Em face da publicação do Decreto nº 1.565, de 28.07.2008 - DOE SC de 28.07.2008, este tópico foi atualizado. ICMS/SC - Mostruário - Tratamento fiscal Resumo: Este procedimento esclarece os aspectos fiscais relacionados com a remessa de mostruário para vendedores ou representantes comerciais autônomos (pessoa física ou jurídica), bem como o seu retorno ao estabelecimento de origem. Sumário 1. Introdução 2. Conceito 3. Diferença entre mostruário, demonstração e amostra grátis 4. Fato gerador na saída de mostruário 5. Base de cálculo 5.1 Determinação da base de cálculo na falta de valor da operação 6. Alíquota do imposto 7. Nota fiscal de remessa de mostruário 7.1 Emissão do documento fiscal 7.2 Modelo de nota fiscal de remessa de mostruário 7.3 Escrituração fiscal 7.4 Modelo de escrituração fiscal 8. Nota fiscal de retorno de mostruário 8.1 Emissão do documento fiscal 8.2 Modelo de nota fiscal de retorno de mostruário 8.3 Escrituração fiscal 8.4 Modelo de escrituração fiscal 9. Penalidades 10. Jurisprudência 1. Introdução Examinaremos neste texto os aspectos fiscais relacionados com a remessa de mostruário para vendedores ou representantes comerciais autônomos (pessoa física ou jurídica), bem como com o seu retorno ao estabelecimento de origem, com base na alteração na legislação introduzida pelo Ajuste Sinief nº 8/2008, que produz efeitos desde 1º.08.2008, e no RICMS-SC/2001, aprovado pelo Decreto nº 2.870/2001. 2. Conceito A operação com mostruário é caracterizada pela remessa de amostra de mercadoria, com valor comercial, a empregado ou representante, desde que esta retorne ao estabelecimento de origem em 90 dias. Nota O prazo de 90 dias poderá ser prorrogado, por igual período, a critério do Gerente Regional da Fazenda Estadual a que estiver jurisdicionado o estabelecimento remetente. Não será considerado mostruário o conjunto de mercadorias formado por mais de uma peça com características idênticas, tais como cor, modelo, espessura, acabamento e numeração. Nos casos de produto formado por mais de uma unidade, como meias, calçados, luvas, brincos, somente será considerado como mostruário se composto apenas por uma unidade das partes que o constituem. ( RICMS-SC/2001, Anexo 6, art. 286 ) 3. Diferença entre mostruário, demonstração e amostra grátis A seguir, apresentamos as diferenças entre as operações de mostruário, demonstração e amostra grátis, em virtude de muitas vezes serem confundidas:
a) mostruário - caracteriza-se pela remessa de amostra de mercadoria, com valor comercial, a empregado ou representante, desde que esta retorne ao estabelecimento de origem em 90 dias. Essa mercadoria fica em poder do representante para que este possa exibi-la para fins de venda; b) amostra grátis - nessa operação, produtos sem valor comercial são destinados a fazer o público conhecer a mercadoria fabricada ou comercializada pelo contribuinte, para fins exclusivamente promocionais, como forma de propaganda ou divulgação; c) demonstração - operação pela qual o contribuinte remete mercadorias a terceiros, em quantidade necessária para se conhecer o produto, desde que estas retornem ao estabelecimento de origem em 60 dias. 4. Fato gerador na saída de mostruário A caracterização do fato gerador independe da natureza jurídica da operação. O fato gerador do imposto ocorre no momento da saída de mercadoria do estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular. As saídas de mercadorias destinadas a mostruário estão sujeitas ao pagamento regular do imposto, qualquer que seja o destinatário ou recebedor (empregado ou representante comercial), ressalvada a hipótese de benefício fiscal previsto na legislação para as mercadorias objeto dessas saídas e desde que sejam cumpridos os requisitos que condicionam a sua aplicação. O contribuinte deve emitir nota fiscal com todos os requisitos legalmente exigidos, em nome do destinatário, com o destaque do imposto, se devido, que servirá para acobertar o transporte do mostruário nos trajetos percorridos. ( RICMS-SC/2001, art. 3º, I, Anexo 5, art. 32 e seguintes) 5. Base de cálculo O valor da base de cálculo na saída de mostruário é o mesmo utilizado nas demais operações, ou seja, o valor da operação, seguindo-se a regra geral prevista no Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina. ( RICMS-SC/2001, art. 9º ) 5.1 Determinação da base de cálculo na falta de valor da operação Caso o contribuinte não tenha realizado operações com a mercadoria e, portanto, não possua o valor da operação, a base de cálculo a ser utilizada na saída do mostruário será: a) o preço corrente da mercadoria ou de sua similar no mercado atacadista do local da operação ou, na sua falta, no mercado atacadista regional, caso o remetente seja produtor, extrator ou gerador, inclusive