Centro de Apoio Op era cional da In fâ ncia, Juven tude e Educaçã o PROJETO CONHECENDO ABRIGOS 1. Introdução O abrigo é uma medida de proteção provisória, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, que objetiva o acolhimento de crianças e adolescentes que estejam em situação de vulnerabilidade, ou seja, negligência, maus tratos, abandono, violência física, abuso sexual ou dificuldades de ordem sócio-econômica. Cabe ao poder judiciário decidir o destino das crianças que poderá ser: retorno à família de origem, colocação em família substituta, adoção nacional ou adoção internacional. Aos técnicos, assistentes soociais e psicólogos das Varas da Infância e Juventude, cabe instrumentalizar o juiz, oferecendo subsídios através de atendimentos e encaminhamentos, acompanhando o desenvolvimento das crianças e adolescentes nos abrigos, bem como o de suas famílias. Ao abrigo cabe zelar pelo desenvolvimento global das crianças, garantindo a educação, saúde, bem como acompanhar o crescimento das crianças, garantindo em sua singularidade. Outra função importante do abrigo é estimular e garantir o vínculo com a família e quando isto não for possível, garantir o acesso de crianças à sua história de vida. O Projeto, nos termos definidos pelo Estatudo da Criança e Adolescente visa cadastrar todos os locais no Estado onde se acolhem crianças e adolescente em situação de risco, inspecionando sua estrutura, o funcionamento, financiamento, abrigados e outros. Em uma segunda etapa do Projeto, almeja-se regularizar eventuais falhas evidenciadas, firmando em seguida parceria com o Sistema Único de Assistência Social SUAS e municípios, para integração de todos os profissionais envolvidos buscando a melhoria do atendimento às crianças e adolescente acolhidos. A terceira parte do Projeto consiste em cadastrar os abrigados definindo a situação jurídica de cada um para fins de oferecer aos Promotores de Justiça de todo o Estado uma relação das crianças e adolescentes aptas à inserção em famílias substitutas. 1
2. Tema Implantar projetos para equipar entidades de atendimento no Estado. 3. Justificativa É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência social e comunitária. (art. 4º do ECA). Os incisos III a V do art. 87 do Estatuto da Criança e do Adolescente asseguram a implantação de política de proteção especial às crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social. A implementação das políticas sociais para atendimento dessas crianças e adolescentes é de responsabilidade, primeiro, dos órgãos governamentais que detêm o poder de distribuição de verbas públicas e, supletivamente, da família e da sociedade, na elaboração de ações e programas destinados ao atendimento dessas crianças e adolescentes excluídos, ou não beneficiados pelas políticas sociais básicas (art. 87, I, do Estatuto da Criança e do Adolescente). O abrigo caracteriza-se como medida de proteção provisória e excepcional, que busca, quando possível, a reinserção familiar das crianças e adolescentes atendidos. Além disso, sua medida não implica em privação de liberdade (conforme Art. 101 - Parágrafo Único ECA). As crianças e adolescentes, quando chegam aos abrigos, normalmente já trazem uma história de vida marcada pela negligência, abandono, violência sexual, física e psicológica. Nos abrigos, ficam aos cuidados de pessoas em regime de trabalho plantonista e a vínculos afetivos profissionais. Apesar do esforço de algumas instituições em se adequarem ao art. 92 do ECA, ainda estão muito aquém de proporcionar um atendimento que atenda às reais necessidades dos seus abrigados, especialmente em razão da dependência do alcance de recursos financeiros do Poder Público encarregado de mantê-las. As dificuldades financeiras porque passam as entidades de atendimento no Estado de Goiás são do conhecimento da comunidade em geral. Apesar dos esforços que, ao longo do tempo, têm sido feitos no sentido de se criarem locais mais adequados às 2
necessidades dessas crianças e adolescentes, muito pouco tem se conseguido. É linha de ação a estipulação, criação e manutenção de Políticas e Programas de Assistência Social para os necessitados. O caráter de supletividade das políticas e programas diz respeito à tônica da complementaridade e da substitutividade de atividades àqueles que não tenham, circunstancialmente, condições de, pelos seus próprios meios, garantir as suas necessidade básicas. Aqui se aplicam os dispositivos constantes da Constituição Federal de 1988, postos no Título VII, referente à Ordem Social, Capítulo II: Seguridade Social, Seção IV: Assistência Social, arts. 203 e 204. Apenas para ilustrar, transcrevemos o conteúdo dos artigos: A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social e tem por objetivos: I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II - o amparo às crianças e adolescentes carentes; III - a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiências e a promoção de sua integração à vida comunitária; V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família (conforme art. 203 da Constituição Federal). As ações governamentais na área de assistência social serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no art. 195, além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes diretrizes: I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes e de assistência social; II - participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis (conforme art. 204 da Constituição Federal). A Lei 8.742, de 07/12/93, dispõe sobre a organização da Assistência Social no Brasil. E a Lei 8.909, de 06/04/94, dispõe, em caráter emergencial, sobre a prestação de serviços por entidades de assistência social, entidades beneficentes de assistência social e entidades filantrópicas, bem como estabelece os prazos e procedimentos para o recadastramento de entidades junto ao Conselho Nacional de Assistência Social. 3
4. Objetivo Geral Criar um sistema de proteção e assistência social, realizado através de um conjunto integrado de ações para garantir o atendimento às necessidades básicas objetivados na proteção da população infanto-juvenil em situação de risco. Específicos Cobrar do Poder Público local a implantação permanente de programas de abrigamentos. Propiciar a captação de recursos materiais aos abrigos municipais, visando a melhoria das condições dessas instituições, no que diz respeito ao espaço físico, instalações, mobiliário, higiene, alimentação, vestuário, equipamentos, materiais esportivos, de recreação e de estudo, realização de cursos profissionalizantes, enfim, qualquer recurso que venha contribuir para melhorar o atendimento dos abrigados oferecendo aos abrigos existentes no respectivo município apoio operacional para a execução de projetos que visem a proteção da criança e do adolescente. Criar cadastro de crianças e adolescentes em situação de risco para fins de colocação em família substituta. 5. Público alvo Entidades de Abrigamento de Goiânia. Entidades de Abrigamento do Estado. 6. Parcerias Promotores de Justiça Corpo Técnico do MP-GO Gestores Municipais Secretaria de Cidadania e Trabalho do Estado Conselho Nacional de Assistência Social 4
Conselho Estadual de Assistência Social Conselho Municipal de Assistência Social Conselho Tutelar Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente 7. Resultados esperados Possibilitar a parceria das Entidades de Abrigamento do Estado de Goiás com o Sistema Único de Assistência Social SUAS. Colocação de crianças em famílias substitutas mediante os instrumentos jurídicos existentes. 8. Ações a) Compete ao CAOINFÂNCIA Divulgar junto aos Promotores de Justiça da Infância do Estado; Mapear as entidades de abrigamento do Estado de Goiás; Divulgar do projeto na mídia e na sociedade em geral; Orientar as Entidades de Abrigamento a concessão de registro de entidade pelo Conselho Nacional, Estadual e Municipal (onde houver), conforme previsto na Lei 8.742 de 1993; Encaminhar material de apoio aos Promotores de Justiça; Criar cadastro de crianças e adolescentes para colocação em familia substituta. b) Ao Gestor Público Municipal Criar mecanismos para a plena efetivação do art. 23, inciso I, da Lei 8.742 de 07 de dezembro de 1993; Consorciar-se com outros municípios, visando a implantação de entidades de abrigamento, onde não houver. 5
c) Compete ao Promotor de Justiça Exigir extrajudicial e judicialmente a plena efetivação da Lei 8.742 de 07 de dezembro de 1993; Exigir criação, implantação e o incremento das entidades de abrigamento, exigindo adequação de espaço físico, humano e de material. Sensibilizar o Poder Público e a comunidade local quanto a necessidade de criação, implantação e no incremento das entidades de abrigamento. Fiscalizar as entidades de abrigamentos existentes; Incentivar os municípios a firmarem consórcio intermunicipal visando diminuir os custos da criação, implantação e incremento das entidades de abrigamento. Ingressar com ações judiciais próprias visando a inserção familiar de crianças e adolescentes. 8. Metodologia de Trabalho O projeto será realizado no âmbito do Estado de Goiás e consiste em cadastrar todos os locais no Estado onde se acolhem crianças e adolescentes em situação de risco. Instaurar procedimento administrativo ou inquérito civil público, visando apurar a realidade local dos abrigos. Em segunda etapa, almeja regularizar falhas evidenciadas nas entidades de abrigamentos. O CAOINFÂNCIA disponibilizará aos Abrigos cadastrados manual de orientação quanto à forma de registro no CNAS, CEAS e CMAS, além de material de apoio para sua execução; Apoio na parceria com o Sistema Único de Assistência Social SUAS. EVERALDO SEBASTIÃO DE SOUSA Promotor de Justiça / Coordenador do CAOINFÂNCIA 6