TÍTULO: CARACTERIZAÇÃO DOS CATADORES DE PAPEL NO COMÉRCIO DE FEIRA DE SANTANA -BA AUTORES: Celso Luiz P. da Silva, Clairton Batista Vieira, Gilmar Matias P. Júnior, Wilson Dourado Lima, Maria de Fátima Nunesmaia (Profa. Orientadora) ÁREA TEMÁTICA: V Meio Ambiente. Objetivo: Trabalho monográfico apresentado à disciplina Ciências do Ambiente, como parte dos requisitos para avaliação e conclusão desta disciplina, do curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Feira de Santana- Ba. DEDICATÓRIA Aos catadores ( Profissionais do Lixo ), pessoas humildes e dignas que realizam um papel de suma relevância no contexto ambiental, ainda que os mesmos e a sociedade em geral não se dêem conta deste fato. Sentimo-nos imensamente gratos.
1. INTRODUÇÃO A exclusão do homem da sociedade, causada pela falta de oportunidades de um trabalho digno, leva-o muitas vezes a sobreviver de maneira degradante, em condições de extrema pobreza. É o caso dos catadores, muitas vezes identificáveis como pessoas que migram para o centro das grandes cidades em busca de uma melhor qualidade de vida. No entanto, ao ingressarem na cidade, terminam por residir em locais de risco e de péssimas condições de vida. Além disso, como forma de garantia de sobrevivência, trabalham algumas vezes na Construção civil (setor caracterizado pela absorção de mão de obra desqualificada) e terminam absorvendo o trabalho informal de catação dos resíduos gerados pela população urbana. O município de Feira de Santana, localizado no Estado da Bahia, distante da capital, Salvador, aproximadamente 110 Km, tem um população de cerca de 500.000 habitantes, que produzem diariamente uma média de 350 toneladas de lixo, dispostos num aterro nas proximidades do Bairro Nova Esperança, distante 6 km do centro da cidade. A reciclagem dos resíduos sólidos, tem se revelado como alternativa viável para minimizar a poluição ambiental, gerando renda aos catadores, por meio de comercialização destes resíduos. O presente trabalho foi desenvolvido nas ruas do centro da referida cidade e descreve a atividade realizada pelos catadores informais, a importância do trabalho desenvolvido por estes no que se refere aos benefícios ambientais gerados, bem como e dá sugestões de gerenciamento dos resíduos da cidade envolvendo a participação dos catadores. 2. MÉTODO DE PESQUISA Numa breve pesquisa realizada no mês de março de 2001, visitaram-se locais de concentração de resíduos, no centro da cidade. Nestes locais a pesquisa consistiu em entrevistar os catadores informais de forma estratégica, a fim de obter informações do tipo: carga coletada por dia, tipos de materiais coletados, transporte utilizado, locais de venda dos materiais, nível de instrução do catador, preço do material coletado, entre outras.
3. RESULTADOS 3.1. CATAÇÃO A atividade de catação é feita por carrinheiros, carrinheiros de mão e carroceiros. São chamados de carrinheiros os catadores que transportam os resíduos em carrinhos de ferro montados em duas rodas traseiras, com aproximadamente 0,80 m de largura, 1,20 m de comprimento e 0,60 m de altura. Os carroceiros e carrinheiros de mão utilizam a carroça e o carrinho-de-mão respectivamente no transporte dos materiais coletados. Os catadores realizam a coleta dos materiais de três maneiras bem distintas: Coleta de papel seco, papelão e/ou jornal, os catadores coletam os papelões das lojas do centro; Coleta de vários tipos de materiais recicláveis, o lixo acondicionado em sacos é disperso nas calçadas após a triagem feita pelos catadores; Coleta de metais não ferrosos, em especial as latinhas de bebidas. Os coletores informais trabalham principalmente com papel classificado para venda em papel branco, jornal, misto e papelão; metais não ferrosos; e plástico. O vidro e o ferro não são materiais relevantes já que possuem valores econômicos insignificantes. 3.2. REALIZAÇÃO DA VENDA Existem duas maneiras de venda: O catador transporta diariamente o material coletado até o depósito, onde realiza a venda. Neste grupo prevalece a agilidade e juventude do catador, possibilitando uma maior quantidade de carga por dia e tornando-o maior responsável pelo funcionamento dos depósitos; O catador estoca o material em sua própria residência por não possuir grande capacidade física, seja por ter idade avançada ou por
possuir um transporte pequeno (carrinho de mão) não permitido coletar uma quantidade diária significativa de material. 1 3.3. RESULTADOS DA PESQUISA CAMPO Numa estimativa feita com relação a um determinado depósito entrevistado no decorrer da pesquisa, nos faz acreditar que cerca de 800 a 1000 toneladas de lixo seco é coletado na cidade de Feira de Santana, por mês. O que nos dá uma quantidade aproximada de 25 a 33 toneladas por dia. 2 Estes números creditam benefícios ambientais à esta cidade, tais como: Diminuição do lixo destinado ao aterro sanitário; Menor gasto energético na utilização dos materiais no processo de reciclagem, visto que o processo primário exige maior consumo energético; Economia de matéria prima como: petróleo, árvores e minérios; Diminuição no meio ambiente de descartáveis e de difícil degradação: vidro, plástico e metais. Os coletores informais também trazem benefícios sob a ótica social e econômica. Este tipo de profissional, geralmente considerado inserido no grupo da população marginalizada, encontram no trabalho de catação, muitas vezes, a única fonte de renda. No entanto, verifica-se que estes são explorados pelos proprietários de depósitos exercem um trabalho monopolista criando um vínculo onde as vantagens dos catadores são mínimas ou inexistentes seu trabalho é pouco valorizado, ou seja, o material coletado é repassado por preços irrisórios não condizendo com o trabalho por estes exercidos. O quadro abaixo relata a média de preços dos materiais coletados nas ruas de Feira de Santana: O tempo estimado para o transporte do material coletado dos locais de catação aos depósitos é de 30 min a 1 hora. Dentre os catadores podemos perceber também a inexistência de rivalidades e a diferença de postura no 1 Um outro motivo para esta opção de venda é o fato de existir uma grande quantidade de coletores em uma mesma zona, diminuindo a quantidade de material coletado. 2 A cada tonelada de papel seco representa de 10 a 20 árvores que deixam de ser cortadas, isto é, os catadores poupam mensalmente um corte médio de 8.000 árvores.
