas as situações em que as condições são mais adversas que as previstas no cenário central o compromisso do Governo é no sentido de assegurar que o saldo orçamental não exceda o limite de 3%.
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 23 Quadro IV-8. Sensibilidade à alteração da taxa de juro 2004 2005 2006 2007 PIB (C) 1.0 2.5 2.8 3.0 PIB(+) 2.4 2.6 2.8 PIB(-) 2.6 3.0 3.3 Saldo Global das AP (C) -2.8-2.2-1.6-1.1 Saldo Global das AP (+) -2.4-1.9-1.6 Saldo Global das AP (-) -2.1-1.2-0.5 Gráfico IV-5. Sensibilidade às alterações da taxa de juro Cenário central (C); Mais alta(+); Mais baixa (-) 1 ponto percentual 0.0 Saldo Global das AP em % do PIB -1.0-2.0-3.0 2004 2005 2006 2007 C - + COMPARAÇÃO COM AS PROJECÇÕES DO PEC DE 2003 64 Em Dezembro de 2002, esperava-se um crescimento fraco em 2003, seguido de uma retoma em 2004, sustentada ao longo do período de programação, a taxas em torno de 3%. A realidade veio a mostrar-se substancialmente pior, registando-se uma diminuição do PIB em 2003, com as consequências daí decorrentes para os anos seguintes. 65 Numa situação em que o crescimento económico do país se encontra fortemente ligado à recuperação das exportações, as revisões em baixa no crescimento europeu determinaram um ajustamento, também em baixa, na procura externa em 2003 e 2004, o que tem impacto na programação dos anos seguintes. 66 A velocidade a que será realizada a consolidação das finanças públicas reflecte este cenário, prevendo-se agora uma melhoria mais gradual do défice global que, em 2007, deverá atingir 1,1% do PIB.
24 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 Quadro IV-9. Comparação entre as projecções actuais e as anteriores 2003 2004 2005 2006 2007 Taxa de crescimento do PIB PEC 2003 1.3 2.7 3.1 3.5 - PEC 2004-0.8 1.0 2.5 2.8 3.0 diferença -2.1-1.7-0.6-0.7 - Saldo global das AP (% PIB) PEC 2003-2.4-1.9-1.1-0.5 - PEC 2004-2.9-2.8-2.2-1.6-1.1 diferença -0.5-0.9-1.1-1.1 - Dívida Bruta das AP (% do PIB) PEC 2003 58.7 57.5 55.3 52.7 - PEC 2004 59.5 60.0 59.7 58.6 57.0 diferença 0.8 2.5 4.4 5.9 - Gráfico IV-6. PIB Taxa de crescimento real (%) 5 4 Actual PEC 2003 3 2 1 0-1 -2 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 V. AS REFORMAS ESTRUTURAIS REFORMA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 67 A reforma da Administração Pública é um elemento central para a consecução dos objectivos da política económica e social portuguesa, dado o seu impacto na produtividade do trabalho, na competitividade da economia e na sustentabilidade das finanças públicas. A reforma deverá permitir a libertação de recursos produtivos para o sector privado e aumentar a capacidade de oferta de bens e serviços. 68 Na sequência da apresentação, em Junho passado das linhas de orientação da reforma da Administração Pública, foram apresentados ao Parlamento,
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 25 encontrando-se actualmente em discussão, cinco projectos de lei que dão corpo à reforma em causa: Organização da Administração Directa do Estado; Institutos Públicos; Estatuto dos Dirigentes; Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho; Contrato Individual de Trabalho na Administração Pública. Com estas propostas legislativas procuram-se atingir os seguintes objectivos: Delimitar as funções que o Estado deve assumir directamente e racionalizar as estruturas através de novos modelos de organização, utilização de tecnologias de informação e aumento da sua capacidade para prestar serviços de qualidade; Orientar para resultados e desenvolver uma cultura de responsabilidade; Promover a modernização dos organismos públicos, qualificando e motivando os funcionários, inovando processos e introduzindo boas práticas de gestão; Introduzir uma nova forma de avaliação dos desempenhos, baseada em objectivos, seja dos serviços, seja dos funcionários; Intensificar os esforços na formação e na valorização dos funcionários públicos; Flexibilizar os modelos de gestão, de acordo com o tipo de actividade, combatendo a burocracia e o excesso de níveis de decisão. 69 A Lei-Quadro que passará a reger os serviços de Administração Directa do Estado prevê novas formas de organização e funcionamento destes serviços, estabelecendo regras para a sua criação, fusão, reestruturação ou extinção. O novo modelo de organização comporta uma flexibilização de estruturas e redução dos níveis hierárquicos, introduzindo também uma simplificação dos formalismos legais associados à criação e alteração de estruturas internas, em coerência com o aumento de competências e responsabilidade atribuídas aos dirigentes. 