Mudanças Climáticas Globais

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Transcrição:

Mudanças Climáticas Globais Carlos Nobre Centro de Ciência do Sistema Terrestre Instituto Nacional Pesquisas Espaciais - INPE Lançamento do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais PFPMCG São Paulo, 28 de agosto de 2008

O Aquecimento é inequívoco! Aumento das temperaturas atmosféricas O PROBLEMA Aumento do nível do mar Reduções da neve no HN e os oceanos e a alta atmosfera. 1896: Arrhenius liga causa a efeito!

CO 2 Emissions (GtC y -1 ) 5 10 9 8 7 6 5 Recent emissions DE DIFÍCIL SOLUÇÃO.. 0 Emissões 1850 estão 1900 além do 1950 cenário 2000 de mais altas 2050emissões! 2100 Actual emissions: CDIAC Actual emissions: EIA 450ppm stabilisation 650ppm stabilisation A1FI A1B A1T A2 B1 B2 1990 1995 2000 2005 2010 Taxa constantes de crescimento por 50 anos até 2050 B1 1,1%, A1B 1,7%, A2 1,8% A1FI 2,4% Trajetória das Emissões Globais de Combustíveis Fósseis 2006 Observações 2000-2006 3,3% Raupach et al. 2007, PNAS; Canadell et al. 2007, PNAS

Conteúdo Contribuições das instituições paulistas ao conhecimento sobre mudanças climáticas Desafios do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais Para onde caminha a ciência das mudanças climáticas globais O apoio do INPE ao PFPMCG

Contribuições das instituições paulistas ao conhecimento sobre mudanças climáticas Número de publicações por Abrangência Geográfica - 2002-2007 Países em desenvolvimento 328 (13,5%) América Latina 68 (2,7%) Brasil 38 (1,5%) São Paulo 24 (0,9%) Países desenvolvidos 2153 (81,4%) Seleção de artigos contendo as palavras-chave climate change, a partir de 20 periódicos de veiculação internacional ampla (e. g., Science, Nature, PNAS, etc.), durante os últimos 5 anos (2002-2007). Média da contribuição brasileira é de 2% (todas as áreas)

Monitoramento de Gases de Efeito Estufa Natal, Brasil Ilha da Ascenção METANO Fonte: P. Alvala, INPE

TENDÊNCIA ANUAL DAS Tmax E Tmin (1950-2000) Temperatura máxima Temperatura mínima Dias frios Noites frias Dufek e Ambrizzi (2005)

TENDÊNCIA ANUAL E DE EVENTOS EXTREMOS DA PRECIPITAÇÃO NO ESTADO DE SÃO PAULO 1950-2000 Tendência Annual da Precipitação Total Tendência de Eventos com P > 20 mm/dia Dufek e Ambrizzi (2005)

# Raios (/10.000) Resposta dos Raios a Mudanças Climáticas em escala Urbana: cidade de São Paulo Raios 20 18 16 Incidência de Raios X Temperatura por Década (1950-2000) R 2 = 0,762 Aumento de 30% por grau 14 12 10 17,5 18 18,5 19 19,5 Temperatura (C) Urbanização Pinto and Pinto, JGR, 2008

Interação de queimadas com o ciclo hidrológico na Amazônia Pyrocumulus Clouds Green Ocean Clouds

A adição de núcleos de Condensação de queimadas tem impactos profundos na microfísica de núvens Gotas grandes! Four aerosol regimes of: (A) Blue Ocean,(B) Green Ocean, (C) Smoky clouds, (D) Pyro-clouds Note that the narrowing of CDSD and the slowing of its rate of broadening with height for the progressively more aerosol rich regimes from A to D. Andreae et al., 2005

Uso da terra, queimadas e alterações biogeoquímicas Relação entre número de focos de queimadas e deposição de nitrogênio e alteração no ph da 4.8 5.6 4.9 4.8 ph da Chuva Deposiçãi úmida de N (kg N/ha.yr) 6.3 4.8 4.4 4.7 chuva relacionada a cobertura do solo e a presença de cana-deaçúcar Martinelli, L.e colaboradores (CENA/USP)

Área (10 6 km 2 ) Resultados de três estudos de modelagem para a Amazônia: 8 7.5 7 6.5 Nível Crítico 1) Biomas potenciais em equilíbrio após 40% de desflorestamento. Savanização da Amazônia e semideserto no Nordeste. Fonte: Sampaio, 2008. 6 5.5 5 4.5 4 3.5 Área Total Desmatada (%) 3 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Taxa de desflorestamento Floresta Savana 2) Biomas potenciais em equilíbrio para o cenário A2 de GEE período: 2090-2099. Savanização da Amazônia e semi-deserto no Nordeste para aumento de temperatura > 4 C. Fonte: Salazar et al., 2007. Floresta Savana 3) O desflorestamento da Amazônia, aumenta a temperatura e diminui a precipitação na região. Há amplificação do fenômeno El Niño- Oscilação Sul. Fonte: Nobre P. et al., 2008.