método de catação, ou seja, alguns demonstram sensibilidade ao não espalharem os materiais não valorizados. 4. SUGESTÕES PARA O GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS RECICLÁVEIS O principal objetivo deste projeto é apresentar sugestões para atividades de campo. Com base na realidade vista nas ruas de Feira de Santana percebemos a possibilidade de melhorar as condições de trabalho dos catadores, cuja atividade desenvolvida é de suma relevância, uma vez que os mesmos contribuem para o ciclo de reciclagem e preservação do meio ambiente. São elas: Cadastramento dos catadores informais por tipo de veículo utilizado durante a coleta dos materiais: carrinho, carroça ou carrinho-de-mão; Educação ambiental junto aos catadores orientando-os sobre a necessidade de coletar todo o lixo seco disposto em cada calçada; Educação ambiental junto aos lojistas sobre os catadores; Educação ambiental junto à população, incentivando a participar do dia do agente ambiental Slogan a ser atribuído aos catadores; Distribuição dos catadores por zona de trabalho; A cidade seria dividida em zonas, nas quais os catadores teriam área delimitada de trabalho; Construção de postos centrais de recolhimento estes postos funcionarão como galpões de reciclagem, ou seja, serão locais de triagem, pesagem, enfardamento e realização da venda dos materiais segregados; Compra de veículo para que a venda dos componentes recicláveis seja feita diretamente com a indústria a verba necessária para obtenção do veículo poderá ser alcançada por meio de campanhas junto à Prefeitura e empresários do comércio. 5. CONCLUSÕES De acordo com a pesquisa realizada constatou-se que os carrinheiros e catadores em geral encontram-se localizados nos principais aglomerados comerciais do centro da
cidade de Feira de Santana. A falta de um projeto estratégico que absorva de forma sistematizada os catadores, participantes diretos da reciclagem, tem permitido que sucateiros e depositários (atravessadores) obtenham lucro de catação contribui coma limpeza das ruas, melhorando o aspecto visual e ambiental da cidade. Desta forma podemos chegar às seguintes conclusões: A não existência de área própria à realização da triagem e do armazenamento dos materiais; a falta de trabalho em equipe e a impossibilidade atual de realizar a venda diretamente com a indústria ; têm contribuído no baixo preço dos materiais coletados; Estima-se que cerca de 25 toneladas diárias são coletadas pelos coletores informais; Os coletores, principalmente os carroceiros, também são responsáveis pela coleta de entulho; O material coletado nas ruas da cidade de Feira de Santana são vendidos pelos proprietários de depósitos em outros centros urbanos 3 ; Urge a necessidade de criação de uma parceria entre o Departamento de Limpeza Urbana e os catadores, no intuito de destinar um maior percentual de resíduos recicláveis à reciclagem, bem como acabar com o monopólio dos donos de depósitos junto aos coletores. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS II Simpósio Internacional de Qualidade Ambiental Gerenciamento de Resíduos e Certificação Ambiental Ana Cláudia Fernandes da Costa, MsC e Miguel Aloysio Sattler, PhD; Lixo municipal: manual de gerenciamento integrado / coordenação de Niza Silva Jardim...[et al.] Instituto de Pesquisas Tecnológicas CEMPRE São Paulo; Anais do Simpósio Internacional de destinação do lixo, realizado em Salvador, 28 a 30 de novembro de 1994. 3 Um dos proprietários entrevistados vende o material coletado para a cidade de Minas Gerais, onde a reciclagem é uma atividade desenvolvida em larga escala.