70 No caso da Lei-Quadro dos Institutos Públicos, pretende-se disciplinar o recurso à criação de instituições com regimes especiais e caracterizar os respectivos estatutos, sem prejuízo da necessária flexibilidade no plano organizativo. Nos casos em que se justifique submeter algumas das actividades ou unidades dos institutos a critérios empresariais, o projecto prevê o recurso ao outsourcing, ao estabelecimento de parcerias público privadas, ou à privatização de alguns dos estabelecimentos, de forma a garantir a introdução plena de mecanismos de mercado e de concorrência nessas áreas. 71 No âmbito do Estatuto dos Dirigentes, são atribuídas novas competências e responsabilidades aos dirigentes máximos dos serviços no que se refere à sua
26 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 organização interna. Os dirigentes máximos passarão também a dispor de maior autonomia na escolha das chefias intermédias, mediante a introdução de um novo modelo de recrutamento. Prevê-se igualmente que as direcções-gerais venham a ser diferenciadas em razão da dificuldade e complexidade das tarefas cometidas, diferenciação a que corresponderão diferentes níveis remuneratórios das respectivas chefias. A renovação das comissões de serviço dos dirigentes dependerá da avaliação do respectivo desempenho em função dos resultados obtidos. Os mandatos dos altos dirigentes ficam limitados a um máximo de três renovações, deixando assim de ser possível permanecer no mesmo cargo e no mesmo serviço mais de 12 anos. 72 O Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho redefine o modo como será efectuada a avaliação individual dos funcionários, dos dirigentes e dos organismos e serviços. A avaliação será centrada no cumprimento de objectivos estabelecidos e visa o reforço da exigência, a promoção da diferenciação pelo mérito, e a garantia de uma maior equidade do sistema. Será introduzido um novo mecanismo de avaliação dos organismos e serviços, por recurso, designadamente, a entidades externas, nacionais ou internacionais. 73 A proposta de lei relativa ao Contrato Individual de Trabalho na Administração Pública tem como objectivo fundamental a introdução do regime do contrato de trabalho na Administração Pública, adaptando algumas regras do direito privado à natureza pública do empregador e à necessidade de controle. Os contratos de trabalho poderão ser celebrados se existir um quadro de pessoal para este efeito e nos limites deste quadro e é regulada a forma de contratação colectiva. SAÚDE 74 O Serviço Nacional de Saúde (SNS) defronta-se com a existência de défices quanto à acessibilidade e equidade dos cuidados de saúde, a par de um crescimento intenso das despesas públicas. O actual Serviço Nacional de Saúde deverá evoluir para um sistema misto de serviços de saúde, onde coexistam entidades de natureza pública, privada e social, formando um sistema articulado de redes de cuidados primários, de cuidados diferenciados e de cuidados continuados. 75 As reformas em curso visam alterar as formas de financiamento e melhorar a gestão e a regulação. Será promovida a separação progressiva das funções de financiamento e de prestação de cuidados de saúde. Das reformas já encetadas, destacam-se: - A nova lei de gestão hospitalar, aprovada em Novembro de 2002, que introduziu novos modelos de financiamento e de avaliação da actividade realizada, os quais, associados a um reforço dos mecanismos de monitorização e de avaliação, deverão contribuir para a obtenção, a médio prazo, de ganhos de eficiência e para a redução de custos;