de energia; b) o preço free on board (FOB) estabelecimento industrial à vista, caso o remetente seja industrial; c) o preço FOB estabelecimento comercial à vista, na venda a outros comerciantes ou industriais, caso o remetente seja comerciante. Nota Na hipótese da letra "c" anterior, se o estabelecimento remetente não efetuar vendas a outros comerciantes ou industriais ou, em qualquer caso, se não houver mercadoria similar, a base de cálculo será equivalente a 75% do preço de venda corrente no varejo. Para a aplicação do disposto nas letras "b" e "c", deverão ser adotados os seguintes critérios, sucessivamente: a) o preço efetivamente cobrado pelo estabelecimento remetente na operação mais recente; b) caso o remetente não tenha efetuado venda de mercadoria, o preço corrente da mercadoria ou de sua similar no mercado atacadista do local da operação ou, na falta deste, no mercado atacadista regional. ( RICMS-SC/2001, art. 11 ) 6. Alíquota do imposto Na saída de mostruário para pessoa que não seja contribuinte do imposto, a alíquota será a mesma vigente para o produto nas operações internas, ainda que o destinatário esteja localizado em outro Estado. ( RICMS-SC/2001, art. 26 ) 7. Nota fiscal de remessa de mostruário
7.1 Emissão do documento fiscal Na saída de mercadoria destinada a mostruário, o contribuinte deverá emitir nota fiscal indicando como destinatário o seu empregado ou representante, a qual conterá, além dos demais requisitos, as seguintes indicações: a) no campo "Natureza da Operação": "Remessa de mostruário"; b) no campo do Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP): o código 5.949 (operações internas) ou 6.949 (operações interestaduais), conforme o caso; c) o valor do ICMS, quando devido, calculado pela alíquota interna da Unidade da Federação de origem; d) no campo "Informações Complementares": "Mercadoria enviada para compor mostruário de venda". O trânsito da mercadoria destinada a mostruário, em todo o País, deverá ser efetuado com essa nota fiscal, desde que a mercadoria retorne no prazo de 90 dias. ( RICMS-SC/2001, Anexo 6, art. 288 ) 7.2 Modelo de nota fiscal de remessa de mostruário NOTA FISCAL DE REMESSA DE MOSTRUÁRIO 7.3 Escrituração fiscal No livro Registro de Saídas, modelo 2 ou 2-A, serão escrituradas as prestações de serviços ou as saídas de mercadorias, a qualquer título, do estabelecimento. Serão também nele escriturados os documentos fiscais relativos às transmissões de propriedade das mercadorias que não tenham transitado pelo estabelecimento. Os lançamentos serão feitos em ordem cronológica, segundo a data da emissão dos documentos, sendo permitido o registro conjunto, pelos totais diários, dos documentos fiscais de numeração contínua, de mesma série e subsérie, relativos a operações ou prestações de mesma natureza, de acordo com o CFOP, exceto quando se tratar de alíquotas diferenciadas.
Na escrituração do livro Registro de Saídas, serão lançadas as seguintes informações: Coluna Informação Documentos Fiscais a espécie, a série, a subsérie, o número e a data dos documentos fiscais emitidos Valor Contábil o valor total dos documentos fiscais Codificação a) coluna Código Contábil b) coluna Código Fiscal o mesmo que o contribuinte utilizar no seu plano de contas o CFOP respectivo a) coluna Base de Cálculo o valor sobre o qual incide o ICMS Operações com Débito do b) coluna Alíquota a alíquota do ICMS que foi aplicada sobre a base de cálculo indicada na letra "a" c) coluna Debitado o montante do imposto debitado Operações sem Débito do a) coluna Isenta ou Não Tributada b) coluna Outras o valor da prestação ou da operação (deduzida a parcela do IPI, se consignada no documento fiscal), quando isentas, imunes ou não tributadas pelo ICMS, bem como o valor da parcela correspondente à redução da base de cálculo, quando for o caso o valor da prestação ou da operação (deduzida a parcela do IPI, se consignada no documento fiscal), quando ocorridas com suspensão ou diferimento do imposto Observações anotações diversas Os lançamentos nas demais colunas do livro Registro de Saídas, modelo 2, não referidas neste subitem obedecerão às disposições da legislação federal. ( RICMS-SC/2001, Anexo 5, art. 158 ) 7.4 Modelo de escrituração fiscal MODELO DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS 8. Nota fiscal de retorno de mostruário