Baseline Scenario A Hot spots of deflorestation from 1997 a 2020 New frontiers in Central Amazonia: São Felix/Iriri (Terra do Meio) BR 163 (Cuiabá-Santarém) South of Amazonas BR 319 (Porto Velho-Manaus) Paved roads in 2010 Unpaved roads Main rivers Modelagem da Dinâmica de Usos da Terra % change 1997 a 2020: 0.0 0.1 0.1 0.2 0.2 0.3 0.3 0.4 0.4 0.5 0.5 0.6 0.6 0.7 0.7 0.8 0.8 0.9 0.9 1.0

Quimica da água e a bacia de drenagem: solo ou uso da terra. Qual o fator mais determinante? Urupá Na bacia do Rio Ji-Paraná a Ji-Paraná em Cacoal presença de pastagens correlacionou diretamente com o conteúdo de nutriente nos rios. 70 60 50 40 30 250 200 150 100 A correlação entre concentração de nutriente na água e vazão depende da cobertura da terra 20 50 10 0 0 0 50 100 150 200 250 300 350 Julian Day Q (m 3.s -1 ) Ballester, M.V.; Victoria, RL e colaboradores (CENA/USP)

(Ambrizzi et al 2007) Média sazonal A2 DJF anomalias de precipitação (mm/dia) [(2071-2085)-(1961-90)] DJF HadRM3P MAM JJA SON

(Ambrizzi et al 2007) Média sazonal DJF A2 anomalias de temperatura (oc) [(2071-2085)- (1961-90)] HadRM3P

noites quentes noites frias Tendências de temperatura simulada pelo modelo regional Precis (2071-2100) dias frios (Marengo et al 2007) dias quentes

Tendências de precipitação simulada pelo modelo regional Precis (2071-2100) (Marengo et al 2007)

Desafios do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais Detecção e atribuição de causas das mudanças climáticas Entendimento dos ciclos biogeoquímicos e biogeoquímicos Variabilidade climática natural e mudança climática Modelos do sistema climático global Como mitigar as emissões de gases de efeito estufa? Quais são nossas principais vulnerabilidades às mudanças climáticas? Como aumentar a capacidade adaptativa do país?

FAPESP irá contribuir para o desenvolvimento de Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global Mid-1970s Mid-1980s Early 1990s Late 1990s Around 2000 Mid 2000s Atmosphere Atmosphere Atmosphere Atmosphere Atmosphere Atmosphere Land Surface Land Surface Land Surface Land Surface Land Surface Ocean & Sea-Ice Ocean & Sea-Ice Ocean & Sea-Ice Ocean & Sea-Ice O Sistema Climático Sulphate Sulphate Sulphate Aerosol Aerosol Aerosol Non-sulphate Aerosol Non-sulphate Aerosol Carbon Cycle Carbon Cycle Dynamic Vegetation Atmospheric Chemistry

MITIGAÇÃO Emissões Brasileiras de CO 2 eq (1994) 1% 17% 20% 2% 55% 25% Energia Processos Industriais Uso de Solventes e Outros Produtos Agropecuária Mudança no Uso da Terra e Florestas Tratamento de Resíduos Foco em redução das emissões por usos da terra e agricultura Considerando GWP do CH 4 = 21

Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade Zonas Costeiras Agricultura Impacto do aumento da temperatura nas áreas potencialmente favoráveis (verde) para cultivo de soja no Brasil.. Fonte: Eduardo Assad, Embrapa. Tendência de realinhamento do litoral devido a mudança na direção de propagação das ondas Tendência de realinhamento da linha de praia, criando sérios problemas em enseadas urbanizadas, e.g. Copacabana, Ipanema-Leblon, etc. (efeitos persistentes) Fonte: Paulo Rosman, COPPE-UFRJ

Adaptação de Sistemas Humanos Perigo/Risco Impacto Exposição Capacidade Adaptativa Vulnerabilidade A complexidade das dimensões humanas.

Para onde caminha a ciência das mudanças climáticas globais Quantificação de riscos sistêmicos Redução das incertezas e projeções futuras mais relevantes Impactos, adaptação e vulnerabilidade Tecnologias de descarbonização

Antropoceno A influência da humanidade no Planeta Terra nos últimos séculos tornou-se tão significativa a ponto de constituirse numa nova era geológica Prof. Paul Crutzen Prêmio Nobel de Química 1995

Poderá o Brasil, no Século XXI, tornar-se uma potência ambiental ou o primeiro país tropical desenvolvido?

O papel de C&T O desafio de uma geração é inventar um novo paradigma de desenvolvimento para o Brasil, baseado em C&T, reconhecendo que os usos racionais dos abundantes recursos naturais renováveis e da biodiversidade podem ser a grande alavanca para o desenvolvimento.