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 27 - A transformação de 34 hospitais em 31 sociedades de capitais exclusivamente públicos ( hospitais SA). A execução do plano de actividades dos hospitais SA rege-se por um contrato-programa plurianual, celebrado com o Ministério da Saúde, no qual se estabelecem os objectivos e as metas qualitativas e quantitativas, necessidades de investimento, e indicadores de avaliação de desempenho. O financiamento é calculado a partir dos preços contratados com cada hospital internamentos, consultas, urgências e hospital de dia os quais são ajustados pelo índice case mix (severidade média das patologias) e por um ponderador de cluster (diferenciação e matriz tecnológica do hospital). Dado que existe uma grande disparidade entre os níveis de eficiência dos diversos hospitais, estes foram divididos em quatro níveis distintos de eficiência para efeitos de estabelecimento do benchmarking. - O financiamento dos hospitais públicos passará a processar-se em moldes similares, i.e., na base de contratos-programa a estabelecer com cada hospital, definindo volumes de produção, acordados para o período da vigência do contrato, e preços fixados anualmente para a globalidade das prestações, ponderados pelo índice de severidade média das patologias (casemix). O contrato poderá prever contrapartidas financeiras especiais, a auferir pelo hospital em função dos resultados e da produtividade alcançada; - A definição do novo quadro legal das parcerias público-privadas em saúde, dirigido quer aos cuidados diferenciados e especializados a nível hospitalar, quer ao universo dos cuidados primários e cuidados continuados. As parcerias aplicam-se à contratação de prestações de serviços clínicos, nãoclínicos e infra-estruturais, que deve ter um carácter competitivo e assentar em critérios de mais valia técnica e económica dos projectos. A contratação deve ser precedida da elaboração de um programa alternativo com exclusão do financiamento privado o comparador público- para a realização dos mesmos fins, o qual será utilizado para avaliar a economia, eficiência e eficácia da parceria. Com a definição, em 2003, do primeiro Programa Governamental de parcerias público-privadas, prevê-se o lançamento gradual de dez unidades hospitalares que entrarão progressivamente em funcionamento, a partir do final de 2007; - A introdução de uma nova forma de financiamento das unidades que integram a rede de cuidados primários, o qual passará a ser fixado com base numa capitação calculada anualmente. Os critérios para cálculo da capitação são a estrutura etária da população e dos inscritos, o grau de dependência dos inscritos e a acessibilidade geográfica do hospital de apoio. Está a ser actualmente desenvolvido um projecto-piloto de gestão com benchmarking de objectivos quantitativos e qualitativos, a par de um novo modelo de remuneração para os clínicos gerais; - A aplicação da nova Política do medicamento: na sequência do seu lançamento, em 2002, verificou-se, em 2003, um acréscimo importante da
28 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 taxa de penetração de genéricos. Outro aspecto significativo foi a implementação do sistema de preços de referência (SPR) e a fixação da comparticipação do Estado, com base no preço do medicamento genérico mais caro. Foi também regulamentado o novo modelo de prescrição por Denominação Comum Internacional e adoptada a receita médica renovável, de particular interesse para as doenças crónicas. EDUCAÇÃO 76 A educação é um dos sectores com maior comparticipação nos gastos públicos. A racionalização da oferta educativa, as políticas destinadas a melhorar a qualidade do ensino e a implementação de mecanismos de avaliação do desempenho constituem os objectivos fundamentais das reformas em curso. De entre as medidas já tomadas e cuja aplicação continuará em 2004, salientam-se: - A política de reordenamento da rede escolar do 1º ciclo, que procede à racionalização das infra-estruturas existentes, apostando num modelo de descentralização e procurando, na lógica dos Agrupamentos, o encerramento das escolas com poucos alunos; - Continuação do processo de agrupamentos de escolas, no âmbito da reforma estrutural do sistema educativo, com um papel determinante no ordenamento das ofertas educativas criando condições de gestão das escolas, racionalização dos meios e aumento da qualidade das aprendizagens, prevendo-se a sua conclusão em 2004/2005; - Lançamento, em 2004/2005, da Reforma Curricular do Ensino Secundário e respectiva articulação com os ensinos básico, superior e com o ensino e formação profissional; - Reformulação do Ensino Recorrente nocturno por unidades capitalizáveis visando criar mecanismos que permitam uma mais racional afectação de recursos; - Expansão da infra-estrutura tecnológica e promoção da aprendizagem digital, através da introdução do ensino obrigatório das TIC Tecnologias da Informação e Comunicação e da operacionalização de um programa de apetrechamento das escolas do 3º ciclo e Secundárias com laboratórios (Lab TIC) ao longo dos próximos anos; - Promoção do crescimento e qualificação da rede social do ensino préescolar, por forma a atingir uma taxa média de cobertura de 90% no grupo etário dos 3 aos 5 anos nos próximos anos; - Desenvolvimento de iniciativas visando a redução do abandono escolar na escolaridade de 9 anos, de 2,7% para menos de 2% em 2006 e menos de 1,8%