8.1 Emissão do documento fiscal No retorno do mostruário entregue ou remetido anteriormente ao empregado ou ao representante legal não inscrito como contribuinte do ICMS, o transporte deverá sempre ser acobertado pela nota fiscal de remessa original. O contribuinte que receber em retorno o mostruário dessas pessoas deverá emitir nota fiscal relativa à entrada, creditando-se do imposto em valor igual ao do débito fiscal da saída. ( RICMS-SC/2001, Anexo 5, art. 39, I, Anexo 6, art. 290 ) 8.2 Modelo de nota fiscal de retorno de mostruário NOTA FISCAL DE RETORNO DE MOSTRUÁRIO 8.3 Escrituração fiscal No livro Registro de Entradas, modelo 1 ou 1-A, serão escriturados os documentos fiscais relativos à utilização de serviços e às entradas, a qualquer título, de mercadorias. A cada documento corresponderá um lançamento, desdobrado em tantas linhas quantas forem necessárias, segundo o CFOP, registrando-se as seguintes informações: Coluna Informação Data da Entrada a data da utilização do serviço ou da entrada efetiva, da aquisição ou do desembaraço aduaneiro, conforme o caso Documento Fiscal a espécie, a série, a subsérie, o número e a data do documento fiscal correspondente à operação ou prestação, bem como o nome do emitente e seus números de inscrição, estadual e no CNPJ Procedência a abreviatura da Unidade da Federação onde se localiza o estabelecimento emitente
Valor Contábil o valor total constante do documento fiscal Codificação a) coluna Código Contábil b) coluna Código Fiscal o mesmo que o contribuinte utilizar no seu plano de contas o CFOP respectivo a) coluna Base de Cálculo o valor sobre o qual incide o imposto Operações com Crédito do b) coluna Alíquota a alíquota do imposto que foi aplicada sobre a base de cálculo indicada na letra "a" c) coluna Creditado o montante do imposto creditado Operações sem Crédito do a) coluna Isenta ou Não Tributada b) coluna Outras o valor da operação ou da prestação (deduzida a parcela do IPI, se consignada no documento fiscal), quando isentas, imunes ou não tributadas pelo ICMS, bem como o valor da parcela correspondente à redução da base de cálculo, quando for o caso o valor da operação ou da prestação (deduzida a parcela do IPI, se consignada no documento fiscal), quando beneficiadas com diferimento ou suspensão do imposto ou quando não haja para o destinatário direito ao crédito do ICMS Observações anotações diversas Os lançamentos nas demais colunas do livro Registro de Entradas, modelo 1, não referidas neste subitem obedecerão às disposições da legislação federal. ( RICMS-SC/2001, Anexo 5, art. 156 ) 8.4 Modelo de escrituração fiscal MODELO DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO REGISTRO DE ENTRADAS 9. Penalidades A seguir, apresentamos, de maneira abrangente, em forma de tabela, as infrações e penalidades relacionadas ao documento fiscal. Infração Penalidade Fundamento legal Deixar de submeter, total ou parcialmente, operação ou prestação tributável à incidência do imposto Emitir documento fiscal sem o destaque, quando compulsório, do total ou de parte do imposto devido, ou indicando indevidamente que se trata de operação sem débito do imposto Multa de 75% do valor do imposto. Multa de 100% do valor do imposto não destacado. art. 52 art. 67 Emitir documento fiscal com destaque de imposto indevido, ou com destaque de imposto maior que o devido Multa de 75% do valor do imposto indevidamente destacado ou destacado a maior. Esta penalidade não será aplicada se o agente da infração comprovar, mediante intimação da autoridade fazendária, com prazo mínimo de 10 dias, devendo preceder a lavratura da notificação, que o destinatário não aproveitou o crédito relativo ao imposto indevidamente destacado. art. 68 Emitir documento fiscal consignando declaração falsa quanto ao estabelecimento remetente da Multa de 30% do valor da operação ou da prestação. art. 69
mercadoria ou prestador de serviço, ou quanto ao destinatário da mercadoria ou usuário do serviço Emitir documento fiscal ilegível, com omissões, com incorreções ou que apresente emendas ou rasuras que dificultem ou impeçam a verificação dos dados nele apostos Multa de R$ 5,00 por documento, não inferior a R$ 106,00, limitada a R$ 1.064,00. art. 70 Deixar de emitir documento fiscal, estando a operação ou prestação submetida à incidência do imposto e registrada no livro fiscal respectivo Multa de 3% do valor da operação ou prestação, não inferior a R$ 250,00, limitada a R$ 2.000,00. art. 71 10. Jurisprudência A seguir, apresentamos jurisprudência no sentido de que mercadoria em excessiva quantidade de cada item não caracteriza mostruário. 2004 28019893 - DIREITO COMERCIAL E FISCAL - MERCADORIA - MOSTRUÁRIO - APREENSÃO - É legal a apreensão de mercadorias pelo fisco estadual, quando embora as respectivas notas fiscais indiquem que se destinam a mostruário, o que fácil de conclui, pela excessiva quantidade de cada item, apurada na contagem física do estoque, é que, em verdade, tais produtos destinavam-se à comercialização. Agravo improvido. Decisão unânime. (TJPE - AI 88710-7 - Rel. Des. Márcio Xavier - DJPE 18.11.2004) Legislação Referenciada Ajuste Sinief nº 8/2008 RICMS-SC/2001 10.297/1996