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 29 em 2007 e a redução da taxa de saída precoce na escolaridade de 12 anos de 44,8% para menos de 35% em 2006 e menos de 33% em 2007; - Redução do número de docentes sem carga lectiva atribuída, bem como do número de professores destacados ou requisitados em funções não lectivas; - Alteração do regime de concursos e revisão do Estatuto da Carreira Docente do ensino não superior, visando maior exigência e rigor nos processos de contratação e vinculação dos professores, bem como a alteração do modelo de recrutamento e progressão na carreira; - Adopção da nova Lei do Financiamento do Ensino Superior, que cria um enquadramento do modelo de financiamento baseado numa fórmula e em contratos programa integrados em programas orçamentais, visando a promoção da qualidade do ensino e a relevância social dos cursos.o financiamento das instituições de ensino superior público terá em conta o aproveitamento escolar dos seus estudantes. A Lei fixa o número máximo de inscrições que podem ser efectuadas por um estudante, considerando-se prescrito o direito à inscrição no caso de incumprimento dos critérios aplicáveis e o estudante impedido de se candidatar de novo a qualquer curso nos dois semestres seguintes. O valor da propina é fixado anualmente por cada instituição, em função da natureza e qualidade dos cursos, dentro de um intervalo estabelecido pelo Estado; - Regime Jurídico do Desenvolvimento e Qualidade do Ensino Superior: os resultados da avaliação das instituições de ensino superior, se negativos, podem determinar a redução ou suspensão do financiamento público; a criação de estabelecimentos públicos de ensino superior, bem como a transformação ou a fusão dos já existentes, fica condicionada à sua adequação à rede de estabelecimentos de ensino superior; poderão ser aprovadas medidas de racionalização da rede de estabelecimentos públicos de ensino superior, em função da diminuição do número de candidatos à frequência de cursos conferentes de grau, da saturação das saídas profissionais e da ausência de necessidade de quadros qualificados em determinadas áreas científicas e técnicas; não serão atribuídos novos financiamentos do Estado aos cursos correspondentes leccionados em estabelecimentos de ensino superior não público; - Racionalização das vagas de acesso ao Ensino Superior, visando contribuir para uma progressiva atenuação das assimetrias de carácter regional e para a melhoria da eficiência e adequação às necessidades do mercado; ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO LABORAL 77 O Governo atribuiu especial prioridade à modernização e simplificação da legislação laboral, tendo em vista promover a flexibilidade da organização do trabalho e o incremento da mobilidade dos trabalhadores, de forma a facilitar o
30 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 ajustamento da economia à evolução dos padrões da procura e às transformações tecnológicas. Deste modo, entrou em vigor em 1 de Dezembro a Lei do Código do Trabalho que sistematiza, num só instrumento formal, as normas aplicáveis às relações individuais e colectivas de trabalho. As principais alterações dizem respeito ao contrato de trabalho a prazo, à adaptabilidade dos horários de trabalho, ao trabalho nocturno e aos instrumentos para superação de situações de bloqueamento da contratação colectiva. 78 Contratos de trabalho a prazo - O Código retém a fundamentação actualmente prevista para estes contratos - a satisfação de necessidades temporárias da empresa permitindo, todavia, alargar as possibilidades de recurso a contratos de trabalho a termo. A duração do contrato de trabalho a termo certo tem alterações significativas, sendo a sua duração prolongada, na prática, até um máximo de seis anos. Este período é reduzido em certos casos - a contratação a termo de trabalhadores para início de uma nova actividade de duração incerta, ou para início de laboração de uma empresa ou estabelecimento tem por limite dois anos; a contratação a termo de trabalhadores desempregados de longa duração tem igualmente por limite dois anos; no caso de trabalhadores à procura do primeiro emprego, a duração máxima dos contratos é reduzida para dezoito meses. 79 Adaptabilidade dos horários de trabalho No novo Código, a adaptação dos horários de trabalho às necessidades das empresas passa a poder ser efectuada por acordo entre o empregador e os trabalhadores, sendo que, neste caso,. o período normal de trabalho diário pode ser aumentado até ao máximo de duas horas, e a duração do trabalho semanal pode atingir cinquenta horas ( incluindo neste limite o trabalho suplementar prestado por motivo de acréscimos de actividade da empresa ). O Código vem também flexibilizar a adaptabilidade no quadro da regulamentação colectiva de trabalho, aumentando o acréscimo máximo da duração diária dos períodos normais de trabalho de duas para quatro horas, e a duração do trabalho semanal de cinquenta para sessenta horas. 80 Trabalho Nocturno - Nos casos em que a duração do período de trabalho nocturno não for regulada pela regulamentação colectiva de trabalho, o trabalho nocturno, que na legislação actual é o compreendido entre as vinte horas de um dia e as sete horas do dia seguinte, passa a abarcar o período compreendido entre as vinte e duas horas de um dia e as sete horas do dia seguinte. 81 Negociação Colectiva - O Código de Trabalho contém instrumentos que visam superar situações de impasse da contratação colectiva, admitindo, em situações limite, a eventualidade da caducidade de convenções colectivas que não sejam objecto de revisão. 82 Outras Questões - O Código de Trabalho contém disposições relativas ao absentismo injustificado por parte dos trabalhadores, devido nomeadamente à invocação indevida de situações de doença. Consagra ainda um conjunto de dispositivos para fiscalizar as situações de doença sempre que o empregador a considerar necessária. Para facilitar a identificação das situações de trabalho
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 31 subordinado e a regularização do falso trabalho independente, o Código do Trabalho consagra uma presunção legal de contrato de trabalho, baseada num conjunto de elementos normalmente caracterizadores do trabalho subordinado. O Código regulamenta ainda o tele-trabalho e o trabalho no domicílio. MEDIDAS PARA LIMITAR O CRESCIMENTO DAS DESPESAS COM SEGURANÇA SOCIAL 83 Foi recentemente aprovada na Assembleia da República a lei que introduz alterações em matéria de aposentação dos funcionários públicos, cujos principais aspectos são: - A pensão passa a ser calculada com base na remuneração líquida de quota para a Caixa Geral de Aposentações, isto é, reduzida em 10%; - Os funcionários com 36 anos de serviço e com menos de 60 anos de idade deixam de poder aposentar-se, sem submissão a junta médica, mesmo que não haja inconveniente para o serviço. É, no entanto, instituída uma nova modalidade que permite a aposentação voluntária do funcionário desde que este tenha 36 anos de serviço, independentemente da idade. Neste caso, o valor da pensão sofrerá uma redução de 4,5% por cada ano de antecipação em relação à idade normal de aposentação; se o funcionário contar 3 ou mais anos de serviço para além dos 36 legalmente exigidos, aquela penalização será anulada em 1 ano por cada grupo de 3 anos que o subscritor conte para além dos 36. - No caso do contrato individual de trabalho na Administração Pública, a pensão passa a ser determinada pela média mensal das remunerações líquidas de quota para a CGA auferidas nos últimos três anos, deixando, assim, o cálculo de ser efectuado com base na última remuneração. 84 No sector da segurança social serão adoptadas em 2004, diversas medidas destinadas a conter a despesa, nomeadamente: - Redução do subsídio de doença para os casos de períodos de incapacidade temporária inferiores a 60 dias; - Reforço da fiscalização da situação de doença; - Legislação visando a flexibilização da idade de reforma, com a possibilidade de pensão parcial e maior penalização nas reformas antecipadas; - Legislação reformulando os princípios da atribuição do subsídio de desemprego, cuja duração passará a ser função do número de anos de desconto; - Preparação da introdução em 2005 de um limite opcional e de um limite superior contributivo que reforce a sustentabilidade financeira do sistema (ver capítulo VI).
32 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 MEDIDAS DE REFORMA ECONÓMICA 85 Promoção da concorrência: - Entrada em funcionamento da Autoridade da Concorrência, entidade reguladora independente de carácter transversal; - Adopção do novo Regime Jurídico da Concorrência, que alarga o âmbito de aplicação do regime jurídico da concorrência a todos os sectores da actividade económica, clarifica a sua aplicação às empresas públicas e às empresas a quem o Estado tenha concedido direitos especiais ou exclusivos, e reformula o quadro sancionatório. 86 Promoção do investimento produtivo: - Entrada em funcionamento da Agência Portuguesa para o Investimento, interlocutor único para projectos de investimento de carácter estruturante e investidores estrangeiros; - Lançamento, em Julho de 2003, o Programa de Incentivos à Modernização da Economia (PRIME) que simplifica os procedimentos de decisão para a atribuição dos incentivos, melhora os critérios de selectividade e de análise dos investimentos e prevê prémios de sucesso; - Adoptado o Programa de Recuperação de Áreas e Sectores Deprimidos (PRASD) que inclui, entre outros instrumentos, a discriminação positiva de taxas de IRC e de incentivos financeiros ao investimento, visando apoiar a transição para actividades situadas em fases mais elevadas da cadeia de valor; - Lançamento do Guia do Investidor, a primeira fase do Código de Investimento. 87 Fomento da investigação e desenvolvimento: - Programa e-u Campus Virtuais (Universidade Electrónica) [www.eu.pt]. Dirigido à totalidade das comunidades académicas do país, promove um acesso mais rápido e fácil ao conhecimento por parte dessas comunidades (através da instalação de redes de acesso à banda larga wireless), e cultiva a cooperação entre as universidades e a sua relação com o mercado. O e-u estará operacional em 44 instituições do Ensino Superior até Dezembro de 2003; - Programa Quadros: financia parcialmente os custos de contratação de recursos humanos licenciados em áreas técnicas por pequenas e micro empresas; - Novo Código da Propriedade Industrial e de Patentes:, publicado em Março de 2003: disciplina matérias relacionadas com as invenções e estabelece e regulamenta os direitos e deveres envolvidos. Encontra-se disponível on-line, no site do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). 88 Maior facilidade na criação, no licenciamento, na instalação e no desenvolvimento das empresas: - Novo Código de Licenciamento Industrial: classifica os estabelecimentos industriais em 4 tipos, por ordem decrescente do grau de risco potencial
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 33 para as pessoas e para o ambiente, a que associa um grau também decrescente de complexidade da tramitação; - Reforma da acção executiva: entrou em vigor, em Setembro deste ano, o novo regime da acção executiva que acelerará todo o processo, uma vez que uma parte significativa da tramitação é atribuída a um agente de execução; - Código do Procedimento Administrativo, cuja alteração deverá ser aprovada até ao final do ano, com vista a adaptá-lo à reforma do contencioso administrativo; - Adopção do Novo Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas: tem por objectivo regular a insolvência de pessoas singulares e colectivas titulares de empresas e tornar mais rápido o processo de insolvência quando não há recuperação das empresas; - Instalação de quatro novos Centros de Formalidades de Empresas. 89 Fomento do Comércio Externo e do Turismo: - Concretizada a primeira fase do modelo de promoção do Investimento Directo Estrangeiro (IDE) - Lançado em Janeiro de 2003, o Sistema de Informação às Empresas que facilitará o acesso das empresas à informação sobre mercados, oportunidades de negócio, incentivos e apoios. 90 Melhoria do financiamento das PME: - Início da aplicação do Fundo de Garantia de Titularização de Créditos que permite a partilha de risco de crédito na aquisição de títulos representativos de créditos de longo prazo sobre PME; - Fomento do Capital de Risco: foi simplificado o processo de constituição das Sociedades de Capital de Risco e dos Fundos de Capital de Risco. - Revisão do quadro legal e fiscal das Sociedades de Capital de Risco e dos Fundos de Capital de Risco (redução da tributação das mais-valias reinvestidas. VI. CENÁRIOS DE LONGO PRAZO PARA A SEGURANÇA SOCIAL 91 O envelhecimento da população condiciona, reconhecidamente, a condução da política orçamental num horizonte alargado. O Comité de Política Económica da UE elaborou recentemente um conjunto de projecções até 2050 das despesas públicas mais sensíveis à transição demográfica. Foram consideradas as despesas com pensões, com a saúde, com os cuidados a idosos, com a educação, e com os subsídios de desemprego (veja o Quadro VI-1 para uma comparação entre os Estados Membros da UE). Estas projecções procuram medir somente o impacto orçamental do envelhecimento da população. Assim, devem ser interpretadas com cuidado uma vez que não são previsões. 92 Perspectiva-se que, por efeito do envelhecimento da população, se não forem implementadas reformas para conter o aumento destas despesas, até 2050, Portugal terá que afectar mais 3,5 pontos percentuais do PIB a estes sectores. O
34 Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 aumento da despesa com pensões assume, naturalmente, o peso mais significativo. De salientar, por outro lado, o facto de a poupança de recursos com a redução das despesas com a educação e com os subsídios de desemprego ser claramente insuficiente para compensar o aumento das despesas com as pensões e com a saúde. Quadro VI-1. Projecção do Aumento [em pontos percentuais do PIB] das Despesas Sensíveis ao Envelhecimento da População de 2000 a 2050 Cuidados Pensões Saúde a idosos Educação Desemprego Total Bélgica 3,3 1,3 0,8-0,6-1,1 3,7 Dinamarca 2,9 0,7 2,1-0,1-0,2 5,4 Alemanha 5,0 1,4-0,0-0,4 6,0 Grécia 12,2 1,7 - -0,7-0,2 13,0 Espanha 7,9 1,7 - -1,3-1,0 7,3 França 3,8 1,2 0,5-0,9-0,5 4,1 Irlanda 4,4 0,0 - -1,5-0,2 3,1 Itália 0,3 1,5 0,4-0,6-0,1 1,5 Luxemburgo 1,9 0,0-0,0 0,0 1,9 Holanda 5,7 1,0 2,2-0,1 0,1 8,9 Áustria 2,5 1,7 1,0-1,0-0,2 4,0 Portugal 3,4 0,8 - -0,6-0,1 3,5 Finlândia 4,7 1,2 1,7-0,7-0,3 6,6 Suécia 1,7 1,0 2,0-0,8-0,3 3,6 Reino Unido -1,1 1,0 0,8-0,2 0,1 0,6 EU15 3,9 1,1 0,8-0,6-0,3 4,9 Fonte: Comité de Política Económica da UE, EPC/ECFIN/435/03 1 93 No sector da Segurança Social, com a aprovação da nova Lei de Bases, Portugal alterou a fórmula de cálculo das pensões. Esta reforma constitui um passo indispensável para o reforço da sustentabilidade financeira de longo prazo da Segurança Social. As últimas projecções disponíveis sugerem que esta reforma terá contribuído para reduzir em 1,1 pontos percentuais do PIB o aumento da despesa com pensões até 2050 (ver Quadro VI-2). 1 Disponível em http://europa.eu.int/comm/economy_finance/epc/documents/2003/pensionmaster_en.pdf.
Programa de Estabilidade e Crescimento 2004-2007 35 Quadro VI-2. Projecção das Despesas em Pensões da Segurança Social [em % do PIB] 2000 2005 2010 2020 2030 2050 Aumento de 2000 a 2050 [em p.p.] De acordo com a Lei 17/2000 Despesas com pensões 1/ 9,8 10,9 11,5 12,3 12,5 12,1 2,3 Anterior à Lei 17/2000 9,8 10,9 11,8 13,1 13,6 13,2 3,4 Despesa com pensões 2/ 1/ Relatório Nacional de Estratégia Sobre o Futuro dos Sistemas de Pensões 2/ Comité de Política Económica da UE, EPC/ECFIN/435/03 94 Para além da alteração da fórmula de cálculo das pensões, foi iniciado o processo de convergência das pensões mínimas ao salário mínimo nacional, líquido da taxa social única, medida fundamental no combate à pobreza localizada nos escalões etários mais elevados. Encontra-se também previsto o plafonamento das contribuições, o que ajudará a desenvolver o segundo pilar, constituindo assim um importante complemento de reforma às pensões públicas.